O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 111
Sacrifício pelo futuro




Quinto Andar do Pandemonium, “Elísio”

 

SANGUE PINGAVA DO SEU LÁBIO RACHADO ATÉ O CHÃO CONGELADO ABAIXO DA SUA CABEÇA MESMO ENQUANTO ELE TENTAVA SE LEVANTAR. O corpo de Balak doía como se ele tivesse levado uma grande surra depois de cair ao chão daquela altura, mas não havia levado golpe algum do qual não tivesse se curado. Essa dor que eu sinto... ela não é apenas de danos físicos, mas causada por exaustão extrema também, não é? Sentia que era isso, sabia que era isso. Sentia-se tonto, sua cabeça latejava, sentia seus músculos exaustos como se tivesse os esforçado ao máximo e lhe faltava fôlego, fazendo com que ele sempre buscasse respirar mais e mais. E tudo isso devido a uma única coisa. Meu suprimento infinito de mana, minha Joia do Infinito... ela foi destruída.

Suas mãos se fecharam com força ao pensar naquilo, e sentiu seus dentes se apertarem ao pensar no que isso significava. Scar nunca deixaria a Joia do Infinito ser destruída, não enquanto ele pudesse fazer algo quanto a isso. O que significa que, se ela se foi, ele deve estar morto agora. E sem a Joia do Infinito eu tenho um suprimento normal de mana, o que significa que não tenho as reservas infinitas de energia nas quais estava confiando para reviver meus companheiros. Em outras palavras ele havia perdido seu trunfo, seu melhor amigo e a habilidade de reviver todos os seus camaradas, tudo de uma única vez e em uma única jogada. Merda... isso é.… isso é... merda!

Ergueu seus olhos para o céu, e lá estavam eles. Os demônios estavam em meio ar, apenas observando-o com um olhar curioso por enquanto, mas Balak sabia que isso não ia durar. Não vai demorar para que eles desçam e venham me enfrentar, e como diabos eu devo esperar lutar contra eles nessa situação? Os demônios eram muito mais fortes do que ele, a um nível simplesmente incomparável. Havia planejado derrota-los usando de táticas espertas e se aproveitando da mana infinita para lançar suas magias mais poderosas livremente, mas não podia continuar a depender desse plano agora. Eu não posso seguir com o plano A, e eu não tenho um plano B. E pelo que posso ver, o Anjo de Sangue foi derrotado. Ao menos conseguia ver o corpo de Shell Glace caído não muito longe dali, o que significava que tinha um oponente a menos com o qual se preocupar, mas ainda assim, a situação era péssima. Péssima demais, talvez...

Estava pensando tanto quanto podia nisso, mas por mais que se esforçasse, Balak não conseguia imaginar uma forma de ganhar aquela luta.

E foi justamente no momento em que esse pensamento desolador passou pela sua mente que ele sentiu aquilo. Aquela energia absurda que só podia pertencer a uma pessoa, vindo a toda velocidade em direção ao Pandemonium. Sua expressão havia se tornado a de um homem derrotado que não acreditava mais na chance de vencer, mas de uma vez ela se transformou na de um homem que já podia sentir o gosto da vitória nos lábios, um sorriso largo se estendendo de orelha a orelha. Então, você finalmente voltou...

A presença dele mudava completamente as regras do jogo. Ele não pode reviver os meus companheiros mortos ou concertar os estragos que já foram feitos, mas ele pode impedir que as coisas piorem. Com ele ali, não teria que se preocupar com reforços inimigos; não havia ninguém no exército da Aliança que podia derrotar aquele homem, lutando juntos ou não. O que significa que Kastor e Ekhart são os meus últimos oponentes. Se eu conseguir derrota-los, então eu obtenho o sucesso que tanto tenho buscado. Se eu conseguir derrota-los, então a morte dos outros não será em vão! Era incrível como uma única coisa como a chegada de um aliado ao campo de batalha podia mudar completamente a sua moral e esperanças, mas supunha que isso era apenas mais uma das magias naturais do campo de batalha. Reforços quando você está exausto e prestes a ser derrotado... eles são incrivelmente inspiradores.

Agora... o que tenho que pensar é numa forma de derrotar esses dois. Com ou sem o seu aliado, duvidava que ele fosse ser capaz de lhe ajudar a lidar com os demônios, o que significava que a situação imediata de Balak não estava nem um pouco melhor. E eu continuo tendo os mesmos problemas que antes... droga. Talvez eu conseguisse derrotar esses demônios se os enfrentasse individualmente, mas eles não vão me dar a chance de separá-los, e mesmo assim, isso ainda seria bem complicado. Tinha de manter em mente que não estava lidando apenas com uma força descomunal e habilidades de domínio sobre elementos exóticos, como as Trevas ou o Fogo Fantasma. Esses dois possuem habilidades regenerativas também. Kastor deve ser capaz de se regenerar rapidamente de praticamente qualquer golpe que eu lançar contra ele que não tenha o atributo Santo atribuído a ele, e por mais que Ekhart não tenha uma regeneração do mesmo nível da de Kastor, ela ainda é uma regeneração considerável e problemática. A não ser que usasse suas magias Santas e Sagradas, não iria conseguir causar dano mais rápido do que seus inimigos conseguiam se curar, mas essas magias eram custosas e exaustivas, o que significava que ele corria um risco grande de ficar sem mana se as usasse demais. Eu não tenho muitas chances de ganhar sem essas magias, mas usá-las cria uma boa possibilidade de ser derrotado... isso não é nem uma escolha entre males, mas sim sobre como você quer se ferrar.

Só conseguia pensar numa forma de ter uma boa chance de vitória naquela luta, mas isso seria algo... custoso, no mínimo. Pode funcionar, na verdade, provavelmente vai funcionar... mas o custo não será pequeno.

Fechou os olhos por um momento, acalmou seu coração, e debateu consigo mesmo sobre aquilo. Se eu não usar esse recurso, eu irei passar por maus bocados enquanto enfrento esses dois. Maus bocados que podem muito bem me colocando sob sete palmos de terra sem que eu consiga atingir o meu objetivo. Por outro lado, usar isso vai me dar uma chance muito melhor de os derrotar, mas em troca... eu vou morrer, sem dúvida alguma. De forma simples, o que estava debatendo era se valia a pena trocar a sua vida por uma chance melhor de alcançar o seu objetivo... e ao menos até então, Balak pendia para o lado do sim. Não quero morrer tanto quanto qualquer outro, e mesmo com esses dois o meu trabalho não estará completo. Ainda há o Coração Branco, que até hoje não conseguimos achar... mas vamos ser sinceros aqui; a chance de que eu consiga fazer algo contra ele está ficando cada vez menor, se não pela crescente possibilidade de que eu acabe morto ao fim dessa luta, pelo fato de que a guilda está sofrendo muitos danos com essa guerra. Da forma como via as coisas, Balak acreditava que o melhor que podia fazer era certificar-se de que cuidasse daqueles dois demônios... ou melhor, ele sentia que devia fazer isso. Já passamos por tantas coisas. Tantas batalhas, tanto sofrimento. Já sacrificamos tanto, tanto de nós quanto de inúmeros inocentes. Parar aqui... isso seria um pecado imperdoável. Em nome dos que se sacrificaram e foram sacrificados para chegarmos até aqui... acho que não é nada mais que justo que eu me sacrifique... em prol do futuro da humanidade!

Começou a sorrir como um bobo após tomar aquela decisão, e nem mesmo o próprio Balak sabia dizer ao certo o porquê desse sorriso. Teve que se conter para não começar a gargalhar abertamente, e tudo que pode fazer foi aguardar no lugar enquanto ambos os demônios desciam do céu, aterrissando a frente dele, há alguns metros de distância. O suficiente para que parecesse ser uma distância segura aos olhos de uma pessoa normal, mas o que Balak sabia ser algo que qualquer um dos dois podia cruzar numa fração de segundos.

— Caindo ao chão, Hauss? E sem mais a sua Rosa Branca te protegendo... parece que toda essa luta está sendo um pouco penosa para você – comentou Ekhart com desdém, inclinando o rosto para o lado enquanto fitava Hauss com aqueles orbes dourados que ele chamava de olhos. – Precisa de um tempo? Tenho certeza de que podemos abrir mão de um ou dois minutos para lhe deixar recuperar o fôlego.

— Gracioso, mas desnecessário. Não se preocupem, meus ilustríssimos camaradas. Eu apenas fiquei um pouco animado demais com todo esse gelo. – Gracejou ele, gesticulando com suas mãos. – Não se preocupem, meus caros. Minha animação não vai me impedir de fazer o meu trabalho. Ao fim dessa batalha vocês estarão mortos e estirados no chão, tem a minha palavra quanto a isso.

— Você tem uma bela cara-de-pau para conseguir manter esse ar arrogante mesmo depois de tudo – comentou Kastor, a cauda do dragão demoníaco batendo com força no chão enquanto ele falava, arrancando grandes pedaços de gelo e concreto com facilidade. – Não se dê ao trabalho de continuar mantendo esse teatrinho, Balak. Eu não sou a faca mais afiada da gaveta, mas não sou burro o suficiente para não saber o que aconteceu. Titânia conseguiu, não conseguiu? Ela quebrou aquele seu brinquedinho que lhe dava mana infinita. E agora, você é como qualquer outro mago.

— E por mais que a magia seja uma ferramenta poderosa e destrutiva, ela também é custosa, e a fragilidade dos magos é conhecida até por aqueles que nunca viram um – complementou Ekhart. – O que te fazia perigoso antes era justamente o fato de ter mana infinita, o que significava que você tinha um poder absurdo na ponta dos dedos sem quase limite nenhum sobre ele. Agora que você já não tem essa vantagem, todas as limitações que você ignorava tão alegremente caem pesadamente sobre os seus ombros, não caem? Acompanhadas de consequências bem importantes, lógico. Você não pode mais usar as suas magias da forma despreocupada como estava fazendo antes. Se insistir em o fazer, bem... eu creio que será bem mais fácil lhe derrotar uma vez que você não tenha mais magias com as quais contra-atacar.

— Hu... huhuhahahaha! – A reação atípica do mago deixou ambos os demônios claramente surpreendidos. Eles já haviam visto Balak falar e fazer muitas coisas, gracejar bastante e mostrar uma imensa confiança e arrogância, mas nunca antes haviam o visto chegar ao ponto de gargalhar desse jeito de algo que diziam, jogando a cabeça para trás e batendo palmas como se estivesse aplaudindo a um comediante. – Hilário! Simplesmente hilário! Eu sempre soube que vocês dois eram burros, mas nunca pensei que isso chegava a esse ponto! – Ainda com um sorriso no rosto como resquício das suas gargalhadas, Balak jogou sua cabeça de volta para frente, fitando seus oponentes com óbvio divertimento no olhar. – É hilário que vocês sejam estúpidos o suficiente a ponto de considerar que eu possa ser idiota o bastante para cometer um erro como esgotar a minha reserva de mana... tal como é hilário que vocês sejam inocentes ao ponto de achar que eu não tenho um plano para assegurar o meu triunfo aqui!

Se antes os demônios já estavam surpresos, aquelas palavras foram o bastante para fazer com que os olhos deles se arregalassem de uma vez. Kastor ficou apenas perplexo onde estava, mas Ekhart foi atento e não perdeu tempo em usar seus poderes para lançar um par de tentáculos de sombra contra Balak, mas a essa altura, isso já era mais do que inútil. A energia que veio de Balak jogou os tentáculos longe – uma energia esverdeada, tão intensa e poderosa que seus feixes eram claramente visíveis a olho nu, espalhando seu brilho pela sala. Marcas surgiram nos braços de Balak, tatuagens e símbolos que remetiam a um idioma há muito perdido, algo antigo demais para que até mesmo ele compreendesse o que elas diziam, mas de qualquer forma não se preocupava em entende-las. O que importava para ele em meio a essas marcas era exatamente o que elas marcavam: o início da atuação do seu poder máximo.

— Vocês certamente pesquisaram isso, mas talvez tenham se esquecido, então permitam-me relembrá-los, demônios! Tudo o que normalmente uso no campo de batalha não é nada mais do que minhas magias. Todos os meus poderes usuais, incluindo os temporais, são pura magia, pura mana! Mas eu não me reduzo a eles! Além dos meus poderes normais, eu possuo uma outra habilidade, ainda mais temível. Minha Aloeiris! — Uma onda de energia ainda mais intensa foi emanada por ele, poderosa o suficiente para fazer com que os dois demônios tivessem que firmar seus pés no chão para não serem jogados pelos ares por aquilo. – GEAS! Eu faço um acordo com o mundo! Conceda-me o poder para erradicar esses demônios, e em troca, eu lhe ofereço a minha vida!

Os olhos de Kastor e de Ekhart se arregalaram ao ouvir aquilo, mas eles não tiveram tempo de ter uma reação aquilo, pois no momento em que aquelas palavras foram ditas um brilho intenso consumiu completamente a figura de Balak. Merda!, foi o primeiro pensamento que passou pela mente do azul enquanto ele tinha que cobrir seus olhos com o braço para que o brilho não lhe cegasse. Esse cara... o que exatamente ele quer dizer com isso?! “Geas”? “Acordo”? Do que raios ele está falando?!

Obteve sua resposta em questão de instantes.

Pouco a pouco o brilho intenso que veio de Balak foi morrendo, e a medida que ele ia se amenizando, Kastor pode abrir os olhos novamente. E o que ele viu foi completamente diferente do que via antes. A parte superior das vestes de Balak haviam sido completamente destruídas, como ficava claro pelos pedaços de roupa rasgada espalhados no chão ao redor dele, e isso deixava a mostra que não eram apenas os seus braços que estavam envolvidos por aquelas marcas, mas todo o seu torso. Mas mais do que isso, o que mais chamava atenção eram os olhos dele, ou mais especificamente, o sangue que escorria deles. Os olhos vermelhos de Balak sangravam muito, fazendo com que grossos filetes vermelhos escorressem pelo seu rosto até pingarem ao chão do seu queixo, e por mais que aquilo parecesse algo sério e perigoso, Balak não parecia minimamente incomodado. Ele mantinha um sorriso largo e confiante em seu rosto que parecia quase insano quando associado aquele sangue, e ao seu redor a mesma energia esverdeava que ele havia demonstrado antes parecia cercar seu corpo, encobrindo-o como uma armadura.

— Usar tanto poder e colocar tanto esforço sobre o meu dom natural vai certamente fazer com que eu acabe cego..., mas um homem morto não precisa de olhos, não concordam? – Perguntou ele, em um tom assustadoramente jovial para alguém que estava claramente falando sobre a sua própria morte. – O meu objetivo original era acabar com a ameaça ao eliminar os Cinco Corações, mas acho que vou ter que me dar por satisfeito com apenas quatro. Bom, não faz mal. A morte é um preço pequeno a se pagar se eu puder acabar com vocês, então... venham, demônios. Venham dançar, venham me enfrentar. Venham morrer pelas minhas mãos!



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Vencedor: Presas)
Bryen e Enderthorn VS Presas (Vencedores: Bryen e Enderthorn)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex, Cleus e Ylessa VS Dokurei (Em andamento)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Vencedor: Shell)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin e Soulcairn VS Hashmaul e zumbis de Gwynevere e Ezequiel (Em andamento)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Vencedora: Titânia – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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