O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 109
Coldbringer




Quinto Andar do Pandemonium, “Elísio”

 

OLHOS DE SANGUE OLHARAM PARA CIMA, para os céus que serviam como palco para a luta entre os maiores jogadores daquele campo de batalha. Um sorriso deturpado ganhou as feições do Anjo de Sangue enquanto ele via os demônios enfrentarem o humano, e por mais que o feitiço do mago lhe compelisse a buscar se juntar a batalha e lhe ajudar, ele nem precisava disso para querer lutar. Era uma criatura da guerra, um ser que só se sentia vivo quando lutava, e matar demônios eram uma das coisas que mais amava. Mesmo tantos anos depois da mente daquela criatura ter sido perdida, da sua sanidade ter sido quebrada, ela ainda tirava o maior dos prazeres em sentir a carne de um demônio ser dilacerada pela sua espada.

Suas asas sangrentas se abriram, espalhando o líquido vermelho da vida pelo chão a sua volta, e de uma só vez ele alçou voo com tudo em direção a batalha. Não foi muito longe. Mal havia feito algum avanço significativo quando uma grossa parede de gelo surgiu magicamente a sua frente, fazendo com que batesse de frente com essa e fosse forçado a recuar, encarando a construção com puro ódio e frustração.

— Ei, ei, eu já disse que você não vai conseguir brincar com eles assim tão cedo, não disse? – O rosto do Anjo se virou na direção da qual aquela voz vinha. Abaixo dele, ainda no chão, com seu peito e braço direito sangrando, Shell mantinha um meio sorriso preguiçoso no rosto enquanto tinha uma de suas mãos erguidas, o ar gélido concentrado ao redor dela tirando qualquer dúvida que alguém poderia ter sobre o que ele estava fazendo. – Como um mago e um Inquisidor, seria bem humilhante se eu ficasse tão para trás. Pelo que eu estou vendo, é óbvio que não sou forte o bastante para me juntar ao joguinho de monstros de Balak e Kastor. Mas você... você é um oponente para mim. Bem forte, mas também bem burro. O suficiente para que eu possa te quebrar em pedaços.

A maioria dos guerreiros iria zombar de Shell ao ouvir aquilo, principalmente considerando o que havia acontecido com ele minutos atrás quando tentou enfrentar seu oponente. Mas a maioria dos guerreiros eram criaturas racionais, e esse era o problema. Por mais que a racionalidade desse uma grande vantagem contra alguém que não podia pensar, ela também dava uma série de desvantagens. Com a racionalidade vinha a personalidade, e com a personalidade vinham características como a preguiça, a ganância, a arrogância e outras, todas que faziam com que alguém se tornasse descuidado.

Um ser sem mente não tinha traços assim. Ele agia por puro instinto. E naquele momento, tudo que o instinto do Anjo de Sangue lhe dizia era para matar Shell Glace.

O Anjo soltou um rugido de guerra ensurdecedor, abrindo suas asas tanto quanto possível e esticando todo o seu corpo ao máximo antes de fixar o olhar sobre Shell. E então ele mergulhou contra o mago de gelo de uma vez, trazendo seu escudo a frente do corpo enquanto sua espada erguida vinha mais atrás. Tch. Para uma criatura sem mente, esse maldito ainda lembra bem de como se luta hein? Aquilo iria fazer com que as coisas fossem um pouco mais problemáticas, mas nada com o que não pudesse lidar. Concentrou energia na palma de sua mão, fazendo com que o ar gélido ao redor dela parecesse se expandir ainda mais, e bateu-a com força no chão a sua frente.

Parede de Gelo! — Gritou ele ao mesmo tempo em que criava uma grande cortina de gelo sólido a sua frente, com mais de trinta centímetros de espessura de um gelo que era duro como diamante. Em geral eu me sentiria bem confiante em dizer que isso iria parar qualquer coisa que quisesse a minha cabeça, mas vamos ser francos: seria bem decepcionante se um Anjo fosse detido por algo assim. Aquilo iria no máximo lhe comprar alguns minutos, e planejava usar esses minutos da melhor forma possível.

Com suas habilidades de gelo ele selou suas feridas, congelando pequenas seções da sua carne e uma pequena quantia do seu sangue de forma controlada de forma controlada. Infelizmente, o meu curso de verão não me ensinou nenhuma magia de cura ou coisa do tipo, mas isso deve servir. Razoavelmente. Verdade seja dita, aquilo dificilmente iria ajudar a fechar as feridas de verdade, e estavam bem certo de que manter gelo em cima de feridas como aquelas por muito tempo iria ser mais prejudicial do que benéfico, mas ao menos conseguia parar com a hemorragia com aquilo, e até aonde via isso já era bom o suficiente para fazer o plano valer a pena. Muito bem, agora que tomamos conta disso, vamos para o passo número dois. Sabia que uma criatura sem mente como o Anjo de Sangue era incapaz de usar de alguma estratégia ou tática avançada durante uma batalha, o que significava que era ao menos teoricamente fácil prever os movimentos dele. Ele deve avançar pela frente, esmagando essa parede, e é exatamente para isso que devo me preparar. Sendo assim, o que fez com concentrar sua energia e magia ao redor da sua mão, jogando metade do seu corpo para trás e preparando-se para atacar seu oponente no momento em que ele surgisse.

Não teve que esperar muito para isso. Foi uma questão de instantes para que a parede que havia erguido fosse estilhaçada em pedacinhos, revelando a figura bestial do Anjo de Sangue que investia contra Shell com um rugido. Em uma situação normal aquilo iria lhe surpreender, mas como estava preparado para algo assim a sua reação foi instintiva, e bem mais prestativa; sua mão que estava voltada para trás foi lançada de volta para frente, e da palma dela ele disparou uma dezena de cristais de gelo, afiados como pontas de flecha, que avançaram direto contra o Anjo de Sangue mesmo enquanto a criatura avançava cegamente contra ele.

Os cristais não causaram dano. Eles pareceram acertar o corpo do Anjo, mas o corpo dele não era realmente sólido em primeiro lugar, mas sim feito de puro sangue solidificado; eles não chegaram a realmente atingi-lo, mas sim foram absorvidos pelo corpo sangrento dele e seguiram até emergirem inofensivamente do outro lado, avançando até se quebrarem em pedaços contra a parede. Sem que os cristais de gelo fizessem qualquer coisa contra ele, o Anjo de Sangue seguiu sem oposição. Seu escudo acertou Shell em cheio no peito com força, jogando seu corpo pelo ar como se não fosse nada, completamente mole enquanto girava pelos ares. Sangue escapou por entre seus dentes, mas fez um esforço para tentar reaver algum controle do seu corpo, e em meio ao rodopios e giros que teve em meio ao ar ele conseguiu aterrissar de joelhos com suas mãos apoiadas no chão. Ah, esse é um bastardo bem forte, contemplou Shell, limpando sangue dos lábios com as costas de uma das mãos. Você imaginaria desde o início que um Anjo Lendário não seria necessariamente o que chamam de um “oponente fraco”, mas isso não significa que assumiria que ele fosse um monstro desses de qualquer forma. Para sua sorte, era um mago bem forte. Os Inquisidores eram todos bem poderosos e bem treinados, o que significava que, embora ele não fosse exatamente tão forte quanto seu irmão, a diferença entre os dois não era tão gritante. Se fosse maior... bem, eu não acho que estaria vivo para estar pensando nessas coisas a essa hora.

Ergueu seus olhos para seu oponente e viu exatamente o que esperava. O Anjo de Sangue estava avançando novamente contra ele em uma linha reta, dessa vez brandindo sua espada a frente do corpo ao invés do escudo. Heh, tão descuidado quanto antes. E parece que ele ainda não notou a surpresinha por trás do meu ataque. Isso é bom. Aquilo significava que o seu plano podia muito bem acabar funcionando, mas de qualquer forma isso não era o mais importante naquele momento, pois seu plano não significaria nada se não pudesse se defender do ataque que estava por vir.

Machado Frio! — Gritou ele, forjando um machado de guerra de uma mão na sua mão direita que usou para bloquear o golpe do Anjo de Sangue. Depois que você passa tanto tempo enfrentando uma criatura quanto eu passei, você começa a entender bem o funcionamento dela e de suas habilidades. Talvez até melhor do que a própria criatura. Sentia o peso da espada do Anjo sobre ele, exercendo uma pressão sempre crescente na tentativa de quebrar a sua guarda, mas mesmo assim a sua guarda continuava a persistir, seu machado sendo capaz de parar a espada do Anjo, o que por si só expressava uma diferença gritante entre o “agora” e o “antes”. Esse cara provavelmente não está ciente disso, mas o seu corpo funciona em uma forma bem lógica e avançada. Ele não é físico no senso tradicional da palavra como o de um humano como eu, o que significa que a consistência dele pode ser controlada livremente conforme as suas necessidades. Não sei sobre o estado gasoso, mas ele ao menos já demonstrou a habilidade de transitar livremente entre os estados “sólido” e “líquido”, bem como de estabelecer uma composição híbrida entre esses estados, criando uma substância que combina a maleabilidade e fluidez dos líquidos com o peso, a dureza e a solidez dos sólidos. Isso era algo fácil de se observar com o que havia acabado de acontecer; quando lançou seu ataque o corpo do seu oponente se tornou predominantemente líquido, fazendo com que seu golpe “falhasse” em lhe atingir e passasse direto, enquanto em ataques como a investida com o escudo ou o golpe com a espada ele assumia uma constituição mais sólida, afim de conseguir atingir o seu corpo e causar um bom dano. É por isso que meus golpes anteriores não estavam conseguindo fazer algum dano de verdade, tal como os golpes dos outros também falhavam em causar dano. Não importa o quanto você tente ou quão forte você seja, você nunca chegará a lugar algum se ficar apenas esmurrando a água.

Mas essa dança muda bastante se conseguir congelá-la, pensou Shell, e então um meio sorriso se abriu novamente em seu rosto ao ver seu plano começando a dar frutos.

Até mesmo os “olhos” do Anjo de Sangue pareceram se arregalar no momento em que a criatura sentiu parte do seu corpo endurecer. A parte esquerda do seu peito – uma das seções pelas quais os cristais de Shell haviam passado – começou a congelar de uma hora para outra, surpreendendo o monstro de sangue. O gelo ainda era fino e superficial ali, mas era tudo que Shell precisava, e por isso ele não hesitou; já moveu sua mão livre em um golpe enquanto simultaneamente usava sua magia para forjar um segundo machado nela, e com ele o mago rasgou o peito do Anjo com um golpe. Esse foi um ataque que a criatura sentiu, pois diante dele ela guinchou em dor, como um porco no abate. Seu corpo cambaleou para trás, recuando alguns passos antes de cair de joelhos, e ambas as suas mãos acabaram largando as suas armas para tentarem alcançar a sua ferida, embora a forma como os seus dedos tremessem e o aparente nervosismo da criatura demonstrassem para ele que ela estava sentido algo similar a medo naquele momento.

— Sabe, é uma pena que uma besta como você não tem mente ou capacidades comunicativas. A essa altura, seus gemidos de dor seriam como uma canção de ninar aos meus ouvidos – gracejou Shell, abrindo ambos os seus braços, segurando firmemente os seus machados de gelo, envolvidos pelo ar gélido que saia das suas mãos. – Eu aposto que você nunca esperou por isso, não é? Uma criatura como você não pensa, mas deve ter algum tipo de instinto que controla as suas ações e comportamento. E esse instinto provavelmente nunca considerou a chance de que você fosse ferido algum dia dessa forma, né? Que alguém se aproveitasse de uma fraqueza que você provavelmente nem sabia que existia e usaria ela para ganhar vantagem em uma luta. – Estalou seu pescoço, sorrindo um sorriso perigoso e afiado, como o de um criminoso perigoso. – Isso foi muita arrogância da sua parte, Anjo.

A criatura pareceu confusa ao ouvir isso, mas essa expressão confusa não ficou visível por muito tempo. Ela estava distraída, e Shell se aproveitou disso para cruzar a distância que os separava rapidamente, e antes que o Anjo pudesse levantar qualquer defesa ele o golpeou em cheio no rosto com um chute direto. Como um mago, eu não sou tão forte quanto alguém como Hozar. Não sou nem sequer como alguém como Duke, que se foca no combate mano-a-mano apesar de ser um mago. Mas também não sou nenhum fracote. Seu chute tinha potência, potência o suficiente para que conseguisse atirar a criatura para o outro lado da sala com aquele golpe, fazendo com que o corpo do Anjo de Sangue criasse uma pequena cratera na parede, o que por sua vez fez com que outro grito bestial de dor estourasse da sua garganta.

— O que eu tive que fazer não foi muito complicado, pra ser sincero – disse Shell, divertindo-se um pouco com o fato de estar explicando todo o seu raciocínio para um inimigo que não conseguia entende-lo. – Seu sangue varia entre os estados de “líquido” e “sólido”, e enquanto no estado líquido, que é o estado que ele assume sempre que lanço um ataque contra você, eu sou incapaz de lhe causar dano. Algo que parece complicado, mas cuja solução é bem simples pra dizer a verdade. Se eu não sou capaz de te ferir enquanto no estado líquido, tudo que eu tenho que fazer é forçar o seu corpo a assumir o estado sólido, e eu tenho a ferramenta perfeita para isso. Entre as “bases” dos três estados, a água é a base do estado líquido, bem como o gelo é a base do estado sólido. Em outras palavras, se você congelar algo que está no estado líquido, esse “algo” assume o estado sólido.

O Anjo de Sangue se ergueu do meio dos destroços que seu impacto havia criado com pernas bambas, ainda confuso e irritado pelo ferimento em seu peito, grunhindo de novo e de novo em fúria e dor. A essa altura a habilidade de Shell já havia o afetado melhor, e ela fez com que sua aparência mudasse um pouco. O vermelho do seu sangue foi misturado com um tom branco como a neve, e ao menos na parte mais superficial era possível se ver claramente que algumas camadas de sangue haviam sido congeladas. Mesmo depois de toda a sua explicação a criatura ainda parecia tão confusa e frustrada quanto antes, como se não tivesse entendido nada, e isso só fazia divertir Shell ainda mais.

— Lembra daqueles cristais que eu arremessei antes? Bem depois da minha parede de gelo, aqueles que atravessaram direto pelo seu corpo. Pois é.… diga, como você se sentiria se eu te dissesse que eu já sabia que isso ia acontecer? Porque eu já sabia que isso ia acontecer. Era com isso que eu estava contando. – Disse Shell, abrindo a palma de uma de suas mãos enquanto ainda segurava o machado nela e fazendo com que pequenos cristais de gelo surgissem nela. – Sabe, congelar é algo que leva algum tempo, independente do que você faça. Mas isso certamente ocorre mais facilmente se o que você quer congelar em particular já estiver à uma temperatura mais baixa. Foi para isso que serviram aqueles cristais. Eles passaram um período ínfimo de tempo dentro do seu corpo, mas eles estiveram dentro do seu corpo por algum tempo, e isso foi tudo que eu precisei. Nesse tempo em que eles estiveram no seu corpo os meus cristais agiram de forma a te resfriar, reduzir sua temperatura tanto quanto possível naquele espaço de tempo. Mas, obviamente, você não notou isso. Eu já imaginava que algo assim iria acontecer, e sabe por quê? Porque desde que Kastor, Ekhart e Balak deixaram essa sala para irem lutar nos céus, eu resfriei a sala de forma a dar uma temperatura melhor para as minhas técnicas aqui. Uma temperatura fria o suficiente para que, com a temperatura que o seu corpo ganhou depois dos meus cristais, ela começasse a congelar seu sangue, deixando-o sólido para mim. E você se lembra do que eu falei antes, não lembra? Tudo que eu preciso é que seu corpo seja sólido. Eu não sei se um Anjo de Sangue sangra..., mas ele grita de dor, e isso já é o bastante para mim!

Avançou com um salto contra seu oponente assim que as palavras terminaram de deixar os seus lábios, brandindo ambos os machados de gelo enquanto cruzava rapidamente a distância entre os dois. Vamos ver o que você faz agora, Anjo. A criatura não tinha mente, mas isso não significava que ela era estúpida. Mesmo que não entendesse o que Shell havia dito, ele podia ainda ter compreendido o que estava acontecendo e a necessidade de mudar o seu estilo de luta caso tivesse a intenção de ganhar aquele confronto. A questão é... esse monstro tem capacidade o suficiente para fazer algo assim?

Teve sua resposta em questão de momentos, quando um escudo de sangue se ergueu para bloquear o golpe de machado de Shell, bem quando estava prestes a atingir em cheio o rosto de seu oponente.

Parou por um movimento em surpresa quando isso aconteceu, mas teve uma recuperação rápida. Ergueu o outro machado e preparou-se para movê-lo também em um ataque, mas o Anjo foi mais rápido, e uma espada de sangue cortou através da sua barriga antes que conseguisse concluir seu golpe. Sangue esguichou da sua barriga, e Shell sentiu seu corpo vacilando para trás, trôpego como se estivesse bêbado. Isso deu ao Anjo o espaço necessário para que ele pudesse se erguer, elevando-se sobre Shell de uma forma que garantiria que seu corpo pudesse cobrir os raios do sol se estivessem do lado de fora. Ele estava naquele momento segurando sua espada na mão direita e o escudo na esquerda, mas foi questão de instante para que o sangue que constituía seu escudo mudasse sua própria forma, transformando-se em uma espada idêntica a outra. Heh... parece que ele vai com tudo para a ofensiva, hein?, pensou Shell, sorrindo um sorriso ensanguentado enquanto tentava ignorar a dor da sua mais nova ferida. Talvez eu devesse ter passado menos tempo brincando com ele e mais tempo tentando mata-lo, hein? Hehehe... merda.

Um rugido de guerra veio do Anjo de Sangue, alto o bastante para ecoar por todo o quinto andar: o único aviso que teve antes que a criatura avançasse contra ele, brandindo ambas as suas espadas. Golpes vermelhos vieram pela direita e pela esquerda, por cima e por baixo, e Shell teve que se esforçar para conseguir acompanhar os movimentos de seu oponente. Maldição, esse cara...! Não era um guerreiro ou até mesmo um mago-guerreiro, mas sim apenas um mago; tinha um corpo decentemente forte e havia treinado para se precaver contra combate corpo-a-corpo, mas não estava acostumado a isso. Merda, isso não é bom.... Cada golpe pesava sobre ele como se fosse uma tonelada, e não foram precisos mais do que alguns golpes para que sentisse ambos os seus braços latejarem e visse que seus machados estavam rachados. E o pior era que sabia que a sua situação deveria ser bem pior. Esse maldito... ele está brincando comigo? Era difícil imaginar que uma criatura que nem sequer possuía um cérebro pensante em sua cabeça pudesse fazer algo assim, mas essa era a única conclusão a qual Shell podia chegar. Eu não sou bom o suficiente para bloquear os golpes de alguém como ele, e é óbvio que ele está com a vantagem aqui. Mas ainda assim os golpes dele não me atingem, e eu estou conseguindo bloqueá-los de alguma forma. Nada fazia sentido. Não mais.

Foi então que o Anjo de Sangue ergueu ambas as suas espadas acima da sua cabeça, e na feição dele pareceu reluzir um brilho assassino por um momento.

No momento em que viu aquele brilho, Shell compreendeu que estava com problemas.

Ergueu seus machados na tentativa de se proteger, mas eles foram inúteis. As espadas do Anjo cortaram através deles como se não fossem nada e seguiram para o seu peito. Elas cortaram através da sua carne em um grande “X”, fazendo com que seu sangue esguichasse e escorresse das feridas, e nem bem elas acabaram de serem abertas e o Anjo de Sangue o chutou com força na boca do estômago. A força por trás do golpe fez com que seus olhos revirassem dentro das órbitas, um momento antes de seu próprio corpo ser jogado longe até que suas costas explodissem contra a parede, criando uma cratera que era facilmente três vezes maior do que a que havia criado, no mínimo. Isso... doí... Seu corpo escorregou pela parede destruída – fazendo com que ele sentisse ainda mais dor a medida que sua carne ferida ia raspando nas pedras quebradas – até que seu corpo caísse de vez no chão. A dor que sentia de alguma forma trabalhava com um efeito quase que anestésico, fazendo com que se sentisse tonto e desorientado, mas não o suficiente para que perdesse a noção do que estava acontecendo ali. Mesmo com uma visão turva ele ainda conseguiu ver o Anjo de Sangue avançando novamente em sua direção, e isso foi o suficiente para que soubesse que tinha de reagir.

Gêiser Branco! — Gritou ele, batendo uma palma aberta no chão a sua frente, e ao entoar das suas palavras uma multidão de grandes e grossos pilares de puro gelo foram emergindo pela sua frente, com dezenas de pontas em seu topo que se comparavam às de lanças. Um golpe como esse poderia causar grandes danos a um oponente, mas Shell nunca confiava nele para atingir ninguém. Por mais poderoso que fosse, o golpe talvez era excruciantemente lento, lento demais para que pudesse confiar nele para causar algum dano. Mas ele ainda é mais do que capaz de atrapalhar bem os meus oponentes. O próprio Anjo de Sangue era um exemplo disso; aquele ataque era lento demais para ser uma verdadeira ameaça para ele, mas não podia simplesmente ignorá-lo agora que seu corpo estava preso na constituição sólida, o que forçou o Anjo a ter que manobrar para trás e parar seu avanço.

Bom, vamos lá.... Teve que apoiar uma mão nas costelas para isso, mas de alguma Shell conseguiu se levantar, embora grunhisse em dor durante todo o esforço e tivesse as pernas bambas como gravetos. Eu tenho que pensar em uma forma de reagir contra esse cara, mas a questão é.… como? Enquanto pensava usou novamente sua magia para congelar as suas novas feridas, e sabendo que suas pernas frágeis seriam um problema em combate, usou-a também para criar suportes de gelo ao redor das suas pernas, apertando determinados pontos e apoiando alguns outros de forma a lhe devolver firmeza enquanto ao mesmo tempo evitava ao máximo entrar no seu caminho. Esse cara é bem poderoso, e mesmo com o corpo mais sólido, ele ainda tem boas habilidades. Ele é rápido e tem essas asas, o que permite que ele se esquive da maior parte dos meus golpes, e seu controle sobre o sangue significa que ele pode usar isso para se defender. Não acho que ele tem uma mentalidade o suficiente para fazer algo como uma parede ou uma barreira de sangue, mas ele é capaz de criar um escudo, e isso já é problemático o bastante. Aquilo fazia com que combate a distância fosse problemático contra esse oponente, já que lhe dava chances melhores de se defender dos seus ataques, e Shell sabia que não importava o quanto tentasse, ele nunca iria conseguir anular completamente o ponto cego em suas defesas quando usava alguma magia ofensiva. O que significa que a opção que resta é o corpo-a-corpo, o que também não é exatamente a melhor coisa possível. Sim, era verdade que conseguia causar algum dano no inimigo a curta distância, mas a reversa também era verdadeira, e era claro para qualquer um que Shell era bem menos resistente do que seu oponente. Se formos brincar de “quem corta mais”, eu vou acabar em pedacinhos. Meio que gosto do meu corpo em um pedaço.

Não tão longe, além dos pilares, ele conseguia ouvir a fúria do Anjo de Sangue. A essa altura os seus pilares já haviam quase todos se erguido, e isso significava que não iria demorar muito para que o Anjo voltasse a investir contra ele, quebrando todos eles para abrir caminho. Droga, estou ficando sem tempo.... Até agora a melhor ideia que havia tido era a de partir para o combate corpo-a-corpo, mas o problema era que ela era simplesmente muito arriscada. Não faz sentido que eu consiga causar algum dano ao Anjo se eu morrer para isso. Mas ao mesmo tempo, não é como se eu tivesse muitas alternativas... ou como se eu não pudesse minimizar os riscos. Não era possível avançar para o corpo-a-corpo contra qualquer inimigo sem se submeter a alguns riscos, mas era possível fazer com que esses riscos fossem os menores possíveis, tanto em possibilidade de acontecer quanto nos danos que podiam causar. Se eu conseguir derrotar o meu inimigo em um único golpe, serei capaz de fazer com que os meus riscos sejam relativamente pequenos. E eu acho que sei de uma forma de derrota-lo com um golpe.

Não demorou muito para que o Anjo de Sangue quebrasse através dos pilares e fizesse seu caminho até Shell, e ele não perdeu tempo quando fez isso; nem tomou um momento para olhar seu oponente antes de mover sua espada contra ele, e no fim das contas, foi isso que permitiu que fosse enganado. Quando moveu sua espada o que ele cortou não foi Shell, mas sim um boneco de gelo de tamanho humano vestido com a camisa de Shell. Um boneco que se despedaçou em pedaços com o golpe e deixou a criatura confusa, sem ter ideia do que havia acontecido.

E então soou aquela voz.

— Eu devo dizer que nunca pensei que teria que usar essa técnica para derrotar algum oponente. Ela é bem, mas bem longe do meu estilo, sabe? – A voz de Shell vinha com um efeito de eco que fazia com que ela parecesse vir de todas as direções... e ao mesmo tempo, de nenhuma. – Eu gosto de pensar que sou um lutador tático. Alguém que mantém sua distância e procura usar suas habilidades de forma bem efetiva, mantendo um combate que desgasta o seu oponente e o coloca em situações problemáticas enquanto ao mesmo tempo faz o melhor dessas mesmas situações. Heh, pode ser um pouco arrogante, mas eu me considero um pouco... refinado.

O Anjo de Sangue olhava para a direita e para a esquerda enquanto ouvia aquela voz, procurando desesperadamente pelo seu oponente, mas só via restos dos pilares de gelo pelo chão e uma sala resfriada, sem nenhum sinal de Shell. Tentou tudo: ver onde ele havia se metido, identifica-lo pelo som da sua voz, captar o seu cheiro..., mas tudo falhava. Não via nada em lugar algum, e ouvia e sentia o cheiro dele em todos os lugares ao mesmo tempo, o que fazia com que ficasse mais e mais confuso.

— Por falar em refinado, o que você acha da minha Aloeiris, Anjo? “Jogo dos Sentidos”... bem legal, não é? – Questionou Shell, rindo um pouco. – Ela é uma Aloeiris tremendamente útil, e até que simples. Basicamente, ela permite que eu crie uma área na qual qualquer pessoa que estiver nela, incluindo eu, pode ter seus sentidos influenciados individualmente pela minha vontade. Posso fazer, por exemplo, que você fique surdo! Mas qual seria a graça nisso? Bem melhor te fazer me ouvir de todos os lados e te deixar confuso, não é? Da mesma forma, posso fazer múltiplas coisas interessantes! Posso fazer com que você sinta cheiros que irão influenciar diretamente a sua mente e fazer com que você reaja a eles, como por exemplo fazer que você sinta um cheiro tão nauseante que não consiga fazer nada mais do que ficar vomitando e vomitando. Posso controlar a sua visão de forma a fazer com que você fique por aí sentindo como se o mundo estivesse dando voltas e voltas ao seu redor. Posso controlar o seu tato e fazer com que você sinta como se milhares de arranhas estivessem subindo pelo seu corpo com aquelas pernas longas e peludas delas. Tudo isso parece incrível, não é? Hehe, Hehehe, e é! ... Só que eu meio que não posso fazer nada disso, não no momento. “Jogo dos Sentidos” é uma Aloeiris bem poderosa, mas ela também consome energia demais.

Foi no momento em que ele disse isso que o Anjo de Sangue pode ver novamente o seu oponente. Shell estava não muito longe, parado sem camisa em uma seção da sala que agora se mostrava congelada. Uma névoa gélida parecia cerca-lo de todos os lados como se fosse uma cortina, e ela parecia ainda mais focada ao redor de suas mãos, que estavam fechadas e unidas como se ele estivesse segurando alguma coisa com elas. Mas claro, o Anjo de Sangue não se importou minimamente com aquilo. Assim que viu seu oponente, tudo que ele fez foi investir novamente contra ele com toda a sua velocidade, brandindo suas espadas imprudentemente pelos ares.

E tão focado ele estava em investir que ele nem notou o sorriso que se abriu no rosto de Shell.

— É por isso que eu não a uso como arma principal, mas sim como uma ferramenta que me dá a chance de usar a minha carta final.

Em um piscar de olhos ele avançou também, e o encontro dele com o Anjo de Sangue causou um brilho intenso por um momento que inundou todo o andar – o brilho das energias dos dois, batendo de frente uma com a outra. Quando esse brilho se foi, o que pode ser visto era que os dois haviam passado um pelo outro e agora estavam a uma distância razoável um do outro; Shell em uma postura rebaixada, de joelhos dobrados e com suas mãos ainda na mesma posição, enquanto o Anjo de Sangue mantinha uma postura ereta, com suas espadas reluzindo ao seu lado.

Após os dois se tornarem visíveis novamente, não demorou mais do que um segundo para que dois grandes cortes surgissem no peito de Shell, em sentido contrário aos que ele havia feito no Anjo anteriormente. Eles originaram-se na região do seu abdômen e subiram a partir dali, passando pelo seu peito até acharem o seu fim nos seus ombros. Desses cortes esguichou uma quantia assustadora de sangue em jatos rubros que voaram alto antes de caírem novamente ao chão como uma chuva vermelha. E o Anjo de Sangue estava perfeitamente ciente disso, pelo sorriso que exibia em seu rosto. A criatura virou seu corpo em direção a Shell, e ao ver o ferimento do seu inimigo ele começou a gargalhar loucamente como uma hiena, sem fazer segredo do prazer que tirava daquilo.

Mas seu sorriso morreu bem rápido quando a metade esquerda do seu corpo congelou subitamente de uma única vez em um estranho gelo de um azul profundo.

A expressão satisfeita do Anjo de Sangue desapareceu numa de susto e pânico, os “olhos” dele se arregalando em descrença enquanto olhavam para a metade congelada dele, e então se arregalando ainda mais quando ele viu que não era apenas aquilo. O chão abaixo dele, as paredes, o teto... tudo estava sendo congelado naquele mesmo gelo. Não apenas o que estava ao redor dele, mas absolutamente tudo no Quinto Andar. Similarmente, seu próprio corpo não era uma exceção a isso; foi questão de instantes para que suas pernas e seu outro braço começassem a congelar também, e isso fez com que uma criatura sem mente se desesperasse. Usando suas habilidades o Anjo de Sangue fez o que parecia instintivamente ser a sua melhor alternativa; ele aqueceu o seu sangue tanto quanto pôde na tentativa de derreter o gelo que ia tomando conta do seu corpo..., mas isso foi inútil. Se esforçar com aquilo não parecia fazer diferença, pois por mais que ele aumentasse a temperatura do sangue que lhe constituía, seu corpo continuava a congelar mais em mais sem parecer ficar mais lento ou ser detido de qualquer forma.

Coldbringer: O Prelúdio do Inverno. — A voz de Shell cortou pelo gelo e frio que havia tomado conta do andar, chamando a atenção do Anjo de Sangue e fazendo com que ele olhasse diretamente em direção ao mago. Shell agora estava erguida, virado na direção da criatura... e em suas mãos ele trazia uma arma. Uma grande espada que parecia mais uma grande barra de gelo laminada, branca como a neve com detalhes em um azul profundo como o mar que corriam pela sua lâmina e empunhadura. De alguma forma, só de olhar para ela, o Anjo compreendeu que aquela espada era a responsável por tudo aquilo. – Esquentar seu sangue é uma ideia surpreendentemente boa para alguém como você, então parabéns por isso, mas receio ter que dizer que isso não vai adiantar em nada. Talvez você já tenha notado isso pela sua cor ou pelos efeitos dele, mas o gelo de Coldbringer não é um gelo comum. Esse é o melhor e mais poderoso gelo que esse mundo já viu, o que chamamos de “Gelo Eterno”. Você poderia jogar um cubo desse gelo do tamanho de um dedo direto no Sol e deixa-lo lá por mil anos, e ele não derreteria. Uma vez que você é congelado pelo Gelo Eterno, nada nem ninguém pode te libertar dele.

Suas palavras marcaram o fim do Anjo de Sangue. A criatura só teve tempo de arregalar ainda mais os seus olhos em medo ao ouvir aquilo antes que o pouco que restava do seu corpo fosse engolido pelo gelo eterno. O que havia sido até então uma grande ameaça e uma besta monstruosa foi, em questão de segundos, transformada em uma decoração de gelo em uma terra congelada.

Shell suspirou ao vê-la assim. Finalmente... eu francamente fiquei com medo por um momento que esse cara conseguisse escapar. Começou a avançar em direção a criatura à passos moderados, e enquanto fazia esse avanço ele começou a segurar Coldbringer apenas na mão direita, liberando a esquerda para que pudesse usar a sua habilidade para criar uma maça de gelo nela.

— Sabe, uma peculiaridade que eu posso ter esquecido de te dizer sobre o Gelo Eterno é que, bem... o nome dele é Gelo Eterno, não Gelo Indestrutível— murmurou Shell, pontuando sua frase com um balançar da maça recém-criada. Ela atingiu em cheio a escultura de gelo a qual havia sido reduzido o Anjo, quebrando-a em mil pedaços que foram espalhados para todos os lados num instante, sem dificuldade alguma. – O Gelo Eterno nunca vai derreter, a não ser que o seu criador queira assim. Mas ele pode se quebrar como qualquer outro gelo. Como você pôde testemunhar.

Suspirou de novo ao dizer aquilo, em uma mistura de alívio e cansaço dessa vez. Sentia-se tonto e sua vista parecia turva, e fechou os olhos para tentar amenizar os sintomas, mas mesmo assim ele continuou a se sentir mal. Ah, merda... era exatamente por isso que eu não queria recorrer a essas habilidades. Sua Aloeiris era muito útil, mas tremendamente exaustiva também, ao ponto de fazer com que ele se sentisse prestes a desmaiar em questão de minutos de uso. E Coldbringer... As magias que usam o Gelo Eterno são bem úteis e incrivelmente poderosas, mas o preço associado a elas é assustador... O Gelo Eterno não derretia por um simples motivo; ele não era como o gelo normal, criado a partir da água ou da umidade, mas era um gelo feito a partir da própria força vital do usuário. Eu me pergunto... quantos anos de vida eu perdi com esse último ataque? Um... ou talvez dois? Ou... heh, considerando a minha sorte... eu diria que devo ter perdido uns dez ou vinte anos. A verdade era que era impossível medir algo assim, impossível simplesmente dizer que havia perdido uma quantia “x” de anos de vida. Só sabia que havia os perdido, bem como se sentia esgotado agora. Minhas pernas doem, e o meu corpo está tremendo... heh, não vou continuar de pé por muito tempo.

— Que merda... parece que eu não vou conseguir me vingar no fim das contas – murmurou ele com humor seco a medida que sentia seu corpo pender para frente como se a exaustão pesasse como uma tonelada em suas costas. – Strauss, eu vou confiar o resto a você, entendeu? Não importa o quê... certifique-se de... derrotar Balak.

Seus joelhos bateram ao chão. Seus olhos perderam o brilho. Sem ter mais nem sequer forças o suficiente para se manter consciente, o rosto de Shell foi direto ao chão congelado por suas próprias mãos.

Mas um momento antes de perder a consciência ele viu algo.

Balak, caindo como uma estrela cadente.



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Vencedor: Presas)
Bryen e Enderthorn VS Presas (Vencedores: Bryen e Enderthorn)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex VS Dokurei (Em andamento)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Vencedor: Shell)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin e Soulcairn VS Hashmaul e zumbis de Gwynevere e Ezequiel (Em andamento)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Vencedora: Titânia – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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