Ops! Paixão Errada escrita por Samyni


Capítulo 5
Acordando de um Sonho


Notas iniciais do capítulo

Oi! oi! oi! Voltei :3

Sejam bem-vindos todos os novatos!

Dedicação especial à Lana Ston, QUE RECOMENDOU A FANFIC!!!!!!!!!!!!! *-*

Boa leitura! *-*

PS. Ficou grandão, hehehehe u.u




"Eu admito que eu ainda tenho esperanças de tudo que eu sonho e imagino aconteça de verdade." -autor mais que desconhecido.

Ele se levantou da pedra, bateu as mãos nas roupas para limpar uma sujeira invisível e perguntou:

–Quer almoçar agora ou mais tarde?

–Fica para uma próxima mas, muito obrigada.

–Não, por favor. Fique. Eu não cozinho tão mal assim. –ele disse e riu.

–Hm... Tudo bem, então. –dei de ombros e o segui em direção a casa vitoriana de pedras e janelas grandes.

Pulamos as pedras menores que faziam um caminho em direção a terra firme, subimos e descemos o morrinho e fomos em direção em que eu intimamente chamava de fazenda.

Eu observei enquanto Spencer cozinhava. Ele sabia cozinhar e isso era nítido em cada fatiada dos legumes, no escorrimento das massas, no preparo dos molhos.. Era de dar água na boca.

Como no café da manhã, aproveitei cada garfada. Estava simplesmente divino de tão delicioso. Nós dois conversamos sobre diversos assuntos, como escola, os alunos, as fofocas dos professores e sobre nós, principalmente os hobbies. As coisas que Spencer basicamente mais gostava de fazer eram cozinhar, ler e ver filmes.

No final da tarde, resolvi que era hora de ir.

–Hoje foi bem divertido, professor. Obrigada por me "salvar" na noite passada. Mas é hora de eu ir...

–Não foi nada, Taylor. Tudo bem... Vamos?

–Como assim vamos? -perguntei.

–Eu vou te levar em casa, Taylor. Estamos bem afastados da cidade. Você não achou mesmo que iria voltar a pé, não é?

–Não Spencer, você já fez muito. Estou acostumada a andar. Não precisa se preocupar.

Mamãe ficaria orgulhosa de me ver praticando a educação que ela havia me dado.

Ele me levou em casa em seu carro, mesmo com todos meus protestos.

–Obrigada Spencer. –agradeci pela milionésima vez no dia, debruçada para lhe enxergar.

–De nada, Taylor.

Entrei em casa normalmente. Fechei a porta e me virei. Meu pai me encarava calmo, como sempre. Ele não era o tipo de pai a fazer escândalos ou chamar a polícia quando eu chegasse atrasada ou não aparecer sem aviso prévio, respectivamente. Seu modo de se preocupar era diferente, não era como se eu comesse ou não fizesse diferença para ele. Mas não era feitio de Nicholas controlar minha vida.

–Onde você estava, Taylor?

Imaginei que ele tinha ligado para Alex, então respondi:

–Na casa de uma amiga, Mary Anne.

–Ah... Sim, está explicado. É que eu me preocupei já que eu liguei para Alex e ela não sabia de você... -Não disse que ele iria ligar para Alex? - Você nunca em falou dessa Mary Anne.

–É que ela é do segundo ano e só anda comigo às vezes.

–Tudo bem. Da próxima avise está bem, mocinha?

–Ok.

Ao subir no meu quarto completamente bagunçado, deitei na cama de casal –que antes minhas irmãs Anne e Amélia dividiam– e olhei para o teto, pensando.

"O que há de errado com esse homem? Ele é tão gentil e por nada, nunca mereci tal gentileza. Ele é tão educado que até parece que saiu de um filme e dos antigos ainda, estilo jogar o casaco em uma poça para uma mulher passar..."

Apenas era óbvio que eu gostaria de voltar a aquela propriedade algum dia. Fui em direção ao minúsculo banheiro entre meu quarto e o quarto de meu pai e tomei um banho rápido, depois caminhei a passadas rápidas pelo chão de assoalho até de volta ao meu quarto e abri a gaveta de minha cômoda, pescando um pijama antigo. Senti o cheiro vindo da cozinha e desci as escadas quase aos tropeços e sentei-me na minúscula mesa, em frente ao meu pai.

–Oi papai. O que temos para o jantar? –perguntei.

–Ham... –ele me olhou de cima a baixo, ou melhor, da cintura para cima– Você bebeu de novo?

–Não, pai. Estou bem sóbria.

Ele me olhou novamente, desconfiado, arqueando as sobrancelhas, mas logo deve ter deduzido que isso hipoteticamente não era da sua conta e suas expressões suavizaram novamente, voltando ao normal.

Terminamos nosso jantar em silêncio. O que me agradava muito. Meu pai sempre fora um homem de poucas palavras, desde que eu me lembro por gente e sua falta de palavras nunca foi algo que me incomodou.

Depois subi para meu quarto e me deitei na cama, mas não conseguia dormir. Senti-me estranha, como se estivesse doente, meu estômago estava estranho, um tanto agitado e minha cabeça sem rumo. Apenas repassava as milhões de imagens que eu tinha daquele dia mais cedo.

"Ele é tão diferente, tão..."

Quando alguém é classificado por você, como diferente, mas não o diferente esquisito e sim o diferente bom, significa claramente que você está emboscado. Agora, se você perdeu o sono por causa dessa pessoa seu diagnóstico é claro: está ferrado, colega.

Bom, sem alternativa melhor em mente, fui até o cemitério, passei pelo muro baixo e caminhei até as conhecidas lápides cinzas de granito. Então, estendi meu saco de dormir ali mesmo, de frente para eles. E sem conversas dessa vez. Apenas deitei ali e pensei por horas a fio.

Finalmente dormi quando o sol estava nascendo e só fui acordar na metade da tarde. Entre eu e meus parentes falecidos havia uma bandeja com refrigerante light sanduíche de peru e um bombom. Norman, fofo como sempre.

Assim que terminei de comer, voltei para casa em passos bem lentos, sem observar quantas crianças brincavam nas ruas que delineavam o caminho até minha residência, ou em quem cortava a cama ou as outras casas uniformes entre si.

Bati a porta de madeira branca e velha, guardei o saco de dormir no armário ajacente a entrada e joguei as botas em algum canto.

–Pai? –gritei Nicholas, mas não tive resposta.

–Pai? –de novo.

Corri até a cozinha ao ouvir um gemido.

–Paiii!

***

Estava no hospital e eu sempre hospitais. O excesso de luz, as paredes completamente brancas, as roupas de cama brancas, o cheiro horrível de antisséptico exalava no ar...

–Taylor! –disse Alex correndo ao meu encontro e me abraçando.

–Oi –respondi.

–O que houve? –Alex perguntou.

–Meu pai... Tava meio, ou melhor, muito bêbado e tentou se matar. –meus olhos arderam.

–Mas como? Por quê? –Alex perguntou, evidentemente preocupada.

–Megan andou aprontando... Ela fez alguma coisa, ainda não sei o que ela exatamente fez, mas creio que tenha ido na nossa casa simplesmente para infernizar meu pai. Você sabe que papai nunca superou a perda de minha mãe e de Fabrício e sabe que depois da morte dos dois ele começou a beber e fumar...

E eu chorava e chorava descontroladamente enquanto Alex me abraçava e dizia:

–Calma Taylor, irá ficar tudo bem. Prometo.

Como ela poderia me garantir isso?

–Taylor? –alguém me chamou.

Olhei para o alguém. Era um ser humano do sexo masculino, alto, de cabelos negros como um corvo e um par de olhos incrivelmente cinzas.

–Spencer? O que faz aqui?

–Vim ver se você precisava de algo, soube do seu pai... Sabe, cidade pequena.

–Ah, sim. As notícias espalham rápido. Obrigada, Spencer.

Conversamos todos os três por longos minutos, em pé mesmo, em um triângulo, até que por fim o celular de Alex tocou e ela teve de ir embora.

***

Estava no sofá sentada absorta em pensamentos, quando um médico bonito e loiro veio ao meu encontro:

–Senhorita... Linehan?

–Sim?

–A situação do seu pai é complicada. Ele passa bem por agora, mas ele disse que sentia dores no tórax e andava tossindo muito ultimamente, sem sinal de gripe. Realizamos uma radiografia, com resultados inconcluídos e depois tomografia computadorizada, broncoscopia e comprovamos o câncer de pulmão, provavelmente pelo seu excesso de cigarro. Ele terá de parar imediatamente e seguir o tratamento se quiser continuar a viver.

“Meu pai? Câncer? Parar de fumar? O que farei agora? Cigarro é vício pra ele...”

Uma lágrima teimosa escorreu pela minha bochecha. Meu pai era a única pessoa que ainda me restava.

–Calma, Taylor. Vem cá. Descanse um pouco e mais tarde você visita seu pai. -disse Spencer me chamando para sentar ao seu lado novamente.

Não iria recusar mesmo em tal situação. E acabei adormecendo. Acordei desejando que tudo que passei no dia anterior fosse mentira, mas não era. Spencer dormia e eu estava escorada nele e abraçada a sua cintura no sofá da sala de espera do hospital. Desencostei-me e larguei sua cintura. Por que coisas como essas sempre aconteciam quando estávamos com suspeitas de nossos sentimentos?

Fiquei o olhando. Seu jeito de dormir, sua boca; e esperando seus olhos abrirem até que ele realmente acordou:

–Bom dia, Taylor! –cumprimentou animado e olhou para o relógio. –Droga, estou atrasado. Tenho de ir dar aulas para aquele bando de adolescente desinteressado. Não irá hoje, não é?

–Não. Quero ficar aqui com meu pai. -respondi e ele assentiu.

–Então, ok. Depois da escola eu volto.

–Não precisa, Spencer.

–Eu sei, mas eu quero. –ele disse com seus olhos penetrantes e foi embora.

Depois desse acontecimento fui até a lanchonete do hospital, mesmo sem fome alguma.

Pedi um pão com manteiga, bolo de chocolate e café, não era muito fã de café, mas queria ficar acordada. Depois do meu "café da manhã" voltei à sala de espera, mas não suportei ficar um período de tempo longo parada, então fui procurar o médico bonito e tive sorte de achá-lo.

–Doutor? –o chamei.

–Sim, senhorita Linehan?

–Posso ver meu pai? –perguntei.

–Sim, claro. Por favor, me siga.

Eu o segui até a área de internos e entrei no quarto 9. Não era um número que eu gostava, tinha certa apreensão a ele... Fora com essa idade que perdi minha mãe, meu irmão, minha avó... Mudei-me para Lynn e tudo começou a ficar de cabeça para baixo. E nunca mais voltou ao normal. Detalhe.

–Papai? –o chamei olhando sua pele pálida e seus cabelos mais claros do que o normal.

–Taylor... –ele disse com muita dificuldade.

–Doutor? –eu disse me virando para o médico bonito do outro lado do quarto - Me explique o que houve com meu pai? Não entendi muito bem essa parte da tentativa de suicídio...

–Suponhamos que pelos cortes em seus braços e alto teor alcoólico em seu organismo, seu pai tentou suicídio, mas por conta da embriagues, se desequilibrou feio...

–Certo. E o que isso tem a ver com o câncer de pulmão?

–Nada, mas como ele queixou-se de dor, achamos que havia quebrado uma costela por algo assim, mas descobrimos o tumor maligno.

Respirei fundo e sentei-me na cadeira ao lado de meu pai.

–Vou deixá-los a sós. –o doutor disse e saiu do quarto.

–Papai... –comecei tentando reunir forças para continuar. –Como o senhor faz isso comigo? Como ousa tentar se matar? O senhor não pensou em mim, não é? O que seria de mim sem você? Está lembrado que você é a única pessoa que me resta?

–Sua mãe... Quero sua mãe... –ele disse.

Um misto de pena e revolta passou por mim.

–Eu também quero, mas isso não é possível, pai. Eu estou aqui para fazer companhia ao senhor e é isso que você faz? Tenta me abandonar? Largar-me?

–Desculpa. Estava bêbado.

–Sério? Que interessante! Mas a partir de hoje nada de cigarros e bebida para você, ok? Agora faremos tudo dar certo. Você vai seguir o tratamento e será uma pessoa nova, com hábitos novos e escolhas novas.

Levantei-me e voltei para casa, a fim de tomar um banho e trocar de roupa.

***

–Taylor. –sua voz grossa ecoou pelos meus ouvidos.

–Spencer! Você voltou... –o abracei.

–Claro, eu falei que voltaria. –ele disse se afastando para em encarar.

–Spencer... -choraminguei e comecei a chorar.

–Shiiiu... -ele me tomou nos braços novamente e fez carinho no alto da minha cabeça.

Sentamos-nos no sofá novamente e conversamos, decidimos que falaríamos de coisas menos tristes, como o estado do meu pai.

–Um rapaz foi lá na escola hoje levando um buquê de rosas para Alex e a pedindo em namoro. Foi bem engraçado. Ele gaguejou bastante. –riu.

–E ela? Aceitou?

–Por incrível que pareça sim. –rimos novamente.

Incrível como existe alguém disposto a lhe fazer rir, mesmo em meio aos destroços.



Notas finais do capítulo

Então.. Eu uso minhas fics pra desabafar geral, sabe? E na época que eu tava escrevendo Ops meu avô (alguém que eu amava demais e era um amor comigo, quase como um pai -e eu não dou certo com o meu, mas enfim) teve câncer, mas foi no exófago, acho. Ele morreu há um pouco mais de um ano, e é isso... Talvez ter colocado isso na história tenha sido nada a ver, mas aconteceu, foi um momento que eu tava precisando disso e agora não tem como tirar..
Me digam exatamente tudo o que acharam, sim?
Eu escrevi ontem, fiz as melhorias, ficou tipo, muiiito bom e aí o texto simplesmente sumiu, saiu da conta e foi uma bosta, aí hje escrevi DE NOVO.
Créditos, por favor.
Mandem reviews, recomendem e favoritem, pessoal!
Fred tá com fome e eu também u.u pq to sempre com fome
Bjinhosssssssssssssssss
~Samyni



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