O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 62
Artes Negras


Notas iniciais do capítulo

Questionário! o/

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MOVEU SEU BISTURI DELICADAMENTE PELA EXTENSÃO DAQUELE CORPO, abrindo a caixa torácica dele com cuidado. Eu poderia usar mais alguns órgãos. Pulmões, coração, talvez algumas outras coisas. Sim, sim, isso seria magnífico. Talvez eu possa usar esses órgãos na criação de algum corpo novo, um... experimento. Esse era um pensamento muito, muito agrad-

Senhor Octo Gall! – A porta do quarto escuro no qual fazia suas pesquisas se abriu de uma vez, quase que arrancada da parede pela ombrada que um dos membros de uma guilda serva do Olho Vermelho usou para abri-la. – Estamos sendo atacados! Precisamos da s-

Antes que o homem pudesse terminar de falar, sangue encheu a sua boca. O bisturi que segurava entre seus dedos minutos antes agora se encontrava cravado na garganta do idiota, e ele agora se esforçava para tentar alcança-lo e tirá-lo dali enquanto engasgava no próprio sangue e o líquido vermelho ia escorrendo pelos seus lábios até cobrir todo o seu queixo. Foi só quando as coisas chegaram nesse ponto que ele enfim caiu, desabando no chão de uma vez como um saco vazio. E enquanto tudo isso acontecia, Octo Gall apenas fazia observar aquele tolo com um olhar neutro que exibia apenas um certo sinal de irritação.

– Eu disse para não me incomodarem enquanto faço as minhas pesquisas, não disse? – Sussurrou o mago, caminhando lentamente em direção ao idiota enquanto falava. O homem tentou responder, mas tudo que veio foi um som doentio de gargarejo enquanto ele engasgava em seu próprio sangue. Octo só fez balançar a cabeça em reprovação perante a isso. – Quando uma pessoa pede para não ser interrompida, você não a interrompe. Se ela quer privacidade, ela precisa de privacidade. Violar essa privacidade é violar os seus desejos, e isso não é algo muito gentil, não é?

Agachou-se em frente ao homem e estendeu lentamente sua mão em direção ao bisturi. Por um momento os olhos do homem – ainda assustados – olharam para ele com algo que lembrava levemente um certo alívio, como se ele estivesse pensando que iria ajuda-lo. Pobre tolo. Não deve me conhecer bem.

Com sua mão ele segurou o bisturi, e com um movimento rápido ele rasgou a garganta do infeliz, deixando com que litros de sangue escorressem para o chão. Isso vai dar algum trabalho para ser limpo depois, mas, bem, não é como se eu me importasse. Sua sala estava literalmente repleta de sangue pelo chão e pelas paredes, misturado com muco, sujeira e vários outros líquidos diversos. “Limpeza do ambiente” realmente não era nenhuma prioridade para Octo Gall.

– Bom, aonde estávamos...? – Levantou-se novamente com um pulinho energético, começando a fazer seu caminho alegremente de volta para sua mesa de operações, mas mal teve tempo de dar um passo antes que um tremor abalasse seus movimentos, quase fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e jogando o corpo no qual estava trabalhando a tanto tempo no chão.

... Droga. Podia não ser o mais higiénico dos homens no que dizia respeito ao seu ambiente de trabalho, mas tinha certos cuidados que tomava com os órgãos que usava; os guardava em potes de conserva preenchidos com líquidos especiais e tomava sempre o cuidado de mantê-los limpos e frescos – afinal de contas, órgãos sujos ou danificados não serviam para nada.

E eram exatamente esses órgãos que quase caíram quando um tremor balançou tudo de novo. Foi apenas por já estar preparado para isso e por ter reflexos rápidos que Octo Gall conseguiu rapidamente invocar as Mãos do Mundo dos Mortos, e com elas ele segurou os potes dos órgãos nos lugares. Um tremor desses. De novo. Havia estranhado o primeiro tremor, mas era impossível ignorar dois daqueles seguidos daquela forma. Pandemonium é uma fortaleza voadora. A única coisa que mantém essa fortaleza mais ou menos fixa a algum lugar são as grossas correntes que a ligam às estacas no chão. Sendo assim, ela não deveria estar sujeita a nenhum terremoto. Isso significava que o que quer que havia causado aqueles tremores estava relacionado diretamente à fortaleza em si... e tinha uma ideia do que seria isso. O tolo que incomodou... ele disse algo sobre um ataque, não é? .... Que problemático.

Por alguns momentos, deliberou quanto ao que deveria fazer. Pelas minhas atribuições, eu deveria ajudar a defender a fortaleza..., mas francamente, não tenho interesse algum em fazer algo assim. Trabalhoso demais, complicado demais, e eu não tenho nenhum interesse particular em defender essa fortaleza de qualquer coisa. Preferiria muito mais ficar em seu laboratório fazendo as suas pesquisas do que se envolver em batalhas sem sentido. E, no entanto... a situação vai ficar realmente complicada para mim caso o Olho Vermelho seja derrotado. E vai ser difícil fazer algum progresso decente quando a fortaleza está tremendo desse jeito.

Acabou por suspirar e balançar sua cabeça ao fim de tudo. Ah, tolo, tolo eu. Que estupidez estou cometendo aqui. Que necessidade há em tentar decidir o que fazer se posso facilmente fazer ambos? Havia trabalhado naquilo por algum tempo justamente para uma situação como aquela, afinal de contas. Balak havia ficado bem animado com a possibilidade de ter um exército imortal como aquele ao seu dispor, e o próprio Octo Gall tinha de admitir que aquele era de longe o seu trabalho mais magnifico, algo que ele conseguiu aperfeiçoar com a ajuda de Hashmaul.

Exército Zumbi – disse Octo Gall, misturando sua magia a sua própria voz para transformar aquelas palavras em um Comando. – Ativar.

Ao soar dessa palavra ele estalou os dedos, e ao fazer isso dezenas de pares de olhos vermelhos brilharam em meio ao escuro. Após abandonar a luta contra o Cavaleiro do Trovão no Salão Cinzento, Octo Gall se ocupou em cuidar de um de seus interesses; coletar os corpos de guerreiros mortos durante a batalha para seu uso pessoal. Havia ficado particularmente entusiasmado para estudar os corpos dos membros mortos do Olho Vermelho, mas não ousou tocar neles – conhecia Balak bem o suficiente para saber que o mago não teria uma reação nada boa caso soubesse que estava fazendo experimentos com os corpos de seus companheiros mortos. Similarmente, Hashmaul havia exigido que certos corpos interessantes fossem entregados a ele intocados, e por mais que Octo tivesse confiança em suas habilidades, ele não era estúpido o bastante para provocar uma luta contra “o Profano”, um dos maiores Magos Negros da história do mundo. Mas, creio que não posso reclamar. Mesmo tendo perdido a chance de brincar com alguns corpos bem interessantes, havia obtido alguns corpos bem divertidos, e uma quantia bem grande.

– Raptor. Lilybell. Kuman. Fera. Nicholas. War. Agnes. Zodwik. Goliath. Alexander. Eldigan. Zephyr. Kazegami. Florian. E, claro… nosso precioso amigo que eu nunca cheguei a conhecer, mas que eu sei que morreu em batalha pela causa do Olho Vermelho: Apollo Greed.

Falou cada um dos nomes enquanto olhava para o respectivo zumbi, sorrindo cada vez mais à medida que ia vendo suas obras de arte. Cada um daqueles zumbis sobre o seu comando não só contava com todas as habilidades físicas que eles tinham em sua vida como também com quaisquer habilidades exóticas que possuíssem, como magias ou Aloeiris. E, no entanto, eles não possuem pensamentos ou sentimentos. Suas almas estão aprisionadas aos corpos, mas isso não significa que elas possuem qualquer tipo de controle ou até mesmo individualidade. Em verdade, aqueles homens e mulheres não eram muito mais do que meros fantoches, movendo-se ao seu comando. O que é perfeito, absolutamente perfeito para mim.

– Vão, meus lindos bichinhos de estimação! – Clamou dramaticamente Octo Gall, fazendo gestos teatrais completamente exagerados com seu braço original e o novo braço que havia implantado no lugar do que havia perdido durante a Batalha do Salão Cinzento, deixando que a magia fluísse pela sua voz de forma a transformar o que dizia em outro Comando. – Inimigos estão infestando o Pandemonium como baratas irritantes. Sejam úteis, meus brinquedos, e esmaguem esses insetos!

Os olhos de seus zumbis brilharam novamente assim que isso foi dito. Como sombras eles se moveram, disparando a correr em alta velocidade, e em questão de meros segundos eles haviam abandonado aquela sala. Octo nem tentou esconder o sorriso de satisfação que subiu aos seus lábios diante daquilo. Perfeito. Absolutamente perfeito. Seus zumbis não erma os mais fortes dos guerreiros – se fossem eles não teriam morrido, afinal de contas – mas eles eram zumbis, o que significam que eles já estavam mortos. Você não pode matar o que já morreu. Existem formas de lidar com um zumbi, mas vai demorar um pouco até que as pessoas raciocinem de acordo com essas formas, e mesmo uma vez que elas tenham raciocinado elas ainda terão problemas em fazer isso, em conservar sua energia ao fazer isso e em simplesmente ter a coragem de fazer algo assim. Duvidava que eles fossem sentir alguma hesitação em “matar” os zumbis de mercenários e afins, mas tinham companheiros deles ali, e mesmo entendendo que aqueles eram apenas corpos vazios, nunca era fácil matar aqueles que um dia foram seus amigos. Bom, ao menos não para as pessoas normais. Alguém como eu não é detido por coisas tão estúpidas assim.

Voltou-se novamente para sua mesa de experimentos... mas parou por um momento. Hmm... não, não. Sua intenção inicial era voltar imediatamente para o que estava fazendo, mas logo percebeu que isso seria um grande erro. Estamos sob ataque, afinal de contas. As forças do Olho Vermelho são poderosas e os meus reforços devem ajudar bastante, mas mesmo assim, é sempre bom se preparar para o pior. Não era hora de ficar se distraindo com tentativas de criar um fantoche perfeito. Com uma mão Octo limpou mais ou menos a mesa, jogando sangue e alguns órgãos que ainda haviam permanecido nela no chão, e com seus poderes ele fez com que as Mãos do Mundo dos Mortos lhe trouxessem o que ele queria. Ao invés de me distrair com bobagens, é hora de terminar a minha pesquisa. Estava perto, tão perto. Se conseguisse fazer aquilo, ele conseguiria se tornar um Mago Negro capaz até de superar Hashmaul. A suprema Magia Negra. Profana, corrupta, mais escura que a própria escuridão. A lendária Magia Negra que concede Imortalidade Eterna a quem quer que consiga a efetuar, fazendo de sua Filactéria os próprios pilares do mundo! Eu estou tão perto de alcança-la, tão perto! Falta tão pouco, pouquíssimo! .... Eu só preciso de um pouco mais de tempo.

Comprem-me esse tempo, exército zumbi. Comprem-me os minutos que preciso para que eu possa completar o feitiço e me tornar isso. Um Lich.

SHELL: Uma coisa que pode ser do interesse de vocês é que, além de serem separados um dos outros quase que completamente pelas propriedades de Pandemonium, cada um dos cinco andares principais da fortaleza possui uma “temática” diferente, por assim dizer. O Primeiro Andar é chamado de “Mundo de Pedra”, enquanto o Segundo Andar traz o nome de “Labirinto Eterno”. O Terceiro Andar se chama “Deserto de Ossos”, o Quarto Andar é chamado de “Suprema Catedral”, e o Quinto Andar é chamado de “Elísio”.



Notas finais do capítulo

FATOS INTERESSANTES!

*A ideia de separar os andares do Pandemonium em "temas" diferentes é algo com o qual tenho brincado por algum tempo. Por vezes tenho a vontade de fazer isso e vejo essa como uma outra ideia, enquanto por outras vejo isso como algo complicado e desnecessário. No fim das contas, como esse final do capítulo revela, decidi seguir com a ideia. E vocês verão em breve o que planejo com ela.



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