O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 86
Especial de Natal (IV)


Notas iniciais do capítulo

E aqui está, o nosso último especial de natal!

Existem coisas bem interessantes nesse capítulo, então pode ser do interesse de vocês dar uma olhada!



– HUM? HOZAR, TEIGRA? VOCÊS AQUI? – A pergunta saiu dos lábios de Duke enquanto ele inclinava a cabeça para o lado e olhava para a direita, atraindo a curiosidade de Kyanna e fazendo com que ela olhasse na mesma direção. Tal como o Titã havia dito, Hozar e Teigra estavam se aproximando deles pelo lado, com Hozar trazendo um monte de sacolas em suas mãos enquanto Teigra trazia um pequeno boneco de madeira que parecia ter a forma de algum cavaleiro, embora Kyanna não soubesse dizer qual. – O que vocês estavam fazendo aqui fora?

– Bom, considerando que estou trazendo todas essas sacolas, acho que estávamos enchendo a cara num bar. Não notou que o meu rosto está vermelho? – O sarcasmo vindo de Hozar era uma coisa tão surpreendente que Kyanna quase gargalhou ao ouvir aquilo, mesmo isso não sendo particularmente engraçado. Foi só ao olhar na direção de Duke e ver o olhar azedo dele que decidiu contra isso, sabendo que rir só iria azedar ainda mais o humor do outro.

– Tá, tá, guardem os seus segredinhos, vejam se eu me importo – murmurou Duke, embora essa não tenha sido lá uma frase de muito peso na situação atual. Era óbvio que ele se importava. Qualquer um podia dizer isso só de olhar para o rosto dele.

– Não fomos fazer nada demais. Hozar só me levou para sair e me comprou algumas coisas – disse Teigra, sendo como sempre a mais madura de todos e a menos tentada a deixar que uma discussão boba se iniciasse por tão pouco.

– Levou você pra sair? Pera aí, vocês foram num encontro? – Subitamente, Duke pareceu muito mais interessado no que eles estavam fazendo, o que não era lá muito fácil considerando que ele já parecia interessado desde antes.

– Nós saímos juntos. Isso não significa que tivemos um encontro – disse Hozar com sua voz sempre séria e autoritária, quase conseguindo esconder completamente o leve rubor que subiu ao seu rosto. Quase. – Por exemplo, você e Kyanna saíram juntos, mas isso não significa que vocês tiveram um encontro.

– Ah, é? E o que lhe faz pensar assim? – O braço de aço de Duke envolveu o corpo de Kyanna, puxando-a para junto dele no que deveria ser um abraço... que só conseguiu fazer com que ela rolasse os olhos. – Talvez eu só tenha saído com ela, sim. Mas talvez tenhamos feito mais! Talvez nós tenhamos visitado um restaurante um pouco mais romântico, conversado um com o outro, nos conhecido um pouco mais a fundo e-

– Nah, nós só saímos mesmo! – Disse Kyanna com um sorriso, interrompendo Duke e sua história falsa antes que ele pudesse ir longe demais com aquilo. Olhou para ele ainda sorrindo, e embora ele tivesse uma expressão azeda como a de antes inicialmente, essa logo desapareceu para dar lugar a uma expressão divertida quando ele gargalhou um pouco e balançou a cabeça.

– Ora bolas, vocês não me deixam mesmo me divertir, não é, seus filhos da puta? – Resmungou ele, embora seu rosto deixasse claro que ele não se importava realmente com aquilo. – Vocês têm sorte que eu gosto tanto de vocês, seus bastardos, porque senão eu estaria chutando as suas bundas.

– Sim, sim, claro que você estaria – murmurou Teigra em um tom neutro, sem realmente dar muita atenção a isso, embora Kyanna tenha visto a sombra de um sorriso surgir em seu rosto. – E por sinal... parece que não somos os únicos que resolveram sair essa noite.

A cavaleira disse aquilo já levantando uma de suas mãos e apontando com o dedo para trás de Duke e Kyanna. Os dois trocaram um olhar confuso entre si por um momento antes de se virarem para trás, e então viram ao que ela estava se referindo.

Correndo pela neve, de braços dados e rostos corados enquanto gargalhavam, Kastor e Bryen estavam vindo em direção a guilda como se tivessem acabado de viver o melhor momento de suas vidas. Ao ver a pura felicidade expressa nos rostos dos dois os olhos de Kyanna começaram imediatamente a brilhar, e ela simplesmente não pode se conter e se impedir de levar as mãos ao seu rosto enquanto via aquilo. Ai meu Deus, eles estão tão bonitinhos! Nunca havia reparado nisso antes, mas Bryen era muito bonita, principalmente quando sorria. E Kastor... até mesmo ele estava diferente agora. Sempre havia achado ele um homem bonito, e sempre havia visto ele como alguém risonho, mas naquele momento ele parecia ter um destaque maior, como se ele tivesse um brilho ou uma aura ao seu redor que chamava a atenção.

– Ora, ora, parece que o amor está no ar! – Exclamou Duke, mostrando um sorriso largo e com os braços cruzados, fazendo com que os dois parassem de rir por um momento para prestarem mais atenção no que estava a frente deles. A forma como os olhos de ambos se arregalaram foi simplesmente hilário, e Kyanna não pode fazer nada para conter o riso. – E então? O que o casalzinho de namorados estava fazendo por aí a essa hora da noite? Lembrem-se crianças, sejam conscientes. Sem baixaria antes de casar, beleza?

A forma como a cara de Bryen ficou vermelha foi magnífica. O rosto dela ficou parecendo uma panela superaquecida, e sem pensar duas vezes ela se virou para Kastor, desgarrou o braço do dele e o empurrou para o lado, caminhando de forma emburrada e a passos largos em direção à porta de entrada da guilda, mantendo sua cabeça sempre baixa para não ter de olhar nos olhos de ninguém. Kyanna ficou sem saber se ria de Bryen depois disso ou se simpatizava com a cara de cão-perdido de Kastor, mas os outros não pareceram ter a mesma dificuldade; todos – de Duke até Hozar – gargalharam alto do casal, fazendo com que tanto Bryen quanto Kastor se virassem contra eles simultaneamente, ambos mostrando o dedo do meio para seus companheiros.

Foi assim, nesse clima divertido e descontraído e regado a gargalhadas que todos adentraram da guilda, e foram recebidos por um glorioso banquete.

Em algum momento depois que foram embora, alguém havia colocado uma mesa no salão principal da guilda e a forrado perfeitamente com tudo que tinha direito. Comida fresca estava sobre ela, em ampla quantidade e tudo de alta qualidade. Via peras, maçãs, uvas, morangos e laranjas espalhados em um ponto. Em outro estavam coisas como pudim, bolo, torta e panquecas, acompanhados de salgados e petiscos como coxinhas, empadas, doces de banana, leite, amendoim, e muito, muito mais. No centro da mesa estavam um peru assado, um grande pedaço de lombo de porco, carne de panela, três peixes assados e cinco bifes de boi, todos parecendo extremamente suculentos. Sucos de laranja, morango, uva, goiaba, abacaxi e maracujá estavam na mesa também, distribuídos uniformemente de forma a ficarem acessíveis de qualquer ponto dela, com lindos copos de vidro já colocados sobre a mesa para uso. Sete cadeiras haviam sido colocadas na mesa: três de cada lado e uma na ponta, posicionada de forma a dar ao que ficasse nela uma visão perfeita da entrada. Talheres de prata já haviam sido posicionadas para cada cadeira em um conjunto que incluía pratos, garfos, e colheres e facas de vários tamanhos para várias funções específicas.

– .... Hein? – Foi a reação de Bryen ao ver aquilo, completamente confusa.

– Alguém preparou o jantar? Quando? Melhor ainda, desde quando nós temos alguém na guilda que sabe cozinhar alguma coisa?! – Perguntou Kastor, embasbacado.

– Muito bem... eu devo dizer que não esperava por essa – comentou Teigra, até mesmo a cavaleira tendo olhos arregalados diante daquilo.

– Essa é uma bela ceia. Quem quer que tenha feito isso teve ter passado um bom tempo aqui... e só consigo pensar em uma pessoa que possa ter feito isso – murmurou Hozar, acariciando levemente seu queixo com uma mão enluvada em aço.

– Bom, quem quer que seja a pessoa que fez isso, ela certamente é bem amável! – Afirmou Kyanna, balançando alegremente sua cabeça.

– .... Eu não tenho a menor ideia de quem fez isso, mas essa pessoa acabou de conquistar o meu coração – sussurrou Duke em uma voz emocionada, com seus olhos já lacrimejando.

– Minha nossa, vocês já chegaram? – A voz que disse aquilo não veio de nenhum membro do grupo, mas nem por isso foi desconhecida. Muito pelo contrário, ela era uma voz que eles conheciam bem. – Eu pensei que teria mais tempo, mas parece que vocês decidiram voltar até que bem cedo. Bom, por sorte eu conseguir terminar tudo a tempo, haha!

Rostos viraram-se na direção da qual aquela voz havia vindo para verem Anabeth saindo da cozinha, vestindo um avental branco cheio de bolinhas vermelhas enquanto retirava um par de luvas grossas de cozinha das mãos. Não foi necessário pensar para entender o que aquilo significava.

– Anabeth? Você fez tudo isso sozinha? – Pela expressão em seu rosto e o tom de sua voz, era claro que Bryen tinha dificuldades em acreditar que qualquer um podia fazer sozinho tudo aquilo... o que era francamente compreensível, considerando a simples quantidade de coisas que estavam na mesa.

– Anabeth! Grande Anabeth! Eu sabia que podia confiar em você! Eu sabia que você não iria me decepcionar! Nós conseguimos fazer a surpresa perfeita para todo mundo, não é? – Rindo enquanto posava de braços cruzados, Kastor tentou fazer parecer que aquilo era tudo um plano dele, como se tivesse planejado com Anabeth para fazer um grande agrado para todos os membros da guilda. Absolutamente ninguém caiu nessa.

– Hm, eu deveria ter imaginado... quem mais conseguiria fazer tanta coisa além da nossa arqueira. Você sempre pareceu ser boa em fazer múltiplas coisas simultaneamente, Anabeth – comentou Teigra, sorrindo levemente enquanto olhava para a ruiva.

– Eu devo dizer, você fez um ótimo trabalho. Eu realmente havia me esquecido de fazer algum tipo de festa ou banquete de natal, mas parece que não tenho de me preocupar muito nisso. Parabéns, Anabeth, e obrigado. Você é bem prestativa – disse Hozar, acenando com sua cabeça em agradecimento.

– Anabeth! Isso ficou tudo maravilhoso! Muito obrigada! – Gritou Kyanna, correndo até sua companheira e envolvendo-a em um abraço forte e caloroso.

– MULHER, VOCÊ É MARAVILHOSA, POR FAVOR SE CASE COMIGO! – Exclamou Duke, correndo como um desesperado em direção à Anabeth e envolvendo tanto ela quanto Kyanna em um abraço monstruosamente forte, que imediatamente fez com que ambas fizessem uma careta como se ele estivesse quebrando sua coluna.

Foram necessários tanto Kastor quanto Hozar para retirarem o Titã das duas, tão emocionado e descontrolado que ele estava. Mesmo quando ele conseguiu recuperar autocontrole o suficiente para se afastar, Duke ainda tinha os olhos vermelhos de emoção e uma expressão no rosto que sugeria que ele poderia começar a chorar de felicidade a qualquer momento. Uma vez recuperada do abraço dele e tendo ar de novo em seus pulmões, Anabeth começou a se explicar.

– Bom, pessoal... eu sei que não faz tanto tempo que estamos juntos, mas acho que todos vocês sabem tanto quanto eu o quão precioso é o nosso tempo nessa vida. A qualquer momento, qualquer um de nós pode morrer. Isso é algo que vale em dobro para pessoas como nós, que tem seu estilo de vida associado às batalhas. Então... eu pensei que seria bom aproveitarmos enquanto podermos. Não sabemos o que o futuro nos reserva e não sabemos aonde estaremos daqui a um ano, e embora eu não ache que é uma boa ideia ficarmos nos preocupando com isso, também não acho que seja uma boa ideia ficarmos deixando as coisas para depois. Ao menos por hora, acho que seria uma boa ideia apreciarmos o que temos aqui. Apreciar a nossa fartura, a nossa comida, e mais do que tudo, a nossa companhia. E, bem... que forma melhor de fazer isso do que um jantar?

Ao convite da arqueira, todos foram tomando seus respectivos lugares a mesa – que, curiosamente, já haviam sido definidos por Anabeth previamente. Kastor sentou-se na cadeira na ponta da mesa, e na primeira fileira – a mais próxima dele – estava Hozar do lado direito e Duke do lado esquerdo. Na segunda fileira, Bryen ocupava a posição da direita enquanto Teigra ocupava a da esquerda, e na última fileira Kyanna ocupava a posição da direita, enquanto Anabeth ocupava a posição da esquerda.

Assim que se sentaram, os olhos de todos foram direto para o banquete que tinham a sua frente. Kastor e Duke – de longe os mais animados com ele – foram rápidos em pegar faca e garfo e se prepararem para partir pro ataque, mas antes que pudessem fazer isso Anabeth ergueu uma de suas mãos, chamando a atenção de todos.

– Eu sei que vocês devem estar todos com fome, mas antes de começarmos a comer... vocês se importam de fazer uma pequena vontade minha? – Parou por um momento e olhou ao redor, e ao não ver nenhuma reação negativa da parte de ninguém, seguiu em frente com o que tinha a dizer. – Eu... antes que seguíssemos em frente com o banquete e tudo mais... eu me pergunto se vocês se importariam em orar comigo...? Mais especificamente, a Prece do Agradecimento.

– A Prece do Agradecimento? – Repetiu Duke, erguendo uma sobrancelha. – Ei, eu conheço essa prece, o que é mais do que posso dizer de qualquer outra, mas ela não é um pouco... antiquada? Quero dizer, não vejo as pessoas orarem ela há anos!

– A maioria das pessoas não ora há anos – apontou Teigra calmamente. – Desde que os Deuses morreram durante a Grande Guerra, a fé no mundo vem morrendo pouco a pouco. Nos últimos dez anos em particular ela sofreu um grande declínio, maior do que qualquer outra coisa que ela sofreu nos últimos duzentos anos. Praticamente ninguém venera Deus nenhum atualmente.

– A fé sofre bastante quando aqueles que você venera são tomados como mortos pela sociedade em que você vive – lamentou Hozar, balançando a cabeça.

– Sim, isso é verdade e tudo, mas... quando eu era pequena, eu e meu pai normalmente fazíamos sempre um jantar um pouco especial no natal com o dinheiro das nossas caçadas e qualquer animal que conseguíssemos abater. E sempre que íamos comer ele antes insistia para que orássemos em agradecimento aos Deuses. – Anabeth parecia um tanto nervosa enquanto falava daquilo, olhando ressabiada para um lado e para o outro como se temesse estar falando uma grande besteira. – Se possível eu gostaria de fazer isso de novo, pelos velhos tempos... a-apesar de que, vocês não precisam fazer isso se não quiserem! Se for o caso nós podemos simplesmente comer sem fazer isso e...

– Besteira! – Interrompeu Kastor de forma energética, embora nem por isso desprovida de gentileza. – Você foi generosa o bastante para fazer um jantar maravilhoso como esse para nós, Anabeth! Não acho que alguém aqui tem algo contra orar com você, não é?

Em uníssono, todos cinco outros murmuraram palavras de aprovação e acenaram positivamente com suas cabeças, e múltiplos pares de olhos caíram logo em seguida sobre Anabeth. A arqueira não pode deixar de sorrir diante disso, embora ainda estivesse nervosa.

– M-muito obrigada – murmurou ela, olhando para todos. – Então... se não for um problema, eu posso começar?

– A vontade – disse Kastor.

– Okay. – Os olhos de Anabeth se fecharam, e logo em seguida todos os seus companheiros fizeram o mesmo. Aquilo era parte da tradição. Parte do ritual que cercava aquela prece em particular. Uma suave brisa soprou dentro do salão, balançando os cabelos dos sete que estavam ali reunidos, e foi então que as palavras dela começaram a soar. – Bondosos Deuses, nós agradecemos pela sua eterna graça. Aqui, reunidos ao redor dessa mesa, nós agradecemos de coração por tudo que vocês nos proporcionaram. Pela saúde, pela alegria, pela fartura. Pela comida e pela bebida, pela sorte e pela esperança. E mais do que tudo, pelos amigos que trilham conosco o caminho da vida.

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Múltiplas flechas de fogo cruzavam o ar, todas indo em direção a um único homem. Com um sorriso selvagem no rosto e brandindo duas espadas de chamas douradas sólidas em suas mãos, o gigante que Anabeth enfrentava parecia uma besta feroz, enlouquecido pelo calor da batalha.

– O que foi, o que foi, o que foi?! – Jiazz o Juggernaut rugia enquanto se movia, acertando as flechas de Anabeth facilmente com os movimentos de suas espadas e quebrando-as em pedaços com cada um de seus golpes. – Qual o problema, Arqueira?! Você não vai conseguir me matar com tão pouco!

O rosto de Anabeth, fechado, tinha seus olhos fixos nele. Enquanto suas várias flechas o distraiam, ela se ocupou em erguer sua única mão e juntar energia nela. Com sua magia ela forjou uma única flecha na palma dela, uma flecha com cerca de cinco vezes o tamanho de uma de suas flechas normais, parecendo mais uma pequena lança de arremesso do que tudo. E foi exatamente assim que ela a tratou. Firmou seus pés no chão para formar uma base, jogou seu corpo para trás para ganhar impulso e arremessou a flecha em suas mãos com tudo contra Jiazz. Movida por sua força e pela sua magia, a flecha de Anabeth avançou em uma velocidade muito maior do que as muito menores que ela; quando Jiazz a notou, ela já estava bem diante do seu rosto, e a explosão flamejante dela engoliu todo o corpo do Juggernaut.

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Bondosos Deuses, nós humildemente imploramos pela sua benção – continuou Kyanna. – Por favor, abençoem-nos, Deuses, para que nunca percamos o que temos. Abençoem-nos para que mantenhamos sempre a nossa saúde. Abençoem-nos para que tenhamos sempre a nossa fartura. Abençoem-nos, por favor, para que nossos amigos sejam eternos.

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A figura daquele homem era gigantesca. Grande de altura e grande de corpo, ele era como um grande urso avançando contra ela. Envolto em vestes negras finas e dignas de um mago (que pareciam completamente inapropriadas para alguém como ele) e tendo seus cabelos presos em uma única longa trança que caia até a metade das suas costas, cada passo dele parecia fazer com que a terra tremesse.

– Vocês, crianças... vocês estão ficando cada vez mais arrogante – resmungou ele em uma voz profunda e ecoante enquanto seus olhos eram consumidos por energia branca, pura e violenta. – Eu sou o Grande Panda, criança. Mestre do Colégio Branco, o mais poderoso dos seus magos. Quem é você, que ousa ficar no meu caminho?

– Uma membra da Era Dourada – retrucou ela, colocando-se em posição de batalha, mantendo seus olhos fixos sobre seu oponente e um semblante sério em seu rosto. – Prazer em lhe conhecer, Grande Panda. Eu sou Kyanna Aoki, a Varinha de Prata. Aquela que vai te derrotar.

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Bondosos Deuses, por favor, perdoem os nossos pecados – murmurou Teigra. – Perdoem-nos por aqueles que ofendemos, perdoem-nos por aqueles que machucamos. Guiem nossos passos, ò Deuses, para que isso não se repitam. Guiem nossos passos, e por favor, por favor, garantem que nossos pecados não se voltem contra aqueles que nos cercam. Não permitam, Deuses, que atiremos flechas contra nossos companheiros.

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A criatura bateu suas asas, e montanhas se desmancharam ao longe pela força exercida por esse simples movimento. Seu único olho humano olhou suas garras de aço, enquanto seu olho vermelho de máquina parecia estar sempre fixo sobre sua oponente. Mais atrás dele o Rei Louco gargalhava como um maníaco, fazendo jus ao seu nome enquanto quase dançava no lugar.

– Você vê, Teigra? Consegue ver essa maravilha?! – A excitação de Tiamat não era nada comparável a qualquer coisa que ele já havia exibido no passado. Seu sorriso era largo demais até para ele, e seus dentes pareciam particularmente afiados quando ele gargalhava. Seu olhar não trazia traço algum da genialidade pela qual ele era famoso, mas apenas pura loucura e insanidade. – Essa é a minha mais nova criação, Teigra! Prometheus, o Deus Artificial! A união de homem e máquina que se compara ao poder dos Deuses Antigos! Existe algo no mundo que pode desafiar uma maravilha dessas?

– Eu não sei. E nem tampouco me importo. – A resposta Teigra foi simples e veio acompanhada de um passo adiante da cavaleira, seus olhos cheios de determinação encarando ambos os seus oponentes. – Eu não me importo se você criou um Deus ou um Demônio, Tiamat. Eu não me importo com qualquer criação que você possa ter em mãos. Isso não faz diferença alguma. Eu já fiz a minha decisão. Hoje, você morre pela minha mão.

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Bondosos Deuses, deem-nos força – orou Bryen. – Por favor, nos agraciem com a força que precisamos para viver. A força para superarmos os nossos problemas. A força para enfrentarmos as nossas adversidades. A força para ficarmos de pé nos dias mais terríveis, a força para seguirmos em frente mesmo na pior das tempestades. A força para protegermos aqueles que amamos.

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– Então... você é a filha do casal que Aiacos matou anos atrás? Hum... – Sua máscara ainda cobria seu rosto e sua voz soava tranquila, mas o corpo de Volcano demonstrava exatamente o contrário. Pouco a pouco seus braços estavam se transformando, e o que antes era carne começava a se transformar em pura lava quente bem em frente aos olhos dela. Pequenas gotas dessa lava dos seus braços escorreram e caíram ao chão, e um buraco fundo foi formado no lugar que elas atingiram enquanto vapor e fumaça subia dele. – O que você quer comigo, garota? Uma explicação?

– Não, eu não preciso de explicação nenhuma – disse Bryen Hardying, pousando sua mão sobre a empunhadura de sua espada e sacando lentamente a arma da bainha, desnudando mais e mais aço a cada segundo que passava. – Eu não tenho interesse em nenhuma das suas palavras, Volcano. A única coisa que quero de você... é a sua cabeça.

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Bondosos Deuses, fortunados somos nós – entoou Duke. – Em um mundo como esse, frio e sombrio, somos afortunados em ter o que temos. As nossas farturas, os nossos bens, a nossa saúde, os nossos amigos, a nossa felicidade. Por favor, bondosos Deuses, permitam que a graça que é a nossa fortuna nunca nos deixe. Que a nossa sorte continue, eterna, para todo e todo sempre.

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A Rainha dos Monstros se aproximava dele, um passo após o outro. As várias marcas em seu corpo brilhavam intensamente a cada movimento dela, ressoando com a energia sombria que revestia seu corpo e fortalecia seus movimentos. Essa mesma energia que era tão, tão intensa, que o próprio plano da realidade parecia se distorcer pela intensidade dela, como se a simples existência daquela mulher pudesse quebrar o plano do mundo.

– Heh... você é definitivamente forte, puta dos monstros. Eu lhe dou esse elogio. Mas não pense nem por um momento que isso é o suficiente! – Reergueu-se do chão com um sorriso no rosto, embora estivesse sujo pelo seu próprio sangue. – Eu sou Duke, sua aberração. Duke filho-da-puta Graham! Você não vai me matar, sua puta. Enquanto os meus companheiros precisarem de mim, enquanto eu puder fazer alguma coisa por eles, eu me recuso a morrer! Eu irei chutar essa sua bunda magrela com todas as minhas forças, e então eu irei ajuda-los! ALOEIRIS: DEICÍDIO!

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Bondosos Deuses, que não tenha fim – rezou Hozar. – Que a nossa alegria seja como uma fonte que nunca seca. Que a nossa fartura seja eterna, que a nossa saúde não tenha fim. Que os nossos laços amigos sejam para sempre, bondosos Deuses, e que os laços que formamos através de sangue e suor nunca, nunca se quebrem.

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A sala estava tingida em vermelho, cheia de corpos mutilados e esquartejados por uma única espada espalhados por todos os cantos. No centro dela, o responsável por tudo aquilo estava calmamente em pé, contemplando o recém-chegado com seu único olho. Com sua armadura negra protegendo seu corpo, seu manto de pele de Tigre esvoaçando e sua espada sangrenta em suas mãos, aquele homem era o terror dos exércitos, um dos mais poderosos guerreiros que o mundo já viu.

– Então, você veio me enfrentar de novo...? Hum. Creio que garotos imprudentes nunca aprendem, não é mesmo? – Calmamente ele avançou em direção ao seu novo oponente. Ragnarok, o Tigre Negro, a Sombra do Imperador, tinha seu olho focado apenas nele. – Por sua bravura em tornar a me enfrentar, vou deixar que decida o seu destino. Eu posso te cortar ao meio como fiz com sua amiga, ou esmagar seu crânio como fiz com seu pai. Escolha um.

– Não. Nenhuma dessas alternativas são aceitáveis – disse Hozar Royes, estalando suas mãos por um momento antes de criar novamente seu martelo de batalha, segurando-o com força com as duas. – Eu não irei morrer hoje, Ragnarok... e não vou lhe dar a cortesia de escolher qual será a sua morte.

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Bondosos Deuses, agradecemos pelo que temos hoje, agora e sempre – concluiu Kastor. – Que essas graças se mantenham. Que nossos pedidos sejam ouvidos. Que nossas preces sejam atendidas. Que nossa fartura, felicidade, saúde, prosperidade e amizades se mantenham. Mas, acima de tudo, que possamos comemorar outro natal como este pelos anos que se seguirem.

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Sentado em seu trono, coroado por um aro de ouro, vestido em sua armadura e com sua espada ao seu lado, Ember Vyhler contemplou calmamente as cinco figuras que se erguiam contra ele. Sua expressão, antes entediada, ganhou um leve brilho de interesse, o suficiente para fazer com que ele se inclinasse e pronunciasse algumas palavras.

– Então, são vocês? Os campeões do Sul, os mais poderosos? São vocês o que eles enviam para tentar me parar? – Reclinou-se novamente para trás em seu trono, admirando de forma mais relaxada seus desafiantes. – Apresentem-se, guerreiros. Vocês conquistaram ao menos essa honra.

“Apresentar-se” foi o que eles fizeram. O primeiro que deu um passo a frente foi o que estava no canto extremo direito; um homem alto e forte de cabelos e barba cinzenta, vestindo uma armadura de corpo inteiro negra como a noite, trazendo um enorme e brutal martelo de guerra em seus ombros como se ele não fosse nada.

– Cavaleiro e líder do Salão Cinzento, conhecido como “o Deus da Fúria” – murmurou ele, apertando um pouco mais os seus dedos ao redor do cabo da sua arma. – Hozar Royes.

A segunda figura a dar um passo à frente foi a que estava na extremidade contrária. Uma mulher de cabelos negros longos, presos em uma grossa trança que caia sobre suas costas. A armadura que cobria seu corpo era de placas de aço, dura e forte, feita para conceder-lhe o máximo de proteção possível enquanto ao mesmo tempo não restringia seus movimentos. Em uma mão ela trazia um escudo, enquanto na outra trazia uma espada.

– Rainha de Valenford e mais poderosa das amazonas do Sul, conhecida como “a Rainha dos Espinhos” – disse ela, erguendo seu escudo a frente de seu corpo e se colocando em posição de batalha. – Xelia Sunfyre.

A terceira figura era a que estava ao lado de Hozar. Um homem enorme e musculoso, facilmente com mais de dois metros de altura. Ele vestia um casaco de pele negro aberto, deixando seu peito a mostra e deixando visíveis as várias cicatrizes que ele havia adquirido durante a guerra. Sobre seu peito, na sua barriga, em seu pescoço, até mesmo sobre seu olho direito; para onde quer que você olhasse naquele homem, você sempre conseguia ver traços deixados pelas espadas que passaram por ali.

– Líder dos Asas Livres, mercenário e vagabundo viajante sulista – anunciou ele, encarando firmemente Ember com seu único olho restante, depois que o outro havia sido perdido na guerra. – Jiazz o Juggernaut.

A quarta figura, que estava ao lado de Xelia, era a mais diferente de todos. Ele estava vestido em um terno completamente branco, uma veste muito mais refinada do que as de seus companheiros, e o poder que era emitido por ele era notavelmente mais fraco do que o daqueles que lhe acompanhavam. Isso dito, ele era o que parecia mais confiante, olhando para Ember com um ar condescendente de superioridade, e o Imperador sabia que o subestimar seria um erro.

– Tecelão do Colégio Branco e líder do Olho Vermelho, conhecido como “Tecelão do Tempo” – sussurrou ele enquanto ajeitava uma de suas luvas de forma despreocupada, embora seus olhos não saíssem de Ember por um momento sequer. – Balak Hauss.

O quinto, que estava no centro de todos, era o que tinha de longe a aparência mais jovial de todos. Seus cabelos brancos estavam penteados para trás, com apenas algumas poucas mechas caindo sobre sua testa, e seus olhos vermelhos estavam fixos sobre Ember – não trazendo algum tipo de rancor ou ódio, mas alimentados por algo que o Imperador só podia descrever como pura determinação. Determinação em vencer.

– Cavaleiro do Salão Cinzento e líder da Era Dourada, conhecido como “Demônio Azul” – disse ele calmamente, abrindo suas mãos e fazendo com que um par de espadas gêmeas surgissem nelas. Cruzou-as a frente de seu corpo, e imediatamente as duas foram envolvidas por chamas azuis fantasmagóricas. – Kastor Strauss.

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Ao fim da oração, os olhos de todos voltaram a se abrir. Kastor, Hozar, Duke, Bryen, Teigra, Kyanna, Anabeth. Todos olharam uns para os outros, e lentamente, sem que nem soubessem ao certo o porquê disso, sorrisos começaram a se abrir em seus rostos.

– Bom... pessoal... se vocês me permitem algumas palavras... – começou Kastor, atraindo a atenção de todos para ele. – Como Anabeth disse, nós não nos conhecemos muito bem. Com algumas exceções, nos conhecemos todos a cerca de um mês. Pouco tempo, sim..., mas, sabe, eu sinto que criamos um laço forte no meu coração. Aqui, no meu peito, eu sinto como se vocês fossem grandes amigos meus. Não pessoas que conheci há um mês, mas pessoas que conheço há anos e anos. Eu sinto, e sei que vocês sentem também, que nós temos um grande futuro pela frente. Então, pessoal... o que eu quero dizer é que... é uma honra estar reunido com vocês. Sei que nos conhecemos a pouco, mas vamos comemorar o que já passamos juntos, e as aventuras que ainda estão por vir! Pessoal... eu desejo a vocês, a todos vocês, grandes felicidades, e mais que isso, um FELIZ NATAL!



Notas finais do capítulo

Pessoal... eu, também, gostaria de dizer algumas palavras.

Vocês devem saber disso, mas já faz mais de um ano desde que essa história começou. Um ano! Mais de um ano que as aventuras de Kastor e Hozar estão se desenrolando, mais de um ano desde que estou escrevendo essa obra! Vocês devem poder imaginar isso, mas eu nunca esperei chegar a esse ponto. Mas eu cheguei.

E devo isso a vocês.

Tenho leitores aqui que acompanham tudo, desde os primeiros capítulos dessa história. Tenho também leitores mais recentes, que se juntaram a nós a pouco tempo. Ambos são valiosos para mim. É por vocês, meus leitores, que eu continuo escrevendo. É por vocês que eu me esforço, tentando escrever as coisas da forma mais simples, fluída e agradável possível. Eu não sou o melhor dos escritores, obviamente. Tenho muito o que melhorar, e talvez eu nunca me torne um dos melhores, mas cara, eu definitivamente me sinto como um dos mais sortudos. É muito, muito bom, ter leitores como vocês aqui. Vocês que comentam e que acompanham. Vocês que favoritam e recomendam. Vocês que clicam e leem os capítulos. Todos vocês me incentivam a continuar. Todos vocês fazem com que eu queira seguir em frente, mais e mais!

Como vocês viram, tenho alguns bons planos futuros para essa história e as outras que virão a seguir. Espero que eu possa contar com vocês para eles, meus caros leitores. Espero que possamos nos aventurar juntos por tudo que ainda está por vir!

Não sei a qualidade dele, mas espero que esse especial de natal tenha sido divertido para vocês! Desejo a vocês, meus bons leitores, um próspero ano novo... mas mais do que isso, um Feliz Natal!



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