Rivalidade escrita por Gislane Brito


Capítulo 5
Capítulo 5


Notas iniciais do capítulo

Eles não são mesmo parentes... Será?
Se quiserem, tem uma musiquinha para acompanhar a leitura:
www.youtube.com/watch?v=Kw2Ic_2XdVQ



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5º. Capítulo

Logo que Greg e Electra saíram do apartamento, Sherlock enviou uma mensagem para o celular de Molly:

Wiese disse que você tem algo importante para me dizer! O que é?

A resposta não demorou: O que, exatamente, ela te disse?

A resposta foi outra pergunta:

Onde você está agora?

No Bart`s, me preparando para sair. Por quê?

Te encontro na saída em dez minutos

Molly fica sem reação por uns momentos...

(Pensamentos)

Meu Deus, o que foi que a louca da Electra disse pra ele? Por que esta urgência toda em falar comigo? O que eu faço? Ele deve estar querendo só pedir algum favor ou me usar na guerrinha de provocações com Electra... Sherlock não vai conseguir me fazer de boba de novo! Vou mostrar para Electra que minha autoestima vai muito bem!... Espero!...

Molly, de propósito, se demorou mais que o habitual para se arrumar. Sherlock já a aguardava a mais de quinze minutos no rall de saída e sua paciência estava para acabar. Quando ela finalmente apareceu, ele a olhou friamente e disparou:

_ Você sabia que Wiese é especialista em linguagem corporal?

_ É, eu já tinha notado... Mas você pediu para falar comigo com urgência e o assunto é Electra? Não estou entendendo!

_ Estou dizendo que ela conhece o que está por trás de cada palavra, de cada gesto. Ela nos deixou expostos, vulneráveis. Mulher irritante esta Wiese!

_ Sherlock, onde você está querendo chegar?

_ Quero que você saiba que sempre valorizei nossa amizade. Você sempre esteve do meu lado. Você saberá por mim e não por esta mulher que eu não escondo o que sinto por você só porque aprendi que me importar não é uma vantagem...e, sim porque você é importante demais!... Nunca a colocaria em perigo por um mero capricho. O maior perigo seria estar muito perto de mim. Não quero que se magoe de novo... Você já sofreu demais por minha causa.

Molly ouvia o discurso de Sherlock e não sabia se o estapeava ou se o beijava. Ela ficou algum tempo olhando para aqueles olhos azuis que tanto amava em silêncio, enquanto se decidia. Ele, achando que o silencio constrangedor estava ficando pesado demais, pediu desculpas a ela por fazê-la perder tempo, fez menção de se despedir e ir embora. Molly, então o segurou pelo cachecol, o puxou e o beijou. Quando Molly se afastou, ela concluiu que era o momento para expor suas ideias:

_ Sherlock, se eu entendi bem, eu estou no meio de uma batalha de egos entre você e Electra. Isto não me agrada! Mas o que pude tirar de bom disso tudo é o fato de que você, finalmente, mostrou um pouco do seu lado humano, frágil e inseguro para mim! Saiba que tudo isto nunca o faria fraco de verdade e sim, mostra o grande coração que você tem. Toda esta capa impassível que você cultiva com tanto zelo, nunca me enganou. Eu te amo e nunca vou desistir de você, mesmo que saído daqui você continue a fingir que não se importa. Electra se enganou comigo. Eu tenho sim, muito amor-próprio e nunca mais vou permitir que ninguém me trate com descaso e isto inclui você, Sherlock Holmes!

Quando terminou, Molly passou a mão pelo rosto do perplexo detetive, se virou e foi para casa.

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Já`net, como sempre, foi a única que se preocupou em preparar toda a documentação e bagagens para a viagem de volta a África do Sul. Electra só não abriu mão de proteger sua preciosa guitarra. Mas algo mais a deixou agitada naquele final de semana. Ja`net, conhecendo bem a amiga parou o que estava fazendo para ajudar:

_ Elly, o que está acontecendo? Que bicho te mordeu? Você já checou o estojo da guitarra 5 vezes! Quer, por favor, me deixar terminar de arrumar a bagagem?!

_ Jan, você viu onde guardei minha botas de cano alto e aquele seu perfume?

_ Você disse bem, meu perfume! Elly, o que você está planejando?...Meu Deus, você tem um encontro!...

_ De onde você tirou esta ideia?

_ Elly, qual foi a última vez que você se perfumou pra sair? Mal usa o antitranspirante! Quem é o infeliz?...

Electra fez uma careta e não respondeu.

_ O único homem que a olhou com interesse foi... O Inspetor Lestrade!... É ele!

_ Pára de drama, Jan! Estou apenas no papel de boa estrangeira, tentando me socializar!

_ Você está me ofendendo se pensa que sou boba! Este cara te fisgou!

_ Eu tenho cara de peixe?! Anda logo e me ajuda a encontrar as botas e o perfume.

_ Greg está apaixonado por você. Isto ficou evidente no dia do ataque a boite! Ele salvou sua vida e não saiu do seu lado durante todo o primeiro dia de internação no hospital! E você gosta dele...

_ Não sou responsável por paixonite de ninguém... A propósito, seu marido ligou. Ele disse que chega amanhã de manhã.

_ E você me diz só agora?! Electra passa a estratégica informação no momento certo para escapar do interrogatório.

Electra escolheu uma camisa de cetim lilás, corset preto, calças pretas e botas de cano alto. A maquiagem destacava ainda mais os olhos azuis cristalinos. Já`net estranhou tanto capricho e o tempo gasto com toda aquela produção para um simples passeio.

_ Elly, você está linda! Não parece mesmo alguém que vai a uma inocente reunião social... Pobre inspetor Lestrade!

_ Não se preocupe com Greg, Jan. Ele não é tolo. Sabe muito bem que não pode cultivar esperanças em um relacionamento a longo prazo comigo! Eu apenas estou intrigada com relação a transparência deste inglês!

_ Entendo, intrigada! Você está babando por este homem. Olha lá o que vai aprontar, Elly!

_ Agora, você está parecendo com minha mãe falando! Dá um tempo... Se eu fosse você, me preocuparia com a recepção ao seu marido!

A campainha tocou e Electra atendeu apressada. Greg as cumprimentou, entregou uma rosa para Electra e ela agradeceu sem o gesto tradicional de cheirar a flor. Simplesmente a jogou para Ja`net pedindo para coloca-la num copo d'água e imediatamente pegou seu casaco e saiu. Greg um pouco desconcertado, a seguiu. No carro, trocaram poucas palavras. Greg perguntou se ainda sentia dores e ela disse que se sentia muito bem. Electra analisava cada gesto de Greg Lestrade. Os olhos castanhos do inspetor da Scotland Yard brilhavam e ele não perdia nenhuma oportunidade de tocá-la. Electra conhecia bem a sensação de ser o centro das atenções de um homem, mas sentia algo diferente neste inglês. Ele não demonstrou medo e nem se intimidou com a rudeza de Electra. Isto a intrigava. Ela se sentiu ... Atraída por ele. Ela sentiu medo. Medo que a situação saísse de seu controle! Era uma sensação totalmente nova para ela.

No restaurante, Greg se portou como um legítimo cavalheiro e Electra apreciava muito, mas sempre disfarçando o encantamento. Jantaram e falaram de amenidades. Electra estranhou a si mesma, pois evitou comentários ácidos aos quais era acostumada. No caminho de volta, eles resolveram caminhar e conhecer uma bela praça local. E mais uma vez, ela se pôs a ler a linguagem corporal de Greg que desta vez, notou os olhos inquietos da detetive.

_ Electra, você nunca se cansa de analisar as pessoas?

_ Me desculpe, Greg... Força do hábito. Não se preocupe, gosto do que leio em você!

_ Gosta? Mas, do que especificamente?

_ Você é uma das pessoas mais autênticas que já conheci na vida. Não tem medo de mim!
Electra começou a se aproximar lentamente dele enquanto descrevia sua análise.

_ Não me julgou como os outros e não me aborreceu com comparações bobas...

_ Comparações?

_ Vê?... Você foi o único que não ficou me comparando com o Holmes!

_ As únicas coisas que percebi que vocês têm em comum são a cor dos olhos e a genialidade!...

_ Nesta última, você pode ter se enganado... Holmes não é assim, tão genial!... Eu já provei isto para a Molly...

Greg deu muita risada com o comentário arrogante e ingênuo de Electra.

_ Mas não estamos aqui para falar de Holmes e Molly... Interrompeu Electra.

_ Sim... Onde eu estava? Ah!... Você não se prendeu a convenções. Esteve do meu lado no hospital depois de salvar a vida de minha amiga e a minha vida!

_ Eu apenas fiz o que tinha que fazer no cumprimento do dever!

_ Você foi além do dever... E pra finalizar... Disse, quando já podia sentir a respiração ofegante de Greg... Seu cheiro é muito bom!

Greg segurou o rosto de Electra com ambas as mãos, olhou no fundo de seus olhos como se pedisse permissão e ela o abraçou pela cintura. Eles se beijaram, no início, apenas tocando os lábios, mas o desejo crescente fez com que ele a abraçasse com força e o beijo se aprofundou. Greg sentiu sua respiração falhar e lhe sobreveio um desespero quando Electra de repente interrompeu o beijo.

_ Isto não está certo...

_ Tem razão. Temos que sair daqui... Ele a pegou pela mão, mas ela se recusou a se mover.

_ O que foi?!

_ Eu não posso ir com você, Greg! Volto para a África na semana que vem! Não seria justo com você...

_ Se você se refere ao trabalho, sempre poderemos pedir uma licença não remunerada ou, talvez você possa tirar umas férias! Esta missão foi muito desgastante para vocês...

_ Mas, não se... Greg a interrompe, mesmo sabendo que talvez sua proposta soasse como tolice para Electra.

_... Por favor, o que não seria justo comigo, seria não tentar... Isto seria injusto pra você também!

Ela engoliu seco quando sentiu o desespero na voz dele...

_ Amanhã poderemos ponderar com calma sobre estes assuntos: Trabalho, África... Brincou Electra, ainda segurando a mão de Greg. Ele deu um largo sorriso, voltaram para o carro e partiram em direção ao apartamento dele. Quando fecharam a porta, toda a famosa racionalidade de Electra saiu pela janela.


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