O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 105
Presa sobre Presa




Segundo Andar do Pandemonium, “Labirinto Eterno”

 

DE OLHOS ARREGALADOS E COM DENTES RANGENTES, Presas cruzou ambos os seus braços a frente de seu corpo na tentativa de se defender de alguma forma do golpe de seu oponente. O resultado foi patético. A pata de Senjur, que havia se transformado em um lobo gigante para enfrentar o lobisomem, o atingiu em cheio com uma força muito maior do que qualquer coisa que ele podia tentar aguentar. Ele ainda até suportou o impacto por alguns instantes em uma tentativa de defesa, mas então os olhos do lobo brilharam e ele foi arremessado longe, jogado contra uma parede com violência o bastante para que seu corpo fosse cravado nela como se fosse um prego. Ele é... assustadoramente forte. Em seu treinamento com Titânia, Bryen havia visto uma força descomunal. Muito além da sua arma, Titânia tinha um corpo rápido, forte e duro, como se os próprios Deuses tivessem a esculpido desde o início para ser uma arma de guerra. No entanto, não sabia se nem mesmo a Caçadora de Corações se comparava a força que Senjur Moondancer estava demonstrando naquele momento. Moondancer... ele é um homem perigoso.

O lobo que era Senjur uivou por um momento, como que em comemoração ao seu ataque bem-sucedido, antes de investir novamente contra Presas agressivamente. Para uma criatura tão grande, ele se movia com uma agilidade incrível, ao ponto de que mesmo alguém como Bryen tinha certa dificuldade em acompanhar seus movimentos. Presas não havia conseguido fazer mais do que sair da cratera quando a pata de Senjur lhe atingiu novamente, jogando-o pelo ar em direção ao outro lado da sala, e imediatamente partindo contra ele novamente. De alguma forma o membro do Olho Vermelho conseguiu se recuperar o suficiente em meio ar para girar e erguer suas garras, como que se preparando para lançar um contra-ataque, mas antes que pudesse fazer isso Senjur o atingiu novamente com outra patada, lançando-o dessa vez ao chão com a velocidade de um dardo, para logo em seguida pisar em cima dele com outra de suas patas, prensando-o contra o chão com força, fazendo com que o lobisomem gritasse e se debatesse em dor.

—  Incrível... – as palavras escaparam com ela mal se dando conta disso, tudo devido a pura admiração que estava tendo da força e velocidade que Senjur exibia. – Eu... como é que ele faz isso? Como ele se movimenta dessa forma com um corpo tão grande? E afinal de contas, como ele está conseguindo atingir esse lobisomem? Pelo que eu tinha visto antes, não pensei que fosse possível causar algum dano nele com ataques convencionais.

— Ele não está usando ataques convencionais – afirmou a voz de Enderthorn. Estava perto do cavaleiro agora, tendo decidido se afastar já que sabia que ficaria mais no caminho do que tudo se insistisse em participar da batalha que decorria diante dos seus olhos. – Você não pode ver isso, mas cada golpe de Senjur está sendo revestido por uma fina camada de Espírito. Foi ele que ensinou Odin a começar a usar esse poder exótico, então é apenas natural que ele tenha maestria dele. Eu suponho que deve ser esse uso do Espírito que está lhe possibilitando acertar Presas. E de qualquer forma... eu não ficaria muito entusiasmada se fosse você.

— Hum? – Fez Bryen, movendo seus olhos da luta para o cavaleiro que chamavam de “Vampiro”. – Por que não? Ele está vencendo, não está?

— Ele está dominando a luta no momento, sim, mas isso significa menos do que você pode imaginar – advertiu Enderthorn, e então ela viu que os olhos dele estavam fixos sobre a luta dos dois, mas ao invés de parecer satisfeito com o que via, ele parecia irritado, frustrado. Isso ficou ainda mais evidente quando ele franziu seu cenho de tal forma que veias se tornaram visíveis em sua testa, rangendo os dentes com força e raiva. – Maldição, Senjur... você vai realmente ser tão mole assim?

Não entendeu o que ele quis dizer com aquilo, mas sabia que ele estava falando da luta, e por isso voltou sua atenção a ela. Tudo continuava da mesma forma de antes; Senjur ainda tinha sua pata sobre Presas e pressionava o lobisomem contra o chão com força, e por mais que o outro tentasse empurrar sua pata ou se esgueirar para fora dali, ele simplesmente falhava miseravelmente em suas tentativas. Quanto mais Presas tentava de soltar, mais Senjur parecia colocar força sobre sua pata para empurrá-lo contra o chão... mas sem nunca parecer realmente causar algum dano a Presas, sem fazer mais do que lhe segurar e lhe causar um pouco de dor. Mas o que ele está fazendo? Ele tem a chance perfeita em suas mãos! Naquela situação, Senjur tinha a chance perfeita de matar o inimigo e dar um fim a tudo aquilo, mas ele não fazia isso! O que você está esperando, Senjur? Faça isso! Mate ele! Basta que você coloque um pouco mais de peso sobre a sua pata, o suficiente para esmaga-lo! Não vá me dizer que você não pode fazer isso! Não vá me dizer qu-

Foi então que entendeu. Em meio aos seus pensamentos frustrados e revoltados, Bryen compreendeu a frase de Enderthorn antes. Ele... ele havia dito que Presas era seu irmão, não é? Aquilo explicava tudo isso. Aquilo fazia com que tudo começasse a fazer sentido, e isso por sua vez fazia com que Bryen sentisse a raiva ferver em suas veias. Não. Não, não, não, não, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO!

MALDIÇÃO, SENJUR! — Esbravejou ela a plenos pulmões, tão frustrada e furiosa que sua voz pareceu ecoar por todas as inúmeras salas do Labirinto Eterno. – NÃO ME VENHA COM ESSA MERDA! IRMÃO SEU OU NÃO, ACABE COM ESSE MISERÁVEL!

Foi como se não houvesse falado nada. Gritou com todas as suas forças, mas Senjur ignorou-a completamente como se não tivesse dito uma palavra. Senjur continuou apenas fazendo pressão com sua pata para impedir que Presas fizesse algo, e Bryen sentiu a admiração que havia sentido por ele ao ver a forma como lutava começar a se transformar em ódio por ele não ser capaz de fazer o que tinha de ser feito. Maldição, qual é o maldito problema dele?! Irmão ou não, Presas era um inimigo e alguém que havia claramente feito coisas terríveis – por mil diabos, ele havia matado uma cavaleira do Salão Cinzento não mais do que alguns instantes antes que Senjur chegasse para enfrenta-lo, e de uma das formas mais brutais possíveis! Os cavaleiros têm todo aquele lema sobre não conhecerem a misericórdia ou coisa do tipo, não é? Como é que um dos Ascendentes se mostra incapaz de seguir uma filosofia tão básica?! Aquilo não fazia sentido, sentido nenhum!

E o pior era que enquanto Senjur desperdiçava tempo e forças tentando segurar o inimigo, Presas tinha a chance de bolar uma estratégia. De onde estava Bryen conseguiu vê-lo se contorcendo em uma tentativa de se libertar, fazendo o seu melhor para ignorar a dor que a pisada lhe causava, e eventualmente, depois de algum esforço, ele conseguiu libertar um de seus braços. Isso pareceu pouco, mas foi mais do que o suficiente para ele. Pouco depois de se verem livres as garras do homem-lobo ganharam um brilho azulado intenso, e antes que qualquer um pudesse sequer se perguntar o que aquilo deveria significar ele as moveu, como se estivesse lançando um golpe contra Senjur.

Porque foi exatamente isso que aconteceu.

Com o movimento das suas garras o brilho na sua mão foi liberado na forma de lâminas de energia que copiavam a forma das garras de Presas e cortavam através do ar, indo direto contra o rosto de Senjur. Àquela distância, nem mesmo o lobo gigante teve alguma chance de desviar desse ataque. As garras de energia cortaram profundamente através de seu rosto, espalhando sangue e fazendo com que o lobo grunhisse e vacilasse um pouco – o suficiente para que Presas pudesse agir. Ele foi rápido em rolar para o lado e se colocar em pé, e com um salto ele avançou contra Senjur, brandindo ambas as suas garras no ar enquanto exibia um sorriso depravado no rosto. Mas dessa vez ele não teve muito sucesso. As garras haviam cortado o rosto de Senjur, mas elas tinham errado os seus olhos, e isso deu ao cavaleiro a chance de reagir. Uma de suas patas se moveu rapidamente, golpeando Presas e o arremessando longe de novo, mas dessa vez o homem-lobo nem pareceu se importar. Ele girou no ar e aterrissou em quatro patas no chão, gargalhando maniacamente enquanto erguia seu olhar.

— Hahaha... hahahahahahaha! – As gargalhadas dele ressoaram pela sala, divertidas como se ele estivesse diante da maior piada do mundo, e Bryen já podia imaginar o que causava isso antes que ele dissesse qualquer coisa. – Senjur, Senjur, SENJUR! Hahaha, sabe, irmão, eu cheguei a ficar preocupado por um momento quando você se juntou a luta! Você sempre foi bem forte, e considerando que você agora é um dos Ascendentes do Salão Cinzento, acho que você deve estar ainda mais forte. Seria bem, mas bem problemático mesmo se eu tivesse de te enfrentar de verdade! Mas, felizmente, isso não vai acontecer, não é mesmo? Afinal, por mais que você tenha se tornado forte e aprimorado as suas habilidades, você não representa perigo nenhum para mim se você não tem o necessário para me matar!

A resposta de Senjur a isso foi avançar novamente contra Presas, abrindo sua boca e mostrando seus dentes como se fosse tentar devorar seu oponente de uma vez. Por um momento Bryen até chegou a pensar que ele poderia realmente ter se conscientizado do que tinha de fazer graças as palavras do outro e iria dar o golpe final no seu oponente, mas não foi o que aconteceu. Presas não teve medo nenhum, ficando parado onde estava de braços abertos enquanto esperava o avanço de seu irmão, e quando se aproximou o suficiente para lançar um golpe, Senjur desapontou novamente ao golpear seu irmão com uma de suas patas ao invés de o abocanhar. A força do golpe lançou Presas pelos ares, mas isso só serviu para fazer com que as gargalhadas do homem-lobo ecoassem ainda mais enquanto ele era jogado longe, zombando abertamente de seu irmão.

— Bhahahaha! É isso?! Isso é tudo?! Patético, irmão! Simplesmente patético! – Mais uma vez ele girou em meio ar, cravando as garras de uma de suas mãos no chão para perder o momento e parar a si mesmo. Sangue escorria de seus lábios depois desse último golpe, mas ele não poderia se importar menos com isso. Pelo sorriso que ele trazia no rosto, Presas parecia tratar aquilo com a mesma preocupação que alguém daria a uma picada de mosquito. – Você tem tanta hesitação que seus ataques parecem ficar cada vez mais fracos, irmão! Acha mesmo que você vai conseguir fazer alguma coisa contra mim com coisas ridículas como essas?! Há, não me subestime! Eu posso ser o irmão de um fracote mole como você, mas eu sou forte e não tenho medo de usar a minha força para matar os meus oponentes! A sua amiguinha cavaleira provavelmente poderia confirmar isso, se ela ainda estivesse viva!

A provocação fez com que Senjur avançasse novamente, com uma velocidade que parecia ainda mais do que antes. Nem conseguiu ver o movimento dele dessa vez – quando se deu conta ele simplesmente já estava bem diante de Presas, descendo uma de suas patas com toda a força contra o outro. Mas apesar de toda a velocidade do ataque, ele não conseguiu acertar seu golpe. Pela primeira vez naquela luta o seu golpe errou, pois enquanto sua pata quebrava o chão e deixava uma cratera no lugar, Presas estava em meio ar, acima da sua cabeça, com ambas as suas garras brilhando e um sorriso maldoso no rosto.

Senjur sentiu sua presença e moveu seu rosto na sua direção, mas tudo que isso conseguiu foi lhe dar a chance perfeita de lhe atingir aonde queria. Suas garras moveram-se rapidamente pelo ar e tal como antes o brilho delas foi liberado na forma de garras de energia que acertaram Senjur em cheio no meio do rosto, bem em cima dos seus ferimentos anteriores. O lobo gigante rugiu em dor, balançando sua cabeça de um lado para o outro em movimentos incontroláveis, e Presas se aproveitou desses movimento para cair sobre ele, agarrando-se no pelo de seu irmão com uma mão enquanto com a outra cravou suas garras no pescoço dele sem piedade. Se antes disso Senjur já estava se balançando em dor, aquilo fez com que ele começasse a se debater selvagemente, como um cavalo descontrolado. Ele sacudiu todo o seu corpo violentamente na tentativa de se livrar de seu oponente, mas Presas só fez gargalhar enquanto continuava a segurar nos pelos do lobo, aproveitando-se dos próprios movimentos dele para puxar suas garras com ainda mais força, abrindo uma ferida sempre-crescente em seu irmão que fez com que os pelos dele fossem lentamente sendo tingidos de vermelho. Maldição, Senjur, está vendo o que você está fazendo?! Bryen compreendia bem o porquê daquilo, e era exatamente isso que fazia com que ela se sentisse tão frustrada. Cada minuto pelo qual essa luta se estende é um minuto a mais que Presas tem para pensar numa forma de te derrotar, e como se isso não bastasse ele está também te provocando constantemente, o que faz com que você fique com mais e mais raiva, o que consequentemente faz com que você pense menos no que você está fazendo, o que faz com que as suas ações sejam mais previsíveis e inconsequentes. Aquele último golpe de Senjur, por exemplo, era algo que deveria ter atingido Presas, mas o lobisomem já havia previsto um ataque como aquele desde que havia feito a sua provocação, o que fez com que ele já estivesse preparado para isso e por tal conseguisse reagir apropriadamente. Além do mais, como se só isso não bastasse, ele também tem conhecimento do fato de que você está propositalmente evitando mata-lo, o que faz com que ele não tenha medo dos seus golpes, o que em contrapartida faz com que ele se sinta confiante o suficiente para realizar manobras mais arriscadas e perigosas. Ele nunca teria ousado saltar acima de você e se colocar em uma posição tão vulnerável quanto aquela se temesse a possibilidade de que você o abocanhasse de uma vez, mas ele sabia que você não faria isso, e esse conhecimento fez com que ele fosse ousado. Agora, graças a isso, estavam entrando em uma situação cada vez mais complicada, com Senjur ficando cada vez mais ferido enquanto Presas lentamente começava a ganhar o controle da luta.

— Bryen, nós não podemos ficar parados aqui. – A voz de Enderthorn tirou a sua atenção do que estava se desenrolando na luta e fez com que os olhos da espadachim ruiva fossem direto para ele. Não haviam encontrado um médico ou um mago que conhecesse magias de cura, e por isso ele ainda trazia os ferimentos que Octo Gall havia lhe causado, e embora ele tentasse parecer durão apesar disso era mais do que óbvio para ela que ele estava em péssimo estado. Mas isso não faz com que ele pare de ser destemido, contemplou ela, olhando o olhar fulminante que ele lançava aos dois lobos. – Nesse ritmo, Senjur vai ser derrotado e nós vamos todos morrer. Temos que fazer alguma coisa quanto a isso.

— Você acha que eu não sei isso? – Retrucou ela, ríspida, tendo que se esforçar para manter sua voz baixa o suficiente para não chamar a atenção dos lobos. – Eu sei que deveríamos fazer alguma coisa, mas o que você sugere? Você está ferido demais para se juntar a batalha, e mesmo que eu me juntasse, eu seria completamente inútil! Eu não consigo ferir nosso inimigo, se você não se lembra!

— Errado, você consegue sim. Ou se esqueceu que você o atingiu quando começou a enfrenta-lo? – As palavras fizeram com que ela ficasse confusa por um breve instante, antes que sua mente começasse a trabalhar e raciocinasse sobre o que ele dizia. Isso... isso é verdade! No início de tudo, quando havia impedido Presas de fazer mal a Valery, ela havia o chutado com força por trás, e seu golpe havia lhe atingido em cheio naquele momento. Mas ao mesmo tempo, todos os meus ataques depois disso falharam em fazer qualquer coisa. Eles simplesmente passavam direto por ele. Não havia colocado nenhum tipo de poder diferenciado sobre seus ataques, nem tampouco havia contado com qualquer interferência externa, mas se era assim, então por que alguns o acertavam enquanto outros eram inofensivos? Isso não faz sentido... — Hm. Pela expressão no seu rosto, parece que agora você entendeu aonde quero chegar. Compreende agora?

— O que eu “compreendo” é que nada aqui está fazendo sentido mais – respondeu ela, franzindo o cenho enquanto tentava pensar no que exatamente havia acontecido antes. – Não faz sentido, não importa como eu pense nisso. Se o meu primeiro ataque lhe atingiu, e eu sei que ele atingiu, então todos os meus outros ataques deveriam fazer o mesmo. Eles não foram diferentes uns dos outros, então não consigo pensar em porquê alguns acertariam e outros passariam direto.

— Você está pensando de forma bem simplista, Bryen. Pense bem: você acha que os seus ataques foram todos iguais? Ataques de poder igual, habilidades iguais, executados em condições iguais? — Pela forma como ele falava, ele já tinha a resposta para isso na ponta da língua, e era exatamente esse o caso. Não teve nem tempo para tentar pensar nisso antes que ele já lhe desse essa resposta. – Quando você desferiu o seu primeiro golpe, Bryen, ele foi um ataque surpresa. Presas não tinha a menor ideia da sua presença naquele momento. Em contrapartida, quando você desferiu os outros golpes você o atacou diretamente pela frente, e todos eles falharam em lhe atingir. Acha mesmo que uma coisa não tem relação com a outra?

Da forma como ele colocou as coisas, ficou fácil até mesmo para alguém que não tinha a menor noção do ponto que ele queria fazer, como Bryen, entender aonde ele queria chegar.

— Você está dizendo que... essa habilidade dele de se tornar intocável só funciona para os golpes que ele consegue ver vindo? Que ele tem que ativar ela conscientemente de alguma forma para que ela possa funcionar? – Falou aquilo com uma sobrancelha erguida, mas já começava a ver a lógica por trás daquele raciocínio, e essa não era uma lógica da qual discordava. – Isso... faz sentido. Faz muito sentido, na verdade. Isso significa que devo tentar lhe atingir com ataques surpresa? Provavelmente posso tentar um deles agora, se esse for o caso. Ele parece bem distraído com Senjur...

— Não. Não faça isso, ao menos não ainda – pediu Enderthorn, balançando freneticamente sua cabeça negativamente... ou ao menos, balançando sua cabeça tão freneticamente quanto alguém tão ferido como ele poderia. – Eu acredito que esse é o caso, sim, mas você não pode simplesmente ir lá e tentar acertá-lo agora. Pense só; mesmo considerando que estejamos corretos, o fato é que você teria apenas uma chance nisso. Ele não deve ter pensado muito de você ter atingido aquele golpe nele antes porquê você não parecia ter muita ideia das habilidades dele, mas ele certamente vai se conscientizar de que temos ao menos um bom chute de como elas funcionam se você falhar em lhe matar com um golpe por trás. E se ele descobrir isso, ele vai começar a ficar prestando atenção em você, e isso vai por um fim a essa sua fraqueza. Entende o que quero dizer? Nós temos uma chance aqui, uma que não podemos nos dar ao luxo de perder, então temos que nos certificar de que estejamos aproveitando ela ao máximo. E a única forma de fazermos isso é tendo um plano de ataque.

— Um plano de ataque? – Repetiu Bryen. Verdade seja dita, considerando o que ela estava vendo e o quão vicioso era aquele lobisomem, a vontade dela era de fazer nada mais do que avançar contra ele e atravessar suas costas com sua espada de uma vez, mas Enderthorn já havia lhe dado uma boa informação ali, e por isso estava se contendo para ouvir exatamente o que ele tinha a dizer. – Eu francamente não consigo pensar em plano algum além de “atacar por trás e cortar a cabeça desse desgraçado com um só golpe”. Se você tiver alguma ideia, Enderthorn, eu sou todo ouvidos.

— Eu... eu tenho uma ideia – murmurou ele, erguendo seu rosto para olhar dentro dos olhos de Bryen. Suas feridas faziam com que até mesmo um movimento como aquele fosse visivelmente doloroso para ele, e olhando nos olhos de Enderthorn Bryen podia ver que eles estavam vagos e cansados, como se seu corpo estivesse prestes a desabar e ele estivesse lutando para se manter consciente. – Eu... não sei o quanto você vai gostar dela, no entanto. Ela envolve você correndo. E você me dando o seu sangue, também.



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Em andamento)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Em andamento)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Em andamento)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin e Soulcairn VS Hashmaul e zumbis de Gwynevere e Ezequiel (Em andamento)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Em andamento – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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