Esqueça tudo que você pensava saber sobre Mulheres escrita por Alex Sousa


Capítulo 1
Eu sou o seu Rei de Copas


Notas iniciais do capítulo

Oi peoples, aproveitem o único capítulo da fanfic, e espero tentar tirar ao menos uma risada dos senhores.



– A coisa não funciona assim, amigo – André comentou, sentando na cama com o bilhetinho entre os dedos – Você não entende nada sobre as mulheres.

– Não entendo sobre as mulheres? Faça-me o favor, você tem dezoito anos e ainda não beijou ninguém – respondi, andando até André e tentando fisgar o bilhete de sua mão – Eu sabia que não era uma boa ideia te falar isso.

– Felipe, não é assim que o bonde corre, entende? – explicou André, desvencilhando-se das minhas mãos e içando o corpanzil para fora da cama – Cara, você não entende nada desse quesito. Você tem que aprender com o rei de copas, tá ligado? – zombou o garoto, arqueando uma das sobrancelhas contra o vidro da janela.

– Tá, mas me diz. O que tem de errado nessa carta? – comentei, levantando o olhar para o vidro da janela enquanto me ajeitava na cama - Eu acho que ficou legal essa frase do Fernando Pessoa na frente...

– A frase é bonita, mas ficou tão... – ele desvencilhou o olhar, sentando-se na cadeira giratória enquanto o encarava, balançando para o lado e para o outro – Gay.

Balancei a cabeça em negação, ouvindo distraidamente o barulho que a cadeira fazia a cada movimento.

– Enfim, cara – repreendeu-me André, içando o corpo para cima e tirando a minha distração – Mulheres não gosta muito de “melação”. No máximo vão comentar com as amigas o quão fofo foi a cartinha, o cheirinho que ela tinha, ou como as palavras as descreviam perfeitamente. Mas convenhamos no fundo ela vai te achar muito gay, um enrustido pra falar verdade. E vai te dar esperanças falsas, e...

Levantei-me da cama, no momento exato em que André içou a mão na prateleira do lado, apanhando uma bola de basquete e a lançando contra mim. Ergui a mão contra o rosto, mas fui jogado contra cama novamente.

“Não me interrompa”, concluiu ele.

– Primeira regra para conquista uma mulher. Seja um babaca – começou ele, andando em círculos enquanto encarava o nada, com os dedos balançando preguiçosamente no ar – Mas como você não é um jogador de futebol, ou atleta de outro esporte, fica mais difícil... Mas sabe, acho que se você começar a ir à academia, mas só ir para tirar foto e postar no facebook, você conquista umas gatinhas.

– Qual a lógica disso? – curvei o corpo para frente, deixando a pergunta no ar em meio a risos abafados pela garganta.

– Você acha isso engraçado? Cara, isso é a realidade – retrucou André, tentando construir uma faceta séria na cara, sem sucesso.

“Segundo regra para conquistar uma mulher: reconstrua seu grimório, sim cara, grimório, até porque conquistar uma gata é coisa de magia negra, não tem lógica. Então, você vai esquecer tudo que acha que sabe sobre as mulheres, considerando que nenhum homem tem essa capacidade, digo, de entender as mulheres. E, se algum dia um homem conseguir por em palavras todo o percurso para conquistar essa façanha, meu amigo, eu até caso com ele, mas só depois de pegar minhas gatas, obvio.”

André voltou a se sentar na cadeira, deslizando os dedos pelas teclas do computador sem pressiona-las, e continuou a falar ignorando minhas risadas.

– Tu tem que ser romântico na casa das primas, tá ligado? Nada dessa de chegar com um buquê de flores maior que a cara dela, e com bombons de chocolate da cacau-show. Ela vai pensar que você a quer gorda. O que significaria bola fora: nenhum homem em seu perfeito juízo chama uma garota de gorda, mesmo que ela seja e as banhas saiam em rodelas pelo tomara que caia.

“Ah, e tem também aquelas garotas que só querem algo para tirar foto, e ganhar um curtir nas redes sociais, mas como eu já disse você vai precisar praticar algum esporte para se enturmar com elas”.

– Cara, tu só fala merda – afirmei, pegando a bola de basquete e a jogando contra André, que a pegou com facilidade.

– Como eu ia falando – André colocou a bola do lado da cadeira e continuou – Aliás, onde eu parei mesmo? Ah certo, acho que lembrei. Cara, independente de você ser cavalheiro ou não, não a deixe ganhar no videogame de propósito. Ela vai te zoar pelo resto da sua vida, e jogar na cara. Além é obvio de ser motivo de chantagem pelo resto da sua VIDA.

“Agora sobre gostos. Você nunca vai pelo que ela fala. Você primeiro vai stalkear o facebook dela, vai ver o que ela curtiu para não dar mancada na hora. Tipo: ‘Você falou que gostava de Justin Bieber, eu até ouvi todas as músicas deles, porque você fez isso? ’. Aí além de otário, você vai pagar de Gay por saber todas as músicas do Bieber, tá ligado?”

“E também não fique caindo para cima dela todo o momento. Ela vai querer comentar tudo com as amigas, que a propósito, devem ser as primeiras a serem conquistadas. Se você tem moral com elas, vai ter moral com tua gata, e tu tá feito”.

– Vocês estão falando de garotas? – uma voz irrompeu da porta, que logo se abriu revelando minha irmã. Juliana. Ela sorriu desdenhosa, entrando no quarto sem ser convidada. Acenou para André, que retribuiu com um sorriso – Ouvi quase tudo. E André, quantas baboseiras você colocou na cabeça do meu irmão?

– Eu disse para ele que tudo que ele falava era merda. Como assim mulheres não gostam de buquê de flores e chocolate? – expliquei, sentando mais ao lado para que Juliana também se sentasse.

– Depende – começou ela – Se você estiver querendo engordar ela, o que vai ser a maior besteira que um dia você vai fazer – André me enviou um olhar de “Foi o que eu falei” – Ou seja, nada de chocolates a todo encontro. Talvez um a cada... Três meses. E uma floricultura na casa dela vai ser a coisa mais estranha. Então também maneire nisso, se não vão achar que você tem algo a esconder. Como ser gay.

– Mas eu não sou gay – retruquei, encarando-a – E isso só não é mais estranho do que você me dando conselhos.

– Relaxa aprendiz – interrompeu-me André, levantando-se da cadeira e se escorando na cabeceira da cama – Você vai conquistar o mundo com nossas dicas – ele deu uma piscadela para Juliana – Então vamos rever todas as dicas.

“Nada de frases gays em cartões e nada de melação, você vai ter que aprender a ser um babaca e praticar algum esporte, apesar de eu achar que só de ir à academia e tirar foto com um daqueles pesos na mão de frente ao espelho já está de bom tamanho”.

– Nada de bombons e flores em excesso – adiantou-se Juliana, que foi novamente interrompida por André.

“Nunca a deixe ganhar no videogame só para vê-la feliz, vai dar merda. Você vai stalkear o facebook dela todinho, vai ver o que ela curtiu, vai conquistar as amigas, e tentar puxar alguma dica delas”.

– Espera – começou Juliana, encarando-me – Coitado, ele tá perdido. Vamos fazer um teatro, André. Vamos mostrar como ele deve se portar no encontro – André concordou, e puxo a mesinha para o centro. Juliana se sentou de frente para ele, e sorriu com desdém.

– Porra gata, demorou pra cacete, em? – começou André, colocando os pés cruzados em cima da mesa.

– Ai me desculpa, eu demorei na maquiagem – explicou-se a outra, acomodando-se na cadeira e o encarando coçar o saco – O que vamos comer?

– Eu estava pensando em comer outra coisa – André içou seu corpo para frente, sorrindo malicioso.

– Porra cara, isso tá uma merda – afirmei, levantando da cama e o empurrando contra a cadeira – Eu nunca vou conquistar alguém fazendo isso. Tá que em filmes e em livros a mulher se apaixona pelo bad boy que a menospreza, mas não vou fazer isso.

– Cara, você tem que esquecer essa coisa de novela, livro, seriado, revista em quadrinhos, e não sei mais o que. Aqui é a realidade, e tu deve seguir as ordens do seu rei. O Rei de Copas – disse André em um tom zombeteiro.

– Ah, cala a boca – sentei-me na cama, puxando o bilhete deixado ali em cima, e o dobrando entre os dedos.

– Posso ler a carta? – perguntou-me Juliana e confirmei com a cabeça, içando a mão para ela que apanhou o bilhete da minha mão.

Ela leu a carta duas vezes, segurando a risada na garganta. Respirou fundo antes de continuar, mandando um olhar de aviso para André que se debatia de rir.

– Ah cara, ficou um pouco fofo, mas tão forçado... Olha isso – ela ergueu o papel teatralmente no ar, e falou em alto tom os versos – “Você é a lua que ilumina a janela de vidro do meu quarto. Que ilumina meu coração e o envolve com o amor, que se preenche como nossos dedos, que futuramente andarão apenas juntos. Quer namorar comigo?”.

André não se conteve, e caiu na gargalhada, tapando a boca depois de outro olhar furioso de Juliana.

– Ai irmãozinho, pensar que você é um garoto clichê é tão... Ai sabe lá. Pensei que você era um crápula, embora eu ache que seria menos tediante e você teria mais chances com as gatas.

– Então vou continuar com minhas dicas – disse André se recompondo – Você vai aprender a ser um crápula. Repita comigo – ele ergueu o dedo no ar, que segui com o olhar – Gata, pega uma cerveja para mim, estou mandando. Agora!

Repeti o que ele disse, encostando a cabeça na parede e tentando imitar uma voz grave, sem sucesso.

“Eu mando nessa casa, e estou te mandando ir fazer o jantar, gata. Meus amigos vão vir jogar videogame, e queremos umas sete porções de batatas-fritas. Está esperando o que?”.

“Cadê a minha massagem no pescoço? Passei o dia naquele computador, e acho que minha coluna está fazendo um C de tanto que dói. Agora venha cá, e trate de me ajudar com isso aqui”.

“Eu não deixei você sair com suas amigas. Tu vai lavar a louça, fazer o jantar, e eu ainda irei pensar se você vai sair”.

Após alguns minutos de muitas risadas da minha parte, e de Juliana, chegamos ao fim do papo. André se levantou da cama, e acenou enquanto encarava o relógio.

– Então aprendiz do Rei de Copas, espero que o tenha ajudado. Siga as minhas regras e você irá conquistar qualquer uma que passar na sua frente.

– Você só pode estar de brincadeira. Não vou fazer isso – respondi.

– Ah, uma pena – ele saiu do quarto, dando uma última piscadela para Juliana.

– Ele estava brincando – começou ela, levantando-se da cadeira – Enfim, a melhor dica que eu posso te dar, é que você seja você mesmo. Isso foi tão clichê que irei me flagelar depois. A cartinha ficou bem legal, mas invés de tentar criar um poema, fala as coisas na lata, vai ficar melhor – você é um péssimo escritor, acrescentou.

Sorri em agradecimento, empurrando a mesinha para o lado com o pé.

– Embora eu ache a ideia do grimório bem legal, e acho que devia segui-la. É preciso ser um feiticeiro para conquistar completamente uma garota – ela acenou sorridente, saindo do quarto.

– Ao menos uma dica de verdade – sorri de volta, sentando na cama enquanto rasgava a cartinha, e o jogava no chão.