O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 33
Honra na Morte


Notas iniciais do capítulo

~Steve walks warily down the street with
the brim pulled down low
Ain't no sound but the sound of his feet
Machine guns ready to go
Are you ready? Are you ready for this?
Are you hangin' on the edge of your seat?
Out of the doorway, the bullets rip
To the sound of the beat, yeah!~

~Dum, dum, dum
And another one bites the dust!
Dum dun dun, dum, dum
And another one bites the dust!
And another one's gone, and another one's gone, another one bites the dust!
Hey, gonna get you too! Another one bites the dust!~



Caído sobre um joelho, Balak mantinha sua mão direita sobre o ferimento em seu peito, deixando que sua energia fluísse através de seus dedos para o ferimento, fechando-o, curando-o por completo. Supunha que devia sentir-se grato por saber usar magias de cura em situações como essa, mas não conseguia o fazer. Isso não é bom. Por mais que soubesse usar magias de cura, não era um especialista nelas; tinha um bom aproveitamento, mas ainda gastava energia demais com elas, e a verdade é que não deveria gastar energia nenhuma. É bem capaz que eu acabe entrando em confronto com um dos líderes do Salão Cinzento. Se isso realmente acontecer, é importante que eu tenha tanta energia quanto possível para enfrenta-los... apesar de que, é bem melhor enfrenta-los com um pouco de energia a menos do que com alguns órgãos a menos.

Mas não era realmente o fato de estar tendo de gastar mana para se curar que lhe incomodava ali, mas sim o seu inimigo. Zephyr estava à sua frente, sorrindo de orelha a orelha de forma arrogante enquanto segurava sua espada na mão direita de forma descuidada, como se pudesse deixa-la cair ao chão a qualquer momento. Estaria mentindo se dissesse que a arrogância na postura dele não lhe irritava nem um pouco, mas isso era o de menos se comparado a sua habilidade. Todos os dez primeiros ataques irão sempre me acertar, e sempre serão acertos críticos, não é? Em uma situação normal, não acreditaria em uma afirmação tão prepotente como aquela, mas depois de ter sido atingido por três desses golpes, era forçado a conceder que aquilo não só era real como também era uma ameaça. Três golpes já foram desferidos, e três golpes me acertaram. Faltam sete. Aquilo não era nada bom. Se fosse atingido por outros sete golpes, iria gastar mana demais se curando para ser capaz de suportar uma luta de alto nível depois, e isso seria considerando que aquele homem fosse algum tipo de idiota que perderia a chance de lhe matar com uma sequência rápida, o que Balak duvidava. O único motivo de eu estar vivo até agora é que ele aparentemente ainda está brincando comigo, mas com essa habilidade, ele é capaz de me matar qualquer bem quiser. E mesmo caso ele não consiga me matar com os golpes que ainda lhe restam, não há nada que me garanta que ele não pode simplesmente usar sua habilidade de novo e ganhar outros dez golpes.

E foi então que um pensamento passou por sua mente subitamente, rápido como uma lagartixa. Uma lagartixa que Balak apanhou pela cauda.

Sentiu subitamente mais animado com aquela ideia em mente, erguendo seus olhos para seu oponente com mais determinação. Será que isso vai funcionar? Francamente, não sabia, mas não tinha muitas alternativas; tinha de tentar alguma coisa, tentar reagir de alguma forma, do contrário tudo que iria conseguir seria uma morte bem patética em questão de minutos. Mesmo se isso não funcionar, vale a pena ao menos a tentativa. Pôs-se novamente de pé com alguma dificuldade, sentindo dor correr por seu corpo, um sinal de que apesar da sua cura ele ainda havia sofrido com os golpes de seu oponente. Uma das sobrancelhas de Zephyr se ergueu ao ver aquilo, mas logo o sorriso em seu rosto se tornou ainda mais arrogante e o jovem cavaleiro gargalhou, divertido.

– Ainda pretende lutar, mago? – questionou ele, o tom de sua voz abertamente (e propositalmente) provocante. – Sabe, eu sinto que devo admirar a sua determinação, mas é realmente difícil fazer isso considerando a burrice que cerca suas ações. Você já devia ter entendido isso; com a minha habilidade, a vitória é mi-

Interrompeu-o ao apontar subitamente seus dedos indicador e pai-de-todos da mão direita em direção ao peito de seu oponente, completamente sério e focado em sua técnica.

Relâmpago Concentrado! – gritou ele, concentrando sua energia no espaço entre seus dedos e criando atrito proposital com ela, gerando assim uma descarga de energia elétrica que foi lançada diretamente contra seu oponente. Entre suas técnicas, “Relâmpago Concentrado” era provavelmente uma das menos espalhafatosas, mas isso não a tornava menos poderosa; a descarga focada e concentrada de energia elétrica avançava contra seu alvo como uma lança, perfurando tudo que estivesse em seu caminho com facilidade, fosse isso o que fosse. O grande ponto negativo nessa técnica era que, por mais poderoso que o relâmpago fosse, o usuário não tinha controle nenhum sobre ela; uma vez liberado, o relâmpago sempre seria em linha reta, o que fazia com que se esquivar daquele golpe não fosse nada realmente difícil. Mas se o meu plano der certo – se o pensamento que eu tive se provar verdade – então isso não vai importar!

Os olhos de Zephyr se arregalaram ao ver aquele ataque, e sem pensar duas vezes o homem moveu-se para o lado. Apesar de ter lhe atacado de surpresa com um ataque relativamente rápido, os reflexos naturais do cavaleiro se mostraram bons demais para permitir que ele fosse atingido por um golpe daquele, e bem antes que o relâmpago sequer chegasse perto de lhe atingir o homem já havia saído da sua trajetória.

E então, subitamente, o relâmpago curvou-se em meio ao ar e mudou sua direção, seguindo direto contra Zephyr e perfurando-o diretamente, atravessando seu peito e emitindo uma onda elétrica tão poderosa que por um momento Balak pode ver o esqueleto do homem por baixo de sua carne.

O cavaleiro caiu de joelhos no chão quase que imediatamente, parecendo poder desmaiar a qualquer instante. Fumaça saia de seu peito como se ele tivesse sido completamente queimado, o que não estava realmente tão distante da verdade. O buraco que o relâmpago havia deixado era relativamente pequeno, com cerca de dez centímetros de diâmetro, mas a área dele em si e o que lhe cercava estava completamente queimada pelo calor da eletricidade concentrada do Tecelão do Tempo. O rosto de Zephyr se ergueu para fitar Balak, seu sorriso arrogante tendo desaparecido por completo, sendo substituído por uma feição simplesmente irada, enquanto um filete de sangue escorria de cada canto da sua boca.

– Filho-da-puta miserável... – amaldiçoou Zephyr, franzindo o cenho com força enquanto encarava Balak. Foi a vez do mago sorrir de forma arrogante, em parte por estar satisfeito consigo mesmo, em parte simplesmente para vingar-se de seu oponente.

– Vamos, vamos, Zephyr, você devia ter imaginado que eu eventualmente iria descobrir isso, não é? – gesticulou com as mãos enquanto falava, tudo enquanto lutava para conter uma risada de satisfação que queria vir de seus lábios. – Esse seu poder é extremamente poderoso. Poder estabelecer coisas como “todos os golpes acertaram”, ainda que tenham limites... isso é algo extremamente poderoso, uma habilidade que altera as próprias leis e lógica do mundo. Mas o que mais chama a atenção nisso não é o fato de você possuir ou controlar seu poder, mas sim o fato de você ser imune a ele. Afinal, um poder tão grande assim, uma habilidade tão poderosa... não faz sentido que seu usuário seja imune a ela. Afinal, qual é o sentido em alguém que causa terremotos ser imune as vibrações causadas por ele? E foi então que me veio a resposta... você nunca disse ser imune ao seu poder, porque você não é. Você estabelece regras, sim, leis que devem ser cumpridas, e embora você não diga isso, você também está sujeito a elas. Em outras palavras, se a lei atual é “todos os dez primeiros ataques acertam e causam dano crítico”, isso significa que todos os ataques na área de efeito da sua habilidade sofreram esse efeito, sejam eles meus ou seus. O que totaliza... quatro ataques até agora, é isso?

Conseguiu ver a irritação crescer no rosto de seu oponente ao ouvir aquelas palavras, uma carranca tomando conta dele. Por um momento pensou que o cavaleiro iria perder a cabeça e avançar contra ele, mas aparentemente no último instante este conseguiu recobrar seus sentidos. Fechou os olhos, encheu as bochechas de ar e suspirou lentamente, como se estivesse jogando sua irritação pra fora lentamente com aquilo. Só depois foi que ele se ergueu, calmamente, batendo suas roupas com as mãos para livrá-las da sujeira.

– Você está certo – disse ele, sorrindo de orelha a orelha de uma forma que aparentemente ele queria que parecesse calma e descontraída, mas que para os olhos de Balak não deixou de parecer artificial e forçada... e com um tanto de hostilidade escondida por trás dela. – Tudo o que você falou está correto, e há mais do que isso, pra ser sincero. A minha habilidade, minha Aloeiris, se chama Lei de Dez. O poder dela é justamente o que o nome sugere; a possibilidade de criar leis baseadas de alguma forma no numeral dez que se tornam verdadeiras regras, algo perante ao qual todos devem se curvar. Lógico, eu não sou uma exceção a isso; devo me curvar a Lei de Dez tanto quanto qualquer outro, e isso significa que estou sujeito aos efeitos dela também. No entanto, sendo o criador das leis, tenho acesso a algumas vantagens, embora essas também venham com suas próprias desvantagens. Por exemplo: posso cancelar qualquer uma das leis que criei a qualquer momento, o que significa que leis como essa que eu estava usando podem ser anuladas conforme a minha necessidade. Isso dito, também tenho algumas limitações; não posso usar uma mesma lei por um período de setenta e duas horas desde o último momento em que ela foi completa ou cancelada. Sendo assim, eu não posso, por exemplo, sair dessa luta com você e usar a mesma lei que usei aqui contra outra pessoa. Como prêmio de consolação, entretanto, eu não tenho limites no número de leis que posso criar por dia, o que significa que, desde que eu tenha uma boa criatividade, posso manter-me sempre usando boas leis para me dar vantagem em lutas e outras questões do dia-a-dia.

Não demonstrou isso em seu rosto, mas ficou um tanto quanto surpreso pela ação do homem. Ele agora resolveu me contar todos os segredos da sua habilidade? O que raios está passando na cabeça dele para fazer algo assim? A estranheza de tudo aquilo fazia com que ele ficasse em sobre o que deveria fazer em relação aquilo. Parte de mim quer assumir que ele apenas está surtando ou coisa do tipo e usar esse conhecimento para a minha vantagem, mas ao mesmo tempo parte de mim me diz que isso é uma armadilha, que eu deveria desconfiar de tudo que ele diz. No fim das contas, simplesmente não tinha ideia do que deveria fazer... e foi por isso que tomou uma decisão bem prática, algo que consideraria extremamente estúpido em qualquer outra situação.

– Por que você está me dizendo algo assim, Zephyr? – perguntou ele, erguendo levemente uma de suas sobrancelhas enquanto cruzava os braços. Bem, dizem que a melhor forma de descobrir algo que você não sabe é perguntando, certo?

– Por um simples motivo: saber as minhas habilidades não significa nada pra você, Balak. Sabendo das minhas habilidades ou não, você não tem chance alguma de lidar com elas. – um sorriso verdadeiramente arrogante surgiu no rosto do cavaleiro, e de forma condescendente ele estalou os dedos. – Lei de Dez: as próximas dez pessoas a usarem magia irão morrer instantaneamente.

Os olhos de Balak se arregalaram ao ouvir aquilo, o mago simplesmente incapaz de conter sua surpresa. Por que estou tão surpreso assim?, pensou ele, sem entender suas próprias ações. Ele acabou de me explicar seus poderes. Considerando o que ele disse, isso está claramente dentre o nível de poder que ele alcança. Eu não deveria estar assim tão surpreso. Mas isso não mudava o fato de que estava, surpreso demais.

– Creio que isso vai ser um problema pra você, não é, Balak? – comentou Zephyr, sorrindo ironicamente. – Um mago que não pode usar magia... isso é tão bom quanto uma espada sem fio, não é? Ou, melhor dizendo, tão patético quanto. Vocês magos tem um grande ponto fraco, sabiam? Sem suas magias, vocês não são na-

Interrompeu aquele homem ao acertar-lhe um soco direto no rosto, quebrando seu nariz com um único golpe com tanta violência que sangue esguichou em seu rosto.

Havia se aproximado rapidamente com um salto e pegado seu oponente completamente de surpresa com seu ataque. Zephyr cambaleou para trás ao receber o golpe, atordoado pela dor e pela surpresa, mas não lhe deu trégua; continuou com seus ataques, acertando um soco na boca do estômago de seu inimigo para tirar-lhe o ar, seguido por um soco direto na orelha para lhe atordoar. Seu oponente vacilou para o lado, e aproveitou-se disso para acertar um poderoso chute na lateral do corpo de Zephyr, jogando-o longe como se ele não fosse nada.

O orgulhoso cavaleiro caiu rastejando no chão, atordoado, confuso e dolorido. Balak olhou para ele de cima – triunfante, superior – e não pode deixar de sorrir diante do que viu. Ah, que doce ironia.

– Eu acho que cavaleiros como você não sabem de coisas assim, não é, Zephyr? – questionou Balak, embora já soubesse a resposta. – No Colégio Branco, nós, magos, recebemos um bom treinamento de combate corpo-a-corpo. Afinal, por uma razão ou outra, pode ser que eventualmente chegue o dia em que sejamos forçados a lutar sem nossa magia, e um mago que é completamente dependente de sua magia é um mago bem patético.

Seu oponente não disse nada, ocupado demais em tentar se levantar. Zephyr tentava colocar-se de novo em pé, mas ele estava zonzo demais para conseguir fazer algo assim, tropeçando e escorregando a todo momento. Por fim, ele de alguma forma conseguiu se colocar novamente de pé, e assim que o fez, algumas palavras começaram a vir de seus lábios.

– Lei de De-

Não lhe deu o tempo de terminar com aquilo. Cruzou rapidamente a distância que os separava e acertou um poderoso chute na junção do joelho dele, fazendo com que aquelas palavras fossem substituídas por um grito agoniado de dor. O cavaleiro caiu de joelhos no chão diante disso, e não demorou um segundo para que as mãos de Balak envolvessem seu rosto.

– Agora, sabe o que é mais engraçado aqui, Zephyr? – perguntou Balak, sorrindo maldosamente. – Se você não fosse um idiota orgulhoso e arrogante, você teria ficado calado, eu teria usado magia e, no fim das contas, você teria ganhado. De certa forma, não fui eu que lhe derrotei, mas sim sua própria estupidez!

E sem dar tempo para que o homem retrucasse qualquer coisa a isso, moveu bruscamente suas mãos. O som de ossos quebrando-se foi ouvido no momento em que Balak quebrou o pescoço de Zephyr, e logo em seguida o corpo sem vida do cavaleiro caiu no chão, sua cabeça virada de forma anormal.

Suspirou com o fim da luta. Menos um cavaleiro, eu acho. Correu rapidamente os olhos pelo ambiente para ver se estava sendo observado, e depois deixou que seus olhos caíssem sobre suas roupas. Droga, minhas roupas estão bem ferradas. Não gostava daquilo. Um homem da sua estatura não deveria andar por ai em maltrapilhos. Ah, bem, tenho coisas mais importantes com as quais lidar. Ainda haviam muitos inimigos para enfrentar, e com esse pensamento em mente, sacudiu sua cabeça e resignou-se a seguir em frente para o próximo campo de batalha.

=====

Caminhando calmamente pelas ruas em chamas do Salão Cinzento, Reivjak mantinha suas mãos aos bolsos, entediado e preguiçoso. Droga, eu pensei que uma batalha dessa magnitude seria no mínimo interessante, mas até agora ela tem sido apenas um tédio. Apesar do fato de que Salão supostamente contava com uma imensa quantia de cavaleiros, até agora não havia encontrado nenhum oponente digno, capaz de lhe dar uma luta decente.

– Apesar de que, considerando que você está por aqui, eu acho que isso não vai durar muito, hm? – questionou ele de forma despreocupada, movendo um pouco seus olhos na direção da qual sentia a presença dele. Seu inimigo, quem quer que fosse ele, havia aparentemente se ado ao trabalho de tentar manter-se escondido até agora, apenas observando os movimentos de Reivjak. Havia notado ele desde o início, mas havia preferido não manifestar seu conhecimento dele, motivado por nada mais do que curiosidade sobre o que ele faria. Mas acho que já dei mais do que tempo o suficiente para ele, não é? Se ele tem de fazer algo, que faça agora e acabe logo com isso.

Durante algum tempo – um bom tempo – quem quer que fosse que estava observando Reivjak não fez nada, não manifestou-se de forma alguma. Por um momento chegou até a pensar que ele não iria manifestar-se na esperança de que pensasse que siso se tratava de nada mais do que sua imaginação e seguisse em frente, e por isso começou a erguer suas mãos, preparando-se para lançar ataques a esmo afim de forçar seu oponente a aparecer, mas isso não provou-se necessário. Como se lesse sua mente, um momento após pensar naquilo o oponente de Reivjak apareceu.

Havia imaginado que os cavaleiros do Salão Cinzento seriam grandes como um armário e fortes como um touro, poderosos o bastante para levantar uma casa com uma única mão. Nem depois de ter visto as tropas da organização havia desistido desses pensamentos, decidindo que por serem apenas soldados, as regras não deveriam se aplicar a eles. Ver aquele homem marcou a morte da sua teoria; pelo poder que sentia emanando dele, ele certamente era alguém de alguma posição dentro da hierarquia do Salão, mas mesmo assim a sua aparência não estava nem perto do que havia imaginado. Ele não era fraco ou coisa do tipo – conseguia ver alguns músculos por baixo da sua armadura prateada – mas estava longe de ser alguém que você poderia classificar como um “touro”, e além do mais, suas feições muito delicadas para isso. Tinha um rosto oval, sua pele um tanto quanto bronzeada, fazendo com que os cabelos prateados dele se destacassem ainda mais em meio a sua aparência, longos, volumosos e desarrumados, caindo até a metade de suas costas. Seus olhos tinham uma íris da mesma cor de seu cabelo, o que fazia com que identificá-la não fosse necessariamente a coisa mais simples: por um instante pensou que os olhos do homem eram brancos como leite, e isso fez mais do que lhe assustar um pouco.

– Devo dizer, estou um pouco desapontado com isso – comentou o cavaleiro, mostrando um fino sorriso em seu rosto que, surpreendentemente, não era arrogante ou prepotente, mas apenas bem humorado. – Eu nunca fui muito bom em me esgueirar ou coisa do tipo, mas quando eu fiquei lhe seguindo sem que você demonstrasse algum sinal de que havia notado minha presença, pensei que eu havia melhorado. Você me deu esperanças, e depois esmagou-as em um único golpe... algo cruel, muito cruel.

Apesar da forma leviana e bem humorada com a qual o homem falava, a guarda de Reivjak estava erguida enquanto ouvia cada palavra dele. Não posso subestimá-lo. Só porque uma pessoa agia de forma despreocupada ela não necessariamente era alguém que você devia subestimar – Jiazz era uma prova viva disso. E além do mais, sentia algo vindo daquele homem. Uma energia, uma força poderosa. Ele é forte. Tão forte ou mais do que eu. De certa forma, era uma pena que Jiazz não tivesse se encontrado com ele. Se lutasse contra aquele homem, talvez Jiazz se divertisse um pouco.

– Posso perguntar o porquê de você de você ter me seguido? – questionou Reivjak por sua vez, mantendo a distância do homem e tendo o cuidado de certificar-se de que seus movimentos não parecessem agressivos. A última coisa que queria era provoca-lo e fazer com que ele começasse o ataque antes da hora.

– Simples lógica básica – foi a resposta do outro, batendo desleixadamente em sua própria cabeça com o nó dos dedos. – Três das quatro áreas da nossa cidade estão sendo atacadas. Essas áreas foram atacadas em momentos separados, com alguns minutos de diferença entre os ataques, não o suficiente para impedir que um ataque se aproveitasse do outro, mas o suficiente para deixar claro que isso não foi causado por uma ordem simultânea. Se o ataque está dividido assim, então suponho que o inimigo tenha posicionado uma pessoa de confiança em cada uma das áreas atacadas, alguém responsável por supervisionar e coordenar os ataques... e sem ofensas, mas você não me parece ser esse comandante. No entanto, você não estava encontrando inimigos também, o que me fez chegar a conclusão de que seria uma boa ideia lhe seguir; assim, se você encontrasse algum de nós e entrasse em conflito com ele, eu poderia auxilia-lo, e se você se encontrasse com seu comandante para obter novas ordens, eu poderia matar os dois. – deu de ombros ao dizer isso e balançou a cabeça, desconsolado. – No entanto, a sorte aparentemente deu por bem não sorrir pra mim no que diz respeito a isso. Que pena.

Ah, a sorte sorriu pra você, pode apostar nisso. Não chamaria Jiazz exatamente de “comandante”, mas ele era o mais próximo disso que tinham ali, e por mais poderoso que seu oponente pudesse parecer, não tinha dúvidas de que ele seria completamente derrotado caso enfrentasse o Juggernaut.

– Você não deveria se preocupar com algo assim, cavaleiro – murmurou Reivjak, deixando que seu poder agisse sobre suas correntes e fizesse com que elas começassem a se mover, rastejando para fora de sua manga como se fossem cobras de aço. – Eu sou mais do que suficiente para lidar com você.

O cavaleiro apenas alargou um pouco mais seu sorriso ao ouvir aquilo, mas Reivjak não deu atenção alguma a essa reação. Jogou ambos os seus braços para trás em preparação para seu ataque, e quando voltou a movê-los para frente as correntes foram arremessadas contra seu oponente, avançando contra ele da mesma forma que dardos disparados por uma besta, à uma velocidade tão grande que o olho humano nem sequer conseguia começar a acompanha-las.

Disparo Cinzento!

O cavaleiro não moveu-se apesar desse ataque, entretanto. Não pode deixar de surpreender-se com aquilo; considerando a força que sentia emanando daquele homem, ele deveria ter poder e habilidade o suficiente para reagir de alguma forma àquele golpe, mas mesmo assim ele estava apenas parado, esperando por ele. Será que ele é arrogante o suficiente para achar que vai sair ileso disso? O homem não havia lhe passado a impressão de ser particularmente antes, mas supunha que podia ter se enganado.

Mas no momento em que suas correntes atingiram o corpo dele em cheio apenas para serem refletidas para trás como se não fossem nada, sem causar nem um arranhão sequer a ele, compreendeu que ele não estava sendo arrogante e que estava, na verdade, subestimando-o demais.

– Primeiro Cavaleiro da quadragésima-quarta leva do Salão Cinzento e um dos Ascendentes, candidatos a posição de liderança do Salão, Senjur Moondancer... também conhecido como “Fenrir, Devorador de Deuses”. – a forma polida com a qual o homem falou entrava em um bizarro contraste com o que estava acontecendo com o corpo dele naquele mesmo momento, diante dos olhos de Reivjak. Seus músculos estavam se expandindo, literalmente pulsando violentamente, ao mesmo tempo em que pelos prateados começavam a surgir ao redor do corpo do homem, tomando conta dele. Seus braços, pernas, rosto... tudo começou a mudar, e aquelas não eram mudanças leves. – ESSE É O NOME DAQUELE QUE VAI LHE MATAR, INIMIGO DO SALÃO!

Imediatamente saltou para trás, procurando criar tanta distância quanto possível entre eles, e enquanto o fazia lançou suas correntes para casas e estruturas próximas, fazendo com que elas se cruzassem a sua frente como que para formar uma espécie de teia de aranha de aço. Isso é mal, muito mal! Eu estou lutando com um inimigo bem perigoso aqui! Aquilo não era piada nenhuma; se não tomasse cuidado, aquele homem iria lhe matar.

Ergueu seus olhos para ver como andavam suas defesas, apenas para ver suas correntes sendo facilmente quebradas por um gigantesco lobo gigante prateado que avançava contra ele com a velocidade de um demônio de prata.

=====

Festival das Pedras! – foram as palavras que vieram dos lábios de sua oponente quando ela se moveu, gesticulando com seus braços e fazendo que, com seus gestos, pedras emergissem do chão e fossem lançadas contra ele em grandes quantias e velocidades. Franziu um pouco o cenho diante daquilo, mais irritado do que encrencado pelo ataque. Patético. Isso não serve como mais do que uma distração! Cortou facilmente as rochas com sua espada, sabendo bem que pedras não estavam nem sequer perto de serem o suficiente para lhe parar... mas no momento em que a última pedra foi cortada, uma sombra gigantesca encobriu todo o seu ser. Ah... eu já consigo até imaginar o que é isso. Ergueu sua cabeça para fitar aquilo já sentindo-se entediado para fitar exatamente o que havia imaginado; um gigantesco braço de pedra que se erguia acima dele, grande como um titã. – Punho de Deus!

Ao ressoar das palavras da mulher de pedra, o braço se dobrou, o punho gigantesco dele caindo contra Bokuto com uma velocidade tremenda para algo do que tamanho. Suspirou ao ver aquilo, irritado e entediado. Isso é uma grande piada sem graça e de mal gosto. Nem sequer sentia vontade de usar sua espada contra aquilo... e exatamente por isso decidiu que não a usaria.

O punho gigante caiu sobre ele, e para defender-se dele, Bokuto ergueu uma de suas mãos aberta. A onda de choque resultante do impacto foi o suficiente para quebrar o chão que lhe sustentava e destruir estruturas próximas, mas o próprio Bokuto em si não viu dificuldade alguma naquilo. O punho havia caído sobre ele com toda a sua força, todo o seu peso e o apoio da gravidade, mas isso não era o suficiente. Pelo peso, chuto que isso deve pesar algumas dezenas de toneladas. Só isso não está nem perto de ser o suficiente para me parar.

Recuou seu braço apenas um pouco – só o suficiente para que pegasse impulso com ele – e assim que o fez, não hesitou; forçou seu braço para cima, jogando forçosamente o grande punho de pedra para cima, dando-lhe espaço o suficiente para que movesse sua espada e facilmente cortasse o braço em dois com um movimento dela. As duas metades do braço de pedra caíram ao chão, quebrando-se e levantando uma grande cortina de poeira que cobriu toda a área da cidade aonde estavam. Tch! Isso é problemático... Com aquela cortina de poeira, não conseguia ver nada, o que significava que sua oponente poderia avançar contra ele e não a veria até que ela estivesse bem diante do seu rosto.

... Mas por mais que não pudesse vê-la, podia senti-la.

Agachou-se bem a tempo, deixando que as mãos dela – que mais pareciam garras naquele momento, seus dedos afiados e na postura das garras de algum animal selvagem – passando bem acima de sua cabeça. Flagrou o que deveria supostamente ser o olho dela movendo-se em sua direção, fitando-o com o que parecia ser irritação, mas francamente, não podia se importar menos com isso. Moveu sua espada contra ela em um golpe horizontal, mas ela foi rápida, e antes que conseguisse atingi-la a mulher de pedra saltou, evitando completamente seu golpe. Rangeu os dentes ao sentir a presença dela em suas costas e virou-se prontamente, brandindo sua espada com tanta força que a mera pressão do ar cortou a cortina de poeira, mas nem mesmo isso atingiu sua oponente; ela saltou para trás muito antes que ele a tocasse, criando uma grande distância dele. Diante daquilo, perdeu totalmente sua paciência.

CHEGA! – esbravejou Bokuto, irritado demais para manter seus nervos sob controle. Seus dentes rangiam um no outro com força, seu cenho estava franzido em sua testa veias nervosas pulsavam com tanta intensidade que elas poderiam explodir a qualquer momento. – Chega dessa merda! Você morre agora, Maria Pedregulho! – dobrou suas pernas com toda a sua força, segurou firmemente sua espada e, travando seu olhar em sua oponente, saltou contra ela com toda a sua velocidade, literalmente explodindo o chão do lugar aonde estava antes através de nada mais do que a pressão que exerceu. – Estilo Uma Espada: Fúria do Leão Dourado!

A mulher terminou de aterrissar apenas a tempo o suficiente para que erguesse seus braços e com eles tentasse bloquear o golpe de Bokuto. Apesar disso, sua defesa foi forte, incrivelmente forte. Apesar da tremenda força com a qual a golpeou, ela não mostrou sinal que cederia nem um milímetro, mantendo-se firme e sustentando a ofensiva de Bokuto. Por um momento, ficaram em um impasse ali – homem e mulher, confrontando-se com todas as forças, ambos sabendo que aquele era o momento decisivo, o que decidiria a batalha.

No fim das contas, foi Bokuto quem ganhou.

Sua persistência, força e fúria foram os combustíveis que lhe deram a vitória. Por mais poderosa que fosse a mulher, seu corpo era feito de pedra, e pedra tinha seus limites. Eventualmente, a estrutura dela quebrou, e quando isso aconteceu ela se assustou e vacilou. Fez seu sucesso em cima desse vacilo; concentrou toda a sua força em seu ataque naquele momento, pressionou ainda mais, e conseguiu o sucesso. A mulher de pedra foi cortada limpamente em duas por ele, mas isso não foi nem de longe o limite de seu ataque. A pressão do ar exercida por seu movimento seguiu em frente, cortando casas e ruas de forma tão limpa quanto ele havia cortado a mulher, seguindo adiante pelo horizonte, além de onde os olhos podiam ver. Olhou para o lado, e apenas viu o limite disso quando a pressão colidiu com uma das formações montanhosas que cercava o Salão Cinzento, chegando a metade do caminho para cortá-la ao meio antes de perder finalmente sua força.

Suspirou, não em tédio dessa vez, mas de cansaço. Isso... foi mais difícil do que imaginei. Olhou para o corpo de pedra da mulher, próximo de seu pé. Fez uma careta e, sem pensar duas vezes, esmagou a cabeça dela com uma pisada, quebrando a pedra em migalhas.

– Não me importa quem vocês são, não me importa quão bravamente vocês lutaram, não me importa quais são suas motivações – declarou em voz alta Bokuto, embora soubesse bem que os mortos não iriam lhe ouvir. – Se você ousar atacar o Salão Cinzento, eu não mostrarei piedade!

=====

Casas foram cortadas a sua direita e esquerda enquanto corria pelas ruas, tentando de alguma forma criar distância de seu oponente, embora bem em seu interior soubesse que aquilo era inútil. Não importa o quanto eu corra, esse cara pode voar. As habilidades de movimentação dele são muito superiores às minhas. Precisava criar alguma distância para que tivesse uma chance de usar suas habilidades, mas simplesmente não sabia como deveria fazer isso.

– Ei, ei, J do Olho Vermelho! – chamou a voz de seu oponente. Olhou de canto de olho para os céus, o suficiente para ver que Kazegami lhe perseguia correndo pelo ar de uma forma um tanto quanto cômica, ironizando seus esforços enquanto sorria de forma infantil. – Correr não é uma boa demonstração, sabia? Vamos, mostre-me o poder do Olho Vermelho!

Não respondeu a isso, em grande parte simplesmente porque não sabia o que devia responder. Eu odeio esse idiota. Seu simples ódio por seu oponente era o suficiente para que quisesse parar e tentar explodir alguns membros dele, mas não era tolo a esse ponto; já havia perdido um de seus braços naquela batalha – não podia se dar ao luxo de ficar emocional e perder o outro.

– Não vai fazer isso? Prefere apenas ficar correndo por aí como o covarde que você é? – a voz de Kazegami soou tão provocante como antes, mas ao mesmo tempo, diferente. Ela também pareceu... impaciente. – Muito bem então! Nesse caso, morra correndo! Foices de Vento!

Não chegou a vê-lo executando aquele ataque, mas isso não fez diferença. Sentiu em sua pele. As estruturas ao seu redor foram cortadas completamente em duas ao mesmo tempo em que teve a sensação como se um par de lâminas gigantes estivessem passando por suas costas, cortando através de carne e músculos até atingirem os ossos. Vacilou diante daquilo, e por um momento quase chegou a cair no chão, mas no último instante conseguiu reaver o controle de seu corpo e jogou-se para o lado, entrando em um beco lateral enquanto corria com todas as forças, sentindo o sangue pingar de suas costas. Merda... merda... maldição... merda! Aquilo estava realmente ruim. Se as coisas continuassem daquele jeito, J iria morrer, sem dúvida nenhuma.

Pensou em sair do outro lado do beco e passar a correr por esses pela cidade, em busca de algum tipo de auxílio. Pelo que sabia, a Área Sul era a que havia sido atacada com o bruto do exército do Olho Vermelho, o que significava que ele devia encontrar aliados com alguma facilidade. Mas logo desprezou essa ideia estúpida. Não, não, essa seria uma péssima ideia. Um beco era um lugar apertado, e embora das construções ao seu redor fossem uma proteção pobre contra os ventos de Kazegami, elas ao menos serviam para esconder sua presença um pouco, o que por si só já era algo valioso. No entanto, se eu tentar sair de um beco para entrar em outro, Kazegami vai ter uma chance de me atacar enquanto eu estiver passando entre eles. Não podia se dar ao luxo de correr esse tipo de risco. Eu tenho de me manter escondido. Tenho de me manter fora de vista e bolar um plano. Foi com isso em mente que chutou a porta traseira de uma casa próxima, abrindo-a a força, e correu para dentro dela tão rápido quanto pode, buscando abrigo ali.

Subiu imediatamente ao segundo andar, vasculhando-o em busca do banheiro tão rápido quanto pode. Quando achou-o foi direto para o espelho, abrindo-o com tanta força que literalmente arrancou metade dele. Essa é uma cidade cheia de cavaleiros e das famílias deles. Isso significa que eles devem manter algum tipo de medicamento aqui, certo?! Seus olhos correram rapidamente pelo armarinho, buscando qualquer coisa que pudesse usar, e eles praticamente brilharam quando viu agulha e linha ali... até que a compreensão lentamente tomou conta dele, fazendo com que um J enfurecido arrancasse também o armarinho de forma brutal e jogasse-o no chão, junto do espelho. Droga, isso não vai adiantar! Não posso costurar meu próprio corpo com apenas um braço, e mesmo se tivesse o outro, simplesmente não tem como eu costurar minhas costas! Aquilo era péssimo. Precisava de alguma coisa, algo que pudesse lhe dar uma vantagem, mas não tinha nada. Não tinha medicamentos para aliviar sua dor, não tinha formas de parar seu sangramento, e não tinha um plano de batalha. Droga... o que devo fa-

Serra do Ar!

Foram seus puros instintos que lhe salvaram, fazendo com que ele se agachasse a tempo o suficiente para evitar o golpe de seu oponente. Diante de seus olhos o banheiro, não, toda uma metade da casa aonde estava foi cortada e arremessada ao ar, voando acima de sua cabeça, distante o suficiente para revelar o rosto de Kazegami acima dele, olhando diretamente para J enquanto mantinha um sorriso em seu rosto.

– Você é péssimo em brincar de pique-esconde, Olho Vermelho. – comentou ironicamente o cavaleiro, mantendo um bom-humor sombrio. Enquanto falava, a mão direita de J movia-se de forma a assumir a aparência de uma garra animalesca, seus dedos levemente dobrados, lembrando as garras de um dragão. – Hora de parar com a brincadeira, não concorda? Garra do Dragão!

De uma só vez, a mão em forma de garra de Kazegami se moveu para baixo, como se estivesse rasgando o ar, e J só teve um momento para reagir antes que o ataque caísse sobre ele. Os ventos se moveram violentamente conforme a ordem de Kazegami, e vindos em três sentidos diferentes, três ondas de ar cortaram a casa limpamente em três pedaços, sendo que uma dessas ondas veio diretamente contra J. Oh, porcaria! Correu tão rápido quanto suas pernas lhe permitiram e pulou pela janela sem hesitação, e por alguma sorte divina conseguiu fazer isso antes que o ataque de Kazegami lhe atingisse. Enquanto ainda planava no ar, olhou para trás, e vendo o estrago que aquilo havia feito, não teve dúvidas de que se tivesse sido atingido por aquele ataque ele estaria morto a essa altura. Isso não é brincadeira. Esse cara é tão perigoso quanto maluco.

Dobrou suas pernas e usou seu braço que lhe restava para se apoiar no chão e tentar diminuir de alguma forma a pressão que a queda exerceria sobre seu corpo ferido, mas falhou nisso. Sua intenção era se recuperar imediatamente da queda para continuar correndo, mas no momento em que aterrissou, o esforço ao qual seu corpo foi submetido fez com que ele tivesse de parar seus movimentos temporariamente. Droga, agora não! Por que vocês têm de doer justo agora, ferimentos?! Virou seu rosto para trás, nervoso, tentando ver qual era a distância que lhe separava de seu oponente naquele momento... e sua alma quase saiu de seu corpo quando viu Kazegami voando em sua direção em um rasante, seus braços bem retos e abertos, seu corpo rodando, de início lentamente, para subitamente ganhar mais e mais velocidade. Em questão de instantes o que era apenas um homem um tanto quanto maluco voando em sua direção e girando no ar se transformou em nada mais do que um pequeno tornado concentrado e direcionado.

Saltou para tentar evitar aquele tornado, mas apesar de ter claramente conseguido evitar uma colisão direta com ele, ainda sentiu seu corpo sendo cortado. O giro dele é tão rápido e as suas habilidades sobre o vento são tão fortes que ele pode me cortar com a simples pressão do ar mesmo que eu esquive de seus golpes! Aquilo era realmente mal... ou talvez nem tanto. Inicialmente havia tomado aquilo como muito perigoso, mas quando virou seu rosto para acompanhar os movimentos de Kazegami e viu as rotações do homem pararem e seus pés tocarem o chão, compreendeu que aquela era a sua chance, talvez sua única chance.

Não hesitou.

Implosão! – seus dedos se estalaram no mesmo momento em que Kazegami virou-se, movendo seus braços, pronto para mandar mais uma de suas ondas de vento contra J. Já havia previsto isso, e havia reagido de acordo com tal. Ao estalar de seus dedos, o braço que o cavaleiro iria usar em seu ataque explodiu diante dos olhos de ambos. Não era sádico e nem gostava de batalhas, mas não pode deixar de sorrir ao ver aquilo, se por nada mais, por alívio.

O outro braço de Kazegami moveu-se logo em seguida contra ele, em uma tentativa de seguir com o ataque, mas teve uma reação rápida. Estalou novamente seus dedos e explodiu o braço restante do cavaleiro, e dessa vez seu oponente não conseguiu manter-se em silêncio; um grito de dor veio de sua garganta, e considerando o quanto aquele homem havia lhe ferido e feito com que sofresse, não pode deixar de sorrir diante daquilo. Isso termina agora, Vento do Desespero!

Preparou-se para estalar seus dedos novamente e explodir dessa vez a cabeça de Kazegami com aquilo, mas antes que pudesse fazê-lo, foi interrompido. Mesmo sem os braços, mesmo em dor, Kazegami conseguiu de alguma forma tirar forças o suficiente para mover suas pernas em uma espécie de chute, e os movimentos dele com isso foram de alguma forma o suficiente para criar uma onda de vento que acertou em cheio o mago do olho vermelho. Sentiu o golpe dilacerar a parte esquerda de seu rosto, cortando seu olho, mas não foi com isso que se preocupou; a dor havia parado seus movimentos, impedindo que ele concluísse seu ataque, e mais do que isso, ela havia feito com que ele ficasse de guarda aberta. Não!

Havia fechado seu olho restante pela dor, mas abriu-o prontamente assim que compreendeu a gravidade daquilo... apenas a tempo o suficiente para que visse Kazegami vindo em sua direção, sem braços, manejando uma espada com nada mais do que seus dentes.

=====

A cabeça de J caiu ao chão meros instantes após seu ataque, a decapitação tendo sido algo limpo. O corpo do que antes havia sido um dos membros do Olho Vermelho não tardou a segui-la. Foi só depois que ambos caíram que Kazegami se permitiu relaxar. A espada escorregou de seus dentes e caiu no chão, sua lâmina agora tingida de vermelho. O joelho de Kazegami logo seguiu-a.

– Há! – fez o cavaleiro em um tom solene, muito diferente do que ele normalmente usava. – Que... interessante. Eu pensei que eu ganharia essa luta... mas pelo que parece, no fim das contas, isso foi um empate.

Havia matado J, sim, mas isso havia feito pouco mais do que assegurar que sua morte não fosse em vão. Havia perdido ambos os seus braços, e o sangue agora escorria aos rios para fora de seu corpo. Mesmo se achasse ajuda naquele instante, não tinha esperanças de sobreviver. E também, não tinha animo para buscar ajuda. Estava morto, sabia disso. Melhor aceitar a morte do que tentar enfrenta-la. Essa é uma batalha perdida, afinal de contas. Deixou seu corpo sair sobre o solo a sua frente; logo seria a vez dele, pelo que sentia, mas tinha algum tempo a gastar antes que a Dona Morte decidisse lhe levar. Em sua opinião, não havia forma melhor de gastá-lo do que dormindo. Sim... dormir um pouco me parece uma coisa boa. Depois de todo esse esforço, eu mereço uma soneca, hum?

– O resto é com vocês, pessoal... – sussurrou ele em voz baixa, à medida que seus olhos iam se fechando e ele mergulhava nas profundezas do sono.



Notas finais do capítulo

ÁREA OESTE:

Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Enderthorn)
Enderthorn VS Raptor (Em andamento)
Vaen VS Lilybell (Vencedora: Lilybell)
Jiazz VS Maoh (Vencedor: Jiazz)
Senjur VS Reivjak (Em andamento)

ÁREA SUL

Kuman VS Fera (Vencedor: Fera)
Skylar VS Fera (Vencedor: Skylar)
Skylar VS Cleus (Vencedor: Cleus)
War e Coralina VS Nicholas (Vencedores: War e Coralina)
Trevor VS Maverick (Vencedor: Trevor)
War, Coralina, Ogre, Ekhart e Clone das Sombras VS Agnes, Ibur e Dokurei (Fragmentada)
War e Coralina VS Agnes (Vencedor: War)
War VS Ibur (Vencedor: Ibur)
Ogre VS Ibur (Em andamento)
Ekhart VS Dokurei e Shell (Em andamento)
Bokuto VS Zodwik (Vencedor: Bokuto)
Bokuto VS T.I.T.A.N. (Vencedor: Bokuto)
Valery e Goa VS Cleus (Em andamento)

ÁREA LESTE

Alexander VS Goliath (Vencedor: Alexander)
Alexander VS Steelex (Vencedor: Steelex)
Zephyr VS Balak (Vencedor: Balak)
Kazegami VS J (Empate)
Florian VS Tristah e Behemoth (Em andamento)



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