Find Yourself escrita por WhyNotPostBitch


Capítulo 1
Bebe Stevens 1 : Igual, porém diferente




Um ano atrás

Sabe quando você se acha diferente de todos,tem certeza de que é,mas você só se demonstra e age igual a todos?

Bem, minha amiga Wendy é assim. Ela gosta de se sentir diferente,de afirmar isso para ela mesma e para quem quiser ouvir (e pra quem não quiser também),mas ela é o que eu gostaria de ser : igual a todas meninas de South Park.

Ok, talvez não todas as meninas, porque aquela gótica que eu acho que se chama Henrietta é com certeza disfuncional e anormal.

Eu realmente desejaria ser normal.

"Mas Bebe... Você é normal,você é a rainha do normal em South Park!"

Não. Eu aparento ser normal. Eu me sinto,eu penso e quase ajo, diferente. Por algum motivo que eu ainda vou descobrir, eu sou diferente. Eu sou estranha.

Então, para continuar sendo aceita eu me comporto como toda garota em South Park, sendo normal.

– Bebe, posso falar com você?

Eu me virei e dei de cara com Clyde, meu ex-namorado.

"Oh não, Clyde não...Hoje novamente não"

Desde que eu terminei com Clyde a duas semana atrás, ele sempre vem me procurar nos intervalos,para tentar voltar,ou para aparecer perto de mim se agarrando em qualquer menina, para aparentar que esta bem sem mim. Como hoje ele não esta se agarrando em Tammy, e me pediu pra conversar, então acho que eu me fodi.

– Olha Clyde, agora não é um bom momento pra mim... Podemos falar amanhã? Okay?

Eu falei enquanto me distanciava levemente dele, tentando fugir, na primeira tentativa de Clyde de me segurar , eu comecei a correr, sem direção nem rumo.

Sabe eu tenho essa mania, quando fico muito nervosa, eu simplesmente fujo.

Quando eu finalmente parei para puxar ar ,percebi aonde estava : atrás da arquibancada do antigo campo de beisebol. Bem aonde havia virado território dos góticos.

Me sentei na grama,ainda não sentindo o ar em meus pulmões. Ofegante, olhei em volta e percebi que não havia ninguém ali...bem...tirando os góticos.

* * * ¹

– O que esta fazendo aqui?

Bebe deu um pulo com o susto ao ouvir uma voz grossa e feminina falar com ela.

– Fugindo.

Bebe respondeu, sem rodeios e nem mentiras. Algo dentro de Bebe falava que não era necessário mentir para a gótica gordinha em seu lado. Até por que, ela nem se importaria com qualquer que fosse a resposta.

A gótica, de nome Henrietta, ergueu uma sobrancelha e segurou um risinho. Analisou a loira mais uma vez, enquanto acendia um cigarro e saiu de seu lado.

Bebe fechou lentamente os olhos enquanto se deitava na grama e ouvia o que finalmente queria ouvir : silêncio.

– Espero que vocês não se importem - Bebe começou, mantendo ainda a pose relaxada, virando a cabeça lentamente para os góticos - Mas eu vou passar os meus intervalos aqui, sozinha.

~7 meses atrás

Em três meses de pura sinceridade com Henrietta, sem precisar mentir sobre nada, nem mesmo inventar desculpas com ela, Bebe já sentia que ela era mais amiga dela que qualquer outra das garotas (até mesmo Wendy!), e até podia falar para a gótica tudo aquilo que ela tinha medo de falar, sem ser julgada. E aquilo tudo virou rotina para as duas. A gótica até treinava psicologia com Bebe (sem ela saber,claro) analisando os "problemas" da garota, e para ela, o "problema" de Bebe, era tão obvio que quando ouvia a garota dizer "não sei por que sou assim" parecia até uma piada.

– Acho tão bobo quando você finge não saber o porque de sua estranheza. - Henrietta disse, olhando a grade que separava o patio dos maiores para as crianças menores, enquanto queimava um cigarro (é claro).

– Ãhn? Fingir? - a loira perguntou confusa. - E-eu não finjo, eu realmente não sei.

– AHAM BEBE! Como se você não soubesse que não tem nada de estranho e que nem é um problema, você só é lésbica.

– LÉSBICA?!

Bebe se levantou num pulo, o coração batia tão forte como se Henrietta tivesse tocado a maior verdade na cara dela. Mas aquilo não seria verdade, certo?

O sinal tocou, avisando que era hora de subir e de ter aula. Henrietta se despediu de uma Bebe estática, e saiu dali. Depois de alguns segundos, Bebe finalmente se moveu.

– Mas eu sou uma cheerleader... - sussurou Bebe pelos corredores vazios.

Bebe não é uma cheerleader, ela é a cheerleader! E cheerleaders não são lésbicas, elas são rainhas do baile e são a classe mais feminina de toda sociedade. E sem falar que quando virão adultas, se tornam socialites ! E não são aquela figura máscula sempre representada como lésbica. E elas ainda tem um namorado perfeito que é jogador de futebol !

Mas... Bebe não tinha um namorado.Ela desprezava o fato de ter um. Preferia a companhia das amigas do que de um garoto... Mas isso é normal, não é? Muitas garotas preferem as amigas que ter um "boymagia". Porém, Bebe enquanto namorava Clyde, odiava ter que beija-lo, ela só começou a namorar com ele para ter descontos em sapatos para poder da-los a ... Wendy...

Bebe direcionou os olhos para sua melhor amiga, que sentava na sua diagonal.

Seu coração deu um pulo, quando a mesma se virou para atrás e a olhou, abrindo um sorriso. A loira sorriu de volta, corada para a morena.

Opa. O coração da Bebe bateu mais forte por um tempo, e o seu rosto se aqueceu, assim como o resto de seu corpo...

"I-isso é normal certo? Ela é minha melhor amiga desde que eu tenho 10 anos! Amigas são assim. São?"

Bebe pensou, ela queria afastar o pensamento, mas toda vez que ela se virava e observava qualquer garota, os pensamentos que sempre tinha agora pareciam mais... Lésbicos.

~.~ ²

Bebe se deitou na cama com o mesmo pensamento que passou a tarde toda. E, como todo adolescente que começa a perceber que é gay, tenta não admitir o máximo a si mesmo.

Então Bebe dormiu. E isso não significava que a questão havia saído de sua cabeça, que continuava intrigada.

_³

Bebe e Wendy sempre faziam trabalhos juntas, nunca havia uma exceção, nem naquela tarde.

Os trabalhos eram sempre feitos do mesmo jeito : ambas na cama casal de Bebe, conversando e brincando, e tentando prestar atenção nos estudos, dificilmente.

De repente, Wendy largou os cadernos, e a caneta, e encarou Bebe, com um sorriso. A loira percebeu o olhar da amiga e largou as coisas também, olhando docemente para a morena. A aproximação mutua foi rápida mas ao mesmo tempo lenta,para ambas que ansiavam o ato seguinte : um beijo suave, delicado, sem mais nem menos.

Um beijo que começou assim, como uma prova de amor, e que terminava como uma prova de mais intensidade num romance que começaria ali.

Era normal as coisas se intensificarem e esquentarem, era o desejo das duas, certo?

E aquela valsa suave que as línguas dançavam era como um sonho...

Um sonho.

Que tinha que acabar.

_

O despertador acordou a bela adormecida de seus sonhos, em susto tão grande, que Bebe esqueceu por uns minutos, sobre o que havia sonhado. Arfando sem saber o por que e tentando se lembrar o que sonhou, andou até o banheiro. Lavou o rosto e ao olhar no espelho, se lembrou da "tragedia".

Sentiu arrepios, por todo o corpo, o rosto corado, o coração batendo rápido, parecia ainda estar naquele sonho. Ela queria dizer que tinha sido um pesadelo, mas sabia muito bem que seria mentir para a unica pessoa que não podia mentir : para si mesma.

Ela nunca tinha se sentido tão bem como naquele momento enquanto sonhava.

Os olhos de Bebe se arregalaram ao se contemplar no espelho, a cabeça balançava em negação e ela tentava se afastar de sua visão, batendo com as costas na parede fria do banheiro cor-de-rosa, e assim suas pernas ficaram bambas e ela escorregou de encontro ao chão.

– N-não, isso não p-pode acontecer... Não comigo... - sentindo os olhos se encherem d'água, Bebe abraçou os joelhos. - Eu sou gay? Eu não quero ser gay... - já sentindo as lagrimas escaparem, se deixou levar pela tristeza e se entregou as lagrimas.

"Eu só quero ser normal..."



Notas finais do capítulo

(1)*** = troca de narração.
(2)~.~ = período pequeno de transição para outro tempo não tão longínquo (no mesmo dia, no dia seguinte, na mesma tarde, no mesmo horário só que em outro lugar, etc etc).
(3)_ = passagem para um sonho, ou termino de um.
Tipo nem precisam dizer que eu exagerei fazendo ela se sentir mal por ser lésbica, mas tem gente que é assim... Também que ela mora numa South Park sem gays, ainda to tentando fazer uma trama mais bolada, mas o antigo professor dela, o Garrison, ele foi "expulso" de South Park por ser gay. Junto com o Big Gay Al e o Senhor Escravo.
E SIM, É A MESMA CIDADE QUE DESEJA LIBERTAR O HAT (Free Hat foi um dos eps mais engras que já vi)
TA, agora voltando mais pra fic e o trama é assim : Eu vou começar com a Bebe no seu mundinho adolescente perfeito de cheerleader, até o dia do Incidente (tentem chutar o que acontece ae), depois que passar isso, eu vou voltar novamente a "1 ano atras" com historia de um dos outros personagens principais, e ir até o dia do Incidente de novo, e assim vai até terminar a historia de todos eles e unir a historia deles numa trama. Complicado? Não porque eu ja terminei a fic, 3bjs.
Alias... Ficou bom ;-; ?