Do I Wanna Know escrita por gryffinanda, Queen Pettyfer


Capítulo 5
Capítulo 5 — Sempre tenha um filtro d'água


Notas iniciais do capítulo

Oi... Mas olha só quem ressurgiu das trevas depois de sete meses escrevendo um único capítulo!
Tô tão envergonhada que eu nem sei o que escrever aqui ;-;
Btw, também acho que perdi a mão pra escrever, mas, believe me, melhora no próximo cap ;-;
AAAHHH, um obrigada super especial à Izzoca, que me ajudou a escrever. ♥ Aliás, o cap ainda não foi betado, então pequenas mudanças podem ocorrer.



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/537349/chapter/5

No verão passado, logo depois que Matty morreu, haviam momentos em que eu pensava que, se desejasse com força, ele entraria pela porta a qualquer momento. Alguns meses depois, no Natal, eu realmente pensei que ele estava lá, com seu sorriso de "Rye, relaxa, garota". Parecia tão real que se alguém me perguntasse eu seria capaz até de descrever as roupas que ele usava. Eu era até capaz de ver meu mundo se alinhando novamente.

Agora percebo que ele nunca realmente voltaria, talvez nem se estivesse vivo. Era só uma ilusão de que ele faria por mim as mesmas coisas que eu faria por ele sem nem pensar duas vezes.

Eu me perguntava porque ele me afetava mais depois de morrer do que quando estava vivo.

"Talvez por ler tantos livros de poesias por aí, ele tenha acabado se tornando uma."

O barulho das chaves no portão de casa me distrataram da frenética coleção de textos avulsos que eu estive pensando a manhã toda e só tivera tempo de passar para o papel quando cheguei da escola. Péssima escolha, já que saí com Davina e um de seus "pretendentes de ter uma amizade colorida casual com a Rurye". Ele era o único garoto por quem eu realmente teria uma queda se conhecesse melhor. O único problema era: no quesito conversar, nós éramos péssimos, graças à existência dela. Tudo que eu contava para ela sobre mim, Davina me falava em dobro tudo que sabia dele para mim. Ela nem percebia que fazia isso; Davina era um tanto quanto excêntrica no quesito de ser a cupido do grupo, porém seus conselhos eram os melhores, desde que ela não envolvesse seus terríveis poderes amorosos sobre as pessoas.

Ouvi os passos no linóleo do chão da sala de estar, reconhecendo o andar arrastado de minha avó. Ela parou, como se soubesse que não estava sozinha, antes de perguntar:

— Rurye? Está em casa?

Pensei seriamente em não responder. Para minha vó, eu era quase como um fantasma. Ela não me ouvia e, muitas vezes, sequer me via durante a tarde.

— Sim! — resolvi responder após alguns segundos.

— Ótimo! Irei fazer seu almoço agora. Tire essa sua bunda dessa cadeira depois e venha fazer as minhas unhas, ok?

Dei risada. Vovó adorava quando eu fazia suas unhas, e eu também não reclamava. Comunicar-me com ela sempre fora algo complicado, desde quando era criança. Então, quando encontrávamos algo em comum, ambas apreciávamos aquele pequeno espaço em que nada mais existia, apenas eu, vovó e o cheiro de acetona e esmaltes.

— É, claro — respondi.

Assim que virei para frente, o momento de felicidade havia desaparecido.

Algumas vezes eu me sentia tão triste, do nada. Encarava as paredes brancas do meu quarto, por horas à fio, sem nem me mover, sentido as batidas do meu coração, e me perguntando, por que, por que, Deus, o meu coração bate quando eu desejo exatamente o oposto? Em momentos como esses, nada do que me dizem, ou diriam, já que me tranco no quarto quando isso acontece, importa. Porque, em momentos como esses, eu não existo.

Virei a página, sentindo-me desolada e fiz a única coisa que sabia: escrevi.

"Obrigada, mãe, por ter me dado esta vida e perdoe-me se não sou capaz de amá-la o suficiente."

***

— Ideias, Ruby! Como minha melhor amiga, você deveria me dar ideias, não jogar Monopoly com minha família e esse encosto!

Ri, jogando os dados, e soltando um guincho de felicidade ao ver os números iguais.

— Finalmente! — disse, jogando-os novamente e saindo da cadeia após duas jogadas sem me mover.

Davina bufou e dirigiu-se para o quarto. Pude ouvi-la esvaziando seu guarda-roupa no chão.

— Alguém está de TPM — George comentou.

— E alguém precisa parar de jogar a culpa de um dia estressante em ideias pré-históricas de que uma mulher só pode estar irritada se estiver de TPM. Quando você surtou por não ter tomado café na semana passada, você nos ouviu te julgar ou culpar a sua irritação em cima de uma desregularização dos hormônios do seu corpo completamente fora do seu controle? Não. Eu te paguei um café grande, babaca.

— Ouch — Damen riu. — Essa doeu, cara.

— Como parte da minoria dessa casa — Laurel, a tia/mãe do meninos, comentou —, tenho que concordar com a Ruby nessa.

— Ei, cara, eu também concordo. Ela definitivamente entregou a sua bunda careta em uma bandeja de prata com uma maçã bem no meio do seu...

— Ok, Damen, nós entendemos! — Dom o interrompeu, tampando os ouvidos.

Ri, assim como todos os outros, com exceção de Dimitri, que limitou-se a esboçar um pequeno sorriso. De todos os Turner, ele era o único com que eu não tinha contato. O garoto era um enigma.

— Com licença, rapazes — comentei, levantando-me —, e Laurel, porém, aparentemente, tenho uma crise a resolver.

Dei passadas largas até o quarto de Davina, apenas para abrir e porta e encontrá-la sentada no meio de uma pilha de roupas, chorando silenciosamente, como uma garotinha de quatro anos.

— Dav... — chamei-a, sentando-me ao seu lado e acariciando seus cabelos levemente.

Ela soltou um soluço audível e enfiou a cabeça no vão do meu pescoço. Pude sentir lágrimas e catarro molhando minha camiseta favorita. Ah, os sacrifícios que fazemos pelos amigos.

— Ah, Dav... — Continuei acariciando seus cabelos, esperando até que ela relaxasse um pouco para me dizer o que estava errado.

— Sinto muito, Ruby — ela fungou. — Não queria surtar com você. É só que... Que...

Um barulho monstruoso saiu de dentro do corpo pequeno de Davina, enquanto ela deitava-se no meu ombro novamente e recomeçava a chorar, mais forte do que antes.

— Isso não é só sobre a festa a fantasia da Izzy na sexta, não é mesmo?

— Tá tão na cara assim?

— Não muito... Mas eu te conheço, Dav.

— Jesus. Essa história de ter uma melhor amiga menina é realmente complexa.

— Mas legal, né? Não sou só eu que sinto o laço profundo entre nossas almas que durará eternamente?

Davina riu levemente, de forma curta e leve, assim como ela. Depois, levantando-se do meu colo, limpou as lágrimas que escorriam por seu rosto.

— Meu rímel está muito borrado?

Olhei a bagunça que Davina havia feito em seu rosto e tentei não rir, falhando miseravelmente.

— Rurye Marie McLean! Você é uma péssima amiga!

— Ah, não, não me venha com Rurye Marie pra cima de mim! Não acredito que te contei meu nome do meio!

— Ei, não reclame! Marie é um nome lindo. Bem melhor do que Davina Calliope Turner. Quem dá o nome de Calliope pra própria prole? É como pedir que eles sofram bullying não só na escola, mas na vida!

Rimos juntas mais algumas vezes, zoando uma outra, até que finalmente levantamos do chão, Davina apoiando-se em meus ombros para se levantar e eu fazendo-a me puxar para cima uma vez que estava de pé, e nos dirigimos ao banheiro.

— Obrigada — ela disse, sentada na tampa da privada, enquanto eu passava um lenço umedecido em seu rosto para remover a bagunça de rímel.

Sorri para ruiva sentada em frente à mim.

— Para que servem os amigos?

***

Após algumas horas de ideias rejeitadas por Davina e algumas mensagens ameaçadoras que ela recebeu do meu pai, já que meu celular estava no conserto, finalmente fui liberada para ir para casa e ter o meu merecido sono de vampira.

O loft dos Turner parecia extremante ameaçador durante a noite, ainda mais com quase todos os seus residentes dormindo, coisa que eu deveria estar fazendo. E, é claro, a minha sede definitivamente escolhia os melhores momentos para aparecer.

Respirando fundo, andei até a cozinha, com medo de acender as luzes cegantes que iriam acordar toda a família, até mesmo os fantasmas que certamente viviam aqui, mas com medo de acertar meu quadril e joelhos em alguma quina ou mesa que poderia aparecer na minha frente. Tateei meu caminho e cheguei na cozinha. O frio dos azulejos começou a invadir minha pele e eu acendi a luz, afinal estávamos longe demais de qualquer ser adormecido para ela ser um incômodo.

Quase gritei ao ver a figura esguia e pálida parada no balcão que mexia calmamente no celular. Dimitri simplesmente olhou para mim com o canto do olho e voltou a teclar com lentidão as teclas pretas de seu celular antigo.

— Olá, Rurye — ele comentou sorrindo de lado enquanto eu procurava o filtro d'água com os olhos. Minha boca parecia ter ficado ainda mais seca nesses pequenos segundos que se passaram em silêncio e eu acabei ficando ainda mais desesperada. — O que está procurando?

— O filtro d'água — respondi.

— Nós não temos isso — Dimitri comentou desencostando-se do balcão. A barra de seu pijama tinha ficado levemente molhada e eu tinha certeza de que se isso fosse comigo eu já teria ficado desconfortável, mas Dimitri não parecia ligar para isso. Ele andou até a geladeira e retirou uma garrafa d'água de dois litros ainda com a embalagem de uma marca desconhecida para mim. Dimitri colocou a garrafa no balcão e pegou um copo com decoração do Relâmpago McQueen que estava perto da pia. Ele colocou a água no copo e eu passei a língua nos meus lábios que estavam levemente rachados, Dimitri nem ligou para isso e me entregou o copo. Quando ele fez este movimento sua camisa cinza ergueu-se de leve e um pouco de seu abdômen claramente definido ficou à mostra.

— Obrigada — sorri para ele tentando parecer amigável.

Seja gentil com as pessoas, Rurye. Mesmo que você queira bater na cabeça delas com um taco, a voz do meu pai ecoou na minha cabeça enquanto eu bebia toda a água em um gole só.

— Uau. Você estava realmente com sede — Dimitri comentou parecendo impressionado.

— Você nem imagina.

Encarei o fundo do copo de vidro, querendo desesperadamente pedir por mais, porém não querendo soar como uma morta de sede. Após alguns segundos organizando meus pensamentos, estiquei o copo de volta para Dimitri.

— Obrigada — repeti.

Como se soubesse no que eu havia pensado, Dimitri colocou mais água no copo, enchendo-o até a boca. Minha garganta implorou por mais daquele líquido precioso, mas aparentemente Dimitri tinha outros planos.

— Quer mais, Rurye? — perguntou, com um meio sorriso sacana nos lábios. Revirei os olhos, sabendo que cairia em seu joguinho independente de qual fosse a minha resposta.

Retirei o copo de sua mão e entornei o líquido gelado, parando na metade do copo, ligeiramente satisfeita.

— Sabe... — comecei. Havia aprendido com o tempo que a melhor forma de não cair no jogo de alguém é criar o seu próprio, divergindo a atenção do indivíduo. — Ao invés de ficar comprando garrafas de água deliberadamente por aí, investir em um filtro d'água seria bem mais prático. É só pegar a água da torneira, colocar no filtro e pronto. Água potável.

Dimitri riu profundamente, mas ainda assim de forma suave. Achei impressionante como a risada dessa família refletia a personalidade única de cada um.

— E quem garante que você não está bebendo água da torneira agora mesmo? — perguntou, inclinando-se em minha direção. Pude sentir sua respiração mentolada pela pasta de dente em meu rosto e tive que me conter para não cuspir a água que bebia por toda a minha roupa.

Ele riu ainda mais, porém contendo-se para não me deixar envergonhada, depois começou a sair da cozinha, detendo-se alguns centímetros atrás de mim.

— Sabe, Rurye — disse, sussurrando perto do meu ouvido, de braços cruzados —, até que essa conversa não foi tão ruim. Nós deveríamos fazer mais disso.

E continuou andando, indo em direção ao quarto que dividia com Davina, tomando cuidado para não acorda-la.

Pensei em tudo que sabia sobre Dimitri até o momento: a esterilidade com que limpava suas coisas, os jogos que gostava, as aulas que matava, o jeito como tratava sua família e George, e a forma como mantinha seus segredos escondidos de todos, mostrando-se apenas através de seus olhos.

Se tivesse que apostar em alguém, tinha certeza que Dimitri Turner seria a minha destruição.

***

— Qual é o shampoo que eu uso? — perguntei, apontando para as mil opções.

— Acho que esse roxo aqui, mas não tenho certeza. — Desde que minha mãe morreu, meu pai havia decidido que não seria que nem os pais descuidados e incapazes de cuidar de filhas da televisão, então ele praticamente passou quatro dias no computador aprendendo como ser útil nos anos da puberdade da pequena Rurye McLean que estavam chegando. Felizmente, ele não havia precisado me ensinar como os meus órgãos reprodutores funcionam pois a minha antiga professora de biologia já havia feito isso, salvando-nos de uma longa e estranha conversa.

— Vamos pegar o roxo e o verde — decidi, colocando os dois no carrinho já cheio. — É melhor prevenir do que remediar.

— Não. É caro demais e eu não sou feito de dinheiro. Escolhe um.

— Mas eu nem sei a diferença entre seco e quebradiço! — protestei, segurando os dois shampoos nas minhas mãos.

— Então pega o verde. Ele hidrata. Viu? — meu pai mostrou a embalagem para mim. — Hi-dra-ta.

— Tá. — Bufei.

— Ótimo. Agora — ele se aproximou de mim como se fosse me contar um segredo hiper perigoso — você precisa de absorvente?

— Pai, eu te disse que essa palavra é proibida!

— Desculpa, desculpa. — Ele levantou as mãos, o anel dourado e velho ainda descansando em seu dedo anelar esquerdo.

Rapidamente me lembrei da festa da Izzy e de como eu precisava da autorização de Earl McLean para ir.

— Ei, pai?

— Oi.

— Uma amiga minha vai dar uma festa na sexta. Posso ir? — Dei o meu melhor sorriso angelical e pisquei os olhos várias para parecer menos com um monstro e mais com a princesa que ele dizia que eu era.

— Não sei, filha... O seu celular já quebrou...

— Mas nem fui eu que quebrei!

Maldito Luke com suas malditas trombadas.

— Eu sei, mas... Não tenho certeza disso.

— Se eu não for na festa, minha vida social vai estar tão acabada que eu não irei arrumar emprego e nem marido e nem colega de quarto, então adivinha no sofá de quem eu vou morar?

— O quê? Não exagere, Ruby.

— Exagerar? O meu amigo Dominick é um gênio e ele será o chefe de alguma empresa importante e rica e, além de tudo, isso ele é mais amigo dessa amiga do que de mim, então se ela ficar chateada comigo, ele também vai ficar e não irá me dar um emprego. — Parei para respirar. — E a Davina quer que eu vá nessa festa porque ela está com uns problemas e, se eu não for, adeus a colega de quarto, tudo por sua culpa.

— E o marido?

— Prefiro não falar sobre isso.

Ele parou para pensar e coçou o queixo com a mão esquerda. Meu coração começou a bater mais forte e eu quase explodi de tanta ansiedade.

— Ok. Tudo bem. Mas nada de chegar com garotos ou com cheiro de bebida. Finja para mim que você é responsável.

Fiquei tão feliz que abracei meu pai com toda a força que tive. Ele riu e me abraçou de volta, certamente surpreso por não fazermos isso há algum tempo.

— Mas sério... E o marido? — ele perguntou um pouco mais assustado do que antes.

Ri suavemente, balançando a cabeça e andando em direção aos congelados.

Malditas adolescentes com suas malditas idéias mirabolantes.


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!


Notas finais do capítulo

Acho que vocês perceberam que esse cap foi consideravelmente maior do que os outros, mesmo que não o mais animado. Quis compensar a minha falta de consideração com vocês, que espero que não tenham abandonado a fic. Nessas férias, eu pretendo escrever beeeem mais, até mesmo porque não tenho a desculpa que ano que vem será mais calmo (terceirão, lá vamos eu). Pretendo também postar algumas ones que venho adiantando há algum tempo e a minha fic de Harry Potter UA também, se Merlim quiser.
Espero que tenham gostado e, se sim, por favor, comentem, mesmo que eu não tenha o direito de pedir nada a essa altura do campeonato, mas né. Não custa e não mata :D
Beijos, amores, e até o próximo. ♥



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Do I Wanna Know" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.