O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 106
Dokurei Deux




Terceiro Andar do Pandemonium, “Deserto de Ossos”

 

AS AREIAS DO DESERTO DE OSSOS FORAM CORTADAS COMO SE FOSSEM AS ÁGUAS DO MAR PELA SIMPLES VELOCIDADE COM A QUAL TREVOR AVANÇAVA, segurando sua espada com ambas as mãos enquanto tinha olhos fixos sobre seu oponente. Dokurei Deux permanecia parado aonde estava, as mãos no bolso e um sorriso confiante no rosto, apenas acompanhando com os olhos os movimentos de seu oponente enquanto Trevor avançava ao redor dele, buscando por um ponto vulnerável pelo qual pudesse atacar. Algo que não conseguia achar, por mais que se esforçasse. Maldição... como ele consegue acompanhar meus movimentos com tanta facilidade? Sabia bem o quão rápido era enquanto naquela forma; o Paladino Celeste lhe tornava bem rápido – não necessariamente o suficiente para que seus inimigos não pudessem lhe acompanhar, mas o suficiente para que eles tivessem que ao menos fazer algum esforço para isso. E mesmo assim, Dokurei parecia ver através de todos os seus movimentos calmamente sem problema algum, como se ele não fosse nada mais do que uma formiga correndo por solo limpo. Bom, que seja! Eu acho que se não estou conseguindo achar um ponto fraco, então eu apenas vou ter que avançar direto!

E foi exatamente isso que fez. Parou de cercar o guerreiro e avançou contra ele subitamente com tudo, brandindo sua espada com todas as forças acima da sua cabeça, e graças à sua velocidade ele conseguiu se aproximar numa fração de segundos. A lâmina desceu com força, reforçada pela luz que havia transmitida para ela.

E foi parada facilmente pelo antebraço de Dokurei.

Seus olhos se arregalaram quando viu aquilo. Im-Impossível! Aquela mesma lâmina havia sido capaz de cortar facilmente Gunlamar, e o mundo todo sabia o quão duras eram as escamas de um dragão. Tudo bem que ele me disse uma vez que as suas escamas eram mais frágeis do que as da maioria dos dragões do seu tipo, mas mesmo assim... elas eram pelo menos três vezes mais duras que aço! E mesmo deixando isso de lado, ainda tem a questão d’ele ter conseguido erguer esse braço! Com seu avanço ele não deveria ter tempo para reagir, e nem sequer havia visto ele dar qualquer sinal de fazer algo assim, mesmo quando sua lâmina já havia começado a descer. Então, como?! Como exatamente ele-

— Ei, ei, meu chapa, eu já consigo ver daqui que você está meio confuso e tudo mais, então me permita lhe dar uma notícia para te explicar tudo de forma bem básica, hein? – Murmurou Dokurei bem calmamente, de forma tão tranquila que ele nem parecia estar no meio de uma luta. – Eu e você estamos em níveis completamente diferentes. Não que você seja fraco, mas eu sou forte, muito mais forte do que você pode imaginar, e muito mais forte do que você é no momento. Você não vai vencer essa luta... e o mesmo vale pro seu amigo ligeirinho aqui também.

Foi o tempo daquelas palavras soarem para que visse Dokurei erguer rapidamente seu outro braço, bem a tempo de bloquear um dos bastões de Marco. A aproximação do seu companheiro havia sido rápida, tal como podia se esperar de alguém como Marco, mas nem isso foi o suficiente. Mesmo com uma aproximação tão rápida quanto aquela, Dokurei pareceu ver através de cada movimento, e pelo esforço mínimo que ele havia feito e as palavras que havia dito, era claro que ele já havia visto aquele ataque bem antes que ele representasse uma ameaça.

— Sabem, em uma situação normal eu estaria disposto a mostrar um pouco de misericórdia a vocês. Não tenho nada contra nenhum dos dois, e vocês não me parecem lá pessoas ruins ou coisa do tipo, então eu provavelmente lhes daria a chance de simplesmente recuarem em silêncio, contando que concordassem em não voltar ao ataque. Mas tanto eu quanto vocês sabemos que isso não funcionaria. Não importa quantas chances eu pudesse lhes dar, vocês iriam teimar em continuar com o ataque, teimar em continuar a investir contra mim, de novo e de novo. E além do mais, eu tenho uma dívida para com o Olho Vermelho, tal como eu disse antes. Então, ao invés de lhes oferecer misericórdia completa, eu lhes ofereço o melhor que posso conceder: uma morte rápida e relativamente indolor. Que tal? Vocês param com isso, ficam parados em um lugar fixo e eu me certificarei de usar um veneno que gere uma morte confortável para vocês. Parece uma boa oferta, não?

Não fosse pelo tom de voz do homem enquanto dizia aquilo, Trevor iria assumir imediatamente que ele estava fazendo alguma piada sem graça. Foi só pelo jeito que as palavras foram ditas que ele compreendeu que ele estava realmente falando sério, e isso fez com que se sentisse furioso.

— Você realmente acha que alguém aceitaria algo assim?! – Questionou ele, se esforçando para colocar ainda mais força por trás de sua espada, na esperança que conseguisse se aproveitar de algum descuido para quebrar a guarda de Dokurei e acertá-lo diretamente. Marco viu o que ele fazia e não perdeu tempo em se juntar a isso; seu segundo golpeou o mesmo braço que havia detido o primeiro, e por mais que ele não tivesse tanta força pura quanto Trevor, o momento do movimento garantiu certo peso ao seu ataque. Ambos os braços de Dokurei recuaram perante ao assalto duplo dos guerreiros..., mas isso durou pouco tempo, pois logo em seguida o homem-veneno pareceu decidir colocar um pouco mais de força nos seus próprios braços, e com essa força ele fez com que os dois voltassem à estaca zero sem dificuldade nenhuma.

— Então, presumo que a resposta de ambos seja “não”? – Perguntou tranquilamente Dokurei, parecendo não mais do que decepcionado pelas respostas dos dois. Seu único olho fitou Marco por alguns instantes, depois moveu-se para Trevor, e então se fechou. Ele suspirou cansadamente como se estivesse carregando o peso do mundo em suas costas, e então subitamente o seu olho se abriu de novo, e o brilho que veio dele nesse instante disse a Trevor que a luta de verdade começava agora. – Muito bem então. Vocês fizeram a sua escolha!

Veneno surgiu nos braços de Dokurei num passe de mágica como se estivesse sempre ali, e no momento em que o líquido rubro tocou a espada de Trevor o mercenário pode ver fumaça subindo da lâmina. Droga! Bateu suas asas e recuou para trás tão rápido quanto pôde, balançando sua espada com força enquanto se afastava na tentativa de jogar fora qualquer veneno que tivesse permanecido nela, fazendo com que a pressão do ar de cada um de seus movimentos abrisse grandes fendas em meio as areias. Tinha certeza que aquele havia sido algum tipo de veneno corrosivo, mas por sorte a sua luz na espada não servia apenas para ampliar o poder ofensivo dela, mas também lhe fornecia alguma proteção – o suficiente para que sua espada não fosse destruída tão facilmente. Marco não podia dizer o mesmo; quando se arriscou a olhar de relance na sua direção para ver como ele estava se saindo, Trevor apenas o viu jogando o que restava dos seus bastões no chão rapidamente, a madeira que formava suas armas tendo sido corroída quase que completamente numa fração de segundos como se não fosse nada.

— Só como aviso, garotos, não achem que podem lidar com esse meu veneno! – Avisou Dokurei, sua voz soando muito mais selvagem e agressiva do que antes. A essa altura não era mais apenas os braços do homem que estavam cobertos pelo seu veneno, mas também suas pernas, a maior parte do seu torso e até mesmo um pouco do seu rosto. Veneno escorria da sua testa e pelas suas bochechas como se fosse suor, pingando em gotas gordas que erradicavam até mesmo os grãos de areia. – Esse veneno faz muito mais do que apenas corroer armas! Sejam tocados por ele, e vocês vão derreter até os ossos!

Os olhos de Dokurei dispararam de uma vez para Trevor ao dizer aquilo, e quando se deu conta o Demônio Escarlate estava bem diante dele, em meio ar, com um sorriso largo no rosto e uma de suas mãos abertas, pronta para descer contra Trevor. O veneno que a cercava havia criado uma espécie de garra vermelha ao redor dele, parecendo alguma coisa que você esperaria ver em um monstro saído direto das histórias de terror, e Trevor não teve que sequer pensar para saber que aquele não era um ataque que podia simplesmente bloquear. Usou novamente das suas asas para recuar mais, e isso lhe conquistou bufar aborrecido de Dokurei. Foi o tempo de um dos pés do guerreiro tocar o chão novamente para que ele tornasse a avançar, sem perder o sorriso animalesco do rosto, e sua garra direita se moveu contra Trevor em uma estocada, como se quisesse arrancar seu coração com elas. Jogou o corpo para o lado e conseguiu evitar o golpe, só para ver a perna direita esquerda de Dokurei vindo em direção ao seu rosto, banhada em tanto veneno que parecia até que ela era feita só dele. Abaixou-se a tempo de deixar que o golpe passasse inofensivamente acima da sua cabeça, mas um pouco do veneno que envolvia a perna de Dokurei ainda caiu em grandes gotas, atingindo a parte de cima do seu elmo. Aquilo era muito pouco e sabia disso, mas mesmo com sua armadura de luz abençoada lhe protegendo ele conseguiu sentir o veneno corroendo, como se fosse um verme tentando abrir caminho até o seu cérebro. Essa armadura abençoada a feita de luz que eu uso é muito superior a qualquer armadura convencional de ferro e aço, e mesmo assim... para que tão poucas gotas de veneno sejam capazes de fazer algo assim... ele cara é muito perigoso.

Enquanto estava abaixado, uma sombra caiu sobre Trevor. Ergueu seus olhos assim que isso aconteceu, e encontrou exatamente o que imaginava; Dokurei acima dele, sorrindo de orelha a orelha, com um brilho violento nos olhos e uma de suas garras erguida acima do Luz Brutal.

Seu golpe caiu com peso imenso, tal como havia feito antes quando havia começado seu assalto. E tal como antes, a defesa de Trevor veio na forma de uma esquiva. Ele deu o melhor pulo para trás que podia naquela situação enquanto ao mesmo tempo batia suas asas com força para recuar seu corpo o suficiente, e de alguma forma ele conseguiu o que queria; recuou rápido o bastante para que a garra venenosa de Dokurei falhasse em lhe atingir, batendo no chão abaixo dele ao invés disso. Se manteve atento e preparado para reagir a outros golpes, mas eles não vieram. Dokurei ficou parado onde estava, completamente imóvel, mas mantendo sempre seu sorriso no rosto. O veneno começou a fluir pelo seu braço e passar até o chão, amontoando-se em uma poça rubra que ia crescendo abaixo de Deux, com uma fina fumaça que subia constantemente dela, como se o veneno estivesse de alguma forma tentando derreter a si mesmo. A essa altura Dokurei havia caído de joelhos sobre sua sempre-crescente poça de veneno, indicando claramente que ele não tinha intenção de sair dali assim tão cedo, mas ao mesmo tempo ele mantinha o sorriso em seu rosto, e Trevor não havia sentido em momento algum a hostilidade dele lhe abandonar. Ele está tramando alguma coisa, mas o quê?

Foi então que o olho dele se abriu. Não o seu olho normal, pois esse havia se mantido aberto, mas sim o outro, o olho cego, e quando ele se abriu, ele estava dominado por um brilho escarlate. A boca de Dokurei se abriu também, e dela saiu uma espécie de gás venenoso vermelho que fez com que seu oponente naquele momento parecesse menos com um homem e mais com um emissário enviado diretamente do inferno.

Yamata no Orochi. — Disse ele, e ao entoar daquelas palavras, oito grandes pilares de veneno se ergueram da poça vermelha que ele havia criado, cercando o corpo de Dokurei.

Os pilares venenosos estavam jorrando para cima como gêiseres, mas logo eles começaram a agir de forma diferente quando subitamente começaram a se entrelaçar uns nos outros, fazendo curvas e dando voltas como se estivessem dançando no ar. E enquanto faziam isso, esses pilares foram assumindo uma constituição diferença. O veneno que os constituía pareceu começar a tomar formas mais suaves e arredondadas, um desenho mais refinado que ia lentamente fazendo com que eles lembrassem a forma de um animal. De onde estava, Trevor teve uma visão privilegiada do momento em que os oito pilares se transformaram em oito grandes serpentes vermelhas, feitas inteiramente de veneno, rugindo na mais perfeita voz de um animal enquanto exibiam suas grandes presas e acendiam em direção ao sol.

Até que, em certa altura, todas elas pararam e olharam simultaneamente para Trevor.

E nesse momento ele compreendeu que estava ferrado.

As oito serpentes avançaram contra ele, e por mais que aquelas fossem bestas criadas de puro veneno, era óbvio que elas não eram estúpidas. Ao invés de avançarem em sincronia, cada uma das serpentes avançou em tempos separados e imprecisos, em velocidades diferentes uma da outra. Maldição! Como ele consegue fazer algo assim?! Tinha um bom palpite de que era Dokurei que estava controlando cada movimento delas – só isso conseguia justificar como uma coisa dessas deveria ser capaz de empregar táticas tão racionais quanto aquelas – mas era absurdo que um único homem fosse capaz de criar e controlar oito criaturas simultaneamente de forma tão diferente. Esse miserável... ele deve ter muita experiência com sua Aloeiris, pensou Trevor por um segundo, antes de alçar voo.

A primeira das serpentes avançou direto contra ele já com a boca aberta, como se planejasse engoli-lo inteiro de uma só vez. Foi relativamente fácil lidar com ela; inclinou-se um pouco, alterando seu avanço levemente para o lado, e cortou a boca e o corpo dela pela metade com sua espada, mesmo enquanto outra das serpentes vinha contra ele. Essa foi mais agressiva; ao invés de simplesmente abrir a boca e continuar com o seu avanço, essa tentou diretamente abocanhá-lo, e foi acompanhada por duas outras serpentes nisso. O fato delas terem feito isso quase que simultaneamente foi um erro, no entanto, e não hesitou em se aproveitar desse erro para evitar o ataque; bateu suas asas com força para se lançar ainda mais alto num instante, e apenas contemplou enquanto as três serpentes colidiam entre si antes de voltar a avançar contra Dokurei. Não foi capaz de fazer muito progresso em paz; mal havia começado o seu avanço quando uma sombra encobriu novamente o seu corpo, e ao erguer os olhos para ela Trevor viu que uma das serpentes havia decidido usar seu corpo como uma espécie de chicote gigante, tentando literalmente cair sobre ele e esmaga-lo com seu peso. Bastou que se movesse para o lado para que conseguisse evita-la sem muitas dificuldades, e logo a seguir voltou toda a sua atenção para as três serpentes que restavam. Com essas ele não perdeu tempo tentando cortá-las ou coisa do tipo; focou-se unicamente evita-las, manobrando por entre as serpentes e se contorcendo em meio ar para um lado e para o outro afim de evita-las, tudo isso enquanto mantinha seus olhos fixos sobre o seu verdadeiro alvo. Assim que conseguiu manobrar entre elas e evitar as investidas das três, Trevor colocou ainda mais força sobre as suas asas e usou-as para se impulsionar com tudo contra Dokurei. Ele é o responsável por tudo isso. Eu não sei quais são as dimensões desse ataque ou se ele é sequer a arma mais forte no arsenal desse cara, e isso faz com que matá-lo seja uma prioridade ainda maior.

Foi quando estava próximo dele, tão próximo que já se preparava mentalmente para mover novamente sua espada, que Trevor ouviu aquele rugido. Moveu sua cabeça para o lado do qual ele veio instintivamente, bem a tempo de ver uma das serpentes venenosas avançando direto contra ele pela lateral em alta velocidade, já perigosamente próxima e com sua boca bem aberta, preparada para abocanhá-lo a qualquer momento. Sentiu seus dentes quase trincarem, tamanha a força com a qual os rangeu ao ver aquilo. Mas que... porcaria! Eu sabia que isso ia acontecer! Desde o primeiro momento em que havia movido sua espada contra elas, Trevor sabia que não iria conseguir fazer qualquer dano real atacando aquelas serpentes. Elas eram, afinal de contas, apenas uma criação de Dokurei feitas inteiramente de sangue. Não importa se sua aparência é a de um animal, essas coisas não são seres vivos. E se isso não é vivo em primeiro lugar, você obviamente não pode mata-lo. Sabia que não iria parar aquelas serpentes com tão pouco, mas havia pensado que aquilo lhe daria ao menos tempo o suficiente para que pudesse se aproximar e tentar um ataque. Bom, eu obviamente subestimei um pouco a velocidade delas. Podia ainda tentar ser teimoso e continuar em sua investida, mas a verdade é que isso seria extremamente tolo da sua parte. Mesmo que eu conseguisse golpear Dokurei, essa serpente ainda me acertaria. Mesmo considerando que eu conseguisse mata-lo com um único golpe – o que é bem improvável – eu iria morrer nas mãos do seu veneno. Maldição, isso é uma verdadeira droga!

A contragosto, Trevor se viu forçado a bater as suas asas e para recuar, e embora tenha conseguido evitar a serpente que vinha contra ele com isso, as outras sete que havia evitado antes se ergueram novamente para investir contra ele.

— Não adianta, garoto! Não importa o quanto você tente ou como você tente, você não vai conseguir me alcançar! – Enquanto via Trevor se movendo se um lado para o outro no ar, contorcendo-se para esquivar-se das serpentes em uma dança grotesca, Dokurei se ocupava em rir e sorrir, se divertindo desavergonhadamente dos problemas que o guerreiro estava tendo. – Verdade seja dita, Yamata no Orochi não é lá a mais poderosa das minhas técnicas, mas por mil diabos, ela é útil! Oito serpentes avançando contra você criam uma onda de ataque poderosa demais para ser ignorada, e elas também criam um perímetro defensivo bem eficiente ao meu redor! Seu poder bruto não é comparável ao de algumas das minhas técnicas mais perigosas, mas você não vai achar uma situação em que ela não é eficaz! Com essas serpentes lhe perseguindo, você não vai conseguir fazer nad-

Estrela Cadente! — O grito foi acentuado pelo som do impacto quando a ponta reforçada de madeira de um bastão longo atingiu em cheio a parte de trás da cabeça de Dokurei. O ataque veio em altíssima velocidade, cortando os céus a uma velocidade extremamente rápida que, combinada com a distração de Dokurei, fez com que o homem vermelho estivesse completamente despreparado para ele. Marco não havia se limitado a simplesmente golpear o Demônio Escarlate com seu bastão, no entanto; ele havia o posicionado de tal forma a atingir a outra extremidade dele com um joelho, colocando todo o seu peso, força e momento sobre o bastão, o que refletiu diretamente no poder por trás daquele golpe.

Um gemido de dor escapou de Dokurei com o impacto, e a mão dele que antes estava apoiada no chão afim de manter sua poça e serpentes venenosas acabou deslizando pela areia, fazendo com que ele se desequilibrasse com a perda súbita do apoio e escorregasse para frente, afundando de cara nas areias brancas enquanto ao mesmo tempo em que o veneno que ele antes havia exibido se desfazia como se nunca tivesse existido em primeiro lugar, fazendo com que toda a poça e as serpentes venenosas desaparecessem em questão de segundos, deixando um Trevor confuso sozinho no ar. Ele... ele perdeu essas coisas? Esse ataque dele... ele acabou? Mal podia acreditar naquilo, não exatamente pelo fato ocorrido, mas pelo que isso significava. Existiam apenas duas possibilidades para que o ataque de Dokurei tivesse parado daquela forma: a primeira era que ele dependia diretamente de uma determinada postura e certa concentração, e que quando essas foram quebradas pelo golpe de Marco ele simplesmente se visse incapaz de sustentar o ataque. E a outra... a outra possibilidade era muito melhor. É possível que esse golpe tenha o matado, e por isso acabado com todos os efeitos da sua Aloeiris.

Silencio reinou sobre o Terceiro Andar mesmo enquanto Trevor ia aterrissando, observando ainda de longe o que acontecia. Sangue começou a fluir do couro cabeludo de Dokurei, escorrendo para baixo, pela sua nuca e de lá para as suas costas. Marco observou em silêncio enquanto isso acontecia, atento a qualquer sinal que seu oponente pudesse dar de que ainda estava vivo. Foi exatamente por essa atenção que ele viu o momento em que o corpo de Dokurei se moveu um pouco, como em um espasmo, e esse pequeno movimento foi o suficiente para fazer com que seus olhos se arregalassem e com que ele saltasse para trás imediatamente, e de novo e de novo, até criar uma distância de pelo menos trinta metros do seu oponente – o que, para Marco, ainda era pouco.

Trevor tinha começado a se aproximar, mas ele parou assim que viu o corpo de Dokurei começar a se erguer da areia. Tch...! Eu sabia que era pedir demais esperar que ele tivesse sido morto com aquilo! Na verdade, agora que pensava nisso, havia sido até mesmo um pouco tolo da sua parte esperar que um oponente como aquele fosse derrotado tão facilmente. No passado, Dokurei foi caçado por toda Fredora como um homem perigoso, capaz de fazer com que os Duques ficassem quase loucos, desesperados pela sua cabeça. Deveria ser óbvio para mim que um homem assim não seria derrotado com tão pouco!

O reerguer de Dokurei foi bem lento, desprovido de qualquer senso de urgência, mas nenhum dos dois ousou tentar lançar um ataque contra ele. Ambos sabiam que ele devia estar furioso depois daquele golpe, e tentar ataca-lo novamente iria apenas atiçar ainda mais as chamas da sua ira. Ninguém queria isso. O rosto dele havia ficado cheio de areia, e por isso Dokurei ergueu uma de suas mãos – agora normal – para limpá-lo, enquanto a outra ia até a sua cabeça, na área atingida.

— Ai, ai... puta que me pariu viu, eu me meto em cada poço de merda... – murmurou ele, em uma voz tão incrivelmente tranquila que ela soou ainda mais ameaçadora do que um rugido furioso dele. A mão que foi a sua cabeça retornou, e ele a ergueu em frente ao seu rosto para ver que ela estava tingida de rubro. – Hum. Sangue, né? Que coisa. – Ele a fechou e abriu repetidamente diante do rosto, contemplando a textura do líquido, admirando a sua viscosidade. Então seu único olho moveu-se para Marco, e foi como se em um único instante toda a atmosfera de todo aquele andar se tornasse sombria. – Vai pagar por isso, pirralho!

Ele desapareceu completamente de vista no momento em que aquelas palavras foram ditas, e quando ele reapareceu ele estava pouco além de Marco, com todo o seu braço direito do cotovelo para baixo banhado em sangue. Marco primeiro tossiu vermelho e vacilou para trás antes que compreendesse o que aconteceu, e só depois disso foi que ele moveu seus olhos para baixo. Um grande rombo havia sido criado na parte esquerda do seu abdômen, e sangue escorria livremente dessa ferida. Em um piscar de olhos, Dokurei havia arrancado parte do seu estômago, sem ter que fazer esforço algum para isso.

Mesmo ferido daquele jeito, Marco foi bem rápido em girar nos calcanhares em direção a esse homem, mas Dokurei foi ainda mais. Ele cruzou a distância que os separava antes que Marco pudesse fazer qualquer coisa, e seus dedos se fecharam ao redor do pescoço de seu oponente. Com uma única mão ele ergueu facilmente o corpo do seu oponente, apertando o pescoço dele enquanto fazia isso, estrangulando lentamente Marco.

— Eu estava sendo generoso com vocês antes, pirralhos. Usando as minhas habilidades eu seria capaz de dar uma morte rápida a vocês, mas já que decidiram continuar a ser teimosos e ficarem me irritando, eu vou deixar de ser bonzinho. – Marco se debatia incessantemente, batendo no braço de Dokurei com ambas as suas mãos e chutando seu peito o melhor que podia com suas pernas, mas o Demônio Escarlate era como uma estátua, e diante dele tudo o que Marco fazia era fútil. – Eu não preciso do meu veneno para esmagar ratos como vocês. Posso rasgá-los em pedaços com minhas mãos nuas, desse jeito!

A mão livre de Dokurei se ergueu, seus dedos apontando para Marco, mas antes que ele pudesse seguir com o seu ataque sua visão periférica notou algo. Segurando sua espada com ambas as suas mãos e parecendo a própria representação da fúria divina, Trevor Lancaster estava avançando em alta velocidade contra Dokurei naquele exato momento. Tch. Que estorvo. Afastou um pouco seu braço para trás e revestiu-o de veneno, fazendo com que todo ele fosse coberto pelo corrosivo líquido vermelho e viscoso, e com seu único olho travou sua mira sobre Trevor. A brincadeira acabou, moleque. Não me encha o saco.

Garra do Demônio Vermelho! — Gritou Dokurei, e disparou seu braço revestido de veneno em direção a Trevor. A distância entre eles era grande demais para que sua carne pudesse alcançar seu oponente, mas felizmente não dependia de coisas assim. O veneno em seu braço se estendeu, esticando-se em direção a Trevor e ganhando dimensões cada vez maiores, e em poucos segundos o Paladino Celeste se viu avançando contra um braço escarlate gigante e venenoso que cobria o sol como um eclipse, caindo com tudo contra ele. Havia se certificado de fazer com que as dimensões desse braço se ampliassem mais em largura do que em altura, o que fazia com que ele cobrisse uma grande área horizontal naquele ponto, mas uma pequena área vertical em comparação. Os efeitos disso foram simples; para evitar seu golpe, Trevor foi forçado a parar o seu avanço e recuar, e isso era exatamente o que Dokurei queria. Separou o veneno do seu braço como se estivesse tirando uma luva, deixando que o braço vermelho caísse sobre as areias e formasse uma grande poça de veneno em meio a ela, e então voltou seu foco para seu alvo desde o início novamente. Pelo golpe que você me acertou, seu merdinha... eu vou te dar uma morte bem lenta e dolorosa.

Seu punho disparou, reto como uma lâmina, e atravessou o peito de Marco sem dificuldade alguma. Os olhos de Marco brilharam em dor e desespero no momento em que ele foi perfurado, e então esse mesmo brilho começou a morrer a medida que as forças iam abandonando seu corpo. Um já foi. Falta um. Moveu seu braço com força para jogar o corpo do seu inimigo às areias, e então viu que Trevor estava novamente investindo direto contra ele, parecendo ainda mais furioso do que antes. Hum. Acha que vai conseguir obter vingança com a sua força, garoto? Tente, e falhe. Endireitou seu corpo, abriu ambos os seus braços e ficou parado firmemente onde estava, convidando o ataque de seu oponente.

— Quer vingança, garoto?! TOME-A! EU ESTOU BEM AQUI! TOME A MINHA CABEÇA, SE PUDER!

Um grito de guerra ecoou da garganta do seu oponente quando ele atacou. Ele segurava sua espada para trás com ambas as mãos, mas quando viu que Dokurei havia entrado na sua área de alcance essa se moveu em um sentido de meia-lua, caindo em direção ao crânio do Demônio Escarlate com toda a força do seu dono. E em resposta a isso Dokurei moveu ambas as suas mãos. As palmas nuas delas bateram na lâmina da espada, uma de cada lado, e com elas ele bloqueou o golpe, enquanto o ar se deslocava e as areias dançavam ao redor deles devido a força investida naquele confronto.

— Eu avisei – disse Dokurei, encarando friamente o elmo de seu oponente enquanto segurava o ataque dele. A lâmina e os braços de Trevor tremia enquanto ele tentava colocar mais força por trás da espada na tentativa de quebrar sua guarda, mas os dois sabiam que isso era inútil. Sentia a luz que envolvia a espada queimando as suas mãos, mas aquilo estava longe de ser o suficiente para causar qualquer dano real a Dokurei. – Eu não preciso das minhas mãos para esmagar ratos como vocês!

Disse aquilo e imediatamente ativou suas habilidades venenosas nas palmas das suas mãos. A lâmina havia mostrado alguma resistência ao seu veneno antes, mas ela não era capaz de fazer algo assim de novo a essa distância. Seu veneno corroeu-a rapidamente, e isso fez com que fosse hilariantemente fácil para ele quebrar a espada de seu oponente em dois, fazendo com que uma metade dela caísse ao chão enquanto Trevor perdia seu equilíbrio ao se ver agora segurando apenas meia-espada que não estava sendo detida por nada.

— Isso dito – murmurou Dokurei, abrindo um sorriso selvagem e afiado – minhas habilidades fazem com que isso seja mais fácil!

Sua mão direita disparou contra o rosto de Trevor antes que o guerreiro tivesse tempo de erguer alguma reação, e seus dedos fecharam-se com força ao redor do elmo dele. Colocou mais e mais peso sobre cada um deles, apertando o elmo com o simples objetivo de esmaga-lo junto com o crânio de Trevor. Quem diria. Ironicamente, eu vou acabar sendo gentil com esse aqui; ele vai ter uma morte rápida... embora não necessariamente indolor. Trevor estava rugindo em dor enquanto apertava o crânio dele, mas aquilo era só em parte verdade. Havia notado que ele não havia soltado a sua espada quebrada, e um rápido olhar para ela lhe revelou que ele estava concentrando luz nela, aparentemente tentando recriar sua lâmina a partir de luz pura. Heh, ele é teimoso, eu vou admitir isso. Mas não muito esperto. Com sua mão esquerda Dokurei perfurou o peitoral da armadura de Trevor, seus dedos cravando-se dentro da carne do guerreiro, e a partir das pontas desses dedos ele liberou gás venenoso no interior de seu oponente. Eu poderia usar alguma coisa mais letal como o “Apodrecedor” ou o “Corroente”, mas não acho que isso seria o correto. Marco parecia ser um amigo de Trevor, afinal de contas, e parecia que Trevor gostava bastante dele. Um veneno Adormecedor deve servir. Quero só ver a cara desse merda quando acordar para ver seu amigo morto por aqui.

Trevor era um homem forte, e era óbvio para qualquer um que olhasse que energia não era algo que lhe faltava. Mas com veneno sendo liberado diretamente dentro do seu corpo, havia muito pouco que ele podia fazer. Toda a sua força e sua teimosia não lhe serviram de muito quando seu corpo foi lentamente ficando dormente, perdendo cada vez mais as forças. Com um sorriso no rosto, tudo que Dokurei teve de fazer foi dar um passo para o lado para dar espaço para que o guerreiro que enfrentava caísse de cara no chão, a armadura de luz que antes protegia o seu corpo se desfazendo a medida que ele ia desfalecendo, deixando de existir completamente quando ele atingiu as areias.

Depois que Trevor caiu completamente no chão e Dokurei se viu novamente sozinho em meio ao deserto, o Demônio Escarlate se pegou subitamente em dúvida. Hum... bom, vejamos... e agora, o que eu faço? As suas ordens haviam sido de proteger o Terceiro Andar, e isso ele havia feito – pelo que sabia, não tinha mais nenhum inimigo ali. Isso dito, não havia deixado de notar que um dos inimigos havia conseguido avançar para o quarto andar enquanto Trevor e Marco lutavam com o dragão negro. Hozar Royes é o nome dele... certo?

Enfiou as mãos nos bolsos, e de um deles retirou uma caixa de charutos, enquanto do outro retirou um isqueiro de Carcino. Colocou um dos charutos na boca e o acendeu com o isqueiro, e então tragou um pouco do fumo antes de voltar a pensar naquilo. Bem... vejamos, vejamos. Eu poderia ir atrás de Hozar agora, mas isso não é necessariamente obrigação minha. Quero dizer, eu sou o responsável pelo Terceiro Andar e deveria impedir que alguém passasse por ele para o Quarto Andar, mas teoricamente falando a minha responsabilidade se restringe ao Terceiro Andar; eu não tenho obrigação alguma de ir lá na puta-que-pariu caçar alguém que de alguma forma conseguiu passar pelo Terceiro Andar. Além do mais, deixar seu posto seria basicamente deixar um convite para que os inimigos passassem livremente. Sabe, eu entendo a lógica de Balak. Como eu, Tristah e ele somos mais fortes do que os demais, não é necessário colocar um pequeno exército em cada andar, bastando colocar um de nós no lugar. Sério, entendo mesmo essa lógica. Mas desconsiderar o fato de que há um limite do que uma única pessoa pode fazer – pelo simples fato de se tratar de uma única pessoa – não é lá algo muito esperto.

Retirou o charuto da boca com dois dedos e soprou a fumaça da boca... e foi então que viu algo. Um pouco ao longe, Marco estava ainda se debatendo na areia. Não muito – ele não tinha força para tal – mas mesmo assim ele se debatia, e ver isso fez com que Dokurei se sentisse um pouco arrependido. Ei, ei... talvez... talvez eu tenha sido um pouco exagerado antes? Havia ficado bem irritado com aquele cara depois do golpe que ele havia lhe atingido, mas por mais irritado que aquilo tivesse lhe deixado, tinha que assumir que não era como se tivesse sido algo diferente do que ele faria na pele dele. Bom... talvez eu possa conceder a esse cara um pouco de misericórdia. Começou a caminhar em direção a ele à passos largos, voltando a colocar o charuto na boca enquanto fazia seu caminho. Isso vai causar um bocado de sujeira, mas foda-se. Não sou eu que limpo essa merda, de qualquer jeito.

Assim que parou em frente ao homem, Dokurei ergueu uma de suas pernas, deixando que seu pé pairasse sobre a cabeça dele como a lâmina de uma guilhotina. Isso deve te dar uma morte instantânea. Até mais, Marco, o Bosta dos Bastões. Você lutou bem. Tragou mais uma vez do seu charuto, fechou seus olhos e, então, desceu seu pé com todas as forças.

E ouviu o som de algo como vidro sendo quebrado.

Abriu seu olho novamente e moveu-o rapidamente para baixo, e viu que o que havia esmagado com seu pé não havia sido o crânio de Marco, mas sim gelo. Uma pequena estrutura de gelo azul, limpo e puro, que havia aparentemente sido criada a partir do próprio ar acima da cabeça de Marco, servindo como uma proteção para ele. Gelo... gelo mágico, para ser manifestado dessa forma. Havia recebido informações do Olho Vermelho sobre os seus oponentes, e sabia o suficiente para ter a certeza de que só haviam duas pessoas do lado do Salão Cinzento que podiam usar magias de gelo. Uma delas é aquele mago que me acompanhou na Batalha do Salão Cinzento, e pelo que vi dele, ele está longe de ser forte o suficiente para conseguir parar um ataque meu. O que significa que esse só pode ser...

— Sinto interromper, Dokurei, o Rei do Veneno – murmurou o mago de gelo mais forte do mundo, um dos Seis Tecelões do Colégio Branco, conhecido como o “Tecelão Branco”, ou o “Tecelão de Gelo”. Os olhos de Ex Glace estavam fixos sobre ele, frios como a sua magia, enquanto uma aura gélida cercava uma de suas mãos. – Mas eu temo que, a partir de agora, eu sou seu oponente.



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Em andamento)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex VS Dokurei (Em andamento)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Em andamento)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin e Soulcairn VS Hashmaul e zumbis de Gwynevere e Ezequiel (Em andamento)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Em andamento – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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