O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 17
Confronto


Notas iniciais do capítulo

Atenção: Essa história estará entrando em hiatus por tempo indefinido.

Quer saber mais afundo o porquê? Leia as notas finais do capítulo!



– Mestre do Olho Vermelho? – repetiu Kastor, as palavras rolando por sua língua como se fossem venenosas.

– Mestre do Olho Vermelho – confirmou o homem, voltando a endireitar seu corpo sem nunca tirar o sorriso do rosto. A essa altura, Kastor já estava mais do que certo de que aquilo era pouco mais do que a forma particular que ele tinha de zombar dele. – Você sabe o que significa isso, não é? Deve saber, afinal você é um também. “Mestre” é o título dado aquele que lidera uma guilda, e não há diferenças nisso entre uma guilda legal e uma ilegal. O que, corrija-me se eu estiver errado, mas significa que estamos na mesma posição! Ora, não é isso algo int-

Interrompeu o homem com seu ataque. Passou por ele quase que instantaneamente graças a velocidade que o MACH 4 lhe proporcionava, passando suas espadas pelo pescoço dele antes que o homem fosse sequer capaz de terminar sua frase. Não sentiu oposição por parte de seu oponente, no entanto, e foi exatamente isso que lhe disse que as coisas não haviam sido assim tão fáceis. Tal como imaginava, quando voltou a se virar-se em direção a ele, o homem estava intacto, embora a parte referente aonde as lâminas de Kastor haviam passado parecia... estranha. O fluxo de energia no pescoço de Balak parecia ter sido alterado, fazendo com que ele parecesse hora brilhar mais forte e hora se esvair como se estivesse sumindo, mas isso não durou muito. Logo as coisas voltaram a se normalizar, e ele ouviu o suspiro do homem pouco antes de vê-lo se voltar em sua direção, o olhar em seus olhos demonstrando que ele estava pelo menos um pouco incomodado com aquilo.

– Você sabe que não estou realmente aqui, não é? – questionou ele, colocando suas mãos nos bolsos de sua calça enquanto falava. – Estou falando com você através de um dispositivo de comunicação. Sendo assim, isso que você está vendo é pouco mais do que uma imagem, uma representação minha. Você não pode me ferir, da mesma forma que eu não posso lhe ferir.

– Eu imaginei que seria esse o caso – retrucou Kastor, dando de ombros – mas mesmo assim, não custa nada tentar.

O homem ficou em silêncio ao ouvir aquilo. Tudo que ele fez foi afiar um pouco mais seus olhos, e isso deu a Kastor a ligeira impressão de que, se ele pudesse fazer alguma coisa contra o cavaleiro, estaria lançando ataques contra ele naquele exato instante.

– De qualquer forma... o fato de você estar aqui, respondendo a minha chamada, significa que Apollo está morto, não é? – questionou o homem. Kastor não lhe deu resposta, mas ele também não precisou ouvir nada. Um suspiro veio de seus lábios e Balak balançou a cabeça, como se estivesse desolado. – Isso é uma pena. Não por Apollo, veja bem; ele tinha seus usos e uma quantia considerável de força, mas era desprezível como humano. O dinheiro que ele arrecadava com o Mercado de Escravos era extremamente útil para financiar nossas operações e tudo, mas... francamente, sinto-me até um pouco aliviado por saber que ele está morto. O que realmente me deixa triste no meio disso tudo é que uma vitória sua significa uma derrota dos meus companheiros. Byron e Zaniark... eles estão vivos, Kastor?

– Eu não tenho a menor ideia de quem são esses – respondeu Kastor. Haviam sido interrompidos por algumas pessoas enquanto invadiam o Mercado, mas não sabia o nome dessas pessoas. Se bem que... um deles era Tsui, enquanto o monge se chamou de Monzar ou coisa do tipo. Isso significa que esses dois que ele falou... eles devem ser os outros dois que tentaram nos deter, não é? O grande mercenário de cabelos dourados e o cego da fumaça. – No entanto, se eles lutaram contra os meus companheiros, então o mais provável é que estejam mortos. O meu grupo é forte.

O líder do Olho Vermelho aparentemente tentou esconder qualquer reação a isso, mas Kastor pode vê-las mesmo assim. Pode ver o olhar dele tremer levemente, pode ver seus lábios começarem a se contrair. Quando ele sorriu, esse sorriso veio forçado, e não era necessária nenhuma grande capacidade de observação para poder dizer isso; bastava olhar para os olhos daquele homem e você veria que, apesar de seu sorriso, ele queria pouco mais do que arrancar a cabeça de Kastor ali.

– Entendo – murmurou ele, sem nunca tirar seus olhos de cima de Kastor, encarando o cavaleiro de uma forma que muitos podiam chamar de assustadora. – Isso... bem, isso é algo inevitável, creio eu, mas algo que me entristece ainda assim. Ambos eram boas pessoas, homens bons e honestos que não mereciam morrer. Sei que isso é uma guerra, mas ainda assim é uma pena que eles tenham falecido... embora, eu deva dizer... isso faz com que eu me sinta melhor em relação a matar todos vocês.

Mordeu seus próprios dentes ao ouvir aquilo com tanta força que não se surpreenderia se sangue escorresse por seus lábios. Filho da puta... então você não pretende apenas matar cavaleiros, não é? Planeja colocar o meu grupo no meio disso também? A vontade que tinha era de cortar aquele homem em pedaços, mas não podia fazer isso agora, e deixar sua raiva tomar conta de suas ações não lhe ajudaria em nada ali. Foi por isso que o que ele fez foi tentar continuar a falar com ele, embora não pode (nem tentou) deixar a fúria de lado em sua voz.

– Você acha que eu planejo deixar que você faça mal aos meus companheiros?

Os olhos do homem se apertaram e se afiaram. Antes ele sempre havia tentado passar uma imagem amigável e educada ali, por mais falsa que ela obviamente fosse. Não se deu ao trabalho de fazer nada desse tipo dessa vez. Quando ele falou, ele não fez esforço algum para esconder sua própria hostilidade.

– Claro que não. Mas eu sei que você não pode me deter.

Os olhos de ambos encontraram-se um ao outro. Encararam-se intensamente pelo que pareceu ser quase uma hora, e provavelmente ficariam facilmente se encarando o resto do dia se não fosse por Ex.

– Balak Hauss... – disse lentamente o irmão de Shell. A voz do homem também estava carregada de fúria, e talvez foi exatamente por isso que ela atraiu a atenção do líder do Olho Vermelho ao ponto que ele se virasse para ele. – Eu não vou ser estúpido e questionar o que exatamente você quer dizer com isso de “mestre do Olho Vermelho” pois o significado disso já está mais do que claro. Mas eu me pergunto... você sabe o que isso significa? – um ar gélido começou a rodear as mãos de Ex, e pouco a pouco Kastor pode ver o chão abaixo do homem começar a se transformar em gelo. – Eu encontrei documentos aqui. Documentos interessantes. Documentos que apontam que meu irmão, Shell Glace, está sobre o controle do Olho Vermelho.

A acusação não podia ser mais clara em suas palavras, porém mesmo assim Balak demonstrou pouca reação àquilo. Seu dedo indicador de ergueu para ajeitar o óculos em seu rosto, e o corpo do mago se virou totalmente para Ex.

– Isso é algo... complicado. – disse ele, pensativo, aparentando estar tentando escolher suas palavras tanto quanto podia. – Ex, você é um homem esperto. Mais do que isso, você é alguém que me conhece. Isso deve ser mais do que o suficiente para que você possa dizer que eu não sou idiota o suficiente para fazer mal a família de outro dos Tecelões, ao menos não propositalmente. Acontece, no entanto, que a situação se elevou a um nível inesperado. Fazer mal ao seu irmão nunca foi minha intenção, mas isso foi simplesmente inevitá-

– Poupe-me de suas desculpas. – cortou Ex, claramente irritado à um ponto em que provavelmente ele nem queria ouvir a voz de Balak mais. – Eu não dou a mínima para suas desculpas. Eu apenas queria confirmar se você foi de alguma forma responsável pelo que aconteceu ao meu irmão... e pelo visto, você acabou de me dar essa confirmação. Um aviso, Balak, em prol ao fato de termos aprimorado nossas habilidades lado a lado no Colégio Branco e sermos ambos membros do mesmo grupo... não espere misericórdia de mim. Você mexeu com minha família; não vou medir esforços em minha vingança.

Balak ficou em silêncio ao ouvir aquilo. Uma expressão neutra surgiu em seu rosto, e a forma como ele mantinha seus olhos sobre Ex sugeria que ele estava pensando em como reagir àquilo. Isso não durou muito. Logo um sorriso fino surgiu no rosto de Balak, como se tudo aquilo não fosse nada mais do que um divertimento para ele.

– Muito bem então. Se você está realmente tão disposto assim a me enfrentar, venha, Ex Glace, Tecelão Branco. Lhe receberei de braços abertos! – e como que pra exemplificar isso o mago abriu seus braços, como se estivesse se oferecendo para abraçar Ex, o que apenas fez com que o irmão de Shell ficasse ainda mais irritado e que isso se tornasse ainda mais visível em seu rosto. – Isso dito... creio que pode ser do seu interesse não me subestimar. Não se esqueça, Ex; você pode ser um Tecelão, mas eu também sou. E durante o tempo em que ficamos no Colégio Branco, você nunca foi capaz de me superar em nada.

– Durante o tempo em que ficamos no Colégio Branco, nunca competimos por uma questão pessoal – retrucou Ex, prontamente. A resposta de Balak a isso foi rir.

Cada minuto que passava perto daquele homem só fazia deixar Kastor mais e mais irritado... mas apesar disso, não pode deixar de notar algo. O modo de agir dele... ele está constantemente mudando. Quando ele havia começado a falar com Ex, por exemplo, ele parecia educado e apologético, mas assim que o Tecelão Branco afirmou que iria entrar em confronto com ele independente de suas desculpas, sua postura havia mudado completamente, fazendo com que ele se tornasse complacente, provocante, irônico e arrogante. Será que ele estava tentando fazer com que Ex não se tornasse um inimigo ou até mesmo se transformasse em um aliado dele e desistiu disso depois que viu não obteria sucesso nisso? Ou... talvez ele tem algum outro tipo de plano com isso? Não estava certo, francamente. Não estava certo de qual era o caso. Na verdade, não estava nem sequer certo do porquê ele estava pensando naquilo em primeiro lugar. Isso não importa. Nada disso importa. Esse cara é meu inimigo. Não tenho de me preocupar com os motivos pelo quais ele faz o que faz. Só tenho de me focar em como mata-lo.

Mas apesar desses pensamentos, simplesmente não pode deixar de fazer a pergunta que atingia sua mente.

– Ei, Balak! – gritou ele, chamando a atenção do mago e fazendo com que ele voltasse a se virar em sua direção. – Por que você está caçando os Cavaleiros Numerados?

O próprio mago ergueu uma sobrancelha ao ouvir aquilo, como se estivesse confuso em relação ao que Kastor queria dizer com isso, mas isso não durou muito. Logo a compreensão começou a se espalhar por seu rosto na forma de um sorriso, e ele voltou-se totalmente para Kastor, ignorando Ex em favor de focar-se no cavaleiro.

– Creio que há uma falha na sua interpretação no que diz respeito a isso, Cavaleiro Azul – murmurou ele, quase que de forma apologética. – Eu não estou caçando os “Cavaleiros Numerados”, por assim dizer. Eu estou caçando alguém em específico entre os números deles. Como eu não sabia antes exatamente quem era essa pessoa, eu tive de simplesmente lançar ataque após ataque contra diversos membros da sua geração de cavaleiros na busca dela. Mas agora eu sei quem é essa pessoa... não é, Demônio Azul, Kastor Strauss... ou devo dizer, Coração Azul, o Terror dos Deuses?

Coração Azul? Já havia ouvido aquele nome antes, não lembrava-se bem aonde. Ele... ele não é um dos Corações? Um dos cinco grandes demônios que uma vez mataram os Deuses? Já havia sido chamado de demônio ali pelo menos uma centena de vezes, e Demônio Azul realmente era a alcunha que ele trazia desde quando havia sido sagrado como um cavaleiro pelo Salão Cinzento, mas tudo isso misturado daquela forma sugeria... Não pode ser...

– Espere um momento... – disse ele, colocando todas as peças do quebra-cabeça que haviam sido dadas a ele até então em ordem em sua mente. – Você... você está dizendo que eu sou um demônio, um verdadeiro demônio? Você está sugerindo que eu sou... Coração Azul?

Disse as palavras, mas nem mesmo ele conseguiu realmente colocar muita fé nelas enquanto as dizia. Isso parece completamente louco, pensou ele... mas ao mesmo tempo em que isso passava por sua cabeça, também pensava no que havia acontecido de estranho com ele naquele dia. A voz. As chamas azuis. As escamas. Existem muitas coisas que aconteceram hoje. Muitas coisas estranhas. Não achava que uma explicação como “você é na verdade um demônio lendário” seria o suficiente para explicar tudo aquilo... mas francamente, simplesmente não sabia. E quando viu o sorriso no rosto de Balak se alargar e as mãos do homem começarem lentamente a se moverem em um bater de palmas extremamente sarcástico, sentiu que isso significava que seu pensamento estava certo.

– Bravo, bravo! – saldou Balak com o que parecia ser quase que toda a ironia do mundo contida em suas palavras. As palmas dele apenas faziam ampliar o efeito disso ainda mais, o que conseguia irritar Kastor mais do que imaginava que era humanamente possível. E no entanto, algo ali chamou sua atenção em particular; durante um instante, foi mais do que capaz de jurar que os olhos de Balak brilharam por trás de seus óculos, brilharam vermelhos. – Bom saber que você finalmente pode chegar a essa conclusão. Ela não está completamente correta, mas é próxima o suficiente para que eu possa usá-la. Dizer que você é Coração Azul seria uma possível interpretação da situação, sim, mas o correto seria dizer que você é o hospedeiro de Coração. Você não é um demônio, Kastor... mas dentro de você habita um. Francamente, se você fosse apenas você, nós não teríamos problemas. Quem sabe talvez até chegássemos a ser amigos! Mas, infelizmente, esse não é o caso. Você é o hospedeiro de um demônio, querendo ou não, e isso faz com que eu tenha de lhe caçar, Cavaleiro Azul.

– ... Por que? – tinha uma boa noção do quão estúpida sua pergunta devia soar. A partir do momento em que o homem havia dito que Kastor tinha um demônio dentro de si, a questão dele ser um demônio ou de ter um demônio realmente dentro de si haviam se tornado simplesmente obsoletas. Isso não importava em nada; se o homem acreditava que ele tinha um demônio dentro de si, então ele iria agir partindo do princípio de que tinha um demônio dentro de si, e não era realmente difícil de entender o porquê alguém iria caçar uma pessoa com um demônio dentro dela. Mas fazer aquela pergunta proporcionava ao homem o motivo e a chance de expor seus pensamentos a ele, e tinha interesse em vê-los agora.

– “Por que”? – repetiu Balak, deixando bem claro que a obviedade daquilo não lhe escapava, erguendo uma de suas sobrancelhas e olhando cautelosamente para Kastor como se temesse que o cavaleiro estivesse jogando algum tipo de joguinho com ele ali. Só voltou a falar quando pareceu convencido de que esse não era o caso. – Demônios não são necessariamente coisas apreciadas no mundo dos humanos, Kastor. Sei um bom bocado sobre eles. As histórias exageram em muitas coisas; eles não comem carne humana, eles não são Anjos Caídos, e embora eles sejam capazes de destruir almas, eles não se alimentam delas. Porém existem coisas que elas sabem de forma correta; demônios são inimigos da humanidade.

“Para começar, deixe-me explicar a você como exatamente eles surgiram, sim? Demônios não são bestas ou monstros, como você pode imaginar, mas tal como te falei, eles também não são Anjos Caídos. Demônios são... seres. Apontar o verdadeiro surgimento dos demônios é algo tão difícil quanto apontar o surgimento dos Deuses ou da raça humana, mas existem coisas aqui e ali que nos dão algumas dicas. Por exemplo, a forma deles. Demônios, em sua grande maioria, possuem formas humanoides; raramente eles são completamente humanos, veja bem, mas eles são bem similares à nos de muitas formas. Similarmente, demônios possuem uma empatia natural com monstros e bestas, sabia? E não estou falando apenas com os ininteligentes entre esses; pelo que sei, demônios são capazes de conservarem boas relações até mesmo com indivíduos dessa raça que possuem verdadeira inteligência. A bem da verdade, minhas pesquisas apontam que os demônios de alguma forma descobriram até mesmo reinos ocultos dessas raças e mantém algum tipo de relação com esses, embora eu seja incapaz de dizer mais a certo o que exatamente transcorre disso. Mas, de qualquer forma, você consegue ver o ponto que estou fazendo com isso, certo? Demônios possuem forma humanoide. Demônios possuem afinidade com monstros e bestas. Em outras palavras... demônios são uma junção de ambas as espécies.

Sim, eu sei, isso pode parecer não fazer sentido em uma primeira instância, mas se você pensar nisso, você vai ver que as coisas não são tão simples assim. Em primeiro lugar, monstros e bestas não são a mesma raça, obviamente, mas eles são bem similares. A diferença de um pro outro é mais ou menos a mesma diferença de um tigre pra um leopardo. Agora, você poderia pensar que os demônios seriam os leões em um exemplo como esse, mas não. Os leões nesse caso seriam os Anjos Caídos, simplesmente pelo fato de que o poder que esses carregam é muito maior do que o de demônios e bestas, o que faz com que eles sejam os ‘reis’ entre as raças do Mundo Negro, ainda que tenham números claramente menores do que os dos outros. No entanto, ser ‘rei’ e ser o superior são coisas diferentes. Veja bem: em nosso mundo, os humanos são os superiores, mas isso não muda o fato de que o leão é o rei dos animais selvagens, o tubarão é o rei dos mares, o falcão é o rei dos céus e o dragão é o rei dos animais mágicos. Isso funciona da mesma forma nesse ‘mundo paralelo’ no qual os demônios vivem. Eles são lá o que nós, humanos, somos aqui.

Estou com a impressão de que estou sendo um tanto quanto confuso em minhas explicações até aqui, então permita-me cortar um pouco os rodeios agora e apresentar as coisas de uma forma mais bruta e clara, sim? Existe um segundo mundo dentro do nosso. Não estou falando de algo como um submundo do crime nem de algo como uma dimensão paralela; em algum lugar, de alguma forma, existe todo um mundo dentro do nosso mundo que desconhecemos. A esse mundo é dado o nome de ‘Mundo Negro’ devido aos seres que vivem lá, e é desse mundo que veem os demônios, monstros, bestas, Anjos Caídos, e provavelmente até mesmo algumas outras coisas que não faço a menor ideia de que existem. Além desse segundo mundo, existe também um terceiro mundo, o ‘Mundo Divino’, que é aonde habitavam antes os Deuses e os Anjos. No meio disso tudo, nosso mundo é chamado de ‘Mundo dos Homens’, e isso estabelece a relação entre os três mundos, entendeu? O Mundo Negro, governado pelos demônios, o Mundo Humano, governado pelos humanos, e o Mundo Divino, anteriormente governado pelos Deuses.

Agora chegamos nas partes das teorias! Sabe, é difícil dizer ao certo quando isso aconteceu já que é bem certo que esses acontecimentos datam antes da criação da raça humana, mas pelo que eu pude chegar a entender, foi mais ou menos isso. Você já ouviu pessoas falando que o humano foi criado a partir de animais, dado ao fato de que existem certas estruturas similares entre animais e humanos? Pois é, isso não é totalmente errado, embora não seja completamente certo... mas mais disso depois. Por hora, você deve manter apenas uma coisa em mente. Os Deuses foram os primeiros seres a existirem, de alguma forma, e eles criaram os anjos; em termos, acho que você poderia dizer que os anjos são os ‘filhos’ dos Deuses. Mas só isso não foi o suficiente, e então eles quiseram mais. Criaram um novo mundo, e nesse mundo eles começaram a criar nova vida.

Surgiram então os monstros e as bestas. Por bem da curiosidade, você sabe qual é a diferença entre um monstro e uma besta, certo? Eu espero que você saiba... pois eu não vou explicar isso, já é complicado demais explicar as coisas como estão. Então, deixe-me lhe dizer isso; animais são protótipos dos humanos, sabia? E não quero dizer isso no sentido de que eles são menos evoluídos do que nós ou algo do tipo; eles literalmente foram criados com o único propósito de servirem como base para a criação da nossa raça. Afinal, a intenção dos Deuses ao criar nós, humanos, não era nada mais do que criar seres à sua própria imagem, ainda que não completamente iguais... e fazer um trabalho como esse requer uma boa base, como eles descobriram.

Volte um pouco agora. Lembra do que eu havia lhe dito antes? Primeiro os Deuses criaram um mundo... e esse foi o Mundo Negro. Isso mesmo, as primeiras criações dos Deuses não foram os humanos ou os animais, mas os monstros e as bestas.”

– Ou, ou, ou! Calminha aí! – gritou Kastor, interrompendo toda a longa história que o homem estava contando. – Você está falando aqui há, sei lá, meia hora ou mais! E você ainda não respondeu minha pergunta! Será que você poderia parar de ficar dançando ao redor do ponto e me dar uma resposta direta de uma vez?

O líder do Olho Vermelho parou por um momento de falar para olhar pra Kastor, a expressão em seu rosto completamente neutra, seus olhos fixos e parados sobre o Cavaleiro Azul. Esperava que ele falasse alguma coisa, mas nem uma única palavra veio de seus lábios por todos os momentos em que ele permaneceu lhe fitando. Foi somente depois que seus olhos pareceram se fechar e um fino sorriso que de conseguia ser macabro de mil formas diferentes surgiu em seu rosto que ele voltou a falar, ignorando completamente tudo que havia se passado.

– Tal como foi feito com os humanos mais a frente, os monstros e as bestas... eles eram protótipos, rascunhos. A base para a verdadeira criação dos Deuses. Sendo assim, eles foram rapidamente deixados de lado, e no lugar deles os Deuses começaram a trabalhar no que realmente importava para eles, em seres a sua imagem. Ironicamente, os primeiros desses seres que eles tentaram criar foram os demônios... justamente a raça que mais tarde causaria a morte deles. Que ironia, não acha?

“Se você tem o mínimo de conhecimento histórico você já deve ter imaginado isso, mas essa tentativa dos Deuses foi um fracasso. Os demônios não eram o que eles queriam em muitos sentidos. As formas deles variavam demais entre similares a Deuses e similares aos monstros, a raça era cheia de sentimentos e desejos ruins como a ira, a inveja e a ganância, e mais do que tudo... os demônios eram poderosos. Perigosamente poderosos. Naquela época os Corações não existiam, sendo assim não havia nenhum demônio que realmente tivesse poder o suficiente em si para desafiar os Deuses, mas isso não significava que não existiam demônios poderosos. Os demônios daquela época eram fortes, bem fortes, e isso somado aos sentimentos ruins que habitavam dentro deles transformavam-nos em um grande problema. E foi então que os Deuses cometeram seu maior erro.

Eles deserdaram aos demônios.

Não vou te dizer o que eles deviam ter feito. Tentar cuidar dos demônios, eliminar os sentimentos ruins em seus corações e transformá-los em bons súditos seria algo extremamente complicado, mas ao menos moralmente falando, isso seria o correto. Por outro lado, eliminar por completo os demônios enquanto eles ainda eram uma ameaça consideravelmente fácil de se controlar seria algo moralmente abominável, mas logicamente compreensível e até incentivado. Mas a escolha que eles fizeram não era nenhuma dessas; ela se encontrava no meio, entre moralidade e lógica. E ela só pegava o pior de ambas.

Demônios não são exatamente seres piedosos ou compreensivos, Kastor. Na verdade, eu não sei se você notou isso pelo que eu já te expliquei deles, mas a verdade é que demônios são seres um tanto quanto sentimentais. Dizer que eles receberam o fato de terem sido abandonados pelos Deuses de forma ruim seria uma atenuação imensa do que aconteceu; eles basicamente declararam guerra aos Deuses em revolta, e não fizeram isso sozinhos. Quando os Deuses decidiram abandonar os demônios, eles estavam abandonando também os monstros e as bestas, e por mais que os Deuses simplesmente não se importassem com esses, a recíproca não era verdadeira. Os monstros e as bestas se revoltaram também, e junto dos demônios eles declararam guerra aos Deuses... e nem mesmo assim aquilo estava terminado. As ações que os Deuses tomaram foram controversas, muito controversas, o suficiente para que até mesmo alguns anjos chegassem a questioná-las. Afinal de contas, como eles deveriam se sentir seguros servindo a seres que abandonavam tão facilmente sua própria criação? Muitos começaram a desconfiar dos Deuses. Muitos simpatizavam com os demônios. E eventualmente, eles se revoltaram também. Uma centena de anjos abandonaram o mundo dos Deuses para aliarem-se aos demônios, e absolutamente todos os anjos que fizeram isso eram extremamente poderosos. Aqueles cem anjos por si só tinham poder mais do que o suficiente para destruírem totalmente tanto os monstros quanto as bestas, e apenas os demônios eram capazes de lhes enfrentar, e a aliança que surgiu entre anjos e demônios foi tão perigosa justamente por isso; a fim de aumentar o poder dos anjos e aumentar a sua chance de obter uma vitória contra os Deuses, os demônios cederam o seu próprio sangue aos anjos, e no momento em que o primeiro anjo bebeu desse sangue, os Anjos Caídos surgiram.

Os Deuses, obviamente, não deixaram de responder a isso, e a resposta deles foi muito simples até; eles separaram os mundos. Antes o Mundo Negro e o Mundo Divino eram conectados um ao outro, como se existisse uma porta que alguém pudesse abrir para passar de um ao outro. Os Deuses eliminaram essa conexão, e com isso, eles pretenderam todas aquelas raças no Mundo Negro. As coisas são um tanto quanto ofuscas depois desse ponto, mas, bem, eu não consigo deixar de imaginar que os demônios devem ter ficado realmente putos com aquilo, embora eu não acredite que os Deuses tenham dado muita importância a isso. Deuses eram inacreditavelmente poderosos, afinal de contas, e um grande problema em todo aquele que possui muito poder é que esse acaba por, querendo ou não, se tornar arrogante. O que eu acredito que eles fizeram depois disso foi simples; eles criaram o nosso mundo, separaram-no do deles e do dos demônios por precaução, e repetiram o processo. Criaram os animais primeiro como uma espécie de rascunho, e depois a partir deles eles criaram nós, humanos, o que estabelece a relação entre nós e animais.

Você consegue ver a relação entre demônios e humanos agora, não consegue? Se não consegue, permita-me explicar isso pra você de uma forma bem simples; ambos são uma tentativa de fazer a mesma coisa, ou seja, serem uma representação da imagem dos Deuses. A crucial diferença entre as raças, no entanto, é que enquanto humanos foram uma tentativa de representar a imagem dos Deuses bem sucedida, os demônios foram um fracasso.

Então, para encurtarmos uma história longa...”

– Tarde demais – murmurou Kastor, interrompendo o homem. Se Balak havia decidido contar tudo aquilo afim de lhe abater, estava tendo sucesso; se sentia tão entediado agora, tendo de ouvir uma explicação tão longa sobre algo tedioso, que estava começando a se perguntar exatamente porquê não havia cortado sua própria garganta para se ver livre daquilo. Lógico, considerando minhas habilidades regenerativas a minha garganta provavelmente se curaria antes que eu chegasse realmente perto de morrer, mas o que importa é a intenção, certo?

Para encurtarmos uma história longa! – repetiu Balak, sempre mantendo um sorriso em seu rosto, mas ao mesmo tempo falando com uma força e agressividade que parecia dizer que ele iria explodir Kastor em pedaços se lhe interrompesse novamente, distante dele ou não. – Demônios odeiam humanos, por motivo nenhum além do fato de termos sido uma criação bem-sucedida dos Deuses. Os mundos haviam sido separados graças aos Deuses antes, e isso foi o que por muito tempo salvou os humanos dos demônios, mas mundos separados não significava que alguém não conseguia saber o que ocorria no outro. Para facilitar a sua compreensão, pense nisso tudo como se fosse uma... vizinhança, por assim dizer. Três casas, cada uma diferente da outra, cada uma com muros altos e fortes que a separam das demais. Além desse muros, existem barreiras mágicas neles que os protegem, o que impede que alguém da casa “a” adentre da casa “b”. No entanto, essas barreiras não significam nada para alguém casa “c”, que possui um instrumento ou poder capaz de fazer com que eles adentrem das casas “a” e “b”, e apesar dessa barreira estar de pé, os membros da casa “a” ainda são capazes o suficiente para escalarem o muro e olharem por cima dele para as outras casas. Apenas os membros da casa “b” não possuem nenhuma capacidade, vivendo tranquilamente em sua casa, sem poderem sequer saber o que acontece nas outras.

“Substitua ‘a’ por ‘demônios’, ‘b’ por ‘humanos’ e ‘c’ por ‘Deuses’ e você terá uma boa noção do que eu quero dizer. Mais que isso, mantenha também as localizações em mente e você terá então uma boa ideia da situação dos mundos. Em outras palavras, o mundo dos humanos está localizado em um ponto intermediário entre o mundo dos demônios e o mundo dos Deuses. Como não existe uma forma de passar diretamente de ‘a’ pra ‘c’, você precisa primeiro passar por ‘b’... e foi exatamente isso que causou a grande guerra do nosso mundo. De alguma forma os demônios descobriram uma maneira moverem-se entre os mundos, e eles tentaram atacar os Deuses. Só que para atacar os Deuses, eles tinham de primeiro passar pelo mundo dos humanos, e devido ao ódio que eles possuem de nós, muitos deles nos atacaram... o que criou a guerra em si.”

– História absolutamente fascinante – murmurou Kastor, emburrado, sem realmente achar nada daquilo fascinante. Interessante, talvez, mas não particularmente fascinante. Talvez eu tivesse interesse em ouvir sobre algo assim caso eu realmente quisesse ouvir sobre isso, mas francamente, tudo que eu quero aqui é ouvir uma resposta para a minha mil vezes maldita pergunta! Será que isso é pedir demais? Havia ficado tão entediado com tudo aquilo que havia começado até mesmo a tirar cartas que havia guardado em sua dimensão paralela e trabalhado para criar um castelo de cartas com elas sobre os escombros. Quando seu castelo caiu pela terceira vez ainda na primeira base devido a uma mistura da falta de capacidade de Kastor e a inconsistência do suporte delas, o cavaleiro azul não pode fazer muito mais do que suspirar, murmurar pragas e maldições em meio ao seu suspiro e voltar-se novamente para Balak, seus olhos totalmente desinteressados. – Por favor, me dê uma resposta para a minha pergunta. Apenas para a minha pergunta. Sério, você realmente não precisa se alongar para me explicar detalhes, eu não me importo com eles, apenas, pelo amor de tudo que é sagrado nessa raio de mundo, responda minha pergunta!

O sorriso que dançou pelo rosto de Balak chegou a realmente parecer sincero dessa vez, um sorriso realmente divertido e não apenas sarcástico. Quando viu ele, um pensamento estranho passou pela mente de Kastor. O que é que ele havia dito mesmo? “Quem sabe talvez até chegássemos a ser amigos” ou coisa do tipo? Não havia levado muito a sério isso quando foi dito, nem sequer havia chegado a prestar muita atenção naquelas palavras, mas agora, olhando a forma como o homem estava sorrindo... pensar que eles realmente poderiam chegar ao ponto de serem amigos um dia caso a situação fosse diferente não parecia nada absurdo.

– Os Corações, como você bem sabe, foram os que lideraram os demônios durante a guerra. Os cinco mais poderosos demônios existentes, cada um deles com poder o suficiente para desafiar e matar aos Deuses. Eles lutaram contra humanos no passado, e a batalha contra eles causou milhões de mortes. Nobres e camponeses, soldados e heróis, todos caíram de forma indiscriminada durante a batalha, e muitas dinastias conceituadas em nosso mundo, famílias de heróis e guerreiros lendários, caíram no esquecimento após essa guerra. Dizer que os Corações são os maiores inimigos da humanidade não seria um exagero. Eles são nossos Nêmeses natural. – uma das mãos do mago se ergueu para ajustar os óculos em seu rosto, e no instante em que isso aconteceu, tudo pareceu subitamente mudar. Antes havia tido a impressão de ver os olhos de Balak brilharem vermelhos por um instante, mas agora teve a confirmação. De uma hora pra outra os olhos do homem mudaram completamente de cor para um vermelho vivo, brilhante e profundo, parecendo ser capaz de olhar para dentro da alma daquele que ele fitava. Quando esses olhos pousaram novamente sob Kastor, sentiu que Balak não olhava para ele, mas sim para algo dentro dele. Coração Azul... – Isso dito, eu não caçaria pessoas como você apenas por um motivo como esse. O passado é passado. Eu teria de ter uma mentalidade bem estúpida para querer a morte de alguém apenas devido a algo que ocorreu centenas de anos antes que eu sequer chegasse a nascer. Não, eu lhe caço por um outro motivo Kastor, por algo muito mais preocupante. Eu lhe caço porque eu vi o futuro, e eu sei o que aguarda a humanidade se indivíduos como você... não, se os Corações ficarem vivos.

– Você viu o futuro? – não pode deixar de erguer uma sobrancelha ao ouvir aquilo. Sabia que existiam dezenas de habilidades diferentes em seu mundo, sabia que existiam pessoas com poderes além da compreensão em todo canto, mas nunca havia ouvido falar sobre algo como uma habilidade de ver o futuro ou coisa do tipo. – O que exatamente você quer dizer com isso? Se você viu o futuro, então o que você viu ali?

– Caos. Morte. Destruição. – foi essa a resposta de Balak, sem nem um único momento de hesitação. – Eu vi um futuro aonde a terra estava morta, aonde a chuva era ácida e os mares eram sangue. Eu vi um mundo em que a humanidade havia sido completamente derrotada, aonde homens e mulheres viviam correndo e cortavam a garganta de recém-nascidos para poupar-lhes da dor daquela vida. Eu vi um futuro aonde demônios andavam livremente pela terra e faziam o que quer que quisessem sem que ninguém pudesse lhes deter. Eu vi um mundo aonde os Corações haviam se reerguido, e o poder deles destruiu a humanidade por completo.

Aquilo era algo... difícil de se acreditar. Não duvidava exatamente do que o homem falava, mas tudo que aquele futuro dele sugeria causava muitas complicações ali. Pelo que ele disse, o futuro é um mundo aonde os Corações se reergueram... mas o que exatamente isso quer dizer? Será que nesse futuro que ele havia visto Kastor tinha morrido e Coração Azul havia se libertado de seu interior? Ou... Será que eu e Coração Azul nos tornamos um? A voz havia desaparecido agora, desde que havia começado a conversar com Balak, mas lembrava-se muito bem dela. Ela... ela fica tentando me manipular, tentando fazer com que eu faça o que ela quer. E se eu me lembro bem... durante a luta contra Apollo, antes da minha vitória, ela havia feito uma espécie de acordo comigo. Não acho que ela chegou a dizer o que exatamente ela queria, mas lembro-me bem de que eu ganhei o poder que havia pedido depois disso.

Sentiu um arrepio correr por sua espinha graças a esses pensamentos. Será que eu... será que eu vendi minha alma? Meu corpo?

– Quem foi que lhe revelou esse seu “futuro”? – perguntou subitamente uma voz, arrancando bruscamente Kastor de seus pensamentos e jogando-o de volta ao mundo real. Virou sua cabeça na direção da qual essa voz veio, e com isso ele pode ver claramente que Ex não parecia realmente colocar muita fé nas palavras do homem.

– Hum? – foi o que veio de Balak ao ouvir aquilo, parecendo honestamente confuso pelo que Ex queria dizer com aquilo.

– Você não espera que eu acredite que você viu esse futuro por suas próprias mãos, não é? Kastor não conhece suas habilidades, e por tal ele pode até mesmo chegar a acreditar nisso, mas o mesmo não pode ser dito de mim. Você conhece muitos estilos de magias diferentes, Balak, e as restrições de afinidade praticamente não existem no que diz respeito a você; você é uma exceção à regra, alguém que é capaz de usar mil estilos de magia diferentes sem verdadeiros problemas... mas existe uma grande diferença entre usar um estilo de magia básico e conhecido como magias de fogo e criar um estilo novo e poderoso. Você já criou um estilo desses com a sua magia do tempo, e apesar de que eu não diria necessariamente que é impossível que você crie outro estilo desse tipo considerando que as regras da magia aparentemente não se aplicam a você, eu posso dizer com total certeza que você não teve tempo o suficiente para fazer algo assim.

– Oh... interessante. – a resposta de Balak foi curta, mas o líder do Olho Vermelho ficou claramente interessado no que ouviu. Seu corpo virou-se novamente para voltar-se em direção a Ex, e os olhos vermelhos dele fitaram os azuis do irmão de Shell com um ar que remetia malandragem e desafio. – Muito bem, Ex. Vou morder a isca. O que te faz pensar que eu não tive tempo para fazer isso?

– Simples. Você não viu minha chegada – disse Ex, e aquelas palavras de alguma forma ressoaram pelo ambiente como o bater de um martelo de guerra. Kastor ficou por um momento sem entender aquilo, mas quando olhou para Balak e viu a expressão estupefata no rosto dele, a forma como seus olhos estavam esbugalhados e seu rosto havia perdido a compostura foi o bastante para que ele compreendesse duas coisas: aquilo era algo sério, e Balak certamente não esperava por aquilo. – Você não é tolo, Balak. Um tanto quanto arrogante, sarcástico e simplesmente irritante muitas vezes, mas não tolo. Se você soubesse que eu estava vindo pra cá, você não iria apenas enviar as pessoas que enviou. Você viria pessoalmente me parar. E o fato de você não estar aqui é a prova do meu ponto; você definitivamente teria vindo me parar caso soubesse que eu estava vindo pra cá, e você saberia que eu estaria vindo se tivesse o poder de ver o futuro.

E foi então que tudo fez sentido. Entendi! Então, Ex sabe que não foi ele que viu o futuro pois, se fosse ele o caso, ele teria usado o seu poder para ver o futuro no que diz respeito a isso e teria se prevenido melhor contra nós! Não só isso, mas o fato que Balak não podia ver o futuro significava também que ele havia dependido de outra pessoa para lhe dizer qual era o futuro, e se havia sido outro alguém o responsável por revelar-lhe o futuro, então essa pessoa podia ter mentido. Em outras palavras... isso que ele falou sobre um futuro dos Corações não é uma certeza!

– Hum... tal como esperado. Você não mudou nada, Ex Glace. Sua mente continua afiada como sempre. – tinha de dar uma coisa a Balak, querendo ou não; mesmo quando ele perdia sua compostura, ele era absurdamente rápido para recuperá-la e agir como se nada tivesse acontecido; se não fosse pelo fato de ter visto com seus próprios olhos aquilo, não conseguiria acreditar que o homem que via sorrindo de forma segura e confiante a sua frente era o mesmo homem que momentos atrás havia tido uma surpresa tão grande com o que Ex disse. – Realmente, realmente. Eu realmente tive essa visão do futuro mostrada a mim por outra pessoa, embora eu não possa revelar quem foi o responsável por isso por motivos mais do que óbvio. Isso dito, a minha fonte é uma fonte confiável. Ela me mostrou essa visão, e eu não tenho razão alguma para assumir que ela estava me enganando com isso ou algo do tipo. Esse futuro é uma realidade... e é exatamente por isso que eu caço pessoas como você, Kastor. – tão subitamente quanto a recuperação da sua compostura o homem virou-se para Kastor, fitando-o diretamente dentro dos olhos. – No futuro que vi, os Corações foram os responsáveis pela queda da humanidade. Lhe pergunto: se eles são os responsáveis por todas as desgraças que se abateram sobre nós, qual forma melhor de livrar-se dessa ameaça do que matando-os antes que eles tivessem a chance de nos matar?

Não precisava ouvir mais do que aquilo para compreender aonde exatamente o mago queria chegar. Entendo. Então... é esse o objetivo dele, não é?

– Entendo agora a sua motivação – disse lentamente Kastor, avaliando cada palavra que deixava seus lábios da mesma forma que avaliava cada movimento de Balak. – Você quer impedir esse futuro que você viu de se tornar realidade, e por isso você caça pessoas como eu. Você não quer realmente nos matar, mas sim matar os demônios dentro de nós, impedir que eles tenham a chance de conquistar o mundo humano.

– Exatamente – concordou Balak, um sorriso honesto tocando seu rosto. Um sorriso orgulhoso, e ao mesmo tempo, até que um pouco tristonho. – Francamente, é uma pena que eu tenha de matar vocês pra fazer isso. Coração Vermelho... Coração Cinzento... eles estavam nos corpos de uma garota e um velho, respectivamente. Não tirei prazer nenhum de mata-los, Kastor, mas isso tinha de ser feito. O mesmo vale para pessoas como Apollo. Você deve ter visto isso, você lutou com ele, mas Apollo é alguém completamente desprezível. Eu lhe juro, não tive prazer nenhum em trabalhar com ele. Mas o comércio de escravos arrecada muito dinheiro, e dinheiro é necessário para que eu possa sustentar uma cruzada como a minha. Se algumas pessoas morrem, se algumas pessoas tem de sofrer... vale a pena se isso for pra salvar mil vezes mais pessoas de algo pior no futuro, não concorda?

– Não. – conseguia compreender as motivações de Balak agora que havia ouvido tudo, conseguia até mesmo simpatizar com elas de certa forma... mas não concordava com ela de forma alguma. – Eu entendo o que você quer dizer, mas... Balak, no fim das contas, tudo que você está fazendo se baseia em uma possibilidade. No fim do dia, todas as pessoas que estão morrendo e sofrendo devido a sua influência de forma direta ou indireta estão fazendo isso por nada mais do que uma possibilidade. Pode ser que isso que você teme simplesmente nunca estivesse fadado a acontecer, pra início de conversa. Pode ser que, apesar de todos os seus esforços, isso continue a acontecer, e você apenas fez aumentar o sofrimento. Diabos, pode ser que as suas próprias ações sejam as responsáveis por fazer com que isso ocorra no fim das contas. De qualquer forma, tomar ações tão drásticas quanto as que você está tomando baseado apenas em possibilidades é ir longe demais, na minha opinião. E mais importante que tudo isso, eu não quero morrer! Sério, morrer não está na lista de coisas que eu quero na minha vida! Provavelmente porque isso culminaria no fim da minha vida. De qualquer forma, como eu não quero morrer, abomino qualquer tipo de ação ou ideia que envolva a minha morte! Sendo assim, sou firmemente contra isso!

A reação de Balak a isso foi gargalhar loucamente.

Bom, eu certamente não esperava por isso. Pra ser sincero, não sabia exatamente o que esperava depois de suas palavras, mas estava bem certo de que as gargalhadas de Balak não estavam em suas expectativas. O mais estranho, no entanto, era o quão naturais elas soavam; em uma situação como aquela, normalmente imaginaria que as gargalhadas de alguém como ele seriam forçadas ou enlouquecidas, mas para sua grande surpresa esse não eram o caso. Balak parecia realmente satisfeito ali enquanto gargalhava, verdadeiramente divertido com o que havia acabado de acontecer.

– Você é honesto, Kastor Strauss. Isso eu não posso negar. – disse ele, por fim, conseguindo controlar um pouco suas gargalhadas com certa dificuldade. – Quando você começou a falar, eu já estava esperando pelo fim de suas palavras para jogar na sua cara que você estava dizendo aquilo tudo apenas como desculpas, que o que você realmente queria era não morrer... mas parece que você me tirou a chance de fazer isso, não é? Uma pena, uma verdadeira pena. – as gargalhadas morreram de vez, e lentamente Balak foi recuperando sua compostura. Um sorriso ainda mantinha-se expresso em seu rosto, sem fazer esforço para esconder sua tristeza. – Eu realmente queria que as coisas pudessem ser diferentes. Não tenho vontade de lhe matar, Strauss. Mas ao mesmo tempo, já fui longe demais pra parar agora, e além do mais, ainda acredito no meu caminho. – os olhos de Balak se afiaram, rubis sangrentos fitando Strauss. – Sinto dizer isso, mas ainda irei mata-lo, Cavaleiro Azul. Irei mata-lo, e matarei também todos os que tentarem me impedir.

– Só se você for capaz, Olhos Vermelhos – retrucou Kastor, afiando seus olhos da mesma forma que Balak havia afiado os dele. – Não nos subestime. Eu e meus amigos somos bem fortes. Persista nisso de tentar nos derrotar, e você e suas forças vão acabar completamente destruídos.

O sorriso de Balak se tornou um pouco mais afiado ao ouvir aquilo. Ele estendeu-se um pouco mais pelo rosto do mago, e parte da tristeza que ele parecia trazer transformou-se em uma ameaça silenciosa aos olhos de Kastor.

– Duas horas atrás, eu recebi uma mensagem de uma mulher afiliada a mim chamada Annie, me informando que Hozar Royes havia chegado à mansão. A essa hora, Hozar e qualquer um que você tenha enviado com ele já devem ser nada mais do que ossos. Quando eu terminar de fazer o que estou fazendo agora, o mesmo poderá ser dito sobre seu outro grande apoio; o Salão Cinzento. Depois que isso acontecer veremos realmente se seus amigos são tão fortes quanto você fala, ou se tudo isso é pouco mais do que palavras vazias.

Aquelas palavras mudaram tudo. Foi a vez de Kastor perder sua compostura ao ouvir aquilo, e sem conseguir se controlar ele avançou contra o homem com um de seus punhos erguidos. Isso já seria naturalmente inútil pelo fato de estar falando com nada mais do que uma representação da imagem de Balak, mas o mago parecia disposto a tornar isso ainda mais frustrante para Kastor; um instante antes de seu punho alcançar o que seria o rosto de Balak a imagem do homem simplesmente desapareceu, fazendo com que Kastor se assustasse e quase perdesse o equilíbrio com aquilo.

– Maldição... – a vontade que Kastor tinha ali era quebrar tudo ao seu redor com suas próprias mãos, simplesmente para extravasar um pouco da fúria que sentia dentro de si, mas de alguma forma ele estava conseguindo se controlar até agora. – O que raios ele quis dizer com isso? Hozar... morto? E pelo que ele falou, ele parece estar se preparando para atacar o Salão Cinzento, não é?! Maldição, eu tenho de impedi-lo!

Disse aquilo mas não fez nada. O que deveria fazer, afinal? Havia ouvido sobre Hozar e queria ajuda-lo, mas ao mesmo tempo, seu grupo ali havia acabado de passar por uma série de batalhas complicadas; queria ajuda-los também, tanto quanto queria ajudar seu amigo de longa data E nem sequer sabia exatamente o que raios Balak queria dizer com relação ao Salão Cinzento, e sendo assim, como deveria fazer qualquer coisa para impedi-lo?

– Se acalme, Kastor – disse a voz de Ex, eternamente calma. Virou sua cabeça para ver o homem se aproximando dele. – Sei que você quer fazer alguma coisa, mas não há nada que você possa fazer. Pelo que Balak disse, o confronto entre essa tal de Annie e Hozar aconteceu há duas horas; a essa altura ele já está resolvido, e isso significa que você não pode alterar seu resultado. E sobre o Salão Cinzento... eu não posso dizer que ele é longe demais para que você possa fazer algo, considerando que pelo pouco que vi de seus movimentos você é bem rápido, mas você estaria sozinho vagando por aí tentando impedir sabe-se lá o que, e eu não preciso falar nada para que fique bem claro que isso é uma péssima ideia. Se você quer agir contra o Olho Vermelho agora, deve fazer isso de forma calma.

– Ah, é?! – perguntou Kastor, o sarcasmo de sua voz saindo com agressividade. – Fazendo o quê, exatamente?!

– Em primeiro lugar, maneirando seu tom de voz. Não sou seu inimigo nem um de seus amigos; sei que você está irritado, mas tire essa agressividade de sua voz quando for falar comigo – disse Ex, franzindo um pouco o cenho. A voz dele não havia mudado em nada pra dizer aquilo, mas algo nela foi o suficiente para fazer com que Kastor tivesse a certeza de que seguir com aquilo não seria uma boa ideia. – Em segundo lugar, dê um jeito nessas escamas em seus braços. Elas não me incomodam, mas não acho que outros serão tão compreensivas. – aquelas palavras lhe incentivaram a olhar para suas mãos, e tal como Ex havia dito, as escamas estavam lá. Raios, pensei que elas tinham desaparecido depois que eu derrotei Apollo. Foi difícil, teve de se concentrar bastante para isso, mas eventualmente conseguiu ver-se livre das escamas, embora nem mesmo ele soubesse dizer se elas haviam realmente desaparecido ou apenas voltado pra dentro da sua pele ou coisa do tipo. Bem, parece que elas são provocadas devido a influência desse demônio dentro de mim, e considerando que eu não acho que ele simplesmente saiu andando... creio que isso é apenas temporário. Não gostava daquilo, mas não tinha tempo pra se preocupar com isso também; voltou sua cabeça para frente e flagrou Ex sentado, lhe olhando calmamente, como se estivesse apenas aguardando por sua atenção. – Em terceiro lugar, eu recomendo que você se sente. Temos muito o que conversar.

– “Muito o que conversar”? – não discordava daquilo. Realmente, pelo que lhe dizia respeito, tinha muito a falar com Ex ali. Mas isso não fez com que o modo como o homem fraseou aquilo deixasse de soar estranho em suas orelhas.

– Logicamente – respondeu Ex, como se tudo aquilo fosse óbvio. – Você ouviu o que foi dito aqui, não ouviu? Eu tenho problemas com Balak, contas a acertar com o Olho Vermelho. Da mesma forma, você também tem problemas com eles. Os problemas de um não interessam ao outro, mas considerando que temos um inimigo em comum aqui... acho que uma aliança seria beneficial a ambos, não concorda?

=====

O quarto estava silencioso.

Aquilo não era realmente surpreendente. Afinal de contas, estavam na ala médica do Salão Cinzento. Com tantos feridos ali, tantas pessoas fazendo coisas tão importantes, o ambiente tinha de ser silencioso, tinha de se pacífico.

E como se fosse uma faca, esse silêncio foi cortado por um suspiro.

Florian Deuscus mal podia conter seus sentimentos diante de toda a situação que lhe cercava. O Quinto Cavaleiro era um homem loiro, de traços bem afeminados. Seus cabelos eram longos, presos em uma grande trança dourada que descia até o meio de suas costas, sua pele era branca e lisa como a de uma garota e seus olhos eram azuis, quase que cristalinos. A única coisa que realmente deixava claro que ele era um homem era sua voz – que também era mais fina do que a da maioria dos homens, mas ainda grossa o suficiente para identificar seu sexo. No entanto, apesar de toda essa aparência afeminada, não havia um único cavaleiro em todo o Salão Cinzento que ousasse questionar sua capacidade guerreira. Apesar de sua posição como Quinto Cavaleiro, Florian era proveniente da quinquagésima-nona leva de cavaleiros, uma leva famosa por ter sido a mais poderosa de toda a história do Salão Cinzento. Do sexto em diante, todos os cavaleiros daquela leva tinham poder e potencial o suficiente para serem por si só Primeiros Cavaleiros... o que era exatamente o que deixava Florian tão preocupado e incomodado. Com uma armadura leve cobrindo seu corpo e um florete pendurado em seu cinturão, o homem fitava impacientemente o corpo inconsciente de Titânia, a Primeira Cavaleira.

– Se acalme, Florian – disse seu amigo, companheiro de longa data. – Ficar estressado por algo que já aconteceu não vai adiantar em nada.

Ergueu seus olhos para fita-lo. Behemoth, o Quarto Cavaleiro, era um monstro de homem em todos os sentidos da palavra. Com dois metros e quinze de altura ele se erguia acima da maioria das pessoas, sendo o terceiro mais alto de todos os cavaleiros, e o machado que ele usava tinha proporções gigantescas até mesmo para ele. Não havia o trago ali por motivos óbvios, mas mesmo sem ele, o homem tinha uma presença bem intimidadora... o que entrava em contraste extremo com sua personalidade. Com exceção de Adelien e Lancelot, Behemoth era o mais calmo e amigável dos cavaleiros, alguém que estava sempre disposto a ajudar os outros e que Florian nunca havia visto irritado. De cabelos negros longos o suficiente para caírem até seus ombros e espetados, uma das coisas que mais chamava a atenção nele era a grande cicatriz em forma de “x” que ele tinha, cobrindo quase que totalmente o lado esquerdo de seu rosto. Não tinha ideia do que havia feito isso, e sabia o bastante para ter em mente que não seria uma boa ideia fazer perguntas sobre isso à Behemoth. De forma similar, pelo que diziam os rumores, o corpo de Behemoth era cercado por cicatrizes de batalha que ele recebeu nas mãos de mil bestas diferentes – o alvo de sua fúria, os seres que ele caçava. Por sua postura em relação a elas – a fixação por matar bestas no que ele chamava de “treino” ao invés de se aventurar por ai como os outros cavaleiros faziam – ele recebeu o título de Behemoth, “o Matador”.

– Dizer pra eu me acalmar faz pouco para melhorar as coisas também, Behemoth – rebateu Florian, sua voz soando mais ríspida do que queria. Notou isso e mordeu sua língua, fechou seus olhos e procurou acalmar-se um pouco para só então voltar a falar. – Quero dizer, olhe para Titânia. Ela é a Primeira Cavaleira da nossa leva, e olhe o estado no qual o inimigo a deixou.

– Eu olhei pra ela. Você não é o único que está a protegendo, sabe? – disse Behemoth, franzindo as sobrancelhas, apesar de não parecer realmente irritado por aquilo ou coisa do tipo. – Ainda assim, meu ponto permanece.

– Você não entende – disse Florian, sacudindo a cabeça, sem poder acreditar naquilo. Por vezes, Behemoth mostrava-se absurdamente denso. – Titânia é uma dos quatro Ascendentes. Os quatro cavaleiros de elite do Salão Cinzento, concorrentes a tornarem-se alguns de nossos líderes. Titânia, Soulcairn, Senjur, Bokuto, Gwynevere, Ezequiel, Odin. Esses sete cavaleiros, os quatro Ascendentes e os três líderes, são os que representam o melhor em nós. Os mais poderosos guerreiros que temos ao nosso dispor, as armas especiais do Salão Cinzento... e ainda assim, o inimigo conseguiu não apenas arrancar um dos olhos dela como também cortar ambas as pernas de Lancelot! E Lancelot é alguém do nível de um Primeiro Cavaleiro e com uma sincronia absurda em seus movimentos com Titânia! Eles eram praticamente a melhor equipe que tínhamos disponível, e mesmo assim o inimigo os derrotou de forma tão brutal!

– Eu sei disso – disse Behemoth, parecendo entediado enquanto ouvia aquelas palavras. – No entanto, o que eu disse ainda vale. Não adianta se preocupar com isso. Titânia e Lancelot foram derrotados e estão fora de combate. E daí? Ficar preocupado ou estressado com eles não vai melhorar as coisas em nada. O que podemos fazer está sendo feito. Eu e você estamos guardando Titânia. Kazegami e Alexander estão protegendo Lancelot. Nossos médicos estão fazendo todo o possível para curar ambos. Tudo que podemos fazer agora é ficar cal-

As palavras de Behemoth foram interrompidas por algo absurdamente súbito. Titânia estava completamente imóvel e inconsciente, mas de uma só vez uma das mãos dela lançou-se para cima. Ela fechou-se ao redor do braço de Behemoth, assustando o homem tanto que ele quase saltou pra longe dali... embora o susto que ele teve com aquilo não foi nada comparado ao medo que ele sentiu quando olhou para baixo e viu Titânia, fitando-o intensamente com seu único olho restante.

– Lancelot... – sussurrou ela, sua voz soando ao mesmo tempo fraca e agressiva. O “fraco” nela, no entanto, logo desapareceu. Quando ela voltou a falar, sua voz veio com toda a força que condizia a uma mulher do seu nível. – Aonde ele está?!



Notas finais do capítulo

Ok, vamos lá! Sobre o hiatus!

Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que isso não é porquê estou desanimado com a história ou coisa do tipo. Pelo contrário; estou muito animado com ela e com o que está por vir, e é exatamente por isso que entrarei em hiatus - para trabalhar bem ela.

Tenho aqui postado capítulos semanais. Esse é um ritmo bom, tanto pra mim quanto pra vocês, mas vocês já devem ter notado que por vezes eu tenho dificuldade em cumprir a meta. A questão é - eu realmente não gosto de não cumprir a meta. Se eu não a cumpro, eu fico ansioso, faço o capítulo correndo. E estaremos agora em breve chegando a um dos pontos grandes da história, um ponto de climax dessa saga. Fazer o que está por vir correndo não é bom.

Estarei tendo esse hiatus para trabalhar melhor na história com calma. Ele deve demorar certa de um mês ou coisa do tipo pelo que quero deixar pronto, mas não tenho certeza se será esse o tempo, por isso o coloco como "indefinido". O que quero fazer nele é: o arco da Mansão, três histórias paralelas, um capítulo extra e cerca de metade do próximo arco. Assim, quando eu voltar, terei o suficiente já feito para que eu possa postar tudo tranquilamente enquanto trabalho de forma tranquila tanto nesse climax quanto no próximo. Esse também é um dos motivos pelo qual estou fazendo o hiatus agora; se eu fizesse ele antes desse próximo arco, vocês ficariam muito ansiosos, o que faria com que vocês sentissem mais por isso.

De qualquer forma, só quero deixar isso bem claro: o hiatus não é por nenhum problema meu, mas sim pra trabalhar melhor na história. Ficarei agora por cerca de um mês e alguma coisa ausente, mas quando eu voltar, trarei conteúdo épico para vocês. Garanto que todos vocês vão gostar disso, meus caros leitores. E também, claro, esse hiatus também é uma chance minha de relaxar um pouco: adoro escrever, mas ter de escrever um capítulo de 6 mil ou mais palavras por semana cansa, sabem?

Ah! Por sinal, temos história paralela nessa sexta, e essa eu não cortarei. Ela ainda virá. Podem esperar por isso. E quanto a fichas... bem, a partir dessa data, vocês tem até o fim do mês para me mandar a ficha de qualquer personagem seus, ou alterar a de algum personagem já enviado. Os únicos que não poderão editar as fichas de seus personagens serão Murray, Nony e Eros (no que diz respeito a Annie), já que esses terão seus personagens aparecendo no próximo arco.

Bom, é isso. Até daqui a mais ou menos um mês, meus camaradas! Enquanto isso, leiam com calma a história, desfrutem dela, releiam o Torneio se quiserem, e porquê não, chequem os favoritos do meu perfil. Lá tem algumas boas histórias para vocês acompanharem, hehe.



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