30 Day OTP Challenge escrita por Kaline Bogard


Capítulo 25
Capítulo 25 - ...ever


Notas iniciais do capítulo

Título: …ever
Autor: Kaline Bogard
Day 25: Gazing into eachothers’ eyes
Genero: drama, romance, aventura
Aviso: universo alternativo não canon
Link do desafio: http://30dayotpchallenge.deviantart.com/journal/30-Day-OTP-Challenge-LIST-325248585

Contagem regressiva para o fim: 6 dias!!
Capítulo enorme, espero que não sintam preguiça de ler.

Then...
O mundo não é um lugar seguro para humanos, considerados raros e tratados como objetos de estudo pelos lobisomens. Tentando encontrar um lugar para construir uma vida juntos, Derek e Stiles fogem e contam com a proteção de outras criaturas.

Now...
Tem inicio a última parte da perigosa aventura.



Derek estava impressionado. E angustiado. Por um motivo crucial na aventura que vivia: o esquema de Deaton, fosse lá qual fosse, estava funcionando maravilhosamente bem! Não havia fragmento de um cheiro que não fosse o seu próprio, dentro do carro. E os batimentos cardíacos de Stiles, escondido no banco de trás, eram quase inaudíveis.

O coração do humano batia tão baixinho que Derek não tinha certeza de que realmente o ouvia ou se tinha a impressão de ouvi-lo por saber que ele estava ali. Dificilmente os guardas da última barreira teriam alguma pista do precioso e oculto passageiro.

A longa viagem foi nada menos que terrível. O lobisomem tentava esquecer das condições em que Stiles viajava apertado no compartimento embutido, com pouco ar e quase nada de alimentos. Se pensasse naquilo pararia o automóvel e deixaria que o humano saísse um pouco. E estragaria todas as precauções tomadas com tanto cuidado.

Não.

Derek tinha que ser forte. Stiles já estava sendo: viajava no limite de sua humanidade, corria mais riscos do que Derek jamais correra em todos os seus anos de vida. E nunca reclamara, nem mesmo uma palavra ou uma expressão que revelasse arrependimento, medo ou dúvida.

Stiles acreditava em Hale, confiava na palavra dada de que o levaria em segurança para esse lugar e não vacilara em momento algum. Como alguém tão frágil podia ser tão forte?

Por essa força Derek apenas mantinha a velocidade constante e preenchia a mente com pensamentos positivos. A viagem e o sacrifício teriam recompensa no final.

Por isso quando avistou o posto de controle que monitorava as fronteiras de Beacon Hills, Derek Hale fechou os olhos por breves segundos, evocando o lobo que tinha dentro de si. Precisava de serenidade naquele momento, para que nada revelasse seu nervosismo e ansiedade.

Foi diminuindo até parar na guarita protegida por grossas barras. Havia um muro bloqueando a estrada, e vários lobisomens patrulhavam por ali. Um número acima do normal. Mas Hale já esperava algo assim, a fuga de um humano causara um rebuliço e tanto.

Parou o carro e observou os Alphas dentro do posto. Gêmeos, uma condição que ampliava o poder sobrenatural. Não era a toa que foram escolhidos guardas da última fronteira.

– ID – um deles, o mais simpático, pediu.

Derek pegou o cartão magnético no bolso do terno e estendeu. O outro Alpha, o mais carrancudo e ameaçador, saiu da guarita e lentamente começou a circular o carro. Os olhos ficaram vermelhos, prova de que estava usando os sentindo ampliados em busca de algo suspeito. Dentro do carro Derek engoliu em seco.

– Viagem de negócios, senhor Hale? – perguntou o Alpha de dentro da guarita, puxando assunto enquanto aguardava as verificações de praxe.

– Sim. Uma questão de vida ou morte... – ele respondeu sincero.

Em segundos a ficha de “Miguel Hale” apareceu na tela. Havia um ícone vermelho piscando, o que fez o Alpha estreitar os olhos. Lançou um rápido olhar na direção do homem ao volante, antes de clicar no sinal de alerta.

Derek notou a mudança de postura do vigia, mas obrigou-se a manter a calma. Não podia se precipitar... o outro Alpha ainda caminhava lentamente ao redor do Toyota, e os lobisomens próximos ao muro assistiam a cena com interesse.

Assim que clicou no ícone de alerta, inúmeras janelinhas pipocaram na lateral da tela, com prints de matérias de jornal. Os títulos das manchetes remetiam a escândalos de fraude, queda de ações e quebra de empresas. O Alpha da guarita entendeu o que Miguel Hale quis dizer com “questão de vida ou morte”. Os acionistas da multinacional em que ele trabalhava depositam toda a esperança de que ele fecharia um bom negocio com a companhia rival ou estariam falidos. Era o que dizia a manchete mais recente.

O rapaz clicou no ícone de verificações concluídas e estendeu a ID de volta para Derek.

– Boa sorte, senhor – desejou. E mentalmente completou: “Vai precisar”.

O segundo gêmeo balançou a cabeça e agilmente voltou para seu lugar. Não detectara nenhum cheiro suspeito, nem outro sinal que indicava a presença de algo indesejado no carro. Miguel Hale parecia ser exatamente o que dizia: um homem de negócios tentando salvar a empresa.

O grande portão de ferro foi acionado. Derek engatou a primeira e acelerou um pouco. Os segundos que os separavam da liberdade pareceram se estender por horas. Apesar da pressa não acelerou muito, para não chamar atenção.

Mal pôde acreditar quando o Toyota atravessou por completo e o portão começou o movimento contrário, fechando aqueles lobisomens no perímetro rural de Beacon Hills.

A primeiro pensamento de Derek foi pisar fundo no acelerador e cantar pneus. Obviamente não o fez. Acelerou gradativamente até cem quilômetros por hora. Exatamente como Deaton orientara.

Por quatro longas e extenuantes horas ele dirigiu o carro. Começara a olhar constantemente para o marcador de combustível, que já entrara na reserva a algum tempo. Em breve ficariam sem gasolina. Também controlava o tempo, olhando regularmente no relógio de pulso. Viu os minutos se somarem em horas e as horas se juntarem até que quatro exatas tivessem se passado.

Só então freou carro e respirou fundo, muito, muito fundo. Desceu do Toyota e não se preocupou em olhar ao redor. De um lado da rodovia se estendia uma espécie de ravina, permeada de solo rochoso-arenoso, com pontos de grama seca lutando para sobrevier aqui e acolá na imensa extensão de cenário. Do outro lado, floresta. Mata virgem e intocada, o lugar que abrigava a tribo Banshee.

Silencioso, foi até o banco de trás e apertou o dispositivo, abrindo o estofado que servia de compartimento secreto. Seu coração vibrou com a visão que recebeu: o humano estava encolhido lá dentro, com os olhos espremidos, incomodado pela súbita luz. Os braços cruzados descansavam sobre o peito. Ele não tinha comido nada do que o Emissário colocara ao seu alcance.

– Você está bem?

– Acredite – a voz do garoto soou rouca, mas ele sorria – Já estive bem pior.

– Chegamos ao ponto final.

– Ótimo! Só... vou precisar de sua ajuda. Meus braços dormiram faz um tempinho – disse com bom humor – Mas minhas pernas dormiram bem antes.

Derek não disse nada. Com cuidado e certa dificuldade entrou no veículo e ajudou o parceiro a sair do compartimento, terminou pegando-o nos braços. Ficou angustiado porque, apesar de tentar, o menino não conseguiu segurar gemidos de dor.

– Está com fome? – Derek o colocou sentado no banco do carona.

– Sim, mas... prefiro sair daqui antes de parar para comer algo...

O lobisomem concordou. Pegou a cesta que Deaton preparara (e o lobisomem se recusara a comer, angustiando pensando no companheiro trancafiado na parte de trás) assim como o lanche do pequeno compartimento, fechando-o. Então ajudou Stiles a subir em suas costas e, sem olhar para trás, seguiu para a floresta.

Eles caminharam por um bom tempo, até que o lobisomem decretasse que precisavam parar. Seguiam a esmo pela floresta, sem uma direção que servisse como orientação. A única dica que possuíam era o cheiro do cabelo de uma Banshee. E Derek não farejara algo nem ao menos parecido! Prestava atenção no caminho, para não andar em círculos. Mas mesmo que andassem a horas, passavam apenas por lugares diferentes.

Colocando Stiles no chão, contra uma árvore, Derek tratou de lhe dar um pão e um pouco de água.

– Precisa comer.

– E você, Sourwolf? Precisa também...

– Ainda não. Minha resistência é maior.

Stiles não insistiu. Nem bem terminou e retomaram a marcha. Dessa vez o garoto fez questão de andar para movimentar as pernas e poupar um pouco o parceiro. A noite caiu e os surpreendeu sem que estivessem mais perto de encontrar o abrigo Banshee do que ao dar o primeiro passo para dentro da floresta.

A noite esfriou e, para se protegerem, Derek deitou-se no chão coberto de folhas e fez com que Stiles descansasse em seu peito, envolvendo-o com os braços de modo a se aquecerem. Não pela primeira vez Hale maldisse sua condição de lobisomem: se pudesse mudar para a forma de lobo aqueceria muito mais o humano. Mas só podia fazer isso durante as Luas Cheias. Aquilo era uma maldição.

O sol nem tinha nascido quando o casal despertou e retomou a marcha. E o segundo dia se perdeu totalmente, sem que encontrassem algum vestígio da tribo Banshee. Na primeira parte caminharam com Derek a frente, concentrado em seu sentido sobrenatural. Pouco após o fugaz almoço teve que carregar o garoto que, exausto, apenas diminuía o passo e os atrasava.

Stiles estava no limite de sua resistência humana. Mas em momento algum reclamara, desistira ou pedira para parar. Ao contrário. Volta e meia deixava escapar um gracejo ou uma palavra de incentivo. Derek reunia forças e continuava sempre em frente.

A cesta fora abandonada logo após o pouco almoço, quando Derek fizera questão que o mais novo ficasse com o pão, repartindo apenas o pouco de água que sobrara na garrafinha.

Nem mesmo os instintos mais primitivos de Derek pareciam ajudar: a floresta era anormalmente silenciosa e despida de vida, não se ouvia nem o som de insetos. Nada que pudesse ser caçado e virar alimento. Para agravar, na segunda noite que passavam por ali, Derek não se atreveu a reunir gravetos e acender uma fogueira que os aquecesse. Estavam seguros ali? Seriam caçados? O fogo denunciaria a posição do casal. Não seria prudente correr tamanho risco.

Na manhã do terceiro dia foi mais difícil levantar. Ambos estavam exaustos. A floresta brincava com eles: o ar estagnado escondia o aroma das Banshees. Onde estava a Deusa Mãe? Teria Gaia abandonado o casal faltando tão pouco para encontrar um porto seguro? As dúvidas que nasciam na desesperança do coração de Derek logo encontraram uma resposta.

Ao cair da terceira noite, praticamente arrastando-se com Stiles em suas costas, o lobisomem encontrou uma árvore que em nada diferenciava-se das outras, mas que lhe pareceu um bom lugar para descansar. Com cuidado fez o humano escorregar para seus braços, antes de sentar-se com as costas contra o tronco da árvore. Observou o rosto pálido e doentio. Toda a energia que o garoto recuperara com os cuidados de Deaton pareciam ter se perdido, as negras olheiras davam um aspecto de assustadora fragilidade ao humano, os lábios estavam secos e rachados pela sede. Foi tomado por uma vontade insana de ver aqueles olhos castanhos mais uma vez... somente mais uma vez...

Então Derek sentiu um cheiro... um odor que não captara até o momento, mas que perseguira incansavelmente! Sim! O cheiro de uma Basnhee!

Ele tentou. Bravamente tentou levantar e continuar a marcha, porém seu corpo não se moveu, tamanha a exaustão. Uma voz muito suave soou em sua mente e ele decidiu que não havia problema em obedecer.

Está tudo bem. Você se esforçou pra valer. Apenas descanse agora.

E foi o que ele fez.

D&S

Derek abriu os olhos. Com os sentidos todos em alerta, sentou-se. Os olhos verdes analisaram o local onde estava: sobre uma improvisada (e incrivelmente macia) cama feita de peles de animais, colocada ao fim de uma caverna. Caverna funda o bastante para que não ouvisse nitidamente os sons que vinham lá de fora, mas não tão funda a ponto de impedir que a luz do luar clareasse sua entrada.

Havia um jarro rústico de barro com água fresca e um cesto de cipó entrelaçado cheio de frutas vistosas, bem ao alcance de suas mãos.

Derek ignorou aquilo. Levantou-se, mal notando que não usava mais as roupas formais dadas por Deaton e sim um conjunto mais simples, um tanto gasto todavia muito limpo.

Curioso e preocupado, escapou da caverna e se descobriu saindo em uma espécie de clareira, cercada de um lado por um alto paredão. Tão alto que Derek entendeu que magia o protegia, já que na floresta em que se perdera não era possível ver tal magnífica obra da natureza. O restante da clareira era protegido por floresta em formato de minguante.

De ambos os lados da gruta que saíra era possível ver mais três ou quatro, o que o fez pensar que as cavernas não eram naturais, mas também fruto de magia. Não perdeu tempo tentando desvendar a origem de tais construções. Teria tempo para isso mais tarde. Sentia o cheiro de Stiles, queria encontrá-lo.

Três mulheres e dois rapazes estavam pela clareira, entretidos em funções domésticas. O cheiro delicioso de comida cozinhando na fogueira fez o estomago de Derek agitar-se diante da perspectiva de comer algo quente e apetitoso.

Apenas alguns segundos depois que perceberam que o lobisomem recém-chegado estava a observá-los.

Uma ruiva levantou-se e aproximou-se dele. A jovem mais ou menos da idade de Stiles era dona de uma beleza impressionante, quase etérea; tal qual o cheiro que atingiu a percepção de Derek: a menina era uma Banshee. Não a mesma que doara o fio de cabelo, de essência apenas parecida.

– Acordou... seja bem vindo. Meu nome é Lydia – estendeu a mão.

– Derek Hale – o homem devolveu o cumprimento com firmeza – Aqui é...

– Nossa tribo, sim. É um longo caminho de desintoxicação até nos encontrar. Só podem chegar aqui depois de perder todos os resquícios da civilização que trazem com vocês, mas... isso é uma história longa. Haverão noites ao redor da fogueira o bastante para contá-la várias vezes.

– Stiles...? – revelou sua maior dúvida e preocupação.

Lydia girou os olhos e suspirou.

– O humano tagarela. Ele ainda é a estrela da tribo, você sabe, é o primeiro humano que chega aqui em muitos anos. É o único que temos entre nós. Mas agora ele está por ali – indicou uma trilha entre as árvores – Vá encontrá-lo. Essa noite faremos uma celebração para comemorar a chegada de vocês. Está dormindo há três dias, Derek Hale, para recuperar seu lobo do desgaste. O humano acordou logo após algumas horas... impressionante como seres tão fracos e frágeis podem alcançar feitos assim. Gaia é sábia em suas criações.

– Três dias...?

– Vá tranquilo. Em pouco tempo o jantar estará pronto, os outros membros da família voltarão e nos sentaremos em volta da fogueira – Lydia falou – Poderá, então, nos contar sua história, Derek Hale. E saberá a nossa.

O lobisomem balançou a cabeça e seguiu conforme indicado. Não precisou andar muito. Logo o cheiro do humano tornou-se mais forte e Derek o descobriu sentado na grama, debaixo de algumas árvores observando a lua que surgia na abobada estrelada. A crescente era linda, como se o céu sorrisse para o casal. A aparência do jovem era muito melhor! Seu rosto estava corado e sadio, sem as olheiras e despido de toda aquela fragilidade doentia. Ele ganhara inclusive algum peso, apesar de estarem ali a pouco tempo. Sinais de que fora muito bem tratado.

– Sourwolf! – Stiles irradiou felicidade quando Derek sentou-se ao seu lado. O garoto empolgado destampou a falar: – Desculpa não estar com você quando acordou! Mas tudo tem sido um sonho desde que acordei. Nem pude acreditar que as Banshees nos encontraram e que deu tudo certo. Estamos aqui de verdade! É totalmente incrível! E... e... obrigado. Por tornar isso possível!

Derek absolveu cada palavra com emoção. Como sentira falta daquela energia, daquela juventude irradiante e vivaz, características que nem a prisão no laboratório conseguiram destruir, qualidades que fizeram o lobisomem se apaixonar.

Sem responder ao agradecimento apenas passou o braço pelo ombro do garoto e o puxou para um abraço, correspondido com igual intensidade. Ficaram assim, nos braços um do outro por um tempo. Até Stiles sentir cocegas na língua, porque o garoto não conseguia ficar quieto muito tempo, apenas se não estivesse bem.

– Olha – apontou o céu. No laboratório nunca podia ver coisas como aquela noite, um cenário que parecia a tela criada pelo pincel de um artista – Não é a coisa mais linda que você já viu?

Derek virou-se para o parceiro, segurando-lhe o rosto com as duas mãos. Fez algo que desejava há muito tempo: mirou fundo nos amados olhos castanhos, deixando que a imensidão daquele olhar o envolvesse. Havia tanto para se perder, de inocência a experiencia de vida, de esperança às marcas deixadas pela dor de ser feito cobaia. A angustia de não saber o que é a liberdade.

Havia vida nos olhos de Stiles. E amor.

– Não – o lobisomem respondeu – A coisa mais linda que eu já vi é você.

E abaixou o rosto, tomando os lábios do garoto em um beijo que selou não apenas o que sentiam, mas a promessa de que, finalmente, encontrariam a tão sonhada felicidade.

Fim



Notas finais do capítulo

Gostou? Não gostou? Deixa um review!!

Agora é fim pra valer! Edy, desejo do fundo do coração que tenha gostado desse universo e da aventura que os dois viveram! E do ~le grand finale!

O capítulo ficou enorme, mas não dava para cortar ou eu ia perder o prompt! Enfim...

Próximo da lista:

26 - Getting married

Eita, acho que dá pra casar os dois ainda nessa distopia! Mas esqueçam o lemon. Não será nesse desafio.



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