A Garota Dos Defeitos escrita por Tamires Rodrigues


Capítulo 42
Quer carona?


Notas iniciais do capítulo

HELLOOOOOOOO leitores ♥ como vão? Bem, aqui está mais um capítulo? Estão gostando??
Tá calor ai na cidade de vocês? Juro que aqui o inferno tá fazendo extensão porque Jesus to suando até respirando. O gif de hoje tem a ver com isso hahaha e olha que nem o ventilador ta dando conta.
Beijos e boas vibrações ♥



 

O despertador de Katherina tocou, e eu saltei acordada da cama. Katherina que estava deitada ao meu lado ocupando quase metade da cama, nem se mexeu. Ontem à noite depois do jantar nós começamos a conversar na minha cama, e acabamos dormindo como nos velhos tempos. Apesar de nós duas sermos relativamente pequenas para podermos ficar confortáveis, o fato de kat ser espaçosa não colaborou para isso acontecer. Tentei me mexer o menos possível quando me inclinei sobre ela para desligar o despertador.

— Por que você é tão barulhenta? – minha irmã resmungou sonolenta.

Eu ri soprando meu cabelo para cima.

Pelo mesmo motivo que ela era espaçosa.

— Foi seu despertador que te acordou, eu mal me mexi.

— E você se mexe demais enquanto dorme – continuou. – Provavelmente vou encontrar hematomas pelo meu corpo mais tarde.

E eu tendia a ser a dramática da família.

Puxei o cobertor cobrindo-me um pouco mais, kat resmungou um pouco mais e eu sorri satisfeita. Ainda resmungando ela me empurrou com o ombro e eu ri alto. Eu não percebi o que ela estava fazendo até que minha bunda encontrou o chão pela segunda vez na semana.

Gritei descontente. Expulsa da minha própria cama?

— Que droga Kat!

Katherina riu alto ao ponto de se engasgar.

Ficando de joelhos eu enfiei a mão por debaixo das cobertas e peguei seus tornozelos fazendo-a deslizar para fora da cama.

Ela gritou e eu ri satisfeita soprando beijinhos, que cessaram quando Katherina se jogou em cima de mim, me atacando com cócegas. Contorci meu corpo fugindo dos seus dedos impiedosos.

— Fique quieta! – mandou ela rindo. – Vai acordar todo mundo.

A porta do quarto bateu aberta, atingindo a parede. Kat e eu congelamos.

— Mas o que...?

Katherina parou seu ataque e olhou por cima do ombro.

— Pai?

Eu a empurrei para longe, aproveitando a distração. Nosso pai estava parado na minha porta, um robe erraticamente vestido em seu corpo. Seu semblante confuso e aliviado.

— Vocês me assustaram – ele olhou ao redor do meu quarto como se esperando que alguém estivesse escondido nas sombras.

Kat e eu nos entreolhamos. Nossos rostos corados pelo riso pelo riso e gritos, nosso cabelos bagunçados pela rolação no chão e no travesseiro.

— O barulho? – falei começando a entender.

Ele assentiu passando a mão pelo rosto.

— Ninguém está invadindo, pai – Katherina assegurou baixinho.

Eu não sei por que seu tom de voz, e o rosto assustado do meu pai me fez achar graça, mas logo eu estava rindo e batendo loucamente no chão com o punho. O riso de Katherina logo acompanhou o meu.

Nós obviamente não despertávamos como qualquer pessoa normal.

— Vocês são como um ataque terrorista – meu pai disse coçando a cabeça, mas estava sorrindo quando saiu do quarto.

— O chão está gelado – reclamei. – E minhas bochechas estão doendo.

Minhas bochechas doíam, assim como meu estomago, mas fora o fato de estar gelando minha bunda eu me sentia bem.

— Sim, e as minhas também.

— Você tem que se arrumar para a escola – kat murmurou levantando-se e me puxando para cima.

Eu olhei para o relógio e franzi os lábios. 

— Obrigada. E sim, eu tenho.

Acendi a luz do quarto com má vontade e fiz um coque maltrapilho. Alonguei os músculos do pescoço e peguei algumas peças de roupas para ir para o banho.

Ao meu lado esquerdo Kat estava fazendo o mesmo, exceto que seu guarda roupa era sua mala, e seu rosto estava torcido em um olhar reprovativo, enquanto ela resmungava para si.

— O que você tanto resmunga? – eu quis saber fechando a porta do guarda roupa.

Um suéter azul marinho acertou meu rosto como resposta.

— O que eu devo fazer com isso? – perguntei balançando o suéter no ar, recebendo um olhar duh.

— Vestir – Kat respondeu arrancando meu conjunto de moletom das minhas mãos, deixando-as cair no chão. –Pegue aquele jeans preto que fica tão bonito em você, e ao invés de tênis use aquela botinha que eu lhe dei no último Natal. Não me olhe assim, você vai ficar linda. Sem moletons hoje.

Se fosse qualquer outra pessoa falando eu poderia achar superficial, mas era Kat. Não valia a pena argumentar, então eu apenas juntei a roupa espalhada no chão e guardei as mesmas nos devidos lugares.

— Você é tão chata ás vezes. Quer escolher minha roupa de baixo também? – brinquei caminhando até a porta, porém quando cheguei até ela, fiz uma pausa para dizer:

— A única que tem que se preocupar com roupa é você – eu sorri e acrescentei docemente: Com roupa e com o papai arrancando a cabeça de Ben.

Com um pequeno sorriso maníaco kat balançou a cabeça lambendo o lábio.

— Se você não entrar no banheiro nos próximos trinta segundos, eu vou até ai e arranco sua língua.

Mostrei minha língua e corri para o banheiro.

******

— Você quer carona? – meu pai perguntou quando eu estava com a mão na fechadura.

Olhei para trás vendo girar as chaves do carro no dedo indicador.

Atrás de seus ombros Katherina e minha mãe estavam conversando sobre algo que eu não podia ouvir.

— Quero – respondi um pouco surpresa pela oferta.

Honestamente eu não consigo me lembrar da ultima vez que um dos meus pais me levou para a escola. Faz muito tempo com certeza, no fim do fundamental, eu acho.

Acenei para minha mãe e kat, que pararam brevemente sua conversa para acenar de volta. Dentro do carro meu pai e eu ficamos calados. Ele concentrado na estrada, e eu concentrada no que estava por vir quando eu chegasse à escola. O silêncio não era realmente desconfortável, mas também não exatamente confortável. De segundo a segundo um de nós soltava um suspiro.

— Meu Deus Sukes pare de falar um pouco! – meu pai disse, dirigindo o volante com apenas uma mão por um instante e fazendo um gesto dramático com a outra.

Virei no meu acento e arregalei os olhos surpresa pela queda de silêncio, dando um pequeno sorriso logo em seguida.

— Aqui dentro - apontei para a minha cabeça com o dedo - eu estou falando sem parar com meus pensamentos.

Ponderando minha resposta, ele dobrou em uma esquina, e então disse:

— Que tipo de conversa sua mente está tendo com você?

Dei de ombros, xingando mentalmente por ter dito tal coisa. Uma conversa aberta com o meu pai logo de manhã não soava como a mais divertida das coisas.

— Você sabe só algumas coisas a fazer. Como trabalhos da escola, - balancei a cabeça e comecei a pensar em um novo tópico para a conversa porque escola não era meu predileto. – Coisas como será que o cardápio do Adams mudou novamente?

Isso era algo que eu de verdade havia pensado hoje no meu banho um segundo. Renato, meu chefe o muda constantemente por exceção dos pratos clássicos e mais vendidos. É um pouco difícil de decorar todos eles às vezes.

O novo cardápio não seria um problema para mim, se eu tivesse sido demitida. Eu estava nervosa com isso. Eu gostava de trabalhar no Adams. Gostava do zumbido acalorado das conversas paralelas dos clientes, do cheiro de café sendo muido, gostava de Beca e de Caique e do que eles tinham se tornado para mim, graças ao meu emprego como garçonete.

Eu não queria ter que parar de trabalhar lá.

Uma moto passou raspando entre o carro do meu pai, e uma mini van azul quase arrancando nosso espelho retrovisor.

Meu pai apertou a buzina com força, gritando uma dezena de palavrões e ameaças.

— Hum, - eu mordi a unhado meu dedo mindinho lutando contra o riso - minha mãe iria adorar saber disso.

Os olhos mel esverdeados do meu pai se direcionaram para mim. Ele estava quase culpado, mas ainda assim um pouco divertido.

— Ela só saberá se você contar. Você não entregará seu velho pai, não é Sukes?

Franzi as sobrancelhas sugestivamente. - Me dê um valor.

— Um valor para o que?

Pisquei meus cílios e abri um sorriso inocente. - Para que eu não conte.

Quando meu pai parou em frente a minha escola, eu soltei meu cinto de segurança, e me inclinei sobre ele dando-lhe um beijo na bochecha. Eu não fazia isso há muito tempo. Quando eu era criança eu fazia o tempo todo, era normal, mas agora parecia estranho. Eu estava afastada do meu pai, não que fosse culpa dele, foi só algo que foi acontecendo com o passar dos anos. Eu sentia falta de uma porção de coisas que fazíamos, no entanto.

Ele sorriu. - Boa aula.

— Bom trabalho – desejei fechando a porta do carro. Hesitei antes de entrar na escola. – Avise para a mamãe que eu vou direto pro Adam’s depois das aulas, tá?E pai?- chamei.

— Sim?

— Eu amo você.

 





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