O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 48
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Notas iniciais do capítulo

Ei, um capítulo com menos de cinco mil palavras!

BANZAI! o/



SUA CABEÇA DOIA QUANDO ELA SE LEVANTOU, latejava como se tivesse batido-a em algum lugar. E talvez seja exatamente isso que aconteceu mesmo. Aparentemente havia desmaiado depois de chegarem ao Salão Cinzento, mas não se lembrava exatamente de como isso havia acontecido. Será que aqueles dois ferraram com o nosso transporte de novo? Locomoviam-se de lugar pra lugar de uma forma um tanto quanto... peculiar. Ulrock era forte – muito forte – portanto o que fazia na maioria das vezes era fazer com que ele arremessasse primeiro partes do grupo ao ar até que ela, Flavent e Robert estivessem nos céus. Depois disso Ulrock arremessava uma versão transformada de Hadvar para cima também, e com a sua forma e poderes Hadvar ajudava todos os demais, levando-os voando para onde bem quisessem. Graças ao impulso original de Ulrock, a velocidade que atingiam nesse transporte era incrível, fazendo com que eles se movessem tão rapidamente que chamas ardessem ao redor deles, como se fossem um cometa vermelho.

Apesar disso, no entanto, aquele não era necessariamente o melhor método de transporte. Nenhum deles era imune as chamas, e embora pessoas como Ulrock e Hadvar fossem resistentes o suficiente para aguentá-las por longos períodos de tempo, o mesmo não valia para Neshka e os outros. Tinham de voltar a aterrissar em questão de minutos depois de alçarem voo, do contrário acabariam no mínimo com algumas queimaduras bem feias. Além do mais, ao mesmo tempo em que a alta velocidade que alcançavam com aquilo era um ponto muito bom por permitir uma locomoção rápida, ela também era ruim justamente por essa locomoção rápida; como não podiam ficar muito tempo voando, eram forçados a pousar bem rapidamente, o que fazia com muitas vezes tivessem de forçar pousos enquanto ainda estavam em alta velocidade. Com o passar do tempo Hadvar havia aprendido alguns métodos de contornar a maior parte do dano que isso podia causar, evitando ferimentos significativos com aquilo, mas pelo menos no início não era particularmente raro que alguém estivesse machucado ao fim daquilo, ou até nocauteado. Para ser sincera, esse não é necessariamente o melhor dos meios de locomoção que podíamos escolher. Na verdade, esse provavelmente e está entre os piores meios de locomoção em questão de praticidade..., MAS ELE É TÃO LEGAL! Não importa o quanto pensasse, não conseguia imaginar nada no mundo que fosse mais legal do que viajar de lugar pra lugar em um cometa vermelho. O simples fato de ser tão legal mais que compensava por qualquer defeito que aquele método pudesse ter, e não era só ela que pensava assim; Robert e Ulrock concordavam com ela, por mais que Flavent pudesse manter-se indiferente ou Hadvar reclamasse sobre como aquilo era (supostamente) uma estupidez. O mal é que Hadvar não compreende isso. Hadvar é uma boa pessoa, mas ele não sabe nada sobre o romance de um cometa vermelho!

– Finalmente acordou, hm? Já era hora. – A voz calma e centrada do Terror Celeste lhe tirou de seus devaneios, fazendo com que Neshka saltasse em susto enquanto liberava um gritinho indigno de alguém tão fantástica como ela. Virou-se de volta para ele assim que aterrissou no chão, tão irritada quanto envergonhada, a cor tendo subido as suas bochechas; Hadvar estava lhe fitando calmamente com a sua expressão de sempre, tentando parecer sério e compenetrado, apesar de que o sorriso que teimava em ganhar seus lábios e olhos não ajudava nisso. – O que foi, Neshka? Pulando assim quando eu apenas dirijo a palavra a você... parece até que você é uma coelhinha assustada.

– Eu não sou uma coelhinha assustada! – Reclamou ela de forma energética, inchando suas bochechas enquanto balançava as mãos ao ar, indignada por aquilo. Não tinha nada quanto a ser comparada com coelhos (coelhos eram animais legais e fofinhos e bonitinhos, embora tivessem uma tendência nojenta a comer seu próprio cocô), mas tirava muita ofensa de ser chamada de assustada ou coisa do tipo. Era nervosa, agitada e até um pouco inquieta, mas não assustada, isso nunca. – Eu sou a Fantástica Rainha dos Fantoches, ouviu? A Fantástica. Rainha. Dos. Fantoches! É melhor você me respeitar, Hadvar! – Concluiu ela, brandindo sua mão direita para efeito dramático, apontando seu dedo indicador para o rosto do seu amigo. Não conseguiu intimidá-lo com isso, mas conseguiu fazer com que uma curta gargalhada ecoasse de sua garganta.

– Claro, claro, o que quer que você diga – respondeu ele, dando de ombros como que para dizer que não se importava realmente. – De qualquer forma, você pode querer prestar atenção no que está acontecendo ali.

Ficou inicialmente confusa ao ouvir aquilo, mas não teve de esperar muito para que Hadvar elaborasse o que ele queria dizer; com um movimento da sua cabeça ele apontou para um lado, e quando olhou nessa direção Neshka entendeu imediatamente o que ele queria dizer.

Um pouco distante deles, afastado do grupo, Ulrock parecia estar se divertindo enfrentando dois oponentes. Um deles – um homem de boné – parecia tratar-se de um mago, e um bem chato pelo que podia ver; tudo que ele fazia era afastar-se cada vez mais de Ulrock enquanto criava pequenas bolinhas arroxeadas nas palmas das suas mãos que ele em seguida jogava contra Ulrock. Claro, as bolinhas explodiam, o que supostamente fazia com que aquela habilidade devesse ser razoavelmente poderosa, mas isso não fazia muito por ela quando Ulrock era simplesmente capaz de ignorar completamente qualquer dano que essas explosões pudessem estar causando e continuar atacando como se nada estivesse acontecendo. Droga... quem foi que teve a ideia de deixar Ulrock ir primeiro? Aquilo era totalmente sem graça! Gostava de Ulrock, mas até mesmo ela tinha de admitir que o homem era puramente um bruto; qualquer que fosse seu oponente, a estratégia dele era sempre avançar direto contra ele, ignorando ao máximo possível qualquer golpe que seu inimigo pudesse ter. Eu suponho que não posso negar a efetividade disso – não considerando o quão facilmente ele aparenta estar ganhando essa luta – mas ainda assim, isso é tão... genérico. Conseguiria fazer uma demonstração bem mais impressionante do que a dele. Bem mais.

Foi então que viu aquilo; enquanto Ulrock estava distraído avançando contra o mago, a segunda oponente dele – uma mulher de cabelos prateados – avançou contra ele pelas costas, uma espada em cada mão, sua postura tão feroz quanto a de uma tigresa em combate. A própria velocidade dela avançando em si já era rápida, mas algo aconteceu; enquanto a mulher corria, seus olhos brilharam, e no momento em que esse brilho veio deles o ar ao redor dela pareceu distorcer-se. Uma concentração estranha de energia pareceu fluir ao redor da sua figura, distorcendo o próprio fluxo do espaço-tempo ao redor dela. Os olhos da espadachim tornaram-se completamente negros em um instante, e imediatamente quando isso aconteceu o que parecia ser um estranho portal transparente abriu-se diante dela, e ela desapareceu pra dentro dele em um piscar de olhos.

Não demorou muito para que ela voltasse a surgir; o portal que ela havia aberto antes se fechou logo que ela passou por ele, e imediatamente um novo portal abriu pouco à frente de Ulrock, e desse portal ela saiu, segurando firmemente suas espadas à frente de seu corpo como se fossem os chifres de um touro. O corpo de Ulrock recuou um pouco mesmo enquanto ele avançava – o mercenário tendo claramente sido pego desprevenido por aquilo – mas ela não lhe ofereceu explicação alguma. Avançou sem medo, acertando Ulrock em sua barriga com a ponta de ambas as suas espadas. Em questão de pura força bruta, duvidava aquela mulher tivesse força bruta o suficiente para ferir Ulrock em uma situação normal, mas uma combinação entre a força de seus braços, o fio de suas espadas, a velocidade na qual ela avançava, a velocidade na qual Ulrock avançava e o completo despreparo do ruivo para aquele ataque foram o suficiente para que as pontas de suas espadas pudessem perfurar um pouco a barriga de seu oponente, bem como que ele fosse arrastado para trás, ao menos num primeiro instante.

Esse primeiro instante foi todo o necessário, no entanto. Um novo portal abriu-se de acordo com a vontade daquela mulher, surgindo bem atrás de Ulrock; com o avanço que ela foi capaz de fazer, tanto ela quanto Ulrock avançaram para dentro desse portal, deixando que ele se fechasse logo em seguida. Um momento depois outro portal se abriu, apesar de que esse estava bem distante do outro; ele localizava-se à direita do ponto em que eles se encontraram, e mais do que isso, ele abriu-se em meio ao ar. Foi o tempo desse portal se abrir para que ela e o homem despencassem dos céus em direção ao chão em alta velocidade. A face de Ulrock estava tomada por uma expressão de pura confusão; ele nunca foi o homem mais esperto do mundo, o que fazia com tudo aquilo fosse demais para a mente dele sem que o ruivo ficasse atordoado..., mas enquanto o bruto mercenário ficava atordoado e confuso, a mulher sabia bem o que estava fazendo. Eles caíram com ele por baixo e ela por cima, empurrando-o em direção ao chão, e aproveitando-se dessa postura a mulher apoiou uma perna na barriga de Ulrock e de uma vez empurrou com força, não só tirando suas espadas da barriga do homem como também lançando seu corpo para cima. E no momento em que ela lançou seu corpo para cima, um portal abriu-se novamente, portal este pelo qual ela imediatamente passou.

Quando voltou a surgir ela já estava em chão firme, diretamente abaixo de Ulrock. Seus olhos já não estavam mais negros, mas normais novamente, e a expressão que ela trazia no rosto era uma extremamente concentrada. Respirando levemente ela ajeitou sua postura, dobrando levemente suas pernas e colocando-as em uma posição estranha enquanto movia suas mãos de forma a deixar ambas as suas espadas do lado direito de seu corpo, uma acima da outra, os planos de ambas paralelos um ao outro.

Ela respirou fundo por um instante nessa posição, e então subitamente saltou para cima com uma velocidade alucinante.

Dança Sangrenta da Dama das Espadas... – entoou ela enquanto avançava para cima de forma giratória em sentido caracol, seus movimentos tão rápidos que Neshka podia ver o traço das espadas dela no próprio ar, como se ela estivesse cortando-o com seu avanço. Os olhos de Ulrock dispararam em direção a ela, o grande bruto ruivo finalmente dando-se conta do que estava acontecendo, mas já era tarde demais. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa as espadas da mulher se moveram paralelamente em um corte da direita pra esquerda, como se fossem uma, atingindo direto no braço e na lateral de seu corpo. – Presas Duplas do Dragão Prateado!

Dessa vez Ulrock estava preparado para esse ataque, e dessa vez a mulher não tinha tantas vantagens para lhe ajudar quanto antes; sendo assim, não foi surpresa alguma para Neshka quando as espadas falharam em cortar a carne de Ulrock dessa vez, todo o precioso golpe da mulher servindo para fazer pouco mais do que arremessa-lo para a esquerda. Não, isso não surpreendeu-a... mas o fato de que a mulher não parecia minimamente desapontada por isso. Muito pelo contrário; um sorriso estava lentamente abrindo-se em seu rosto, e antes que Neshka pudesse fazer a conexão em sua mente, as palavras vieram em um grito.

DENIS! – Gritou ela com toda a força de seus pulmões, olhando para a esquerda, para o lugar aonde seu amigo mago estava antes. – ELE É TODO SEU!

Ouvir aquela frase fez com que seus olhos se arregalassem instantaneamente. Virou seu rosto rapidamente na direção dele, e o que viu fez com que seu queixo caísse. De alguma forma, no curto espaço de tempo em que havia se distraído e perdido o mago de vista, ele havia sido capaz de criar mais uma de suas bolas de energia. Essa, no entanto, não se comparava as outras, nem de longe. Enquanto as que ele havia criado anteriormente eram ridiculamente pequenas – cada uma mais ou menos do tamanho de uma unha – mas agora... a bola de energia que ele tinha era ao menos três vezes maior do que a mão dele, descansando na palma de sua mão, sendo constantemente alimentada com mais e mais energia que fazia com que seu tamanho se ampliasse continuamente. O mago a erguia de forma orgulhosa; a energia que fluía de seu corpo para a bola e da bola em si enquanto ele trabalhava para retê-la naquele formato era poderosa o suficiente para fazer com que o ar se agitasse ao seu redor, fazendo com que seu casaco balançasse. Não demorou muito para que o próprio boné que ele usava fosse jogado pelos ares por essa energia, e quando isso aconteceu, o olhar dele foi revelado. Um olhar cheio de ódio e fúria, perigoso, sedento por sangue... e focado unicamente em Ulrock.

Big... – a palavra saiu feroz dos lábios dele, um tom forte de ameaça contido em cada sílaba dela. As pernas do homem flexionaram-se rapidamente, e quando ele saltou a força desse salto foi tão grande que num único instante ele estava no ar, sua mão com a bola de energia erguida bem alto, o brilho púrpuro dela caindo sobre ele... e sobre Ulrock, aquele que ele havia alcançado com seu salto. – BANG!

De uma só vez a bola de energia desceu com tudo contra seu oponente, atingindo em cheio o rosto de Ulrock e exercendo uma pressão enorme contra esse. Num piscar de olhos os dois que estavam em meio ao ar se encontravam de volta no chão, a cabeça de Ulrock estando sendo pressionada contra esse com uma força incrível por Denis. Grunhidos podiam ser ouvidos de ambos os lados, tanto do esforço que Ulrock fazia para tentar se reerguer quanto pelo esforço que o mago fazia para mantê-lo no chão. Mas apesar de seus melhores esforços, era claro que o mago estava perdendo essa disputa; pouco a pouco Ulrock estava ganhando espaço, conseguindo erguer seu rosto centímetro após centímetro, chegando cada vez mais perto de seu oponente.

Mas tal como ela via isso, Denis também fazia o mesmo, e quando ele viu que seu oponente iria alcança-lo eventualmente naquele ritmo, ele não hesitou em explodir sua bola de energia.

A explosão foi bem poderosa, até mesmo para os padrões aos quais o S.O.M.B.R.A. estava acostumado. Teve de firmar seus pés com força para não ser jogada longe, e mesmo assim tinha a impressão de que isso acabaria acontecendo, não fosse pela mão de Hadvar que pousou em seu ombro e lhe apoiou aonde estava. A nuvem negra dessa explosão espalhou-se por toda a área aonde estavam, subindo aos céus como um grande cogumelo da morte, e foi desse cogumelo que Denis emergiu, saltando pra fora dele com uma rapidez impressionante. Aparentemente, mesmo aquele sendo um ataque do próprio mago, aquela explosão havia causado um bom estrago em Denis; seu casaco já não existia mias, e até mesmo sua camisa por baixo dele estava um pouco rasgada devido a explosão. Isso dito, nada disso chegava sequer a comparar-se a gravidade do que havia acontecido com seu braço; o braço direito de Denis – o braço da mão que havia formado aquela bola de energia – estava completamente ensanguentado, coberto de vermelho e ferimentos e mole como se todos os seus ossos estivessem quebrados. Uhhh... isso deve doer. Aquele braço certamente justificava a careta de dor que o mago trazia em seu rosto, embora, em crédito a ele, ele estivesse fazendo um bom trabalho em contê-la. Seus olhos caíram de imediato sobre a fumaça da explosão, tão violentos quanto estavam antes; ele demorou apenas um momento para compreender tudo, e ao notar que Ulrock aparentemente não havia deixado a cortina de fumaça, seu rosto azedou. Ele deve ter notado, não é? Ulrock não morreria só com isso. Você precisará de muito mais se quiser matar o Cometa Vermelho. Apenas a sua mão esquerda ainda funcionava decentemente depois daquela explosão, mas o homem não deixou que lhe impedisse; fechou-a com força, e quando tornou a abri-la, várias bolinhas roxas vieram da palma de sua mão, avançando direto em direção a essa fumaça.

Mitragliatrice Viola! – Exclamou ele com todas as suas forças, claramente dando tudo de si naquele ataque.

Tinha de aplaudi-lo por aquilo. Nossa, isso é realmente impressionante. A força daquelas bolinhas não parecia ser muito diferente das que ele havia usado anteriormente, mas elas era simplesmente tantas; a cada segundo que se passava o homem parecia disparar dezenas, não, centenas de bolinhas daquelas contra Ulrock, e a barragem simplesmente não tinha fim. O tempo ia e vinha e ele continuava ali, disparando sem parar, fazendo com que a fumaça da explosão nunca cessasse totalmente.

E foi então que, subitamente, um borrão vermelho emergiu a toda velocidade dentre toda aquela fumaça, avançando por entre os disparos do mago como se eles não fossem nada para surgir diante dele antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. A expressão no rosto de Denis se tornou uma de terror, ao mesmo tempo em que o sorriso animalesco de Ulrock tornava-se novamente visível.

LANÇARUBRA! – Gritou ele de forma prazerosa, lançando um soco com tudo em direção ao seu oponente. Seu punho atravessou facilmente o peito de Denis até que emergisse do outro lado dele, fazendo com que sangue subisse imediatamente aos lábios do mago. Sem nunca tirar o sorriso do rosto Ulrock puxou novamente seu braço do oponente, deixando a mostra o rombo que havia criado nele por um momento, antes que o corpo do mago desabasse ao chão.

Os olhos de todos caíram sobre Ulrock depois daquilo. Mesmo sendo uma companheira dele e tendo visto infinitas vezes demonstrações fascinantes da pura força bruta que o homem tinha, não conseguia deixar de se surpreender sempre que ele fazia algo assim; aquela técnica “Big Bang” havia claramente sido um ataque extremamente poderoso, provavelmente o mais forte que aquele mago tinha, mas mesmo assim Ulrock havia recebido esse golpe de frente e saído andando sem grandes ferimentos. Além de um pequeno sangramento em sua testa, o fato de sua camisa não existir mais e o estado completamente ferrado de suas calças, o ruivo não exibia sinal nenhum do golpe que havia sofrido, e isso era no mínimo fascinante. É por isso que ele faz parte do nosso grupo. Esse tipo de poder é o mínimo esperado de alguém que faz parte do S.O.M.B.R.A.

– Boa tentativa, garoto, mas não bom o suficiente – disse o Cometa Vermelho, olhando de cima para o mago que estava aos seus pés. – Eu lhe aplaudo por seus esforços, mas apenas ser esforçado não vai te levar muito longe nesse mundo. E claro, eu não digo isso apenas para você..., mas também pra você, mulher de prata!

Enquanto Ulrock falava, um portal se abria atrás dele. Desse portal emergiu a espadachim de antes, seus olhos vermelhos pelo que parecia ser puro ódio. Em suas mãos ela segurava firmemente ambas as suas espadas, movendo-as sem hesitação contra o pescoço de Ulrock..., mas nunca chegando sequer perto de atingi-lo. De alguma forma Ulrock já sabia que a mulher iria fazer exatamente isso, e esse conhecimento era o bastante para que ela não tivesse nenhuma chance real de lhe ferir; muito antes de seu ataque ser algum perigo para ele, Ulrock já havia se virado. Um único chute poderoso foi tudo que ele necessitou; com esse único chute no rosto da espadachim o corpo da mulher foi arremessado pelos ares de forma monstruosa, atravessando prédios inteiros e levando-os ao chão devido à força por trás do ataque. Foi só depois de ter transpassado três prédios que ela enfim parou, chocando-se contra a parede lateral de um quarto com força o bastante para criar uma pequena cratera ali antes que seu corpo mole caísse ao chão também.

Bem... isso terminou até que um tanto quanto rapidamente. Francamente, havia esperado um pouco mais daquela luta, principalmente considerando que eram dois oponentes e ambos pareciam ser consideravelmente fortes, mas talvez estivesse subestimando a força de Ulrock com isso. Creio que eu devia esperar isso mesmo. Um era um mago, a outra era uma guerreira que parecia mais focada na velocidade do que tudo... nenhum dos dois era o tipo de pessoa que teria resistência o suficiente para sobreviver a um golpe de Ulrock.

Foi exatamente por isso que se surpreendeu quando viu a espadachim tossir, cuspindo sangue, dando sinal de vida. E aparentemente, Ulrock se surpreendeu tanto quanto ela, considerando a forma como ele ergueu uma de suas sobrancelhas. Isso dito, ele não deixou que essa surpresa lhe afetasse muito; sem hesitar ele simplesmente deu de ombros e saltou aos céus, cobrindo rapidamente a distância que o separava da mulher até que pairasse acima dela como uma sombra da morte. Um sorriso largo surgiu em seu rosto quando isso aconteceu, um momento antes que ele chutasse com força o ar acima de si e empurrasse seu próprio corpo a toda velocidade contra a mulher.

O impacto foi forte o suficiente para que fazer com que o chão tremesse sob seus pés como se um terremoto estivesse abalando toda aquela cidade. Uma cratera formou-se no lugar aonde ele aterrissou como se um pequeno meteoro tivesse atingido aquele local... mas para a surpresa tanto de Ulrock quanto de Neshka, não havia sinal do corpo da mulher ali – tudo o que o Cometa Vermelho havia atingido com seu ataque era o chão, e nada mais do que ele.

– Ufa... cara, essa foi por pouco. – O som daquela voz atraiu a atenção deles, e todos se viraram simultaneamente na direção da qual ela vinha. Um pouco distante deles, um homem de barba e casaco, trazendo uma lança e um escudo às suas costas, trazia a espadachim prateada em seus braços. A própria mulher parecia tão surpresa quanto eles por aquilo, seus olhos arregalados fitando a figura de uma forma que deixava bem claro que ele era provavelmente a última pessoa que ela esperava que aparecesse ali. Calmamente o homem voltou seu rosto para ela, olhando-a de forma serena, com um certo ar de sabichão ao seu redor. – Sabe, Zetsuko, eu não quero parecer rude ou coisa do tipo, mas talvez você queira considerar fazer uma dieta. Sério, para uma guerreira que se foca tanto na velocidade quanto você, você é mais pesada do que pare-

A mão da mulher empurrou seu queixo e interrompeu suas palavras antes que ele pudesse terminar de falar, as palavras que ele estava dizendo aparentemente tendo sido o suficiente para enfurecer a mulher ao ponto de superar sua surpresa.

Como ousa?! Não me venha com piadas, maldito seja, não agora! – Disse ela, furiosa, apesar de que ao mesmo tempo em que via a fúria da mulher, Neshka também podia ver o brilho de lágrimas em seus olhos. – Você tem ideia da situação atual? Meus amigos... eles estão...

– Vivos, ainda que gravemente feridos – completou ele por ela, fazendo com que a surpresa surgisse novamente nas feições da espadachim. A mão dela se afastou, permitindo que ele voltasse a falar normalmente. – Sim, eu sei a situação. Não se preocupe. Eu não vou lhe explicar “como” agora, mas eu consigo sentir a energia daqueles dois, e por isso eu sei que eles não morreram. Não me entenda mal, eles vão morrer se continuarem assim sem receber tratamento, mas eu vi Coralina, Skylar e Blair vindo nessa direção enquanto vinha dar uma mão pra vocês. Eles vão ficar bem.

– Espera, você está dizendo que reforços estão a caminho? – Perguntou a mulher de olhos arregalados. O homem olhou para ela como se fosse um ser estranho diante disso.

– Bom, sim. Isso é meio óbvio, não? – Perguntou retoricamente ele. – Vocês fizeram um grande estardalhaço aqui. Era apenas questão de tempo até que chamassem a atenção de alguém... e no caso, vocês chamaram a atenção de muitas pessoas. Me arrisco a dizer que temos muitas pessoas vindo pra cá. Coralina, Skylar, Blair, Marco, Trevor, Ylessa, Enderthorn... todos devem estar vindo em nossa direção nesse momento, sem falar que eu sinto outra coisa. Ao redor dessa cidade, quatorze poderes muito maiores do que os nossos ou os de nossos inimigos estão se aproximando. Teoricamente, precisaríamos apenas distrair esses idiotas por algum tempo para obtermos a vitória... mas acho que as coisas não seriam tão simples assim, hm?

Sem dar tempo para que Zetsuko desse alguma resposta a isso o homem gentilmente a colocou no chão. A expressão dela ainda era de surpresa, mas o homem mostrou-se paciente e amistoso com ela; ele sentou-se a sua frente, sua expressão serena e sorridente... e então, do nada, deu uma cabeçada bem na testa dela. A cabeça de Zetsuko caiu para trás e ela caiu completamente no chão, nocauteada, enquanto ele se erguia esfregando a cabeça em dor. Absolutamente ninguém entendeu nada daquilo.

– Ei, mas o que... quê diabos... por que raios você fez isso? – Questionou Ulrock, esbaforido.

– Eu não quero que ela veja o que vai acontecer a seguir – respondeu o homem, caminhando calmamente em direção a Ulrock ao dizer aquilo. – Se ela ver como me desempenho em uma luta, ela vai contar pros outros, e então eles irão querer me colocar mais nas linhas de frente. Eu, pessoalmente, prefiro ficar mais nas linhas traseiras, aonde o risco de que alguém corte a minha cabeça é bem menor, sabe?

– Se você queria ficar nas linhas traseiras, talvez você não devesse ter vindo até aqui meu amigo! – Respondeu Ulrock, rindo das palavras do homem, aparentemente achando graça em tudo que constituía ele. Neshka, no entanto, não via essa graça. Esse homem... tem alguma coisa de errado com ele. Ele é perigoso. Sentia isso, sentia isso em seus ossos. – Ei... você disse uma coisa interessante, não disse? Algo sobre múltiplos poderes maiores do que os nossos estarem se aproximando.

– Sim, eu disse – concordou tranquilamente o homem, sorrindo de forma irônica. – Por que? Isso lhe dá medo? Não é tarde demais para girar nos calcanhares e correr pra fora daqui, se quiser.

– O S.O.M.B.R.A. nunca corre – respondeu Ulrock, estufando seu peito em orgulho antes de abrir um sorriso. – Apesar de que eu devo dizer... eu acho tudo isso um pouco divertido. Estou curioso para ver essas pessoas que são supostamente mais fortes do que nós. Mas parece que ainda mais demorar algum tempo antes que elas apareçam, não é? O que significa que terei de matar tempo com você por enquanto – estalou seus dedos e pescoço ao dizer aquilo e aproximou-se do homem com um passo ameaçador. – Você não tem problemas com isso, não é?

– Na verdade, tenho sim. E por mais que eu queria dizer que eles são por questões pessoais minhas, eles não são problemas meus, mas sim problemas seus. – Aquelas palavras confundiram um pouco Ulrock, fazendo com que ele subitamente parasse aonde estava e começasse a simplesmente olhar para o outro, perguntando-se do que ele estava falando. – Você vê, você tem um grande problema nisso. Se você me enfrentar, você infelizmente não poderá enfrentar essas pessoas poderosas que estão se aproximando, e o motivo por trás disso é simples, algo que você provavelmente já compreendeu, não é? – Sorrindo de forma um pouco debochada e com certo orgulho de si, o homem ergueu dramaticamente uma de suas mãos, apontando com seu indicador direto para o rosto de Ulrock. – Meu nome é Syd Ostrower, aquele que chamam de “o Invicto”. Eu sei quem você é, Ulrock “o Cometa Vermelho”, e permita-me dizer o seguinte; se você me enfrentar, sua chance de sair vivo dessa luta é de 0%.





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