O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 120
A Velha e Nova Geração




Terceiro Andar do Pandemonium, “Deserto de Ossos”

 

— MAS O QUE PORRA VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO, GLACE?! – A fúria na voz de Ylessa era quase palpável enquanto ela gritava contra o mago, balançando seu punho em frente ao rosto dele em uma ameaça clara para caso ele desse uma resposta espertinha. – Que merda de ideia foi essa?!

— A ideia que salvou a sua vida, provavelmente – retrucou ele, e tão breve as palavras deixaram seus lábios e o punho de Ylessa foi direto contra o seu rosto. Felizmente ele já estava ciente desde o começo do risco de que ela lhe atacasse e era alguém com bons reflexos; foi só isso que permitiu a Ex jogar seu corpo para trás a tempo de evitar o golpe, sentindo apenas o vento do golpe passar agressivamente ao lado do seu rosto, balançando seus cabelos. – Não me venha com essa sua revoltinha, Besta Rubra – censurou ele com um olhar aborrecido. – Isso chega a ser infantil.

— Infantil?! Eu poderia ter sido pega no meio dessa merda toda, seu maldito cubo-de-gelo! – A mercenária não sabia se ficava mais irritada ou impressionada com a forma casual como Glace agia depois de algo tão desprezível. A maioria das pessoas teriam a graça de ao menos parecerem envergonhados por suas ações, mas ele continuava a se portar como se nada tivesse acontecido, e se alguma coisa sua postura sugeria que ele não conseguia entender o porquê de Ylessa estar irritada. – Além do mais, mesmo desconsiderando o fato de que você me deixou em risco aqui, há também o problema de que isso foi uma merda desonrada! Eu estava lutando contra Jiazz! Não me lembro de ter pedido ajuda a ninguém, então nenhum de vocês deveria ter metido o bedelho na minha luta!

Sua luta? Além de estúpida você ficou delirante também, mulher? – Questionou Ex em um tom que deixava clara a sua crescente impaciência. – Essa luta nunca foi sua. Talvez você não tenha percebido já que não vê muito mais do que o próprio nariz, mas essa é uma luta de todos nós. Jiazz não é apenas um mercenário estúpido e violento, mas um mercenário estúpido e violento que pode facilmente nos custar não só essa batalha, mas toda essa guerra. Derrotá-lo é crucial para a nossa vitória, de uma importância que vai muito além do que os seus meros desejos mesquinhos. Tente compreender isso, Besta. – Um chute veio contra ele como resposta a isso, mas saltou para trás a tempo de evitar o golpe, e Cleus foi rápido em se colocar no espaço que foi aberto entre ele e Ylessa para impedir uma briga entre os dois. Isso resultou numa Ylessa irada lançando olhares venenosos contra Ex por cima dos ombros do Pássaro-de-Fogo, enquanto por sua vez o mago se ocupou em arrumar suas roupas calmamente. – Quanto ao seu outro ponto, você também pode não ter notado isso, mas eu não te coloquei em perigo em momento algum. Sou um dos Tecelões, Ylessa, um dos magos de gelo mais poderosos desse mundo. É óbvio que eu sabia muito bem como acertar o Juggernaut sem te ferir; afinal de contas, por mais que você possa querer negar isso, eu não sou o tipo de homem que sacrifica um aliado pela vitória. Eu fiz o que fiz porque vi na sua luta a chance perfeita para que eu aplicasse um golpe decisivo, e adivinhe: eu estava certo. Meu golpe acertou, ele funcionou, e agora somos triunfantes. Jiazz foi derrotado.

— Ah, fui? – Duas únicas palavras soaram pelo ambiente, mas essas poucas palavras foram o suficiente para fazer com que Ex sentisse sua alma tremer. Os olhos de Ylessa e Cleus se arregalaram, e o próprio Tecelão não foi uma exceção a isso; com olhos arregalados e suor frio escorrendo pelo seu rosto, Ex se voltou na direção da qual a voz veio e viu, na sua árvore Holly, o corpo de Jiazz.

E ele estava sorrindo abertamente, como diante da maior das piadas.

Impossível! Se já estava suando antes, agora Ex sentiu como se seu próprio sangue gelasse em suas veias. Sentiu sua visão começar a ficar curva, e teve de se focar apenas para conseguir mantê-la fixa sobre Jiazz e o sorriso que o Juggernaut trazia em seu rosto. Holly é baseada na Ever White, a mais poderosa magia de gelo já criada. Uma magia que foi criada para aprisionar malditos Deuses! É impossível que um mero humano consiga resistir a ela! Nem mesmo Wendigos como ele e Shell haviam sido capazes de resistir a esse poder quando foram aprisionados, necessitando que Galmond Silverlark os salvasse, então não fazia sentido imaginar que alguém como Jiazz – independente do quão forte ele pudesse ser – fosse capaz de se livrar disso tão facilmente.

Mas mesmo assim, mesmo sabendo disso, o fato foi que a medida que o sorriso ia se abrindo no rosto de Jiazz, a árvore de gelo ia tremendo com cada vez mais violência, e rachaduras se tornavam visíveis nela, ganhando proporções cada vez maiores.

A simples incapacidade que tinha em acreditar no que se desenrolava diante dos seus olhos havia feito com que ficasse parado enquanto via tudo até esse ponto, mas ver as rachaduras e saber que isso significava que Jiazz estava se libertando o motivou a tomar uma ação. Maldição, eu não vou deixar as coisas serem assim tão fáceis! Concentrou-se com todas as forças, e o que manifestou não foi apenas um ar gélido ou uma onda fria, mas verdadeiros feixes de energia azulada que envolveram completamente ambos os seus braços, dançando de forma trêmula como se fossem chamas de velas.

Ylessa! Cleus! Se vocês não vão fazer nada, apressem-se e saiam logo do meu caminho! — Brandiu ele, fazendo com que os dois se voltassem na sua direção. Cleus parecia preocupado enquanto Ylessa parecia irritada, mas qualquer coisa que os dois tivessem para dizer morreu com eles no momento em que viram o estado de Ex. Ambos saltaram para se afastar, e assim que eles fizeram isso o Tecelão Branco não perdeu tempo em usar seus poderes.

Esticou seus braços contra Jiazz, e da palma das suas mãos ele disparou uma rajada de energia fria que era capaz de congelar um incêndio em um piscar de olhos. Maldição, isso vai me custar caro...! Havia um motivo pelo qual seus poderes normalmente se manifestavam através de um pouco de ar gélido ou uma brisa mais fria, e isso era porquê ele estava usando uma quantia controlada de poder nisso – algo que era mais do que o suficiente para seus inimigos, mas que nem por isso tinha poder o suficiente para se manifestar de uma forma mais sólida. Toda aquela energia não estava apenas queimando rapidamente através das reservas de Ex, mas também o colocando sob o risco de ter seu corpo falhando por força-lo demais com todo aquele esforço. Isso é perigoso, mas vale a pena. Eu posso sofrer danos irreparáveis com isso..., mas eu certamente vou morrer se Jiazz conseguir se libertar! Se isso fosse manter o Juggernaut preso então ele iria alegremente colocar todo o seu poder naquela árvore, sem pensar duas vezes.

Não era um homem que sorria muito, mas isso não impediu o sorriso de se abrir no seu rosto no momento em que se deu conta de que estava tendo sucesso com seus esforços. Era gradual ainda, mas cada vez mais ele sentia o balançar da árvore se tornar mais infrequente e fraco – sinais claros da perda de força. Heh... Juggernaut ou não, você ainda é humano, Jiazz. Por mais forte que você possa ser, você não pode derrotar o frio. As pessoas temem Deuses e Demônios, mas nenhum desses se compara ao inverno, pois não há criatura nesse mundo ou em outros que pode sobreviver ao verdadeiro terror do inverno.

Quando pôr fim a árvore parou de tremer completamente, Ex não pode se aguentar; ele jogou sua cabeça para trás e gargalhou com força, à plenos pulmões!

E essa gargalhada morreu subitamente, pois um instante após o seu soar a árvore tremeu novamente, com muito mais força. Ela explodiu com violência e pedaços de gelo se espalharam pelos céus, brilhando em meio ar, ao mesmo tempo em que uma nuvem de fumaça branca era criada no lugar onde ela antes estava, com apenas uma coisa em meio a ela; uma sombra, grande e forte, de um monstro sorridente que começou a fazer seu caminho até Ex em passos maneirados.

— Não vou mentir, isso foi desapontante. – A medida que ele andava a própria fumaça que o cercava parecia o temer, abrindo caminho pouco a pouco, deixando primeiro sua perna direita a mostra, seguida pelo seu ombro esquerdo, e então o seu sorriso animalesco. – Depois de enfrentar alguém como Balak eu fiquei bem animado quanto ao que um Tecelão pode fazer. Mas você não tem magias interessantes como as dele, e a sua potência maior falha em compensar a sua completa falta de criatividade como um mago. No fim das contas não é muito mais do que um fracassado com uma das magias mais tediosas que o mundo já viu. – Sua figura emergiu da fumaça, encarando-o com um cenho franzido e uma sobrancelha erguida. Com ambas as mãos no bolso, Jiazz fazia seu avanço de forma indolente, completamente despreocupada. – Mas francamente, o que mais me surpreende é que você realmente acreditasse que algo assim seria o suficiente para me derrotar. Planejava fazer o quê, me congelar pela eternidade nesse gelo ridículo, Glace? Por favor, isso não é o suficiente nem para me dar um resfriado!

— .... Isso é impossível. Isso não está acontecendo. Não pode estar acontecendo! – Descrença começou a se transformar em fúria. Os olhos esbugalhados de Ex caíram sobre Jiazz, odiosos, querendo nada mais do que que aquele homem maldito encontrasse o seu fim. – Por quê?! O que é você, seu monstro maldito?!

­ – Hã? Não vai me dizer que você não sabe? – Comentou o Juggernaut com uma feição que foi por um momento genuinamente confusa, antes de se tornar maldosa. – Eu sou aquele que superou os Deuses. O que é o terror dos demônios. O que se ergue além de todos os reis, que pode levantar os dedos e tocar os céus! Eu sou o melhor e o mais forte, o ápice da humanidade! Eu sou Jiazz, o Juggernaut, o mais forte dos mais fortes! E nesse momento, Ex.… eu sou o seu pior pesadelo!

Soube que o ataque de Jiazz estava por vir no momento em que ouviu aquelas palavras, e seus instintos fizeram com que ele se movesse antes mesmo que pudesse raciocinar. Sua magia criou um grosso escudo de gelo de três camadas a sua frente, mas Jiazz já havia investido a essa altura, e a força do avanço do Juggernaut quebrou através de suas defesas como se fossem de vidro. Sua visão foi consumida pelo punho de Jiazz apenas um momento antes que o soco do homem lhe acertasse em cheio no meio do rosto, e a força monstruosa por trás daquele golpe arremessou Ex centenas de metros para trás. As costas dele foram arrastadas pelo chão durante todo esse tempo, erguendo uma nuvem azul-cristalina de prismas de gelo ao ar, criando uma cortina de pó de diamante que seria linda se o sangue dos guerreiros não estivesse prestes a se misturar a ela.

Nem mesmo ele sabia exatamente como havia sido capaz disso, mas de alguma forma Ex foi capaz de se recuperar daquele golpe. Ele tentou fazer uma espécie de cambalhota para apoiar seus pés com alguma firmeza no chão, e isso fez por alguns momentos que ele ficasse rolando e rolando como uma bola, mas no fim das contas ele conseguiu reduzir seu momento o suficiente para que pudesse parar. Maldito seja, Jiazz...! Afinal, quão longe esse miserável me jogou?! Olhando na direção da qual havia vindo ele não conseguia ver muito mais do que seu próprio rastro de destruição, um bocado de sangue e a nuvem de prismas. Bah, não importa! O ataque dele certamente não parou, então eu não posso vacilar. Tinha de se preparar para as novas investidas de Jiazz, e sabendo disso, Ex não hesitou em colocar as suas mãos no chão e começar a canalizar sua energia por elas. Se eu não posso criar um gelo que pode derrota-lo, então vou simplesmente usar esse deserto congelado para destruí-lo.

Era esse o seu plano e era isso que ele ia fazer quando duas espadas douradas vieram do nada, perfurando suas mãos simultaneamente e cravando-as ao chão com um único movimento.

A dor que sentiu com aquilo foi grande, mas nada comparável ao desespero que a compreensão do que isso significava lhe deu. Seu rosto virou-se imediatamente para trás e ele deu prontamente de cara com Jiazz, sorrindo com aquele mesmo sorriso afiado de antes, parecendo superior e completamente seguro da sua vitória.

— Yo, Glace. Espero que isso não soe muito rude, mas eu meio que já estou de saco cheio dessas suas magias de gelo. Seria pedir demais que você não fizesse mais isso? Não? Valeu! Isso é realmente ótimo, maninho!

Oh, merda! O brilho no olhar de Jiazz deixou claro que ele tinha algum plano cruel em mente, e isso motivou Ex a puxar suas mãos com força na tentativa de libertá-las. Não teve sucesso algum; não conseguia erguer as lâminas, e cada movimento que fazia só parecia abrir ainda mais as feridas em suas mãos e fazer com que o sangue fluísse ainda mais rápido. Merda, merda, merda! Enquanto se ocupava naquilo e se desesperava mais a cada minuto que passava, Jiazz começou a assobiar enquanto se afastava ligeiramente dele, apenas o suficiente para que pudesse criar alguma distância entre os dois antes que parasse e estendesse uma de suas mãos em direção ao mago.

— Sabe, é realmente gentil da sua parte me fazer esse favor. Infinitamente amável. Então, para te recompensar um pouco por isso, vou te dar um presente. Sinta-se lisonjeado, Ex! Você está prestes a experimentar uma das minhas técnicas mais poderosas em primeira mão! — Seus olhos se arregalaram ao ouvir aquilo, mas se alguma coisa isso só pareceu fazer com que o Juggernaut se divertisse ainda mais. O braço de Jiazz foi completamente engolido por chamas douradas que se moldaram ao redor dele, formando uma armadura dourada grossa e aparência bestial, capaz de fazer com que os dedos do Juggernaut parecessem mais garras do que tudo. Na palma de suas mãos, protegida por aquelas garras, uma esfera dourada de chamas concentradas foi se formando, quente como um sol em miniatura, ardente como as próprias chamas do inferno. – Sexto Mandamento do Deus do Fogo: Big Bang!

Todas as chamas que Jiazz havia concentrado em sua esfera foram liberadas de uma só vez em uma rajada fulminante que atingiu Ex em cheio. O mago do gelo foi engolido pelas chamas – ele e praticamente toda a área ao seu redor – transformando o que era até momentos atrás um deserto de pó-de-ossos congelado em um mar de chamas douradas que queimavam intensamente. De onde estava Jiazz não fez mais do que admirar a destruição que havia criado com um sorriso satisfeito e divertido no rosto... um sorriso que só foi afetado no momento em que ele viu emergir de dentro daquelas chamas alguma coisa vermelha, ascendente aos céus. Cleus Jombaek, chamado “Pássaro-de-Fogo”, saiu por cima daquele mar de chamas, aterrissando momentos depois mais atrás de Jiazz, com pelo menos trinta metros de distância separando ambos os homens.

A armadura ardente do pseudo-cavaleiro ainda lhe envolvia, e por trás da sua máscara os olhos dele encaravam seriamente o Juggernaut. Pelo ódio que pode identificar neles o que Jiazz pensou imediatamente era que seu oponente iria avançar contra ele, mas então reparou melhor e viu que Cleus trazia em suas mãos algo diferente de suas armas; o corpo de Ex, com roupas destruídas e queimaduras por todos os lados, estava estendido em seus braços, resgatado do mar dourado que o Juggernaut havia acabado de criar. Hum... entendo. Bem que eu estranhei ver ele emergindo daquilo. Não havia mirado em Cleus e estava bem certo de que por maior que fosse a área consumida pelas suas chamas, elas não haviam chegado a alcançá-lo. O que significa que não é como se ele estivesse fugindo das chamas. Esse cara literalmente mergulhou em meio a elas para salvar seu companheiro. Compreender aquilo fez com que o sorriso nos lábios de Jiazz se abrisse um pouco mais, e um pouco da agressividade dele foi substituída por algo mais aquém a um certo respeito, talvez até uma sutil admiração.

— Não parecia que vocês se davam muito bem com esse panaca antes – comentou o gigante, cruzando os braços despreocupadamente enquanto falava com Cleus. – Você realmente acha que vale a pena correr tantos riscos para salvar alguém como ele?

— Essa é uma pergunta tola de resposta óbvia – retrucou Cleus, ríspido. – Agradável ou não, esse homem é meu aliado. Ele luta por uma causa justa na qual ele acredita, e por mais que seus modos possam ser rudes ou frios, seu coração ainda está no lugar certo. Sendo assim, sua vida é inestimável. Qualquer risco vale a pena para tentar salvá-la.

— Heh... assim diz você, mas se quer a minha opinião, alguém tão disposto a correr riscos como esses não é muito diferente de um suicida que quer morrer como um mártir. É algo nobre e louvável correr riscos por aqueles que você ama, mas correr riscos por alguém que você não gosta e que não gosta de você com base em desculpas como “é meu aliado”, ou “eu preciso fazer isso”, ou ainda mais “é o certo a ser feito”... isso é jogar sua vida fora. Talvez você deva valorizar o seu bem-estar um pouco mais, hum?

— Isso é o que sua boca diz, mas seu rosto conta uma história diferente – observou Cleus calmamente. – Esse sorriso em seus lábios... ele não me parece um sinal de reprovação.

— Hehehe... oops. Parece que você me pegou. – O Juggernaut gargalhou um pouco mais, divertido, e jogou suas mãos para cima de forma zombeteira, como se estivesse se rendendo. – Ei, ei, o que eu posso dizer? O que você está fazendo não é esperto, é algo que prova que você é um idiota idealista, mas fazer o quê? Eu simpatizo com idiotas idealistas.

Um dos pés de Jiazz chutou o chão, despedaçando boa parte do gelo abaixo dele, e o Juggernaut lançou seu corpo contra Cleus numa velocidade muito além da hipersônica. Surpreendido por aquilo e ainda com Ex nos braços, Cleus não teve a chance de erguer alguma defesa, mas isso também não foi necessário, pois quando Jiazz lançou seu punho contra ele, esse punho se chocou com as muralhas sólidas que eram os dois braços de uma mulher.

Com braços cruzados e uma postura firme, Ylessa Farcry interviu no confronto dos dois, bloqueando o golpe de Jiazz com um sorriso no rosto.

— ... Ok, por essa eu não esperava – comentou o Juggernaut, olhando para a mulher como se ela fosse uma criatura estranha, tentando entender de alguma forma o que havia acabado de acontecer. Ela não deu muita atenção para ele, preferindo ao invés disso mover seu olhar para Cleus.

— Ei, Cleus! Vaza daqui! – Gritou ela, mesmo estando a meros passos de distância do seu companheiro. – Você vai precisar levar esse o picolé-humano para longe daqui se não quiser que ele acabe sendo envolvido na luta, e não vejo como você pode tentar se defender de alguém como ele com as mãos ocupadas. Eu vou cuidar desse idiota por enquanto, então apresse-se e saia do caminho!

Aquilo pegou o Pássaro-de-Fogo de surpresa, como ficou evidente pela forma como seus olhos se esbugalharam. Isso dito, ele não se moveu imediatamente; ele começou a se levantar como que para fazer o que ela havia mandando, mas então ele congelou, como se a compreensão do que isso significaria tivesse caído sobre ele de uma vez só. Seu olhar foi novamente para Ylessa, consternado, e a fúria dela diante da sua hesitação foi quase o bastante para arrancar uma gargalhada de Jiazz.

— Raios partam, o que você acha que está fazendo, seu jumento flamejante?! Vá logo! Se eu disse que lido com isso, é porque eu lido com isso!  Se você está tão preocupado assim, suma logo daqui e faça o que tem de fazer de uma vez, maldição!

Não sabia se o guerreiro havia gostado ou não do que ela gritou, mas isso o motivou a agir. Suas asas flamejantes bateram com força, e não demorou para que ele se afastasse, voando rapidamente para o horizonte até se transformar em pouco mais do que um ponto vermelho à distância. Não deu muita atenção a ele, afinal de contas, tinha algo bem mais imediato no qual se focar.

Os braços de Ylessa se moveram de uma fez, empurrando seu punho para trás e fazendo com que a guarda de Jiazz ficasse aberta por um momento. Chegou a pensar que ela iria tentar lançar um ataque quando isso aconteceu, mas esse ataque nunca veio; ao invés disso o que ela fez foi saltar para trás, estabelecendo alguma distância entre eles e adotando uma postura de batalha enquanto mantinha olhos ferozes fixos sobre Jiazz.  Em resposta, o Juggernaut ergueu uma sobrancelha.

— Ei... não é por nada não, mas o que você pensa que está fazendo? E antes que diga algo como “me preparando pra batalha”, eu me refiro à mandar o seu aliado embora. – Não estava particularmente preocupado considerando que já tinha uma boa noção da diferença dos níveis de poder entre ele e ela, e por isso não se deu ao trabalho de adotar uma postura de batalha também, se contentando em simplesmente manter um punho fora do bolso. – Você pode ser meio selvagem e sanguinolenta, mas acho que é bem óbvio que você não é estúpida. Você sabe quem eu sou e mais do que isso, é esperta o suficiente para saber que estamos em patamares diferentes de poder. Em uma situação ideal ou não, mandar seu único aliado remanescente embora é dificilmente a coisa mais esperta a se fazer nessa situação.

— Bah, “coisa esperta”. Você fala como se o campo de batalha fosse um lugar racional. Você luta aqui e toma decisões num estalar de dedos movido por instintos e qualquer noção da situação que você possa ter com um olhar. Eu não sei se o que fiz foi a “coisa esperta” a se fazer, e francamente? Não poderia me importar menos com isso. – Ela disse aquilo e deu de ombros enquanto balançava a cabeça, deixando bem clara a sua despreocupação para com tudo aquilo. – Além do mais, não é como se eu não tivesse meus motivos para isso. O que eu disse não era mentira: Cleus não ia conseguir fazer muito enquanto carregando aquele idiota por ali, e embora eu esteja pouco me fodendo para se um chato de galocha como aquele morre ou não, eu gosto do Periquito Flamejante e sei que ele não iria abandoná-lo, então é apenas decente da minha parte lhe dar uma mão com isso. Claro, a minha própria habilidade também é algo que influencia na minha decisão; ela faz com que eu seja uma das pessoas perfeitas para enfrentar alguém como você, o que faz com que seja ainda mais correto que eu lhe enfrente enquanto ele vai colocar Ex em um lugar mais seguro. E além disso tudo... bem, eu suponho que existe uma terceira razão para que eu faça o que fiz. Talvez uma que pesa ainda mais do que as outras duas.

— Ah, é? – Fez o Juggernaut, levemente interessado. – E qual seria essa?

O sorriso de Ylessa tornou-se ainda mais largo ao ouvir a pergunta, espalhando-se até para os seus olhos.

— Talvez você não tenha notado isso ainda, mas eu sou uma mulher mesquinha, Jiazz. Não gosto de dividir. Quero você todo só pra mim.

Os olhos do Juggernaut se esbugalharam ao ouvir aquilo, e um instante depois ele se viu tomado por uma crise de tosse que veio quando tentou falar e sua voz falhou. Eu... eu literalmente acabei de ouvir o que eu acho que acabei de ouvir? Não era como se fosse a primeira vez que ouvisse algo assim – não eram muitas e em geral suspeitava que a maior parte delas estavam atrás do seu dinheiro, mas algumas mulheres já haviam flertado com ele no passado, algumas até mesmo de forma tão... “direta” como a de Ylessa, mas nunca havia esperado ouvir algo assim de uma mulher como ela! Francamente, considerando a personalidade da criatura, me surpreende que ela sequer se lembre de que é uma mulher, e não uma maça ou uma estrela d’alvorada. Eventualmente, no entanto, a própria surpresa que havia feito com que ele começasse a tossir foi desaparecendo, dando lugar a uma graça incontrolável que fez com que ele começasse a gargalhar histericamente, e foi exatamente isso que ele fez.

Por cerca de meio segundo: o tempo que levou para que fosse atingido.

Enquanto estava distraído pela surpresa que tudo aquilo havia lhe causado, Ylessa se aproveitou da chance que tinha para se aproximar de Jiazz, e com um giro ela desferiu um chute com toda a força direto no rosto dele. O golpe poderoso dela lhe acertou em cheio com uma força descomunal, capaz de criar uma onda de choque que fez com que boa parte do gelo na direção na qual o golpe seguiu se rachasse..., mas isso não afetou Jiazz nem um pouco.

Mesmo depois de ter recebido um golpe como aquele em cheio sem ter a menor chance de erguer defesa alguma, Jiazz não tinha nenhum ferimento, nem demonstrava em seu rosto qualquer sinal de estar minimamente afetado por aquilo.

— Mas o que diabos?! – A voz de Ylessa era um misto de fúria com incredulidade, como se ela não conseguisse entender o porquê daquilo e isso lhe irritasse além de tudo. – Isso é besteira! Eu havia te acertado com golpes como esse antes e você tinha sentido eles! Não é possível que você esteja simplesmente ignorando-os agora!

— Bom, então aparentemente é impossível que o que está acontecendo nesse exato momento esteja acontecendo... exceto pelo fato de que isso está acontecendo e que entrar num estado de negação não faz com que isso deixe de acontecer – murmurou ele em resposta, dando de ombros ao concluir seu pensamento. – Sabe, pra ser sincero, é bem simples o porquê disso, sabe?

As palavras dele sugeriam que ele estava disposto a se explicar para Ylessa, mas ela não parecia interessada em ouvir explicação nenhuma. Afastou sua perna apenas o suficiente para que criasse espaço e lançasse um soco contra ele, e isso foi pouco mais do que repetir o que já havia acontecido; seu soco atingiu o Juggernaut em cheio, mas por mais forte que ele fosse, acabou sendo completamente ineficaz, incapaz de sequer jogar o rosto dele um pouco para trás.

— Você já está ciente desde o começo que estamos em níveis diferentes de poder. O que você não sabe, no entanto, é o quão grande é essa diferença. Eu literalmente estou lutando com apenas uma parcela do meu poder desde o início disso tudo. O que significa que eu com uma parcela do meu poder já era mais forte do que você, embora você ainda fosse poderosa o suficiente para conseguir me dar uma boa luta ainda assim. Mas, boa luta ou não, o fato permanece que, considerando que a minha força já é maior do que a sua, não é de estranhar que eu seja capaz de liberar um pouco mais do meu poder e aumentar a distância entre nós o suficiente para que você não seja mais capaz de me ferir, não é? Porque é exatamente isso eu fiz.

Socos sucessivos foram lançados contra o peito de Jiazz na tentativa de arrancar alguma reação do Juggernaut, mas ele permaneceu completamente imóvel onde estava, como se fosse esculpido em pedra. Quando ela viu que isso não estava adiantando Ylessa não hesitou em começar a adicionar chutes à mistura, mas mesmo isso não fez diferença. Ela continuava a atacar, e Jiazz continuava a ignorar cada golpe que ela lançava contra ele como se fossem picadas de mosquito.

— Antes, quando nós começamos a nos enfrentar, eu estava usando cerca de 30% da minha força. Depois de ser congelado e ver que vocês eram mais fortes do que eu havia imaginado, cheguei a decisão que era necessário usar mais poder se quisesse vencer. Por isso passei a usar o que estou usando nesse momento: 60% do meu poder total. Você entende o que isso quer dizer, certo? Compreende a diferença? Eu estou usando cerca do dobro do poder que usava antes, e ainda posso aumentar isso por uma boa quantia se for necessário. Odeio lhe dar más notícias, ruivinha, mas não importa o quanto você se esforce, você não vai conseguir me matar.

Essas palavras entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Por mais que Jiazz falasse, Ylessa simplesmente parecia ignorar cada uma das suas palavras, lançando mais e mais golpes contra ele com uma força crescente e uma velocidade cada vez maior. Não demorou muito para que o próprio Juggernaut começasse a sentir sua paciência ser testada com aqueles golpes.

— Por quanto tempo você pretende continuar bancando a ignorante e insistir nessa sua teimosia estúpida?! – Esbravejou ele, movendo seu braço com tanta força e velocidade que a mera pressão no ar criada pelo seu movimento foi capaz de esmagar uma coluna de gelo longínqua em pedaços. Ylessa só conseguiu evitar esse golpe ao saltar para trás movida seus reflexos, e ver a destruição que ele havia sido capaz de provocar com um movimento tão simples fez com que seus olhos se arregalassem. – Não se finja de boba, ruivinha! Você sabe muito bem que esse tipo de coisa não vai funcionar! A distância entre os nossos poderes cresceu demais, muito mais do que você pode imaginar. Não importa o quanto tente, nada vai funcionar! Seus golpes não são mais capazes de me fer-

No meio da sua frase, Jiazz foi interrompido. Suas palavras travaram na garganta, seu corpo pendeu para frente e seus olhos se arregalaram em dor, fitando o mais completo nada. Enquanto ele falava, Ylessa havia avançado novamente contra ele, e o Juggernaut havia deixado. Ele não tinha qualquer preocupação, afinal de contas; para ele já era um fato comprovado que ela não conseguiria lhe causar dano independente do que jogasse contra ele, o que fazia com que o mercenário tivesse essa postura tão despreocupada.

Mas isso porque ele nunca havia esperado pelo que aconteceu. Por mais que Ylessa fosse teimosa e cabeça dura, algo que ninguém nunca poderia dizer era que ela era estúpida. Ela sabia que não iria feri-lo com um simples soco ou chute, e por isso ao avançar ela decidiu fazer algo diferente.

Ao invés de bater no peito dele, ela inclinou suas pernas para levar seu corpo ao chão quando se aproximou, o suficiente para que pudesse lançar um soco em cheio com todas as forças direto no meio das bolas do Juggernaut.

— Sua... piranha...!

A voz de soprano que ele havia adotado quando Coralina havia lhe acertado voltou com tudo enquanto seu corpo pendia cada vez mais para frente, mas antes que ele caísse ao chão uma mão lhe segurou e lhe apoiou, lhe empurrando o suficiente para que seus pés reganhassem firmeza. Ela não podia ter força o suficiente para lhe ferir com seus socos, mas Ylessa certamente era uma mulher incrivelmente forte, e ela demonstrava isso abertamente naquele instante ao endireitar o corpo de Jiazz com nada mais do que um dedo na ponta do seu queixo.

— Ei, ei, o que você pensa que está fazendo, Juggernaut? Você não pode cair agora. – Um sorriso havia ganhado o rosto dela, como o que alguém esperaria ver em uma criança travessa. – Ainda tem muitas coisas que eu quero fazer com você. Como isso – disse ela, avançando e plantando um beijo rápido na bochecha de Jiazz, bem ao lado dos seus lábios, algo que fez com que os olhos do Juggernaut se arregalassem mesmo com toda a dor que ele sentia. – e isso!

A dor, a postura dele e o fato de ainda estar um pouco lerdo devido ao beijo garantiram que Jiazz não tivesse a menor chance de se defender do golpe que ela lançou. O punho de Ylessa subiu com tudo, atingindo-o em cheio no queixo, e dessa vez ele pareceu ser efetivo, pois dessa vez o próprio corpo de Jiazz foi jogado para cima. Sangue escapou de seus lábios e brilhou em gotas vermelhas no ar, e o sorriso de Ylessa se abriu ainda mais ao ver que havia sido efetiva. Ela não perdeu tempo em seguir seu golpe com vários outros socos e chutes, e cada um deles surtiu efeito, fazendo com que seu sorriso estivesse sempre crescendo e que uma gargalhada louca começasse a escapar da sua garganta.

A cada segundo que passava o assalto da ruiva ganhava força e velocidade. Ela atacava Jiazz sem um pingo de piedade, colocando todo o peso que podia em seus punhos e continuando a ataca-lo independente do quão ferido ou desnorteado ele pudesse parecer. Eventualmente isso chegou ao ponto de forçar até mesmo o grande Juggernaut a cair de joelhos em meio às areias congeladas, e nisso Ylessa viu a sua chance de causar um dano ainda maior. Ela jogou seu braço direito para trás e colocou todo o esforço possível sobre ele, fazendo com que seu braço se tornasse grosso de uma vez, repleto de músculos e veias pulsantes que pareciam prestes a explodir a qualquer momento. O sorriso em seu rosto voltou, mais largo, selvagem e insano do que nunca, e por um momento o seu rosto tornou-se o de um demônio sorridente.

QUEBRA-OSSOS! — Gritou ela a plenos pulmões, lançando seu braço contra Jiazz em um único soco carregado com toda a sua força.

Mesmo de joelhos, a mão de Jiazz se ergueu em sua defesa, e foi contra ela que o punho de Ylessa se chocou. A força exercida pelo choque dos dois foi algo em um nível completamente diferente de qualquer coisa que já havia acontecido naquela sala, sendo monstruosa ao ponto de fazer com que verdadeiras rachaduras surgissem no ar ao seu redor, como se o próprio plano da realidade estivesse sob o perigo de se quebrar diante do poder daqueles dois..., mas apesar de toda essa força, o ataque foi um fracasso.

Apesar de todo o poder investido e todos os esforços de Ylessa, seu golpe foi incapaz de fazer com que a mão do Juggernaut fosse empurrada um milímetro sequer, e isso fez com que fossem os olhos de Ylessa a se arregalar dessa vez.

— Eu já avisei, várias e várias vezes. – A voz de Jiazz veio com um timbre completamente diferente do usual. Ao invés do seu tom casual, a voz dele agora vinha carregada, pesada, muito mais próxima da de um guerreiro do que a que ele usava antes, e isso fazia com que o Juggernaut subitamente parecesse ser uma figura muito mais imponente. – “Não importa o quanto você se esforce, não vai conseguir me matar”. “Esse tipo de coisa não funciona”. “Seus golpes não são mais capazes de me ferir”. – Ao fim da última ele cuspiu no chão um monte misturado de sangue e saliva e ergueu um pouco seu rosto, o suficiente para que pudesse ver os olhos que seu cabelo antes ocultava. Eles estavam sérios, destemidos, e dominados por uma fúria fria que era temível de se ver. – A sua determinação é admirável, Ylessa Farcry... mas ela também me enche o saco!

Ele se moveu de uma só vez em um movimento rápido demais que ela pudesse o acompanhar, quanto mais tentar desviar de alguma forma. Seu punho atingiu o rosto dela com uma força que dobrou o seu corpo ao ponto de fazer seus pés irem ao ar e empurrou seu crânio contra o chão como se fosse um martelo batendo uma estaca. O crânio de Ylessa quebrou a camada de gelo por baixo dela e só não afundou ainda mais fundo por Jiazz escolher parar de colocar pressão. Quando ele afastou seu punho novamente o rosto dela estava horrível – ensanguentado, com a marca dos nós de seus dedos ainda gravadas como se por ferro quente e um nariz quebrado e amassado que havia sido empurrado com tanta violência que parecia até mesmo ter se fundido ao rosto. Hum. Eu normalmente ficaria preocupado com algo assim, mas no caso dela isso é bem desnecessário, não é? Supunha que ela e os outros provavelmente achavam que ele não sabia, mas Jiazz tinha boa noção de qual era a habilidade especial de Ylessa. Ela não vai morrer só com isso, e sua habilidade significa que ela não vai ficar desfigurada também, o que significa que no fim das contas isso não é nada demais. Isso dito, não acho que ela vai voltar a ficar de pé a tempo o suficiente para voltar a participar dessa luta, o que significa que agora só me resta um adversário. Seus olhos vagaram pelos horizontes em busca de Cleus Jombaek, o aparente traidor do Olho Vermelho havia partido para colocar Ex em um lugar seguro.

Em uma olhada rápida ele não viu sinal de Cleus, mas francamente também não chegou a procurar muito por ele. Mal havia começado a olhar ao redor quando viu algo que capturou sua atenção, algo que nunca imaginou que veria ali e que fez seu coração parar de bater por um momento e seu sangue gelar em suas veias. Não... não pode ser...

Não se deu mais ao trabalho de controlar sua força. Usou 100% de seu poder para se mover o mais rápido possível até ela, surgindo ao seu lado em um instante. Ajoelhou-se e levou suas mãos a ela, tocando suas feridas e verificando que sim, o sangue que via ao seu redor era dela. Saber... o que diabos fizeram com você?!

Seria ingênuo para qualquer um dizer que planejava ir para uma guerra com seus amigos e esperava que nada de mal acontecesse com nenhum deles, mas era exatamente essa ingenuidade que Jiazz havia tido quando envolveu seus velhos amigos naquela guerra. Quando fez isso não considerou nem por um momento a possibilidade de que eles fossem derrotados, nem sequer que eles se ferissem; estava convencido de que eles eram fortes o suficiente para cuidarem de si mesmos, bem como estava convencido de que poderia defende-los se fosse necessário. De certa forma essa inocência havia se mantido mesmo depois que começou a lutar na guerra e viu os oponentes poderosos que tinha ali, e mesmo depois que viu o estado de Alcatraz e soube que eles haviam sido derrotados ele não se preocupou tanto. O estado de Alcatraz não era letal nem iria deixar qualquer sequela nem nada do tipo, mas ele ainda havia estado consideravelmente ferido quando o Juggernaut lhe encontrou, mas ainda assim Jiazz ainda se convenceu de que desde que os outros estivessem vivos, estaria tudo bem.

Ver o estado de Saber – o quão ferida ela estava – foi algo que quebrou essa ilusão. Ela estava claramente viva, conseguia sentir seu pulso e sua respiração, mas definitivamente não estava nada bem. Com ela em seus braços daquela forma, metade de Jiazz queria chorar de arrependimento por tê-la envolvido naquilo, enquanto ao mesmo tempo outra metade dele não queria nada mais do que matar e queimar cada um no Pandemonium que não fosse um dos seus amigos.

Criou suas chamas douradas e começou a usá-las para curar a sua companheira bem no momento em que ouviu o som de alguém aterrissando mais atrás dele. Nem se dignou a dar qualquer atenção para ele; sabia que esse era Cleus, e simplesmente não tinha tempo naquele momento para dar atenção ao Pássaro-de-Fogo. Permaneceu concentrado em curar Saber o máximo possível, e para a sua sorte o guerreiro da fênix mostrou-se um traidor honrado; apesar de ter uma visão perfeita das costas abertas de Jiazz, Cleus não demonstrou em momento algum a menor intenção de lhe atacar, e por isso Jiazz se sentiu grato.

Quando terminou de curar Saber tanto quanto podia o Juggernaut foi coloca-la de volta ao chão para se focar na luta que tinha em mãos, mas no momento em ela tocou o gelo de novo, os olhos de Saber se abriram. Os olhos dele – que até então estavam focados em Cleus com uma intensidade hostil – foram direto para ela, dóceis e preocupados de uma forma que o Juggernaut raramente mostrava.

— Ji...azz... – murmurou ela com dificuldade, as palavras rolando pesadamente pela sua língua. – Você... chegou...

— Heh, é claro que cheguei. Você ainda tinha dúvidas? – O que queria responder de verdade a isso era muito diferente. Queria perguntar se ela estava bem, se desculpar por coloca-la em tanto perigo, perguntar quem havia sido o miserável que fez aquilo e em quantos pedaços ela iria o querer, mas sabia que Saber não iria gostar de ouvir nenhuma dessas coisas, pelo simples fato de que essas eram coisas que não eram normais de se dizer para Jiazz, e isso a deixaria preocupada. Por isso, apesar de tudo, fez seu melhor para manter as suas ações tão casuais e descontraídas como sempre. Tentar mantê-la calma.

— Eu... sinto muito. Fui derrotada, Jiazz... fui derrotada sem poder fazer muito...! Me desculpe... por favor, me desculpe... – a voz dela ao falar aquilo era chorosa, como a de uma criança que está triste por desapontar um pai. Jiazz estaria mentindo se dissesse que isso não lhe afetou; Saber sempre foi uma mulher bem séria e focada, alguém que parecia ter superado bem o seu passado traumático e que agia como se isso não lhe afetasse em nada..., mas perto de Jiazz as vulnerabilidades dela ainda se mostravam, e era dolorosamente óbvio para ele o quanto ela se importava com ele, e com como ela era vista aos seus olhos. O que apenas fazia com que ele se sentisse ainda mais mal pelo que havia acontecido com ela.

— Ei, ei, não há razão para se sentir mal. Perder é normal. Até alguém tão magnífico como eu já foi derrotado uma vez ou outra... ou o quê, 17, 18 vezes? De qualquer forma, você não tem que se desculpar por algo assim. Apenas relaxe e deixe que eu cuido do resto – ele disse aquilo da forma mais reconfortante que podia falar enquanto mantinha seu tom casual, mas quando tentou coloca-la novamente no chão a mão da mulher se agarrou ao seu braço, segurando-o com toda a força que uma mulher que mal conseguia se manter consciente podia exercer.

— Não! – Gritou ela, olhando direto nos olhos de Jiazz com um olhar arregalado, desesperado. – Você não pode fazer isso, Jiazz! Você tem de recuar! Os inimigos aqui, eles são muito fortes, até mesmo para você! Tem os cavaleiros, e os magos, e os membros da Era Dourada e do Coração Negro, e os mercenários, e até mesmo um dos membros do Olho Vermelho! Cleus... Cleus Jombaek traiu o Olho Vermelho e se juntou ao Salão, e ele é muito forte! Por favor, Jiazz, recue!

... Cleus? Sabia que tudo aquilo havia sido fruto do medo dela que ele acabasse derrotado, então nem prestou muita atenção na maioria das coisas que ela disse, mas o trecho sobre Cleus em particular chamou a sua atenção. Cleus... como ela sabe que ele traiu o Olho Vermelho? A única forma dela saber algo assim era tendo enfrentado Cleus ou testemunhado um ato de traição dele, e considerando que ela estava derrotada ali, bem no mesmo andar em que o homem estava... Jiazz era mais do que capaz de ligar os pontos. Entendo... então foi esse miserável que derrotou Saber, não é? Foi difícil manter a fúria que sentiu longe da sua feição, mas fez um esforço para mantê-la longe, sabendo bem como qualquer mudança iria afetar a sua companheira.

— Ei, ei, agora você está me subestimando – disse ele, mostrando para ela um de seus sorrisos que eram tanto confiantes quanto arrogantes. – Esqueceu quem eu sou, Saber? Eu sou Jiazz, o Juggernaut! O melhor e o mais forte! Eu sei que eu disse antes que sofri algumas derrotas, mas acredite em mim, esses caras não tem o necessário para me derrubar! Eu já derrotei metade deles e a outra metade vai cair em breve! Eu não vou perder, e você sabe disso melhor do que ninguém, então confie em mim! Jiazz, o Juggernaut, não será derrotado!

Ela ainda não parecia completamente segura, mas viu que suas palavras haviam surtido algum tipo de efeito pela forma como seu rosto e corpo relaxaram um pouco ao ouvi-las. Sem dar chance para que ela pudesse voltar a discutir, Jiazz moveu uma de suas mãos gentilmente sobre o seu rosto, coagindo ternamente seus olhos a se fecharem.

— Não se preocupe com isso – disse ele, e por uma vez a figura descontraída que estava tentando manter se quebrou para mostrar como ele realmente se sentia, o cuidado e a preocupação que estava tendo para com Saber. – Ao invés disso, durma. Relaxe e deixe tudo por minha conta. Você precisa descansar para se recuperar, Saber. Você é preciosa demais para mim para que algo de mal aconteça contigo.

Mesmo depois daquilo ela ainda resistiu um pouco à vontade dele, tentando abrir seus olhos, mas Jiazz os manteve fechados, e pouco a pouco a exaustão foi a dominando. Suas chamas douradas podiam curar suas feridas, mas não recuperavam a fadiga, e curada ou não, Saber precisava de descanso. Seu corpo eventualmente perdeu as forças, tornando-se mole em suas mãos, e então Jiazz a colocou enfim delicadamente no chão.

Assim que parou de sentir o calor de Saber em seus dedos o rosto do mercenário se fechou como uma tempestade. Por alguns minutos ele ainda continuou parado onde estava, imóvel, processando mentalmente tudo o que havia acabado de acontecer e a situação que tinha em mãos. Quando ele se levantou, fez isso bem lentamente, e só depois de completamente erguido foi que ele se voltou para Cleus. Seus movimentos eram calmos e seu rosto era sério, mas havia uma ira fria em seus olhos que era inegável, e essa ira pousou sobre Cleus – o guerreiro da fênix que lhe observava pacientemente há alguns metros de distância.

— Você sabe que eu vou te matar pelo que fez com ela, certo? – As palavras hostis foram ditas de forma calma, em um tom neutro. Não soaram como uma ameaça ou uma promessa, mas apenas como uma simples afirmação, como se ele estivesse mencionando um fato de comum conhecimento.

— Faça o que tiver de fazer, Juggernaut – respondeu Cleus, sereno, e as espadas incandescentes que ele trazia em suas mãos brilharam naquele momento, indicando que a força colocada nelas havia aumentado ainda mais. – Isso dito, por mais que eu compreenda a sua fúria, devo dizer que não planejo simplesmente deixar que me mate. Se você quer a minha cabeça, então terá de lutar por el-

— Calado. – A palavra veio de Jiazz com uma simplicidade imensa, mas ao mesmo tempo ela foi absoluta, silenciando qualquer coisa que Cleus podia ter a dizer de uma forma que não apenas calou o guerreiro como também o intimidou, fazendo com que a serenidade dele fosse quebrada para exibir algo que não era mais do que o mais puro dos medos, o terror de alguém que encara uma criatura de poder incompreensível. – Não vai haver luta. – Jiazz deu um passo em direção a Cleus, e no momento em que seu pé pisou no chão o ambiente foi envolvido por chamas. Não apenas a área ao redor dele ou um certo raio ao redor dos dois, mas todo o terceiro andar foi envolvido por chamas douradas que queimavam por todos os cantos, altas e ferozes, deixando apenas uma área desprovida delas; a área na qual Jiazz, Saber e Cleus estavam naquele momento. – Eu vou apenas te massacrar.

No mesmo instante em que a última palavra foi dita um punho acertou em cheio o rosto de Cleus, quebrando sua máscara. A velocidade com a qual Jiazz havia se movido fazia com que ele pudesse muito bem ter algum tipo de movimentação instantânea; ela rivalizava facilmente com a velocidade da luz, e o guerreiro não havia tido a menor chance de tentar acompanhar os movimentos de seu oponente.

O soco de Jiazz lhe acertou carregado, isolando seu corpo para longe com uma velocidade que superava em muito a hipersônica, fazendo com que o corpo de Cleus abrisse uma trilha por entre as chamas douradas, embora isso não fosse ainda o suficiente para fazer com que elas não lhe afetassem, dada a forma como conseguia sentir as chamas divinas do Juggernaut queimando sua armadura, tentando queimá-lo como se fosse carvão. Tamanha força... inacreditável!  Sabia desde o começo que o Juggernaut era um guerreiro temível, alguém que parecia ser mais forte do que qualquer outro, mas entre imaginar a força que ele deveria ter e prova-la diretamente havia uma grande diferença. Ele é forte, muito forte... mas eu não posso vacilar! Se eu cair aqui, Jiazz vai seguir em frente, e isso faria com que todos os esforços do Salão fossem por água abaixo! Eu não serei derrotado aqui! Custe o que custar, eu irei ven-

Antes que pudesse concluir seu pensamento os olhos de Cleus captaram o rápido movimento de um vulto por entre as chamas, passando ao redor dele em direção às suas costas, e quando olhou para trás um instante depois o que viu foi Jiazz, posicionado de braços cruzadas e com uma de suas pernas erguidas, preparado para lançar um golpe que Cleus soube imediatamente que não teria a menor chance de bloquear. Ah, não...

Tentou recuperar algum semblante de controle do seu corpo, ao menos o suficiente para que pudesse se virar e tentar um bloqueio com seus braços, mas havia sido arremessado com força demais – cruzou a distância que o separava de Jiazz num piscar de olhos e foi recebido prontamente por um chute poderoso que lhe atingiu direto na lateral do estômago. Vomitou sangue graças ao golpe, e a mera força por trás do ataque foi tão grande que o deslocamento de ar causado pelo seu impacto foi o suficiente para fazer com que todas as chamas da área em que estavam se dissipassem, abrindo um círculo em meio ao mar dourado.

O corpo de Cleus começou a escorregar e cair após levar um golpe tão poderoso diretamente, mas antes que ele pudesse tocar o chão sentiu uma mão lhe agarrar pelos cabelos. O olhar do Juggernaut não era mais alimentado por uma fúria fria, mas sim por uma ira incontrolável, fazendo com que as feições dele fossem menos como as de um homem e mais como as de um demônio enfurecido. Cleus não podia ver esse olhar, mas ele podia senti-lo, e foi exatamente isso que fez com que compreendesse que tinha alguma coisa muito errada ali quando as douradas de Jiazz se manifestaram a partir da sua mão, passando para o corpo de Cleus e começando a curá-lo das suas feridas.

— Existem muitas pessoas por esse mundo que gostam de me chamar de monstro, Cleus. Ou demônio. Besta, aberração, abominação. Me chamam de assassino, de matador, de desastre ambulante..., mas em geral, elas estão todas erradas. Em geral eu sou apenas um homem com um grande poder em suas mãos, um gosto pela violência e uma paciência bem limitada para aguentar merda de alguém. Eu não diria que sou um homem bom, mas acho que posso dizer que por mais irritante ou arrogante ou insuportável em geral que eu possa ser, eu ainda não sou lá o pior dos sujeitos normalmente. Mas isso dito, se uma pessoa me irrita o bastante, eu faço jus a todos esses títulos e ainda mais... e você, Guerreiro da Fênix, me deixou bem irritado. – Mesmo enquanto suas feridas iam se fechando, Cleus sentia uma sensação de terror correr pelo seu ser, como se algo estivesse lhe dizendo que essa era a pior coisa que podia estar acontecendo. – Eu poderia te matar agora se quisesse, mas isso seria muito pouco. Pelo que conheço das suas habilidades, fênix, eu sei que você pode renascer das cinzas caso morra em chamas. Isso é útil para os meus planos, mas sei também que você volta mais forte cada vez que renasce, e isso pode ser um grande pé no saco. Então vou usar o meu próprio método. Minhas chamas divinas podem ser usadas para curar corpos feridos, e é exatamente isso que farei. Sempre que eu ver que você está próximo da morte eu irei curá-lo, Cleus. E você sabe o que isso significa, não sabe? Você só vai morrer quando eu quiser permitir a sua morte. E enquanto isso não acontecer, você sofre nas minhas mãos.

Com uma única mão e uma facilidade sobre-humana, Jiazz atirou o corpo de Cleus aos céus pelos cabelos como se ele não fosse nada. Fez aquilo e então começou a dobrar suas pernas, se certificando de agir bem lentamente para dar tempo o suficiente para que o Pássaro-de-Fogo ganhasse altitude, e então saltou de uma vez com todas as suas forças, avançando contra ele como uma seta.

Enquanto o Juggernaut fazia isso, Cleus lutava para reconquistar o controle de si mesmo em meio ar. Maldição, isso é mal, muito mal! Jiazz estava lhe prendendo em uma sequência de golpes, e se isso já era perigoso em uma luta comum, se tornava praticamente uma sentença de morte em uma luta de alto nível como aquela. Eu tenho que reagir de alguma forma. Se eu não fizer nada, se eu não mostrar alguma reação agora... esse cara vai realmente acabar me matando!

Isso dito, ele nem teve tempo de fazer nada. Pois no momento em que seu rosto ganhou uma careta graças aos esforços que ele estava fazendo para se controlar, Jiazz surgiu bem a sua frente, fitando-o com aqueles mesmos olhos enfurecidos.

Martelo do Velho Deus Tirano.

Ambas as mãos de Jiazz se ergueram acima da sua cabeça, tão altas quanto podiam, e elas se juntaram em um único punho maior um instante antes de caírem contra Cleus. Seu punho acertou a boca do estômago do guerreiro com a violência de um martelo de guerra, fazendo com que o guerreiro vomitasse sangue imediatamente, mesmo antes de ser disparado de volta ao chão pela força monstruosa do golpe.

Toda a distância que o separava do chão foi percorrida de forma instantânea, tamanha a violência do golpe. Seu impacto ao chão foi como o de um meteoro; uma grande e profunda cratera foi formada no lugar que ele atingiu, o deserto congelado quebrou-se em milhares de plataformas menores de gelo, e a mera onda de choque gerada pela colisão foi capaz de apagar todas as chamas douradas de Jiazz que queimavam por aquele andar.

E no meio de toda essa destruição estava Cleus, caído de barriga para cima com sangue escorrendo pelos seus lábios, sem nem sequer força restante o suficiente para gemer de dor. Ele mal conseguia compreender como ainda estava vivo depois de um ataque como aquele, e não podia deixar de atribuir isso a cura de Jiazz, mas mesmo isso não fazia tanto sentido. Não que achasse que isso importasse muito a essa altura. Isso é.… muito... muito mal. Estava péssimo, completamente quebrado, sem forças para fazer nada. Queria usar suas próprias chamas para queimar a si mesmo na esperança de que tivesse alguma chance com o uso de seus poderes da fênix, mas simplesmente não tinha forças dentro de si para fazer algo assim, e era exatamente esse conhecimento – saber o que tinha de fazer para se salvar enquanto não tinha como fazer isso – que lhe deixava angustiado.

E essa angústia só fez crescer ainda mais quando ouviu o som de algo pesado caindo no gelo, e não precisou sequer pensar sobre isso para saber quem era o responsável por algo assim.

Jiazz aterrissou completamente em pé, sem nem dobrar seus joelhos. A maioria das pessoas acabaria com pernas quebradas depois disso, mas ele não foi minimamente afetado, e por isso começou a seguir em direção à Cleus calmamente, um passo após o outro sem o menor senso de urgência. Suas mãos estavam no bolso enquanto avançava, e embora seu rosto não parecesse de forma alguma calmo, era claro para qualquer um que ele não estava mais tão irado quanto antes.

Quando alcançou Cleus uma de suas mãos disparou para se fechar ao redor da garganta do guerreiro. Ergueu o Pássaro-de-Fogo do chão com uma de suas mãos, e olhou diretamente para dentro dos olhos derrotados dele, que mal conseguiam invocar forças o suficiente para se manterem abertos.

— ... Hunf. O meu plano original era ir te torturando pouco a pouco, te golpeando com golpes cada vez mais fortes para depois lhe curar até que sua mente quebrasse completamente perante a toda essa dor, mas parece que nem mesmo eu consigo ser cruel o bastante para fazer algo assim. Tanto faz, eu acho. – O segundo punho do Juggernaut se abriu e se posicionou mais atrás dele antes de se abrir. Seus dedos estavam encurvados e retorcidos de uma forma que fazia com que eles parecessem presas, dando a sua mão uma aparência que fazia com que ela lembrasse a cabeça de algum animal feroz, prestes a abocanhar sua presa pela última vez em um golpe de misericórdia. – Nesse caso, irei te matar de uma vez e acabar logo com isso!

Sem forças para nada, Cleus não pode mover um único dedo em sua defesa, nem mesmo quando a mão do Juggernaut avançou em direção ao seu rosto.

Mas também não foi necessário que ele fizesse nada, pois alguém fez isso por ele.

Antes que pudesse concluir seu ataque Jiazz teve de reagir rápido, soltando Cleus e movendo-se para o lado para esquivar de algo que vinha em sua direção, e nem mesmo assim ele foi completamente eficaz nisso. Um corte fino mas visível se abriu em sua bochecha, e um filete gordo de sangue começou a escorrer por ela enquanto seus olhos se voltavam para fitar o responsável por aquilo.

— Eu não vou dizer que sei exatamente o porquê de você estar tentando matar um dos membros do Olho Vermelho..., mas considerando as circunstâncias, acho que assumir que esse jovem está do nosso lado não é errado. – Eram duas pessoas que se aproximavam, embora apenas uma delas falasse. Eram ambos e tinham ambos cabelos grisalhos; eles eram guerreiros antigos, Estrelas da Velha Geração que agora confrontavam a Estrela da Nova Geração. – Qualquer que seja o caso e desconsiderando a questão se isso é tolo ou não, eu não posso simplesmente deixar que você dê fim a ele. Jovens como ele ainda tem muito a mostrar; seria simplesmente imperdoável dar fim a sua história assim tão cedo.

Ele disse aquilo e então sorriu, como se por ironia. Parou bem aonde estava, há uma boa distância de Jiazz, e seu companheiro tomou posição ao seu lado, como se fosse um guarda-costas.

— Apesar de que, isso dito, suponho que é um pouco hipócrita da minha parte dizer algo assim. Afinal, serei eu que terei que garantir o fim da sua história, jovem que chamam de Juggernaut. – Ambas as palmas do homem se uniram como serenidade em uma postura que lembrava a de uma oração, e o único olho do cavaleiro se fechou calmamente, dando a ele uma postura completamente tranquila e controlada. – Peço perdão por ter que tomar sua vida assim tão cedo..., mas como líder do Salão Cinzento, eu, Odin Wynthers, não posso permitir que você continue a nós ameaçar, Jiazz o Juggernaut.



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)
Breath, Denis, Zetsuko, Blair, Syd, Coralina e Orochi VS Jiazz (Vencedor: Jiazz)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Vencedor: Presas)
Bryen e Enderthorn VS Presas (Vencedores: Bryen e Enderthorn)
Maoh, Enderthorn, Bokuto e Titânia VS Jiazz (Em Andamento)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex, Cleus e Ylessa VS Dokurei (Vencedores: Ex, Cleus e Ylessa)
Ex, Cleus e Ylessa VS Jiazz (Vencedor: Jiazz)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Fragmentada)
Shell VS Anjo de Sangue (Vencedor: Shell)
Ekhart VS Balak (Vencedor: Balak)
Kastor VS Balak (Em andamento)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin, Soulcairn, Gwynevere e Ezequiel VS Hashmaul (Vencedores: Odin e Soulcairn)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Vencedora: Titânia – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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