Elemental Warriors escrita por Yure


Capítulo 11
11 - Reikai


Notas iniciais do capítulo

Boa Leitura!!!



Eram seis da manha e eu acordei, o sol não me deixava dormir. Pensei em puxar a cortina para barrar os raios, mas minhas mãos as encontraram. Eu não estava em meu quarto. O quarto em que estava era todo de madeira, e tinha alguns vasos e outros objetos de decoração. Olhei pela janela. Era uma praia, estava em uma casa de praia. Sai de meu quarto e encontrei K na cozinha, ele vestia um avental cor de rosa e parecia estar cozinhando alguma coisa.

–- Acordou? Você dorme muito.

–- Ainda são seis da manha – Eu disse seguido de um bocejo. – Sua casa é legal.

–- Sério. Eu acho que é pequena. Quer comer alguma coisa? O dia hoje vai ser longo.

Ele colocou um prato de panquecas com mel na mesa. Eu não resisti e comi algumas. Não sabia que ele cozinhava. Às vezes eu acho que ele é mesmo uma pessoa de verdade mesmo sabendo que é só um espirito de passado que veio para me auxiliar em minha missão. Mas essa casa...

–- Ei, K, onde nós estamos?

–- Em casa. – Ele arrumava as coisas e lava os pratos.

–- Onde?

–- Reikai. O mundo espiritual. – Ele terminou e tirou seu avental cor de rosa – O mesmo lugar onde nos encontramos naquele sonho. Só que agora você não esta dormindo.

–- Reikai? O mundo espiritual? Eu por acaso morri?

–- Você corre grandes riscos.

Não gostei do jeito que ele falou isso, mas já sabia dos riscos que corria. Nós fomos para fora, eu olhei em volta e percebi que era uma ilha, pele menos parecia uma ilha. Nós estávamos em uma praia e atrás de nós tinha uma gigantesca floresta.

–- Está vazio. – Eu notei.

–- É claro. – Ele se sentou na areia. – Como você já sabe eu não estou vivo. Eu estou somente te ajudando temporariamente. E esse é o lugar onde eu estou ficando. Quando tudo isso acabar eu receio que vou...

Ele não precisava terminar eu já sabia o que ele queria dizer. Eu já estava tão acostumando com ele junto comigo que não sei como vou ficar quando ele desaparecer.

–- Ethan, você quer mesmo fazer isso?

–- Sim – eu respondi com determinação.

–- Tudo bem. Então vamos começar – Ele foi para dentro de sua casa e voltou com... Pranchas de surf?

–- O que você vai fazer com isso?

–- Nós vamos surfar.

–- O que?

Alguns minutos depois nós estávamos em alto mar vestidos com roupas de surf. Eu estava com uma prancha verde clara com detalhes de labaredas. A de K era branca cheia de linhas vermelhas e bem no canto tinha algo escrito, eu consegui ler Ke... Mas não vi o resto. Eu resolvi ignorar por enquanto.

–- K, eu não sei surfar! – Eu gritei enquanto caia na agua.

–- Por enquanto, só tente ficar em pé em cima da prancha.

Falar era fácil, ainda mais quando é ele quem está controlando a agua. Eu cai na agua pelo menos umas cinquenta vezes ou mais.

–- Vai ter que fazer melhor que isso moleque! – Ele ao contrario de mim surfava magicamente nas ondas que ele mesmo criava e que não era nada pequenas. – Se mantenha de pé garoto!

–- Estou tentando! Não é tão fácil como parece!

–- Claro que não é fácil! Mas você consegue! – Ele fez sinal de positivo com a mão. – Para de seu um garoto molenga!

–- Idiota! – eu gritei e ele deu risada

Uma semana se passou entre refeições e a surf. Eu tive algum progresso, agora caia só umas 20 vezes por dia em vez de 50, já era um bom começo Eu perguntei para ele se estava tudo bem em perder tempo aqui sendo que o mundo poderia estar em perigo. Ele me respondeu que o tempo aqui passa mais rápido em comparação com o mundo normal, um dia aqui equivale há seis horas no mundo normal. Então uma semana que fiquei aqui foram somente quarenta e duas horas na minha casa.

–- Mas quanto eu voltar para casa eu não vou estar mais velho?

–- Não se preocupe com isso. Se preocupe mais em ficar em pé.

Ele continuou formando ondas a mais ondas enquanto eu ficava caindo e caindo. Eu não sabia para que ele estava me ensinando a surfar mas temia que era algo importante já que os treinamentos de K eram sempre triviais. Continuei firme em minha “busca pelo aprendizado do surf com o professor K”.

–- Isso é muito difícil, qual é o truque?

–- Equilíbrio. Tente se concentrar apenas em não cair e não nas ondas vindo em sua direção.

–- Certo – Parecia normal, mas não era algo que eu havia tentado fazer, por que era muito difícil não prestar atenção nas ondas. Mesmo assim eu tentei e acabei conseguindo ficar quase cinco minutos antes de cair.

–- Isso ai!

Ele riu de satisfação e eu não segurei um sorriso. Nós surfamos o resto do dia totó comigo ainda caindo, mas já me segurando melhor. À tarde K cozinhou nós comemos e eu fui dormir, eu dormi antes dele então não sabia se ele dormia ou não e pelo o que eu vi não tinha outro quarto naquela casa. Fiquei curioso em saber o que faz aqui quando está sozinho. Pensei nisso até cair no sono. Não tive nenhum sonho essa noite.

No dia seguinte eu acordei cedo como de costume, nós tomamos o café da manha eu queria saber de onde surgia essa comida todo dia já que ele sempre ficava o dia inteiro comigo e aqui era uma ilha, mas resolvi não perguntar. Hoje nós não surfamos. No lado de fora K estava com um balde de tinta vermelha fazendo uma linha nas arvores.

–- O que você está fazendo K?!

–- Riscando arvores. – Ele falou enquanto passava tinta com um pincel.

–- Seja mais detalhista, por favor.

–- Riscando arvores de vermelho.

–- Estúpido – murmurei. Resolvi perguntar algo mais fácil – O que nós vamos fazer hoje.

–- Bem, você vai ficar um tempinho morando aqui comigo então, vamos reformar a casa. Ou seja, vamos cortar arvores. – Ele veio correndo até mim com algo grande na mão, e eu tinha certeza que não era mais o balde de tinta. – Vamos cortar arvores com um machado, aqui está o seu.

Ele largou o enorme machado aos meus pés. Aquilo era muito pesado para segurar, mas eu consegui. K disse que eu tinha que cortar somente nas linhas vermelhas. Foi o que eu fiquei fazendo a manha toda. Meus braços estavam latejando de dor e eu tinha derrubado somente duas arvores.

Me sentei a praia para descansar. K se sentou ao meu lado. Ele prestava atenção ao mar, eu prestava atenção ao homem vinda a nossa direção. O que?! Eu poderia jurar que não tinha ninguém aqui além de mim e K. O homem estava vestido todo de preto, seus cabelos eram pretos e seus olhos também. Ele tinha um olhar calmo, como se fosse uma pessoa que evitava qualquer tipo de briga. Mesmo assim tinha aura extremamente poderosa, não era perigosa como a dos gêmeos Metal e Luz, era uma aura calma como um mar sem ondas. K o viu, ele se levantou rapidamente e eu me levantei também.

–- Olá K. – A voz dele era calma como seu olhar.

–- O que? O que você está fazendo aqui?

–- Somente passeando.

–- Quem é esse cara? – Eu perguntei mesmo que pro um segundo eu já soubesse a resposta.

–- Ele... – A voz de K falhou – Ele é o Guardião das Trevas em pessoa. Esse cara é Fate.

O Guardião me lançou um sorriso amigável.

–- Ei, Ethan, podemos conversar? Eu fiquei sabendo que você é o garoto que confundiu a mente e o coração da Angel. – Ele continuava a me olhar calmamente.

–- Angel... Samantha! O que você fez com ela?! – Eu gritava. K somente olhava.

–- Eu? Não fiz nada... por enquanto. – Sua voz soou sombria.

Eu já estava começando a me irritar com esse cara.

–- Ei. Não me odeie por isso, mas é que eu sou meio perfeccionista, não gosto muito de falhas. O que ela fez foi totalmente uma falha.

–- Você vai...vai mata-la? – Eu não queria saber a resposta.

–- Bem, sim eu vou. – Ele disse com o mesmo tom calmo como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Eu tenho coisas a fazer acho que nós podemos continuar a conversa mais tarde.

Ele estava indo embora.

–- Ei espera! Eu não vou permitir que você a mate! Não vou permitir que você mate ninguém!

–- Você não pode fazer isso Ethan, todos vocês vão morrer. Começando pelos outros três.

Meu sangue subiu. Cerrei os punhos, ignorei tudo e fui para cima dele.

–- Ethan! Não! – K gritou

Já era tarde demais para parar, eu segui em frente. Ele me olhou de relance, ergueu a mão até a altura do peito e virou a palma dele em minha direção.

Foi ai que eu senti. Uma forte pressão de ar me atingiu. Por um momento eu vi imagens passando em minha cabeça. O dia em que conheci Leah quando esbarrei nela. Meu passeio pela cidade com Apple, minhas brigas constantes com Erick e K também. A pressão se tornou mais forte e me atirou ao ar, eu podia sentir meus ossos se partindo dentro do meu corpo. E depois a ultima coisa que senti foi meu corpo batendo no solo. Minha visão estava embaçada.

–- Ethan! – A voz de K gritava – Fate seu desgraçado!

–- Eu acho que usei força demais – Fate disse em seu tom calmo – Mas não se preocupe ele ia morrer de qualquer jeito eu só adiantei.

–- Ethan! Ethan! – Eu acho que ele estava me tocando, mas eu não sentia meu corpo. – Você vai ficar bem Ethan. Não se preocupe.

Tentei falar algo, mas minha voz não saia, eu ainda sim me esforcei a minha boca se mexeu dizendo “K, me desculpe”. Senti algo molhado caindo em meu rosto, K estava chorando?

–- Vai ficar tudo bem garoto.

Foi a ultima coisa que escutei antes de perder a consciência...



Notas finais do capítulo

... Deixem seu comentario e aguardem o proximo cap.



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