O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 4
Decisões


Notas iniciais do capítulo

Yo!

Quando vocês estiverem lendo esse capítulo, eu provavelmente já terei voltado a ter minhas aulas no SENAI. Não temam, entretanto; só tenho aula na parte da noite, então, com um pouco de sorte, devo ser capaz de manter o ritmo normal de sempre.

Mas, bem, hora de irmos para o capítulo!



Segurou sua respiração, temendo que o som dela pudesse revelar sua localização. Pela beirada da parede, aproveitando-se de seu ponto de vantagem, espiou o que acontecia ali. O cavaleiro desconhecido estava sentado, conversando com Kastor e Hozar naquele instante, mas da distância em que estava ela simplesmente não conseguia ouvir o que eles falavam. Nada de bom, provavelmente. Havia visto Kastor atacar aquele cavaleiro antes, apenas para depois recuar e voltar a sentar-se para conversar com ele. Não sei o que os dois falaram, mas não confio nisso. Kastor pode ser muitas coisas, mas ele não é alguém que sai por ai atacando pessoas atoa. Sua hipótese no momento era que que o homem mais velho havia ameaçado Kastor com alguma coisa, e essa ameaça havia feito com que o azul se controlasse.

Lançou um olhar para Kyanna. A maga estava ali em cima também, e era o único apoio que ela tinha, ao menos no momento. Kastor e Hozar provavelmente irão me ajudar assim que eu começar o ataque, mas isso vai depender muito de quão bem-sucedida eu sou na primeira instância. Não conseguia ver mais ninguém ali, mas estava certa de que aquele cavaleiro deveria ter algum aliado lhe cedendo apoio e cobertura ali, e era exatamente com isso que ela se preocupava. Se esse companheiro dele conseguir me deter ou me apanhar de alguma forma, está tudo acabado. Eu tenho de realizar meu ataque com sucesso. Para isso, Kyanna seria necessária.

– Você entendeu, não é? – disse Bryen, em uma voz tão baixa quanto ela podia falar com Kyanna lhe ouvindo. – Assim que eu me mover, irei ir direto contra esse cavaleiro. O seu trabalho é me auxiliar; se qualquer um tentar se intrometer no meu caminho, tentar me parar de alguma forma, quero que você lide com ele. Eu preciso acertar esse ataque, entende?

Kyanna não respondeu com palavras; apenas acenou com a cabeça em compreensão. Ótimo. Lançou um olhar novamente para o ambiente a sua volta. Bem, creio que é hora de fazer isso então, não? Vamos lá.

Segurou firmemente sua espada em suas mãos e saltou. Não podia saltar direto em direção ao cavaleiro, não tinha ângulo para isso, e por isso saltou primeiro para a parede do outro lado. Inverteu seu corpo no ar, e mal seus pés haviam tocado na madeira que constituía sua guilda, ela tornou a saltar, dessa vez diretamente contra seu oponente. Ergueu sua espada alto, levantou a cabeça e viu a surpresa e o susto expressos no rosto daquele homem; uma demonstração mais que clara de que ele não esperava aquilo e que ela havia lhe pegado de surpresa. Isso era tudo que ela precisava. Você é meu!

E então, ouviu o grito.

ESPEREEEE!

Não teve nem tempo de virar-se na direção daquela voz antes que alguém colidisse com ela. Essa pessoa lhe desviou do trajeto, jogou-a de lado e acabaram ambos caindo no chão. Só não deixou a espada cair de suas mãos por algum favor divino, pois ambos rolaram por ali de forma louca, movidos pela simples aceleração que eles tinham. Raios partam, o que Kyanna estava fazendo? Supostamente aquela maga deveria impedir exatamente esse tipo de coisa, mas por algum motivo ela havia deixado alguém lhe atrapalhar e Bryen agora havia perdido sua chance.

Acabou decidindo improvisar. Se eu não posso matar aquele cavaleiro, então ao menos vou pegar um refém, decidiu ela, e usando de suas forças, mobilidade e habilidade, provocou giros ela mesma. Acabou por cima daquela pessoa – um homem, pelo que havia notado até ali – sentada no colo dele, e não perdeu tempo em travar suas pernas ao redor de sua cintura. Ergueu sua espada novamente e jogou bruscamente sua cabeça para trás para tirar os cabelos da sua frente.

E viu Kastor abaixo dela, com ambas as mãos erguidas como se estivesse dizendo “me rendo” e uma feição de puro pânico em seu rosto.

– Eu desisto, eu desisto! – exclamou ele rapidamente, antes que ela pudesse fazer qualquer coisa. – Por favor, não me mate! Eu sou jovem demais pra morrer! E bonito! Mas jovem, principalmente!

... Eu provavelmente deveria realmente mata-lo, contemplou ela, sentindo uma veia de sangue tornar-se visível em sua testa devido a irritação que sentia.

– Muito bem, Kastor – disse ela, com uma voz que transmitia uma calma que ela não sentia, embora sua espada continuou erguida. – Diga-me uma coisa: o que porra está acontecendo aqui?

– Bom, no momento você está montando Kastor no meio da guilda enquanto mantém uma espada erguida e faz perguntas para ele – comentou a voz de Hozar atrás dela. Quase conseguia ver o sorrisinho que aquele homem deveria ter no rosto. – Francamente, isso é um pouco... excêntrico demais pros meus gostos, mas ei, faça o que lhe faz feliz.

O olhar que ela lançou para aquele homem em resposta foi tão venenoso que foi um milagre que o corpo de Hozar simplesmente não derretesse diante dele.

– Hozar tem um ponto, sabe – disse Kyanna, ainda nas escadas, em tom de contemplação. – Quero dizer... vocês ficam simplesmente tão, tão fofinhos assim. É realmente adorável!

Vou mata-los. Vou matar a ambos. Pelo bem deles, seria melhor que ambos começassem a dormir com adagas debaixo dos travesseiros. Levantou-se de cima de Kastor, sentindo contra a sua própria vontade um rubor começar a subir-lhe no rosto. Não lançou olhar nenhum para seu líder, mas embainhou sua espada.

– Esse cara não é um inimigo ou coisa do tipo, se é isso que você imaginou – disse o azul, erguendo-se também. – Ele é Odin, um dos líderes do Salão Cinzento, bem como o mestre meu e do Hozar. Considerando que eu nunca tive um “pai” de verdade, acho que você poderia dizer que ele seria algo como meu pai adotivo, apesar de que ele só é realmente pai do Hozar aqui.

Líder do Salão Cinzento? Pai e mestre de Hozar e Kastor? Olhou bem para aquele homem, suspeita. Ele não parecia nada realmente surpreendente ou intimidador; tinha um bom físico para alguém da sua idade, mas francamente... esperava mais de alguém que supostamente era um dos líderes de uma das mais poderosas organizações do mundo. Embora eu talvez não deva julgar o livro pela capa. Kastor também não parece nada formidável como um guerreiro, mas ele não é alguém que você vá querer encontrar no lado inimigo.

– Olá, senhorita – disse Odin, sorrindo, aparentemente sem manter nenhum ressentimento pelo fato de que ela havia acabado de tentar cortar sua garganta. – Estamos discutindo certas questões de planejamento aqui. Isso é algo relevante para a sua guilda, então, talvez você queira acompanhar tudo isso. O mesmo vale para você, mocinha – disse ele, dirigindo por último a Kyanna nas escadas.

Não deixou de erguer uma sobrancelha ao ouvir aquilo. Ele está nos convidando para acompanhar um planejamento? Estranho. Isso geralmente é feito apenas pelos líderes. Havia algo de errado ali. Ou esse homem é extremamente esperto e está planejando algo genial, ou ele é um completo idiota. Minha aposta está no segundo. Mas, ainda assim, decidiu por ficar ali; ouvir aquilo não lhe faria mal algum, e de qualquer forma, tinha interesse em ouvir o que aquele homem tinha a falar.

Tanto Bryen quanto Kyanna acabaram por sentar-se em cadeira que ficavam opostas as daquele homem, enquanto que Kastor e Hozar ficavam sentados ao lado dele. Algo que não me surpreende, considerando que eles aparentemente tem uma relação no estilo pai e filho com esse homem. Na verdade, aquilo fazia muito sentido; se Kastor e Hozar eram irmãos de criação ou algo do gênero, isso fazia muito para explicar a forma como eles agiam um com o outro.

Odin saboreou um pouco de café em sua xícara, sem presa. Pousou os talheres e olhou calmamente para os quatro que dividiam a mesa com ele em silêncio, como se estivesse analisando-os, e só depois disso foi que ele falou.

– Muito bem – disse ele, fechando seu olho. – Voltando ao que eu estava falando antes, n-

Foi interrompido rapidamente, no entanto. As portas da guilda se abriram com um estrondo, e isso fez com que todos virassem seus olhos imediatamente pra lá.

Na porta estava Duke. O Titã estava sem camisa ali e aparentemente tinha tido o peito queimado por alguma coisa, mas não era isso o que mais chamava a atenção nele. Não, isso ficava por conta das pessoas que ele trazia. Sobre seu ombro direito estava Teigra, enquanto que sobre o seu ombro esquerdo estava Anabeth. Ambas estavam desacordadas, e considerando o olhar que Duke tinha em seu rosto, estava mais do que óbvio que alguma coisa bem séria havia acontecido ali.

Kastor gritou alguma coisa, mas Bryen não prestou atenção nenhuma nisso, e Duke não fez diferente. Tudo que o homem fez foi pousar lentamente as duas mulheres em seus ombros no chão, com uma delicadeza e gentileza surpreendentes para alguém tão forte e bruto como ele... e logo em seguida, ele desapareceu.

Quando ele ressurgiu, estava bem do lado de Odin.

Ninguém teve tempo de fazer nada. Sem dizer uma só palavra, Duke golpeou violentamente o pai de Kastor e Hozar. Seu punho atingiu em cheio o rosto do velho homem, deformando-o visivelmente na frente de todos ali, e por um momento, o tempo pareceu parar. Quando ele voltou a passar, Odin foi arremessado para o lado com uma força e violência inacreditável, fazendo um estrondo ensurdecedor e exercendo uma onda de choque tão grande que até mesmo a parede do lado contrário ao qual Duke desferiu seu ataque quebrou-se em pedaços. Ele quicou em meio ao chão, girou, quicou de novo, quebrou a parede, quicou mais uma vez e invadiu o prédio ao lado do deles – esse feito de puro concreto – antes de perder qualquer parte da sua aceleração. E enquanto tudo isso aconteceu, a única coisa que Duke fez foi permanecer ali na mesma posição em que ficou ao desferir seu golpe, mantendo seu punho erguido, suas juntas manchadas de sangue.

– ... Ei, Kastor – comentou Hozar em voz baixa. – Talvez seja uma boa ideia treinarmos o autocontrole dos membros da guilda.

– ... Sabe o que mais? – disse Kastor, por sua vez. – Eu concordo.

Passaram alguns momentos em silêncio ali, apenas aguardando... pelo quê? Teve a resposta disso em instante.

– Ora, ora – disse levemente a voz de Odin, a medida que o som de passos do homem se aproximavam. Ele emergiu pelo buraco que seu corpo havia feito na parede como se nada tivesse acontecido; estava sujo, sim, prova de que havia realmente sofrido todas aquelas colisões e tudo mais, não havia sinal de ferimento nenhum em seu rosto... nem tampouco um sangramento. Sem sangue... Correu novamente os olhos para o punho de Duke, vendo o sangue ali. Há sangue em Duke, mas não há sangue nele. Isso só pode significar duas coisas. Ou ele possui alguma habilidade de regeneração muito boa que fez com que ele se regenerasse quase bem rápido... ou ele é simplesmente tão duro e resistente que, quando Duke lhe acertou, foi Duke quem sofreu danos. Qualquer que fosse o caso, aquele homem estava subitamente começando a parecer muito mais intimidador agora do que antes. – Parece que a sua guilda tem um grande prazer em tentar me matar, Kastor.

– Francamente, isso não é muito surpreendente para mim, Odin. Você possui um grande talento em irritar as pessoas e fazer com que elas queiram te matar. – Odin por um momento pareceu ofendido ao ouvir isso e abriu a boca para dizer alguma coisa, mas parou... parou, pensou, e no fim das contas, acabou acenando a cabeça em concordância. – Mas, isso dito... realmente, eu tenho de perguntar. Duke... que porra foi isso?

– Que porra é essa, você quer dizer! – exclamou Duke. O punho daquele homem tremia em fúria, e ele estava apertando sua mão com tanta força ali que as veias dela pareciam prestes a estourar. – Ei, Kastor! Espero que você tenha uma boa justificativa para estar aí falando com o líder dos caras que nos atacaram!

Ataque? As reações vieram quase que instantaneamente. Bryen colocou-se em pé com um salto, sua mão já na empunhadura de sua espada, e a feição de Kyanna subitamente endureceu no mesmo momento em que os olhos dela pousaram sobre Odin. Hozar ergueu uma sobrancelha, aparentemente sem acreditar muito naquilo, e Kastor deu um salto tão alto com o susto que tomou que ele e sua cadeira caíram direto no chão.

Odin, por sua vez, apenas ficou parado ali com a mais perfeita feição de “o que diabos está acontecendo aqui?” estampada em seu rosto, olhando para todos.

– Não me olhe com essa cara! – disse Duke, apontando para ele com raiva. – Aqueles merdas estavam sobre o seu comando, não é? Breath, Denis e... aquela mulher lá! A espadachim!

– Breath, Denis e Zetsuko, sim – disse Odin, erguendo uma sobrancelha. – Eles... estão sob o meu comando, sim. Acho que você pode dizer isso. Mas eu nunca os comandei a atacar vocês ou coisa do tipo. Seria bem estúpido da minha parte fazer algo assim.

– Bom, aparentemente alguém os ordenou a fazer isso, porque eles nos atacaram! – declarou Duke. – É por causa deles que estou ferido, e por causa deles que Teigra e Anabeth estão desacordadas!

– Hmm... – murmurou Odin, parecendo surpreendentemente... calmo, diante de uma declaração como aquela. O velho cavaleiro entortou sua cabeça como que para olhar melhor para Duke, e Bryen viu ele mover seu único olho também para Anabeth e Teigra. Foi só depois disso que ele se pôs a falar. – Aquelas mulheres estão certamente desacordadas, concordo, mas elas não parecem feridas. E você também não está ferido. Não acha que está fazendo um pouco de chuva em copo d’água aqui?

– Eu estou com a porra do meu peito queimado! – gritou Duke, apontando insistentemente para o seu peito como se aquele homem não tivesse o visto.

– Ah, vamos lá, isso não é queimadura nenhuma – protestou Odin. – Isso, isso... isso é, no máximo, um bronzeado! Um bronzeado bem forte, talvez, mas ainda assim, um bronzeado. – quando viu a face de Duke contorcer-se em fúria diante disso e o homem parecer prestes a ataca-lo novamente, ele decidiu parar com o humor e falar seriamente. – Muito bem... me entenda, sim? Não estou te chamando de mentiroso nem nada do tipo, nem tão pouco estou falando que você está errado em reclamar ou coisa do tipo. Francamente, não sei Denis ou Zetsuko, mas eu francamente não duvido que Breath tenha provocado alguma briga com você. Mas veja bem, a intenção deles claramente não foi te fazer mal; conheço aqueles três, sei que todos eles são bem fortes. Se eles realmente quisessem fazer algum mal a você, mesmo que você vencesse, garanto que você sofreria bem mais do que simplesmente uma queimadura como essa no peito. Isso é confirmado pelo fato deles terem nocauteado aquelas duas, mas mesmo assim eles não fizeram mal nenhum a elas. Claro, irei puni-los e avisá-los para não voltarem a fazer isso, mas francamente, isso é algo um tanto quanto pequeno para criarmos problemas quanto a isso, não acha? Principalmente considerando que estou aqui para que nos ajudemos um ao outro a lidar com um problema em comum.

Aquilo fazia sentido... e mais do que isso, aquilo chamou a atenção de Bryen. Um problema em comum, não é? Seria uma grande mentirosa se dissesse que aquilo não era intrigante. Tal como seria Duke. A raiva que ele sentia não havia sumido; podia ver isso no rosto dele. Mas nem mesmo Duke podia negar que aquilo fosse intrigante, ou engar que aquilo fazia sentido. E por isso, no fim das contas, apesar de toda a sua irritação, o homem acabou sentando em das cadeiras naquela mesa, e simplesmente esperando.

Odin sentou de volta em seu lugar pouco tempo depois, como se nada tivesse acontecido. Bom, se tem uma coisa que eu posso dizer sobre ele é que ele não é alguém que guarda ressentimentos. Já era a segunda vez que alguém havia tentado matar aquele velho ali, e ainda assim, ele reagia de forma surpreendentemente calma e serena a tudo aquilo. O que, considerando quem são seus filhos, é algo um tanto quanto irônico. Se existia uma palavra que não podia ser usada para escrever aqueles dois, essa palavra era “sereno”.

– Muito bem. Se ninguém planeja me interromper ou tentar me matar agora, vamos recomeçar, sim? – disse Odin. Esperou um momento, como se realmente esperasse que alguém dissesse alguma coisa sobre isso, e só então ele começou a falar. – Já que temos algumas pessoas aqui que não estavam aqui antes, deixem-me resumir rapidamente as coisas pra vocês; estamos discutindo sobre acabar com o Olho Vermelho.

... Esse foi um diabo de um resumo rápido, observou Bryen, erguendo uma sobrancelha. O Olho Vermelho, não é? Já ouvi falar disso. Pelo que os rumores diziam, o Olho Vermelho era uma grande guilda ilegal, constituída por poderosos indivíduos que governavam o submundo como se fossem reis. Eles são bem temíveis e formidáveis pelo que os rumores dizem... mas não consigo ver o porquê que teríamos algum interesse em lidar com eles. Na verdade, não consigo ver esse tipo de interesse nem mesmo no Salão Cinzento. A não ser que...

– Espera aí; Olho Vermelho? Acho que já ouvi falar desse grupo de bastardos... ou ao menos de um grupo de bastardos com o nome similar a esse – contemplou Duke, apoiando uma mão no queixo enquanto pensava. – Ei, Kastor. Aquele cara que nos atacou na final do torneio, Durien ou qualquer coisa desse tipo... ele não havia se introduzido como um membro do Olho Vermelho?

– Ora, ora, parece que você é mais esperto do que parece, não é? – comentou Odin, sorrindo e batendo palminhas para Duke. Aquilo só fez irritar o homem, motivando-o a virar-se para o mais velho já disposto a reiniciar a briga entre eles. Foi só depois que ele viu que Odin não estava sendo sarcástico com aquilo que ele se acalmou. – Bem, você está certo. O homem que atacou vocês, Dwyn Logart, era um membro do Olho Vermelho; ele se introduziu como tal. Agora, não sei se você se lembra dessa parte também, mas em sua introdução, Dwyn também afirmou que ele estava ali especificamente para lidar com os cavaleiros. Kastor, Hozar, Teigra. Esses eram os alvos dele. – apoiou seus cotovelos na mesa a sua frente e juntou as mãos, usando-as como apoio para suportar seu queixo. – Agora, vocês podem saber disso ou não, mas certos cavaleiros numerados tem morrido, de tempos para cá. E não estou falando isso em relação a casos como o do Nono; ele morreu em um torneio do qual ele escolheu participar em uma etapa em que a derrota significava a morte, logo, a morte dele foi justa. Não, estou falando do Décimo e o Oitavo, por exemplo; eles foram assassinados, sem “mas” ou “porém”. Simplesmente assassinados, e nós não sabíamos quem havia causado isso. Agora, vocês me parecem um grupo bem inteligente; creio que, tendo acesso as mesmas informações que eu tenho, vocês são capazes de chegar a mesma conclusão que eu, não é?

Não é como se fosse difícil fazer isso, pensou Bryen. Vendo as coisas da forma que aquele homem estava falando, era muito fácil ver o que ele queria dizer. Então, o Olho Vermelho não só nos atacou como também atacou o Salão Cinzento. Aquilo era curioso, mas mais curioso do que isso era o porquê do Olho Vermelho ter feito isso. Eles não me parecem ser idiotas. O Olho Vermelho pode ser uma guilda grande no submundo, mas isso não muda o fato de que o Salão Cinzento é uma grande organização também. É estúpido deles provocarem uma briga assim. Mas, duvidava que iria obter uma resposta pra isso ali, pelo menos naquele momento.

– O Olho Vermelho provocou tanto o Salão Cinzento quanto a Era Dourada, e sendo assim, é apenas natural que juntemos nossas forças para contra-atacar, não é? – disse Odin, gesticulando com uma de suas mãos. – O que estamos discutindo aqui é como iremos lidar com o Olho Vermelho... ou, melhor dizendo, como iremos destruir o Olho Vermelho. Para mim, cada cavaleiro é como um filho meu, e que tipo de homem eu seria se mostrasse misericórdia aqueles que ameaçam e matam meus filhos? – o sorriso brilhou novamente no rosto de Odin, embora dessa vez ele tivesse sido bem diferente de antes. Enquanto os sorrisos de Odin antes haviam sido divertidos, intrigados, amigáveis e interessados, aquele sorriso só exibia uma coisa; sede de sangue. – Infelizmente, no entanto, as coisas não são tão simples quanto simplesmente chegar lá e matar todos eles.

– Na verdade, as coisas são simples assim – apontou Kastor por sua vez. – O problema é que não sabemos aonde é “lá”.

– Em outras palavras, não sabemos aonde fica a base do Olho Vermelho – esclareceu Hozar. – Isso não é algo surpreendente considerando que essa se trata de uma guilda ilegal, mas isso não faz com que isso seja menos complicado. Não sabemos quem é o líder deles, não sabemos aonde é a base deles, e sem informações como essas, simplesmente não temos como contra-atacar.

– Exato – concordou Odin, acenando com a cabeça. – E é exatamente por isso que estamos nos ocupando com planejamento aqui. Ou, melhor dizendo, porque estamos planejando a coleta de informações.

Ninguém disse nada em resposta a isso, mas palavras não foram necessárias, de qualquer forma. Para ver o que se passava na mente de qualquer um ali, tudo o que alguém necessitava era olhar para seus rostos. Kyanna estava com olhos afiados, aparentemente atenta a tudo que eles falavam, enquanto Duke tinha as sobrancelhas franzidas e gotas de suor correndo por sua testa, de uma forma que Bryen simplesmente não sabia dizer se ele não estava conseguindo acompanhar aquilo ou se ele apenas estava se arrependendo de ter ficado para ouvir a explicação. E Bryen em si... Então, o plano deles é um ataque direto contra o Olho Vermelho?! Sentia-se... estranha em relação a isso. O Olho Vermelho. A mais forte das guildas ilegais do mundo. Aquele espadachim que eu enfrentei antes... ele é uma demonstração do poder que eles tem. Sentiu sua mão tremer. Estava ao mesmo tempo excitada e temerosa com aquela ideia. Isso... isso me parece muito interessante!

Foi tirada de seus pensamentos apenas quando ouviu Odin voltar a falar.

– Para podermos atacar o Olho Vermelho, precisamos de informações – contemplou ele. – Felizmente, temos formas de descobrir isso. – seus dedos pousaram sobre a mesa, e no momento em que ele fez isso, algo muito estranho começou a acontecer. Não viu energia nenhuma se manifestando ali, seja nele ou no ambiente, mas ainda assim, marcas começaram a surgir na mesa, como se alguém estivesse desenhando alguma coisa nela com uma faca ou canivete ou qualquer coisa do tipo. Três imagens surgiram ali, e com o indicador, Odin apontou para a primeira delas; algum tipo de mansão em ruínas no meio de uma floresta. – Nós temos três pistas a seguirmos aqui, por assim dizer. A primeira delas é essa. Essa mansão que vocês podem ver ai é algo real, não simplesmente um desenho. Um nobre de Fredora construiu ela muito tempo atrás pelo que eu sei, no meio de uma floresta. Pelo que parece, a intenção dele era criar uma casa de repouso ali ou coisa do tipo, um lugar aonde ele pudesse ao mesmo tempo ter conforto e contato com o meio-ambiente. Não sei ao certo o que aconteceu, mas creio que basta dizer que isso não deu muito certo. A mansão foi abandonada, e com o tempo, ela ficou mal cuidada... mas isso é algo curioso, sabe? Ela está abandonada, e ela simplesmente está lá. Nenhum outro nobre tentou se apossar dela, nem nômades ou pessoas sem teto tentaram invadi-la. Ela apenas fica lá, como se fosse uma paisagem natural.

– Isso não poderia ser devido a rumores? – questionou Kastor. – Quero dizer, esse tipo de lugar frequentemente sofre com rumores como “mansão mal-assombrada” ou coisa do tipo. Não seria de se estranhar se alguém decidisse evita-la nesse caso.

– Não, não sei se isso seria certo – observou Hozar. – Eu já ouvi falar dessa mansão também, Kastor. De fato, existem alguns rumores de que ela é mal-assombrada e tudo mais, mas sejamos francos; rumores não vão impedir ninguém de tomar uma mansão como casa, principalmente se você tiver paz e sossego e não tiver de pagar nada por isso. É estranho que essa mansão seja tão vazia assim.

– De acordo, mas esse não é o maior ponto que temos aqui – apontou Odin, batendo o dedo no desenho da mansão. – Meus informantes haviam dito isso pra mim, mas eu passei lá e observei a mansão de longe antes de vir pra cá, e por isso eu posso afirmar com certeza; existe energia lá. Pessoas de nível mais elevados emitem, inconstantemente, pequenas partículas de energia; algo como uma aura. Normalmente essas partículas são invisíveis, mas quando a pessoa em questão é estupidamente forte ou quando são várias pessoas de alto nível, essas partículas se tornam visíveis aos olhos treinados. Quando existe uma movimentação constante de pessoas de alto nível sobre um certo lugar, essas partículas acabam por impregnar o ambiente no qual essas pessoas se concentram; essa guilda, por exemplo, possui uma certa aura que a cerca, e foi por isso que eu tive facilidade em achar a sua guilda uma vez que cheguei na cidade, Kastor. Foi isso que eu notei; a “aura” que cerca aquela mansão é bem fraca, como se alguém quisesse disfarça-la, mas eu pude observá-la mesmo assim.

– Então, você acredita que o Olho Vermelho está lá? – perguntou Kyanna.

– É uma hipótese, apesar de não uma certeza – explicou o velho cavaleiro. Em seguida, arrastou seu dedo, movendo-o para o segundo desenho; o desenho de um homem apresentando uma mulher com correntes no pescoço para uma multidão. – A segunda pista é essa. Daqui a dois dias, na cidade de Gaivel, ocorrerá um grande bazar... de escravos. O mercado de escravos é bem forte nessa cidade, e nesse evento em particular, teremos vários escravistas reunidos lá, levando sua mercadoria.

– E você acha que o Olho Vermelho vai estar entre eles? – questionou Duke, erguendo uma sobrancelha.

– O Olho Vermelho, em si, não – respondeu Odin. – Eles são muito sofisticados e cuidadosos para realmente sujarem suas mãos com algo assim. Mas o Olho Vermelho governa o mundo do crime, o que significa que ele está conectado ao mundo do crime. Os escravistas que estão ali estão conectados aos grandes líderes do crime, e esses líderes estão conectados ao Olho Vermelho.

– O que, em outras palavras, significa que podemos alcançar o Olho Vermelho através dos escravistas, não é? – contemplou Hozar, coçando o queixo.

– Exatamente – concordou seu pai. – Esse não é o mais direto dos meios, mas provavelmente é o mais... bem, eu diria “seguro”, mas isso seria um pouco irônico. Embora a chance de conseguimos alguma coisa sobre o Olho Vermelho seja maior nesse meio, o risco também é. Estando cercado por escravistas como estaremos, isso é praticamente uma missão de infiltração em território inimigo. Um passo errado e podemos ter mil espadas caindo sobre nós.

– Algo perigoso, então – concluiu Kastor de braços cruzados.

– Deveras. – novamente, Odin arrastou seu dedo, deixando que dessa vez ele caísse pelo terceiro e último desenho ali; o desenho de um homem, aparentemente um mendigo, chorando e se lamentando em um bueiro. – E chegamos à ultima pista. Essa é bem simples, e, bem... francamente, isso nem é algo que seria considerado como uma pista em uma situação normal, mas tenho uma certa intuição sobre isso, um pressentimento. Algumas semanas atrás, uma caravana ou trupe ou algo desse tipo foi atacada. Eu não sei exatamente quem os atacou ou porquê fez isso, mas sei que as “autoridades” locais não estão realmente se esforçando para descobrir o que causou isso... e sei que há um sobrevivente. Apenas um, um homem, alguém que aparentemente está tão traumatizado pelo que quer que aconteceu com ele que vive agora como um mendigo.

– E você acha que ele pode nos dizer alguma coisa de interessante ou que isso tem alguma coisa haver com o Olho Vermelho? – questionou Bryen, sem fazer esforço algum para esconder o ceticismo que tinha em relação a isso. – Que base você tem para isso?

A resposta de Odin foi coçar a cabeça com um dos dedos, como quem está encabulado.

– Bem, como eu disse, eu não tenho nada realmente que acusa uma participação do Olho Vermelho ali. Tudo que tenho é minha intuição. Mas ainda assim, acho que vale a pena checar isso.

– E provavelmente vale – concordou Hozar. – Você sempre demonstrou ter uma boa intuição, sempre demonstrou ter uma habilidade fora do normal para deduzir as coisas. Talvez isso seja um tiro no escuro, mas ainda assim, a simples chance que temos de conseguir alguma informação com isso é mais do que o suficiente para nos motivar a investigar isso.

Olhou para Hozar ao ouvir aquilo, mas não disse nada. Bem, Hozar está claramente ao favor desse cara, então nada que eu diga vai fazer diferença aqui. Pelo que podia compreender de tudo aquilo ali, Hozar iria apoiar o que quer que Odin falasse, e conhecendo Kastor, ele iria apoiar o que quer que Hozar apoiasse. De qualquer forma, isso pode ser uma perda de tempo, mas nada demais. Eu espero.

– Então, temos três pistas a seguirmos, não é? – disse Duke em conclusão, ajeitando-se em sua cadeira. – Então... qual delas seguiremos primeiro?

– Todas – disse Odin, simplesmente. Duke ergueu uma sobrancelha em resposta a isso, como se estivesse dizendo “tá de sacanagem comigo?”.

– Temos de fazer tudo de uma vez, Duke – disse, surpreendentemente, Kastor. – Afinal, pense só. Suponha que investiguemos um desses locais e não consigamos achar nada nele. Isso normalmente sugeriria que teríamos de ir para outro desses lugares, mas tal como Odin falou, o Olho Vermelho é um grupo cauteloso, e eles não devem ser idiotas se cresceram tanto assim. Se um grupo de cavaleiro vai para uma mansão abandonada, para um mercado de escravos ou para falar com um mendigo, isso vai chamar a atenção. O Olho Vermelho não deve demorar a compreender o motivo por trás disso. E quando eles entenderem o que estamos fazendo, a primeira coisa que eles irão fazer será acabar com toda e qualquer pista que pudesse nos levar a eles. Em outras palavras, eles nos deixariam em uma situação na qual ficaríamos com as mãos atadas. Para evitar algo assim, precisamos investigar os três ao mesmo tempo, de forma que não haja chance para que o Olho Vermelho dê cabo de qualquer evidência, qualquer pista que possa nos levar a ele.

– Exatamente – concordou alegremente o velho cavaleiro. – Kastor explicou muito bem a situação atual. E é exatamente por essa ser a situação atual que precisamos investigar os três lugares simultaneamente. O que, obviamente, significa que vamos ter que nos separar em três grupos.

Separação em grupos geralmente é uma má ideia, observou mentalmente Bryen. Normalmente, assim que os mocinhos se separam em grupos eles começam a cair, nas histórias. Mas, não diria isso. Não é como se fossem ouvi-la. E além do mais, isso não é bem algo que eu quero dizer, ou que eu diria com orgulho.

– Considerando que eu sou, bem, eu, e Kastor é o líder da guilda de vocês, temos dois líderes para grupos aqui, facilmente – disse Odin, reclinando-se para trás em seu lugar. – Eu tenho meus mercenários comigo, então, tenho um grupo bom para me acompanhar. Vocês são sete, e sendo assim, creio que tem pessoas o bastante aí para formarem dois grupos, não é?

– De acordo – concordou Kastor, acenando com a cabeça. – Hozar pode comandar o segundo grupo. Ele é como meu braço-direito aqui, então não vejo ninguém mais adequado para isso.

– Eu sou mais adequado para isso – murmurou Duke. Ninguém deu importância pra ele.

– Se somos sete, podemos fazer um grupo de quatro e um de três tranquilamente – apontou Hozar calmamente. – Kastor, você lidera o grupo de quatro. Sendo o líder, é apenas natural que você exerça a maior parte do comando e tenha a melhor segurança, também.

– É muito bom ver que vocês já tem tanto disso já definido – comentou Odin, balançando a cabeça como se estivesse orgulhoso daqueles dois. – Mas, temos que ainda temos de resolver algumas coisas, não é? Certas coisas importantes. Coisas como... quem vai com quem? Coisas como... quem vai aonde?



Notas finais do capítulo

Discussão do capítulo: http://igorescritor.forumeiros.com/t8-discussao-do-capitulo-3-4-decisoes#10

Então, chegamos agora ao primeiro capítulo interativo dessa história! Aqueles que estão aqui desde "O Torneio de Valhala" já compreendem como isso funciona, mas para os que não estão, as coisas são simples. Vocês agora farão decisões, e essas decisões decidiram o rumo da história. Dependendo de suas escolhas, personagens podem viver ou morrer, objetivos podem ser alcançados ou não, e toda a trajetória da história em si pode mudar. A partir de agora, vocês decidem as coisas.

Bom, nesse capítulo em questão, vocês irão votar em três coisas:

1) Quem vai pra onde. Os três líderes são Kastor, Hozar e Odin, e as três localizações são a Mansão, o Mercado de Escravos e o Sobrevivente. Em seu comentário, vocês devem dizer para onde cada um deve seguir. Por exemplo: "Odin vai pro sobrevivente, Kastor vai pra Mansão e Hozar vai pro Mercado de Escravos". Bem simples, não?

2) Os grupos. Aqui, vocês decidiram quem integrará os grupos de quem. Odin é alguém com grupo fechado, por assim dizer; independente das escolhas, ele liderará seus mercenários. No entanto, Kastor e Hozar tiraram seus companheiros dos membros da guilda. São cinco membros, no caso: Bryen, Kyanna, Duke, Teigra e Anabeth. Kastor terá três deles lhe acompanhando, enquanto Hozar será acompanhado de dois. Simplesmente digam no comentário quem vai com quem, entendido?

Por exemplo: "Kastor vai com Duke, Anabeth e Kyanna. Hozar vai com Teigra e Bryen".

3) Quem iremos acompanhar. Em outras palavras, qual será o foco atual. Não se preocupem, eu mostrarei todos os três grupos, então, isso simplesmente servirá para que vocês decidam qual vocês tem mais interesse em acompanhar no momento. Apenas digam isso em seu comentário.

Por exemplo! "Acompanhamento do Grupo de Kastor".

Bem simples tudo isso, não? Pois bem! Só lembrando, os votos só serão considerados se forem postados nos comentários aqui do Nyah!. Votos executados na discussão do capítulo no meu fórum ou por MP serão desconsiderados, ok?

Mais uma coisa! Vocês tem três dias de votação. Ao fim desses três dias, eu começarei a escrever o capítulo. Em outras palavras, como esse capítulo será postado dia 23/07 as 11:30, a votação se encerra dia 26/07 as 11:30, salvo caso algum infortuno venha a acontecer e o site fique fora do ar ou coisa do tipo. Por sinal, por favor, mantenham isso em mente: a votação termina 11:30. Um voto 11:31 será desconsiderado. Um voto 11:30:01 será desconsiderado. Não quero ser rude aqui, mas na primeira temporada, muitas pessoas por vezes perderam o prazo de votação e votaram depois dela ser terminada, o que me colocou numa situação chata de ter que anular os votos dela. Para evitar isso, estarei sendo mais severo aqui. Se seu voto é 11:29:59, eu considero ele. Se é 11:30, eu não considero. Comentários, no entanto, são logicamente bem vindos a qualquer momento. Comentem a vontade, meus amigos! Alegrem a alma desse escritor!

Bem, é isso. Até depois o/



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