Rivalidade escrita por Gislane Brito


Capítulo 2
Capítulo 2


Notas iniciais do capítulo

Que a agitação comece!



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Dias se passaram sem que as fontes acrescentassem novas informações sobre o caso e o tédio já tomava conta de Sherlock e Electra. Ja`net estava muito feliz mantendo contato com a secretaria de segurança mantendo-os informados de tudo que acontecia (ou não acontecia) e nos intervalos, conversava com a Sra. Hudson sobre a cultura dos dois povos. Numa noite chuvosa, Sherlock pegou seu violino e ao colocar o arco nas cordas ouviu não o som característico do instrumento, mas o som estridente de um solo de guitarra elétrica.www.youtube.com/watch?v=6okwg6PiSis

_ Mas o quê?... Intrigado, começou a procurar a origem do som. Bateu na porta do apartamento alugado recentemente, mas não obteve resposta. Então, notou que a porta estava aberta e entrou. Uma mulher vestida num blusão branco e largo, com os longos cabelos negros e cacheados quase escondendo todo o rosto, tocava a guitarra e ainda não havia notado sua presença. Antes que Sherlock a interrompesse com outro grito, a Sra. Hudson chega por trás dele com uma pilha de toalhas no braço.

_ Bom dia, Sherlock!

_ Sra. Hudson, a senhora sabia que temos uma roqueira na Baker Street? Como a senhora permitiu isso?

_ Não é maravilhoso! Agora temos dois músicos no prédio! Electra, querida, trouxe as toalhas que me pediu... Mas Sherlock a interrompe:

_ A senhora chama este barulho terrível de música?!

Neste momento Electra se volta para ele que ainda estava boquiaberto pelo choque da novidade:

_ Você????

Ela sentiu que seria o momento certo para provocá-lo:

_ Como vai, Sr. Holmes? Soube que o senhor também é músico! Vamos fazer um dueto um dia desses?!

_ Nem em seus pesadelos... Resmungou

_ Estou entediada... Preciso de rock ou uma novidade sobre o caso!

_ Se importaria de usar o seu amplificador num volume mais baixo para que eu também tenha a chance de me acalmar?!

_ Chato de nariz empinado!

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Antes do fim daquela manhã, Sherlock recebe uma mensagem de Lestrade pedindo para periciar uma cena de crime. Um homem, supostamente, membro do grupo terrorista de Maleki havia sido encontrado morto nos fundos de uma boite na periferia de Londres. Sherlock, mesmo contra a vontade, pede Electra e a Sra. Motsepe para acompanhá-lo. Lestrade já havia sido informado sobre as agentes sul-africanas e se encantou com a inteligência e a beleza das estrangeiras. As habilidades dedutivas de Electra Wiese rivalizavam com as de Sherlock. Mesmo com o tratamento frio e distante dispensado a ele, Lestrade não perdia oportunidades para oferecer seu apoio profissional. Donovan, sua parceira, já notava a mudança de comportamento e derramava ironia por todos os poros:

_ Que ótimo, a irmã perdida do esquisito enfeitiçou o Greg! Donovan pensou alto...

O que se seguiu foi uma competição para quem descobrisse mais evidências. Muitos dados foram levantados observando desde o pó nos calçados do morto até o resíduo nas pontas dos dedos. Nada escapou ao crivo dos detetives. Como não havia sinais do uso de armas de fogo ou brancas, suspeitaram de envenenamento. O corpo foi enviado para o necrotério do St. Bart`s para análise toxicológica e determinação da causa da morte

Quando chegaram ao laboratório, a legista Molly Hooper já havia finalizado a autópsia. Antecipando a reação de Molly, Sherlock escolhia bem as palavras que usaria para apresenta-la a Electra:

_ Srta. Wiese e Sra. Motsepe, esta é a Dra. Molly Hooper, a legista responsável pela autopsia. Molly, estas são as detetives sul-africanas responsáveis pela investigação do terrorista Maleki. E, não... A Srta. Wiese não tem nenhum parentesco comigo, antes que pergunte!

_ Eu... não disse... nada!... Molly gaguejou, pigarreou e retribuiu o cumprimento.

_ É um prazer conhecê-las!

Electra, especialista em linguagem corporal, imediatamente percebeu uma grande tensão entre os dois. Sherlock tentava a todo custo dissimular, mantendo a frieza ao falar e a postura enquanto discutia sobre as pistas do assassinato.

Molly olhava para Electra e depois para Sherlock sem esconder o constrangimento nem a urgência em tentar impressioná-lo com suas respostas rápidas em linhagem técnica. Electra se divertia observando que a máquina de deduzir não era tão calculista assim. Ja`net e Electra se comunicavam com olhares e sorriam de soslaio.

Quando os detetives se preparavam para deixar o hospital, Lestrade chega trazendo mais documentos para a análise. Os relatórios preliminares sobre a causa da morte do suposto capanga de Maleki não deixavam dúvidas sobre o autor do assassinato: O homem havia sido morto por envenenamento. Traços de uma toxina de uma erva comum na África do Sul foi encontrada no sangue do morto. Os resíduos de resina e o pó na sola de seus sapatos indicavam os últimos lugares por onde ele passou antes de sua morte. Em duas horas, o esconderijo do famoso terrorista já estava cercado por agentes da inteligência britânica disfarçados. A captura era só uma questão de tempo.

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John e Ja`net conheciam muito bem seus parceiros e sabiam o quanto a imaturidade emocional e ostentação intelectual de Sherlock e Electra tinham potencial de causar estragos. Eles chegaram a um acordo: Não permitiriam que os dois detetives fossem a campo juntos sem sua supervisão. Ja`net, uma experiente enfermeira e tenente do exercito sul-africano e John, militar aposentado; usariam suas experiências para impedir que a competição dos incrivelmente pedantes detetives prejudicasse a missão ou pior, colocasse suas vidas em risco.

Electra já planejava colocar sua habilidade em se disfarçar em ação. O disfarce seria o mesmo que já havia provado ser eficiente em outras ocasiões. As semelhanças entre ela e Sherlock poderiam ser úteis. Ela se aproveitaria da fraqueza de Maleki para implantar escutas em seus escritórios e facilitar a missão dos policiais ingleses. O terrorista apreciava a companhia de belos e jovens músicos, de ambos os sexos. Para acobertar suas atividades criminosas, Maleki era sócio de várias boites pelo mundo, inclusive na periferia de Londres e se cercara de seguranças armados. Sherlock, profundo conhecedor das fichas de vários terroristas de todo o mundo, mostrou interesse na missão, engoliu o orgulho e aceitou acompanhar Electra:

_ Maleki confia em mim, Holmes. Ele gosta de minha música.

_ Meu rosto é bem conhecido... Se algum dos homens de Maleki me reconhecer, nossos disfarces serão inúteis!

_ Soube que você é muito bom em disfarces! Isto não será problema... Você tem roupas de couro?

_ Roupas de couro? Sim, tenho! Por quê?

_ Ótimo... Saímos em duas horas.

John chegou a tempo de ouvir o final da conversa:

_ Roupas de couro? Vocês vão a um clube de motoqueiros? A moto estacionada aí em baixo é incrível!

Electra riu e Sherlock fez uma careta...

_ Não, Dr. Watson, seremos os astros de um show de rock particular para um amigo meu!

Sherlock torceu o nariz...

_ Rock não é meu estilo de música...As vezes duvido que seja música!

_ É para uma boa causa, Holmes. Tocar baixo não é mais difícil que tocar violino! Dizendo isto, Electra entregou o instrumento e sugeriu um breve ensaio.

Molly encontrara um bom pretexto para ir a Baker Street: Entregar uma receita de suffle para a Sra. Hudson. A senhoria estava muito feliz, pois pensava que seus inquilinos estavam começando a se entender:

_ Molly, obrigada pela receita, querida...

_ Sra. Hudson, isto é rock? Não acredito?! Quem está tocando...

_ Electra e Sherlock ao que me parece! Não é maravilhoso?! Eles estão se dando bem agora!

Dentro de Molly um alerta amarelo piscava sem parar com a possibilidade de Sherlock se interessar pela estrangeira, mas sorriu e continuou a conversa fingindo animação!

Duas horas depois, os detetives estavam prontos para deixar o prédio. John se antecipou e enviou uma mensagem de texto para Ja`net alertando sobre o plano dos amigos. Lestrade chegou à entrada do edifício e encontrou Molly se despedindo da Sra. Hudson e os detetives descendo as escadas. Eles vestiam calças justas de couro com spikes, botas tipo coturno, sobretudos longos também de couro, os cabelos presos em rabo-de-cavalo e óculos escuros e maquiagem gótica. A cena deixou Molly e Lestrade com a mesma expressão nos rostos: olhos arregalados e queixos caídos... Ao ver a reação dos dois, Sally não resistiu e entregou lenços de papel para os dois:

_ Tomem, usem isso para limpar a baba... Vocês são patéticos!

E constrangimento repentino tornou o rosto de Molly vermelho e Lestrade limpando a garganta furiosamente, entrou para perguntar a John Watson, que assistia a tudo pela janela, o que estava acontecendo.

A Sra. Hudson se divertia muito com a cena inusitada:

_ Eu nunca vi você tão sexy, Sherlock! Não sei como Electra o convenceu a vestir isso!!

Apesar da preocupação que sentia, John se contorcia de tanto rir e só conseguiu responder as perguntas de Lestrade depois que respirou fundo várias vezes.

_ Greg, alerte aos seus agentes. Electra e Sherlock tiveram a brilhante ideia de se encontrarem sozinhos com Maleki. A Sra. Motsepe e eu vamos segui-los.

Já`net enviou uma mensagem de texto para a amiga questionando sua atitude mas, como sempre, foi ignorada

Não se preocupe, Jan. Sabemos o que estamos fazendo!

Electra jogou um capacete para Sherlock e tomou o acento do piloto:

_ Wiese, mude para o acento do carona. Eu piloto! Por que não arranjou duas motos?

_ Acho que os seguranças de Maleki se sentiriam mais confortáveis se vissem uma mulher pilotando... Eles também são bem machistas!

_ E os instrumentos?

_ Holmes, eu conheço bem a cultura destes caras. Não se preocupe com os instrumentos. Estamos indo para uma boite, há muitos instrumentos musicais por lá e os músicos de Maleki não se importariam em emprestá-los para meu irmãozinho e para mim.

_ Vamos acabar logo com isso! Estas roupas são terrivelmente desconfortáveis...

_ Molly gostou do que viu! Ironizou Electra.

_ E pelo visto, Lestrade também...

Os dois colocaram os capacetes e quase não puderam ouvir o Inspetor Lestrade que corria para alertá-los:

_ Mandarei agentes disfarçados para apoiá-los. Sherlock, caso precisem de ajuda, mande-me o sinal pela celular. Você já conhece a senha!

Sherlock, apenas sinalizou com a cabeça e Electra acelerou a moto.


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