O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 118
Holly


Notas iniciais do capítulo

Curiosidade:

Tirando esse capítulo, faltam exatamente 10 capítulos para o fim dessa história.

Eu gostei da jornada até aqui.



Terceiro Andar do Pandemonium, “Deserto de Ossos”

 

OS CORPOS DE MAOH E ENDERTHORN QUEBRARAM AS PORTAS DE ENTRADA DO TERCEIRO ANDAR EM PEDAÇOS ANTES DE CAÍREM AO CHÃO. Os dois cavaleiros – guerreiros orgulhosos e poderosos – estavam completamente ensanguentados, nocauteados demais para sentirem qualquer dano que sofriam. Seus olhos ainda estavam abertos, mas completamente brancos, em um sinal claro do quão súbito e brutal havia sido o golpe que tinha lhes derrotado.

E não demorou muito para que o responsável por esse golpe aparecesse também.

Jiazz veio subindo as escadas bem calmamente, com um sorriso nos lábios enquanto limpava sangue na sua garganta desleixadamente com uma mão. Ele já não trazia traço algum do seu ferimento anterior; por mais que a lança de Titânia tivesse feito um belo estrago, ele tinha as suas chamas douradas do seu lado, e não havia nada com o qual elas não podiam lidar. Heh, consegui até criar novos pulmões e coração com ela. Essa Aloeiris definitivamente é bem útil. Talvez não exatamente o tipo de habilidade que se esperaria de um guerreiro tão bruto como ele sabia que era, mas servia bem aos seus propósitos, e no fim das contas, era exatamente isso que importava.

Assim que seu pé tocou o chão do terceiro andar pela primeira vez ele já se deu conta de que havia algo de muito errado com aquilo, e uma rápida olhadela ao redor foi o suficiente para confirmar suas suspeitas. Hmm... sabe, eu lembro que esse andar era chamado de “Deserto de Ossos”, e isso até que parece um tipo de deserto, mas não me lembro de ossos serem azuis. Para onde quer que olhasse o que ele via era uma imensidão azul, um deserto congelado com várias estruturas diferentes de gelo espalhadas ao longe, de casas para torres e um milhão de coisas entre as duas. Afinal, o que foi que aconteceu aqui? Considerando o tanto de gelo por aqui eu chutaria que isso foi causado por um mago de gelo, mas deixando de lado Balak, não acho que há outro mago aqui com maestria de magias de gelo. O que significa que o responsável por isso só pode ser alguém que está com o Salão Cinzento... e acho que só existe uma única pessoa desse lado com esse poder. Um sorriso largo e animalesco se abriu no rosto do Juggernaut quando ele começou a considerar a possibilidade de lutar contra alguém tão poderoso quanto um dos Tecelões, e seu sangue praticamente começou a ferver dentro das suas veias.

Mas enquanto Jiazz estava entusiasmado, Ylessa Farcry surgiu no ar às suas costas. De peito erguido e com um sorriso feral nos lábios a ruiva não hesitou em mover sua perna em um chute poderoso direcionado ao rosto de Jiazz.

Um chute que foi parado facilmente por um punho do Juggernaut que se ergueu em sua defesa.

— Heh. Eu devo admitir que quando me falaram de Ex Glace eu imaginei que ele fosse um homem. Provavelmente um bastardo frio, como são todos os magos do gelo – comentou Jiazz, virando seu rosto o suficiente para que pudesse direcionar seu olhar à mulher, mostrando-a um sorriso comparável ao dela. – O pensamento de que ele fosse ela, e que ela fosse uma ruiva peituda com sangue tão quente quanto o meu, nunca passou pela minha cabeça!

— Hahaha! Nunca te disseram que o mundo é uma caixinha de surpresas, garoto? – Zombou Ylessa, movendo sua outra perna contra Jiazz. Dessa vez o Juggernaut escolheu por se esquivar, soltando a perna dela para se abaixar antes que o chute pudesse lhe atingir, deixando Ylessa livre no ar e aumentando ainda mais a animação da mulher pela luta. – Hehehe, hahahahaha! Excelente! Você parece ser forte! Isso vai ser bom!

— Tirou as palavras da minha boca, ruivinha! – O punho de Jiazz subiu em um uppercut mirado direto no queixo de Ylessa, e a mulher respondeu a isso cruzando ambos os seus braços em guarda. O punho bateu de frente com eles, e por um instante chegou realmente a parecer que aquilo seria o suficiente para lhe deter, mas então a força de Jiazz sobrepujou a defesa dela, e ambos os seus braços foram afastados, forçados a abrir caminho para que o golpe lhe atingisse. O soco do Juggernaut acertou a guerreira em cheio, fazendo com que gotas de sangue escapassem dos seus lábios e fossem brilhassem no ar, mas nem por isso Ylessa pareceu incomodada. Verdade seja dita, o sorriso dela se abriu ainda mais, mesmo enquanto ela era jogada rodopiando para trás pela força do golpe.

Ela aterrissou de pernas dobradas e já investiu contra Jiazz imediatamente, sem nem perder tempo tentando limpar o sangue do queixo. O Juggernaut sorriu em resposta, colocando seu corpo em posição de combate e se preparando para um novo confronto com ela... mas antes que este pudesse acontecer, um pilar de gelo tampou a sua visão.

— Hum?! Mas o que diabos?! – Olhou ao redor sem entender, e foi o tempo de fazer isso para que ele visse outros pilares idênticos ao primeiro surgirem ao seu redor. Eles eram todos grossos como uma árvore e tão altos que Jiazz nem podia ver seu topo, e eles surgiam em um amontoado ao redor dele de uma forma que não deixava brechas, confinando o Juggernaut ao frio e a escuridão. – Mas que maldição... ei, o que vocês acham que estão fazendo?!

Muito longe dali, em cima de uma das torres de gelo que havia criado, Ex Glace tinha uma visão privilegiada – não só do Juggernaut, mas de todo o campo de batalha. Suas mãos estavam apoiadas no chão, brilhando em um azul límpido criado pela energia que ele estava liberando em sua magia, e o próprio ar ao redor do mago parecia congelar perante aos seus poderes. Juggernaut... eu nunca te enfrentei antes, mas sei pelos rumores que você é um homem poderoso, e homens poderosos fazem oponentes perigosos. Apenas um tolo tenta enfrentar um oponente perigoso de frente quando ele ainda tem alternativas às quais recorrer.

Prisão dos Oito Pilares Congelados! — Entoou Ex numa voz que ecoou por todo o terceiro andar, e com esse comando ele liberou uma quantia ainda maior de energia em sua magia. Havia criado oito pilares de gelo gigantes ao redor de Jiazz para cercar o Juggernaut, e a sua ordem esses pilares se fecharam ao redor do guerreiro. Eles foram atraídos uns aos outros com força, espremendo-se com tanta força que não sobrava espaço nem para que uma mosca pudesse voar entre eles, e de onde estava, Ex pode ter a mais absoluta certeza de que Jiazz não havia conseguido sair do meio deles antes do seu fechar.

Muito bem..., pensou o Tecelão Branco, se levantando lentamente da postura ajoelhada que havia assumido para usar sua técnica. Isso deve bastar como teste. Alguém com a sua reputação não cairia diante de algo tão simples como isso, Juggernaut..., mas eu me pergunto sobre como você pretende sair daí.

Teve sua resposta para isso em questão de instantes.

A primeira coisa que viu foi uma espécie de faísca dourada no ar, algo que não durou mais do que um instante e apenas conseguiu chamar a sua atenção por um momento. Logo em seguida vieram as chamas; num piscar de olhos um mar de chamas douradas surgiu como um grande incêndio, se estendendo para cima e para os lados no que estranhamente parecia ser uma área controlada com uma violência e intensidade imensas. Seus pilares derreteram como velas diante do calor daquelas chamas, e mesmo de longe como estava, Ex Glace conseguiu vê-lo.

Em meio ao mar de chamas se erguia uma sombra de formato humano, sinistra e hostil, que parecia armada com um sorriso afiado. Não teve nem por um momento qualquer dúvida de que esse fosse Jiazz.

HAHAHAHAHAHA, ISSO É TUDO?! FALA SÉRIO, QUE PATÉTICO! — O grito e a gargalhada irromperam pelo ar a plenos pulmões, ressoando pelo andar de forma expansiva, como se dominassem tudo ali. Jiazz estava a pelo menos uma centena de metros de distância dele, mas ainda podia ouvir sua voz e sentir sua presença como se o Juggernaut estivesse a um palmo do seu rosto. – Ei, Glace! Aqui vai uma dica meu chapa; se você quer bancar o covarde e atacar alguém de longe sem se mostrar, então ao menos tenha a competência de fazer um bom trabalho, não uma tentativa tão miserável como essa! Se você não for capaz disso...

Seus olhos que estavam fixos nas chamas se depararam com um homem enorme de uma vez, com um largo sorriso no rosto e um punho erguido alto no ar. Em um instante Jiazz havia cruzado a distância que os separava, e agora ele estava bem diante de Glace. Se antes ele parecia estar a um palmo de distância dele, agora ele literalmente estava a um palmo, e a pressão e o terror que coisas tão pequenas quanto a presença ou o sorriso de Jiazz conseguiram colocar sob o mago eram incomparáveis com qualquer coisa que tinha sentido antes.

Eu posso acabar te matando — concluiu o Juggernaut em um murmúrio ameaçador, e o seu punho caiu.

Para um homem tão grande, Jiazz se movia numa velocidade completamente insana, e isso valia em dobro para os seus golpes. Ex não era lento, mas mesmo ele não teve a menor chance de evitar aquele golpe: o punho atingiu em cheio seu rosto e disparou o mago do gelo em direção ao chão. Seu corpo abriu a torre ao meio, quebrando através de camadas de gelo que deveriam ser resistentes como diamante como se fossem feitas de papelão, e demorou menos de um segundo para que ele estivesse no chão, com suas costas sangrando enquanto jazia sobre destroços da sua própria criação, flanqueado pelas duas metades da sua torre de gelo quebrada.

— Maldição... – murmurou Ex, passando uma mão nos lábios para limpar o sangue que havia os pintado, e só de ver o vermelho ele sentiu a irritação queimar em suas veias como se fosse fogo líquido. – Esse miserável... ele age como uma criança presa no corpo de um adulto, mas por mais infantil que possa ser o seu modo de agir, a força dele definitivamente faz jus à fama.

— É claro que faz. Acha mesmo que alguém que não fosse forte teria a reputação que eu tenho? Ou que um homem mais fraco sobreviveria ao que eu vivi? Haha, não seja tolo! – A voz dele serviu como um aviso, mas por apenas um instante antes que a sua figura caísse dos céus como um peso de uma tonelada. A força do seu impacto causou uma agitação no ar que fez com que o casaco de Ex balançasse selvagemente, mas ironicamente ele havia feito uma aterrissagem graciosa. Jiazz havia aterrissado com ambos os seus pés apoiados perfeitamente em cima de um pedaço de destroços, uma ponta que poderia muito bem ser a ponta de uma agulha, mas sobre a qual ele conseguia se equilibrar sem problema algum. Seu mesmo sorriso selvagem estava no rosto, e só faltava que pequenas bocas se abrissem em seus olhos para que eles gargalhassem abertamente, tamanha a animação que ele mostrava neles. – De qualquer forma, devo dizer que estou impressionado com você. Positivamente impressionado, ainda mais. A maioria das pessoas estaria se debatendo em dor no chão depois de um golpe como esse último meu, mas você está reagindo muito bem. Não parece muito ferido e mantém ao menos uma aparência calma... heh, vou dizer que não esperava isso de um mago, considerando a fama que vocês têm de serem frágeis como flores, mas suponho que os Tecelões são uma exceção a regra. Balak certamente fez um bom caso para isso quando nos enfrentamos.

 – ... Hum. Está dizendo que já enfrentou o traidor? – Questionou Ex em um tom neutro, cuspindo um pouco do sangue da sua boca enquanto mantinha sempre os olhos sobre Jiazz, atento a qualquer coisa que ele pudesse fazer.

— Obviamente. Quero dizer, acha mesmo que eu perderia a chance? – Pela forma como ele falava parecia que a pergunta de Ex era completamente absurda para o Juggernaut; ilógica e de resposta óbvia. – Ele ofereceu bastante dinheiro também, sim, e não sou louco o bastante para recusar dinheiro de ninguém, mas ele também me deu a chance perfeita de conseguir essa luta. Ele precisava de mim para enfrentar o Salão, e francamente, eu queria muito enfrentar o Salão em busca da chance de batalhas como essa, mas aquela era uma situação simplesmente boa demais para que eu não pedisse por uma luta com ele para selar o acordo, e, portanto, foi exatamente isso que eu fiz. Esperto, não?

 – Esperto? Não. Estúpido, definitivamente. Incrivelmente, absolutamente, completamente estúpido. – Sentia que conseguia entender a lógica de Jiazz um pouco mais a cada minuto que passava falando com o Juggernaut. E quanto mais entendia a sua lógica, mais chegava a conclusão de que aquele homem era um verdadeiro débil-mental superpoderoso. – Eu já conheci muitas pessoas idiotas em minha vida, Jiazz. Mas você consegue ser especial mesmo dentre eles. Essas foram realmente as suas motivações? Você se envolveu em uma guerra como essa, colocando um peso enorme sobre o destino dela, baseado em nada mais do que a sua vontade de enfrentar determinadas pessoas? Você não tem nada como um compasso moral ou lógico, seu idiota?

— ... E mais uma vez, algum de vocês vem com essa merda de moralidade. – O tom de Jiazz foi sombrio ao dizer aquelas palavras, completamente diferente de como ele havia falado até então. O sorriso ainda se mantinha em seu rosto, mas ele não se estendia mais até os olhos do Juggernaut, e isso perturbava Ex mais do que o mago deixava mostrar. – Heh, vocês deveriam ser bem gratos por estarem se encontrando comigo agora. Quando eu era mais novo e mais cabeça quente eu costumava estripar aqueles que me enchiam o saco com isso. Agora, no entanto? Eu me controlo melhor ao ponto de apenas ficar relativamente puto quando ouço essa bobagem. – Ele disse aquilo e girou o pescoço como que para relaxar, e ao fazer isso foi que a tensão sobre os seus músculos ficou clara. Ele pode falar o que quiser, mas ele está se segurando para não avançar contra mim nesse exato momento. Quase chegou a se colocar em uma postura de batalha ao se dar conta disso, mas raciocinou que em uma situação tão tensa como aquela isso provavelmente apenas faria provocar o Juggernaut a avançar contra ele ainda mais rápido, e por isso insistiu em ficar calado e parado onde estava, apenas ouvindo o que o guerreiro tinha a dizer. – Pois bem, eu vou dizer isso mais uma vez, já que vocês insistem nessa estupidez. A moralidade de vocês não é global, e mesmo se fosse, ela definitivamente não é a minha. O meu senso de certo e errado é completamente diferente do de alguém como você, moldado por todas as minhas experiências, meu aprendizado e pelo mundo que eu vi até hoje, e é ele que eu sigo. Se meu senso não me diz que fazer o que estou fazendo é errado, eu não vou parar com isso. E além do mais, eu não me importo com essa guerra. Talvez seja difícil para um moralista mente-fechada como você, mas tente entender que só porquê você tem um investimento moral ou emocional nessa guerra o mesmo não vale para mim. Eu não sei quais são os princípios por trás dela, o motivo do seu início ou sequer o objetivo final de qualquer um dos lados, e eu não dou a maldita mínima, porque isso não me importa. O que me importa aqui é que tenho uma boa chance de enfrentar pessoas poderosas em lutas interessantes, e é exatamente isso que eu quero. Fui claro?

— Cristalino – respondeu Ex sem vacilar. – Então, no fim das contas, o Juggernaut não é nada mais do que um garoto mimado e egoísta, mais forte do que deveria?

— Pff. Essa é a sua tentativa de insulto? Essa frase já passou pelos meus ouvidos dezenas de vezes, mais do que o suficiente para que eu aprendesse a não dar a mínima para isso. Se quer me chamar de garoto mimado, vá em frente, Ex. – O Juggernaut falou aquilo com calma enquanto ao mesmo tempo ia abrindo lentamente seus braços e fechando suas mãos em punhos, assumindo uma clara postura de batalha que fez com que Ex finalmente adotasse uma postura defensiva decente em resposta. – Só faça a sua paz com o fato desse garoto mimado ser aquele que vai te destroçar.

Jiazz jogou seu corpo para frente ao dizer aquelas palavras, e imediatamente Ex soube que sua investida estava por vir. Sua magia começou a agir e um escudo de gelo já estava começando a se solidificar diante dele no momento em que os pés de Jiazz deixaram a agulha branca em um salto, mas tanto um quanto o outro foram surpreendidos por algo completamente inesperado nesse momento.

Voadora! — Foi com esse estranho grito de guerra que Ylessa interferiu na batalha como se surgisse do próprio ar, acertando um chute duplo com ambos os pés direto no rosto do Juggernaut sem que o guerreiro titânico tivesse qualquer chance de reação.

Ex teve uma visão privilegiada do momento em que Jiazz foi atingido, do sorriso em seu rosto se deformando em uma parte pela confusão e descrença naquilo enquanto metade da sua face era empurrada contra ele pela força do golpe. Pareceu até que eles congelaram naquela posição por um momento antes que o tempo voltasse a fluir e Jiazz fosse prontamente isolado na direção do chute de forma violenta. Suas costas e seu ombro direito rasparam pelo chão, abrindo uma fenda profunda em meio ao gelo enquanto a força do golpe lhe empurrava, só parando quando seu corpo acertou outra das torres de gelo de Ex, destruindo seu alicerce com o impacto e fazendo com que toda a estrutura caísse sobre sua cabeça. Juggernaut ou não, isso deve doer ao menos um pouco, pensou Ex, contemplando por um momento o estrago que um ataque tão simples como aquele havia causado antes de mover seu olhar para Ylessa – a violenta mulher que estava aterrissando tranquilamente no chão com a destreza de uma bailarina enquanto mantinha um sorriso tão maníaco quanto o do Juggernaut no rosto.

— Hehehe, hehehehahahahaha! – A risada que explodiu da garganta dela foi como a de uma hiena: estridente e cruel e irritante. Seu rosto moveu-se para olhar na direção em que havia arremessado Jiazz, e um punho fechado bateu em sua palma aberta em um desafio claro. – Ei, JUGGERNAUT! O QUE RAIOS FOI ISSO?! Será que você já se esqueceu de que estava me enfrentando em primeiro lugar, seu cabeça oca?! Mantenha sempre as suas prioridades em mente, ou elas podem acabar chutando a sua bunda no pior momento, hahaha!

Inicialmente o olhar de Ex para a mulher foi de um misto de surpresa e gratidão, mas ele rapidamente se tornou aborrecido a medida que a realização do tipo de mulher que a ruiva era começou a entrar em sua mente.

— Eu acabei de criticar o Juggernaut, e agora já me sinto um maldito hipócrita – murmurou ele sem se importar em manter sua voz baixa, o que fez com que o olhar de Ylessa fosse para ele. – O Juggernaut pode ser um bruto inescrupuloso que é forte demais e age como uma criança mimada adoradora de lutas, mas o mesmo pode ser dito de você, Ylessa. Parece que ambos os lados recorreram a indivíduos menos respeitáveis para reforçar suas linhas. Trágico, mas acho que isso faz parte da guerra.

— Hã? Discursando sobre moralidade, Glace? Nunca pensei que você fosse o tipo de homem que se importar com isso.

— Isso porque eu não sou, ao menos não em geral. Mas mesmo um homem como eu, que em geral não se preocupa com isso, possui seus escrúpulos e os seus padrões morais. Estou lutando nessa guerra pelo meu irmão e pelo bem do nome dos Tecelões. Kastor está lutando pela sua própria vida. Odin está lutando para proteger seu filho adotivo e para obter vingança pelos seus companheiros mortos. Até mesmo alguém tão desprezível como Balak possui uma motivação decente e respeitável para essa guerra, conforme o que meu irmão me disse. E, no entanto, temos também pessoas como você e Jiazz, idiotas que entram em um campo de batalha, um campo que abriga o confronto entre os ideais e as motivações pessoais de centenas de guerreiros, com nenhum objetivo além de matar quem quer que cruze o seu caminho de forma sangrenta. Há algo mais revoltante do que isso?

— Sim, muitas coisas, pra ser sincera – retrucou Ylessa sem pestanejar, olhando para Glace como se estivesse diante de um animal estranho. – Sério, Glace, você fica tão revoltadinho assim por tão pouco? Aqui vai uma novidade para você; a sua motivação para lutar numa guerra não importa. Você pode estar lutando para se defender, ou para defender os que você ama. Você pode estar lutando pela sua pátria, ou pelos seus ideais, ou pelo que você considera como o “bem maior”. Você pode estar lutando por poder, por poder, ou simplesmente por não ter nada melhor para fazer. Não há diferença. A partir do momento em que pisamos no campo de batalha com a intenção de espalhar sangue com as nossas mãos, somos todos monstros. Querer condenar as motivações dos outros enquanto exalta as suas não faz muito mais do que fazer com que você pareça bem hipócrita.

As palavras de Ylessa fizeram com que os olhos de Ex se arregalassem em fúria súbita. A boca do homem se abriu para responder ao que ela havia dito, mas ele não teve a chance de falar, pois no momento em que a voz começou a sair da sua garganta a sua atenção foi roubada pelos sons que vieram dos destroços. Um grande pedaço da torre destroçada que deveria pesar no mínimo algumas dezenas de toneladas foi erguido facilmente por uma das mãos do Juggernaut, e com um arremesso simples Jiazz jogou o destroço longe, além do que os olhos podiam ver, fazendo com que ele desaparecesse em meio ao horizonte. Hunf. Parece que mesmo depois de sofrer um golpe tão forte como esse, a força do Juggernaut ainda se mantém. Suponho que isso era de se esperar.

— Muito bem, muito bem! Eu não vou tirar créditos seus por esse golpe, eu até que senti ele um pouco, mas você poderia por favor não recorrer mais a golpes surpresa? Eles são úteis e efetivos e toda aquela putaria, mas eles também enchem o raio do saco! – A voz de Jiazz e a calma com a qual ele falava não sugeriam que ele sentia qualquer dor com o golpe que havia sofrido. Na verdade, se algo, o que parecia era que isso havia melhorado um bocado o humor do Juggernaut, embora ele ainda parecesse um tanto aborrecido pelo ataque-surpresa.

— Heh, vou concordar que ataques assim são meio aborrecedores, mas ei, isso apenas significa que você deve se preparar melhor para eles! Aborrecedores ou não, o fato é que ataques como esses são bem úteis, e o objetivo principal de qualquer um que se envolve em uma batalha é sair dela como o vencedor!

— Hahaha, ponto, ponto! Eu suponho que isso é verdade, ruivinha – contemplou o Juggernaut, sorrindo abertamente como se estivesse falando com uma amiga de longa data, ao invés de uma mulher que ele havia acabado de conhecer e que estava tentando lhe matar. E ele não era o único; um rápido olhar foi todo o necessário para que Ex confirmasse que o mesmo valia para Ylessa, que parecia divertida em estar enfrentando aquele homem, quase entusiasmada. Isso é.… mas é claro, eu devia ter imaginado algo assim. Se você coloca dois idiotas sedentos por batalha numa sala juntos, é apenas natural que eles simpatizem um com o outro. Pelo visto teria de manter um olho aberto durante aquela luta, não apenas no seu oponente, mas também na que deveria ser sua aliada. O interesse de Ylessa no momento é enfrentar Jiazz, o que significa que ela estará colaborando comigo. Mas alguém do seu tipo não é confiável. Se a sua vontade mudar eu posso me ver subitamente tendo de enfrenta-la junto de Jiazz, e por mais que isso fosse me dar uma ótima desculpa para me livrar desse lixo, isso também me colocaria em uma situação bem mais complicada... — Bom, pelo que você falou, suponho que você não vai parar de usar táticas tão chatas como essa, não é?

— Eu não apostaria nisso – respondeu Ylessa, estalando os dedos. – Desde que isso me leve até a vitória, não me importo em usar ataques-surpresa contra vocês.

— E aparentemente o mesmo também vale para seus companheiros – murmurou o Juggernaut, movendo seus olhos para Ex.… e então movendo-os novamente para o vazio, o horizonte ao seu lado. Nada podia ser visto naquela direção quando os olhos dela se voltaram para ela, mas logo algo surgiu; primeiro em uma faísca, para então começar a ganhar presença e som até se revelar como uma grande onda flamejante que emergia do longe, criando uma trilha de fogo por onde passava enquanto seguia diretamente contra Jiazz. Cleus, compreendeu Ex imediatamente ao ver aquilo. – Bom, não importa o que vocês possam tentar fazer. Um ataque-surpresa não vai funcionar enquanto eu estiver atento, e mesmo se funcionassem, vocês não têm chances de me derrotar!

Ao soar daquelas palavras Jiazz manifestou seu poder, criando chamas douradas que arderam ao redor do seu corpo como se pudessem queimar o próprio inferno. Elas se concentraram ao redor do punho dele, ganhando pela sua ordem a forma de uma espada feroz, dourada e bastarda, e o Juggernaut não perdeu tempo em mover essa arma na direção do seu oponente, bem no momento em que a espada flamejante de Cleus emergia dentre as chamas que envolviam o corpo do Pássaro-de-Fogo. Chamas douradas e vermelhas se confrontaram em uma explosão de calor que fez com que todo o gelo de Ex ao redor deles derretesse por completo quase que imediatamente, fazendo com que a região ao redor daqueles dois fosse dominada por um misto de fogo, água e pó de ossos. Os olhos de Cleus encararam os de Jiazz por detrás de sua máscara de pássaro, mas enquanto a expressão no rosto de Cleus indicava que o guerreiro estava se esforçando ao máximo naquele ataque, a expressão de Jiazz era divertida e relaxada, como um homem que está se divertindo com seu joguinho favorito.

— Heh... eu me lembro de você, cavaleiro – afirmou o Juggernaut, totalmente despreocupado com qualquer ameaça que Cleus pudesse representar. – Cleus, o Pássaro de Fogo... se eu não me engano, você era um dos membros do Olho Vermelho, não é mesmo? Para estar me atacando assim... Balak decidiu que talvez seja melhor me matar? Ou você simplesmente decidiu trair o Olho Vermelho para se juntar ao Salão?

— Eu decidi lutar pelo lado justo e pela causa que considero correta, nada mais do que isso – retrucou Cleus de forma simples. – E eu não sou um cavaleiro, Jiazz. Eu sou um herói!

Ao fim da sua frase as palavras se transformaram em um grito de guerra, e com ambas as suas mãos Cleus puxou sua espada, afastando-o da espada de chamas divinas de Jiazz apenas o suficiente para que pudesse movê-la em novos ataques contra o Juggernaut. Um golpe veio pela esquerda, outro pela direita, outro por baixo e outro por cima. Nenhum deles foi minimamente efetivo; Jiazz bloqueou cada um deles com movimentos simples e rápidos sem a menor dificuldade, e por mais que ele estivesse recuando um passo ou outro enquanto fazia isso, era óbvio que isso era mais o Juggernaut se manobrando da forma como preferia do que Cleus sendo capaz de estabelecer alguma pressão sobre ele.

— Um herói, você diz? Bom, pode até ser que você seja um, mas é um bem patético nesse caso! A ruivinha e o picolé azul ali são mais fortes do que você, Pássaro de Fogo! Se isso for tudo que você pode fazer, então você vai cair rápido! – Gritou o Juggernaut, gargalhando enquanto se vangloriava.

— Que bom então que estou apenas me aquecendo – foi a resposta que veio de Cleus... ou, mais especificamente, da voz de Cleus. Não foi o Pássaro que atacava Jiazz com inúmeros golpes de espada que disse aquilo, mas sim alguém que estava bem atrás do Juggernaut, e compreender isso fez com que os olhos do jovem guerreiro se arregalassem.

Quando eles haviam se confrontado, as chamas de ambos os guerreiros haviam se espalhado pela área ao redor deles. Mas enquanto as chamas de Jiazz haviam se espalhado de forma desordenada – como alguém poderia esperar de um guerreiro tão descuidado como o Juggernaut – as chamas de Cleus haviam focado em ganhar espaço atrás de Jiazz. Ex tinha visto aquilo e assumido que Cleus iria tentar fazer um avanço surpresa com elas, mas o que aconteceu foi bem mais inesperado; as chamas ganharam solidez e se moldaram em uma forma humana e vermelha, se transformando questão de meros segundos no que era literalmente um clone perfeito de Cleus feito de puro fogo. Havia sido desse clone que a voz do Pássaro havia vindo, e como Jiazz havia mantido seu foco nos golpes que Cleus jogava contra ele, ele surpreendeu-se duplamente com o que estava às suas costas. O suficiente para que se voltasse instintivamente em direção a isso, e ao cometer essa tolice ele deixou sua guarda completamente aberta ao seu oponente.

As pernas de tanto Cleus quanto seu clone se ergueram em perfeita simetria. Uma perna revestida em uma armadura de chamas e uma perna que era literalmente feita de chamas – ambas subiram em direção ao rosto do Juggernaut, e graças ao seu descuido Jiazz não teve a menor chance de erguer qualquer defesa perante a elas. As pernas atingiram simultaneamente o seu rosto, cada uma chutando uma de suas metades com toda a força, e até mesmo o corpo do Juggernaut foi jogado longe pela força combinada.

Mas as coisas não podiam ser tão simples, e realmente não foram. Jiazz foi arremessado docilmente pelo ar por apenas um segundo antes que uma explosão de chamas douradas viesse do seu corpo e uma segunda espada de chamas – idêntica a primeira – surgisse em sua mão livre. Ele moveu seu corpo de forma a girá-lo no ar e cravou ambas as suas espadas com força no chão, conseguindo com sucesso acabar com o seu momento e aterrissar de joelhos, olhando em direção a Cleus com um sorriso largo de satisfação reluzindo em seu rosto. O Pássaro de Fogo e o seu Clone das Chamas pareceram já estar esperando por isso, e suas pernas se dobraram em preparação para que avançassem contra Jiazz, mas antes que pudessem fazer isso Ylessa disparou em direção ao Juggernaut, saltando do lado de Ex com uma força que fez com que o mago pudesse sentir o gelo sobre os seus pés se rachar e passando por entre Cleus e seu clone com uma velocidade tão grande que o Pássaro de Fogo teve que proteger seu rosto com o braço para que o pó de ossos ao seu redor não caísse nos seus olhos. Jiazz – obviamente – viu o avanço da ruiva, e isso fez com que o sorriso do Juggernaut se abrisse ainda mais; suas mãos soltaram as espadas douradas e sua postura mudou brevemente para uma de luta mano-a-mano, bem a tempo de se confrontar com Ylessa.

Os punhos foram uns contra os outros com uma velocidade e violência similares as de animais selvagens que se digladiam, tentando rasgar o outro em pedaços com suas presas. Cada soco que acertava criava um impacto tão potente que Ex podia sentir todo aquele andar tremer, mas por mais que eles fossem claramente violentos e que eles estivessem claramente ferindo os guerreiros, nenhum dos recuava. Nenhum dos dois sequer tentava se proteger ou se esquivar dos golpes que lançavam. Eles recebiam todos os ataques que o outro lançava e seguiam em frente como se isso não fosse nada, gargalhando loucamente como se estivessem tendo o melhor tempo das suas vidas. Isso é.… suponho que isso seja o que alguns chamam de “loucura da batalha”. O momento em que dois guerreiros que adoram as lutas perdem toda a noção e o foco de qualquer outra coisa senão a sua luta, tão transfixados que eles se tornam nela. Creio que considerando as personalidades desses dois é apenas natural imaginar que eles ficariam assim ao se enfrentar, mas mesmo assim... isso é patético. Esses dois são a mais pura definição de “bárbaros idiotas”.

— Ex! – O grito do seu nome chamou a atenção do Tecelão Branco, fazendo com que ele voltasse seu rosto para a direita bem no momento em que Cleus aterrissava ao seu lado. – O que devemos fazer agora? O meu plano original era investir de novo, mas considerando a forma como esses dois estão lutando... eu não acho que isso seria uma boa ideia.

— E com razão. Se meter no meio da luta desses dois nesse momento seria o mesmo que pedir para morrer – resmungou Ex entre dentes, sentindo uma crescente irritação a cada minuto que passava vendo aqueles dois trocando golpes. Com a força que eles têm somada a violência com a qual eles têm agido e o descontrole deles nesse momento, o mais provável é que Cleus fosse esmagado entre eles se tentasse se intrometer. Ainda não confiava completamente no guerreiro e não tinha muita fé na história dele de ter deixado de ter abandonado o Olho Vermelho, mas até agora ele havia lutado ao seu lado, e não podia se dar ao luxo de deixar que alguém que estava lhe auxiliando contra um oponente tão poderoso quanto Jiazz fosse derrotado de forma tão inútil. Até porquê... eu posso ter uma ideia de como usar a estupidez desses dois ao meu favor. — Cleus... tenho uma ideia, e vou precisar da sua ajuda nela. Não há tempo para te explicar todos os detalhes, então apenas digo que terei de me focar bastante no que vou fazer, o que significa que você terá de me dar cobertura por algum tempo.

Mesmo por detrás da máscara Ex pôde ver um olhar descrente e confuso brilhando nos olhos de Cleus, e embora isso não fosse necessariamente o melhor para ele, não pode deixar de se sentir aliviado em saber que ao menos um dos seus “aliados” não era um completo mentecapto. Eu tecnicamente não menti em nada do que falei, mas isso não significa que disse a estrita verdade. Iria sim ter de dedicar uma boa quantia de atenção ao que estava prestes a fazer para que fosse bem-sucedido, mas não era nem de longe o suficiente para que não fosse capaz de reagir caso alguém lhe atacasse – e mesmo se fosse esse o caso, que necessidade teria de Cleus lhe dando cobertura? O único oponente que restava naquele andar – e provavelmente em qualquer andar abaixo deste – era Jiazz, e ele estava ocupado demais com Ylessa para lhe dar qualquer atenção. O objetivo disso foi testar Cleus para ver se ele havia realmente deixado o Olho Vermelho em prol do nosso lado, mas parece que ele é esperto demais para ser enganado por um truque tão simples. Bom, não importa. Isso só significa que terei que tirar minhas garantias depois. O mais importante naquele momento era lidar com o Juggernaut, e era exatamente isso que ia fazer.

Se agachou até que suas palmas pudessem ficar bem estiradas pelo chão, e então começou a se concentrar. Sua respiração se tornou controlada, seus olhos se tornaram esbranquiçados, e foi uma questão de momentos para que uma aura gélida se tornasse visível ao redor do seu corpo, enquanto uma energia branca-azulada envolvia seus braços. Usou seus membros como transmissores, deixando que a energia fluísse por eles para o gelo que havia congelado o chão, pois foi sobre ele que ela atuou. Eu não vou conseguir derrotar Jiazz em uma luta direta, ao menos não facilmente, e não tenho tempo para desperdiçar com esse idiota. Então, é hora de usar de táticas mais avançadas!

Sua energia agiu no gelo de forma a alterar o formato da camada que cobria o pó de ossos – não no lugar onde estava, mas em um certo perímetro ao seu redor. O tamanho era simplesmente muito grande para que qualquer homem pudesse esperar ver aquilo sem estar há centenas de metros no ar, mas o seu poder agiu de forma a criar um círculo em meio ao gelo que envolvia Ex, Cleus, Ylessa e Jiazz, bem como o que deveria ser pelo menos um raio de 20 quilômetros ao redor deles. Um Círculo Mágico é um instrumento usado por alguns magos – principalmente amadores, mas também por magos experientes. Ele funciona de forma a restringir a área de ação da sua mana, o que ajuda a direcioná-la e focá-la em um ponto mais seleto, permitindo que o mago em questão possa concentrar melhor seus poderes. No momento em que o círculo foi formado, os efeitos da magia de Ex foram restritos ao seu raio, o que constituía a primeira parte do seu plano. A seguir o próximo passo do Tecelão foi fazer com que seus poderes criassem um símbolo gigante bem no centro desse círculo. Isso foi algo bem mais visível, e ao menos Cleus não deixou de nota-lo, mas Jiazz e Ylessa estavam imersos demais na sua estupidez para que notassem qualquer coisa, e por isso o plano do Tecelão de criar uma Runa de Ampliação foi bem-sucedido. Uma Runa de Ampliação é uma ferramenta bem simples, mas bem útil também. Qualquer magia que for usada no perímetro dessa runa tem o seu poder ampliado, e essa ampliação é diretamente relativa ao tamanho dessa runa. Considerando o tamanho dessa runa, devo conseguir uma ampliação de ao menos dez vezes no poder de qualquer magia que eu use aqui, e somando isso ao poder extra que estarei exercendo graças ao auxílio que o círculo fornece ao concentrar a minha magia, estarei exercendo um poder cerca de quinze a vinte vezes maior do que o normal.

Mais do que o suficiente para acabar com esse pirralho mimado.

­– Arte Secreta do Espírito do Inverno: HOLLY! — Foi a entoação que explodiu da garganta de Ex enquanto ao mesmo tempo o mago o mago ampliava de uma só vez a energia que estava dedicando à sua técnica. Seu corpo brilhou intensamente e uma camada de gelo chegou a revestir suas mãos, mas nada disso foi comparável ao brilho intenso que se apossou do seu gelo, ou da forma como o próprio chão chacoalhou em um sinal de que sua técnica estava funcionando.

Jiazz estava avançando com um soco contra Ylessa no momento em que o gelo veio por debaixo dos seus pés. Ele foi surpreendido quando o gelo envolveu seus pés, avançando rapidamente contra o resto dele, e nem teve nem sequer tempo de compreender o que estava acontecendo antes que todo o seu corpo fosse engolido por ele. Ylessa – que nunca havia sido o foco daquela técnica em primeiro lugar – saltou para trás para evitar qualquer coisa que pudesse vir contra ela, e isso só fez com que ela tivesse uma visão ainda melhor do que estava acontecendo. O gelo havia engolido Jiazz, mas isso não era nem de longe o suficiente para ele, e ele continuou crescendo e crescendo, avançando sem parar contra os céus, e então começando a tomar forma. O próprio gelo foi se moldando com uma graça e elegância que faziam com que ele parecesse ter vida própria, e o que havia começado como algo terrível e assustador foi se transformando até chegar ao ponto de se mostrar como uma criação perfeita – uma árvore branca-cristalina completa com folhas e frutos de gelo que se espalhava de forma ordenada como um grande arbusto, uma visão magnífica que apenas mostrava o terror por detrás dela quando alguém olhava para seu tronco e via ali o corpo de Jiazz, congelado e aprisionado por trás de camadas de gelo muito mais duras do que qualquer diamante, com seus olhos ainda arregalados e uma expressão atônita ainda presente em seu rosto.

— Essa é Holly, Juggernaut. A Árvore do Inverno. Símbolo do terror do frio e da morte que anda em meio a neve, representante da esperança da chegada da primavera e da fé dos homens. Eu só vi essa árvore uma vez na minha vida, e isso foi quando a queimaram junto do meu pai. Você pode dizer que isso marcou essa árvore na minha memória, e francamente? Provavelmente estará certo com isso. Ela certamente me marcou. O suficiente para eu moldasse e nomeasse a minha técnica mais temível a partir dela. – Sabia que Jiazz não podia lhe ouvir, mas não se importava com isso. Queria falar, e não ser ouvido. – Essa mesma técnica possui um segundo nome que eu uso, sabe? “Tumba de Cristal”. Talvez esse nome deixe um pouco mais claro o terror por trás dessa técnica... ou talvez não. De qualquer forma, permita-me deixar algo bem claro: você não vai escapar. Holly é baseada em Everwhite, a mais poderosa magia de gelo já criada pelos homens, feita para aprisionar tanto Deuses quanto Demônios durante a Guerra dos Grandes. Nem mesmo as chamas do inferno seriam capazes de derreter esse gelo, Juggernaut; ele é eterno enquanto eu quiser que ele seja eterno, e ele vai te aprisionar para todo o sempre. Espero que goste da decoração, Jiazz, pois essa árvore será o seu túmulo!



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)
Breath, Denis, Zetsuko, Blair, Syd, Coralina e Orochi VS Jiazz (Vencedor: Jiazz)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Vencedor: Presas)
Bryen e Enderthorn VS Presas (Vencedores: Bryen e Enderthorn)
Maoh, Enderthorn, Bokuto e Titânia VS Jiazz (Em Andamento)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex, Cleus e Ylessa VS Dokurei (Vencedores: Ex, Cleus e Ylessa)
Ex, Cleus e Ylessa VS Jiazz (Vencedores: Ex, Cleus e Ylessa)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Vencedor: Shell)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin, Soulcairn, Gwynevere e Ezequiel VS Hashmaul (Vencedores: Odin e Soulcairn)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Vencedora: Titânia – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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