O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 3
Breath Of Fire


Notas iniciais do capítulo

Yo! E aí, como vão as coisas com vocês, pessoal?

Como vocês devem ter notado, esse capítulo estará indo ao Nyah! quarta! Não sei se isso vai tranquilizá-los ou não, mas quero deixar claro que isso não é devido a um problema meu ou coisa do tipo. Simplesmente decidi que seria melhor agora manter um certo dia certo para os capítulos, então, teremos um capítulo novo da história divulgado por semana, sim?

Capítulos da História - Quarta-Feira
Possíveis capítulos de História Paralela - Sexta-Feira

Em outras notícias! Creio que a referência que faço com o título desse capítulo é bem fácil de se entender, não é? Hehe



– Hehe, fácil demais – comentou Duke, jogando para cima o pequeno saco que trazia em suas mãos, cheio de moedas de ouro e prata. Aquele cara também é bem rico, pelo que parece. Para nos pagar tanto assim... Bom, supunha que aquilo era justo, considerando que haviam lidado com um dragão. Virou seu rosto para trás. – Ei, vocês duas. Se apressem ai. Vocês são lentas demais.

O que conseguiu como resposta a isso foi um olhar irado por ambas as mulheres. O pagamento havia sido muito bom, sim, mas Kenneth sofria de uma pequena falta de moedas de ouro naquele momento. Ele lhes deu o que tinha – quinze moedas – e inteirou num pequeno saco o restante para que aquilo equivalesse a dezesseis moedas por saco. Isso fazia um peso não muito grande no saco de Duke, mas em compensação, a quantia de prata nos sacos de Teigra e Anabeth era o suficiente para pesar alguns bons quilos. Sabe, eu meio que sinto pena delas, pensou ele, observando o sufoco pelo qual elas passavam. Nenhuma das duas tinha realmente uma força física inumana; ao contrário dele, Bryen, Kastor e Hozar, Anabeth, Teigra e Kyanna tinham formas alternativas de lutar. Duas delas usavam magia pura para dar força e poder aos seus ataques, e a outra usava da alquimia para lutar suas lutas ao invés do aço frio e puro. Em outras palavras, elas não necessitam de força física, o que faz com que a força delas seja pouco maior do que a de uma mulher normal. Sendo assim, devia ser um verdadeiro esforço para elas carregarem aqueles sacos de dinheiro.

Mas, isso não era problema dele.

Voltou a olhar para frente e começou a assobiar, bem satisfeito com sua vida naquele momento. Dinheiro, dinheiro, tanto dinheiro! Mesmo depois que eu passar a parcela da guilda para eles e dividir isso com as outras duas, deve sobrar uma boa quantia! Me pergunto o que devo fazer com ela. Talvez devesse comprar algumas roupas. No momento, tudo o que vestia era uma camisa aberta amarela repleta de coqueiros, calças longas azuis e botas de couro... e tinha de dizer, isso não era exatamente o seu gosto. Eu prefiro casacos de pele, sabe? Alguma coisa mais cara, legal e quentinha. Casacos de pele combinam bem comigo. Gostei daquele que arranjei durante o torneio. Queria ter mais dele. E poderia ter, agora, com tanto dinheiro em suas mãos. Muito bem, muito bem, está claro o que devo fazer aqui. Primeiro, compro roupas novas. Depois, putas e cerveja.

Estava pensando nisso no momento em que sentiu aquilo. Sentiu um arrepio correr por sua espinha.

– Teigra, Anabeth – disse ele, subitamente. A feição em seu rosto tornou-se subitamente séria e ambas as suas mãos se fecharam em punhos. – Afastem-se.

Nenhuma das duas demonstrou entenderem aquilo. Sentiu os olhos de ambas em suas costas, fitando-lhe, buscando uma resposta. Rangeu os dentes. Maldição, não tenho tempo para isso. Cada vez mais, sentia que algo estava vindo contra ele à toda velocidade. Jogou seu saco de moedas para Teigra e gritou.

– AFASTEM-SE! AGORA!

E então ele veio.

O garoto veio do alto, como se fosse o próprio sol, e ele veio rodopiando. Suas pernas estavam esticadas e ele girava, e a medida que ele girava, as chamas que rodeavam suas pernas queimavam com ainda mais força. Quando ele colidiu com Duke, o impacto fez com que aquele lugar se transformasse num inferno vermelho. As chamas explodiram e se espalharam de uma só vez, soprando Anabeth e Teigra para trás, e o próprio Duke que era infinitamente mais resistente do que elas teve de lutar para se manter com os pés no chão. Abaixo de si, sentiu a terra começar a ceder, começar a rachar-se e se quebrar diante da força exercida pelo seu oponente. Maldito, ele é forte. Estava usando seu braço de aço para defender-se daquilo, e ainda assim estava tendo grandes dificuldades. Antes ele estava em uma rua, com casas e pequenas bancas e barracas ao seu lado; agora tudo isso havia desaparecido. Tudo que existia ali eram chamas violentas que pareciam queimar tudo o que tocavam e um garoto risonho, cuja perna pressionava Duke.

O sorriso daquele garoto lhe irritava mais do que podia expressar em palavras. Maldito moleque arrogante. Está se divertindo com isso, não é? Iria logo fazer com que ele parasse de se divertir. Moveu seu punho livre contra o garoto, e esse se provou bem rápido em saltar para trás e abrir uma distância entre os dois. No momento em que o garoto se afastou, as chamas que ardiam ao redor deles perderam um pouco a força, embora continuassem poderosas e ameaçadoras o suficiente para que Duke não se sentisse nem um pouco tentado a tentar passar por elas.

– Duke! – gritou a voz de uma mulher do outro lado das chamas. Não virou-se para fita-la por motivos óbvios, mas também não precisava fazer isso para saber que era Teigra que falava. – Amigo seu?

– Eu não tenho putinhas como ele como amigos! – retrucou Duke... apenas para depois pensar bem e tornar a gritar. – Na verdade, risca isso! Esqueci de Hozar e Kastor por um momento aqui!

– Kastor, Hozar – repetiu o garoto, parecendo ouvir apenas aquelas palavras. Usou da oportunidade que tinha ali para dar uma olhada melhor nele. O moleque era grande, sim, e forte. Tinha pelo menos um metro e oitenta, e sua musculatura era bem desenvolvida. Usava roupas brancas, leves e abertas, bem como uma placa de aço que funcionava como um protetor de testa. – Então, parece que o meu contratador estava certo no fim das contas. Kastor e Hozar estão aqui.

– O seu contratador? – aquilo chamou a atenção de Duke. Bateu suas mãos uma na outra e usou desse contato para transmitir as propriedades do seu braço de aço também para o seu braço de carne e osso. – Quem é esse? Vamos lá, me diga; não há porque ser tímido agora.

Tudo que o garoto fez em resposta a isso foi sorrir. Lentamente ele esticou um braço e apontou um de seus dedos para Duke, e uma pequena chama surgiu na ponta de seu dedo, como se fosse uma vela.

– Quem sabe? – disse ele, alegremente. – Talvez eu lhe diga... se você me derrotar.

E assim que ele disse aquilo, a luta recomeçou.

A chama que estava na ponta de seu dedo foi disparada subitamente contra Duke, como se fosse uma flecha de fogo. Há! Esse garoto está copiando Anabeth agora? Com um de seus braços ele facilmente golpeou a flecha, dissipando suas chamas no ar... e no mesmo momento em que isso aconteceu, ele também viu o garoto do seu lado, preparando-se para o ataque.

Tentou bloquear o golpe com seu braço, mas apenas obteve um sucesso parcial. O aço com o qual havia se revestido foi o bastante para que ele não sofresse danos com o golpe ou as chamas que rodeavam as pernas do garoto, mas a simples força por trás daquilo foi o suficiente para isolar Duke, ignorando a base que o guerreiro havia firmado no chão. Mas que tipo de força esse garoto tem em seus músculos?! Passou pelas chamas que o garoto havia criado ali e isso fez com que sua camisa pegasse fogo; para sua sorte, no entanto, ele também colidiu com uma casa próxima, e sua camisa acabou presa nos destroços dela enquanto seu corpo continuou a seguir.

Ele caiu sobre uma mesa de jantar. Abriu os olhos e sacudiu a cabeça, irritado, e olhou ao redor para ver um homem e uma mulher olhando para ele, tão assustados quanto horrorizados. Merda. Eu odeio esse garoto. Eu odeio todos os garotos. Aquele pirralho não era mais do que um moleque, mas ainda assim, isso não mudava o fato de que ele era estupidamente forte para alguém assim tão jovem. Bem, creio que vou ter de lutar a sério com ele, não é?

O garoto surgiu sobre ele subitamente, um sorriso divertido de orelha-a-orelha em seu rosto, seu punho erguido, rodeado por chamas. Ele tentou atacar Duke com esse punho, esmagar a cabeça do Titã no chão... mas para um guerreiro tão grande, forte e pesado quanto ele, Duke era absurdamente rápido, e isso era uma grande vantagem dele em toda e qualquer luta. Seu punho subiu, acertando um poderoso gancho no queixo do garoto com tanta força que ele pode ouvir os ossos dele trincarem perante aquilo. Sangue saiu de um lábio rachado do garoto e caiu sobre o rosto de Duke no mesmo momento em que ele foi arremessado para o ar, quebrando o teto da casa e subindo até os céus.

Não lhe deu descanso. Agora você me paga, moleque. Dobrou seus joelhos, sorrindo da sua própria forma selvagem, e saltou contra o garoto com um punho erguido, pronto para o golpe. Quando se aproximou, no entanto, ele viu os olhos do garoto, e o brilho contido neles lhe disse o que estava prestes a acontecer. Atingiu um soco no rosto do garoto, mas isso aconteceu no mesmo momento em que esse acertou um soco em seu peito.

Foi arremessado novamente pelo chão por aquilo e teve de girar no ar e se ajeitar de alguma forma para que não sofresse danos ainda maiores. Esse garoto é bem mais forte do que eu esperava. Pousou uma mão em seu peito, no lugar aonde havia sido atingido. Conseguia sentir o lugar inchado devido a força do golpe, bem como conseguia sentir a pele ali ainda quente e queimada pelas chamas dele. Talvez eu devesse revestir meu corpo também. Pensei que poderia ganhar desse moleque usando minha magia apenas nos meus braços, mas parece que as coisas não são simples assim, não é?

Limpou um pouco de sangue que havia escorrido de seus lábios com as costas da mão e olhou ao redor. A mulher e o homem que antes estavam ali haviam desaparecido, provavelmente decidindo que era melhor fugirem dali no momento em que viram o embate entre os dois. Isso é bom. Assim eles não entram no meu caminho.

Nem um momento depois de ter pensado aquilo, viu o garoto entrar na casa, chutando a porta da frente.

– Você não é nada mal – disse ele, limpando o sangue de seu lábio rachado com um dedo. O rosto dele estava manchado e inchado, os dedos de Duke ainda visíveis ali depois do soco que ele havia dado nele. Aquele soco foi bem forte. Eu devia ter quebrado o crânio dele com ele. Mas, supunha que fazia sentido que isso não tivesse acontecido. Se esse garoto é tão forte assim ao ponto de me causar tantos danos, então ele deve ter uma boa resistência física. Além do mais, seria bem decepcionante se ele fosse uma daquelas pessoas que bate forte mais cai fácil. – Eu senti esse seus socos, e isso por si só é bem raro. Estou feliz; faz muito tempo desde a última vez que encontrei um oponente a altura.

– Há! – fez Duke, cuspindo no chão a sua frente. – Se você tivesse me encontrado dois meses atrás, eu provavelmente diria o mesmo, mas não creio que as coisas são assim mais, pirralho. Encontrei algumas pessoas bem fortes, oponentes dignos. Lutei com eles, e dessas lutas, evolui. Venci e fui vencido, mas no fim das contas, independente do resultado, eu fiquei mais forte. – bateu suas mãos uma na outra e estalou-as, fazendo com que o som disso ressoasse pelo ambiente. – Digo isso porque conheço pessoas como você. Falam coisas como “faz muito tempo desde a última vez que encontrei um oponente a altura” para tentarem passar de fodões, mas no fim das contas, vocês só estão se ridicularizando. O mundo é cheio de pessoas fortes. Se você só tem enfrentado sardinhas, é porque você simplesmente não tem as bolas de bater de frente com um tubarão!

Aquelas palavras pegaram o garoto de surpresa. Primeiro, os olhos dele se esbugalharam para demonstrar simplesmente como ele não esperava ouvir aquilo, para que logo em seguida eles apertassem, se afiassem. A feição de espanto do garoto lentamente começou a se transformar em uma feição de raiva e ódio, veias tornando-se visíveis saltitando em sua testa. Por um momento pensou que aquele garoto iria simplesmente jogar todo e qualquer planejamento que ele tivesse pelos ares e avançar contra ele em uma fúria cega – o que seria praticamente o mesmo que dar a vitória para Duke em uma bandeja de prata – mas para sua surpresa, o garoto riu. Mas o que raios está acontecendo aqui?, pensou Duke, erguendo uma sobrancelha enquanto fitava o garoto. Num momento esse moleque parece puto o suficiente comigo para arrancar a minha cabeça. No outro ele começa a gargalhar como um idiota louco! O que raios eu devo tirar disso?!

– Breath – disse o garoto subitamente, chamando a atenção de Duke com aquilo. – Meu nome é Breath. Breath “do Fogo”, é como me chamam. – o sorriso de antes voltou ao rosto do garoto, divertido, ao mesmo tempo em que as mãos dele se ergueram. Antes ele só havia avançado contra Duke como um louco, atacando-o no que parecia ser um estilo de briga de luta. Agora, no entanto, ele estava posicionando seus punhos à frente de seu corpo e erguendo levemente uma das pernas como se estivesse se preparando para chutá-lo. Eu posso não saber muito, mas isso aí é uma posição de batalha, tenho certeza absoluta disso. – Você está certo no que disse agora pouco, Duke. Devem existir pessoas por aí muito mais fortes do que eu e você. Quero enfrentar cada uma delas. Quero encontra-las, enfrenta-las, derrota-las, e provar de uma vez por todas que eu sou o mais forte! Mas por enquanto... eu vou começar por você!

Foi o tempo dele dizer aquilo e o garoto avançou. Sua investida agora foi muito mais rápida do que antes; ele se impulsionou com apenas uma perna, mas ainda assim, a pura velocidade que ele alcançou com aquilo foi tão grande que pareceu até que ele estava voando. Rápido! Muito rápido! Ergueu apressadamente seus braços, cruzando-os a frente de seu corpo, solidificando sua base ali para preparar-se para o golpe, mas sabia em seu interior que a utilidade daquilo seria bem limitada. Com a força dele e essa velocidade, eu simplesmente não vou conseguir conter toda a força por trás desse golpe! Se tinha uma certeza ali, era que aquilo iria doer.

Mas não doeu, ironicamente. Não doeu porque o golpe nunca chegou a atingi-lo.

Quando o punho de Breath estava próximo dele, prestes a lhe acertá-lo, algo o parou. Não se deu conta do que até ver a mulher diante dele, uma bela espadachim de cabelos platinados como os de Teigra, com uma katana em cada mão. Era uma dessas katanas que havia parado o golpe de Breath; o punho ainda revestido por chamas do garoto havia colidido com toda a força contra a lateral de uma das katanas dela, mas ainda assim, a katana não havia se movido um centímetro sequer. Como?! Isso é impossível! Não importava quão forte ou habilidosa fosse aquela mulher, sua própria arma deveria ter quebrado com aquilo. Mas de alguma forma, ela não só conseguiu bloquear esse golpe perfeitamente como também manteve sua arma intacta! Isso é como se ela tivesse anulado todo o dano desse ataque ou coisa do tipo!

– Tudo bem, tudo bem, isso é o bastante – disse ela, erguendo sua cabeça para fitar Duke por um momento, antes de voltar seus olhos para Breath. – Breath, eu pensei que havia dito para você não nos arranjar problemas aqui. Pensei que tinha deixado isso bem claro.

Breath, por sua vez, apenas fez bufar em resposta a isso. Antes ele parecia animado, excitado com a batalha, mas tão logo ele viu aquela mulher, toda a sua animação se foi. Uma expressão do que mais parecia ser uma mistura entre tédio e irritação cobriu seu rosto, e ele logo virou-se de costas para a mulher.

– Eu me lembro de você me dizendo essas coisas, sim – disse ele, irritadiço. – Mas também me lembro de eu te dizendo que você não manda em mim. Eu faço o que eu quero.

– E em situações normais, eu não tenho nada com ou contra isso – disse ela em resposta. – No entanto, quando o que você faz começa a me dar problemas, é de se esperar que eu comece a me mover para te parar, não é?

– Pense assim, e meu punho vai colidir com o seu rosto bem antes do que você gostaria – advertiu Breath, virando um pouco seu rosto para olhar para ela. – Não interfiro nas suas lutas, então não interfira nas minhas.

A mulher suspirou em resposta àquilo. Ergueu uma de suas espadas e apoiou a parte cega dela em seu ombro enquanto balançava a cabeça, como se estivesse dizendo que não havia jeito com aquilo.

– Eu não interferiria nas suas lutas se elas não me envolvessem. Contanto que uma luta sua não reflita de forma alguma sobre mim eu não tenho interesse nenhum nisso, mas se você me diz para não interferir numa luta que me afeta, bem, então você me coloca com uma mão muito ruim, não é? – a única resposta que Breath deu a isso foi um “tch”. Ele acenou com uma de suas mãos para Duke, e sem se virar, começou lentamente a ir embora dali. – Bem, não posso dizer que isso foi ruim. Na verdade, acho que isso foi até melhor do que eu poderia esperar! ... O que é tão surpreendente quanto deprimente, creio eu.

As espadas giraram em suas mãos, e antes que Duke se desse conta, ambas estavam de volta às suas bainhas. Assustador, refletiu ele, olhando bem para aquela mulher. Não conheço ela, não tenho a menor ideia de quem ela é... mas ela é forte, disso eu tenho certeza. Não dizia isso apenas pelo fato dela ter parado o soco de Breath, mas também pela velocidade que ela havia demonstrado ali, bem como pela confiança com a qual ela agia. Ela age constantemente de forma despreocupada, como se não temesse nada. Ela está entre eu e o garoto aqui, duas pessoas fortes, e ainda assim, ela não se dá sequer ao trabalho de manter-se atenta para não ser atingida por um possível fogo cruzado. As únicas pessoas que agiam dessa forma eram pessoas que eram fortes o bastante para lidar com aquilo... e pessoas idiotas feito Kastor que não percebem a situação na qual estão.

– Espere – disse Duke no momento em que ela começou a ir embora. A mulher parou ao ouvir sua voz e voltou-se para ele, um sorriso felino em seu rosto e os olhos abertos de uma forma fofa e inocente. – Quem são vocês? O que vocês querem aqui? E por sinal, sou só eu que vocês atacaram? Não fizeram nada com os outros, fizeram? – fazia um certo tempo desde que ele não tinha sinal de Anabeth e Teigra, e por mais que não quisesse imaginar, existia uma possibilidade de que aquelas pessoas tivessem atacado Kastor e os outros.

O sorriso da mulher se alargou ainda mais ao ouvir aquilo e de uma vez só ela se virou por completo, divertida, quase que saltitante.

– Se-gre-do! – soletrou ela, apontando um dedo para Duke, olhando para ele com um sorriso no rosto e um olhar brincalhão. – Sinto por isso, mas eu não posso simplesmente lhe dizer o que estamos fazendo aqui. Mas eu posso responder suas outras perguntas. Meu nome é Zetsuko, prazer em te conhecer, e sou uma mercenária. Estou aqui em Valhala junta de outros dois mercenários. Breath você já conheceu, e Denis... bem, francamente, ninguém se importa com Denis. Quanto a atacar outros...

– ... Creio que a resposta depende um pouco da sua definição de “atacar” – completou uma voz de homem. Tanto Zetsuko quanto Duke moveram seus olhos, atraídos por aquela voz, e o que Duke viu lhe deixou profundamente puto.

A voz vinha de um homem jovem, de casaco e boné. A manga direita de seu casaco estava queimada e ainda saia fumaça dela, indicando que aquilo era recente, o que provavelmente significava que a mão daquele homem – igualmente queimada – devia estar doendo bastante ali, mas Duke simplesmente não conseguiu simpatizar com isso. Em sua mão direita o homem trazia Teigra, enquanto que em sua mão esquerda ele trazia Anabeth; as duas estavam inconscientes e eram “içadas” por ele através de suas roupas, sendo trazidas para Duke da mesma forma que um açougueiro traz a carne para o cliente escolher. Ele derrotou as duas?! Filho-da-puta! Felizmente não conseguia ver nenhum ferimento nelas a olho nu, mas ainda assim, a forma como o homem as tratava lhe irritava, e o fato de que ele fazia tudo aquilo com um sorriso no rosto apenas deixava Duke ainda mais puto.

– Não se preocupe, não machuquei elas – disse o homem, sorrindo de forma que poderia parecer apologética, não fosse o divertimento em sua voz e o fato que seu sorriso não alcançava os olhos. – Eu apenas... as coloquei pra dormir, por assim dizer. Embora, devo assumir: as duas são mais fortes do que eu pensava. A maioria das pessoas dorme imediatamente assim que decido que é honra de tirarem uma soneca, mas elas ainda conseguiram se manter conscientes por tempo o suficiente para quase arrancarem minha mão. Gostei delas! – e logo em seguida, ele jogou elas no chão. – Isso dito, “quase arrancar minha mão” meio que me deixa puto.

A resposta de Duke foi imediata. Cruzou a distância que separava ele e aquele homem com uma velocidade que nem mesmo ele sabia que tinha, empurrando Zetsuko para o lado com uma ombrada sem nem sequer prestar atenção nela. Seu punho caiu sobre o homem com uma força grande o suficiente para quebrar o chão abaixo deles com nada mais do que a onda de choque que seu punho provocou, mas mesmo assim, ele nunca sequer alcançou aquele homem. Seu punho parou há cerca de vinte centímetros do rosto daquele homem, colidindo em algo tão duro quanto uma parede de aço, apesar dele não poder ver nada a sua frente... exceto... faíscas púrpuras. Mas... o que diabos é isso? Não sabia, e o homem não ofereceu explicação alguma além de sorrir.

– Calma, calma – disse o homem, com aquele sorriso arrogante em seu rosto. – Não somos inimigos, meu chapa, e você não quer que eu me torne seu inimigo. Suas amigas estão bem, você está... consideravelmente bem. Aceite e lide com isso, sim? Até porquê... imagino que existem outras coisas com as quais você deve se preocupar.

Aquilo chamou sua atenção. Saltou para trás, tanto para abrir alguma distância entre ele e aquele homem quanto para poder alcançar ambas as suas companheiras. Desfez o revestimento de aço que havia feito em sua mão humana e pousou dois dedos sobre o pescoço de Teigra para conferir se ela realmente estava bem. Sinto pulso, pensou ele, olhando para ela, afastando os cabelos de platina dela do rosto com a mão para verificar se ela não estava mesmo ferida. Não posso dizer se ela tem algum outro tipo de ferimento que eu não posso ver, mas ao menos ela está viva. Ergueu seus olhos novamente, apenas para ver que tanto o homem quanto a espadachim agora estavam caminhando calmamente para fora dali, como se nada tivesse acontecido.

– Esperem aí! – gritou Duke, mas dessa vez eles não obedeceram. – O que você quis dizer com “existem outras coisas com as quais você deve se preocupar”?!

O homem não se dignou a virar-se para lhe responder. Não dignou-se nem a parar. Ele apenas continuou andando, e enquanto andava, ele falou.

– Existem pessoas que querem o seu mestre morto, não existem? – perguntou ele, calmamente. – Não acha que é um pouco descuidado que alguém como você esteja tão longe assim dele?

=====

– Ah, muito obrigado! – disse Odin, estendendo as mãos para tomar a xícara de café entre elas. Fumaça ainda saia da bebida recém-feita ali, mas ele não se importou com isso. Ignorando a fumaça e o calor, bebeu todo o café de uma só vez.

Depois, jogou a xícara no chão e correu para a pia gritando “Água! Água!”.

Francamente, eu deveria provavelmente gritar para que ele não fizesse coisas desse tipo ou algo do gênero, mas isso seria uma grande demonstração de falsidade da minha parte nesse caso. Odin era tremendamente forte e um líder muito capaz, um guerreiro experiente que havia passado por centenas de batalhas contra pessoas estupidamente poderosas, e a partir dessas batalhas, evoluiu mais e mais, subiu mais e mais alto. Mas ainda assim, isso não mudava o fato de que, no fim das contas, ele era um grande idiota.

– Ah, desculpem por isso – disse ele, coçando a cabeça enquanto voltava para junto deles. – Eu tenho de aprender a ser um pouco mais paciente. Isso sempre acontece quando eu tomo café.

– Se isso sempre acontece quando você toma café, então por que você não substitui o café por alguma bebida mais fria? – perguntou Kastor.

No momento em que aquelas palavras deixaram os seus lábios, todo o mundo escureceu. Sentiu como se tudo tivesse desaparecido; Hozar, a guilda, a cidade, tudo. Sentiu como se estivesse planando em um espaço aonde não havia nada, nada além de Odin. O olho de seu mestre estava fixo nele, fitando-o com uma ira mal contida, com um desejo assassino tão grande que Kastor simplesmente não conseguia deixar de sentir um calafrio correr por sua espinha, dos pés à cabeça.

– Café. É. Insubstituível. – disse Odin, friamente, em uma voz que deixava claro que ele não admitiria discussões em relação a isso. Kastor só pode balançar lentamente para cima e para baixo. Assim que viu isso, Odin voltou a sorrir, e toda a tensão daquele ambiente desapareceu de uma vez. Nota mental; da próxima vez, vou tentar manter minha boca calada.

– Pai – disse subitamente Hozar, chamando a atenção ali. – O que você veio fazer aqui?

Odin não deu uma resposta para isso imediatamente. Ao invés disso, o que ele fez foi alcançar o bule e encher sua xícara de novo, dessa vez assoprando calmamente o líquido ao invés de simplesmente virá-lo na boca.

– Você fere os sentimentos do seu velho pai, Hozar – disse ele, seu tom de voz sendo mais do que o suficiente para dizer que ele estava de sacanagem com o Cinzento. – A maioria das pessoas fica feliz quando seu pai vem visita-los, mas você me pergunta o que eu vim fazer aqui? Isso é muito, muito feio. Você realmente deveria trabalhar nos seus modos, meu filho.

Hozar não se abalou por aquilo.

– Não me entenda a mal, eu estou feliz por sua presença aqui... mas isso não muda o fato de que ela tem um motivo – disse ele. Ele não fez uma pergunta, observou Kastor. O que ele disse é uma afirmação. – Você é o líder do Salão Cinzento. Em teoria, sua autoridade seria dividida com os outros dois, mas todos sabem que você é quem realmente governa ali, quem realmente lidera todos. Isso faz com que você seja alguém extremamente influente... mas exatamente por isso, você é alguém com uma mobilidade limitada. Sendo o líder de todos os cavaleiros, você tem constantemente de participar de reuniões e assuntos diplomáticos, supervisar o treinamento de novos cavaleiros, avaliar diversos cursos de ação... é simplesmente impossível que você se movimente livremente, principalmente agora que temos um risco tão grande de guerra vindo do norte, a ameaça que é o império que Ember Vyhler está erguendo. Você não conseguiria ou poderia sair do Salão Cinzento facilmente em uma situação dessas, e mesmo sendo tão exótico quanto você é, sei que você não é irresponsável o suficiente para fazer algo assim apenas para visitar seus antigos estudantes. E além do mais, existe um motivo bem claro para a sua presença aqui, não é?

O sorriso no rosto de Odin se alargou um pouco mais no momento em que ele ouviu aquelas palavras. Tomou um pouco de seu café com calma dessa vez, colocou a xícara de volta em seu prato e só então falou.

– Cerca de um mês e meio atrás, eu recebi uma carta de Titânia – disse ele, enquanto com sua mão alcançava alguns cubinhos de açúcar e acrescentava-os ao café. – Não era uma carta muito longa nem muito bem explicada, mas suponho que isso é o que eu posso esperar de alguém como ela, tão impaciente assim. Mas ainda assim, a carta disse algumas coisas interessantes. Falou sobre um certo grupo chamado de “Olho Vermelho”, falou sobre um certo membro desse grupo chamado Dwyn que entrou em confronto com vocês, e me falou algo muito interessante: falou que o Olho Vermelho estava tentando matar os cavaleiros numerados ali, o que, na concepção de Dwyn, eram vocês dois e uma jovem cavaleira nossa que creio ser companheira de vocês agora chamada Teigra, não é? – pensou em responder a isso por um momento, mas um rápido olhar para Hozar foi o suficiente para que ele compreendesse que aquela era uma pergunta retórica, que ele não deveria falar nada, apenas deixar as coisas fluir. Odin tomou o cabo de uma pequena colher ali com a ponta dos dedos, e lentamente ele se pôs a misturar o café com ela. – Acho que seria até mesmo desnecessário para mim dizer isso, mas estávamos bem preocupados com a questão dos assassinatos. Já tínhamos perdido dois cavaleiros numerados para eles, e isso é inaceitável... mas acho mesmo tempo, eu simplesmente não podia agir. Eu tinha algumas suspeitas, mas elas acabaram se revelando erradas, e mesmo se eu estivesse certo, eu simplesmente não poderia fazer nada pelo fato de não ter certeza e o fato de que eu não podia provar que estava certo. Eu não sei que tipo de idiota era esse tal de Dwyn para anunciar o seu grupo e sua intenção em uma arena repleta de testemunhas, mas aquilo foi tudo que eu precisava. Finalmente posso agir agora.

As mãos de Odin alcançaram a xícara, segurando-a delicadamente... para logo em seguida fecharem-se com toda a força, esmagando a xícara de uma só vez, fazendo com que cacos dela voassem para todo canto e esmagando os que haviam permanecido nas mãos dele até que virassem pouco mais do que pó.

– Entretanto... – rosnou Odin. De uma vez sua voz havia mudado quase que completamente, passando de tranquila e controlada para pouco mais do que rugidos baixos e irritados. – Um mês e meio atrás, naquela carta, Titânia disse que ela e Lancelot estavam voltando, que Lancelot teria informações melhores e mais completas sobre isso. Por isso eu esperei por eles, esperei que eles voltassem para que planejássemos nossas ações. Eles voltaram duas semanas atrás. Lancelot estava em coma e sem ambas as pernas, carregado por uma Titânia sem o olho esquerdo, coberta em sangue seco e lama.

Saltou de onde estava ao ouvir aquilo. Em um piscar de olhos ele estava na frente de Odin, segurando o velho cavaleiro pelos ombros, balançando-o com todas as forças. Não pode ser, você tem de estar de sacanagem comigo! Lancelot? Titânia?! Quem diabos seria capaz de derrotar esses dois?! Eles são monstruosamente poderosos! Que tipo de monstro os derrotaria?!

– Ei, ei! – gritou ele, sem poder conter seus ânimos ou sua voz. Sentia seu coração bater com tanta força dentro de seu peito que parecia até que ele podia explodir para fora dali, mas simplesmente não conseguia se controlar. – Explique melhor as coisas, Odin! Como assim Titânia estava sem o olho? Como assim Lancelot estava sem as pernas? Eles são alguns dos nossos melhores, não são?! Eles não podem derrotados assim tão facilmente!

– Kastor, se acalme – advertiu Hozar, apesar de não se mover em nenhum momento do lugar aonde estava sentado. Por tal, suas palavras apenas fizeram cair em ouvidos surdos.

– Eu diria mais se soubesse mais, Kastor – disse Odin pacientemente, aparentemente sem se incomodar com o fato de estar sendo balançado ali. – Titânia desmaiou assim que chegou; eu não tive necessariamente a chance de interroga-la para saber o que tinha acontecido ou quem tinha feito aquilo com ela. Assim que ela e Lancelot chegaram, o que eu fiz arranjar para que eles tivessem proteção e recebessem o melhor tratamento possível, e depois organizei as coisas. Coloquei Gwynevere em comando das coisas por lá, sai disfarçado do Salão Cinzento e contratei em segredo alguns mercenários para servir como escolta minha. Fiz isso para poder falar com vocês, assim como também para evitar que tanto o Olho Vermelho quanto o Império do Norte descobrissem sobre a minha ausência; não tenho a menor ideia do que eles irão fazer caso descubram algo assim, mas também não quero arriscar isso.

– Espere aí, falar conosco? – repetiu Hozar. – Você certamente não quer apenas isso, não é? Se fosse esse o caso, você poderia ter enviado um mensageiro.

– É claro que não, filho – disse Odin, balançando negativamente a cabeça. – As palavras que eu disse aqui agora são importantes demais para serem confiadas à um mensageiro, e além do mais, eu preciso estar aqui para discutirmos o que fazer a seguir.

Por um momento, não acreditou no que havia ouvido. Eu... isso é sério? Olhou para trás e viu que Hozar parecia tão surpreso quanto ele, apesar de que o cinzento era melhor em esconder isso do que ele. Voltou a olhar para Odin como se estivesse pedindo uma confirmação, e foi recebido pelo olho de seu mestre fitando-o seriamente.

– Não pareça tão surpreso assim, Kastor – disse o velho cavaleiro. – Vocês dois são meus aprendizes; é apenas natural que eu confie em vocês nisso. Tenho certeza de que o Olho Vermelho também foi responsável pelo que aconteceu com Titânia e Lancelot. Planejo me vingar por isso e pela morte dos outros cavaleiros... e vocês dois irão me ajudar com essa vingança.



Notas finais do capítulo

Discussão do capítulo: http://igorescritor.forumeiros.com/t7-discussao-do-capitulo-2-3-breath-of-fire#9



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