O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 113
Chegada




Primeiro Andar do Pandemonium, “Mundo de Pedra”

 

O SALÃO DE ENTRADA DO PANDEMONIUM ESTAVA MOVIMENTADO. Sentado apoiado na parede lateral dele, Syd Ostrower não conseguia deixar de olhar apreensivamente para as mãos da mulher que chamavam de Orochi em suas pernas quebradas – ou, mais especificamente, para o brilho azulado que vinha delas. Sentia a dor indo embora e suas pernas pareciam estar melhorando a medida que a energia dela agia, mas mesmo assim ele não conseguia deixar de se sentir um pouco nervoso. Raios, por que a médica do grupo tem que ser essa mulher? Quero dizer, eu sei que eu deveria estar agradecido pelo fato de termos uma médica em primeiro lugar e tudo mais, mas ela é assustadora! Eu tenho sempre a sensação de que ela pode parar de me curar a qualquer momento e começar a arrancar as minhas pernas!

— Se você continuar mantendo pensamentos tão idiotas em mente, eu posso muito bem fazer isso – resmungou rispidamente a mulher, erguendo um olhar aborrecido para Syd enquanto silvava como uma serpente. – E sim, antes que você me venha com uma pergunta estúpida, sim. Eu posso ler a sua mente. É assim que descubro exatamente o que meus pacientes têm e como devo trata-los.

Acabou mostrando um sorriso amarelo ao ouvir aquilo. Ah, bosta. Isso definitivamente não é bom.

— F-Foi mal – começou ele, sem jeito. – Não quero parecer ingrato, mas é que...

— Eu sei o que é, eu já falei que leio a sua mente – cortou Orochi. – De qualquer forma, não é como se eu me importasse realmente com o que você pensa. Desde que você não me venha com uma ideia brilhante de fazer merda ou qualquer coisa que possa comprometer o meu trabalho, eu francamente não dou a mínima para o que passa nessa sua cabecinha estúpida.

Não sabia se acreditava totalmente naquilo, mas de qualquer forma, não ia questionar isso. Apesar de que... se ela pode ler a minha mente, então eu questionar ou não isso em voz alta não faz diferença alguma, faz? Supunha que não, mas por qualquer motivo que fosse ela não estava mostrando nenhuma reação aos seus pensamentos atuais, então acabou decidindo que por bem o melhor seria que ficasse calado. E foi exatamente isso o que fez.

Enquanto deixava Orochi cuidar das suas pernas, Syd buscou se distrair olhando para o resto da sala. O trio de mercenários – Breath, Zetsuko e Denis – estavam em um canto dela, juntos de Blair, conversando sobre qualquer coisa que ele não fazia a menor ideia do que se tratava. Pelo que sabia, eles haviam chegado um tempo antes de Bokuto lhe trazer a sala, o que foi tempo o bastante para que Orochi pudesse tratar deles. Não traziam mais nenhum movimento, mas a mulher havia os proibido de seguirem de novo para a batalha de qualquer forma, dizendo que não iria ficar refazendo seu trabalho de novo e de novo por causa da “estupidez de neandertais”.

Ela havia dito a mesma coisa para Bokuto, também, mas ele não havia lhe dado ouvidos. Quando chegou com Syd, Bokuto insistiu para que ela cuidasse primeiro dele. Ele e Orochi haviam discutido por alguns momentos sobre isso, mas no fim das contas ela acabou acatando aos pedidos dele, embora tenha também dito bem claramente que ele deveria ficar em repouso depois de tudo. Ele acenou positivamente com a cabeça quando ela disse aquilo, mas foi o tempo de ter suas feridas curadas para que Bokuto corresse para longe dali para se juntar novamente a batalha, fazendo com que a médica ficasse muito, muito mal-humorada. Eu imaginei que ele ia fazer isso pela sua personalidade, mas mesmo assim, devo dizer que é surpreendente que ele tenha conseguido enganá-la dessa forma. Apesar de que... se ela pode ler pensamentos, então como foi que ele a enganou?

Virou seus olhos para a mulher em confusão, e embora ela não tenha se voltado para ele, o som do grunhido que veio da sua garganta foi o suficiente para que soubesse que devia deixar o assunto de lado antes mesmo de começar a abordá-lo.

Voltou seus olhos novamente ao teto tão rápido quanto pode, disposto a não despertar a fúria daquela mulher. Bem, vejamos, vejamos... éééé... parece que estamos tendo um número até que pequenos de cavaleiros e membros da aliança em geral buscando cuidados aqui, hein? Mesmo enquanto nervoso como estava, Syd havia reparado nisso; todos os que estavam se tratando ali eram cavaleiros e mercenários que haviam ficado incumbidos de lutar no Primeiro Andar, sem que nenhum dos que lutaram nos outros andares tivessem chegado. Isso significa que ou estamos nos saindo muito bem... ou a batalha está indo pior do que imaginávamos, ao ponto de não termos nem sequer a chance de recuar. Torcia com todas as forças para que fosse o primeiro caso. Eu realmente preferiria não morrer hoje. Ou amanhã. Ou em qualquer dia pelos próximos, sei lá, vinte anos? Se vocês pudessem me manter vivo durante esse tempo eu ficaria bem grato, Deus Mortos do mundo de Reham.

Ironicamente, foi exatamente no momento em que pensava nisso que uma nova pessoa chegou até aquela sala. Uma jovem – a mercenária chamada Coralina que aparentemente havia lutado na batalha do Salão Cinzento – chegou na sala correndo com certa dificuldade, trazendo o corpo de um homem inconsciente nos ombros.

— Ei, médica! Temos um novo paciente para você! – Ela foi rápida em colocar o corpo no chão, se não gentil. Foi questão de meio segundo antes que ela se desse conta de que havia acabado de praticamente jogar o corpo de um homem nocauteado no chão e se arrependesse, caindo de joelhos ao lado dele para checar se ele estava bem. – O nome dele é Dayun, o... sei lá, Quinto Cavaleiro da leva não-sei-das-quantas? Não importa! O que importa é que ele está com várias contusões e-

— Eu sei quais sãos os problemas dele, maldição! Eu leio malditas mentes, vocês não precisam ficar me falando essas coisas! – Grunhiu Orochi furiosa, fazendo com que Coralina piscasse por um momento em surpresa antes que uma expressão furiosa ganhasse o rosto dela também. – E antes que você me venha com esses insultos que estão na ponta da sua língua, mantenha em mente que eu sou a única médica aqui e que o seu amiguinho precisa de cuidados. Você não quer me irritar!

— Ele não é um amigo meu, só um companheiro de batalha... ou quase isso – resmungou Coralina, recuando um passo do corpo do cavaleiro. – Mas beleza, eu vou ficar calada por hora. Não sou asquerosa o bastante para colocar uma vida em risco por motivos tão fúteis.

— Indiretas me irritam tanto quanto diretas, então se você realmente quer que eu cuide desse aí, é melhor que mantenha essa sua língua bem enroladinha atrás dos seus dentes – disse Orochi, encarando Coralina com uma carranca mal-humorada. Ela soltou as pernas de Syd subitamente, levantando quase que com um salto e dirigindo ao mercenário pouco mais do que um olhar nada solícito. – Suas pernas não estão completamente curadas, mas desde que você não as force demais, você deve ficar bem de agora em diante. Então trate de sair do meu caminho e ir ficar junto com aqueles quatro em um lugar onde você não possa me incomodar. E você, princesinha, faça alguma coisa de útil com esses gravetos que chama de braços e mova o corpo do seu amiguinho até aqui! Seria estúpido cuidar de alguém enquanto obstruo a passagem dos outros.

Nem quis olhar para Coralina e ver qual a expressão que ganhou seu rosto depois daquilo. Sabia que ela seria uma enfurecida, e já havia testemunhado lutas entre mulheres o bastante em sua vida para saber o quão assustadoras elas podiam se mostrar nessas situações. Levantou-se discretamente e bateu seus pés uma ou duas vezes para se certificar de que suas pernas estavam realmente firmes, e então fez logo o seu caminho até o quarteto sem nem olhar para trás.

A medida que ia se aproximando deles, as palavras que antes eram apenas murmúrios desconexos aos seus ouvidos foram se tornando claras.

— Eu não posso acreditar nisso. Como é que vocês podem se dar por satisfeitos com tão pouco?! – Era Breath que resmungando naquele tom descrente, encarando os outros três com seu único olho como se fossem estranhos.

— Não é uma questão de se “dar por satisfeito”, mas sim de ter algum tipo de bom-senso e noção do que podemos, ou no caso não podemos, fazer aqui! – Retrucou Blair em um misto entre frustração e irritação, lançando um olhar aborrecido ao mercenário. – Você tem noção que o que você sugere tem mais chances de acabar com os nossos corpos mortos no chão sem termos conseguido fazer nada do que tudo, não é?

— Grr... você pareceu uma guerreira destemida antes, Blair. Não pensei que você fosse tão covarde ao ponto de criar desculpinhas para ficar de braços cruzados!

— E você não pensou errado, porque eu não estou criando desculpas! Talvez seja um pouco difícil para essa sua cabeça-dura entender o que deveria ser óbvio, mas o que eu estou falando aqui não é uma previsão ou coisa do tipo, mas um fato! Se voltarmos para lá, vamos acabar mortos e estirados no chão, e você sabe tão bem disso quanto eu, Breath!

— Ei, ei, calma vocês dois – disse Denis, interpondo-se entre os dois mercenários de forma apaziguadora. – Eu entendo o que vocês querem dizer e o porquê de vocês estarem tão frustrados um com o outro, mas mantenham em mente que estamos todos do mesmo lado aqui. Se tem uma coisa que certamente não precisamos, é criar desavenças entre nós.

— Denis tem razão – apoiou Zetsuko, movendo um olhar ressabiado de Breath a Blair. – Vocês dois estão defendendo bons pontos, então é meio compreensível tudo isso, mas vocês estão indo um pouco longe demais nessa discussão, e não é bom que vocês estejam ficando agitados assim tão pouco tempo depois de terem se recuperado. Não concorda, Syd?

Os rostos dos outros três se voltaram imediatamente na direção para a qual ela olhou em surpresa, e até mesmo o rosto de Syd mostrou uma surpresa similar a essa. Mas quando foi que essa mulher me viu aqui? Eu não vi ela olhando na minha direção em momento algum! Não planejava realmente se juntar aquela conversa, mas pelo visto a mulher havia forçado a sua mão, e por ele se viu forçado a abrir um sorriso amarelo e se sentar no chão próximo a eles.

— Haha, foi mal, eu temo que não peguei o contexto da conversa – murmurou ele, coçando sem graça a bochecha com um dedo enquanto se perguntava mentalmente o porquê dos Deuses lhe colocarem em furadas como aquela. – Sobre... sobre o que exatamente vocês estão falando?

— Sobre fazer alguma coisa! – Declarou Breath, batendo seu punho no chão para acentuar suas palavras com tanta força que seus dedos criaram uma pequena cratera no solo. De todos os quatro, ele era de longe o mais ferido: seu torso e braços estavam cobertos por faixas, e similarmente o seu rosto tinha alguns pequenos curativos sobre pontos específicos da sua bochecha e testa. E ainda assim, podia ver só pela forma como ele falava que o jovem mercenário era o mais energético dos quatro, o com o fogo mais forte em sua alma. – Nós estamos aqui parados sem fazer nada já a um tempão, e a batalha está correndo enquanto estamos aqui! Não temos a menor ideia de quantos inimigos foram derrotados, quantos restam, quantos dos nossos ainda estão de pé, quantos e quem precisam de ajudar... nada! Numa situação como essa, não podemos ficar simplesmente parados aqui de braços cruzados torcendo pelo sucesso! Nós que já estamos curados deveríamos sair daqui e voltar ao campo de batalha!

— Sim, e talvez possamos aproveitar e pular nas lanças dos nossos inimigos para poupar-lhes o esforço, não é? – Retrucou Blair em seu tom aborrecido, conquistando um olhar furioso de Breath com suas palavras. Ela estava sentada de forma desleixada, com um braço jogado de qualquer forma sobre seu joelho erguido enquanto com a outra mão ela brincava com uma moeda, jogando-a para o alto e tornando a apanhá-la antes que ela caísse ao chão, só para repetir o ciclo de novo e de novo. – Escute bem Breath, eu não sou nenhuma covarde, como você parece pensar que sou. Na verdade, eu diria que sou tão ou mais destemida do que você. Eu não corro de lutas; nunca corri, nem nunca irei correr. Mas eu também não sou burra. Não vou pular de cabeça numa luta que eu sei que irei perder por nada. E francamente, você não deveria fazer isso também. Você não é burro, só cabeça-dura. Você deveria saber a essa altura que você não tem que provar nada a ninguém.

— Você acha que isso é sobre provar algo a alguém?! Eu estou pouco me fodendo para a opinião que as pessoas podem ter de mim; elas não pagam as minhas contas nem bancam a minha vida, então elas podem ir direto pro poço mais quente do inferno se acham que vou dar a mínima para a opinião delas! Isso não é sobre algo tão besta quanto “provar algo a alguém”, Blair; isso é sobre ter a decência mínima de fazer a minha parte! Você não pode pedir que eu simplesmente fique sentado de pernas cruzadas aqui enquanto uma guerra está acontecendo na sala ao lado!

— Mas você não está de pernas cruzadas, criatura! Eu não sei se você já se esqueceu disso, mas você foi uma das chaves para que pudéssemos derrotar Alcatraz! Um dos seguidores de Jiazz! Isso é muito, muito importante! Você já fez a sua parte nessa guerra, então agora o que você deve fazer é ficar aqui e tentar se recuperar! Querer bancar o macho-alfa e partir de novo para a batalha vai ser tão bom quanto cortar a sua própria garganta!

— Maldição mulher, eu já falei que isso não é nada relacionado a besteiras como essa coisa de macho-alfa! Isso é sobre ajudar os outros! Você não tem nenhum senso de camaradagem?! Não sente vergonha em ficar aqui sentada enquanto os outros lutam?!

— Você acha que eu gosto de ficar aqui? Acredite em mim, eu queria estar lutando! Mas você viu quais são os oponentes que temos aqui, você sabe que todos nós teríamos que lutar com tudo para derrotar alguém do nível de Alcatraz, e você sabe que não estamos em condições de lutar de novo. Eu e Zetsuko não saímos muito feridas já que fomos aprisionadas nas barreiras dele logo no início, mas você e Denis apanharam muito mais, e mesmo depois dos cuidados da Cobra Venenosa ali eu não acho que vocês estão completamente bem. Partir pra batalha com vocês de novo seria praticamente suicídio, e eu não estou nem um pouco ansiosa por morrer, nem tampouco quero que alguém como você morra. Você pode ser um teimoso irritante, mas ainda é um companheiro, e eu vou arder no inferno antes de deixar você morrer inutilmente por causa de uma teimosia estúpida!

— Você está dizendo que está insistindo em ficarmos aqui por minha culpa?! Eu não preciso de uma maldita babá, Blair!

— Parem com isso, vocês dois! – Gritou Zetsuko, juntando-se ativamente a Denis nos esforços de tentar manter aqueles dois separados... algo que estava ficando mais difícil a cada momento. – Será que vocês não se dão conta do quão estúpido isso tudo é? Essa briga idiota por um motivo tão bobo como esse quando vocês dois estavam lutando lado a lado não muito tempo atrás... isso é infantil!

— Nós não estamos brigando! Não estamos nem sequer discutindo! – Gritou Breath, num tom que lembrava muito o de alguém alterado por uma discussão. – Eu só estou-

Vocês só estão me atrapalhando de fazer o meu maldito trabalho! — O grito que cortou a frase dele veio de Orochi. Os olhos dos cinco foram na direção da mulher e se depararam de frente com uma criatura completamente furiosa. Os olhos de Orochi haviam ganhado um aspecto reptiliano intimidador, e sua boca havia se aberto o suficiente para mostrar dentes afiados, com um par de presas brilhantes que se destacavam em meio a eles, tanto pelo fato de serem claramente diferentes dos outros quanto pelo fato de terem um líquido que Syd não conseguia ver muito bem dali, mas duvidava ser saliva, escorrendo por eles. – Eu não me importo com a sua briguinha de casal, mas calem a boca e me deixem trabalhar em paz! Eu lhes tirei da beira da morte, eu posso lhes colocar lá de novo se quiser!

Uma veia de irritação surgiu na testa de Breath prontamente depois daquilo, e o mercenário não perdeu tempo em abrir a boca para gritar algum insulto, mas Zetsuko foi mais rápida. Ela tampou a boca de Breath com sua mão tão rápido que chegou a parecer que ela havia acabado de o estapear, fazendo com que o olhar irritado do mercenário fosse para ela, mas servindo para dar tempo o suficiente para que Blair pudesse responder.

— É, hehe, foi mal, foi mal! – Disse a maga, coçando a cabeça de uma forma que deveria parecer encabulada, mas que Syd podia ver que era bem mais nervosa do que tudo. Ela está tensa, e eu não posso culpa-la. Nunca havia visto Orochi lutar e Ekhart não havia falado nada sobre as habilidades de combate dela, mas Syd não precisava ouvir nada para ser capaz de dizer que aquela mulher certamente era muito poderosa. Eu não sei exatamente o que devo esperar dela, mas tenho certeza que tentar não irritá-la é um dos nossos maiores interesses. — Nós meio que nos empolgamos demais e perdemos a noção das coisas, Orochi. Desculpe por isso. Não vai voltar a acontecer.

— É, para o seu bem, é melhor que não volte a acontecer mesmo – retrucou a mulher-cobra entre dentes, voltando seu foco novamente aos cuidados de Dayun.

A carranca furiosa que cruzou o rosto de Blair ao ouvir aquilo foi o suficiente para deixar além de qualquer dúvida que ela não queria nada mais do que ir até lá e acertar Orochi com todas as suas forças, mas Breath sabia que isso não ia acontecer. Não falta bravura a ela, mas também não lhe falta miolos. Ela sabe tão bem quanto eu que essa mulher é poderosa... e além do mais, nunca é uma boa ideia criar inimizade com um médico, principalmente quando você está em um campo de batalha.

Rangendo os dentes para controlar sua fúria, Blair voltou a se virar para o grupo, já abrindo a boca para falar alguma coisa, mas nunca teve a chance de dar voz de verdade às suas palavras. Qualquer som que ela fosse emitir foi abafado por um ruído que ganhou a sala subitamente. Um som distante que parecia estar se aproximando rapidamente. Um som crepitante, como o de um incêndio que consome uma floresta, mas que era ao mesmo tempo mais forte que isso. Um som que soava crepitante, mas que também remetia a algo pesado caindo do céu – o som da queda de alguma coisa grande, como um projétil de catapulta. Não... não um projétil de catapulta, compreendeu Syd, sentindo uma gota de suor frio escorrer pela lateral do seu rosto. Um meteoro.

— Mas o que é isso agora?! – Orochi se levantou de uma vez, completamente frustrada, com veias visíveis por todo o seu rosto. – Maldição, será que alguém não pode trabalhar em paz aqui?! O que é isso dessa ve-

Suas palavras forma interrompidas pelo estrondo de uma explosão quando toda a passagem de entrada do Pandemonium foi empurrada para dentro da fortaleza, empurrada por uma explosão de chamas douradas que queimavam como o fogo do inferno. Estava há metros de distância delas, mas mesmo assim sentiu o seu calor, como se seu próprio corpo estivesse ardendo nessas chamas. Teve que cobrir seu rosto com o antebraço para se proteger dos destroços, e quando pode afastar esse braço de novo, foi recebido por uma visão terrível.

Um homem estava agora na entrada, em meio aos destroços que ele havia criado. Chamas douradas queimavam tanto ao redor dele como em seu próprio corpo, mas ele não parecia se importar, e elas nem tampouco pareciam lhe causar algum mal. Ele estava agachado sobre um joelho como se tivesse acabado de aterrissar de uma grande distância, e em suas costas queimavam duas grandes asas de chamas douradas que se dissiparam imediatamente quando ele começou a se levantar. Ele estava vestido de forma simples, com rústicas botas de aço cobrindo seus pés e calças longas e largas que pareciam surradas e tinham alguns rasgados. A camisa dele havia aparentemente sido feita em pedaços algum tempo atrás, deixando amostra peito e braços musculosos como os de grandes guerreiros, como se fossem esculpidos em pedra, mas ao invés dos da maioria dos guerreiros, ele não trazia cicatriz ou marca de ferimento algum neles. Seu rosto tinha traços duros e tradicionalmente masculinos, mas ao mesmo tempo também trazia uma energia, empolgação e um ar de despreocupação que era fácil de associar a um jovem. Seus olhos castanhos olhavam ao redor de forma relaxada e interessada enquanto ele coçava preguiçosamente seus cabelos também castanhos, antes de finalmente parecer se dar por satisfeito.

— Então... vocês devem ser os caras do Salão Cinzento, certo? – Perguntou Jiazz, o Juggernaut, fixando seu olhar sobre os guerreiros reunidos ali e abrindo um sorriso largo e afiado em seus lábios. – Hahaha, perfeito! Isso vai ser divertido!



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)
Breath, Denis, Zetsuko, Blair, Syd, Coralina e Orochi VS Jiazz (Em Andamento)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Vencedor: Presas)
Bryen e Enderthorn VS Presas (Vencedores: Bryen e Enderthorn)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex, Cleus e Ylessa VS Dokurei (Em andamento)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Vencedor: Shell)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin, Soulcairn, Gwynevere e Ezequiel VS Hashmaul (Em Andamento)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Vencedora: Titânia – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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