O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 7
Doppelgänger


Notas iniciais do capítulo

Ok, ok, devo dizer. Eu realmente gostei desse capítulo. Quero dizer, ele me demorou muito mais que o anterior, e algumas partes dele foram meio que um porre de escrever, mas em si, estou bem satisfeito com o resultado final dele. E demos uma boa andada com a história, também, mostramos algumas coisas bem interessantes aqui! É, acho que vocês irão gostar dele, haha!



Como isso é possível? Essa coisa... ela só pode ser um Golem, não é? Aquilo era absurdo. Golems eram, pelo que constava a todo o mundo, nada mais do que contos de crianças, histórias fantásticas que pais e mães contavam para seus filhos para manterem-nos entretidos por algum tempo. No entanto, o que estava ali diante de seus olhos era muito real; aquele monstro, aquela aberração gigante era, sem dúvida alguma, um Golem, e mais do que isso... um Golem que estava aliado ao Olho Vermelho.

Ainda tentando raciocinar naquilo ali quando viu a criatura se mover de novo. Era gigantesco e desvia pesar facilmente mais do que trinta baleias, mas ainda assim os movimentos daquilo eram estupidamente rápidos para qualquer coisa com metade da massa que aquilo tinha. O punho do gigante de pedra se ergueu alto, alto o suficiente para bloquear o próprio sol e fazer como se o mundo estivesse passando por um eclipse por um momento, antes de descer contra Odin e seu grupo como se fosse o punho dos próprios Deuses. Maldição, isso é mal! Teria de dedicar sua atenção aquilo para parar aquele golpe, mas sabia que, no momento em que fizesse isso, as espadas de seus inimigos iriam cair sobre suas costas. Mesmo assim, eu simplesmente não tenho opção aqui! Tenho de agir! Com isso em mente, levou sua mão direita à espada que trazia em suas costas...

Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, um punho igualmente gigante e vermelho, feito do que parecia ser puro fogo, bloqueou o golpe do gigante de pedra.

– Não tão rápido, Montanha – disse a voz de um homem ali. Mesmo sem olhar para ele, o simples tom de voz dele foi o bastante para dizer à Odin que ele tinha um sorriso no rosto.

Virou-se para ele, honestamente surpreso. A jaqueta branca que antes jazia sobre seu peito havia desaparecido, reduzida à cinzas pelo calor que emanava do corpo daquele homem, um calor tão grande que o próprio Odin conseguia sentir de longe aquilo como se fossem chamas queimando seu corpo. Um sorriso agressivo e quase insano brilhava no rosto de Breath ali, e ao mesmo tempo em que esse sorriso brilhava do rosto daquele jovem, chamas saiam do seu corpo. No entanto, essas chamas não eram como as chamas normais que Breath emanava. Normalmente o garoto fazia com que aquelas chamas rodeasse seu corpo e servissem como um efeito especial em seus movimentos, algo para auxiliar seus ataques... mas naquele momento em particular, as chamas não lhe cercavam, mas sim moviam-se para cima, concentrando-se acima dele para criar uma figura assustadora. Feita inteiramente de chamas, a parte superior do que parecia ser um grande demônio de chamas se erguia ali, grande o suficiente para competir com o gigante de pedra, conectada diretamente ao corpo de Breath pelas chamas. Foi só depois que notou isso que notou também o braço de Breath estava na mesma posição do braço daquele demônio, e que quando Breath se moveu, o demônio se moveu de forma igual. Não pode ser... isso é... uma marionete?! Ele usou suas chamas para criar uma marionete gigante de fogo que se move de acordo com os seus próprios movimentos?

Aloeiris; Ifrit, Senhor do Inferno Ardente – anunciou Breath, sorrindo de orelha a orelha ali. Moveu seu braço, lançando-o para frente como se estivesse arremessando alguma para longe, e prontamente o demônio imitou seus movimentos, arremessando o punho do gigante de volta contra ele como se não fosse nada. O criador da besta de fogo sorriu ainda mais ao ver isso, e não perdeu tempo em se mover em direção ao gigante, tendo o demônio acompanhando seus movimentos. – Ei! Zetsuko! Denis! Cuidem do nosso trabalho por aí! – gritou ele, sorrindo de forma alegre enquanto fitava seu oponente. – Eu vou cuidar desse monte de pedra.

A resposta do gigante a isso foi rugir e voltar a atacar. Seu outro punho moveu-se, dessa vez direcionado diretamente em direção à Breath como se almejasse esmaga-lo, mas o jovem mercenário não mostrou medo em frente a isso. Ao invés disso, o que ele fez foi correr e saltar para fora do prédio ao mesmo tempo em que movia seu braço em um golpe, um movimento que o próprio demônio foi rápido em copiar. O punho do demônio de fogo e o do gigante de pedra colidiram um com o outro no meio do ar, e a simples onda de choque que emanou daquela colisão foi o suficiente para fazer com que todo o mundo tremesse.

Sua atenção só foi tirada daquilo quando ouviu o suspiro de um homem.

– Ah, que decepção – disse Presas, suspirando e balançando a cabeça como se estivesse desapontado. – Eu pensei que T.I.T.A.N. seria o suficiente para lidar com todos vocês, mas não sabia que você tinha alguém com uma habilidade dessas no seu grupo. Boa medida preventiva, Odin – congratulou ele, apesar de que Odin não podia sentir-se verdadeiramente lisonjeado por isso. Eu não tinha a menor ideia de que Breath podia fazer algo assim. Pra ser sincero, eu não tenho a menor ideia do que, exatamente, é a habilidade especial de todos os mercenários que contratei ao meu serviço. Aquilo era... problemático. Eu sou um idiota! Um maldito, velho e sensual idiota! Eu devia ter perguntado esse tipo de coisas antes de ter contratado os mercenários em primeiro lugar! Mas, supunha que não fazia sentido se preocupar com aquilo agora. O problema de agora é o meu inimigo, não os mercenários. – Bem, creio que eu devia esperar imprevistos como esse, então, meu mau. Mas, olhando por outro lado, creio que isso significa que é muito bom quer eu tenha me dado ao trabalho de trazer alguns outros amigos meus aqui, não é? – disse ele, sorrindo de forma alegre... apenas para que seu sorriso desaparecesse de uma única vez do seu rosto, dando lugar a uma feição puramente assassina. – Matem-no.

Os companheiros de Presas foram bem rápidos a agir ao ouvirem aquilo. Nem bem aquelas palavras haviam deixado os lábios do homem, Maverick não desperdiçou tempo em avançar direto contra Odin, brandindo tanto sua lança quanto seu escudo com força.

Mas apesar da força que aquele homem exibia, era óbvio que as armas dele estavam pesando sobre seus movimentos. Sua investida havia sido boa, realmente, mas o seu avanço era lento demais para Odin. Suponho que para uma pessoa normal ele seria rápido, mas para mim, ele é praticamente uma lesma. Naquela velocidade, podia facilmente lidar com aquele... mas antes que tivesse o tempo para fazer isso, viu um vulto cor-de-platina passar ao lado dele. Aparentemente Maverick também notou isso, e isso o levou a erguer seu escudo para tentar se proteger, mas foi tarde demais. Em um piscar de olhos, dois cortes profundos surgiram no pescoço daquele homem, sangue escorrendo a partir deles em quantias exorbitantes, esguichando para frente de uma forma que deixava claro que várias veias haviam sido cortadas com aquilo. Um pouco além, um pouco atrás daquele homem estava Zetsuko, agachada com suas espadas em mãos, ambas estendidas, ambas com as lâminas banhadas em sangue.

– Um já foi – sussurrou ela, calmamente. – Faltam do-

Ela não teve tempo de terminar de falar. Para a surpresa de todos ali, incluindo o próprio Odin, o homem simplesmente se virou, ignorando os graves ferimentos em seu pescoço como se eles não fossem nada, movendo sua grande lança contra Zetsuko. Mas o quê? Pelo que Hozar me disse, o tal de Dwyn que eles enfrentaram tinha uma Aloeiris que o tornava Imortal! Pelo que sabia, não era necessariamente impossível que duas pessoas tivessem uma Aloeiris igual ou similar no mundo, mas ainda assim, parecia um pouco absurdo demais para ele imaginar que duas pessoas com um poder tão terrível e raro estariam reunidas sobre o comando do mesmo grupo.

Apesar do golpe inesperado, os instintos de Zetsuko acabaram por se provar afiados o bastante, bem como seu corpo se mostrou rápido demais. Quando a lança pesada daquele homem completou seu ataque, Zetsuko já acima dele, suas pernas no ar, sua cabeça para baixo, suas espadas em suas mãos. Ela girou com em pleno ar com uma graça surreal, e as espadas de ferro abriram dois cortes profundos na nuca daquele homem, mas isso foi por um fracasso de sua própria força. Eu conheço um pouco mais do estilo dessa mulher. Não sabia qual era a Aloeiris dela – ou mesmo se ela tinha uma Aloeiris – mas sabia que ela tinha um estilo de luta similar ao de Kastor. Ela é rápida, porém, por ser tão rápida assim, peca em força bruta. Tentava compensar por isso com bons golpes, e era por isso que ela estava priorizando a área do pescoço daquele homem; Zetsuko sempre lutava para matar, e apenas para matar.

No entanto, aquele homem não se importou com aquilo.

Os cortes que Zetsuko havia feito eram profundos, não tinha dúvida disso. Viu isso claramente com seus olhos. O local escolhido foi bom, também. Só um pouco mais de força e ela teria o decapitado. Ainda assim, o homem simplesmente parecia não se importar com aquilo... e quando ele se ergueu para sua estatura completa novamente, Odin viu que ele não seria um oponente tão simples quanto parecia. No lugar que havia sido atingido pela ponta da lança daquele homem, uma grande cratera havia sido criada, como se toda a área em um determinado raio ao redor da ponta de sua arma tivesse sido esmagada por uma força tremenda. Isso é algum tipo de habilidade especial, com certeza. Mas a pergunta é; qual? Haviam várias hipóteses ali, indo desde magias gravitacionais até magias de propagação. E isso desconsiderando a possibilidade de que isso seja uma Aloeiris. Se aquilo fosse uma Aloeiris, as possibilitadas eram basicamente ilimitadas.

– Hahaha... hahahahaha... hahahahahahahaha! – uma risada histérica e insana ecoou da garganta daquele homem, ressoando por todo aquele prédio como se por eco. – Isso! É isso! Isso é uma verdadeira luta! – o homem virou-se de uma única vez para Zetsuko, e isso deu à Odin uma visão melhor de quão exatamente desajustado ele parecia ser naquele momento. Desde que havia o visto, tinha mantido em sua mente a imagem de que aquele era um homem agressivo, violento, mais similar à algum tipo de bárbaro do que tudo... mas ali, agora? A imagem que tinha era simplesmente que aquele homem era completamente insano. Seus olhos, seu sorriso... tudo aquilo fazia com que aquele parecesse alguém que há muito tempo perdeu toda a sanidade. Como se ele fosse algum tipo de besta estranha, movido apenas por sua sede de sangue e destruição.

Ele não perdeu tempo em voltar a avançar contra a espadachim, embora dessa vez ele não tenha sido nem de longe tão focado. Enquanto da primeira vez ele havia se mantido silencioso, agora ele deliberadamente urrou ao lançar-se para o ataque, liberou um grito de guerra tão fortes quanto os urros de T.I.T.A.N.. Seus movimentos não ficaram mais rápidos, no entanto, e por mais agressivo que aquele homem se tornasse, sem velocidade ele não era um perigo para Zetsuko. Muito antes de sua lança sequer chegar perto de atingi-la, a mulher saltou para trás.

Mas dessa vez, algo estranho aconteceu.

Quando Zetsuko saltou, ela realmente começou a se afastar dele... mas isso não durou muito tempo. Ela não havia se afastado nem a distância de um passo quando alguma coisa pareceu puxar seu corpo como se ela estivesse sendo puxada por uma corda, movendo-a forçosamente na direção contrária... diretamente contra a lança de seu oponente.

O golpe de Maverick atingiu-a direto no peito, a ponta de sua lança penetrando no espaço entre ambos os seios dela. Nem bem o ataque lhe atingiu, imediatamente Odin pode ver os efeitos dele; toda a carne ao redor da área atingida por seu golpe começou a ser comprimida, como se ela estivesse sendo esmagada ou pressionada por uma grande força. Um grito de dor veio da garganta daquela mulher, mas isso não adiantou nada. Um segundo depois, toda a força que parecia pressionar o peito dela resolveu agir de uma vez, e o corpo de Zetsuko foi arremessado violentamente para trás, quicando e arrastando pedaços de blocos de pedra por onde quer que batia.

ISSO NÃO VAI FUNCIONAR, SUA PUTA DE PRATA! – gritou Maverick em uma voz embriagada, embargado no calor da batalha como se fosse um viciado com seu vício... o que, pelo que Odin podia ver, era exatamente o que estava acontecendo. – Não me venha com essa merda, vadia! Acha que pode fugir de mim? Ninguém pode fugir de mim! Você não vai mais conseguir ficar pulando por aí que nem uma perereca dançante! Tente vir com essa putaria de novo e eu vou abrir um buraco no seu estômago!

Enquanto Maverick falava, o mundo continuava a fluir, entretanto. Enquanto o guerreiro enlouquecido estava se vangloriando e insultando sua oponente, Denis começava a agir. Os olhos daquele homem geralmente nunca demonstravam nenhuma emoção, parecendo sempre “mortos”, parados e indiferentes a tudo que ocorria ao seu redor... mas naquele momento, Odin viu um brilho diferente neles. Naquele momento, Odin flagrou um puro desejo assassino ali. As mãos daquele homem se abriram, seus dedos contorcidos como estivessem ligados um ao outro por fios invisíveis, e não demorou um momento sequer para que conseguisse ver faíscas surgindo do espaço entre eles; primeiramente fracas, mas logo tornando-se mais e mais frequentes, sólidas e fortes, criando verdadeiros feixes que se estendiam desde o indicador da mão direita até o indicador da mão esquerda. Da forma como isso está, parece até que ele está estendendo um elástico de uma mão até a outra. Considerando que tudo isso é pura energia, condensada e forte o suficiente para ser claramente vista com o olho nu... eu não quero nem sequer começar a imaginar quanto poder ele tem ali. E esse poder apenas parecia crescer. Não demorou para que uma esfera de pura energia começasse a surgir no centro daqueles feixes, uma concentração tão absurda que até mesmo de onde estava Odin conseguia sentir a força que emanava dela. É impossível que esse homem não tenha notado isso. Porém, ainda assim, Maverick simplesmente não demonstrava reação aquilo; seus olhos estavam focados unicamente em Zetsuko, tentando ver por onde e quando ela iria ressurgir, ignorando por completo tudo aquilo.

E isso não parecia uma escolha sábia.

Uccisore di dèi – entoou Denis como se estivesse cantando, suas pernas se flexionando em ajuste aos seus movimentos, jogando ambas as suas mãos para trás por cima da sua cabeça, arrastando a esfera no centro do espaço entre elas junto com seus feixes como se estivesse manejando algum tipo de mangual ou qualquer outro tipo de bola de aço ligada a correntes. – Palla al pie-

A interrupção foi rude. Estava prestes a terminar, prestes a aparentemente arremessar aquela esfera contra seu oponente quando Cleus lhe atingiu. O chute do pássaro de fogo lhe acertou no rosto, a ponta de seu pé revestido pelo ferro da armadura colidindo em cheio com o nariz daquele homem, arremessando-o para longe com uma força e violência comparáveis com a de Maverick. Até mesmo Odin foi surpreendido por aquilo. Quando foi que ele chegou aqui? Aquele homem não parecia discreto e certamente não se misturava ao ambiente, mas simplesmente não havia sentido ou visto a aproximação dele. Ele foi rápido o suficiente para cruzar toda a distância que os separava assim, praticamente instantaneamente? Se fosse realmente o caso, então estava subestimando demais o Olho Vermelho ali.

Os pés do Pássaro de Fogo tocaram o chão um momento após seu chute, no mesmo momento em que pode realmente olhar para ele. Assim que seus olhos caíram sobre a figura que aquele homem formava, compreendeu imediatamente exatamente como ele havia feito aquilo. Seu braço direito estava envolvido por chamas, condensadas e concentradas nele como se servissem como algum tipo de armadura, estendendo-se em uma grande lâmina feitas de chamas puras, tão brilhante e quente que mesmo à distância Odin sentia-se como se as chamas dela estivessem lhe lambendo a pele. Além dessa armadura e lâmina de fogo, chamas condensadas também saiam das costas daquele homem na forma de um par de asas vermelhas, fazendo com que o cavaleiro parecesse mais um anjo do fogo do que qualquer coisa. Viu aquele homem observar a trajetória do corpo de Denis, ver exatamente por onde o mercenário foi lançado, mas mesmo assim, Cleus não moveu-se um milímetro sequer; limitou-se a ficar parado aonde estava, observando, aguardando. Ele não vai aproveitar-se da situação para lançar mais ataques contra seu oponente? Isso é... surpreendentemente honrado, vindo de um membro do Olho Vermelho.

Porém, supunha que honra não tinha lugar em uma batalha.

Foi apenas com o canto do olho que notou o brilho arroxeado no chão, perto do pé de Cleus, notando isso ao mesmo tempo que o Pássaro de Fogo o fez. De início, aquilo só fez chamar a atenção de ambos... mas no instante em que o brilho pulsou como se fosse algum tipo de nódulo ou coisa do tipo, como se tivesse vida, compreenderam bem o que era aquilo. Um ataque! Cleus não perdeu tempo em saltar para o alto e bater suas asas de fogo, afastando-se bem no momento em que a parte do chão na qual aquele brilho estava se abriu e quebrou... revelando pequenas esferas de energia. Mas... o que raios? As esferas eram coisas minúsculas, cada uma delas do tamanho de bolinhas de gude, e claramente elas não eram o que nenhum dos dois esperava ali. As bolinhas foram para o ar em um número maior do que ele podia contar – no mínimo dezenas, mas podiam muito bem ser centenas também – pairando em meio ao ar, flutuando ao redor de Cleus. Os olhos do Pássaro de Fogo correram por todas elas, cautelosos e desconfiados, ao mesmo tempo em que suas asas bateram, começando a se mover para fora da área enfestada por elas... mas era tarde demais para isso.

Granato Viola. – foram as palavras que a voz de Denis disse ali, e no momento em que essas palavras foram ditas, todas as esferas de energia explodiram simultaneamente.

Teve de firmar seus pés no chão para não ser arremessado pelos ares pela mera onda de choque daquelas explosões. Isso é absurdo! Aquelas esferas eram minúsculas, mas a explosão de cada uma delas tinha uma força equivalente à de uma magia de fogo de alto nível. E mais do que isso, essas explosões são, de alguma forma, contidas. O que significa que, embora a área de efeito delas seja muito menor do que deveria ser, a efetividade delas deve ser equivalentemente muito maior! Considerando quantas esferas havia visto e o quão próximas elas estavam de Cleus, aquele homem devia estar...

– Impressionante – murmurou uma voz que Odin nunca havia ouvido antes em sua vida. Uma cortina de fumaça grossa havia se formado graças a todas as explosões de antes, mas essa cortina foi facilmente aberta... por asas de fogo. Planando em meio ao ar graças as suas asas, com toda a parte superior de sua armadura destroçada, mas ainda assim tendo apenas pequenas queimaduras e ferimentos em seu peito. Isso é impossível... Apesar de ter sido visivelmente atingido em cheio por todos aquelas ataques, por uma força grande o suficiente para obliterar um batalhão de soldados de elite em um instante, aquele homem mal parecia ter adquirido um arranhão. – Esse ataque de agora foi bem forte. Tem minhas congratulações por ele. Aparentemente, você não é nada fraco... apesar de que, alguém com olhos como os seus nunca é fraco.

Os olhos de Odin seguiram a direção que os de Cleus fitavam. O boné havia sido perdido, desaparecido após ter sofrido o chute de seu oponente, e um fino filete de sangue escorria por sua barba, mas nada disso parecia incomodar Denis. Na verdade, olhando bem para ele, a impressão que tinha era que aquele homem estava feliz por aquilo. Não... não feliz. Satisfeito. Um sorriso brilhava no rosto de Denis, e pela primeira vez os olhos dele acompanhavam esse sorriso... mas não era nem sequer possível confundir o que emanava dele com alegria. Ele não está alegre ou feliz. Isso nos olhos dele... isso é pura sede de sangue.

– Você também não parece ser nada fraco – retribuiu Denis, sua voz calma e séria, ou, melhor dizendo, tentando soar calma e séria. Era óbvio ali que apesar da impressão que aquele homem queria passar, a animação e a sede de sangue teimavam em ressoarem em sua voz. – Francamente, eu deveria estar chateado com isso, mas não consigo deixar de gostar disso. Faz muito, muito tempo desde a última vez que eu tive um oponente de alto nível. Por favor, Pássaro de Fogo... – ambas as mãos de Denis subitamente faiscaram, e um momento depois, duas esferas de energia surgiram, uma em cada palma do homem, cada uma delas pelo menos dez vezes maior do que as pequenas esferas que ele havia usado antes. – Não me decepcione, sim?

E dizendo isso, o mercenário saltou contra seu oponente, avançando com uma velocidade absurda, muito além de qualquer limite humano. Interessante, foi o pensamento que passou na mente de Odin naquele momento. Ele parece ter uma velocidade comparável à de Kastor e Zetsuko, mas ao mesmo tempo ele possui a capacidade de causar danos muito maiores do que eles. Seria interessante ver uma luta daquele homem, principalmente considerando que o oponente dele era alguém que parecia ser bem forte também...

Mas parece que não tenho tempo para isso agora.

Retirou sua espada da bainha em um instante e ergueu-a acima de sua cabeça bem a tempo de bloquear o ataque do seu próprio oponente. De alguma forma, em algum momento, a mão direita de Presas havia se tornado algo similar à garra de um animal selvagem, dedos sendo duros como aço, suas unhas afiadas como facas, sua pele enrijecida como couro. Interessante. A aproximação daquele homem havia sido muito rápida, algo que havia feito com que Odin inicialmente pensasse que ele era do tipo rápido e fraco, mas a força dele era bem elevada, e pelo que podia ver ali, ele deveria ter uma pele bem dura também. Parece que os membros do Olho Vermelho não possuem fraquezas... ou ao menos não possuem fraquezas fáceis de se encontrar. Realmente, parecia que ele havia subestimado um pouco aquela guilda. Embora, no fim das contas, isso não importa. Fortes, fracos... eles haviam ferido e caçado seu alunos, seus companheiros, seus amigos e sua família. Fortes ou fracos, irei matar cada um deles com minhas próprias mãos.

A outra mão do guerreiro de cabelos prateados logo se juntou a primeira, atacando Odin também em uma forma que mais se assemelhava à uma garra do que tudo, com pequenos pelos prateados crescendo ao redor dela. Conseguiu aguentar a pressão extra exercida por ela tão bem quanto aguentou a da primeira... mas o mesmo não pode ser dito para o chão abaixo dele. Só teve um momento de aviso com o ruído que veio dali antes que o solo abaixo de si cede-se de uma vez, e tanto Odin quanto Presas caíram para o andar inferior.

Perdeu seu oponente de vista durante aquilo, lógico, mas não tinha muito que pudesse fazer quanto a isso. Ao invés de focar-se em tentar procurar por Presas, o que fez foi certificar-se de manter sua guarda erguida e focar-se em aterrissar com segurança. Presas parece ser alguém mais móvel que eu. Sendo assim, ele provavelmente já está preparado para lançar um ataque surpresa contra mim a qualquer momento. Se tentasse encontra-lo, tudo que conseguiria seria abrir um rombo em sua guarda para aquele homem se aproveitar. Devo manter a calma, manter a noção do ambiente que me cerca, e só agir quando eu souber aonde ele está.

Não demorou muito para que descobrisse isso. Presas não tinha nenhuma intenção ali de manter-se oculto, e isso se tornou bem óbvio no momento em que ele assobiou.

– Aqui! Aqui! – chamou a voz do homem de cabelos prateados. Girou em torno de si para vê-lo à cerca de quinze ou mais metros de distância, uma mão apoiada na cintura enquanto com a outra chamava Odin, como se estivesse lhe desafiando a ir contra ele. No momento em que Presas se deu conta que os olhos de Odin haviam caído sobre ele, um sorriso divertido e arrogante tomou conta de seu rosto. – Desculpe por isso, Odin, mas parece que o nosso andar anterior estava um pouco cheio, não é? Eu não gosto da ideia de acabar interrompendo sem querer a luta de alguém, mas ao mesmo tempo, eu não gosto da ideia de ter a minha luta interrompida. Então, decidi mudar o local aonde ela vai ocorrer. Tudo bem por ti, certo?

Ergueu levemente sua cabeça para cima, fitando o teto acima deles. Conseguia ouvir bem os sons da batalha do andar superior, o som da luta entre Denis e Cleus, bem como a luta de Zetsuko e Maverick. Da mesma forma, do lado de fora, conseguia ouvir os grandes estrondos resultantes do chocar dos golpes de Breath e do golem gigante que chamavam de “T.I.T.A.N.”. Esses três devem estar bem sozinhos. Aqueles mercenários já haviam provado sua força ali, provado que eram capazes. Eles deveriam ser capazes de no mínimo conseguirem aguentar uma luta contra os membros do Olho Vermelho por um bom tempo. O que deve me dar tempo o suficiente para derrotar esse cara se eu tiver de lutar com esse cara e puder me focar apenas nele. Não compreendia ao certo o que havia motivado aquele homem a lhes separar dos outros, mas o fato era que aquilo havia sido o maior erro dele.

– Eu não sei dizer se você é louco, arrogante, ou simplesmente burro, Presas. – disse Odin, movendo lentamente a espada em suas mãos enquanto fitava o homem sorridente. – Você e seu grupo são realmente mais fortes do que eu esperava, devo admitir... mas ainda assim, você está presumindo demais se pensa que pode me matar.

– Eu não penso que posso lhe matar, Odin. Eu sei que posso. – a mão direita daquele homem ergueu-se a frente de seu rosto, suas garras ficando a mostra ali de forma ameaçadora. – Você é forte, estou certo disso... mas o mesmo vale para mim. Acho que é você que está sendo arrogante aqui, Cavaleiro Negro. Concordo, eu não tenho chances de vencer caso você tenha ajuda... mas assim, com você sozinho, eu posso te matar!

Assim que aquelas palavras foram ditas, o homem não perdeu tempo em avançar contra ele. Dessa vez estava prestando atenção naquele homem, e por isso ele pode acompanhar os movimentos dele com seus olhos. A forma daquele homem correr era quase que bestial; a parte superior de seu corpo ficava inclinada para frente, seus braços jogados para trás com suas garras erguidas e um sorriso quase insano em seu rosto. As pernas daquele homem moviam-se de forma tão insanamente rápida que mal conseguia acompanhar os movimentos delas, mas mesmo assim, Odin não se preocupou com aquilo. Podia mover-se, podia estabelecer alguma medida defensiva, mas tudo o que fez foi sorrir e cruzar os braços. Sorrir, cruzar os braços... e falar.

– Você está cometendo um grande erro no entanto, Presas – disse Odin, calmamente. – Eu não estou sozinho.

Mesmo com aquele homem correndo em uma velocidade tão grande quanto aquela, conseguiu ver uma feição de surpresa tomar conta de seu rosto por um instante, e no momento em que isso aconteceu aquele homem finalmente percebeu que alguém estava se aproximando dele.

Mas a essa altura, era tarde demais.

Ele mal teve tempo de erguer seus braços em uma tentativa de se proteger quando o chute lhe atingiu. Enquanto aquele ataque tentava forçar o membro do Olho Vermelho para longe, o corpo de Presas resistiu a isso com todas as suas forças, cravando firmemente seus pés no chão. A disputa das forças de ambos foi algo assustador de si ver; uma disputa de força entre guerreiros de alto nível era o suficiente para fazer uma onda de choque capaz de rachar o chão abaixo deles, mas aqueles dois eram superiores até mesmo a esse “alto nível”. O confronto das forças de ambos não fez nada menos do que distorcer todo o ambiente ao redor deles. Os dois se tornaram pouco mais do que borrões ali, com quantias tão grandes de pura força e energia fluindo de ambos que impossível ver seus traços com clareza. Uma incrível pressão veio dos dois combatentes, forte o suficiente para criar uma cratera no chão abaixo dos dois e exercer uma força sobre todo aquele prédio que fazia até parecer que a mão de um gigante estava esmagando tudo ali até o pó. No fim, no entanto, Presas acabou perdendo naquela disputa, e o corpo do guerreiro prateado foi arremessado violentamente para longe dali.

Ele quicou por duas vezes no chão, uma delas batendo de costas, outra batendo com a cabeça. Iria quicar uma terceira vez também, mas antes que isso acontecesse ele virou-se rapidamente e cravou suas unhas no chão para conseguir controlar-se de alguma forma. Com uma mão ele limpou sangue que escorria de um ferimento pouco acima de seu olho direito, apenas para logo seguida erguer sua cabeça para ver quem havia lhe atingido.

O que ele viu foram dois Odins ali.

– Mas... o quê? – questionou ele, sua voz quase desaparecendo de sua garganta em pura descrença quanto aquilo. O primeiro Odin, o que ele tentado atacar, estava aparentemente tranquilo ali, apenas fitando-o com uma sobrancelha erguida como se estivesse curioso com qual seria sua reação. O segundo, por sua vez, parecia não poder se importar menos com isso, terminando de colocar a perna que havia usado para chutá-lo no chão e seguindo para encará-lo com um olhar de superioridade. – Mas o que raios é tudo isso?

– Isso, Presas, é o meu poder – disse Odin, o primeiro, enquanto sorria. – Doppelgänger.

Não foi difícil para ele ver que isso não havia realmente explicado nada para aquele homem; bastou um olhar para se dar conta disso. Bom, creio que ninguém realmente compreenderia uma habilidade como essa apenas por ouvir o nome dela. Poucos sabem o que isso significa, afinal de contas. Com o canto de seu olho lançou um rápido olhar para seu clone, vendo a forma arrogante com a qual ele fitava Presas. Não importa quantas vezes isso aconteça, eu não consigo deixar de estranhar esse tipo de visão.

Doppelgänger é a minha Aloeiris... uma Aloeiris bem útil, se me permite dizer. Uma Aloeiris que me permite a criação de clones meus. – avançou lentamente contra o homem ao dizer aquilo, um passo de cada vez. Ao primeiro passo, dois clones se manifestaram ao lado dele como se alguém tivesse colocado um par de espelhos nas suas laterais e os reflexos destes de alguma forma tivessem obtido carne e consistência. No segundo passo, o mesmo ocorreu com esses dois clones, fazendo com que um clone a mais surgisse cada um deles. No tempo que alguém demoraria para piscar os olhos, Odin multiplicou-se de dois para seis. – Não confunda esses clones, entretanto, com algo mal feito, alguma magia ou coisa do tipo. Os clones dos magos são, praticamente, escudos de carne. Muito fracos, muito frágeis, lentos demais. Eles não tem muita utilidade, e exatamente por isso não existem muitos magos que usam clones. No entanto, os meus são bem diferentes. Cada clone meu possui a mesma força que o original, e cada clone meu também possui pensamento individual. Em outras palavras, eu não preciso controlar cada ação deles, e não preciso me preocupar com a possibilidade de que eles façam alguma besteira já que, afinal de contas, a mente deles é a minha. Mesmo assim, se eu quiser efetuar alguma ação em conjunto com eles, posso conectar todos os nossos pensamentos em uma espécie de mente coletiva, organizando assim nossas ações de forma perfeita. – girou sua espada em suas mãos, movendo-a facilmente com habilidade em seus dedos, parando apenas para manter a lâmina retilínea na frente de seu queixo, pronta para ser usada no ataque. – Você provavelmente conhece a minha alcunha principal, Presas. “O Cavaleiro Negro”. Mas o que você não parece conhecer é minha outra alcunha, uma mais secreta, conhecida apenas por aqueles que realmente me conhecem. “O Exército de Um Homem”.

Falou aquelas palavras com convicção, confiança e até mesmo com um pouco de arrogância, mas apesar do que ele aparentava, o que passava em sua mente era bem diferente. Estou dizendo isso, mas... pra ser sincero, as coisas não são tão simples assim. Os clones criados pelo Doppelgänger eram praticamente perfeitos, sim... mas havia um defeito grave neles. A personalidade. Seus clones realmente tinham a mesma força que Odin e, em sua maior parte, a mesma mente dele... mas ao mesmo tempo, a personalidade deles era diferente, variando de um para o outro. Isso faz com que eles não pensem necessariamente da mesma forma, como eu havia dito antes. Nunca havia visto um clone seu cruel ou mal – e esperava nunca ver algo assim, considerando que características como essas estavam mais ligadas ao caráter do que a personalidade – mas as personalidades deles alternavam bastante, e isso mudava a maneira como eles se comportavam diante de certas situações. Um Odin calmo, por exemplo, vai reagir de forma diferente de um Odin arrogante, e um Odin covarde vai reagir de forma diferente dos outros dois. Apesar do que havia falado com aquele homem, não iria conseguir um trabalho em equipe perfeito com aqueles clones sem ter de usar a mente coletiva, e isso iria retirar sua atenção da batalha, mesmo que apenas um pouco.

Parou seu avanço e seus pensamentos subitamente no entanto, no momento em que sentiu algo estranho no ambiente. O que foi isso? Parou e ficou atento, prestando atenção para ver se sentia aquilo de novo, e não demorou muito para que isso acontecesse novamente. Sentiu uma poderosa agir sobre seu corpo, e viu por um instante o próprio espaço se distorcer diante do grande fluxo de energia que correu por ali. Tanta energia... isso está vindo do andar superior? Supunha que sim, mas quando ergueu seus olhos pra lá para tentar verificar isso, mas não viu nada vindo dali... e quando sentiu aquele fluxo de energia agir novamente, compreendeu imediatamente quem era o que estava fazendo aquilo.

O corpo de Presas estava convulsando constantemente, seus braços, ombros e pernas pulsando e latejando de uma forma tão violenta que parecia até mesmo que o corpo dele iria se quebrar em pedaços a qualquer momento ali. No entanto, apesar disso, nada de mal acontecia com ele; na verdade, cada vez mais, o poder que exalava daquele homem se tornava maior e maior, e seus músculos se expandiam em um piscar de olhos como da forma como se expandem os músculos de alguém que passou anos treinando-os.

E foi então que o corpo dele começou a mudar.

No início, quase não notou isso. As mudanças foram suaves, começando pelas mãos-que-mais-pareciam-garras do homem. Conseguiu ver os pelos começarem a surgir ali, mas só se conscientizou de que as coisas estavam realmente erradas quando viu a própria textura dela começar a mudar, como se a carne de suas mãos estivesse cedendo espaço à músculos e ossos. Mas o que diabos? Parte de seus instintos lhe diziam para atacar aquele homem rapidamente antes que ele pudesse ter tempo para terminar o que quer que estivesse fazendo, mas ao mesmo tempo, outra parte de sua mente lhe dizia para ficar longe, lhe dizia que aquilo era perigoso e que seria estupidez da sua parte atacar cegamente ali. Acabou ouvindo essa parte mais cautelosa da sua consciência... mas o mesmo não valeu para o clone arrogante que ele havia criado. Contra sua vontade, viu aquele clone avançar direto contra Presas, erguendo a espada em suas mãos. Merda, não! Aquilo não era algo que ele queria, mas não podia simplesmente parar seu clone agora sem revelar à seu inimigo que não tinha o controle sobre eles que fingia ter. Por isso, tudo o que pode fazer foi observar o que se desenrolou ali.

Seu clone alcançou seu inimigo em um instante, cruzando a distância que os separava tão rapidamente quanto Odin teria feito. Sua espada se moveu com tanta força e velocidade que pode até mesmo ouvir o som do ar sendo rasgado por sua lâmina, porém, isso simplesmente não adiantou em nada; antes que sua lâmina atingisse o pescoço de Presas, a mão do guerreiro fechou-se ao redor dela.

– Acho que não – disse Presas, sorrindo, embora sua voz soasse agora muito mais bestial e animalesca do que antes.

Seu clone pareceu surpreso por aquilo pelo que pode ver de seus movimentos. Pela forma como ele se moveu, passou a impressão a Odin que iria tentar recuar... mas era simplesmente tarde demais àquele ponto. Antes que pudesse se afastar, Presas avançou contra ele. Os dentes do homem prateado cravaram-se com força no pescoço do clone, quebrando a armadura em pedaços e perfurando a carne de uma só vez. O clone ainda tentou emitir algum tipo de grunhido de dor, mas Presas simplesmente não lhe deu a chance. Antes que qualquer som viesse dele, o homem moveu sua cabeça violentamente para o lado, arrancando quase metade da garganta do clone de Odin e deixando que o corpo deste caísse sem vida no chão. Depois, cuspiu a carne em seus dentes no chão e passou a mão na boca, como que tentando limpar o sangue dela, mas apenas conseguindo espalhá-lo ainda mais por ai.

Sua figura havia mudado completamente em questão de minutos. Ele antes parecia um pouco selvagem e animalesco, mas ainda era um homem. Agora, o mesmo não podia continuar a ser dito. Sua figura parecia ser quase unicamente constituída de ossos e músculos, com toda a carne e o equilíbrio corporal que ele tinha antes tendo simplesmente desaparecido. Sua estatura havia aumentado bastante e agora o homem parecia ter no mínimo dois metros e quarenta de altura, e isso, junto com a grande presença súbita de músculos que havia feito com que ele parecesse algum tipo de ogro, havia feito suas roupas em pedaços; ao invés delas, o que agora cobria e protegia seu corpo eram pelos prateados em grandes espessura e quantidade, quase como os pelos de um lobo. Seu rosto havia se alongado, parte dele se esticando para sempre como que para formar o focinho de algum animal, com dois buracos que serviam como narinas na ponta e uma boca maior e alongada abaixo deles, repleta de dentes grandes e afiados. Seus cabelos haviam crescido, também, mas haviam feito isso de forma selvagem e animalesca, tão rapidamente que eles se misturavam aos pelos que haviam crescido pelo corpo daquele homem e tornavam-se impossíveis de se distinguir. A única coisa que chamava a atenção nele agora eram os olhos. Dois olhos afiados e alongados dos quais apenas emanava um brilho dourado. Não era possível ver íris neles, não era possível ver o contorno deles, não era possível se ver nada; olhando para eles, a única coisa que alguém conseguia ver era aquele brilho dourado, quase que espectral.

– Já que você mostrou-me sua Aloeiris, nada mais justo do que que eu lhe mostre a minha, não é, Odin? – disse Presas, sua voz mais digna de um animal do que de um homem. – Aloeiris; Lobo Fantasma!



Notas finais do capítulo

Muito obrigado por ver esse vídeo! Se você gostou dele, por favor não se esqueça de favoritar, compartilhar com seus amigos e se inscrever no meu canal; isso me ajuda bastante! Te vejo na próxima! Au revoir, meus camaradas!

... Espera... isso aqui não é o Youtube, é?

... BOSTA DE GALINHA!



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