Do I Wanna Know escrita por gryffinanda, Queen Pettyfer


Capítulo 4
Capítulo 4 — O Lado Negro da Força


Notas iniciais do capítulo

Well, hello. Cá estou eu dois meses depois (um mês a menos que a última vez, aksjkak).
Espero que gostem, acabei de terminar este cap ^-^



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Lá em Lawrence, nós não tínhamos muitas regras sobre o recreio. Eu estudei na escola de lá, o Marine, durante todo o ensino fundamental e uma parte do primeiro ano do ensino médio, e nunca fui julgada por trazer lanche de casa. Uma das coisas que eu aprendi quando cheguei no Maur foi que você não trás lanche de casa, em nenhuma circunstância. Ou você compra um pacote de bolachas na cantina, ou nem se incomoda em comer.

Na sexta, eu finalmente achei dois dólares jogados em uma calça jeans antiga minha e consegui comprar um pacote de bolachas. Foi legal, pois pude dividi-lo com Dominick, que nunca comia nada. Ele era bem magro, então assumi que fosse assim por não comer muito.

Eu gostava de observá-lo. Dom era sempre calmo, independente da ocasião. Gostava de ver o jeito com que sua pálpebra esquerda tremia quando o sol batia em seu rosto e gostava do jeito com que ele subia seus óculos em seu rosto, empurrando-o sobre a ponte do nariz. Também gostava do fato de que ele conversava comigo sem fazer perguntas muito pessoais, mas mesmo assim ele era o único em Booden que realmente me conhecia, até meus defeitos, como se convivesse comigo há anos. Eu estranhava o fato dele não namorar ninguém, já que era tão fofo.

Foi por isso que me assustei quando, naquela tarde, uma dupla de garotas passou por nós e parou para cumprimentá-lo.

— Oi, Dom — disse a menina mais baixinha. Ela tinha cabelos encaracolados, pele morena e olhos castanhos brilhantes. Acho que estava na nossa aula de inglês. — Oh — murmurou quando percebeu que eu estava ali. — Você é a Rurye, certo? Eu amei o jeito que leu aquele poema na sala outro dia. Fez ele parecer bem mais interessante do que no livro. E você lê muito bem. Eu sou a Izzy, aliás.

Ela estendeu a mão para mim, apoiando seu caderno na perna de Dom com a mão livre e deixando-a ali por mais tempo que o necessário.

— Ruby — corrigi-a. — Pode me chamar de Ruby.

— É um prazer te conhecer, Ruby. Essa é a Ellen, mas nós a chamamos de Lala, porque quando éramos pequenas ela falava que seria uma Lady quando crescesse.

Olhei para Lala, que tinha cabelos castanhos, coxas torneadas e a pele bronzeada. Ela tinha um ar exótico, como eu que era parte russa.

— Você veio do Ocidente? — perguntei.

Ela sorriu, como se não ouvisse aquilo diariamente.

— Sim, na verdade. Obrigada por notar. Meus pais são búlgaros.

— Meus avós maternos eram russos e meus paternos porto-riquenhos. Eu sou Ruby.

Apertei a mão dela, feliz por ter novos amigos.

— Fico feliz que tenham se dado bem — Dom comentou, finalmente tendo uma chance de falar. — A Ruby ainda não teve a oportunidade de conhecer outras meninas além de Davina, então ela ainda é do lado bom da Força.

De repente, Lala parecia bem mais interessada em mim do que em sua latinha de coca-cola.

— Ah, meu Deus! — ela exclamou, com a mão na boca para limpar um pouco de refrigerante que ela havia cuspido. — Finalmente, alguém intelectual, interessante e bonita que não tenha sido corrompida!

Fiquei confusa com seu comentário e tentei não me sentir envergonhada por ela ter me chamado de bonita. Por mais que já tivesse ouvido elogios como aquele antes, eu nunca iria me acostumar. Eu não costumava ser a amiga bonita.

— Obrigada? — perguntei, um pouco confusa. — Levarei isso como um elogio.

— Ótimo, porque foi — Izzy replicou. — Nenhuma garota dessa escola é do lado negro da Força. Com exceção, é claro, de nós. Se bem que conseguimos ser bem boazinhas algumas vezes.

— Boazinhas? — perguntei e Dominick riu, explicando depois:

— Você sabe como em escolas sempre tem aquela turminha do mal e outra do bem? Então, no nosso caso, a turminha do bem que ajuda todo mundo são os populares. A turma do mal é constituída basicamente só da Izzy e da Lala.

— Qual é, Dom, nós não somos tão... — Izzy começou, porém Lala murmurou algo sobre estarem atrasadas e puxou ela pela mão para longe de nós. — Hm, foi bom te conhecer, Ruby! Te vejo hoje à noite! Tchau, Dom, te vejo depois!

— Por acaso "te vejo hoje à noite" é o jeito que vocês se cumprimentam por aqui? — ri.

— Ela tava te convidando pra sair com a galera hoje — Damem magicamente apareceu do meu lado e roubou uma das minhas bolachas. Não me incomodei. — Nós vamos no Paollo's toda sexta à noite.

— É uma lanchonete/pizzaria aqui perto — Dominick comentou, espreguiçando-se e esbarrando a mão em meu cabelo. Arrepiei-me. — Desculpa, era uma mosca.

— Não, tudo bem. Obrigada.

Damen encarava-nos calmamente.

— Enfim, Ruby — interrompeu o silêncio após alguns segundos —, você vai?

— Claro. Passo na casa de vocês mais tarde.

Dominick e Damem acenaram e saíram, caminhando em direção à cantina. Fiquei sentada na mureta, perto das mesas da cafeteria, fazendo o que fazia de melhor: observando.

Eu era ótima nisso antes e, agora que estava em uma escola nova, essa habilidade parecia ter melhorado. Era como se eu fosse um fantasma na frente deles, uma assombração que eles insistiam em fingir que não estava ali. No fundo, eu sabia que não era assim. Algumas meninas cumprimentavam-me com a cabeça e eu percebia que alguns meninos encaravam-me quando passava por eles no corredor.

E eu tinha os Turner. Davina era como uma melhor amiga, algo que eu não tinha há um bom tempo. Damem era o palhaço, com seu cabelo sempre raspado, que conseguia colocar um sorriso em meu rosto todos os dias. Dominick fazia-me companhia e ajudava com meus estudos. George e Dimitri eram outra história. Não éramos muito chegados e eles cabulavam muitas aulas fazendo Deus sabe o quê, mas sempre deixavam que eu jogasse videogames com eles quando não queria ficar em casa. Eu estava lá há três semanas e tinha as melhores pessoas da cidade como amigos.

Ainda assim, eu não poderia sentir-me mais solitária.

***

Era fisicamente impossível que eu me sentisse mais desconfortável.

O sofá onde eu estava sentada era duro demais, meu café estava fraco e frio, não comia nada há pelo menos cinco horas e era educada demais para mexer no celular na frente do psicólogo a minha frente.

— Como foi o seu dia? — perguntou o dr. Banner em uma tentativa de me fazer falar.

Lutei contra a vontade de revirar os olhos e respondi:

— Normal.

Estávamos em silêncio desde o começo da sessão, há cinquenta minutos. Dr. Banner tentou puxar assunto em alguns momentos, mas sempre respondi vagamente, logo voltando minha atenção à outra coisa como, por exemplo, os trinta e sete arranhões de giz de cera espalhados pela parede atrás de sua cadeira, provavelmente feitos por pirralhos catarrentos.

— Seu pai veio aqui semana passada. Ele parece um cara legal — comentou.

— Eu sei.

Dr. Banner suspirou.

— Ele comentou sobre sua insônia e sobre como você se recusa a conversar sobre isso.

— É estresse.

— Estresse causado por traumas recentes, não pela escola ou algo assim. Suas notas são boas, você tem um bom relacionamento com sua família e seus amigos...

— Meus antidepressivos acabaram há duas semanas e não tivemos tempo de marcar uma consulta. Nós já teríamos acabado isso aqui há um bom tempo se você simplesmente tivesse comentado sobre isso antes — encarei-o, ficando em silêncio por alguns segundos. — Vai me receitar mais ou não?

Dr. Banner suspirou novamente, pegando bloco de receitas e escrevendo rapidamente. Quando terminou, arrancou a folha e esticou-a para mim.

— Mais uma coisa — disse e recolheu a folha quando fiz menção de pegá-la. — Já pensou em atividades físicas para ajudar com o estresse?

Cedi a vontade de revirar os olhos e suspirei pesadamente.

— É bem eficaz — ele disse. — Quando passar na farmácia ao lado para pegar seu remédio, peça ao Robin, o farmacêutico, um folheto da academia da família dele. Certo?

Ele ficou quieto por alguns segundos, esperando uma reação de minha parte. Encarei a receita em suas mãos e finalmente concordei, pegando-a e indo embora.

Do lado de fora estava nublado, do jeito que eu gosto. Lamentei que não havia chuva; eu a amava. Não chovia nem aqui nem em Lawrence há meses, porém eu ainda ouvia gotas batendo na minha janela em um som ensurdecedor e não faço ideia do porquê. Eu sinto falta da chuva.

Decidi passar na farmácia depois, já que estava sem dinheiro e iria me atrasar para ir ao Paollo's. Coloquei o capuz do casaco preto que usava, apertando a alça de minha mochila contra meu corpo e comecei a andar. Estava na metade do caminho de casa, trocando de música no celular, quando esbarrei em algo.

Ou melhor, alguém. Um indivíduo alto, da minha idade e... Extremamente bonito. Tipo, muito bonito mesmo, não os eufemismos que garotas da minha idade costumam usar.

— Sinto muito — ele disse, abaixando-se e pegando meu celular que havia caído no chão. — Droga. Eu sinto muito mesmo, sério, eu pago pelo conserto...

— O quê? — perguntei, como uma idiota.

— Seu celular — riu. — A tela quebrou quando caiu.

Olhei para meu celular, em choque, e vi que a tela estava completamente rachada.

— Puta que pariu! — exclamei. — Droga! Droga, droga, droga... Meu pai vai me matar!

— Eu sinto muito, de verdade. Vou pagar pelo conserto e por qualquer outro dano.

— Não, não foi culpa sua. Sério, eu que sou distraída, já quebrei sete celulares antes e...

— Pelo amor de Deus, Ruby, pare de falar — disse, rindo.

Fiquei em choque, quieta, olhando para ele e pensando se conseguiria vencê-lo em uma corrida desenfreada pela minha vida. Como caralhos ele sabia meu nome?

— É Ruby, certo? — perguntou. — Eu sou péssimo com nomes. Nós estudamos na mesma escola. Temos aula de literatura, física e teatro juntos.

— Como eu nunca te vi antes e como você sabe meu nome? — perguntei, revirando minha mente atrás de informações sobre... O garoto desconhecido. — Aliás, qual o seu nome?

— Eu fico no meu canto, presto atenção em pessoas interessantes, e meu nome é Luke Grace, prazer — disse, estendendo a mão. Apertei-a e ambos sorrimos.

Eu acho que este é o começo de uma bela amizade.


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Notas finais do capítulo

To pelo cel, então é meio difícil procurar links. O Luke é o Douglas Booth, procurem essa gostosura no google u_u e a Lala é a Ninoca Dobrev e a Izzy a Zendaya Coleman.
Vejo vocês em breve (esperançosamente, HUE)
E, se gostarem, comentem, isso me deixa muito feliz!



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