O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 49
Bala de Fogo


Notas iniciais do capítulo

Piririn, piririn, piririn
Alguém ligou pra mim
Piririn, piririn, piririn
Alguém ligou pra mim
Quem é?



– EU IREI MORRER SE TE ENFRENTAR? Isso é algum tipo de piada? – Uma gargalhada ecoou da garganta de Ulrock ao ouvir aquilo, com gosto. Mal podia acreditar no que havia acabado de ouvir. Que piada! Ele realmente se ilude a esse ponto? – Diga-me, o que você acha que pode fazer contra mim? Por acaso não notou que eu derrotei três dos seus companheiros sem grandes dificuldades? Por acaso acha que um nanico fino como um palito como você pode fazer algo contra mim?

– Eu não acho que posso fazer algo contra você. Eu sei que você não pode fazer nada contra mim – retrucou Syd de forma simples, um sorriso arrogante estalado em seu rosto que fez com que Ulrock imediatamente se enfurecesse. Muito bem, é isso! Chega de ser bonzinho!

Sua perna direita dobrou-se com toda a sua força, exercendo uma pressão tão grande que uma minúscula cratera se formou ao redor de seu pé, um momento antes que ele avançasse com tudo contra Syd. Jogou seu braço para trás, mirou bem no rosto de seu oponente e moveu-o contra ele com todas as suas forças... mas apesar de todos os seus esforços e da velocidade absurda com a qual se movia, foi incapaz de chegar sequer perto de atingir seu oponente. O corpo de Syd simplesmente desapareceu do seu campo de visão num único instante, fazendo com que seu braço apenas atingisse o ar. Nem sequer teve tempo de ficar confuso com isso, pois um segundo depois ouvia o som da voz daquele idiota atrás dele, ousado e zombeteiro.

– Olé. – Foi tudo o que ele disse, ao mesmo tempo em que sentia uma das suas mãos tocar o meio das suas costas. Irado, tentou virar-se rapidamente contra ele e tentar algum outro ataque, mas não teve a chance; antes que sequer começasse a fazer isso, sentiu uma grande pressão sendo exercida contra ele exatamente do ponto no qual a mão de Syd tocava, e antes que se desse conta seu corpo estava sendo jogado violentamente para longe, dando verdadeiras cambalhotas no ar. Ora, mas que... BOSTA! Tentou apoiar rapidamente suas mãos no chão para deter os movimentos de seu corpo, mas todos os giros que estava fazendo tornavam isso simplesmente impossível; tudo que conseguiu foi desestabilizar seu equilíbrio ainda mais, fazendo com que girasse de forma ainda mais descontrolada até por fim chocar-se com tudo contra um prédio próximo, atravessando a parede dele e indo parar dentro da sua sala principal junto com um monte de pó e concreto.

Levantou-se rapidamente, sacudindo sua cabeça para jogar fora a poeira que havia impregnada nele com aquilo. Filho da mãe... como é que esse miserável fez algo assim?! Com esse físico dele, ele não deveria nem de longe ter a força necessária para algo desse tipo! Não entendia aquilo, mas supunha que teria tempo o bastante para compreender as táticas estranhas daquele bosta durante a batalha. Por enquanto... talvez seja hora de dar uma olhada ao meu redor e ver o que tenho ao meu dispor.

Aparentemente, o prédio no qual estava era uma espécie de ferreiro. Ao seu redor o ambiente era escuro, e repleto de instrumentos que poderiam se mostrar bem uteis em batalha. Espadas, machados, lanças, adagas, maças, alabardas, martelos de guerra, escudos... podia ver tudo isso ao seu alcance imediato, e um pouco mais longe de si conseguia ver grandes caldeirões de fundição. Infelizmente essas não estavam recheadas com o fogo líquido que lhes era de costume, mas isso não mudava o fato de que elas ainda eram instrumentos que ele podia colocar em bom uso em uma batalha. Heh... isso tudo me dá muitos planos. Deixe estar, deixe que esse bosta venha me enfrentar aqui. Em um espaço tão confinado, Syd não teria como fugir efetivamente dos seus ataques, e com todos aqueles instrumentos próximos, seria fácil para Ulrock fazer picadinho de seu oponente assim que uma chance se mostrasse. Venha para dentro dessa ferraria, Syd Ostrower, e você é um homem morto!

Estava pensando nisso – sorrindo de orelha a orelha devido a isso – quando foi subitamente surpreendido pelo som de algo apitando. Ou, melhor dizendo, pelo som de várias coisas apitando simultaneamente.

Esse som com que seus olhos fossem até o chão, e no momento em que eles fizeram isso, eles se arregalaram. Aos seus pés, dezenas – talvez centenas – de pequenas coisinhas de metal reluziam. Aquelas coisas estranhas tinha uma forma que lembrava uma pequena plaquinha quadricular de aço, sendo que do centro delas saia um brilho vermelho que reluzia até mesmo na escuridão daquele local. Mais perturbador que isso, aquelas coisas constantemente piscavam, como se fossem apenas o prelúdio de algo muito pior. Não eram muitas as coisas capazes de assustar Ulrock no mundo, mas ver-se cercado de diversas coisas desconhecidas que pareciam perigosas era uma dessas coisas. O que é isso? Como isso veio parar aqui? O QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO?!

Não teve resposta alguma para nenhuma dessas perguntas. Ou ao menos, resposta nenhuma que não fosse apenas múltiplas explosões poderosas acontecendo simultaneamente, com Ulrock bem no centro delas.

Com toda a sua força, as explosões não tiveram o mínimo de dificuldade em destruir completamente toda aquela ferraria. O corpo de Ulrock foi arremessado longe pela força delas, lançando tão longe ao ar que ele ultrapassou facilmente a densa cortina de fumaça negra que elas haviam criado ao seu redor. Não estava realmente ferido por aquilo – por mais poderosas que aquelas explosões pudessem ser ou por maior que fosse a sua quantidade, elas no fim das contas não eram nada se comparadas a uma explosão como o “Big Bang” – mas isso não significava que não estava atordoado por aquele ataque. Não pode ser.... isso não deveria ser possível! Tinha a mais absoluta certeza de que Syd era o responsável por isso, mas simplesmente não conseguia compreender como ele havia conseguido lançar um ataque como aquele contra ele sem que se desse conta! Essas explosões... elas vieram daquelas plaquinhas. Não há dúvida alguma quanto a isso. A questão é: como e quando ele colocou essas plaquinhas ali? Ele certamente não tinha tido tempo para fazer algo assim enquanto lutavam; ele teria de ser absurdamente rápido para ser capaz de fazer algo assim sem que Ulrock notasse, e por mais que ele tivesse evitado seu primeiro ataque, simplesmente não acreditava que aquele homem tivesse uma velocidade tão superior a dele. Mas se é assim.... então como?! Como ele fez tudo isso?!

– Essa pergunta tem uma resposta bem simples – disse uma voz bem humorada com um leve tom zombeteiro acima dele. Ergueu rapidamente sua cabeça, e o que viu foi Syd, cerca de oito a nove metros acima dele, segurando sua lança em ambas as suas mãos enquanto mantinha um sorriso no rosto. – Preparações!

Preparações? Não entendeu o que ele quis dizer com aquilo, ao menos não de imediato, mas não demorou muito para que começasse a compreender o que ele queria dizer com aquilo. Não me diga que... miserável! Aquelas coisas, aquelas plaquinhas de metal... elas não eram coisas que seu oponente havia jogado contra ele depois de lhe mandar longe. Pensar dessa forma não fazia sentido simplesmente porque esse não era o caso. Ele não jogou as plaquinhas contra mim depois de me jogar na ferraria, mas sim já colocou aquelas plaquinhas anteriormente na ferraria e preparou seu plano de batalha tendo elas em mente! Aquilo fazia com que as coisas fizessem muito mais sentido, e ao mesmo tempo era algo que conseguia facilmente enfurecer Ulrock. Esse miserável... como ele pode preparar tantas coisas assim?! E se ele preparou algo desse tipo, então o que não me garante que ele não possui outras armadilhas preparadas para mim?!

Estava pensando exatamente naquilo quando algo muito mais urgente e preocupante lhe chamou a atenção. Ouviu o som de raios, de eletricidade correndo com força, e esse som fez com que seu olhar fosse direto para a lança de Syd, bem a tempo de ver a transformação de sua arma; não havia reparado nisso antes, mas na haste da lança de Syd estavam diversos desenhos estranhos, rústicos e de aparência antiga e mística – runas, símbolos criados pelo reino de Carcino capazes de fazer com que até mesmo aqueles que não tinham o dom natural para a magia conseguissem invocar os poderes dessa. Aquelas runas em particular eram runas da eletricidade, e no momento em que elas foram ativadas essa eletricidade imbuiu-se na lança, tornando-se uma com o metal e fazendo com que Syd subitamente segurasse em mãos uma perigosa arma elemental. Ah... puta que pariu, minha vida é uma merda mesmo. Normalmente não levava muito a sério truques baratos em batalha, não respeitava táticas que faziam com que as pessoas se focassem mais em usar de artes bizarras do que pura e boa força bruta, mas isso não significava que ele era estúpido o bastante ao ponto de ignorar o perigo que uma arma assim representava.

Tentou imediatamente empurrar seu corpo para tão rapidamente quanto possível usando de movimentos rápidos e fortes de suas pernas, mas não teve muito sucesso nisso; não havia ido para o ar por sua vontade própria, mas sim por ter sido arremessado para cima pela explosão de antes, o que significava que seu corpo não estava na posição ideal para que pudesse controlar os movimentos dele. Tentou então alterar a sua posição, mas já era tarde demais; antes que tivesse tempo de fazer isso, Syd colocou-se a agir. Viu as pernas do homem dobrarem-se levemente em meio ao ar, para que em seguida fogo saísse de suas botas, empurrando-o com uma velocidade incrível contra Ulrock. Não teve tempo de reagir a isso; antes que pudesse se defender ou tentar esquivar-se daquele golpe, Syd havia lhe atingido, e com o apoio da eletricidade, da sua velocidade e da sua própria força, a lança dele atravessou Ulrock direto pelo umbigo até que metade dela emergisse do outro lado.

Foi empurrado para baixo pela força do impulso de Syd com uma velocidade imensa até que ambos atingissem o chão com tudo. O impacto deles foi poderoso o suficiente para criar uma cratera no ponto de colisão, mas mais importante que isso, esse impacto permitiu que a metade da lança que havia lhe atravessado antes cravasse-se no chão, mantendo seu corpo acima do solo em uma situação na qual era extremamente difícil para Ulrock fazer qualquer coisa. Mas que... merda! Filho da mãe... eu vou... eu vou matar esse miserável! Moveu suas mãos para a lança em questão, tentando agarrá-la e puxá-la para fora de si, mas a força da eletricidade que fluía por ela era tão grande que mal conseguia tocá-la, quanto menos puxá-la. Frustrado, seus olhos olharam para cima, e o que eles viram foi o rosto de Syd com um largo sorriso debochado expresso em seus lábios. O idiota não ficou ali por muito tempo, entretanto; um momento depois de olhar para ele Ulrock viu o homem saltar subitamente para longe dele, algo que fez com que ele ficasse confuso por um instante... antes que flagrasse uma faísca brilhante com o canto do olho e virasse seu rosto novamente para cima, bem a tempo de ver um grande raio cair dos céus diretamente sobre a sua cabeça.

=====

Estalou um pouco seu pescoço e dedos depois de terminar a sua sequência de ataques. O raio que sua lança invocou mostrou-se bem poderoso; o impacto dele foi poderoso o bastante para reduzir o que estava na sua área de alcance imediata ao nada quase que instantaneamente, e mesmo de tão longe quanto estava Syd ainda podia sentir a força do impacto dele agindo sobre seu corpo. Nossa... realmente, Tiamat não estava brincando quando ele disse que iria fazer algumas melhorias na lança. Ainda bem que tinha se lembrado de pegar as esquemáticas de criações como aquelas; Tiamat era definitivamente tão louco quanto sua alcunha sugeria, não tinha dúvida alguma disso, mas isso não mudava o fato de que ele era um verdadeiro gênio. Todas essas criações... elas têm funcionado muito bem.

Ergueu seus olhos para o ponto em que seu oponente supostamente estava. Depois de uma sequência de ataques como aquela, a maioria das pessoas deveria estar morta e enterrada, mas Ulrock definitivamente não era a maioria das pessoas e, francamente, tinha dificuldades em acreditar que ele estaria morto só com aquilo. Esse cara provou-se bem difícil de derrotar. Depois de sair quase ileso de todos aqueles ataques de Denis e Zetsuko, não resta dúvidas de que a resistência dele está muito além da minha. Raios, praticamente todos os atributos dele estão muito além dos meus. Graças aos vários dispositivos e equipamentos de Tiamat que estava usando as habilidades de Syd haviam se ampliado muito além dos seus maiores sonhos, mas não era tolo o bastante para assumir que isso era o suficiente para lhe deixar no nível de um guerreiro tão mais agraciado e experiente do que ele. Em força, velocidade, destreza, resistência e outros tantos atributos corporais, eu sou bem inferior a ele. Mas eu tenho uma vantagem. Por mais que seu oponente fosse mais forte do que ele, Syd era mais esperto e tinha mais recursos ao seu dispor do que ele. As maiores batalhas do nosso mundo não foram ganhas por força bruta. Na Grande Guerra, tanto os demônios quanto os Deuses eram bem superiores a humanidade em puro poder bruto. Não foi força bruta que nos conquistou a vitória naquele confronto, mas sim a nossa versatilidade, os nossos recursos, e a nossa inteligência em saber fazer o melhor possível com o que temos a nossa disposição.

Pelo que lhe dizia respeito, o mesmo se aplicava em uma batalha como a que travavam.

Não demorou muito para que Ulrock emergisse novamente, avançando do meio da cortina de fumaça como uma besta raivosa, embora agora ele fosse uma besta raivosa ferida. Não pode deixar de sorrir ao ver isso. Que previsível. Você já fez algo assim contra Denis, Ulrock. Acha que eu seria tolo o bastante para ser surpreendido? Esperou um pouco para que seu oponente se aproximasse, chegasse tão próximo de atingi-lo quanto possível, para só então acionar os jatos que haviam sido instalados na sola das suas botas. Pelo que Tiamat havia lhe dito, esses não eram os mais fortes que ele tinha disponível; jatos de verdade exerciam uma força de propulsão tão grande que poderiam levantar um castelo do chão facilmente, mas seria completamente impossível para ele controlar-se caso usasse de algo tão poderoso assim. Além disso, não tinha muito espaço para o armazenamento do combustível que esses jatos consumiam, o que significava que ele tinha de ficar usando-os em rajadas curtas para evitar que acabasse rapidamente com o pouco que tinha disponível – algo que lhe impedia de fazer coisas bem legais e uteis, como sair voando por aí.

Mas mesmo assim, isso ainda era mais do que o suficiente para que ele realizasse algumas manobras cruciais em batalhas.

Com o uso de seus jatos, seu corpo foi impulsionado para cima, e aplicando um certo controle sobre si mesmo Syd foi capaz de fazer com que ele saltasse apenas o suficiente para evitar a investida de Ulrock, deixando que o mercenário passasse direto por ele, seu punho ainda erguido, o movimento do seu soco ainda visível. Por mais que seu corpo não fosse capaz de acompanhar aquilo, os olhos de Ulrock seguiram os movimentos de Syd, vendo bem o que acontecia enquanto o Invicto planava pouco acima dele. Com um sorriso no rosto, Syd retirou da manga de sua blusa um pequeno – não, minúsculo – revolver, uma das últimas coisas que Tiamat lhe deu, bem como a mais poderosa delas. Ele disse que eu tenho de tomar cuidado com isso. Disse que esse revolver tem seis tiros, e que cada um desses tiros é extremamente poderoso. Disse que eu devo avaliar bem a situação antes de usar algo assim, que eu devo ter certeza de que isso é realmente necessário. Bem... eu faço a pergunta: existe algo que demanda o uso de uma arma poderosa como essa mais do que uma luta contra um dos mais poderosos e famosos mercenários do mundo?

Provavelmente sim – e muitas coisas, sem dúvida – mas isso não vinha ao caso.

Bala de Fogo! – Foram as palavras que deixaram os lábios de Syd quando seu dedo apertou o gatilho da arma, fazendo com que todo o mecanismo interno dela se ativasse numa fração de segundos. Por um único instante todo o revólver ficou completamente vermelho como se tivesse acabado de sair das chamas, chegando até a queimar um pouco a mão de Syd, mas isso só durou um instante antes que todo esse calor fosse disparo de uma vez.

Havia ouvido os avisos de Tiamat e levado todos eles a sério, mas aviso nenhum poderia lhe preparar para o que aconteceu. Pensou que o revolver fosse disparar uma bola de fogo ou algum tipo de projétil de chamas, mas o que ele disparou foi uma imensa onda de chamas infernais, muito maior do que o próprio Syd, grande o suficiente para engolir completamente Ulrock sem dar chance de reação ao mercenário. Aquelas chamas eram tão poderosas quanto violentas; elas seguiram na direção do disparo sem nunca parar, consumindo tudo em seu caminho quase que instantaneamente e reduzindo isso a cinzas num piscar de olhos. Planejava usar o impulso de seus jatos para apenas manter-se planando enquanto disparava aquilo, mas diante da força do disparo Syd viu-se forçado a virar seus pés e aumentar a força dos jatos ao máximo simplesmente para impedir que o coice do disparo lhe lançasse longe.

O disparo durou pouquíssimo tempo – um segundo, talvez dois – mas para Syd, a sensação foi como se ele tivesse durado horas e horas seguidas. Ao fim dele, o Invicto viu-se caindo de joelhos no chão, ofegante apesar de não ter necessariamente se esforçado fisicamente. Já não podia contar com seus jatos, sabia disso; havia sentido os mesmos começarem a falhar quando estava voltando a aterrissar, e sabia que com todo o esforço que havia tido de fazer para não ser jogado do outro lado da cidade havia provavelmente gastado todo o restante do seu combustível. Mas... de certa forma, parece que isso valeu a pena, não é?

Olhando para frente conseguia ver uma área completamente carbonizada por onde o disparo havia passado, algumas chamas ainda ardendo em um ponto ou outro. Seu disparo havia sido verdadeiramente impressionante, tão poderoso quanto os golpes mais fortes de grandes guerreiros, e isso era provado pelo corpo a sua frente. Há pouco mais do que um ou dois palmos de seu rosto, Syd podia ver o corpo carbonizado de Ulrock. Os cabelos do guerreiro ruivo já não existiam mais, completamente incinerados pelas chamas que haviam lhe envolvido, e a pele antes branca dele agora havia se tornado preta e quebradiça, tamanha a gravidade das queimaduras. Chegou até a pensar que Ulrock estava morto por um tempo, apenas para se surpreender bastante quando tentou tocá-lo e, antes que chegasse a sequer encostar nele o homem subitamente sofreu um ataque de tosse violento misturado a gemidos de dor, algo que assustou Syd o bastante para fazer com que ele saltasse para trás quase que no mesmo instante. Isso mesmo Syd, vai tocar o cara todo chamuscado que é chutou lindamente a bunda de três mercenários de alto nível como se eles fossem crianças, eu tenho certeza de que nada de errado pode resultar de algo assim! .... Francamente, as vezes eu não me acho assim tão inteligente.

Isso dito, tinha de admitir que era de certa forma reconfortante saber que Ulrock ainda estava vivo. Por mais que ele fosse seu inimigo e que soubesse que ele provavelmente não teria hesitação alguma em lhe matar se a situação estivesse invertida, mas ainda assim, não sentia nenhuma vontade real de mata-lo. A vida é preciosa demais para que você saia por aí matando as pessoas. Cada um de nós vive apenas uma vez, e nessa única vida temos infinitas possibilidades. De ser bom, de ser mal, de ser honesto ou falso, de ser justo ou injusto, corajoso ou covarde, revolucionário ou conservador, leal ou traiçoeiro! As possibilidades são inúmeras, muito mais do que o que podemos contar. Mas mais do que isso... a vida é simplesmente valiosa. Todos nós temos direito a ela, e ninguém tem o direito de toma-la. Se tivesse que matar alguém para sobreviver faria isso sem pestanejar já que, afinal de contas, a sua vida era muito mais preciosa para ele do que a de um oponente, mas se pudesse evitar isso, evitaria.

Moveu seus olhos do corpo de Ulrock para a figura dos aliados dele que se erguia mais distante. Esperava encontrar raiva, surpresa e descrença nos demais membros do S.O.M.B.R.A., mas não foi isso que encontrou. Ao olhar para eles, tudo que viu foi... bem, nada. Eles não expressavam nada em seus olhares. Não demonstravam ódio, não demonstravam surpresa, não demonstravam absolutamente nada; apenas olhavam para ele e para Ulrock com olhos parados, mortos, como os de um peixe. Bom... isso certamente não estava no plano. Seu plano original consistia em surpreender o S.O.M.B.R.A. com sua vitória, talvez ao ponto de fazer com que o grupo mercenário fosse forçado a recuar, mas pelo que estava vendo não iria alcançar seu objetivo... e pior ainda, aqueles olhares faziam com que ele sentisse mais medo do que tudo.

Ainda assim, de alguma forma conseguiu deixar esse medo de lado um pouco, o suficiente para falar e seguir com seu plano.

– C-creio que essa é uma boa demonstração do que sou capaz, não é? – Disse Syd, tentando (e falhando em) dar alguma firmeza a sua voz enquanto se dirigia a eles. – Ouçam esse aviso, S.O.M.B.R.A., pois vocês não terão outro; recuem agora. Ulrock ainda está vivo. Peguem o corpo dele, levem-no a alguém que possa curá-lo e vão embora. Parem esse ataque aqui e agora, e vocês irão pouparem-se de ficarem no mesmo estado dele.

Nenhum deles respondeu nada, nem tampouco demonstrou qualquer reação. Robert, Hadvar, Flavent, Neshka... nenhum deles demonstrou reação alguma nem mudou suas feições. Eles simplesmente ignoraram completamente tudo o que Syd havia dito, como se ele fosse uma estátua sem importância ali.

E então, subitamente, Robert surgiu bem diante dos seus olhos, dando-lhe o que provavelmente era um dos maiores sustos da sua vida.

Saltou para trás imediatamente de forma escandalosa, um gritinho indigno escapando-lhe pelos lábios. Quando voltou a aterrissar no chão estava já há mais de seis metros de distância do líder do S.O.M.B.R.A., mas nem mesmo assim sentia-se seguro. Esse cara... como que ele fez isso de agora há pouco?! Estava usando lentes especiais em seus olhos fornecidas por Tiamat que ampliavam as suas capacidades perceptivas. Elas eram poderosas o suficiente para fazer com que ele visse imediatamente através das mais complexas ilusões como se elas não fossem nada, mas nem mesmo essas lentes haviam sido capazes de acompanhar a velocidade dos movimentos de Robert. Isso foi... quase que instantâneo! Esse cara... ele definitivamente é muito, muito forte. Ainda julgava cedo demais para dar seu julgamento final sobre isso considerando que ainda não havia visto um terço da dimensão dos poderes de Robert, mas estava começando a acreditar que havia um abismo de diferença entre as forças de alguém como Ulrock e as de seu líder.

Robert apenas lançou um rápido olhar sobre Syd, completamente desinteressado. Pela forma como ele lhe olhou, o Invicto podia muito bem sentir-se um rato diante de um leão, completamente insignificante. Sem dar a mínima para qualquer ameaça que Syd pudesse representar, Robert virou-se em silêncio. Um passo após o outro ele foi até Ulrock, lentamente, o som de cada passo seu ecoando pelas ruínas que lhes cercavam. Só parou quando encontrou-se bem do lado de seu companheiro, abaixando um pouco seu rosto então para fitar seu subordinado. Os olhos de Ulrock – ou o que restava deles, pelo menos – também pareceram tentar se erguerem para fita-lo também.

E no momento em que eles fizeram isso, um dos pés de Robert se ergueu, e em um simples movimento o homem pisou na cabeça do seu subordinado com força, esmagando-a em pedaços.

Foram os olhos de Syd que se arregalaram quando viu aquilo. Mas... por quê?! Não entendia aquilo – diabos partam, não conseguia entender aquilo! O homem ainda estava vivo e se recebesse o tratamento correto, ainda podia ser salvo! Conseguia até entender que Robert fosse um daqueles que priorizava a missão acima de tudo e se recusasse a comprometê-la para ajudar um subordinado, mas simplesmente não fazia sentido para Syd que ele fizesse algo assim.

– Por quê? – Questionou ele, bem antes de se dar conta de que as palavras queriam sair de seus lábios. – Por que você o matou? Ele ainda estava vivo!

– E o que importa isso? – Perguntou Robert em resposta, olhando para Syd por cima do ombro como se aquilo não fosse nada demais. – Você o derrotou completamente aqui. Seus olhos, sua pele, seus músculos, seus nervos... todos foram queimados com esse último ataque. O único motivo pelo qual Ulrock sobreviveu a isso é a sua resistência muito além de qualquer limite humano, mas mesmo ela tem um limite. Ele provavelmente morreria muito antes que levássemos a qualquer um que pudesse cuidar dele, e mesmo que não morresse, o que restava? Ele não seria capaz de fazer mais nada mesmo que se recuperasse de seus ferimentos. Seria um peso morto, incapaz de fazer qualquer coisa. Uma vida assim não tem valor.

Em geral, considerava-se uma pessoa fácil de se levar. Não eram muitas as coisas que irritavam Syd naquele mundo; tirando alguns pontos sensíveis, ele era alguém que em geral fazia um bom trabalho em conservar a calma e o bom humor na maioria das vezes. Mas dentre as poucas coisas que conseguiam lhe irritar, uma delas era aquilo; desvalorizar a vida.

– Você não tem o direito de estabelecer o valor da vida de alguém – grunhiu Syd, mal conseguindo conter sua irritação.

– E assim tão facilmente você passa de alguém inteligente para um tolo estúpido – respondeu Robert, balançando sua cabeça de forma desconsolada ao dizer aquilo enquanto mantinha as mãos no bolso. – Você está superestimando demais o valor da vida, não acha? “Você não tem o direito de estabelecer o valor da vida de alguém”... ora, claro que tenho! Vou além até; oitenta por cento das pessoas desse mundo não possuem um valor real. Homens, mulheres, crianças, velhos... existem inúmeros inúteis entre eles, inúmeros parasitas, inúmeros tolos sem valor. Todos eles podiam morrer num estalar dos dedos e ninguém sentiria falta. Eles não mudam nada, não acrescentam em nada, não fazem nada mais do que gastar nossos recursos. E sendo quem eu sou, eu posso definir esse valor. Sabe por que, Syd? Porque eu sou forte, e esse é o Mundo dos Fortes. Se você é forte, você define. Se você é fraco, você aceita. Simples assim.

Teve de se controlar um pouco ao ouvir aquilo, tão enfurecido que ficou por aquelas palavras. Aí está. O tipo de pessoa que eu mais odeio; os bastardos fortes que acham que sua força lhes dá direito de fazer o que bem entenderem, como bem entenderem, quando bem entenderem. Não sabia exatamente o que lhe deixava mais irritado em pensamentos como esse; o pensamento em si, ou o fato de que, de certa forma, ele não estava completamente errado.

– De qualquer forma, nossa missão não acabou por aqui, S.O.M.B.R.A. – disse Robert, desaparecendo em um momento para reaparecer novamente junto ao seu grupo, apenas um pouco mais atrás deles, de costas para seus companheiros. – Independente da morte de Ulrock, temos um trabalho a cumprir aqui, e pretendo termina-lo com sucesso até o fim do dia. Flavent, Hadvar, Neshka. Um de vocês vai continuar a luta. Não me importa quem, mas continuem com isso e deem um fim à nossa oposição.

Um de nós? – Retrucou de imediato Hadvar, virando seu rosto em direção ao de seu chefe naquele instante. A feição de Robert azedou ao ver aquela demonstração de insubordinação, fazendo com que ele olhasse para Hadvar com uma expressão claramente irritada, mas isso não foi o suficiente para fazer com que o Terror Celeste nem sequer pestanejasse. – Robert, um de nós acabou de morrer! Eu já te alertei sobre toda essa besteira e você não ouviu, e por causa da sua petulância e da sua mania de fazer gracinhas alguém acabou desnecessariamente morto! Somos em quatro aqui; é simplesmente estúpido que você insista em lançar-nos contra o inimigo um a um!

Robert não respondeu imediatamente. Ao invés disso o que ele fez foi se virar bem vagarosamente em direção a Hadvar, tomando seu tempo, como se para ver se o homem iria retirar suas queixas. Quando isso não aconteceu, ele mudou completamente de uma hora pra outra; sua postura tornou-se rapidamente uma de batalha, uma poderosa onda de energia fluiu de seu corpo e o olhar antes irritado dele se tornou completamente enfurecido. Mesmo de onde estava Syd pode ver a mão direita do homem sofrer espasmos, fazendo com que ele inicialmente ficasse confuso quanto ao que estava causando aqui, até que compreendesse que isso era resultado de alterações na estrutura óssea dele. Não sabia dizer exatamente o que havia acontecido, mas num piscar de olhos a mão de Robert havia mudado completamente, assumindo uma forma que fazia com que ela ficasse mais parecida com a garra de um dragão, seus dedos alongados e rígidos e afiados como facas, parecendo poderosos o suficiente para que ele pudesse esmagar uma placa de aço entre eles com facilidade. Uma energia sombria envolveu a figura de Robert, como que protegendo-o com um manto de sombras, fazendo com que a área ao redor dele transformasse-se em um poço de pura escuridão.

– Você está questionando minhas ordens, Hadvar? – Perguntou ele com uma voz suave e tranquila que apenas fez com que suas palavras parecessem ainda mais ameaçadoras.

Hadvar não pestanejou. Tal como Robert, ele virou-se em direção ao outro, apesar de fazê-lo bem mais rápido do que o primeiro, e nem bem ele havia terminado de se virar, seu corpo também mudou. A pele branca de seu braço direito começou a se transformar em um forte couro marrom, protegendo-o como se fosse uma armadura de malha, e tal como aconteceu com Robert, sua mão também mudou. A estrutura dela mudou para assemelhar-se a uma espécie de garra, mas ao contrário de Robert que havia feito com que sua mão se assemelhasse a uma mistura entre uma ave e um réptil; seu polegar e o indicador – bem como o anelar e o mindinho – fundiram-se uns com os outros para formar apenas três garras em oposição as cinco de Robert, mas essas três sendo visivelmente mais grossas e poderosas do que as de seu líder. Estava ainda tentando entender o que exatamente ele havia feito consigo mesmo e o que toda aquela transformação significava quando foi surpreendido pelo som de um estrondo; um grande buraco apareceu subitamente na parte de trás da armadura de Hadvar, criado por uma força que empurrava de dentro pra fora, e desse buraco emergiu uma única asa simplesmente bizarra; o que parecia ser pouco mais do que uma estrutura óssea com uma fina camada de couro interligando uma parte a outra.

– Não. – Respondeu calmamente o Terror Celeste, encarando firmemente seu chefe enquanto falava. – Eu estou afirmando que elas são estúpidas.

A tensão entre ambos se tornou praticamente palpável depois daquilo. Desde bem antes os dois já pareciam estarem a um passo de saltarem um contra a garganta do outro, mas depois daquilo, daquelas palavras, isso se tornou quase que uma certeza. Parece que temos muitos problemas no paraíso!, observou mentalmente Syd enquanto apenas contemplava aquilo a distância, sabendo que uma possível briga entre os dois seria algo bem beneficial para ele. Isso é interessante. Então, Hadvar se opõe abertamente aos meios de liderança do seu chefe. Considerando que tanto Flavent quanto Neshka não estão fazendo nada para intrometerem-se nisso, suponho que as duas estejam em cima da cerca – elas devem achar que Hadvar está exagerando com tudo isso, mas também devem estar insatisfeitas com os métodos de Robert. Isso por si só já era algo problemático considerando que qualquer grupo – principalmente um grupo militar – deve ter um bom grau de obediência a palavra do líder, mas ainda conseguia ver pontos ali que tornavam as coisas ainda melhores para ele. Mais especificamente falando, o fato de que eles estavam passando por uma crise naquele exato momento. O S.O.M.B.R.A. está acostumado a ser o melhor grupo mercenário. Cada um de seus membros deve se julgar invencível, tal como Ulrock se julgava. Agora eles não só viram que isso não é verdade como também viram seu próprio líder matar um deles quando este ficou ferido demais. Isso é excelente para mim. Se jogasse bem com as suas cartas – soubesse o que falar, quando falar e como falar – poderia fazer com que seu inimigo se destruísse sozinho!

... E então, todos os potenciais planos que tinham passado por sua mente foram por água abaixo num instante.

– Eu vou enfrenta-lo – foi a curta declaração feita pela pequena maga que chamavam de Neshka Tinkerbell quando ela começou a avançar, caminhando em direção a Syd de cabeça erguida e com olhos determinados, ignorando completamente tudo que acontecia entre Hadvar e Robert. A força daquela ação foi tanta que diante dela até mesmo os dois brigões pararam de se encarar, a tensão entre eles morrendo quase que imediatamente para dar lugar ao seu foco na garota. ... E é por isso que eu odeio crianças. Ou ao menos isso me dá uma boa desculpa para odiar crianças de agora em diante se eu quiser.

– Planeja enfrenta-lo? – A surpresa na voz de Robert deixava bem claro que ele não esperava por aquilo; o homem parecia tão surpreso quanto curioso pelo que seu tom sugeria, como se estivesse imaginando qual era o plano dela. – Você tem certeza disso? Pelo que me lembro, você é mais fraca do que Ulrock, não?

– “Força” é algo extremamente relativo, líder – respondeu ela sem se virar, erguendo uma de suas mãos e deixando que pequenas linhas mostrassem-se saindo das pontas de seus dedos, pequenos fios quase transparentes que Syd tinha certeza de que tratavam-se de criações das habilidades dela. – Fisicamente falando, eu sou realmente mais fraca do que Ulrock, mas crio minha própria força através das habilidades especiais que tenho e do uso que dou a elas. A nossa diferença de estilos faz com que nossa força seja muito variável; existem oponentes que eu nunca conseguiria vencer que ele derrotaria facilmente, e a recíproca é verdadeira.

– Qualquer que seja o caso, o que você está fazendo é de uma estupidez sem limites, Neshka! – O Terror Celeste virou-se completamente em direção a criança, gritando aquelas palavras com o primeiro verdadeiro sinal de pânico que Syd via dele, pela primeira vez não parecendo simplesmente irritado ou frustrado, mas verdadeiramente horrorizado com a possibilidade que se erguia. – Você já viu do que esse cara é capaz! Você é uma garota esperta, esperta o suficiente para saber que é tolice tentar enfrenta-lo sozinha! Espere apenas um momento e eu irei lhe aju-

– Agradeço pela oferta, Hadvar, mas não quero a sua ajuda – interrompeu Neshka, sem deter seus movimentos ou sequer diminuir o ritmo do seu avanço. – Esse cara... ele foi o responsável pela morte de Ulrock. Pode até não ter sido a mão dele que o matou, mas a morte de Ulrock foi diretamente causada por ele. Eu... eu tenho de vinga-lo por isso. Eu. Isso é entre mim e ele, Hadvar. Por favor, não se intrometa. Deixe-me mata-lo com minhas próprias mãos.

Não pode deixar de ranger os dentes ao ouvir aquilo. Ah, maldição, isso é tudo que me faltava. O cara é um completo psicopata e mata seu próprio companheiro de forma humilhante no momento em que ele sofre alguns danos mais graves, e de alguma forma sou eu o malvado aqui?! Ah, vai se ferrar! Não gostava do pensamento de ter de enfrentar alguém, gostava menos ainda do pensando de enfrentar um mercenário de elite, menos menos ainda do pensamento de enfrentar uma criança e tinha completo ódio pelo pensamento de enfrentar todas as alternativas anteriores misturadas somado ao fato de sua situação não ser nada boa. Minha lança provavelmente está em pedaços agora depois do que fiz com ela contra Ulrock. O combustível dos meus chatos acabou, e eu já usei um tiro do meu revólver. Pior que isso, eu não tenho a mínima ideia de como é o estilo de luta dessa garota, o que faz com que eu não tenha condições de bolar um plano de combate para lidar com ela. Não importava como tentasse ver aquilo, a situação não era nada boa.

– Se você quer mata-lo, você até pode, garota. Mas isso não vai ser fácil assim.

Aquela voz soou aos seus ouvidos como um raio de esperança. No momento em que ouviu-a, um sorriso abriu-se no rosto de Syd de orelha a orelha, fazendo com que o rosto do mercenário se iluminasse um pouco. Tanto os olhos de Neshka quanto os seus foram atraídos para a direção da qual essa voz vinha; para o topo de um prédio próximo a partir de onde Coralina, Skylar e Blair observavam a todos.

– Ei, Syd! Desculpe pela demora! – Gritou a maga mercenária das invocações, um sorriso bem-humorado agraciando suas feições. – A cavalaria chegou!



Notas finais do capítulo

Sou eu Bala de Fogo
E o calor tá de matar
Vai ser no Salão Cinzento
Que uma bala vou atirar



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