A Garota Dos Defeitos escrita por Tamires Rodrigues


Capítulo 15
Primeiro dia de trabalho


Notas iniciais do capítulo

Oiezinho para os leitores velhos e novos( especialmente pra Suh que deixou um comentario fofinho . Preparem seus corações !!!!! e comeentem kkk



De: suzannewalker08@hotmail.com

Para: katherina_w.@hotmail.com

Assunto: Bipolaridade

Ele tem transtorno de personalidade, Katherina. Eu pesquisei os sintomas, mas aqui estão minhas provas.

Prova 1 - ele vai de garoto problema para;

Prova 2 – sarcástico e depois;

Prova 3 – explosivo como o inferno, para;

Prova 4 – gentil e adorável com a minha avó, e depois garoto problema outra vez em segundos.

Cliquei enviar, e me recostei nos meus travesseiros tomando um gole do meu chá - eu estava na cama desde que tinha chegado da escola bebericando meu chá tentando aliviar a revolta no meu estomago. A resposta da minha irmã, que chegou em segundos.

De: katherina_w.@hotmail.com

suzannewalker08@hotmail.com

Assunto: Bipolaridade (ou a falta dela)

Realmente suas provas suas provas seriam inconstataveis, se não fosse o fato de você ser uma das pessoas mais inconstantes que eu já conheci na minha vida, querida irmã. É impressão minha ou seu senso de julgamento fica ainda mais confuso quando se trata dele?

Dei de ombros esquecendo por um segundo que ela não podia me ver.

—Talvez.

De: suzannewalker08@hotmail.com

Para: katherina_w@hotmail.com

Assunto: De que lado você está?

Não era suposto que você deveria me apoiar mesmo quando eu estivesse errada? Por que eu sinto certa ironia vinda da tela do computador?

De: katherina_w.@hotmail.com

Para: suzannewalker08@hotmail.com

Assunto: EU SEMPRE ESTOU DO SEU LADO.

Sem drama, por favor! É impressão minha ou você está na defensiva? Se eu não te conhecesse melhor diria que está gostando do galetinho.

De: suzannewalker08@hotmail.com

Para: katherina_w.@hotmail.com

Assunto: Sempre?

Jesus, não!Eu não estou na defensiva. Por que você sempre diz que eu estou na defensiva quando eu não estou?

De: katherina_w.@hotmail.com

Para: suzannewalker08@hotmail.com

Assunto: EU SEMPRE ESTOU DO SEU LADO.

 Se eu tinha alguma duvida sobre isso, você acabou de esclarecê-la, e nem pense que vai mudar de assunto dessa vez, eu ainda não engoli aquela sua conversinha de beijo acidental.

P.s:  Cansei de trocar emails , atenda o celular.

Nem meio segundo depois de eu acabar de ler o email de Kat, meu telefone celular tocou.

— Acho que você dormiu no ponto Suzanne, ninguém beija alguém por acidente.

— Por que se dar o trabalho de dizer alô, não é? – brinquei. _Sinto informar que foi exatamente isso que aconteceu, ficou bem obvio para mim quando no dia seguinte ele estava com a língua na boca de outra garota. – E depois outra, e mais outra... Eu não sabia como iríamos interagir juntos, mas me ignorar por completo não estava nas minhas opções, e por mais que eu não goste de declarar isso ao mundo, machucou de verdade. - Acho que Renan tem razão Kat, talvez eu não faça o tipo dos garotos – senti meus olhos marejarem, ao lembrar as palavras dele._Essa coisa com Gabriel é só mais uma prova disso.

Fiquei em silêncio pensando.

Talvez, eu só não beije bem. Os únicos garotos que eu já beijei foram Gabriel e Renan enquanto os dois... Bem, vamos apenas dizer que Gabriel ficou com mais garotas em duas semanas, que eu em 17 anos.

— Ainda está ai?

— Estou, eu só... Estava pensando.

— Eu gostaria de estar para te sacudir até te fazer perceber o quão incrível você é, e logo em seguida eu chutaria o traseiro magro daquele garoto.

— Qual deles?

— Tanto faz o que aparecesse na minha frente primeiro.

Eu ri e enxuguei uma lágrima que tinha escorrido pela minha bochecha. Quase um ano e lembrar ainda doía.

— Obrigada por dizer isso, me fez sentir melhor. - Nós conversamos mais alguns minutos sobre as coisas em geral. O trabalho dela, a escola, nossos pais, até que ela precisou desligar.

— Quando quiser. Tenha um bom primeiro dia de trabalho.

— Eu realmente espero que sim Kat.

No momento em que eu desliguei o telefone todo o meu nervosismo voltou.

Santo Deus eu consegui um emprego! Impressionante se você considerar meu currículo em branco.

Uma pena que Giovana não tenha achado isso, já que ela riu na minha cara quando eu contei que iria começar a trabalhar como garçonete no Adam´s. Katherina, meus pais e minha avó, e até mesmo Gabriel ficaram orgulhosos de mim, mas seria bom ter o apoio dela para variar. Gritamos uma com a outra, e eu disse que se ela tinha tanta vergonha do meu emprego ela podia simplesmente deixar de ser minha amiga o que ela fez sem nenhuma relutância, apenas esse ato me feriu, mas o me deixou magoada foi que ela e Miguel sentarem com Elena na mesa do refeitório . Sim, aquela mesma Elena que odeia eu fiquei tão chocada que chorei durante quase todo o intervalo. Miguel era amigo de Elena, eu já tinha visto os dois conversando algumas vezes, mas Giovana... Giovana era minha amiga e sabia que Elena me odiava. Ela estava estranha desde o dia que soube que Renan estava voltando para cidade. Eu perguntei várias vezes se ela gostava dele ou algo assim, mas ela continuou dizendo que eu estava confundindo as coisas.

***

A parte boa em poder fazer as refeições é que eu posso comer a hora que eu quiser e o que eu quiser (o que não é muita coisa já que eu nãos sei cozinhar), sem ter ninguém para incomodar você, a parte ruim é que você come sozinha, sem ter ninguém para te distrair. Não maior parte do tempo isso não me afeta de uma maneira grande, mas hoje tudo que eu queria era ter alguém para me distrair e como se alguém tivesse lido meus pensamentos eu escutei meu telefone tocar no , sai da mesa e vou até a sala atender levando minha torrada com recheio de morango(ou meu almoço como eu prefiro chamar).

Sorri quando vi o nome no identificador.

— Alô? Vovó?

— Sim, querida. Ainda continua nervosa?- Eufemismo.  Eu estou apavorada.

— Não, estou só um pouco ansiosa. - Mais um eufemismo.

— Não seja boba, apenas foque nos pensamentos positivos como eu te ensinei a fazer quando era pequena.

— Eu vou tentar – prometi. - Mas do jeito que eu sou desastrada é bem capaz de errar os pedidos ou então tropeçar nos meus próprios pés enquanto estiver caminhando.

— Você é sempre tão pessimista quanto o assunto é você, mas praticamente irradia luz, quando se trata de ajudar os outros.

Eu ri. _ Vó  isso lá faz sentindo.

— Eu sou mais velha, então se eu falei faz.

— Isso faz menos sentindo ainda vó – retruquei.

— Eu vou perdoar a sua má educação, – ela me censurou de brincadeira – por que eu sei que você está nervosa.

— Hum... obrigada?Tudo bem com você vovó sua voz parece estranha?

— Sim, tudo bem é só...  Acho que é uma virose. - Ela demorou tanto tempo para me responder que eu achei que a ligação tinha caído.

— Mas você nunca fica doente. E de uns tempos para cá...

— Eu sei. É uma desvantagem da idade, mas deixe isso para outro dia, - ela interrompeu - acabei de ter uma idéia para te manter calma, além de pensar positivo.

— Qual?- perguntei. Por algum motivo eu já sabia o que ela iria dizer.

— Quando estiver ansiosa, se imagine beijando o galetinho tenho certeza que isso vai acalmar você.

Bufei._ Vó eu não posso acreditar que disse isso.

— Nós duas sabemos que você gostou da ideia Sukes. Agora deixe de conversa e trate de se arrumar. Você não pode chegar atrasada no seu primeiro dia.

Depois de desligar o telefone, tomei banho e comecei a me vestir. Peguei meu caderno de rascunho da mochila e fui para o ponto de ônibus.

***

— Você é pontual – o gerente do Adam´s elogiou checando o relógio._ Isso é bom. Eu vou apresentar os funcionários antes de deixar você vestir o uniforme.

A minha frente estavam todos os funcionários, alguns me olhavam com um olhar de tédio, outros nem me olhavam. Como se entendessem a deixa um garoto com no máximo 24 anos de cabelo ruivo e uma garota curvilínea, olhos marrons e cabelos castanhos quase pretos, com não muita mais que a minha idade saíram detrás dele.

O garoto foi o primeiro a se apresentar.

— Meu nome é Caique – ele disse estendendo a mão para mim. Eu a apertei meio sem jeito.

— Sou Rebeca, mas todos me chamam de Beca, pode me chamar assim se quiser. Fui eu que liguei para você ontem.

Antes que eu pudesse responder o gerente -o nome dele é Renato- se intrometeu dizendo que se eu não tinha mais nada a tratar com ele, ele iria se retirar. Só assenti com a cabeça, ele me pareceu ser o típico chefe carrancudo.

— Expliquem as regras a ela – Renato disse antes de se retirar (literalmente, eu achei que ele tinha uma sala própria – como um escritório sei lá, mas ele só abriu a porta e foi embora).

— Você quer que eu explique as regras agora? – Caique perguntou.

— Sim.

— Como funcionaria você tem descontos na tabela de preço, mas seus amigos e parentes não e...

— Pare com esse bláh , bláh , até parece que leva isso a sério – Beca interrompeu .

Caique levantou uma sobrancelha.

— Olha só quem fala. Agora onde eu estava?

— Deixa que eu explico – a garota curvilínea disse. – Você não pode se envolver em brigas ou discussões – fez uma pausa pensativa _a não ser que conte os detalhes sórdidos para mim.

Inesperadamente eu sorri._ É bem provável que eu decepcione você – falei – não sou o tipo de garota que se envolve em brigas.

— Você tem namorado?- Caique perguntou.

Franzi a testa por que diabo a imagem de um certo dono de olhos esmeraldas surgiu na minha cabeça ? 

— Não – respondi um pouco desconfortável.

— Relaxa ele não está te cantando, ele é 100% gay. A razão por ele ter perguntado – Beca explicou – é que ele adora uma boa fofoca.

Dei risada._ Acho que vou desapontar você também Caique.

— Talvez não, quando eu fiz essa pergunta você sorriu de um jeito meio apaixonado.

Jeito apaixonado?

— Eu não fiz isso – me defendi mexendo no cabelo.

— Você fez – ele afirmou rindo. _ Podemos apenas saber o nome dele?

Sacudi a cabeça.

— Ele é só um... Não é ninguém.

— Relacionamento enrolado – Beca assoviou – esses são os melhores.

— Nós não estamos namorando – eu disse na defensiva. - Nem amigos somos.

— Meu bem, – Caique disse_ você estava sorrindo ao pensar nele, definitivamente há algo aí.

Talvez seja prematuro afirmar com certeza, mas eu realmente gostei dos meus colegas de trabalho (pelo menos de Beca  e Caíque), eles foram incrivelmente formidáveis , não gritaram comigo quando eu troquei os pedidos e tiveram paciência de me ensinar a usar a maquina registradora. Por que mesmo que eu tivesse sido contratada como garçonete, ninguém ali tinha um cargo só.

Até me deixaram sair mais cedo como se eu fosse uma das hostesses, o que eu não recusei. Me despedi deles levando uma caixa de cupcakes que Caique estava experimentando para colocar no cardápio de sobremesas  (Beca e eu fomos a cobaia experimental). Seus cupakes caseiros eram vendidos na vetrine, o que provou que ninguém tinha um cargo só.

 Eu estava checando minhas mensagens quando um farol de moto embaçou minha visão, mal pude desviar antes de ser atingida por esse objeto de duas rodas.

— Mas que diabos você tem na cabeça? – uma voz familiar gritou furiosa.

Capítulo 11

Gabriel Wolf

A música no aparelho de som  tocava alto o bastante para fazer os vidros da janela retumbarem.

Notei que a  porta se abriu , mas continuei de olhos fechados.

— Gabriel?-meu pai gritou me sacudindo. - Meu Deus porque um som tão alto?

Não respondi.

— Gabriel? – ele repetiu abaixando o som.

Abri os olhos e me s

De: suzannewalker08@hotmail.com

Para: katherina_w.@hotmail.com

Assunto: Bipolaridade

Ele tem transtorno de personalidade, Katherina. Eu pesquisei os sintomas, mas aqui estão minhas provas.

Prova 1 - ele vai de garoto problema para;

Prova 2 – sarcástico e depois;

Prova 3 – explosivo como o inferno, para;

Prova 4 – gentil e adorável com a minha avó, e depois garoto problema outra vez em segundos.

Cliquei enviar, e me recostei nos meus travesseiros tomando um gole do meu chá - eu estava na cama desde que tinha chegado da escola bebericando meu chá tentando aliviar a revolta no meu estomago. A resposta da minha irmã, que chegou em segundos.

De: katherina_w.@hotmail.com

suzannewalker08@hotmail.com

Assunto: Bipolaridade (ou a falta dela)

Realmente suas provas suas provas seriam inconstataveis, se não fosse o fato de você ser uma das pessoas mais inconstantes que eu já conheci na minha vida, querida irmã. É impressão minha ou seu senso de julgamento fica ainda mais confuso quando se trata dele?

Dei de ombros esquecendo por um segundo que ela não podia me ver.

—Talvez.

De: suzannewalker08@hotmail.com

Para: katherina_w@hotmail.com

Assunto: De que lado você está?

Não era suposto que você deveria me apoiar mesmo quando eu estivesse errada? Por que eu sinto certa ironia vinda da tela do computador?

De: katherina_w.@hotmail.com

Para: suzannewalker08@hotmail.com

Assunto: EU SEMPRE ESTOU DO SEU LADO.

Sem drama, por favor! É impressão minha ou você está na defensiva? Se eu não te conhecesse melhor diria que está gostando do galetinho.

De: suzannewalker08@hotmail.com

Para: katherina_w.@hotmail.com

Assunto: Sempre?

Jesus, não!Eu não estou na defensiva. Por que você sempre diz que eu estou na defensiva quando eu não estou?

De: katherina_w.@hotmail.com

Para: suzannewalker08@hotmail.com

Assunto: EU SEMPRE ESTOU DO SEU LADO.

 Se eu tinha alguma duvida sobre isso, você acabou de esclarecê-la, e nem pense que vai mudar de assunto dessa vez, eu ainda não engoli aquela sua conversinha de beijo acidental.

P.s:  Cansei de trocar emails , atenda o celular.

Nem meio segundo depois de eu acabar de ler o email de Kat, meu telefone celular tocou.

— Acho que você dormiu no ponto Suzanne, ninguém beija alguém por acidente.

— Por que se dar o trabalho de dizer alô, não é? – brinquei. _Sinto informar que foi exatamente isso que aconteceu, ficou bem obvio para mim quando no dia seguinte ele estava com a língua na boca de outra garota. – E depois outra, e mais outra... Eu não sabia como iríamos interagir juntos, mas me ignorar por completo não estava nas minhas opções, e por mais que eu não goste de declarar isso ao mundo, machucou de verdade. - Acho que Renan tem razão Kat, talvez eu não faça o tipo dos garotos – senti meus olhos marejarem, ao lembrar as palavras dele._Essa coisa com Gabriel é só mais uma prova disso.

Fiquei em silêncio pensando.

Talvez, eu só não beije bem. Os únicos garotos que eu já beijei foram Gabriel e Renan enquanto os dois... Bem, vamos apenas dizer que Gabriel ficou com mais garotas em duas semanas, que eu em 17 anos.

— Ainda está ai?

— Estou, eu só... Estava pensando.

— Eu gostaria de estar para te sacudir até te fazer perceber o quão incrível você é, e logo em seguida eu chutaria o traseiro magro daquele garoto.

— Qual deles?

— Tanto faz o que aparecesse na minha frente primeiro.

Eu ri e enxuguei uma lágrima que tinha escorrido pela minha bochecha. Quase um ano e lembrar ainda doía.

— Obrigada por dizer isso, me fez sentir melhor. - Nós conversamos mais alguns minutos sobre as coisas em geral. O trabalho dela, a escola, nossos pais, até que ela precisou desligar.

— Quando quiser. Tenha um bom primeiro dia de trabalho.

— Eu realmente espero que sim Kat.

No momento em que eu desliguei o telefone todo o meu nervosismo voltou.

Santo Deus eu consegui um emprego! Impressionante se você considerar meu currículo em branco.

Uma pena que Giovana não tenha achado isso, já que ela riu na minha cara quando eu contei que iria começar a trabalhar como garçonete no Adam´s. Katherina, meus pais e minha avó, e até mesmo Gabriel ficaram orgulhosos de mim, mas seria bom ter o apoio dela para variar. Gritamos uma com a outra, e eu disse que se ela tinha tanta vergonha do meu emprego ela podia simplesmente deixar de ser minha amiga o que ela fez sem nenhuma relutância, apenas esse ato me feriu, mas o me deixou magoada foi que ela e Miguel sentarem com Elena na mesa do refeitório . Sim, aquela mesma Elena que odeia eu fiquei tão chocada que chorei durante quase todo o intervalo. Miguel era amigo de Elena, eu já tinha visto os dois conversando algumas vezes, mas Giovana... Giovana era minha amiga e sabia que Elena me odiava. Ela estava estranha desde o dia que soube que Renan estava voltando para cidade. Eu perguntei várias vezes se ela gostava dele ou algo assim, mas ela continuou dizendo que eu estava confundindo as coisas.

***

A parte boa em poder fazer as refeições é que eu posso comer a hora que eu quiser e o que eu quiser (o que não é muita coisa já que eu nãos sei cozinhar), sem ter ninguém para incomodar você, a parte ruim é que você come sozinha, sem ter ninguém para te distrair. Não maior parte do tempo isso não me afeta de uma maneira grande, mas hoje tudo que eu queria era ter alguém para me distrair e como se alguém tivesse lido meus pensamentos eu escutei meu telefone tocar no , sai da mesa e vou até a sala atender levando minha torrada com recheio de morango(ou meu almoço como eu prefiro chamar).

Sorri quando vi o nome no identificador.

— Alô? Vovó?

— Sim, querida. Ainda continua nervosa?- Eufemismo.  Eu estou apavorada.

— Não, estou só um pouco ansiosa. - Mais um eufemismo.

— Não seja boba, apenas foque nos pensamentos positivos como eu te ensinei a fazer quando era pequena.

— Eu vou tentar – prometi. - Mas do jeito que eu sou desastrada é bem capaz de errar os pedidos ou então tropeçar nos meus próprios pés enquanto estiver caminhando.

— Você é sempre tão pessimista quanto o assunto é você, mas praticamente irradia luz, quando se trata de ajudar os outros.

Eu ri. _ Vó  isso lá faz sentindo.

— Eu sou mais velha, então se eu falei faz.

— Isso faz menos sentindo ainda vó – retruquei.

— Eu vou perdoar a sua má educação, – ela me censurou de brincadeira – por que eu sei que você está nervosa.

— Hum... obrigada?Tudo bem com você vovó sua voz parece estranha?

— Sim, tudo bem é só...  Acho que é uma virose. - Ela demorou tanto tempo para me responder que eu achei que a ligação tinha caído.

— Mas você nunca fica doente. E de uns tempos para cá...

— Eu sei. É uma desvantagem da idade, mas deixe isso para outro dia, - ela interrompeu - acabei de ter uma idéia para te manter calma, além de pensar positivo.

— Qual?- perguntei. Por algum motivo eu já sabia o que ela iria dizer.

— Quando estiver ansiosa, se imagine beijando o galetinho tenho certeza que isso vai acalmar você.

Bufei._ Vó eu não posso acreditar que disse isso.

— Nós duas sabemos que você gostou da ideia Sukes. Agora deixe de conversa e trate de se arrumar. Você não pode chegar atrasada no seu primeiro dia.

Depois de desligar o telefone, tomei banho e comecei a me vestir. Peguei meu caderno de rascunho da mochila e fui para o ponto de ônibus.

***

— Você é pontual – o gerente do Adam´s elogiou checando o relógio._ Isso é bom. Eu vou apresentar os funcionários antes de deixar você vestir o uniforme.

A minha frente estavam todos os funcionários, alguns me olhavam com um olhar de tédio, outros nem me olhavam. Como se entendessem a deixa um garoto com no máximo 24 anos de cabelo ruivo e uma garota curvilínea, olhos marrons e cabelos castanhos quase pretos, com não muita mais que a minha idade saíram detrás dele.

O garoto foi o primeiro a se apresentar.

— Meu nome é Caique – ele disse estendendo a mão para mim. Eu a apertei meio sem jeito.

— Sou Rebeca, mas todos me chamam de Beca, pode me chamar assim se quiser. Fui eu que liguei para você ontem.

Antes que eu pudesse responder o gerente -o nome dele é Renato- se intrometeu dizendo que se eu não tinha mais nada a tratar com ele, ele iria se retirar. Só assenti com a cabeça, ele me pareceu ser o típico chefe carrancudo.

— Expliquem as regras a ela – Renato disse antes de se retirar (literalmente, eu achei que ele tinha uma sala própria – como um escritório sei lá, mas ele só abriu a porta e foi embora).

— Você quer que eu explique as regras agora? – Caique perguntou.

— Sim.

— Como funcionaria você tem descontos na tabela de preço, mas seus amigos e parentes não e...

— Pare com esse bláh , bláh , até parece que leva isso a sério – Beca interrompeu .

Caique levantou uma sobrancelha.

— Olha só quem fala. Agora onde eu estava?

— Deixa que eu explico – a garota curvilínea disse. – Você não pode se envolver em brigas ou discussões – fez uma pausa pensativa _a não ser que conte os detalhes sórdidos para mim.

Inesperadamente eu sorri._ É bem provável que eu decepcione você – falei – não sou o tipo de garota que se envolve em brigas.

— Você tem namorado?- Caique perguntou.

Franzi a testa por que diabo a imagem de um certo dono de olhos esmeraldas surgiu na minha cabeça ? 

— Não – respondi um pouco desconfortável.

— Relaxa ele não está te cantando, ele é 100% gay. A razão por ele ter perguntado – Beca explicou – é que ele adora uma boa fofoca.

Dei risada._ Acho que vou desapontar você também Caique.

— Talvez não, quando eu fiz essa pergunta você sorriu de um jeito meio apaixonado.

Jeito apaixonado?

— Eu não fiz isso – me defendi mexendo no cabelo.

— Você fez – ele afirmou rindo. _ Podemos apenas saber o nome dele?

Sacudi a cabeça.

— Ele é só um... Não é ninguém.

— Relacionamento enrolado – Beca assoviou – esses são os melhores.

— Nós não estamos namorando – eu disse na defensiva. - Nem amigos somos.

— Meu bem, – Caique disse_ você estava sorrindo ao pensar nele, definitivamente há algo aí.

Talvez seja prematuro afirmar com certeza, mas eu realmente gostei dos meus colegas de trabalho (pelo menos de Beca  e Caíque), eles foram incrivelmente formidáveis , não gritaram comigo quando eu troquei os pedidos e tiveram paciência de me ensinar a usar a maquina registradora. Por que mesmo que eu tivesse sido contratada como garçonete, ninguém ali tinha um cargo só.

Até me deixaram sair mais cedo como se eu fosse uma das hostesses, o que eu não recusei. Me despedi deles levando uma caixa de cupcakes que Caique estava experimentando para colocar no cardápio de sobremesas  (Beca e eu fomos a cobaia experimental). Seus cupakes caseiros eram vendidos na vetrine, o que provou que ninguém tinha um cargo só.

 Eu estava checando minhas mensagens quando um farol de moto embaçou minha visão, mal pude desviar antes de ser atingida por esse objeto de duas rodas.

— Mas que diabos você tem na cabeça? – uma voz familiar gritou furiosa.

 





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