O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 10
O Mercado de Escravos


Notas iniciais do capítulo

Yo! Um pouco mais tarde do que o normal, mas aqui está o capítulo de hoje, hehe! Espero que vocês gostem!

... E por sinal, só pra deixar claro, não é minha intenção ofender os espanhóis. Ou mexicanos. Argentinos. Paraguaios. Você sabe! Essas pessoas em geral! Mas, é, eu não quero ofender nenhum de vocês.

Gomenasai, senpai.



– Você tem alguma ideia, não é? – perguntou ceticamente Bryen, olhando Kastor de soslaio enquanto o grupo movia-se em direção ao mercado de escravos. – Lembre-se; um dos nossos objetivos aqui é conservamos um estado de incógnita. Em outras palavras, não devemos chamar atenção... o que significa que você vai ter de agir com cautela aqui Kastor, e parte dessa cautela que você deve tomar inclui que você tenha um plano em mente.

– Hahaha, eu sei, relaxa, relaxa! – disse por sua vez o Cavaleiro Azul, dando palmadinhas amigáveis nas costas da espadachim. – Relaxa, vai se sair tudo bem! Eu tenho um plano!

Você tem um plano? – repetiu Kyanna, surpresa, um momento antes que um sorriso felino surgisse em seu rosto e aquela maga cobrisse os lábios com a mão. – Ah, isso eu tenho de ver.

– Um plano de Kastor? Que... interessante. – Anabeth também sorria, de olhos fechados, apesar que de uma forma um pouco mais introvertida do que Kyanna. Enquanto a maga parecia capaz de rir em voz alta ali, a arqueira apenas mantinha um fino sorriso elegante em seu rosto. – Francamente, não sei se um plano de Kastor é algo necessariamente confiável, mas isso certamente vai ser algo bem divertido. Estou ansiosa por ele.

– Não o incentivem, vocês duas. – murmurou Bryen, rangendo os dentes. Lançou um olhar ao cavaleiro azul, apenas para ser respondida por um sorriso alegre dele e um sinal de positivo com o dedo, como se ele estivesse dizendo “confie em mim”. Suspirou. – Muito bem, muito bem. Eu desisto. Obviamente, não tenho o menor apoio aqui. Apenas espero que você realmente tenha um plano, Kastor. Pelo bem de todos nós.

O jovem cavaleiro acenou com a cabeça com convicção em resposta a isso, avançando em direção ao mercado com ainda mais determinação e velocidade depois daquilo. Eu sei que eu deveria confiar um pouco mais nele, mas isso é bem difícil. Kastor era o líder deles, e no tempo que havia passado com ele e os outros, havia aprendido um pouco sobre ele. Aprendeu que, apesar do que as aparências sugeriam, Kastor era um homem mais esperto do que parecia, e aprendeu que ele era tremendamente esforçado em tudo que fazia. Aprendeu que Kastor tinha uma grande afeição por cada um dos membros da pequena guilda deles e aprendeu, também, que o cavaleiro azul tinha um grande talento para surpreender as pessoas. Mas ainda assim, a situação é preocupante. Da mesma forma que havia aprendido coisas positivas sobre Kastor, havia também aprendido certas coisas negativas sobre ele, e uma delas era o fato de que ele era mais impulsivo do que era saudável. Por toda a inteligência e esperteza que Kastor tem, ele é alguém que parece um completo idiota durante metade do tempo, e isso é muitas vezes causado devido a sua mania de agir sem pensar. Mais que isso, graças a grande velocidade que ele tinha e as habilidades de regeneração que ele possuía, aquele homem era bem confiante e inconsequente em tudo que fazia, o que não era algo muito bom pra eles. Deixando de lado todos os tipos de problemas que isso pode nos causar, temos de levar em consideração aqui que nem mesmo essas habilidades de cura podem ser o suficiente para salvar Kastor aqui. Estamos lutando contra o Olho Vermelho, afinal de contas. Não conheço os membros dessa guilda muito bem, mas se eles tem um nível parecido com o de Dwyn, então não devemos subestimá-los.

O grupo parou quando chegou a frente do prédio. Apesar de Fredora ser um reino aonde o escravismo era completamente legal, mercados escravos não funcionavam a céu aberto. Ou ao menos não os mercados decentes. Grandes negociantes de escravos mantinham suas atividades de forma mais discreta, protegida e isolada, no meio de grandes construções. Era em frente a uma delas que eles estavam agora. Um grande prédio de quatro andares era aquele, feito de puro concreto, pintado com as cores do mar. Era um prédio sólido e luxuoso, com pilares brancos em sua entrada, um par de portas de carvalho maciças com cerca de três metros de altura cada uma... e um brutamontes de guarda na frente delas, encarando todo mundo que passava a frente dele. Vai ser impossível entrarmos pela frente com ele aí. Eu e Kastor talvez seriamos rápidos o suficiente para passar sem que ele conseguisse ver, mas não conseguiríamos fazer isso enquanto carregamos Anabeth e Kyanna conosco, e mesmo deixando a questão dessas duas de lado, simplesmente não conseguiríamos abrir portas tão grandes e pesadas como essas sem sermos notados. Talvez o ideal ali fosse que ele tentassem entrar por algum outro ponto, mas corriam tanto o risco de serem vistos fazendo isso quanto o risco de que o inimigo notasse que havia algo de errado quando um grupo subitamente começasse a andar ao redor da sua base. O que fazer...

Para a sua surpresa, Kastor avançou direto contra o brutamontes? O que é que ele está fazendo? Será que ele iria executar seu plano agora? Pelo amor de Deus, Kastor, não me diga que o seu plano é simplesmente bater nesse cara e entrar na marra! Eu juro por tudo que é mais sagrado, eu arranco sua cabeça se você fizer isso! Seu medo provou-se infundado, no entanto. Kastor não fez o que ela esperava.

Ele fez algo muito pior.

– ¡Hola! – saldou ele, erguendo uma das mãos em uma comprimento amistoso para o brutamontes. Bryen, Kyanna, Anabeth e o próprio brutamontes… nenhum deles conseguiu impedir que seu queixo caísse ao ouvir aquilo, nem tentaram impedir que seus olhos fossem para Kastor, fitando-o com um olhar que gritava “que porra é essa?!”. – Mi nombre es Gran Maestro divino, Kastor! Estoy aquí para evaluar los productos de su buena propiedad! Por favor, abra el camino para mí y las bellezas hermosas que acompañan me puedo pasar!

Um momento de silêncio reinou por ali. Pelo que pareceu ser uma eternidade, o mundo ficou em silêncio, imóvel, parado no tempo. Ninguém conseguiu fazer nada além de fitar Kastor, fitar o Cavaleiro Azul de forma incrédula, tudo isso enquanto o líder da Era Dourada apenas permanecia ali parado, um sorriso estúpido em seu rosto enquanto ele acenava levemente para o brutamontes a sua frente como se os dois fossem velhos amigos. Ficaram assim por um longo período de tempo.

E então uma veia saltitante de pura irritação surgiu na testa de Bryen. Hozar vai ter de assumir a liderança da guilda, pensou ela, decidida. Antes do fim dessa missão, eu vou arrancar o couro desse maldito retardado que temos como líder.

– Você... – o brutamontes começou a falar, mas não foi em frente com seu discurso. O pobre homem nunca havia sido contratado para discutir em primeiro lugar, sendo pouco mais do que uma montanha de músculos contratada para impedir que pessoas indesejadas adentrassem daquele local. Provavelmente, toda a massa muscular dele dificultava o trajeto do sangue para seu cérebro, fazendo assim com que ele tivesse um raciocínio naturalmente mais lento do que o normal. Isso, somado à forma como Kastor havia falado e a simples absurdidade de tudo aquilo, deixavam ele em um grande impasse. Por fim, ele só conseguiu murmurar uma palavra. – ... o quê?

Infelizmente, Kastor parecia mais do que disposto a repetir tudo aquilo se fosse necessário, e por um momento pareceu realmente que ele iria o fazer. Acabou caindo sobre Bryen a tarefa de detê-lo, e pra fazer isso a mulher pisou com força em seu pé direito. As palavras demoníacas do cavaleiro foram rapidamente substituídas por um grito de dor, algo que – por mais que Bryen fosse negar caso um dia lhe perguntassem – deu um enorme prazer para a ruiva naquele momento. Kastor retirou-se dali pulando em um pé, praguejando em voz alta enquanto tentava de alguma soprar seu pé direito para melhorar a situação dele. Enquanto ele estava ocupado com aquilo, Bryen avançou e tomou seu lugar, falando com o brutamontes.

– Queremos entrar – disse ela, brusca e diretamente. Não gostava de rodeios, não apreciava a arte de dançar ao redor de um certo ponto. Se ela queria algo, ela dizia o que queria, e pronto. Não desperdiçava tempo inutilmente.

O brutamontes estava confuso graças a tudo que havia acontecido com Kastor, mas as palavras de Bryen pareceram ser o suficiente para devolver-lhe algum senso do que estava acontecendo ali, por menor que fosse esse. O suficiente para lhe responder.

– Vocês não podem entrar – foi a resposta dele. – Não são convidados. Não estão na lista.

Aquilo não foi algo que surpreendeu ela. Nunca pensei que seria tão fácil assim, de qualquer forma. Cruzou os braços e fitou aquele brutamontes com olhos duros; todos os anabolizantes que ele devia ter tomado em sua vida provavelmente deixaram seu cérebro do tamanho de um amendoim, mas talvez ele ainda tivesse bom senso o suficiente para saber que Bryen era alguém que ele realmente não deveria irritar.

– É óbvio que não estamos na lista – raspou ela, deixando um fiapo de irritação ficar perceptível em sua voz, apesar de não estar realmente irritada... ainda. – Se estivéssemos nela, teríamos simplesmente passado direto, não desperdiçaríamos nosso tempo falando com alguém como você. Isso não muda o fato de que queremos entrar, assim como não muda o fato de que você vai nos deixar entrar.

– Vocês não podem entrar – repetiu o brutamontes, balançando a cabeça negativamente. – Não está na lista, não entra. Ordens bem claras.

– Certamente há outras maneiras de entrarmos, certo? – perguntou Kyanna, ao lado de Bryen, sorrindo como se já tivesse compreendido tudo ali. – Afinal, duvido que as únicas pessoas aí sejam pessoas que foram pessoalmente convidadas. Uma moeda de prata, uma moeda de ouro... será que essas ajudariam você a conseguir nos colocar pra dentro?

Suborno?, pensou Bryen. Hum. Pode funcionar. Não era o que Bryen tinha em mente, mas supunha que seria melhor que elas conseguissem fazer aquilo usando algumas moedas do quê que ela tivesse de intimidar o brutamontes até que ele abrisse passagem para elas. Me parece um tanto mais... discreto.

Mas, parecendo disposto a realmente atrapalhar os planos do grupo, o brutamontes apenas fez continuar a balançar negativamente sua cabeça, mesmo diante de tal oferta.

– Prata e ouro não compram cabeça nova – disse ele, fazendo com que por um momento Bryen ficasse confusa entre tentar distinguir se ele balançava a sua para reforçar a ideia de não ou para demonstrar seu ponto. Desistiu disso no momento em que se deu conta de que tal simplesmente não importava. – Pessoas não convidadas não passam. Ponto final.

Rangeu os dentes ao ouvir aquilo. Esse cara está começando a me irritar de verdade, agora. Aquilo não devia ser tão complicado quanto estava se provando; eles sequer haviam conseguido entrar no maldito mercado de escravos! Esse brutamontes não é realmente um obstáculo para nós. Se eu quisesse, poderia cortar a cabeça dele num piscar de olhos. Mas essa não é a questão. Qualquer um dos quatro poderia pôr um fim rapidamente ao brutamontes, mas isso iria chamar atenção demais, e chamando tanta atenção assim, eles estariam dando ao inimigo a chance de ocultar deles as informações que estavam buscando. Não podemos nos dar ao luxo de chamar a atenção deles, mas esse cara também não quer nos deixar entrar. Tentar achar uma entrada alternativa é algo no mínimo complicado e com uma incerteza de sucesso, e além de tudo, temos que levar em consideração o tempo limite. Se demorarmos muito aqui, teremos de ser obrigados a nos reagrupar com os outros, com ou sem informações. Não importava por qual ângulo ela tentasse ver tudo aquilo, a situação não deixava de ser complicada.

– Ah, vamos lá, não seja chato – reclamou uma voz que Bryen conhecia bem. Olhando para o lado, viu que Kastor Strauss voltava a se aproximar de todos, aparentemente recuperado da pisada que ela deu em seu pé. O cavaleiro trazia um bom e já conhecido sorriso divertido e confiante no rosto enquanto caminhava em direção a eles, apenas para mudar subitamente todas as suas feições para algo que parecia gritar “você me paga!” quando fitou Bryen, e imediatamente mudar de volta ao normal quando passou seu foco aos outros. – Um mercado de escravos não funciona apenas na base de convidados. Se fosse assim, os negócios seriam extremamente ruins, já que apenas uma parcela seleta da nobreza teria acesso a ele em primeiro lugar, e nem é garantido que todos os convidados participem das vendas. Se vocês querem se sustentar, vocês precisam vender seus escravos sempre que possível, para todos que puderem. Sua função aqui, provavelmente, não se trata de algo tão simples quanto “impedir que as pessoas entrem”. Ao invés disso, sua função me parece mais ser algo como “impedir que pessoas indesejadas entrem”. Pobres, ladrões, arruaceiros... essas são as pessoas que você quer manter do lado de fora aqui, as pessoas que causam problemas nos mercados ao ar livre. Nós não fazemos parte desse grupo, meu amigo. Nos deixe entrar. Ou, ao menos, se você ainda assim não quer nos deixar entrar, me diga o que posso fazer para lhe convencer a mudar de ideia.

Ficou honestamente surpresa e impressionada com aquilo. Meus olhos mentem para mim? Kastor está agindo com bom-senso aqui? Em geral era difícil acreditar em algo assim, mas Strauss realmente havia chamado sua atenção com suas últimas palavras. Lentamente, sentiu um sorriso tocar seus lábios. Heh. Interessante. Se Kastor agisse dessa forma por mais vezes ela se sentiria muito mais confiante nas habilidades dele.

Por longos momentos o brutamontes pareceu confuso. De cabeça erguida ele começou a coçar o queixo, refletindo nas palavras de Kastor, nos argumentos que o cavaleiro azul havia apresentado. Considerou-os por um bom tempo em silêncio... até que finalmente pareceu tomar uma decisão, e no momento em que isso ocorreu, um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.

– Bem, talvez eu possa deixa-lo entrar – disse ele, curvando-se ligeiramente para frente. Kastor não era um homem pequeno, beirando os um e oitenta de altura, mas o brutamontes tinha quase dois metros, e por isso ele tinha de se inclinar para poder falar com o cavaleiro azul no mesmo nível. Não foi isso que ele fez, entretanto; apenas se inclinou de forma complacente e arrogante, pairando acima de Kastor e fitando o azul de cima como se fosse superior a ele. – Caso você realmente queira entrar tanto assim, eu posso arranjar isso... mas creio que você terá de fazer algo pra mim antes.

– Diga o que é – retrucou Kastor, sorridente como sempre. – Se estiver ao meu alcance e não ofender minha masculinidade, farei isso.

O brutamontes não deu uma resposta imediata para isso. Ao invés disso o que ele fez foi virar seu rosto, deixando seus olhos caírem sobre Bryen e as outras ali, e em seguida lambeu seus lábios de forma asquerosa. Aquilo foi mais do que o suficiente para que Bryen soubesse o que ele iria dizer antes que qualquer palavra fosse dita.

– Você tem lindas mulheres lhe acompanhando – disse ele, sem nem olhar para Kastor. – Dê-las para mim. Deixe que elas me façam... companhia... e aí eu deixarei que você entre.

A resposta de Kastor foi imediata.

Sua mão direita fechou ao redor da gola da camisa do homem, puxando-o com força, forçando-o a ficar no mesmo nível que o cavaleiro. Ele tentou reagir a isso, tentou grunhir qualquer coisa em protesto, mas antes que ele tivesse tempo para que uma única palavra saísse de seus lábios, sua voz congelou na garganta quando sentiu o frio beijo do aço da espada de Kastor em seu pescoço.

– Um pio e faço sua garganta em pedaços – advertiu Kastor, sua voz mais fria do que o inverno, e o homem não quis desafiá-lo.

Bryen teve uma sensação estranha naquele momento. Uma sensação muito, muito estranho. Seus olhos caíram sobre Kastor, temerosos e fascinados, focados apenas nele e na aura que exalava dele. O sorriso, a alegria e a juventude haviam desparecido por completo do rosto de Strauss sem deixar rastros; os traços dele haviam assumido uma entonação muito mais grave, rígida e séria, algo que era o suficiente para fazê-lo parecer dez anos mais velho. Uma fina camada de energia parecia flutuar ao redor dele, algo que a maioria das pessoas jamais conseguiria compreender, mesmo que percebessem aquilo. Bryen, por sua vez, sendo alguém experiente, conseguia nota-la, e por tal ela conseguia saber que aquela sensação terrível e assustadora, como se você estivesse diante de um monstro ou de um demônio, provinha do próprio Kastor. Ele... como ele mudou tanto assim.

Sentia que não teria a resposta disso.

– Essas mulheres que estão comigo são minhas companheiras. Elas são muito importantes para mim. – as palavras vieram com um tom tão sério e impiedoso que era difícil acreditar que era Kastor que lhes dizia, o mesmo Kastor que em geral era um bobão alegre e amigável. – Encoste um dedo nelas, em qualquer uma delas, e eu irei arrancar seu pau e força-lo pela sua garganta abaixo. Estamos entendidos?

Era óbvio que aquela era uma pergunta para a qual Kastor queria resposta, mas apesar disso, o brutamontes estava simplesmente assustado demais para falar depois das ameaças do cavaleiro para dar voz as suas palavras, e por isso a única coisa que ele fez foi acenar positivamente com sua cabeça da forma limitava que podia enquanto tinha uma espada encostada em sua garganta. Isso pareceu ser o suficiente para Kastor, no entanto, considerando que o cavaleiro soltou o homem e jogou-o para trás depois daquilo, como se estivesse enojado em ficar perto dele. E foi quando Kastor fez isso que Bryen compreendeu algo; apesar de tudo que havia transcorrido ali, ninguém parecia ter lhes notado. As pessoas passavam ao redor deles na rua, mas nenhuma delas prestava uma atenção maior para eles, como seria de se esperar depois de algo como aquilo. Era como se elas simplesmente não tivessem visto o que aconteceu ali. E de alguma forma, Bryen sentia que era exatamente isso que havia acontecido ali. Será que, no momento em que Kastor liberou aquela energia de seu corpo, ele separou as coisas? Alterou a percepção das pessoas normais, alterou nossa própria percepção? Ou talvez, por um momento, tenhamos ficado em algum tipo de dimensão paralela. Ele já mostrou que consegue manipular o espaço interdimensional antes. É assim que ele armazena suas armas, afinal.

– Bom – murmurou Kastor, sua voz nem um pouco mais calorosa enquanto ele continuava a encarar o brutamontes. – Se isso está realmente entendido, então abra a porta pra nós. Depressa. Não quero passar um momento perto da sua companhia asquerosa a mais do que o estritamente necessário.

Dessa vez o brutamontes não quis discutir. Foi bem rápido em obedecer os comandos de Kastor, virando-se e curvando de forma servil para executar sua tarefa enquanto o cavaleiro voltava a guardar sua espada em uma de suas dimensões paralelas. Quando a porta finalmente se abriu e o brutamontes se postou ao lado dela, gesticulando para que Kastor entrasse de forma nervosa, o cavaleiro voltou-se para Bryen e as outras com seu mesmo sorriso de sempre, a mesma expressão alegre que ele sempre trazia. Esse é realmente o mesmo Kastor que acabou de ameaçar esse homem agora? Estava surpresa e intrigada por aquilo, de várias formas. A maneira como Kastor agiu agora pouco... ela certamente é uma forma bem diferente da qual ele normalmente age. Será que isso foi simplesmente uma alteração da sua personalidade normal causada momentaneamente pela raiva e pelo estresse? Ou... será que toda essa postura idiota, alegre e despreocupada que ele geralmente mantém é algum tipo de máscara que esconde o verdadeiro Kastor, o que acabei de ver agora há pouco? Não sabia qual das alternativas era a certa, ou nem mesmo se uma delas era correta, mas isso não deixava de ser curioso. Seu líder havia conquistado um pouco mais do seu interesse com aquilo.

O interior do mercado de escravos era tão luxuoso quanto aquele lugar parecia por fora, mas mesmo ali já era possível ver a podridão daquele lugar. É bom que tenhamos Kastor aqui conosco, pensou Bryen, olhando ao redor. Isso já é absurdamente desconfortável com ele aqui. Sem ele aqui, tenho certeza de que os olhares cairiam sobre nós, e isso faria desse lugar completamente insuportável.

Os corredores estavam cheios de pessoas; porcos gordos e ricos. Comerciantes ricos, senhores de grandes terras, governadores e barões menores. Todos eles se reuniam naquele local para comprar mais escravos, mais pessoas para poderem explorar e ficar mais ricos a partir delas, e então repetir o ciclo de novo e de novo. Essas pessoas estavam ali também, sendo puxadas pelos seus donos como se fossem animais por correntes ligadas a colares de ferro em seu pescoço. Elas não tem um pingo de dignidade. Como alguém pode fazer isso com outro ser humano? Como alguém pode retirar o orgulho e a estima de uma pessoa assim? Os homens variavam entre estar vestidos apenas com trapos ou de alguma forma que lembrasse algo decente, mas isso não mudava o fato de que a maioria deles estava em um estado simplesmente esquelético, tão magros que era possível se contar facilmente os ossos de seus torsos, e naqueles que estavam sem camisa Bryen ainda conseguia ver ferimento, marcas de chibatadas e coisas que ela preferia nem imaginar que eles haviam recebido de seus donos. Os únicos que era alguma exceção para isso eram os maiores e mais fortes, designados claramente a trabalhadores pesados ou guarda-costas, mas mesmo esses eram tão submissos e dóceis, com olhos tão vazios e mortos, que Bryen simplesmente não conseguia deixar de compará-los a leões que tiveram as jubas cortadas e os dentes arrancados.

Mas ainda assim, aqueles homens conseguiam estar em estado melhor do que as mulheres. Elas não eram mal cuidadas, pelo contrário; todas elas eram belas, com corpos definidos e exercitados a um ponto atraente embora nada exagerado, todas elas grandes beldades... e beldades que eram exibidas. Usavam poucas roupas, deixando pedaços de suas pernas, braços e barriga a mostra, e mesmo as roupas que tinham eram peças leves e finas; as de seus bustos, por exemplo, chegavam quase a serem transparentes, tão finas que era possível se ver as tarjas negras com “CENSURADO” escrito nelas nos seios daquelas mulheres. Seus olhos, tal como os dos homens, eram vazios, sem sinal de vida ou energia, mas ao contrário dos homens que pareciam ao menos estarem indiferentes com aquilo – ou tão próximos de “indiferentes” quanto um escravo podia ser – mas os olhos daquelas mulheres, por sua vez, mostravam algo que Bryen só podia descrever como completa infelicidade e tristeza, quase como se elas estivessem usando seus olhos para implorar que alguém as matassem. Os homens parecem leões sem jubas e dentes. As mulheres parecem ovelhas, vacas e éguas; gado, animais que existem apenas para a procriação e nada mais. Aquilo era enojante e perturbador... embora Bryen honestamente não sabia dizer se o mais perturbador ali era o fato de que algo assim acontecia na frente de todos sem que ninguém fizesse nada, ou o fato de que isso poderia facilmente acontecer com ela qualquer mulher de Fredora se ela enfrentasse um dia uma maré de azar um pouco mais severa.

De certa forma, no entanto, sentia-se grata por aquelas mulheres, ou pelo menos pelo fato delas estarem ali. Sendo tão bela e estando tão expostas, eram elas que atraiam a maior parte dos olhares dos porcos que zanzavam por ali... o que, infelizmente, não significava que elas atraiam todos os olhares. Muitos ainda olhavam para Bryen – alguns de formas furtivas, outros de forma aberta e desvergonhada – e isso incomodava mais a ruiva do que ela queria demonstrar. Maldição... maldição! Era bom que todos tivessem confiado suas armas à uma das dimensões paralelas de Kastor para obterem acesso ao mercado sem chamar atenção; se tivesse sua espada ao seu alcance ali, provavelmente estaria fazendo aqueles porcos em pedaços naquele instante, e isso seria o fim de sua missão. Mas ao mesmo tempo, justamente por não estar armada ela sentia-se mais vulnerável que de costume, e isso fazia com que aqueles olhassem fossem ainda piores. Porcos! Bando de porcos de duas pernas, suínos nojentos e asquerosos! Por que eles são ricos? Por que lixo como eles tem tanto luxo, tanta riqueza, enquanto pessoas muito melhores que eles rastejam pela lama? Que tipo de nação é Fredora, se ela não somente permite que algo assim aconteça como também o incentiva diretamente para tirar luxo disso? Maldição, isso é enojante, revoltante!

Olhou rapidamente ao redor, e pelo que viu, Anabeth e Kyanna pareciam tão incomodadas por tudo aquilo quanto ela. Maldição, não podemos ficar assim. Ela não podia fazer muito ali sem sua arma, mas tanto Kyanna quanto Anabeth eram pessoas com poder mágico latente em seus corpos; se elas ficassem descontroladas o suficiente, elas podiam muito bem fazer algo que não deviam ali. Tenho de tirar o nosso foco disso. Tenho de ocupar nossa mente com alguma outra coisa! Foi por isso – para distraírem suas mentes de todo aquele cenário deprimente – que ela começou a falar com seu líder.

– Ei, Kastor! – chamou ela, tomando o cuidado de manter sua voz baixa o suficiente para que os vários porcos ao seu redor não pudessem lhe ouvir, mas alto o bastante para chamar a atenção do cavaleiro. - O que raios foi aquilo ali atrás?

Por um momento Kastor voltou-se para ela com confusão em seu olhar, como se ele estivesse tentando entender o que ela queria dizer, até subitamente seus olhos brilharem e o sorriso confiante dele voltar a surgir em seu rosto.

– Ah, você se refere a linguagem na qual falei com o cara? – perguntou ele, coçando a cabeça, fazendo com que o seu sorriso confiante se transformasse em um sorriso apologético. – Haha, o que posso dizer? Eu não tenho realmente nenhuma ideia do que eu estava falando ali, pra ser sincero com você. Eu apenas pensei “bom, esse cara deve abrir passagem pra gente se ele pensar que somos nobres”, e aquilo me parece ser a forma como nobres falam, então eu tentei ver se funcionava. Parece que eu não tive muito sucesso, não é?

– Aquilo não é como nobres falam. – retrucou Bryen, um pouco incomodada tanto pelo fato que Kastor havia (ou fingia ter) entendido completamente errado seu ponto quanto pelo fato de que ela era uma nobre... ou, ao menos, havia sido um dia. – Pra ser sincera, essas... coisas que você falou pareciam mais um gato agonizante do que tudo. Mas não importa, não é disso que estou falando. O que foi aquilo com aquele brutamontes? Aquilo que permitiu que entrássemos aqui?

Viu os olhos do cavaleiro se afiarem um pouco ao ouvirem aquelas palavras, e ao mesmo tempo em que isso aconteceu, toda a atmosfera que os cercava pareceu ficar mais pesada. Ele voltou a falar, mas o simples tom de voz que veio com aquelas palavras foi o suficiente para dizer a Bryen que ela estava caminhando em gelo fino ali.

– Aquilo o quê? – perguntou ele, andando sem tirar os olhos da espadachim. Franziu o cenho e abriu a boca para responder a isso... mas antes que o fizesse, sentiu uma mão tocar seu ombro. Virou o rosto para ver Anabeth atrás dela, olhando seriamente para Bryen e balançando lentamente seu rosto como quem diz “não vá em frente”.

Em geral não gostava que suas perguntas ficassem sem respostas, mas considerando toda a situação que tinham diante de si e o fato de que Kastor claramente não queria falar sobre aquilo, acabou por acatar a sugestão da amiga ali.

– De qualquer forma, você tem noção do que temos de fazer aqui, não é? – disse ela, mudando de assunto. – Lembre-se. Mantenha o plano em mente, Kastor. Não podemos sair dele.

Tão rápido quanto ele ficou sério, o cavaleiro voltou a assumir o seu ar bobo e despreocupado de sempre, embora a essa altura Bryen já soubesse bem demais que não deveria subestimá-lo apenas por isso.

– Plano? – repetiu ele, parecendo confuso enquanto dizia a palavra. – Espera aí. Nós temos um plano?

– Temos – disse ela, irritada. – Esqueceu? Eu vim falando isso pra você durante toda a viagem. Escute bem agora. Temos, no total, setenta moedas de ouro conosco aqui agora, uma mistura dos fundos que tínhamos disponíveis e dos fundos que Odin nos cedeu para ajudar na nossa missão. Pelas informações que Odin nos passou antes de virmos nessa missão, sempre quando há vendas aqui nesse mercado, essas vendas se passam em duas etapas. A primeira etapa é para os compradores “casuais”, os que simplesmente querem alguns escravos para eles. Para esses são exibidas as... “mercadorias” comuns. No entanto, em um determinado ponto da venda, quando a maioria das pessoas que queriam apenas esses escravos mais comuns já fizeram suas compras e foram embora, os que ainda restam ali são convidados para uma seção especial, com acesso a escravos que receberam treinamento especial. Pelo que Odin me passou, aparentemente o responsável por essa base escravista geralmente se envolve nessas seções, e é a ele que queremos chegar. Ele é o que está ligado ao Olho Vermelho aqui, o que significa que, alcançando-o, devemos conseguir boas informações sobre nosso inimigo; com alguma sorte podemos até mesmo descobrir algo bem importante como quem é o líder do Olho Vermelho ou aonde é a base deles. De qualquer forma, é nisso que devemos mirar... mas temos de nos lembrar de um detalhe, também. Para que as pessoas tomem parte dessa seção especial, é obrigatório que elas primeiro paguem com cinquenta moedas de ouro. Entende o que eu quero dizer com isso, certo?

– Err... sim! – murmurou Kastor, seus olhos correndo desesperadamente para todos os lados como se estivessem procurando algo que pudesse lhe ajudar ali. – Mas... suponhamos que eu não tivesse entendido! Sabe, para... efeitos de discussão!

Rolou os olhos ao ouvir isso. Francamente, se não fosse pelo que ele demonstrou pouco tempo atrás, eu iria simplesmente assumir que ele era um grande idiota pelo resto da vida dele. Na verdade, mesmo com suas ações recentes, ela não estava totalmente certa de que ele não era um idiota. Afinal, mesmo se ele apenas finge ser idiota ou coisa do tipo, bem, existe um limite até onde você consegue fingir, não é?

– O que eu quero dizer é que temos de ser espertos aqui. Temos setenta moedas no total, e precisamos manter no mínimo cinquenta dessas moedas disponíveis para podermos comprar nossa passagem até a seção especial. Não podemos arranjar confusão antes disso já que isso significaria que o líder dessa base, ou dono desse mercado, ou o que quer que seja o chefão daqui, teria tempo para esconder suas informações de nós e simplesmente fugir. Isso significa que, ao menos por enquanto, precisamos agir aqui seguindo algumas regras. Ao mesmo tempo, não podemos parecer totalmente desinteressados nos escravos comuns; temos de manter em mente que somos novos aqui, e se parecermos não ter interesse nenhum nos escravos, é provável que eles desconfiem de nós e que não sejamos convidados para a seção especial. Isso significa que devemos participar ativamente das vendas dos demais escravos, que geralmente ocorrem em um processo de leilão, mas tomando o cuidado de não gastarmos nosso dinheiro ali.

– E como faremos isso? – perguntou Kastor, confuso.

– Simples; por dando lances que sabemos que serão superados – respondeu Bryen. – Veja bem; se isso funciona como um leilão, isso significa que as pessoas irão dar lances pelos escravos. Uma moeda, duas moedas, coisas do tipo, sabe? Só precisamos ser espertos em relação a isso. Quando trouxerem algum escravo, provavelmente demorará um pouco para que alguém dê o primeiro lance, considerando que todos ali vão querer que o escravo saia pelo menor preço possível. Devemos esperar por isso, e quando a primeira pessoa der um lance... nós ficamos calados. O primeiro lance indica que alguém tem interesse, mas se nos afobarmos e dermos um novo lance logo em seguida e o escravo em questão não for do interesse de ninguém ali, simplesmente iremos acabar tendo de comprar esse escravo, e isso é algo que não queremos. Isso dito, se esperarmos muito a venda pode ser efetuada ou tudo pode se transformar em uma confusão grande demais para que alguém note algo, e nós queremos que o inimigo note que temos interesse. O que recomendo é que demos o lance depois do terceiro ou quarto lance, e que depois disso sigamos para deixar que nosso lance seja superado por outros. Se mais pra frente ocorrer uma disputa acirrada podemos jogar um lance ou outro no meio dela apenas para parecer que queremos competir, mas temos de tomar, logicamente, o cuidado de não realmente ganhar. Em situações normais eu diria que poderíamos nos dar ao luxo de “errar” e comprar um escravo ou dois ali, mas francamente, isso não seria. Temos uma margem de erro bem rasa aqui, e um escravo seria completamente inútil para nós, pura perda de tempo.

– Se comprássemos um escravo, poderíamos libertá-lo – apontou Kyanna, erguendo um dedo. – Isso seria bom, não? E além do mais, ele também poderia colaborar com alguma informação útil para nós, o que melhoraria ainda mais as coisas. Unir o útil ao agradável.

– É altamente improvável que um escravo saiba alguma coisa aqui que pode nos ajudar – retrucou Bryen – e, francamente, se soltássemos um escravo desses o mais provável é que ele simplesmente seria capturado de novo. Escravos são quebrados, Kyanna. Um homem ou uma mulher quebrada... é difícil juntar os pedaços de novo. Muito difícil.

– Eu sei disso, mas mesmo assim... – ouviu a maga suspirar pesadamente ao seu lado. – Eu apenas queria ajudar eles um pouco, sabe? Toda essa situação...

– Eu sei como você se sente. – normalmente não fazia isso pois gostava de manter uma aparência mais dura e inflexível, rígida como aço, mas naquele momento em especial, deixou que sua voz se amaciasse e colocou gentileza em suas palavras. – Acredite em mim, Kyanna, eu também quero ajuda-los... mas não vamos ajudar realmente alguém se simplesmente o soltarmos por aí, e não temos tempo ou condições para ajudar um escravo. Escravismo é legal em Fredora, então, nossos esforços seriam inúteis. Mas, se isso lhe alegra, talvez possamos pôr fim a esse mercado em particular devido as ligações dele com o Olho Vermelho. Isso impedirá que Fredora possa fazer realmente algo contra nós, e embora legalmente falando os escravos continuariam a ser escravos, a queda disso daria a chance perfeita para que muitos deles fugissem. Sozinhos eles estão perdidos, mas talvez tenham uma chance de se unirem.

Isso pareceu alegrar um pouco a sua companheira. Ela não disse mais nada, mas pelo que pode ver ao olhar para ela de relance em um momento, ela parecia um pouco mais esperançosa. Sorriu internamente ao ver isso por um momento, para só depois voltar sua atenção à Kastor.

– De qualquer forma, você entendeu o que devemos fazer, certo Kastor? Isso tudo é como um grande jogo. Um jogo doentio, mas um jogo ainda assim. Jogue de forma inteligente e vencemos. Faça merda e perdemos. Acha que pode lidar com isso?

– Não tenho certeza, pra ser franco – respondeu o cavaleiro, sorridente. – Isso é... isso é algo que vamos ver agora, não é?

Ergueu uma sobrancelha pra isso por um momento, mas logo compreendeu o que ele queria dizer. Tão distraída estava ela em falar com Kastor e Kyanna que mal havia notado os movimentos que estavam fazendo, por onde estavam passando. Mal havia notado o corredor se afunilando cada vez mais, até chegarem ao salão principal.

Aquele lugar parecia mais uma espécie de palco de teatro do que um salão em si. Era um lugar bem largo e espaçoso em formato redondo, com cadeiras enfileiradas nãos montes do lado em que estavam, chegando facilmente à casa das centenas ali. No centro daquele lugar jazia um grande palco, espaçoso demais, com uma grande cortina vermelha atrás dele, cortando aquela metade da sala da outra. Provavelmente é em algum lugar além dessa cortina que é organizada a seção especial. Os que chegavam estavam rapidamente seguindo para tomar seus lugares ali, e foi exatamente isso que o grupo fez. Ocuparam uma das fileiras da frente, tendo uma boa visão do palco... e por tal, uma boa visão de quem parecia estar organizando tudo aquilo, embora Bryen duvidasse que ele fosse o verdadeiro chefão. Um homem magro, vestido de forma extravagante e, bizarramente, com óculos escuro ali. Seu cabelo era colorido de forma chamativa, tendo tons em azul, verde, roxo, rosa e vermelho, bem como sendo completamente mole e pegajoso, como se estivesse constantemente molhado. O homem esperou mais um ou dois minutos para que aquele lugar enchesse mais, e assim que esse tempo passou, o sorriso em seu rosto alargou-se mais do que alguém podia imaginar.

– Olá, olá, olá! – saldou ele, sua voz ecoando por toda aquela sala de forma que deixava claro para Bryen que havia algum tipo de feitiço de ampliação envolvido ali. – Bem vindos, meus caros! Homens, mulheres e indecisos, bem vindos, bem vindos! Bem vindos ao espetáculo, bem vindos ao bazar! Bem vindos ao mercado de escravos!



Notas finais do capítulo

Yo, vocês podem ter notado que esse capítulo acabou de uma forma um pouco súbita, não é?

Bem, não estranhem isso, meus bons leitores. A bem da verdade, esse capítulo deveria ser mais longo. Bem mais longo. Acontece que, para que eu fizesse tudo o que eu queria fazer nele, ele não seria publicado hoje e o seu tamanho ficaria muito grande, provavelmente tanto quanto o capítulo 9 ou mais. Para evitar isso, acabando decidindo publicar ele hoje.

E, na verdade, talvez até seja uma boa ideia isso! Quanto mais tempo eu tenho, melhor eu trabalho! E pretendo fazer com que os capítulos desse mini-arco sejam um melhor que o outro, hehe.



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