Do I Wanna Know escrita por gryffinanda, Queen Pettyfer


Capítulo 1
Capítulo 1 — A vida não é tão bela assim


Notas iniciais do capítulo

Hey, guys! Me digam o que acharam, okay?
Beijos!



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Que o mundo explodisse. Que se danasse a bendita da razão. Que não houvesse mais luz do sol. Qualquer uma dessas opções seria melhor do que o buraco de fim de mundo onde meu pai comprou uma casa.

Minha mãe uma vez me disse que em Booden, Texas, só existiam dois tipos de pessoas: as que estavam empacadas demais para sair e as burras demais, que tinham lido Bíblias antigas tantas vezes que o pó acabou parando no cérebro delas. Ela foi uma das poucas pessoas que conseguiu sair de lá para fazer faculdade e agora meu pai havia comprado a casa antiga dela e estava arrastando nossos trapos para lá. Mamãe devia estar se revirando no túmulo.

Nós queríamos nos mudar há muito tempo e a queda do preço da casa de infância de mamãe veio em boa hora. Honestamente, o que eu mais queria era sair deste lugar e parar de ser conhecida como a melhor amiga do garoto morto – mas isso é uma história para depois.

Neste exato momento, estou mais focada no short rosa que minha avó jogou em cima da minha cama que, só para constar, é macia como o trono do diabo. Aquela peça de roupa indesejada parecia um holofote no meio do meu quarto.

— Olha o que a sua prima Júlia te mandou, Rurye! — ela disse, toda animada como se a Júlia realmente se importasse com o que eu visto ou deixo de vestir. Provavelmente a mãe dela só mandou o short porque não cabia mais nela. — Não é bonito?

— É sim, vó. — Na minha casa, havia uma regra simples: nunca, em nenhuma circunstância, desrespeite sua vó. Tenho essa regra gravada a ferro na minha mente desde que era criança. — Mas acho que vou usar um dos meus antigos mesmo. Afinal, é só uma mudança.

Vovó revirou os olhos e me fuzilou com o olhar:

— Ó, você fica usando esses trapos de roupa, assim não vai arranjar um marido. E prende esse cabelo direito! — Eu odiava coques frouxos, já que em todas as histórias o boybandis integrantis se apaixona pelo espécime nerd de coque frouxo. Meu cabelo só estava assim porque eu dormira de rabo de cavalo.

— Pode deixar, vó — desci da cama e imediatamente dois homens entraram e a levantaram, levando meu bebê para o caminhão de mudanças. — Ei, cuidado aí com minha esposa! Ela tem sentimentos!

Os homens riram e Robert disse:

— Vamos tomar, dona Ruby — eu praticamente crescera com eles, já que a chefe do meu pai que havia mandado eles aqui. Eles trabalhavam para ela e eu tinha passado boa parte da minha infância na casa dela, brincando com Matty.

Fui até o banheiro, observando minha roupa que eu havia separado há semanas e meu diário de cartas. Ele era roxo, e bem simples, do jeito que eu gostava. Nada de frufrus ou coisas assim, como muitos diários por aí. Ele também não era um diário normal. Como eu disse, ele servia para escrever cartas para as pessoas que eu queria conversar, mesmo que elas nunca tivessem lido nenhuma e que a folhas permanecessem intactas no caderno. Abri o diário na última página usada e escrevi:

"Querido Matty,

Senti sua falta hoje.

Com amor,

R."

Eu não precisava escrever muito. Ele entenderia. Ele sempre entendeu.

Deixei meu momento bad obrigatório que tinha diariamente para trás e fui tomar meu banho. Assim que saí, minha vó apareceu como o próprio tornado de O Mágico de Oz e me puxou pela mão até o carro, praticamente me jogando lá dentro.

Pegamos a saída da Rota 66 de Kansas e papai começou a dirigir em direção ao Texas. Não faço a mínima ideia de quanto tempo demorou. Eu simplesmente fiz a única coisa em que sou boa: me desliguei do mundo, ouvindo música e relendo um dos meus livros favoritos, Quem É Você, Alasca?. Eu amava esse livro.

— Nós não estamos mais no Kansas, Totó — murmurei, enquanto olhava os grandes anúncios publicitários do famoso sorvete de Booden, os sorvetes Bluebonnet. As fábricas ficavam aqui e pessoas do mundo todo viajavam para cá só para ver o processo de fabricação e dar uma olhada nas vacas leiteiras. Como se elas fossem completamente diferentes das vacas que eles podem ver em qualquer fazenda em toda a América.

Okay. Então, não há porque você não saber que meu nome é Rurye McLean. Eu tenho dezessete anos e um ótimo senso de humor negro. Quer um exemplo?

Na época em que minha mãe sofreu um acidente de carro e morreu, Matty, meu melhor amigo, passou a maior parte do tempo na minha casa. Em uma das vezes, nós vimos meu vizinho Colby saindo de casa. Ele tinha por volta dos oito anos e nós tínhamos dez. A mãe dele morreu durante o parto, então ele também não se importava que fizessem piadas. Na hora em que eu vi ele, fiz questão de berrar bem alto: "É 'nóis', Colby!". Quando Matty me olhou com uma cara de interrogação, eu disse: "A mãe dele também morreu". Ele começou a chorar e rir ao mesmo tempo e me chamou de monga retardada.

Para piorar as coisas, Earl, meu pai, sofre de uma rara e devastadora doença: vício em culinária. Comida-ismo, como gosto de chamar. Aparentemente, Earl cresceu comendo só legumes colhidos na hora e desenvolveu um paladar voraz depois de adulto. E eu, como sua fiel escudeira e co-pilota, sou a cobaia de suas experiências culinárias. O pior é que o cara cozinha bem.

— Essa não é uma casa linda? — vovó perguntou e percebi que meu pai não falara nenhuma palavra naquele dia. Acho que estava sofrendo por ter que morar na casa antiga da mulher morta dele.

— De que cor você chamaria isso? — perguntei a ele. — Azul céu nublado? Ou talvez mais na família das calcinhas.

Papai riu e respondeu:

— Acho que sim. Uma calcinha daquelas de bebê.

— Não, não. Estou falando mais da calcinha velha e desgastada de tanto lavar, usada umas cinco vezes na semana. É basicamente a cor da casa, não é?

— Por que você não pega suas coisas e vai criticar a parte de dentro da casa? — soltei um sorriso irônico assim como o de meu pai. Nós éramos super parecidos.

Dentro da casa, os móveis pareciam de boneca. Tudo trabalhado nas flores silvestres. Só de falar me dá vontade de vomitar.

E a família McLean viveu o seu felizes para sempre. Só. Que. Não.

Vai ser uma longa estadia.


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Notas finais do capítulo

Capítulo betado pela Marcy, do KF ♥