O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 46
Jiazz VS Ishir


Notas iniciais do capítulo

Não tenho comentários para fazer aqui.

Sabem por quê?

Porque comentários aqui apenas lhes atrasariam de ver esse capítulo. E acreditem em mim, vocês querem ler esse capítulo.



SALTOU PARA UMA DAS PLATAFORMAS DE PEDRA QUE HAVIAM SOBRADO depois da destruição de Tamagura, graças ao confronto entre ele e Ishir. Tch... pensei que esse lugar seria capaz de aguentar mais do que isso considerando o quão grande a ilha era. Creio que é isso que ganho por superestimar um bocado de pedra. Ou subestimar meu oponente. Havia visto pouco ainda, mas pelo que ele já havia demonstrado sentia-se confiante o suficiente para afirmar com segurança que Ishir havia se tornado bem mais forte do que imaginou de início. Talvez – apenas talvez – ter dado aquelas Pílulas de Energia para ele não tenha sido a melhor das minhas ideias. Para ser sincero, tinha quase certeza que aquilo havia sido um erro, mas o fato de ter errado não lhe preocupava em nada, ao menos não perto da possibilidade de que não tivesse a oportunidade de errar de novo.

Ah, não, volte aqui seu pirralho de merda! – As palavras de Ishir trovoaram em meio ao caos que havia se estabelecido na ilha, e erguendo levemente o seu rosto Jiazz pode vê-lo; cercado por sua eletricidade como se ela fosse uma roupa ou armadura, Ishir avançava contra ele com uma velocidade fenomenal, destruindo tudo que entrasse em seu caminho sem deixar nem sequer migalhas para trás. – Eu estou te caçando por tempo demais, você não vai fugir de mim agora!

Rangeu seus dentes ao ouvir aquilo. Cara chato da porra esse. Vai ser difícil ir para a ofensiva enquanto ele estiver assim. O Deus Demoníaco jogou um de seus braços para trás, preparando-se para lançar outro soco contra Jiazz, e por sua vez o Juggernaut esperou tanto quanto pôde por esse ataque. Esperou até que seu oponente estivesse bem em cima dele, prestes a desferir seu golpe, e então flexionou rapidamente suas pernas e saltou para trás com toda a sua força, ganhando o ar enquanto deixava seu oponente destruir parte de uma daquelas várias plataformas com seu golpe. A velocidade dele aumenta bastante quando ele está cercado por sua eletricidade desse jeito. Ainda sou capaz de acompanha-lo até que bem, mas isso certamente é um pé no saco. Além do mais, essa eletricidade funciona como uma espécie de armadura; não posso ir pro mano-a-mano enquanto ela estiver ao redor dele. Lembrava-se bem dessa técnica, “Armadura do Raio Negro”. Ela foi criada por Ishir pouco depois da primeira vitória de Jiazz, feita para dificultar a vida do Juggernaut em futuros confrontos. Ela cumpria bem sua função, mas não era perfeita de forma alguma. Corpo-a-corpo é o meu foco, mas sou mais que decente em combate a longa distância também!

Chamas Divinas... – começou Jiazz, abrindo bem ambos os seus braços no ar. Viu Ishir investir novamente contra ele a toda velocidade, mas por mais que seu oponente fosse rápido, ele também era. Chamas douradas surgiram rapidamente em ambos os seus braços, envolvendo-os completamente, e sem perder tempo ele arremessou as ambas essas chamas na forma de duas ondas de fogo contra seu adversário. – DISPARO DOURADO!

Hunf. Ele acha que uma técnica tão básica assim vai me deter? Ishir não podia deixar de achar graça daquilo. Era hilário a forma como Jiazz podia provar-se repetidamente estúpido, como ele podia subestimar seus oponentes de novo e de novo. Hilário... e irritante. Você vai ver, pirralho. Eu vou lhe ensinar a levas isso a sério! Fechou seus punhos com firmeza e aumentou a força que dava a sua eletricidade, direcionando os esforços de sua armadura para a propulsão e aumento da velocidade enquanto ampliava sua força o bastante para que continuasse a ter uma boa defesa mesmo assim. Você vai se arrepender agora, Juggernaut! Impulsionando-se com todas as forças, o Deus Demoníaco encarou de frente as chamas de Jiazz, atravessando-as diretamente com tanta velocidade e com uma defesa tão forte que o fogo não pode nem sequer lamber sua pele, emergindo diante do Juggernaut num piscar de olhos. Jiazz ainda tentou montar algum de defesa, mas foi inútil; antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, o braço de Ishir já havia disparado, acertando a boca do estômago do Juggernaut com força o suficiente para fazer com que sangue saísse de seus lábios e seu corpo fosse arremessado longe.

Foi arremessado longe por aquele golpe numa velocidade tão assombrosa que nem foi capaz de compreender o que exatamente tinha acontecido até que suas costas explodissem contra o chão de pedra de uma das várias plataformas na qual a ilha havia se partido. Mas... que merda?! Seu corpo quicou ao ar depois de sua colisão, ainda completamente mole. Estava preocupado demais em tentar entender exatamente o que havia acontecido para que pudesse direcionar algum foco para parar seus movimentos. Ele atravessou minhas chamas e saiu ileso... como?! A armadura dele não deveria ser capaz de protege-lo a esse ponto, e além do mais, minhas chamas deveriam ser ainda mais eficazes contra ele do que o normal. Ele é parte demônio, não é? Sim, sabia que, tecnicamente, Ishir também era parte Deus, mas isso nunca havia interferido muito na efetividade de seus golpes. Eu sempre pensei que a parte demônio dele era mais pronunciada do que sua parte divina, o que fazia com que meus golpes fossem ainda mais efetivos do que o normal contra ele, mas depois dessa e do que ele disse antes, quando destruiu a cidade... estou achando que esse miserável descobriu alguma forma de tornar a sua parte divina mais forte do que a demoníaca!

Seu corpo colidiu novamente com a pedra, e dessa vez Jiazz mostrou uma reação; recuperou o controle de si mesmo e fez com que seu corpo girasse em meio ao ar no sentido contrário ao que estava sendo arremessado, de forma a diminuir um pouco o impulso que ainda tinha. Qualquer que seja o caso, mesmo que ele não esteja mais sofrendo dano extra nas mãos das minhas chamas, isso não muda nada! Tudo o que Ishir conseguia com aquilo era fazer com que ele sofresse um pouco menos com cada golpe de Jiazz, e isso apenas considerando que o Juggernaut não aumentasse o poder de seus ataques. Graças as pílulas que tomei, tenho energia o suficiente para investir tanto poder quanto eu quiser em meus ataques! Levou seus pés ao chão com tudo, firmando-se com força aonde estava, tão sólido quanto um rochedo. Da próxima vez, eu vou acertá-lo com um golpe realmente forte. Se apenas as “Chamas Divinas” não é o suficiente, então tudo que tenho de fazer é recorrer aos Mandamentos!

Ergueu seu rosto, seus olhos cheios de determinação... mas para sua surpresa, não viu um sinal sequer de Ishir.

Atrás de você, verme insolente!

Enquanto Jiazz estava ocupado e preocupado sendo arremessado longe e tentando entender o que havia acontecido, Ishir havia agido com esperteza. Previu mentalmente mais ou menos o local aonde ele deveria parar, e aproveitando-se de sua situação e velocidade moveu-se rapidamente para lá. Quando Jiazz havia firmado seus pés no chão, ele já estava bem preparado mais atrás dele. Tudo que teve de fazer foi investir rapidamente, antes que aquele idiota pudesse compreender a situação na qual estava... e isso havia lhe levado até onde estava, havia lhe deixado sobre Jiazz com um falcão sobre sua presa.

Sua perna se moveu com toda a velocidade, acertando um chute com todas as forças direto no pescoço do Juggernaut. Por si só, sua pura força bruta já era o suficiente para destruir uma montanha com um soco se quisesse fazer isso, mas ampliada como estava pela velocidade que sua eletricidade lhe dava, seus efeitos foram multiplicados várias vezes, fazendo com que seu golpe fosse forte o suficiente para que toda aquela enorme plataforma de pedra na qual estavam fosse imediatamente quebrada em pedaços ainda menores com aquilo, fissuras e rachaduras surgindo de imediato ao redor do Juggernaut enquanto os dois afundavam em uma cratera. Sorriu em satisfação..., mas seu sorriso não durou muito. Sentiu dedos fecharem-se ao redor de seu tornozelo, e isso fez com que voltasse imediatamente seu olhar para a cena com mais atenção. Nunca havia atingido Jiazz; antes que seu golpe tivesse chegado a atingi-lo, o Juggernaut havia erguido uma de suas mãos e bloqueado o ataque de Ishir com ela, e agora ele estava olhando de volta para o Deus Demoníaco, um sorriso arrogante e violento brilhando em seu rosto e em seus olhos.

– Ei, uma dica. – Disse calmamente ele, segurando a perna de Ishir com mais firmeza. Uma leve careta cruzou seu rosto quando a eletricidade de Ishir agiu sobre ele, mas não o suficiente para que o sorriso de Jiazz morresse. Merda... merda! Merda, merda, merda! Isso é muito mau! Tentou puxar sua perna das garras dele de forma quase que desesperada, mas isso não adiantou: o aperto de Jiazz era firme, e toda a sua luta não foi capaz de fazer com que ele sequer vacilasse. – Ataque primeiro antes de abrir o bico, Deus da Merda!

O Juggernaut levou sua segunda mão até a perna de Ishir também, sentindo a eletricidade atuar ainda mais sobre o seu corpo, mas não deixou que isso lhe detivesse. Você vai apanhar agora, seu bosta! Com um urro de guerra ele moveu seu oponente, erguendo o corpo de Ishir tão alto quanto podia no ar antes de jogá-lo com todas as forças de cara no chão, sem nunca soltar a perna dele. Outra cratera foi formada pelo golpe e o chão foi pintado de vermelho, mas Jiazz não se importou; sem parar, ergueu novamente o Deus Demoníaco e explodiu as costas dele na pedra do lado oposto, tendo assim uma bela visão do rosto ensanguentado dele. Depois, sem hesitar, puxou o corpo dele ainda mais, arrastando-o em meio as pedras até arremessa-lo pela ilha fraturada com todas as suas forças. Fechou os olhos, respirou fundo por um instante, dobrou suas pernas tanto quanto pode e então investiu em perseguição ao seu oponente, sua investida sendo tão poderosa que tudo que havia sobrado do pedaço destruído no qual estava antes foi destruído de vez por ela.

Correu como o vento com todas as suas forças, o corpo de seu oponente sendo a única coisa na qual se focava. Enquanto ainda corria viu o momento em que Ishir se recuperou da sequência de golpes, balançando sua cabeça e voltando-se irritado para Jiazz. Um urro furioso veio da garganta do Deus Demoníaco, fazendo com que toda a eletricidade ao redor de seu corpo ganhasse um súbito aumento de força. Ele girou rapidamente para trás, cravando seus pés no chão de forma a parar seu próprio corpo, e sem perder tempo ele ergueu seu rosto para acompanhar os movimentos do Juggernaut, já preparado para defender-se, mas era tarde demais; a investida de Jiazz havia lhe permitido cobrir muito chão antes que seu oponente pudesse se recuperar, e antes que Ishir tivesse a chance de fazer qualquer coisa ele saltou contra ele, abrindo bem seus braços, suas mãos fechadas em punhos tão duros que mais pareciam duas marretas de pedra.

Moveu seus punhos com uma incrível. Eles atingiram Ishir na cabeça, um de cada lado, esmagando o crânio do Deus Demoníaco entre eles com tanta força que foi capaz de ouvir o som de ossos se quebrando. Isso foi mais do que o suficiente para fazer com que o seu tão perigoso oponente ficasse completamente desnorteado; quando afastou novamente seus punhos Ishir estava completamente grogue, com sangue escorrendo da sua boca e de seu nariz, tonto como um bêbado, sua guarda completamente aberta. Um leve sorriso surgiu em seu rosto ao ver aquilo. Perfeito. Fique assim, Ishir. Enquanto você se ocupa em tentar se manter de pé, eu me ocupo em abrir um buraco no seu peito!

Jogou seu braço direito para trás, e quase que imediatamente ele foi envolvido por suas chamas douradas. Elas o encobriram por completo, e uma vez que todo o seu braço foi coberto por suas chamas, Jiazz começou a alterar a constituição delas. Fez com que o fogo divino que usava em batalha assumisse uma forma sólida, adequando-se de acordo com o seu corpo e a sua vontade. Por um momento, seu braço direito brilhou de forma tão reluzente que ele era quase cegante, para que então esse brilho morresse e revelasse a armadura dourada que havia revestido seu braço, grossa e pesada, feita de puras chamas sólidas. A essa altura, Ishir estava se recuperando de seu golpe anterior, mas já era tarde demais para que o Deus Demoníaco pudesse fazer algo para mudar seu destino.

Segundo Mandamento do Deus do Fogo... – bateu seu pé no chão para firmar com tanta força que sentiu a pressão de sua pisada e viu pedras e folhas próximas sendo arremessadas aos ventos por isso. Mesmo com o peso da armadura somada ao seu próprio, seu braço disparou contra Ishir com uma velocidade muito além da hipersônica. O impacto do golpe pareceu fazer com que o mundo parasse por um momento; por um instante, tudo que existiu foi o brilho do fogo aos seus olhos, o grito de dor e desespero aos seus ouvidos e o som de carne queimando às suas narinas. – Ignis Brachium!

O corpo de Ishir foi completamente isolado tanto pela força do golpe quanto pela força das chamas de Jiazz, chamas essas que se desfizeram da armadura no momento do ataque para focarem-se totalmente na ofensiva, investindo também contra seu oponente, sendo as responsáveis por deixa-lo tão queimado quanto ele estava. Diante delas e da pura força bruta que tinha, Ishir foi jogado, arremessado longe com uma velocidade tão grande que a terra abaixo dele se abria por onde ele passava. Viu pessoalmente o corpo do Deus Demoníaco cruzar uma floresta ao longe, derrubando várias das árvores dela enquanto abria caminho, para em seguida encontrar-se com uma montanha. Pensou que ele iria parar ali, mas isso só fez mostrar que até mesmo o próprio Jiazz subestimava a força de sua técnica. Ishir colidiu em cheio com a montanha, sim, mas a força com a qual ele foi isolado era tanta que ele facilmente atravessou toda aquela camada de rocha pura até emergir do outro lado, e continuou seguindo mesmo depois disso! Não pode deixar de assoviar por um instante ao ver aquilo, admirado consigo mesmo. Bom, bom, muito bom. Nunca tive uma chance de realmente testar os Mandamentos antes disso, mas pelo que estou vendo até aqui, estou bem satisfeito com o poder das minhas técnicas. Isso dito, conhecia seu oponente há tempo o suficiente para saber que que só aquilo nunca seria o bastante para dar fim a Ishir. Mas não vou reclamar, pensou Jiazz, flexionando e dobrando suas pernas, cruzando seus braços à frente de seu corpo, ambas as suas mãos abertas; assumindo a postura de seu próximo ataque. Isso me dá a chance perfeita de ver o real poder dessas belezinhas!

Terceiro Mandamento do Deus do Fogo... – começou ele, fazendo com que chamas douradas surgissem em ambos os seus braços ao dizer aquelas palavras. Elas vieram de imediato, envolvendo-os por completo, mas ao invés de solidifica-las na forma de alguma armadura como havia acabado de fazer, o que Jiazz fez foi mover todas essas chamas e concentra-las na palma de suas mãos. – Grande Nova!

Uma pequena esfera constituída unicamente de chamas douradas surgiu em cada uma das mãos de Jiazz quando aquelas palavras foram ditas, esferas essas pequenas, mas contendo uma quantia imensa de poder que só fazia aumentar a cada instante que passava, conforme Jiazz ia colocando mais e mais energia nelas. Uma versão enfraquecida desse golpe quando eu estava usando apenas 10% do meu poder foi o suficiente para derrotar completamente um Primeiro Cavaleiro do Salão Cinzento. Lembrou-se de sua luta contra Maoh ao pensar nisso; na época não havia nem se dignado a dar o nome de “Mandamento” para sua técnica, chamando-a apenas de “Chamas Divinas”, simplesmente pois aquilo não fazia jus ao poder da sua verdadeira técnica. Mas agora... agora estava realmente usando o Mandamento. Eu me pergunto... quanto dano essa técnica vai fazer em você agora que estou lutando a sério? Hein? ISHIR DAEMON!

QUEIME NO INFERNO, DEUS DEMONÍACO DO RAIO NEGRO! – Foi o que Jiazz berrou com todas as suas forças. Em uma fração de segundos ele descruzou ambos os seus braços, jogou-os para trás e depois impelir ambos para frente com tudo, arremessando ambas as esferas na direção de seu oponente. No início, ambas eram pequenas, minúsculas, aparentemente inofensivas..., mas então, subitamente, o tamanho de ambas dobrou. E triplicou. Depois quintuplicou, e por fim, ambas as esferas fundiram-se em uma única esfera maior, cujo tamanho então aumentou em vinte vezes. Ao fim de tudo, o que antes era apenas duas minúsculas esferas se transformou numa massiva bola de fogo com mais de trezentos metros de diâmetro, tão destrutiva que a montanha que Ishir havia atravessado antes se desintegrou instantaneamente quando a Nova lhe tocou. Hahaha, é disso que estou falando! Com um sorriso confiante no rosto, Jiazz apenas assistia à destruição que seu ataque causava, completamente satisfeito. Lide com isso, Ishir!

Em meio ao ar, com seu peito completamente quebrado, sua mente quase que consumida pela dor e uma fúria infinita ardendo em seu interior, Ishir Daemon simplesmente não podia aceitar o que havia acabado de acontecer. Maldição... MALDIÇÃO! Havia passado muito tempo treinando – ele, o Deus Demoníaco! – Para derrotar seu oponente. Havia aperfeiçoado cada técnica do seu arsenal e criado algumas outras, ampliado suas forças tanto quanto podia. Não havia feito todo aquele esforço para isso. Não havia caçado o Juggernaut por tanto tempo para ser derrotado assim! Maldito seja, Jiazz! Eu não vou aceitar isso! EU NÃO VOU PERDER!

Raios fluíram de seu corpo em uma intensidade anormal, movidos pela fúria que ardia em suas veias, e usando de seus poderes Ishir parou a força que lhe lançava para longe e endireitou-se da melhor forma que pode. Nem bem teve tempo de fazer isso e estalar seu pescoço, algo chamou sua atenção no horizonte; uma gigantesca bola de fogo dourada que avançava rapidamente em sua direção, destruindo tudo que tocava. Uma bola de fogo, hum? Um presentinho de Jiazz, sem dúvida. Normalmente tomaria ataques como aquele como um insulto, mas pelo que podia ver, esse era mais poderoso do que o último. Bem mais poderoso. Não posso simplesmente atravessar essa bola de fogo. Mesmo usando de sua velocidade máxima e tornando sua armadura o mais forte possível, Ishir iria sair ferido demais caso tentasse forçar-se através daquilo para que o esforço valesse a pena. Sendo assim, acho que vou ter de recorrer a métodos um pouco mais sofisticados. Se não posso simplesmente ignorar essa merda, então eu vou fazer com que ela deixe de existir!

Estendeu ambas as suas mãos a frente de seu corpo, posicionando-as diante de seus olhos. Ambas estavam abertas, a palma de uma voltada para a outra, seus dedos meio curvados, como se estivesse segurando algo. Concentrou sua energia nessas palmas, sentindo seu poder fluir por suas veias até reunir-se ali em quantidades tão grandes que pouco a pouco foram-se visíveis diversos feixes elétricos em suas mãos, feixes esses que estavam moldando-se até assumirem a forma de pequenas esferas de pura energia elétrica negra. A bola de fogo de Jiazz estava cada vez mais perto, mas não deixou que ela lhe fizesse se precipitar; com cuidado aproximou suas mãos uma da outra, deixando-as próximas o suficiente para que as esferas de energia em cada uma delas pudessem ser atraídas uma a outra e se fundissem em uma única esfera maior. Isso. Assim. Com calma. Tenho de tomar cuidado; se eu me precipitar aqui, essa coisa vai explodir no meu rosto. A esfera de energia em suas mãos parecia ter vida própria, pulsando intensamente como se quisesse de libertar da prisão que eram as mãos de Ishir, mas não deixou que ela escapasse assim tão facilmente. Com suas mãos bem fechadas ao redor dela ele aguardou e aguardou, bem pacientemente.

E foi só quando a bola de fogo de Jiazz estava bem diante do seu rosto, prestes a lhe atingir, que ele liberou toda aquela energia.

Tempestade Negra!

Afastou suas mãos de uma só vez, e quando fez isso toda a energia que havia concentrado naquela esfera foi libertada com toda a sua força e fúria. Raios negros fluíram violentamente para todos os lados, criando uma nuvem negra de raios em meio ao ar que era tão destrutiva e poderosa que até mesmo o mar ao redor de Ishir se abriu perante a ela. Mas não foram os raios que lidaram com a bola de fogo, não. A voltagem e o calor dos raios liberados naquela técnica eram tão grandes, tão fortes, que Ishir simulou um verdadeiro raio naquele instante... com seu poder ampliado em no mínimo dez vezes. Seu ataque gerou um estrondo – um verdadeiro trovão – e esse mero trovão foi o suficiente para fazer com que a bola de fogo de Jiazz se desfilasse em absolutamente nada. Respirou fundo depois disso e quase que imediatamente se arrependeu dessa decisão; seu peito ainda estava queimado pelo golpe anterior de Jiazz, e isso significava que seus pulmões estavam, no mínimo, em um péssimo estado. Sentir isso, no entanto, apenas fez com que Ishir se recordasse dos golpes que o Juggernaut havia lhe atingido momentos atrás, e isso por sua vez apenas fez com que ele ficasse ainda mais furioso. Juggernaut... você não vai me derrotar. Eu perdi para você dezessete vezes no passado. Não terá uma décima oitava! Todo o seu corpo se esticou e se estalou para batalha; seu pescoço se estalou de forma audível em preparação, seus olhos tornaram-se completamente negros, a intensidade da eletricidade que lhe cercava aumentou ao ponto de fazer com que parecesse que uma pequena tempestade estava ocorrendo ao redor dele e um grito de guerra veio de sua garganta.

– Minha mãe era uma Deusa. Meu pai era um Demônio. Meu sangue é divino e amaldiçoado, minha herança é de heróis e lendas. Meus poderes são um mito, meu corpo é perfeito, meu espírito é divino e demoníaco, melhor do que o de qualquer homem ou mulher que pisou nessa terra imunda. Eu sou superior, uma criatura superior, o precursor de uma raça mais forte, mais rápida e mais inteligente! Do meu nascimento até o meu último suspiro, eu sou eternamente superior a qualquer coisa que a humanidade de merda pode vir a alcançar; sou a maior graça que esse mundo já viu, simplesmente por existir! – Sabia que Jiazz não devia estar ouvindo aquilo, mas não importava. Tinha de dizer aquilo. Tinha de jogar aquelas palavras para fora. Tinha que deixar claro a sua superioridade ao mundo. – EU SOU ISHIR DAEMON, DEUS DEMONÍACO DO RAIO NEGRO! SOU A PERSONIFICAÇÃO EM CARNE E OSSO DO PODER E DA SUPERIORIDADE, E QUEM QUER QUE TENTE ME ENFRENTAR VAI QUEBRAR DIANTE DE MIM!

Disparou de uma vez ao dizer aquelas palavras, a uma velocidade tão grande que o mar, céu e terra se abriram em dois por onde ele passava, como se estivessem se curvando perante a sua grandiosidade. Com um punho estendido e raios negros ao seu redor, a intenção de Ishir era uma única:

“O Juggernaut vai quebrar”.

Ainda na ilha Tamagura, no mesmo lugar em que esperava antes, Jiazz estava de braços cruzados, apenas esperando por seu oponente. Duvidava que apenas as Grandes Novas fossem ser o suficiente para dar fim a Ishir, mas estava começando a considerar se essa possibilidade improvável havia realmente acontecido. Ele está demorando para voltar. Bem mais do que eu havia imaginado. Seria possível que ele realmente não tivesse conseguido reagir a elas? Que as Novas tivessem transformado seu corpo em pó? Isso não seria completamente improvável, creio eu. As Novas se mostraram bem poderosas antes contra Maoh, e o Ignis foi bem mais forte do que eu pensei que seria inicialmente. Ainda assim... me parece meio tolo da minha parte assumir que Ishir pudesse ser derrotado assim tão facilmente. Além de que, seria meio que anticlimático caso ele fosse derrotado dessa forma.

No entanto, logo viu que estava se preocupando atoa. Olhou para o horizonte e viu Ishir, avançando a toda velocidade em sua direção – ele ainda estava distante pelo que podia ver, mas considerando a velocidade que ele estava demonstrando, seriam meros segundos até que ele alcançasse o Juggernaut.

Um leve sorriso ganhou novamente o rosto de Jiazz ao ver aquilo. Ah, aí está ele! Tinha de admitir, tirava mais satisfação do que devia em saber que seu rival estava vivo. Tinha alguns poucos segundos antes que seu oponente caísse sobre ele, e decidiu que iria usar esses segundos da melhor forma possível. Firmou seus pés no chão com todas as suas forças e alterou toda a sua postura, entrando em guarda e preparando-se para o iminente ataque de Ishir.

No entanto, no instante em que o Deus Demoníaco estava prestes a alcança-lo, Ishir simplesmente desapareceu da sua vista.

A surpresa foi tanta que sua boca se abriu, um xingamento surpreso prestes a escapar de seus lábios, mas ao invés disso o que escapou deles foi uma exclamação de dor. Sentiu uma dor gritante em suas costas; sentiu sua carne ser perfurada e algo atravessando-a até alcançar seus próprios ossos, cravando-se no interior de seu corpo, na parte de trás de sua barriga. Sangue fluiu de seus lábios, e com alguma dificuldade Jiazz virou seu rosto para trás afim de ver o que ele já podia imaginar ser. Atrás dele, com um sorriso cruel no rosto e sede de sangue nos olhos, Ishir Daemon estava triunfante e profundamente satisfeito, seu punho direito sendo o responsável por abrir um rombo nas costas do Juggernaut que lhe permitia alcançar até sua espinha dorsal.

– Segui seu conselho, Juggernaut – sussurrou ironicamente Ishir às suas costas. – Ataquei primeiro antes de falar.

Seus dentes rangeram ao ouvir aquelas palavras. Miserável... como... como ele conseguiu fazer isso?! Com seus poderes e principalmente sua armadura de eletricidade, Ishir realmente deveria ser mais rápido do que Jiazz, mas a diferença entre os dois não deveria ser tão grande. Deveria ser capaz de acompanhar os movimentos de seu oponente, bem como de reagir aos golpes dele. Para desaparecer da minha vista e me atingir sem que eu conseguisse acompanhar seus movimentos... ele não deveria ser tão rápido assim!

– Maldito seja, Ishir... – resmungou Jiazz, encarando seu oponente com verdadeiro ódio enquanto falava. – Como você fez isso? Como voc-

Nem teve a chance de terminar sua frase. Enquanto ainda estava falando Ishir girou seu punho ainda dentro de Jiazz, fazendo com que um grunhido de dor escapasse do Juggernaut e com que sua postura vacilasse, seu torso pendesse pra frente. Mesmo sem olhar para trás ele quase que pode ver o sorriso no rosto de Ishir, tão claro que estava a imensa satisfação que ele tirava daquilo.

– Shhhh... – fez ele, zombando de Jiazz. – Poupe suas forças, Juggernaut; você vai precisar delas, sabia? Aqui, sei que você me deu todas aquelas dicas sábias e tudo mais, mas creio que vou ter que faltar a elas para te avisar disso. Escute com bastante atenção, sinto que isso vai ser bem importante. Eu irei lhe dar um choque agora, Jiazz... e a potência desse choque... será um bilhão de volts!

Seus olhos se arregalaram completamente ao ouvir aquilo. Tentou fugir de imediato, mas Ishir não lhe deixou escapar; assim que notou que o início de seus movimentos o Deus Demoníaco foi bem rápido em segurar a espinha dorsal de Jiazz com sua mão, causando-lhe ainda mais dor e parando seus movimentos. Sentiu os primeiros choques correrem por seu corpo – esses extremamente leves, apenas uma leve preparação para o que estava por vir – e ouviu a gargalhada de seu oponente atrás de si, ressoando tenebrosamente em seus ouvidos.

E então, o verdadeiro choque veio.

Fúria Eterna do Deus Demoníaco!

A Ilha Tamagura tinha um diâmetro total de mais de oitocentos mil quilômetros quadrados. Esse era um tamanho comparável ao de um país, e depois de quebrada durante a luta, sua área havia até se ampliado um pouco devido à distância que surgiu entre as várias partes quebradas da ilha. Isso não fez diferença. A onda de eletricidade que emanou daquele golpe de Ishir foi tão grande e poderosa que os raios originados do Deus Demoníaco não só cobriram toda a ilha como também agiram fora dela, fazendo com que uma grande parte do mar ao redor da ilha simplesmente desaparecesse, tanto devido à pressão que o ataque exercia quanto devido à força absurda dele ser capaz de facilmente derreter qualquer líquido próximo até que não sobrasse nada. Por um longo momento, toda a Ilha de Tamagura se transformou em uma ilha de raios violentos na qual o som de trovões se ouvia a cada instante.

Mas mesmo com esses sons constantes, os gritos de dor do homem mais forte do Sul ressoavam ainda mais altos.

O Juggernaut gritava com todas as forças para o deleite de Ishir. Gritava mais do que uma garotinha, como uma criança que apanha, em dor e desespero infinitos, e diante disso Ishir gargalhava quase que loucamente, imensamente satisfeito. Isso! Grite! Sofra! Chore! Vamos, Juggernaut! Você não é arrogante? Não é o melhor? Você não parece tão forte agora, verme insolente! Manteve sua Fúria ativa por sessenta segundos, e por sessenta segundos o Juggernaut gritou sem parar. Foi só depois desse tempo que se deu por satisfeito, e tão rapidamente quanto aquilo começou, sua eletricidade também parou.

Assim que as descargas elétricas tiveram um fim o Juggernaut silenciou-se completamente. Seu corpo agora estava bambo na mão de Ishir; antes ele demonstrava alguma resistência, alguma vida, mas agora quaisquer traços disso estavam perdidos. Sem nunca deixar de sorrir o Deus Demoníaco soltou a espinha dele... mas ao invés de apenas retirar sua mão, ele foi mais além: apenas moveu sua mão um pouco para o lado e concentrou-se um pouco, fazendo com que eletricidade fluísse para seu braço e concentrasse-se na palma da sua mão.

Canhão de Raios! – Gritou ele no mesmo momento em que disparava de sua mão dentro do corpo do Juggernaut uma rajada destrutiva de pura energia elétrica. A rajada negra abriu facilmente um buraco do outro lado do corpo do Juggernaut, seguindo para em frente até atingir uma montanha distante que foi imediatamente transformada em pó por seu ataque. Rios de sangue fluíram para fora do Juggernaut pelo buraco que havia acabado de abrir, mas nem mesmo isso arrancou alguma outra reação dele, e isso tirou um pouco da graça de tudo aquilo. Tch. Parece que ele está realmente acabado, não é? Se era realmente esse o caso, então estava apenas perdendo tempo com aquilo.

Retirou sua mão do Juggernaut, assistindo com leve interesse à medida que o corpo dele caia – primeiro de joelhos, depois de cara no chão. Graças ao choque sua pele havia ganhado um tom enegrecido, e similarmente ele podia ver fumaça fluindo do corpo de Jiazz ao mesmo tempo em que sentia o cheiro de carne queimada vindo dele. Que isso sirva de lição, seu merda. Nunca se julgue igual a alguém tão grandioso quanto eu. Cuspiu no cadáver queimado de seu oponente e deu-lhe as costas, caminhando para fora daquela ilha com as mãos no bolso.

E foi então que ouviu aquilo. Aquela leve gargalhada, seguida por aquelas palavras.

– Creio... creio que isso coloca o placar em 17 a 17, não é?

Seus olhos se arregalaram. Suor frio correu por seu rosto. Não... isso... isso não é possível! Virou-se rapidamente e nem mesmo assim pode acreditar no que via; com grandes dificuldades, Jiazz estava forçando seu corpo a se erguer, enquanto as chamas douradas do Juggernaut ardiam ao redor dele, como se estivessem queimando-o completamente... só que elas estavam curando-o!

– Não... não, não, não! – Recuou um passo para trás, assustado, abismado. – Isso não pode ser verdade... você está morto! Você deveria estar morto, caralho! Como você está vivo?! Que tipo de monstro de merda é você?!

Ele não respondeu de imediato. Lentamente, Jiazz o Juggernaut se ergueu até sua totalidade, estalando braços, mãos e pescoço enquanto o fazia. O buraco em sua barriga desapareceu rapidamente perante às chamas douradas dele, e o tom enegrecido que sua pele havia assumido graças ao choque deu lugar a sua pigmentação natural. Quando ele voltou-se para Ishir ele trazia um sorriso arrogante e confiante no rosto, e o único sinal que ele trazia de que havia sofrido tudo aquilo momentos atrás eram leves traços de sangue em seu rosto.

– Eu sou o Juggernaut, o homem mais forte do Sul, bem como aquele que vai ser um dia o homem mais forte que esse mundo um dia já viu! – Disse ele, voltando seu olhar totalmente para Ishir, encarando-o direto nos olhos. – Você realmente achou que míseros um bilhão de volts seriam o suficiente para me matar, Ishir? Tolo! Um bilhão de volts... isso não mata nem minhas pulgas, seu Deus Demoníaco de Merda!

Seus dentes rangeram no exato instante em que ouviu aquilo. Seu miserável... gorila supercrescidos de merda! Não ouse zombar de mim! Não ouse! Fechou seu punho e aumentou ainda mais a potência da eletricidade de sua armadura elétrica, pronto para avançar com tudo contra ele..., mas no último momento a realização do que estava acontecendo ali veio a sua mente, e isso fez com que parasse bem a tempo. Não. Não posso fazer isso, não posso ser imprudente assim. Esse idiota... ele está brincando comigo. Jiazz conhecia o orgulho que Ishir tinha por sua força e o quanto ele odiava perder ou ser menosprezado, e era exatamente por isso que ele estava fazendo aquilo; ele estava provocando-o diretamente, tentando induzir o Deus Demoníaco a avançar contra ele sem pensar para que tivesse a chance de lidar com ele. Não vou cair nisso. Isso não vai funcionar comigo, Juggernaut!

Colocou lentamente seu corpo em uma posição de luta, preparado para reagir a qualquer ataque que o Juggernaut pudesse jogar contra ele enquanto sua mente trabalhava. Esse cara... por mais que ele esteja tentando passar a impressão de que isso não foi nada, ele deve ter sofrido grandes danos com meus golpes. Afinal de contas, o choque que havia lhe dado tinha uma potência de um bilhão de volts! Por mais resistente ou inumano que ele pudesse ser, ninguém conseguia escapar ileso de um golpe tão poderoso assim. Além do mais, a primeira coisa que ele disse – antes mesmo de se levantar – foi que “agora estávamos 17 a 17”. Isso significa que ele reconhece uma derrota da parte dele nesse nosso último confronto. Isso era algo importante de se manter em mente. A essa altura, ele já deve estar completamente recuperado dos golpes anteriores devido às suas chamas douradas, mas não faz mal. O que importa é que ele sofreu grandes danos com isso, o que significa que um bilhão de volts é capaz de derrubá-lo, ainda que não seja suficiente para mata-lo. Podia usar aquela voltagem em seus ataques novamente. Na verdade, se bem quisesse, podia usar uma voltagem ainda maior do que aquela sem problema nenhum. Você é apenas capaz de sobreviver a um golpe de um bilhão de volts. Eu me pergunto, Jiazz o Juggernaut... você é capaz de sobreviver a um golpe que carrega uma potência de dez bilhões de volts?

– Sabe, você realmente deveria deixar de ser tão dependente dessas coisas, Ishir. – As palavras súbitas cortaram o silêncio e fizeram com que uma das sobrancelhas do Deus Demoníaco se erguesse quase que de imediato, sem entender o que isso deveria significar. Jiazz, por sua vez, não se deu a muito trabalho de explicar aquilo; ele apenas girou e estalou o pescoço para depois erguer uma de suas mãos e apontar com ela de forma displicente para o peito de Daemon. – Seus poderes?

Continuou sem entender mesmo com aquela explicação. Olhou para seu peito; ele estava perfeito, tal como imaginava. Por mil infernos, do que esse idiota está falando? Quando ergueu novamente o olhar para ele, Jiazz estava balançando a cabeça de um lado para o outro como se estivesse desconsolado, e isso só fez com que se sentisse ainda mais irritado por aquilo.

– Você é bem dependente dos poderes que seu sangue lhe dá, Ishir – esclareceu ele, parecendo sério ao dizer aquilo... ou ao menos tão sério quanto um idiota como ele podia parecer. – Você possui o sangue de um antigo Demônio do Trovão, o que significa que você possui habilidades relacionadas a eletricidade. Nada de mal nisso, mas absolutamente todas as suas habilidades e estilo de luta são dependentes dessa eletricidade. Se você por algum motivo perdesse essa eletricidade em algum momento, você teria no máximo um décimo do seu poder real de batalha disponível. O mesmo vale para coisas como a sua habilidade regenerativa. Seu corpo se regenera muito rápido de ferimentos que você sofre, como o fato de você não trazer mais marcas do meu último golpe prova. Novamente, nada contra isso. Mas esse conhecimento faz com que você seja descuidado, descuidado demais. Quero dizer, olho só; eu lhe dei um baita soco algum tempo atrás, e mesmo aqui você procura manter um combate de curta distância contra mim, quando você é completamente capaz de se desempenhar bem em um combate a média ou longa distância.

– ... Espera um pouco. Eu estou sendo censurado por ser dependente das minhas habilidades naturais? Por você? HÁ! Você é um grande hipócrita fodido, hein, Jiazz? – Gargalhou ao dizer aquilo, tanto numa tentativa de provocar Jiazz quanto numa tentativa de esconder o fato de que ele havia conseguido lhe deixar levemente irritado com aquilo. – Você é o último que pode falar disso, seu hipócrita de merda! Ou se esqueceu disso? Toda a força que você tem, ela não foi obtida através de esforço e trabalho duro! Você nasceu, e simplesmente por isso você é forte. Eu uso habilidades naturais minhas, mas você é as suas habilidades naturais.

– Verdade, mas você há de concordar que eu não posso simplesmente escolher perder toda a minha força natural, não é? – Contrapôs Jiazz, sem parecer se incomodar por aquilo. – Existem pessoas que nascem com talento. Existem pessoas que nascem naturalmente mais rápidas, ou mais fortes, ou mais espertas, ou até mesmo mais sortudas. Cada um nasce de uma forma, muitos tendo por puro nascimento coisas que outros não terão nunca, por mais que se esforcem. No meu caso, eu nasci muito mais forte do que a maioria das pessoas pode sonhar se tornar um dia. Isso não é justo, concordo, mas a vida não é justa, e não é como se alguém pudesse fazer algo quanto a isso ou se eu tivesse culpa de algo assim. Além do mais, por mais que a minha força seja natural, todo o resto é proveniente do meu próprio trabalho.

– Todo o resto? – Suas sobrancelhas se franziram ao ouvir aquilo. – Do que você está falando?

– De tudo – respondeu simplesmente Jiazz. – Olhe pra você e olhe para mim, Ishir, e você verá a diferença. Somos ambas pessoas agraciadas desde nosso nascimento, mas nossos caminhos são diferentes. O que fizemos com nossas habilidades e o que desenvolvemos é completamente diferente. Você, embora tremendamente forte, é um desconhecido para o mundo. Você enche a boca pra se chamar de “Deus Demoníaco do Raio Negro”, mas esse é apenas um título que você deu a si mesmo, sem valor real. Ninguém te conhece. Ninguém sequer sabe que você existe. Você não significa nada... e você também não fez nada. Você está vivo há mais de um século, mas mesmo assim foi incapaz de deixar sua marca, de mudar alguma coisa, de influenciar o mundo de alguma forma. Você não tem um objetivo, uma meta, uma missão. Você não tem fama, ou dinheiro, ou qualquer tipo de bens. Você não tem família ou amigos. Você não tem nada.

“E olhe agora o contraste que isso estabelece comigo. Apesar da minha força extrema, eu fui muito menos agraciado com você. Não nasci com minha Aloeiris, ou com uma habilidade de regeneração. Essas são coisas que obtive e criei através do meu próprio esforço. Eu criei minha fama; vá a qualquer canto do mundo e pergunte sobre o Juggernaut, e alguém lhe contará alguma história sobre mim. Sou rico, também. Obtive muito dinheiro com meus trabalhos mercenários, e embora eu não seja esperto o bastante para investir isso de forma segura, eu sou ao menos inteligente o suficiente para guardar meu dinheiro em vários bancos. Tenho bens, também; tenho casas em pelo três cidades de Fredora, e nesse exato momento alguém em uma outra cidade está procurando pelo prédio ideal para comprar em meu nome e realizar algumas modificações para que meus planos possam ser executados. Criei amigos e aliados em minhas viagens, e esses são leais a mim; você viu uma demonstração da lealdade deles antes quando nos reencontramos. Eu os ajudei e morreria por eles, e em gratidão a isso, eles morreriam por mim. E também tenho meus objetivos... sim, vários objetivos. A maioria deles, francamente, não diz respeito a você e não são coisas que eu vou lhe contar, mas deixe-me lhe dizer o que posso; um dos meus objetivos é derrotar as pessoas mais poderosas desse mundo. Xelia Sunfyre. Ember Vyhler. Selene Winterglow. O Grande Panda. Ragnarok. Loki Vyhler. Odin Wynthers. Balak Hauss. Azel Royes. E, claro, você. Eu irei derrotar todos. Em um momento ou outro, eu irei derrotar cada um dos que são considerados os mais fortes, e depois disso eu serei soberano. Eu derrotarei cada um deles, e depois disso, eu, Jiazz o Juggernaut, serei o mais forte!

Seu corpo tremeu, seus dentes rangeram, seus olhos se afiaram. Cada vibra do seu ser sentia mais e mais vontade de obliterar completamente aquele miserável, e era apenas o seu bom-senso que ainda lhe segurava..., mas até mesmo o seu bom-senso tinha lá seus limites, e seu oponente estava testando-os cada vez mais.

– E além do mais – começou o Juggernaut, a arrogância presente em cada palavra e gesto, olhando para Ishir com um ar de espertalhão e de superioridade que era simplesmente enfurecedor. – Nem toda a minha força é natural.

Sua sobrancelha tornou a se erguer ao ouvir aquilo. E do que raios ele está falando agora? Esse maldito idiota já fez um discurso gigantesco agora a pouco. Ele ainda tem algo a dizer, mesmo depois disso tudo?

Aparentemente, sim.

– Durante toda a minha vida eu tenho lutado, Ishir – disse Jiazz, erguendo uma de suas mãos e fechando-a em um punho diante de seus olhos. – Contra você. Contra mercenários. Contra exércitos. Contra bandidos. Contra bestas selvagens. Não importa. Eu estive sempre lutando, constantemente. E eventualmente eu notei isso; eu fico mais forte com cada luta. Não de uma forma normal, veja bem. É algo óbvio que todas as pessoas ficam mais fortes depois de uma luta, seja devido a experiência, seja devido a superação de limites, seja por “n” motivos. Mas eu... eu fico consideravelmente mais forte depois de cada luta. O meu poder, os meus atributos, eles crescem sempre que eu luto. Depois de cada luta que travo eu me torno mais literalmente mais poderoso do que antes, e quanto mais difícil é essa luta, maior o aumento de poder que ganho dela. Lutas em que eu saio bem ferido, por exemplo, são as que mais aumentam o meu poder, sabe? Lutas das quais eu saio quase morto... elas me deixam monstruosamente poderoso, Ishir.

Por longos momentos não entendeu o que isso deveria significar para ele. Continuou encarando Jiazz com uma sobrancelha erguida, querendo explicações melhores, mas o Juggernaut não lhe ofereceu mais nada; ele apenas ficou parado bem onde estava, de braços cruzados, um sorriso afiado em seu rosto enquanto ele olhava para Ishir, como se estivesse esperando que ele entendesse seu ponto. Pouco a pouco isso foi fazendo com que o Deus Demoníaco ficasse ainda mais irritado e frustrado, que sua paciência fosse se esgotando e que a vontade de simplesmente avançar com tudo contra ele crescesse mais e mais..., mas foi então que a compreensão caiu sobre ele, e quando isso aconteceu, tudo mudou. Seus olhos se arregalaram. Seu corpo tremeu – não de fúria, mas de medo. Sua garganta secou e suor frio correu pelo seu rosto até que pingasse em gotas gordas para o chão.

E foi quando viu isso que Jiazz se deu finalmente por satisfeito, abrindo um sorriso digno de um demônio, seus dentes brancos e afiados parecendo ganhar um brilho de predador.

– Finalmente entendeu, Ishir? – Questionou retoricamente, já sabendo bem a resposta. – Deixe-me apenas fazer uma rápida correção, sim? Um bilhão de volts não matará nem as minhas pulgas de agora em diante.

Não teve reação depois daquilo. Isso é.... impossível. Ele não pode estar falando sério! .... Pode? Se o poder de Jiazz realmente crescesse tanto assim com lutas quanto ele sugeria, então estava perdido. E se eu não me engano, eu sempre notei realmente uma certa diferença no poder dele depois de cada luta que tínhamos. Era esse um dos motivos pelo nosso constante impasse. Eu lhe derrotava em um momento, e então ele me derrotava em outro momento. Isso explicava muita coisa..., mas ao mesmo tempo, fazia com que muito não fizesse sentido. Eu... eu também me lembro de ocasiões nas quais nos enfrentamos por várias vezes e eu não notei uma diferença tão significativa nos poderes dele. Um exemplo bom disso é a primeira vez em que nos encontramos. Derrotei ele cinco vezes seguidas naquele dia, e por mais que eu sentisse o aumento da força dele, isso não muda o fato de que ele foi derrotado por mim no fim do dia. Talvez houvesse certa verdade no que ele dizia, mas certamente também havia algum grau de mentira nas palavras dele. O Juggernaut podia realmente se tornar mais forte depois de cada luta, mas isso certamente não era algo no nível que ele sugeria. Mas... sendo ou não nesse nível, só existe uma coisa que eu possa fazer.

Ajeitou toda a sua postura. Controlou seu corpo e nervos para que parasse de suar e tremer. Fechou sua boca e manteve-a bem fechada, sem abrir um sorriso nem fazer nada do tipo. Se ele está mais forte agora... então eu devo lutar com tudo de agora em diante. Sem mais arrogância, sem mais brincadeiras. Iria focar-se completamente na luta.

Artes Proibidas... – Murmurou Ishir, cruzando rapidamente os braços à frente de seu corpo e concentrando-se afim de aumentar seu poder e melhorar seu controle sobre seu elemento. A eletricidade fluiu de forma muito mais poderosa ao redor dele por alguns instantes, antes de pouco a pouco começar a assumir uma forma diferente; lentamente, a eletricidade começou a ser apenas uma energia que fluía e feixes elétricos que corriam ao redor dele para assumir uma postura física, assumir uma forma dura, palpável. Sentiu-a envolver seus dedos, seus braços, suas pernas, seu torso, e por fim seu próprio rosto foi envolvido por ela. – Cavaleiro Demoníaco.

Seu sorriso coalhou de imediato ao ver a mudança que havia recaído sobre Ishir. Muito bem, isso é.... é.... alguma coisa que eu não havia previsto. Não sabia exatamente quando Ishir havia aprendido algo assim nem tão pouco quando ele havia começado a aplicar um princípio como esse sobre seus poderes, mas de alguma forma ele havia alterado a composição e a forma de sua eletricidade de maneira a fazer com que ela assumisse uma postura sólida, tal como conseguia fazer com suas chamas douradas. Mas ao contrário de Jiazz que conseguia apenas usar de criações limitadas com suas chamas, Ishir havia ido além ao ponto de criar uma verdadeira armadura de batalha com base em seus raios. A armadura que cobria seu corpo era imaculadamente negra, escura como a noite, tão limpa e brilhante que o sol refletia nela como se fosse um espelho. Ela era completa, cobrindo cada centímetro do corpo de Ishir, e apesar de ser feita de pura eletricidade ela não demonstrava isso de forma alguma, parecendo ser feita do mais fino aço, duramente trabalhado. Enquanto a usava, o braço direito de Ishir havia ganhado garras negras no lugar de dedos, provavelmente para fazer com que ele causasse ainda mais dano com seus golpes, mas em contrapartida o esquerdo havia ganhado o que se estendia até se tornar uma grande lâmina negra no lugar da mão, e de alguma forma sentia que essa lâmina era bem afiada. E mesmo assim, o pior de tudo não era isso. O pior de tudo era o que deveria ser o elmo da armadura, que mais parecia ser a máscara de um terrível rosto demoníaco, com olhos negros profundos que pareciam ver dentro do interior da alma de Jiazz. Isso não está nos planos. Essa coisa definitivamente não está nos planos. Eu tenho certeza de que não planejei nada que envolvesse uma merda duma armadura de demônio na porra dos planos!

Juggernaut... – Disse Ishir, sua voz saindo modificada pela armadura, trazendo um timbre muito mais profundo, muito mais aterrorizador, muito mais próximo do de um demônio do quê do de um humano. Como que apenas para gesticular, o autodenominado Deus Demoníaco moveu sua lâmina, e nem bem ele havia feito isso um grande bloco de pedra pura foi facilmente cortado do chão ao lado deles como se fosse manteiga, tudo isso devido a nada mais do que a pressão do ar que seu movimento exercia. – Conheça o desespero.

Com um único salto terrivelmente rápido ele investiu contra o Juggernaut, sendo tão veloz em seu ataque que nem mesmo Jiazz foi capaz de acompanhar seus movimentos corretamente. Quando deu-se conta ele já estava bem diante de si, prestes a desferir seu ataque. Oh, merda, merda, merda! Tudo que teve tempo de fazer foi sacar rapidamente suas espadas e tentar coloca-las no caminho do ataque em uma tentativa desesperada de defender-se de alguma forma.

Falhou miseravelmente nisso. Já devia ter imaginado que isso aconteceria, afinal de contas, havia visto Ishir cortar pedra pura com a mera pressão do ar de um movimento dele. Por mais forte que Jiazz pudesse ser, suas espadas ainda eram apenas feitas de aço, e sendo assim elas foram facilmente cortadas pela lâmina superior do seu oponente. Por sorte ele havia tido reflexos bons o suficiente para saltar pra trás ao mesmo tempo em que erguia sua defesa, o que possibilitou que ele evitasse a maior parte do golpe... embora, ainda assim tendo sofrido um corte bem profundo na área do pescoço, profundo o suficiente para que seu sangue esguichasse. Isso é mal, não posso me dar ao luxo de ficar sofrendo golpes assim! Concentrou-se um pouco para gerar chamas douradas na área ferida enquanto simultaneamente lançava fora os restos das suas espadas que ainda mantinha em mãos... e então viu Ishir tornar a avançar contra ele, tão rápido quanto antes. Dessa vez, no entanto, já estava preparado para isso, e quando a lâmina negra desceu contra ele, uma espada dourada subiu em sua defesa.

Ambas as armas chocaram-se pouco dele, fazendo com que sentisse a pressão da força de seus golpes em seus próprios ossos. Impressionante. Eu já tinha ideia disso, mas essa armadura aumentou consideravelmente a força bruta de Ishir. Ainda não diria que seu oponente estava exatamente comparável a ele em força física, mas considerando o quão rápido ele havia se tornado, isso não deveria ser realmente necessário. Aguentou bem a pressão de seu oponente sem curvar-se ou deixar que suas pernas se dobrassem, e nem mesmo teve de sustentar isso por muito tempo: para a sua surpresa, logo o próprio Ishir saltou para trás afim de criar espaço entre eles, e por mais que tivesse ficado de imediato surpreso por isso, Jiazz logo compreendeu o porquê daquilo quando olhou para ele e viu um rombo na lâmina negra, bem no lugar em que ela havia colidido com sua espada.

Isso é.... essa lâmina é tão frágil assim? De alguma forma, era um pouco difícil para ele acreditar que uma forma que havia se mostrado tão poderosa até então tivesse uma fraqueza tão grave quanto aquela, mas não via outra resposta para isso. A lâmina dele não devia ter esse buraco nela se tivesse o mínimo de resistência. A não ser que...

Rapidamente Ishir reparou sua lâmina com uma nova dose de eletricidade, e sem perder tempo ele tornou a avançar contra Jiazz, mas dessa vez não tinha medo. Criou rapidamente outra espada dourada em sua mão livre, e brandido ambas as espadas ele também avançou contra seu oponente, almejando chocar-se com ele em meio ao trajeto. Quando viu as duas espadas douradas girando em direção a ele, Ishir foi bem rápido em saltar para o lado. Isso, ISSO! Hahaha, eu já entendi tudo! O Deus Demoníaco voltou a avançar contra ele, mas isso já não lhe preocupava mais; moveu suas espadas de chamas douradas na direção da qual ele vinha, e no momento em que ele as viu Ishir praguejou entre dentes e mudou novamente seu curso. Essa é uma fraqueza bem grande, bem óbvia! É uma surpresa que você realmente ache que vale a pena me enfrentar tendo uma fraqueza tão grande assim, Ishir!

Moveu-se para o ataque, avançando contra seu oponente, e viu Ishir imediatamente deter qualquer tentativa de ofensiva que ele pudesse ter em mente para se afastar tão rápido quanto podia. Essa sua forma de agora... você chamou-a de “Cavaleiro Demoníaco”. Esse nome não é apenas atoa, não é? Antes, conforme havia notado, Ishir havia conseguido reduzir o dano que ele sofria das suas chamas ao fortalecer a parte divina do seu ser em detrimento da parte demoníaca dele. O que ele fazia naquele momento, no entanto, era justamente o contrário. Ao assumir essa forma estranha ele desprezou a sua parte divina, fortalecendo a parte demoníaca do seu ser para tornar-se mais forte. Isso era por um lado bom já que concedia-lhe força e velocidade muito maior do que em sua forma normal, mas ao mesmo tempo sofria também de um grande ponto fraco. Ishir, nesse momento, é uma espécie de demônio, enquanto eu estou usando chamas divinas! Não é que as criações dele sejam frágeis ou coisa do tipo, mas o fato é que minhas chamas são extremamente efetivas contra qualquer coisa que possua características demoníacas! Sendo assim, contanto que se mantivesse usando suas chamas douradas, teria uma vantagem ali. Ele provavelmente acha que a velocidade e a força que essa forma lhe concede compensam por sua fraqueza, mas eu irie lhe ensinar o porquê desse não ser o caso. São poucas as vezes que enfrento um oponente mais forte em força bruta do que eu, então não estou muito acostumado a fazer coisas assim, mas... acho que tenho um plano para lidar com isso.

Viu Ishir novamente recuar, criando distância de Jiazz afim de poder preparar uma nova investida, mas não lhe deu chance de seguir com aquilo. Antes que ele tivesse a chance de fazer realmente qualquer coisa, avançou contra ele a toda velocidade, arrastando as pontas de suas espadas no chão enquanto se movia, cortando o solo como que em preparação para o que estava por vir. Por um momento viu uma certa hesitação em Ishir – como se ele estivesse se perguntando no que Jiazz estava pensando ou qual era seu plano – mas ele logo deixou tudo isso de lado e avançou também contra o Juggernaut, sua intenção sendo claramente a de golpeá-lo primeiro e conseguir um bom golpe. Ao ver aquilo, Jiazz sorriu internamente. Sua velocidade é muito superior a minha, Ishir. Se eu simplesmente avançar contra você dessa forma, eu nunca conseguirei lhe atingir. Mas pra minha sorte... eu ainda tenho algumas cartas na manga! Ergueu suas espadas do chão deixando-as em uma posição paralela uma a outra, cada uma de um lado.

E então deixou seu poder fluir.

Chamas Divinas... – Gritou ele, movendo ambas as suas espadas em cortes laterais apesar da grande distância que separava-o de seu oponente. As espadas seguiram seus movimentos, sim, mas elas não somente fizeram isso como também cresceram conforma a sua vontade, as lâminas das espadas douradas atingindo proporções gigantescas em um único instante, fazendo com que os olhos de Ishir se arregalassem quando ele se deu conta de que estava cercado por duas gigantescas espadas que lhe alcançavam e moviam-se rapidamente contra ele. – Ōdachi!

Surpreendeu seu oponente com aquilo, mas nem mesmo isso foi o suficiente para lhe atingir. Por mais que tivesse pegado Ishir desprevenido, ele ainda tinha bons reflexos e era bem rápido com aquela armadura; de alguma forma ele havia conseguido saltar e ganhar os céus antes que as espadas de Jiazz conseguissem lhe tocar, e por mais que esse não fosse seu plano original, ele conseguiu gerar um contra-ataque para aquilo. Rapidamente ele flexionou suas pernas e literalmente chutou o ar com tanta força que seu corpo foi lançado para frente, cobrindo todo o resto da distância que o separava do Juggernaut. Em meros segundos ele estava bem acima de Jiazz, tanto Ishir quanto sua lâmina negra caindo com toda a força contra o Juggernaut.

E ao fazer isso, ele caiu direitinho na armadilha que havia preparado.

Desfez suas espadas em um piscar de olhos. Elas haviam sido bem úteis, mas precisava de suas mãos livres para o que ia fazer a seguir. Ergueu suas mãos acima de sua cabeça, e no último instante conseguiu formar uma parede com chamas douradas a qual usou como escudo. Aquele definitivamente não era nem de longe o melhor dos seus trabalhos; como havia tido que criar aquilo rápido demais o trabalho havia ficado um tanto quanto inacabado, fazendo com que a parede fosse meio transparente e se rachasse imediatamente perante ao golpe de Ishir. Isso não vai aguentar muito, compreendeu de imediato. Na verdade, acho que se não fosse pela vantagem que as minhas chamas me dão, isso já teria se quebrado. Mas no fim das contas isso não importava. Não precisava que aquilo durasse, apenas que lhe comprasse tempo o suficiente.

E isso ela já havia feito.

Enquanto a parede segurava um pouco Ishir, as chamas de Jiazz agiam por seu corpo. Da ponta dos seus pés até os dedos de suas mãos, as chamas douradas haviam surgido e envolvido o mercenário por completo, apenas para que logo em seguida todas essas chamas começassem a se concentrar nas palmas de suas mãos, comprimindo-se em pequenas esferas de fogo brilhantes. Ishir imediatamente tentou se afastar ao ver aquilo, já sabendo qual era o seu plano, mas não deixou que ele escapasse; antes que ele pudesse realmente fazer qualquer coisa, Jiazz desfez a parede que havia criado, deixando que seu rival caísse contra ele. A surpresa de tudo aquilo e o fato de que Ishir estava intencionando se afastar fizeram com que sua lâmina negra caísse com uma força muito menor do que deveria, apesar de que não foi realmente isso que pareceu; mesmo sem força, o fio da lâmina era tão afiado que ela foi capaz de facilmente cortar a pele de Jiazz, cravando-se firmemente no ombro do Juggernaut de forma a fazer com que ele imediatamente sentisse o sangue subir a sua garganta, mas não se importou com isso. Enquanto Ishir havia apenas conseguido fazer um corte sem muita força nele com aquilo, Jiazz tinha seu oponente bem diante das esferas de fogo que havia criado, bem aonde ele queria.

Quarto Mandamento do Deus do Fogo! – Entoou Jiazz, ordenando a liberação de toda a energia comprimida naquilo de uma só vez. As chamas douradas foram liberadas com tudo, criando uma rajada de fogo divino que engoliu todo o corpo de Ishir e avançou contra os céus. Tal como o “Punho de Deus” havia feito antes, esse ataque criou um buraco no céu, mas ao contrário do Primeiro Mandamento isso não foi algo que durou por meros instantes, mas sim algo que perdurou por todo um minuto. Por um minuto as chamas douradas fluíram e avançaram contra o céu, criando um gigantesco pilar de fogo que qualquer homem ou mulher podia vislumbrar de qualquer lugar do mundo. – Ascensão de Ícaro!

Seu ataque perdurou por muito tempo, e mesmo depois de chegar ao fim Ishir não tornou a aparecer, perdido em meio as chamas. Será que ele foi desintegrado por elas? Essa certamente era uma possibilidade, considerando a força do ataque e o fato de que ele deveria ser ainda mais efetivo devido ao lado demoníaco de Ishir, mas... não, não lhe parecia uma possibilidade muito provável. Ishir é alguém extremamente poderoso. Eu não sei se ele se mete em outras brigas sem ser as que tem comigo, mas ele já está bem acostumado a levar golpes poderosos devido a seu tempo lutando comigo. E por mais que a resistência dele não esteja no nível da minha, ela ainda deve ser mais do que o suficiente para que ele saia vivo de algo assim. Além do mais, sendo completamente honesto, não queria que ele tivesse morrido para aquilo. Ele é um saco as vezes e é bem irritante e tudo mais, mas ele é o meu rival, o meu maior oponente. Se ele morrer, eu perco boa parte da motivação que tenho para ficar mais e mais forte, e além do mais, as coisas vão ficar um tanto quanto entediantes se ele morrer.

Foi por ter esses pensamentos em mente que se sentiu um pouco aliviado quando viu o corpo de seu oponente caindo dos céus em alta velocidade, chegando até mesmo ao ponto de abrir um pequeno sorriso diante disso.

Usou suas chamas douradas para curar a ferida em seu ombro enquanto observava aquilo calmamente de braços cruzados. O corpo de Ishir caiu com uma força considerável, gerando um grande estrondo com seu impacto e levantando uma bela cortina de poeira. Jiazz apenas fez estalar o pescoço quando diante dessa; sabia que ele não representava uma ameaça para ele, ao menos não antes de se curar um pouco, e isso lhe deixava bem tranquilo... e um tanto quanto sarcástico, também.

– Então... eu acho que isso faz com que ele volte a assumir a liderança com 18 a 17, certo? – Questionou Jiazz, sorrindo de forma amigável, fazendo tudo isso apenas porque sabia que isso iria irritar Ishir. – Que pena, né, Ishir? Você se esforça tanto, tenta tanto se tornar mais forte do que eu, e até que consegue atingir seu objetivo por alguns instantes..., mas então eu vou e torno a lhe superar, e tudo volta a ser como era antes. Acho que isso faz com que tudo isso seja uma história bem depressiva pra você, não?

Não recebeu uma resposta do seu rival a isso... ou melhor dizendo, não recebeu uma resposta oral do seu rival a isso. Ishir poupou-se de usar palavras, e ao invés de tentar discutir com Jiazz ele respondeu com ações; estava ainda apenas observando a poeira a espera dele quando sentiu um pequeno choque correr por seu corpo a partir de seus pés, e isso atraiu sua atenção. Olhou para baixo imediatamente e quando o fez o que verificou era que todo o solo abaixo dele estava completamente cercado por partículas de eletricidade negra, pela eletricidade de Ishir. Ele... ainda tem tanta energia? Tinha de assumir, aquilo era impressionante. Depois de um golpe como aquele, esperava que seu rival fosse ao menos demorar algum tempo antes que pudesse voltar a usar de técnicas tão avançadas como aquela.

– Não vá se achando, seu verme insolente de merda! – A censura dele veio com uma força tão grande que o mero som da sua voz foi o suficiente para abrir a cortina de poeira que havia lhe encoberto. Quando isso aconteceu a figura de Ishir foi revelada, e diante do que viu os olhos de Jiazz se arregalaram, não de medo ou de surpresa, mas pelo puro horror do que presenciou. Ishir estava de pé, parecendo tão irritado quanto sempre, mas seu corpo estava completamente desfigurado. As chamas que Jiazz haviam lançado contra ele haviam certamente feito grandes danos, pois boa parte do corpo daquele homem estava completamente coberta por queimaduras de terceiro grau, deixando para trás uma pele negra, carbonizada, e fazendo com que toda a figura dele fosse como a de um monstro de histórias de terror. Viu alguns pedaços dessa carne queimada caírem ao chão para revelar uma limpa pele nova por trás dela, pura como a de um bebê, o que era de certa forma tranquilizante já que isso indicava que aquilo não era nada permanente, mas mesmo assim... ver a pele de um homem caindo diante dos seus olhos era algo bem perturbador, especialmente quando você era o causador daquilo. – Você... você acha mesmo que eu vou perder?! Acha que eu vou aceitar qualquer outro resultado que não seja a vitória aqui?! Não seja estúpido, seu merda! Eu não treinei tanto assim... não me foquei tanto em ficar mais e mais forte... apenas para ser derrotado aqui!

A ira de Ishir refletiu em seus poderes, e no momento em que essas palavras foram ditas o homem ficou completamente louco de raiva. Ambos os seus punhos atingiram o chão com uma força monstruosa, capaz de gerar um abalo sísmico tão grande que a sensação que teve foi como se toda a ilha tivesse sido erguida em um plano de forma a ficar inclinada. Mais do que isso, no momento em que seus punhos colidiram com o chão toda a pele queimada de Ishir caiu de uma vez para dar lugar a sua pele nova, e com o impacto deles raios negros saíram das mãos do Deus Demoníaco, fortalecendo ainda mais toda a eletricidade no solo e fazendo com que o que antes era apenas um choquezinho irritante se transformasse numa poderosa descarga elétrica que foi quase capaz de fazer com que Jiazz grunhisse em dor. Merda, ele ainda tem muito poder pra alguém que acabou de levar um golpe desses! Saltou para evitar aquelas correntes elétricas, e para não ter de tocar o chão novamente ele empregou de uma habilidade que já tinha em mente há um bom tempo. Eu não trabalhei ainda exatamente no consumo dessa técnica – sinto que gasto energia demais com ela – mas eu tomei aquelas pílulas e estou precisando dela, então não acho que tem situação melhor para que eu use algo assim do que essa. Em meio ao ar, fez com que suas chamas douradas viessem de todo o seu corpo, revestindo-o como se fosse uma espécie de aura, e essas chamas douradas lhe sustentaram no ar. Com a ajuda das suas chamas, Jiazz conseguia voar, ainda que enquanto cercado por chamas douradas que queimavam ao seu redor como se estivessem dizendo “ei, eu estou aqui seus babacas, venham aqui me pegar!”. Isso não é lá muito sútil, mas acho que sutileza não me fará favor algum aqui.

Ishir não parecia poder se importar mesmo com o fato de Jiazz estar voando ou não, por sua vez. Os olhos do Deus Demoníaco moveram-se para caírem sobre ele, irritados, frustrados, enfurecidos. Raios negros cercavam seu corpo de uma forma violenta e selvagem naquele momento, de uma maneira tão perigosa que Jiazz estava começando a considerar a possibilidade de que ele tivesse perdido o controle sobre seus poderes de tão irritado que estava.

JUGGERNAUT! Você se lembra, não se lembra? Da sensação que você teve quando eu te eletrocutei com um bilhão de volts! – O punho de Ishir se fechou, veias de irritação visíveis por todo o seu rosto. – Prepare-se para ter uma sensação muito pior do que essa! Dez vezes pior do que essa!

... Dez vezes? Ele não pode estar sugerindo que.... Nem teve tempo de concluir seus pensamentos antes que subitamente visse toda a eletricidade do chão aumentar ainda mais. As ondas elétricas já estavam visíveis, mas quando Ishir disse aquilo o poder delas aumentou tanto que elas tornaram-se realmente perigosas. Grandes fissuras surgiram na terra provocadas por elas, fazendo com que o chão se quebrasse como se estivesse sendo moído pela força daqueles raios, e árvores próximas queimaram em um instante com tanta força que nem pó sobrou. Montanhas inteiras ruíram perante a essa eletricidade, e antes de muito Jiazz se viu forçado a ter de ir ainda mais alto para se ver a daqueles raios.

Foi para cima com toda a sua velocidade, e quando tornou a olhar pra baixo dali o que viu foi uma terra destruída que estava se quebrando cada vez mais, com toda a eletricidade de Ishir que havia dominado a ilha assumindo uma forma, formando uma figura amedrontadora. Formando... um gigantesco dragão de raios negros, tão grande quanto aquela ilha, parecendo uma criatura saída diretamente do mundo dos demônios.

10 Bilhões de volts! – Mesmo da altura em que estava conseguia ouvir perfeitamente a voz de Ishir, como se seu rival estivesse bem do seu lado. – Dragão da Morte!

Ah, merda! Havia imaginado que ele estava falando de algo assim desde que ouviu as palavras anteriores do Deus Demoníaco, mas era uma coisa imaginar algo e outra bem diferente testemunhar isso bem diante dos seus olhos. Isso não é nada bom. Essa coisa vai me dar muito trabalho, eu posso ver isso. Apesar de ser um dragão, a criatura que Ishir havia criado a partir da sua eletricidade não tinha asas, braços ou pernas. A bem da verdade, ela não tinha nem torso; todo o seu corpo era apenas longo e extenso, como o de uma cobra, apesar de que a forma de sua cabeça deixava claro que aquilo era um dragão. Pior que sua forma, no entanto, era o fato de que aparentemente aquela coisa tinha vida própria; o dragão não apenas havia sido criado por Ishir como também parecia se mover independentemente do Deus Demoníaco, e a cada movimento dele uma parte da ilha era destruída. Ele também rugia e grunhia, e os sons desses eram tão altos que mesmo donde ele estava conseguia ouvi-los bem, tal como havia ouvido a voz de seu rival. Bom... vamos lá, como eu lido com um dragão de raios negros? Considerando a potência de volts, o fato de ser uma criação de Ishir e todas as demonstrações de força que aquele dragão tinha mostrado, julgava mais do que seguro assumir que aquela era uma criatura bem poderosa. Ia precisar de muito poder se quisesse lidar com aquilo. Isso é um saco, mas... bem, Ishir trouxe seus melhores brinquedos pra brincadeira. É apenas justo que eu faça o mesmo, não?

Esticou seus dedos bem por um momento, depois fechou-os com força em um punho firme e então tornou a abrir sua mão. Suas chamas douradas ainda o sustentavam no ar, e foi a essas chamas douradas que ele recorreu. Fechou seus olhos por um breve instante para dar início ao processo, e conscientemente começou a mover sua energia por seu corpo, alterando o fluxo interno dela para que ela se concentrasse na palma dessa mão. Aquilo era consideravelmente trabalhoso – mexer no seu próprio fluxo de energia não era algo simples em situação nenhuma, e ter de fazer isso enquanto você dependia dessa energia para se sustentar no ar não tornava as coisas mais fáceis – mas aparentemente Ishir não tinha interesse em lhe interromper enquanto fazia isso; mesmo quando abriu seus olhos e olhou para baixo, tudo o que seus olhos viram foi tanto Ishir quanto o dragão que ele havia criado lhe observando cheios de expectativas, aguardando por seu movimento. Hm. Surpreendente. Me pergunto, o que motiva ele a me esperar? Uma curiosidade em ver minha técnica? Uma necessidade de provar que pode lidar com o que quer que eu jogue contra ele? Uma confiança imensa em sua própria técnica? Não sabia, mas de qualquer forma, não importava.

Qualquer que fosse o caso, Ishir estava cometendo um grande erro em deixar Jiazz usar aquela técnica.

Da palma da sua mão, as chamas fluíram para fora de seu corpo, reunindo-se em uma bola de fogo que flutuava em um plano paralelo ao de sua mão, como se estivesse ligada a ela por fios invisíveis. Inicialmente essa bola de fogo era pequena, pouco maior do que a cabeça de Jiazz, mas uma vez que ele já havia feito as alterações no fluxo de sua energia, tudo que lhe restava era ceder energia, e isso era fácil. De uma só vez aquela bola de fogo cresceu de forma absurda, assumindo um tamanho que rivalizava com o de uma de suas “Grande Nova” em instantes, mas isso não estava nem perto de ser o suficiente para Jiazz. Continuou a enviar chamas para essa bola com tudo, e em questão de segundos ela estava crescendo de novo, e de novo, e de novo! Vinte e oito segundos; esse foi o tempo exato que aquilo demorou para assumir sua verdadeira forma, e pelo que pode ver do rosto de Ishir, ele estava arrependido por ter deixado Jiazz juntar tanto poder... o que, francamente, não era pra menos...

... Afinal de contas, o que o Juggernaut erguia acima de sua cabeça naquele momento era uma colossal bola de fogo maior do que toda a ilha de Tamagura.

Quinto Mandamento do Deus do Fogo: Supernova! – Anunciou satisfeito o Juggernaut, tirando muito prazer em ver a feição embasbacada de seu rival. Pelo que podia ver, Ishir parecia simplesmente não ser capaz de acreditar no que via, mas isso logo mudou. A feição surpresa do Deus Demoníaco foi logo substituída por uma de fúria e frustração, e sem pensar duas vezes ele partiu para o ataque. Seus braços se moveram com violência tão grande que parecia até que ele estava tentando bater em Jiazz a distância, e movido por aquilo o dragão negro agiu. Um rugido demoníaco veio da besta de raios, tão forte que ele era ensurdecedor até mesmo para Jiazz, tão poderoso que uma boa parte da ilha quebrou-se graças a potência do grito, e um instante depois a besta gigante avançou contra o Juggernaut, suas presas abertas, pronta para devorá-lo em uma só mordida. Aí vem ele! Sabia que devia sentir medo daquilo, sabia que devia sentir-se assustado e temeroso..., mas por mais que soubesse disso, a verdade era que naquele momento Jiazz não podia fazer nada mais do que divertir-se com tudo isso! E aqui vou eu!

Mover sua mão não foi fácil. Mesmo que ela não estivesse diretamente conectada a bola de fogo, ela ainda estava ligada a essa, e isso fazia com que Jiazz sentisse-se como se tivesse o peso de milhares de toneladas sobre seu braço, mas isso não lhe deteve. Os seus raios ou as minhas chamas! Qual é o mais forte, Ishir?! Usando de todas as suas forças, Jiazz liberou um grito de guerra e arremessou a grande bola de fogo contra seu oponente com tudo.

De onde estava ele teve uma visão privilegiada do que aconteceu. Estava bem alto – alto o bastante para que a ilha de Tamagura fosse pouco mais do que um pequeno ponto longínquo aos olhos normais e que mesmo olhos muito melhores do que os normais como os dele tivessem alguma dificuldade em ver tudo corretamente – e isso permitiu que ele apreciasse bem a colisão de seus ataques. O dragão de raios demonstrou um grau de sapiência maior do que o que esperava, parecendo reconhecer que sua Supernova era uma ameaça a ele e, portanto, abrindo sua boca tanto quanto possível em uma tentativa de engoli-la. Infelizmente para ele, a supernova que Jiazz havia arremessado era absolutamente gigantesca, e nem mesmo o grande dragão de Ishir foi capaz de engoli-la. Os dois se chocaram em meio aos céus, o dragão dos raios negros e a Supernova das chamas douradas, e a força de sua colisão foi tão grande que todas as nuvens foram afastadas de todos os limites do arquipélago de Slen, expulsadas por uma força tão grande que até mesmo Jiazz tinha de se focar e se esforçar para manter-se firme. Que.... incrível! Absolutamente, completamente incrível! Isso sim é poder! Isso sim é uma luta! Aqueles eram dois dos ataques mais poderosos de dois dos homens mais poderosos daquele mundo; nada menos do que aquilo seria aceitável.

A colisão de forças continuou além do impacto inicial, tanto as chamas quanto os raios tentando abrir espaço e avançar contra seu alvo, mas ambas sendo detidas pela incrível força que se opunha a elas. Três segundos. Cinco segundos. Dez segundos. O tempo passava, e nada mudava; nenhuma demonstrava sinal de ganhar, nenhuma das forças empurrava a outra. E Jiazz sabia bem o que isso significava.

Cruzou seus braços à frente de seu corpo e fechou seus olhos bem a tempo de proteger-se do que veio a seguir. Energia era algo instável, muito instável. Seja a energia de um raio ou a energia de uma chama, a energia era sempre instável e nunca se mantinha parada. Para dar forma a essa energia, você tinha de na verdade restringir os movimentos dela a um formato específico, mas mesmo assim ela continuava a se mover sem nunca parar. No entanto, quando você estabelecia uma barreira que quebrava o fluxo cuidadoso dessa energia que lhe dava algum grau de estabilidade, ela se tornava completamente instável da pior forma possível; liberando-se com toda a força sobre tudo e todos ao seu redor. Era esse o princípio que usavam pôr trás da maioria das magias explosivas, e era esse um princípio – ou melhor dizendo, uma regra – a qual tanto a energia de Jiazz quanto a de Ishir se submetiam.

E sendo assim, quando as energias de ambos encontraram uma barreira pela qual não conseguiam passar, elas se tornaram instáveis, e o resultado disso foi uma explosão tão grande que ela foi sentida em todo o mundo.

Não tinha ideia de quanto tempo exatamente essa explosão durou. Estava ocupado demais lutando para se manter firme aonde estava para focar-se nisso. Apenas soube quando ela finalmente chegou ao fim ao sentir toda aquela força que tentava lhe empurrar parar de agir sobre seu corpo. Seus ouvidos zuniam, sentia-se um pouco tonto e estava começando a sentir uma dor de cabeça chata, mas mesmo assim abriu tentativamente os seus olhos, e o que viu foi surpreendente mesmo para ele.

Não existia mais ilha de Tamagura. Na verdade, não existia mais arquipélago de Slen, nem nada em seu lugar. O mar havia desaparecido, formando o que parecia ser uma imensa cratera no meio do nada, cercada por paredes de água que pouco a pouco iam tentando preencher o rombo que aquilo havia formado. Impressionante. Isso é.... impressionante. Antes, quando falou com Ishir de sua Terranova, estava blefando um pouco..., mas agora que via aquilo, não sabia realmente se seu blefe era de fato uma mentira. Se a Supernova foi capaz de fazer algo assim... então a Terranova pode realmente ser forte o suficiente para destruir o mundo. Era... um pouco aterrorizador imaginar que tinha tanto poder em suas mãos.

E foi então que seus olhos notaram algo. Eles olharam para baixo e perceberam a presença dele, e imediatamente Jiazz voou novamente para baixo afim de checar em como ele estava.

Toda a ilha Tamagura havia desaparecido sem deixar rastros... não fosse por uma coisa. Um montinho de terra e pedra que se erguia desde a cratera no chão, frágil como se fosse de vidro. Uma minúscula plataforma na qual cabia um homem e um homem apenas, e esse homem era Ishir. Em pé ali, de braços cruzados e sem trazer nem um arranhão mesmo depois daquilo, Ishir Daemon olhou para os seus arredores por um momento um pouco atordoado, antes de depois voltar seu olhar para Jiazz de uma forma que sugeria que ele estava ciente da presença do Juggernaut ali o tempo todo.

Os rivais se encararam seriamente por um momento. Jiazz no ar, Ishir no “chão”. Os olhos de ambos estavam frios e compenetrados, as mãos de ambos estavam fechadas em punhos firmes. A tensão no ar era quase que palpável.

E então, Jiazz fez uma piada idiota.

– Sabe, uma coisa divertida nisso tudo aqui é que por mais que tenhamos empatado nessa de agora, eu ainda estou ganhando de você. 18 a 17, meu chapa. Sinto muito.

Tal como energia, aquela situação era instável desde o início, e as palavras de Jiazz foram o gatilho necessário para fazer com que tudo ficasse pior. Os olhos de Ishir tornaram-se completamente negros em um instante; raios negros surgiram ao redor de seu corpo e o Deus Demoníaco jogou seu torso para trás, liberando um urro incoerente de pura fúria antes de saltar contra Jiazz com uma força tão grande que a plataforma na qual ele pisava antes deixou de existir no momento em que ele fez isso. Hahaha, isso mesmo! Venha, Ishir! Essa luta ainda não terminou!

Com um sorriso selvagem brilhando de orelha a orelha em seu rosto, Jiazz avançou com tudo contra seu rival.



Notas finais do capítulo

I would like to take a moment now to say that, as you may have noticed, I don't have any idea of how energy actually works. I mean, I'm sure I studied it somewhere along the way, but I can't say I quite grasp it. So, I created a "energy explanation" for my story! Pretty cool, huh?

Just... don't put that in tests or things like that. I don't want to be the cause of some bad grades. Also, why the hell am I writing this in English? Huh. Weird.

Ciao.



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