O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 24
História Paralela 5 - Os Cinco Reis


Notas iniciais do capítulo

Yo!

Então, História Paralela aqui pra vocês, pessoal!

Mantenham-se atentos! Essa semana eu TALVEZ ainda poste mais uma História Paralela além dessa pra vocês! Se isso não acontecer, no entanto, semana que vem teremos uma, com certeza!



– Maldito seja aquele filho da puta branquelo – grunhiu Ganryu, apoiando seu rosto em uma das mãos, sem fazer esforço algum para esconder seu tédio ou a irritação crescente que sentia. – Ele marcou de estar aqui duas horas atrás. Eu deveria fazer ele em pedaços por isso.

– Você provavelmente conseguiria, considerando que o Branco está muito mais fraco agora do que ele era em seu primor, embora eu deva questionar se isso é uma boa ideia – comentou o Rei dos Mortos, da forma serena que ele sempre falava. O esqueleto estava sentado sobre um tronco cortado no chão, sua postura ao mesmo tempo relaxada e cuidadosa, as chamas azuis que ardiam nos lugares que seus olhos deveriam ocupar movendo-se constantemente, olhando para todos os lados. Seu corpo era coberto por uma velha e enferrujada armadura de ferro cinzento, uma grande espada de duas mãos e um escudo-torre de ferro presos às suas costas. – O Branco é a chave para nossa liberdade, Rei das Bestas, e o que ele fará por nós é algo que ninguém mais pode fazer. Tentar mata-lo não é apenas uma ideia que possui muito mais contras do que prós para nós, mas também algo que provavelmente faria com que os outros aqui se juntassem contra você.

– Isso é uma ameaça, Rei dos Mortos? – questionou Ganryu, movendo seu olhar para o esqueleto, levantando os ombros e mostrando os dentes de forma hostil. – Eu não gosto de ameaças. E você faria bem em manter essa sua arrogância longe de mim. Se você acha que existe alguém que pode me derrotar, você está tendo um sonho bem absurdo.

– Ah, sim, claro. Porque você, Ganryu, é capaz de matar todos nós com um peido. Algo do qual eu francamente não duvido. Você come tanta merda que deve estar completamente podre por dentro – disso Arquiel, Rei dos Anjos Caídos, mostrando seus dentes bem brancos e afiados. Quem olhasse para aquele homem iria pensar que aquele sorriso era apenas divertido e amigável, mas o Rei das Bestas o conhecia a tempo o suficiente para saber que a verdade era bem diferente disso. Esse pedaço de merda é arrogante como a peste. Ele se vê como algum tipo de Deus ou coisa do tipo, acha que ele é superior a todos nós. É por isso que ele sempre sorri; seu sorriso é uma zombaria e uma provocação, uma forma que ele tem de dizer que é superior e que nada que façamos pode lhe atingir. Não gostava dele, não gostava nada ele, e por isso não hesitou em mostrar suas presas para ele em desafio. O sorriso de Arquiel apenas fez crescer mais ao ver aquilo. – Ah, olhem só! O garotinho tem presas, e tão fofinhas são elas! Devo lhe dizer, Ganryu, tudo isso é muito adorável, mas se eu fosse você, tomaria um pouco mais de cuidado. Continue com isso e talvez até mesmo alguém tão bondoso como eu poderei perder minha paciência, e isso pode fazer com que um anjo esmague um pequeno rei que acha que vale alguma coisa.

Sua reação foi imediata; saltou da rocha na qual estava sentado, indo contra o anjo caído, seu peito se abrindo como se fosse uma grande boca para revelar a criatura dentro dele ao mesmo tempo em que as espadas gêmeas do anjo caído – Masa e Mune – surgiam nas mãos dele, o sorriso divertido no rosto do loiro alargando-se ainda mais.

O som de um poderoso pisão no chão – forte o suficiente para quebrar a mais dura das pedras em migalhas – foi o que chamou a atenção de ambos e fez com que passem seu avanço.

Os rostos dos dois voltaram-se para ela, já sabendo que ela havia sido a responsável por aquilo. Symael estava parada, imóvel, seu rosto inexpressível e aparentemente indiferente, apesar da cratera diante dela deixar claro que não era esse o caso. De todos ali, a Rainha dos Monstros era a que possuía a forma mais distante da de um humano, o que, considerando que tinham um raio dum esqueleto entre eles, era algo bem sério. Até mesmo o Rei dos Mortos podia se disfarçar de humano caso fosse necessário, mas isso era completamente impossível para ela.

Só pra começo de conversa, a parte inferior do corpo dela era completamente diferente. A menos que os humanos tivessem sofrido extensas mutações bizarras por algum motivo, eles não tinham pernas peludas de desenho estranho – como se tivessem pegado um toco de madeira reto e um torto e amarrado um ao outro – nem tão pouco tinham um casco negro e duro como rocha no lugar de dedos. Pelo que se lembrava, a forma da parte inferior do corpo dela lembrava mais um bode ou cabra ou algum tipo de equino esquisito do que um humano.

A parte superior do corpo dela era melhor, mas não tanto; pra começar, ela tinha tetas, mas faltavam-lhe mamilos, e tetas sem mamilos era simplesmente desapontante. Além disso, apesar das maiores semelhanças que tinha, ainda haviam diferenças claras entre o corpo dela e o de um humano. Tinha grandes chifres na sua cabeça, pouco acima de suas orelhas, semelhantes aos de um touro, pontudos como pontas de lanças, apontando diretamente para cima. Seus antebraços eram peludos demais, quase ao ponto de seus pelos parecerem uma espécie de armadura, e seu peito, ou melhor, seu torso, era recheado de sinais e runas que mais pareciam algum tipo de desenhos tribais. E para completar o conjunto, asas negras de morcego erguiam-se de suas costas, e os olhos dela eram completamente brancos, como se fossem feitos de leite. Com uma aparência dessas, parece até que ela é mais uma besta do que um monstro, embora ela seja um monstro acima de qualquer dúvida. Havia visto aquela mulher em combate uma vez, e não ansiava por ter uma repetição daquilo.

Symael não disse uma palavra, mas ela não precisava dizer nada, de qualquer forma. Ela nunca falava, mas a sua postura corporal ainda assim dizia tudo que precisava ser dito. O sorriso nunca desapareceu do rosto de Arquiel, mas Masa e Mune desapareceram, e isso foi para Ganryu um sinal de que ele também deveria sair do modo de batalha. A boca em seu peito se fechou e ele voltou a sentar-se no mesmo lugar de antes, mas isso não significava que estava nem um pouco satisfeito com aquilo. Maldição, agir dessa forma deixa um gosto de submissão na minha boca. E de qualquer forma, onde está aquele merda? Se o Branco não se mostrasse, iria acabar indo atrás dele, e ninguém iria lhe deter.

– Ora, ora! Os quatro aqui, me esperando! Isso traz uma lágrima aos meus olhos, falo sério!

... Mas pelo que havia acabado de ouvir, isso não seria necessário.

Virou-se em direção ao branco sem hesitação, deixando bem claro em seus olhos a raiva que sentia dentro de si naquele momento. Tudo que o antigo demônio fez ao ver aquilo foi sorrir de forma travessa, até infantil.

– Eu sei, eu sei, poupe a sua saliva, Ganryu – disse o Branco, soando bem humorado. Por mais que o visse, simplesmente não conseguia deixar de ver toda a postura que ele tinha enquanto no corpo de um humano com um porte tão sério e guerreiro como aquele como qualquer coisa diferente de uma estranha mistura entre “bizarro” e “hilário”. – Eu estou atrasado, sei disso, mas veja bem, eu tenho uma boa justificativa pra isso. Eu estava numa missão muito importante para-

– Para encontrar-se com seu irmão, sim – concluiu Arquiel, sorridente como sempre. – Todos nós sabemos sobre o seu pequeno plano, Branco. Ele não é segredo pra ninguém.

– Sabem? – por um momento o Branco pareceu honestamente surpreso por aquilo, antes de simplesmente dar de ombros, como se não se importasse com aquilo. – Bom, isso me poupa trabalho. Se vocês sabem, então, bem, ai está. Vocês sabem a razão do nosso atraso.

– O que não significa que algum de nós dá a mínima pra isso! – acrescentou Ganryu, irritado. – Se você marcou uma reunião, então não se atrase, caramba!

– Foi um motivo de força maior, meu caro – desculpou-se o demônio, embora ele não parecesse minimamente incomodado por aquilo. – Até mesmo seres poderosos e magníficos como eu tem que se curvar aos caprichos de forças maiores como o eterno fluxo do tempo. Além disso, eu descobri uma senhora no caminho que faz espetinhos de rato. Estavam deliciosos. Comi três deles antes de comer a mulher.

– Ninguém dá a mínima pra isso – apontou Arquiel.

– E mais importante que isso, você comeu uma velha?! – questionou o Rei das Bestas, erguendo abertamente suas sobrancelhas, sem fazer esforço para ocultar sua opinião sobre aquilo. – Isso é nojento. Velhas tem gosto de merda.

– Ei, tenho um estômago fraco e os ossos delas são mais fáceis de digerir. Só posso comer velhas ou crianças sem uma indigestão, e quase não tem carne em crianças. – disse isso tornou a dar de ombros, em sinal de que não se importava realmente com aquilo. – E de qualquer forma, temos coisas mais importantes a fazer no momento, não concordam?

Ninguém ali manifestou-se contra aquilo. Por mais que aquela distração fosse... “divertida”, por assim dizer, todos queriam ir direto ao ponto.

– Como vão as preparações? – questionou calmamente o Rei dos Mortos.

– Bem, ou tão bem quanto elas podem ir – respondeu o Branco, sorrindo de forma satisfeita. – Vai demorar um bom tempo ainda, mas com a ajuda do nosso pequeno amigo, devo ser capaz de abrir a Porta Proibida eventualmente.

– Mas nenhuma data fixa para isso?

– Data fixa? Estamos falando de abrir um portal interdimensional entre dois dos três mundos, não sobre a reforma de um quarto ou coisa do tipo. Não existe algo como uma “data fixa” no que diz respeito a isso. A Porta será feita quando eu estiver pronto pra fazê-la, e nem um minuto antes.

– Isso não importa – objetou Ganryu. – A Porta será feita eventualmente; “quando” não importa. O que me preocupa aqui é o “amiguinho”. Podemos mesmo confiar naquele ali?

Por uma vez, tenho de dizer que o Re das Bestas não está sendo uma besta aqui – comentou Arquiel. – Esse nosso “amiguinho” é um humano. Por que um humano iria ajudar um grupo como o nosso?

– Porque ele odeia a humanidade – respondeu o Branco, sorrindo de forma satisfeita. – Ele é jovem, mas já viu as trevas da humanidade, o escuro dentro dos homens. A maldade. A ganância. A inveja. Enquanto nosso objetivo incluir a aniquilação da humanidade, ele vai nos ajudar. E enquanto ele nos ajudar, o objetivo de estabelecer a Era dos Demônios estará ao nosso alcance.



Notas finais do capítulo

Demônios! Bestas! Monstros! Anjos Caídos! Esqueletos legais!

Tretas, tretas, muitas e muitas tretas!



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