30 Day OTP Challenge escrita por Kaline Bogard


Capítulo 14
Capítulo 14 - Afinal, o encontro


Notas iniciais do capítulo

Título: Afinal, o encontro
Autor: Kaline Bogard
Day 14: Genderswapped
Genero: Universo Alternativo
Aviso: Universo Alternativo não apenas em relação à série, mas ao nosso também
Link do desafio: http://30dayotpchallenge.deviantart.com/journal/30-Day-OTP-Challenge-LIST-325248585

Desculpem os erros. O ritmo do desafio é paulera :/



Derek acomodou-se ao lado de Laura dentro do luxuoso camarote. Não se sentia especialmente ansioso para assistir a peça, afinal já vira a encenação da famosa tragédia mais de uma vez.

Tempos difíceis aqueles, quando as únicas formas de entretenimento eram os teatros ao ar livre ou as tendas de artistas mambembe. Ocasionalmente tinham a chance de assistir uma boa peça de teatro em um auditório como aquele. Por isso o local estava lotado, não apenas a platéia, todos os camarotes de luxo, cuja entrada tinha um preço exorbitante, tinham sido preenchidos.

– Ouvi ótimas referências sobre o elenco – Laura estava animada, carregando em si a paixão que a família Hale nutria pelas artes.

Derek não respondeu. Apenas pegou o binóculo e ajeitou o foco, de modo a poder visualizar o grande palco com perfeição.

As luzes do teatro diminuíram gradativamente, ficando apenas as que mantinham o picadeiro iluminado. O silêncio foi absoluto e a concentração no palco, total.

As cortinas deram visão a um belo cenário que reproduzia uma rua sombria de Verona, a cena clássica de Gregório e Sansão armados com falsas espadas. Foi visível o alto nível dos atores logo no inicio do ato.

A atuação evoluiu até a primeira rusga entre os Capuleto e os Montecchio. A esse ponto Derek já se sentia absolvido pela trama. O rapaz teve que admitir que o ator escolhido para interpretar a senhora Capuleto tinha feições realmente femininas.

Sim, o elenco todo era composto por homens. Mulheres não tinham permissão para atuar ou exercer qualquer outra atividade que não envolvesse cuidar do lar e dos filhos.

Quando um dos protagonistas com trágico destino subiu ao palco todas as luzes se focaram nele, assim como todos os olhos da platéia. Romeu era um jovem negro alto e muito forte, dono de um físico proporcional, perfeito, que arrancou suspiro não apenas das expectadoras, mas de alguns dos homens também.

– Ele é muito bom – Laura cochichou para o irmão.

– Sim.

Finalmente o segundo protagonista subiu ao palco com sua velha criada. E Derek Hale quase praguejou pela surpresa. O rapaz que interpretava Julieta não era nada do que seria esperado, talvez um rapaz de menor estatura, com corpo mais frágil e torneado pelas roupas femininas.

Oh, não.

O ator era alto para o papel feminino e o vestido não tinha se ajustado muito bem. Ele movia-se de um jeito desengonçado e aparentava nervosismo nas feições. Graças ao binóculo Derek conseguiu ver que a peruca de longas ondas estava um tanto torta. O ator era tão desajeitado que ao gesticular em sua primeira fala quase acertou um tapa no pobre coitado que interpretava a criada.

Derek ficou em dúvida se aquilo fazia parte de uma nova forma de interpretar, assim como todos os que assistiam o espetáculo pois, mesmo tendo sido engraçado, ninguém riu.

Apesar do jeito estabanado, o ator tinha muita propriedade sobre Julieta, sabia as falas e as recitava com fluência, em uma voz que hipnotizava. O jovem também era dono de uma expressividade acima do normal, conseguindo passar emoções em suas feições e envolver todos que acompanhavam o drama.

Alguns gestos desajeitados continuaram através dos atos. Julieta esbarrou na senhora Capuleto e quase a derrubou. Enroscou a peruca na roupa de um dos atores e quase perdeu o apetrecho. Tropeçou na barra do vestido no primeiro encontro com Romeu e caiu nos braços de seu amado, que a amparou e manteve por alguns segundos a mais, em uma tentativa de salvar a cena. Foi bem sucedido, apesar de tudo.

O que poderia ter sido um desastre funcionou muito bem: parecia um novo jeito de retratar a doce e inocente Julieta, quebrando um pouco da perfeição artística em que sempre era colocada. E vinha tão naturalmente que encantou a platéia.

No ápice da apresentação, na derradeira cena, quando Romeu tomado por desespero ao ver sua amada supostamente em vida, o ator que a interpretava teve uma pequena crise de riso, quase imperceptível. Todos observavam ao Romeu pronunciando suas falas, com exceção de Derek, incapaz de desviar os olhos da trágica figura de Julieta. Por sorte a crise foi silenciada com rápido e não programado beijo.

Com certa tensão e expectativa o ato final se desenrolou, a tragédia se consumou e a figura solene do Príncipe deu vazão ao término do espetáculo, proferindo as palavras mundialmente famosas:

– Há de viver na memória de todos a triste história de Romeu e Julieta.

E reclinou-se para colher o entusiasmado aplauso de todos na platéia. O restante do elenco foi ter com ele, de mãos dadas, para acolher nova salva de palmas.

– Adorei – Laura sorriu para o irmão quando as cortinas se fecharam pela última vez na noite – Foi inovador.

– Se foi...

– Essa Julieta roubou a cena. Você vai querer participar do coquetel? Eu gostaria de cumprimentá-la pela atuação.

– Sim, vamos.

Haviam ingressos mais caros a venda, como os da área VIP. Esses ingressos permitiam que as pessoas tivessem acesso a um coquetel com os membros da peça, em um meio de confraternização. Muitas vezes os ricaços que participavam se divertiam tanto e se encantavam tanto com os atores que faziam generosas doações para manter o espetáculo no ar.

Dessa forma os irmãos Hale saíram do camarote e seguiram pelos corredores até ter acesso ao grande salão de recepções. A família era freqüentadora assídua do teatro. Conheciam bem os rituais.

Encontraram uma boa quantidade de pessoas espalhadas pelo salão ricamente decorado. Alguns atores já estavam por ali, ainda em seus figurinos, para chamar mais a atenção e aproveitar a emoção do fim da peça.

– Vou procurar o Mercucio – Laura informou sorridente. Aproveitou que um garçom passava e pegou para si uma taça de champagne – Nos vemos depois.

Derek logo pôs-se a circular pelo salão, que se enchia mais e mais. Uma aglomeração chamou sua atenção, algumas pessoas reuniam-se ao redor de um ator. Ouviu alguém falar “Julieta” e aproximou-se ansioso.

Qual foi sua decepção ao ver um jovem desconhecido sentado ao meio da roda de fãs, confortavelmente instalado em uma elegante poltrona de veludo vermelho. Era muito jovem e miúdo, com feições tão delicadas e singelas que poderia passar facilmente por uma mulher, tamanha sua androgenia. Vestia-se como Julieta, mas não era o rapaz que atuara na peça.

– Quem é esse? – Derek perguntou para o homem parado ao seu lado.

– É o verdadeiro ator que interpreta Julieta. Passou mal essa tarde e teve que ser afastado, para nossa imensa tristeza – o homem explicou.

O rapaz ficou decepcionadíssimo com a informação. Afastou-se deles e caminhou pelo local até encontrar o diretor da peça. Famoso por sua genialidade e talento, e notória loucura.

– Senhor Finstock – aproximou-se cerimonioso do homem que segurava uma bandeja com camarões e conversava com alguns admiradores. Ao ter a atenção do diretor, continuou: – Gostaria de saber mais a respeito do ator que interpretou Julieta essa noite.

– Não faço idéia – o diretor falou com simplicidade.

– O quê?!

– Quando a Julieta, a verdadeira Julieta, passou mal, Greenberg apareceu com aquele moleque. Sorte que ele sabia todas as falas da personagem. Mas quase me arruinou a peça! Se quiser reclamar entenderei perfeitamente e te arrumou umas entradas para a próxima temporada.

– Então ele não está por aqui? – a decepção de Derek ainda era imensa.

– Na festa? De jeito nenhum, mas ele deve estar terminando de trocar de roupa no camarim...

Hale não esperou resposta. Tirou o celular do bolso e enviou uma mensagem para a irmã, avisando que iria embora mais tarde. Laura estava com o próprio carro, não havia problemas em se separarem.

Foi fácil sair do salão e retornar para o teatro. Pensou que teria dificuldades em acessar o camarim, mas não precisou ir tão longe. Passava pela platéia, agora vazia, quando viu a figura sentada solitária na primeira fileira, a mais próxima do palco.

Ainda que estivesse em roupas masculinas, sem a peruca e demais acessórios, Derek reconheceu naquele jovem a inusitada Julieta. Silencioso caminhou até ele, ainda que o coração estivesse aos saltos de emoção.

– Boa noite – cumprimentou solene.

– Boa noite – devolveu o improvisado ator, virando-se para a companhia não esperada. Derek percebeu que era mais jovem do que parecia no palco, um garoto com expressivos olhos castanhos, tez leitosa maculada por pequenas e charmosas pintas. Um jovem muito bonito.

– Não foi convidado para a recepção?

– Nah – o garoto desdenhou – Não faço parte do elenco. Eu vinha ver os ensaios todos os dias depois da aula desde que o grupo chegou na cidade. Por isso decorei as falas. Foi uma sorte, mas acho que eu estraguei a noite. Queria seguir carreira de ator, mas não tenho talento.

– Não concordo – Derek soou sincero. Para ele ninguém mais poderia ter interpretado o papel tão bem. Estendeu a mão – Derek Hale.

– Stiles Stilinski.

– Pretendia convidá-lo para tomar um drink, mas vejo que não tem idade para isso. Que tal um jantar?

O garoto observou o homem por breve momento, incerto sobre o convite. Geralmente tinha uma boa intuição e a sua dizia que podia confiar naquele inusitado admirador.

– Tudo bem – sorriu fechando os olhos e ficando ainda mais belo na opinião de Derek – Por que não? Ou melhor... Ai de mim! – levou uma mão ao peito, dramaticamente – Romeu, Romeu! Por que és tu Romeu?

E olhou fixamente para Derek, como se esperasse que ele completasse a citação. Mas Derek não fazia idéia do que vinha a seguir. Apenas ficou em pé e estendeu a mão para ajudar o rapaz a se levantar.

Mesmo que o diretor da peça e os outros não reconhecessem o talento do garoto, Derek reconhecia e faria tudo o que estivesse ao seu alcance para dar-lhe o devido valor. O jantar seria apenas o começo de uma longa história que se dependesse dele não terminaria em tragédia.

Fim



Notas finais do capítulo

Gostou? Não gostou? Deixa um review!!

Sobre esse universo: misturei coisas da modernidade (existem carros, celulares etc) com coisas dos séculos passados (mulheres não têm muita liberdade e autonomia, não existe televisão nem cinema) Mas não é o universo que o Edy pediu ainda. Calma, rapaz. Ele vem com certeza...

Eu queria ter pesquisado mais sobre Romeu e Julieta e colocado umas frases no meio, mas nem deu tempo. Só lembrei do “Ai de mim. Romeu, Romeu! Por que es tu Romeu” e o “E ficará na memória de todos a triste de Romeu e Julieta”, mas eu tenho quase certeza de que não é com essas palavras. :/

Também não lembrava o nome dos personagens! Só do Mercucio, do Sansão e do Gregório... mas os outros, vish... esqueci completamente. Por isso a peça ficou pobrezinha. Sorry.

Próximo da lista:

15 - In a different clothing style (Visual Kei, gyaru, lolita, ect. )

Derek versão Gothic Lolita? No way!



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