Olhos negros escrita por Yukia, Ms White


Capítulo 2
Capítulo Um


Notas iniciais do capítulo

Heeey o/
Avisem se tiver erros, mesmo que eu dê uma revisada, sempre tem coisas erradas T-T
Espero que gostem e boa leitura! :3



– Parem... – minha voz está fraca. – por favor!

Silêncio.

Sinto meu sangue escorrendo pela boca.

– Eu não aguento mais minhas lágrimas, que estava segurando, finalmente saem. Lágrimas de dor. – Eu vou morrer.

– Que morra. Você merece! Pessoas malucas como você não deveriam existir!

– Caio, acho que devemos parar, ela já está muito machucada. Se algum funcionário, professor ou até mesmo o diretor saber disso... – o mais baixinho, não chega a terminar a frase, o Caio o corta.

– Que se dane! – ele levanta a mão para me dar outro soco. – Se não quiser ficar aqui, vá embora.

Mais um soco no meu rosto.

Mais sangue, dor e choro.

– Caio, o Rafa está certo, você está exagerando. Ela é somente uma garota...

– Uma garota maluca que só traz má fama para o nosso colégio – ele bufa.

– Eu já disse, se não querem ficar aqui, vão embora!

– Eu acho que não é ela que tem problemas mentais, se é que você me entende.

– O que você está disse, Eduardo?!

Já não basta eu, outras pessoas tem que sofrer por minha causa? Me desespero, querendo interferir, mas estou machucada demais para tal ato.

Antes que pudesse ver qualquer desastre, algo me puxa para outro corredor.

– Quem é você? – Pergunto assustada. – O que está fazendo...?

Ela me dá um sinal para ficar quieta, e me guia até o banheiro feminino.

– Vamos, entre. – diz a garota que me trouxe para cá.

– Por que?

– Para conversarmos.

Eu não discuto, apenas entro no banheiro.

– Desculpa te puxar daquele jeito...

– Por que você fez isso?

– Para te salvar, oras. Você estava quase morrendo – ela dá uma pausa – Quero dizer, você está quase morta.

Me olho no espelho, meu olho esquerdo está roxo, e inchado, minha boca e nariz vermelhos e com indícios de sangue.

– Mas por que você fez isso... exatamente? – pergunto surpresa.

– Como assim?

– As pessoas não costumam ser muito

boas comigo...

– Eu não estava sendo boa e sim humana – ela afirma. – Que pessoa não te ajudaria naquela hora?

– Muitas.

– Muitas idiotas, você quer dizer.

Fico sem palavras, é a primeira vez que alguém realmente se importa comigo.

– Obrigada! – É o que digo, finalmente.

– Não precisa me agradecer.

Eu ia dizer mais alguma coisa, mas desisto e simplesmente sorrio.

– Porque aqueles monstros estavam te machucando?

– É uma longa história.

– Pode me contar! – ela sorri e logo complementa. – É bom que assim eu não preciso ir para a aula de matemática.

– Não é uma história muito agradável, não quero que você me ache maluca, ou que sinta nojo de mim.

– Você realmente acha que vou fazer isso?

Olho em seus olhos, do fundo do meu coração, não sinto más intenções.

– Não.

– Então? Pode confiar em mim!

Eu conto minha historia, todos os detalhes. E para a minha enorme surpresa, ela aceita normalmente.

– Então, você vê espíritos...?

– Sim, vejo com mais frequência na rua ou em minha casa, mas também vejo aqui no colégio.

– Que show! Eu sempre quis ter esse dom...

– É sério? Você não tem medo ou não acha que eu estou mentindo?

– Não – ela sorri ao ver minha expressão incrédula. – Na verdade, sempre acreditei na hipótese de existir espíritos, ou seja, mortos que ficavam andando nas ruas livremente. Uma quarta dimensão. Acho até que foi provado.

– Acho que sim... Mas nem todas as pessoas acreditam, elas acham sempre que fico inventando essas coisas para chamar atenção.

– Entenda, eu não sou as outras pessoas. Eu sou Katlin Martin.

– Que nome bonito!

– Eu sei – Ela diz rindo e levemente sarcástica.

– Me chamo Melanie Levy.

– Nome feio.

– Poxa, obrigada! – digo fingindo cara feia.

– Brincadeirinha.

– Acho bom!

Começamos a rir, eu não rio assim há uns seis anos. Agora que contei tudo e alguém acreditou, me sinto mais livre...

– Seus olhos são bonitos – observa ela.

– Sério? Acho-os sem graça, pretos . Os seus que são bonitos, com a cor do céu, que combinam com os seus cabelos ruivos e sua pele branquinha.

– Isso é tão clichê! – ela ri.

– Você quis dizer: isso é tão raro! – abro um sorriso.

– Não, eu não gosto... – olha para a porta. –Tenho cara de fofa e a aparência que todas as garotas sonham em ter – volta seu olhar a mim. – Já você é a garota diferente e misteriosa. A garota dos olhos negros.

Antes que eu possa responder, ouço passos vindo em direção à porta.

– Você ouviu isso? – Sussurro, assustada.

– Sim... Entra em alguma porta! Rápido!

– O quê?

Empurro-a para dentro de uma cabine, antes que nos vejam.

Não fale nada – sussurro novamente.

Esperamos mais ou menos uns cinco minutos e finalmente saímos daquele lugar.

– Acho que era a professora de geografia... – digo, pensativa.

– Quem é ela? – pergunta, Katlin.

– Você não a conhece?

– Não, sou novata.

– Então você não conhece o colégio direito?

– Não.

– Vamos, te mostrarei! – conheço bastante desse colégio, sei de muitos atalhos.

Gosto desses lugares, apesar de ter alguns fantasmas, não tem nenhum humano para me atormentar.

– Você não aparenta alguém que mata aula.

– Tudo tem uma primeira vez, não é?

– Já disse que te adorei?

(...)

– Eu não acredito, eu vou me matar, minha mãe me matará. Ele me dará uma advertência, nunca levei uma em toda a minha vida!

– Calma Melany, você está muito nervosa. Ficará tudo bem!

– Eu espero!

Com isso, entramos na sala do vice diretor.

– Senhoritas, sentem-se.

Olho para Katlin assustada. Ela só me lança um olhar que dizia: "Relaxa, que darei um jeito."

– O que faziam andando pelo colégio, em vez de estarem na sala de aula? – ele me olha, desapontado – Principalmente você Melany... Nunca imaginei que a senhorita algum dia pudesse matar aula.

– Vice diretor Miguel, temos uma explicação por não estarmos dentro de sala – Katlin começa. Parece que pensou no que dizer. – Melany, pelo que o senhor pode ver, se machucou bastante ao cair da escada, ela estava tão nervosa que começou a tremer e vomitar... Por isso não tivemos tempo nem de chegar a assistir a aula. Desculpe-nos!

– Não, tudo bem. Pelo jeito, foi algo bem ruim, por que não foram ao médico?

– É... que... É que Melany não gosta que a vejam doente.

Miguel não parece se convencer tanto dessa vez.

– É verdade – digo finalmente, ajudando Katlin a convencê-lo.

– Está bem, não vamos mais discutir sobre isso – sinto-me aliviada. – Saibam que eu estou de olho. Se ouver próxima vez, não fiquem passeando pelo colégio, me avisem logo.

– Claro, senhor – Katlin só não dá um pulo de alegria, pois seria óbvio demais que era mentira. – Obrigada!

– Obrigada diretor! – falo baixinho.

Ele nos dá um sinal para sairmos e é o que fazemos. Saímos rapidamente.

– Qual a sua aula agora? – pergunto para Katlin.

– Biologia e a sua?

– História – respondo feliz.

– Nos vemos amanha, Mel!

– Obrigada por hoje! – sorrio diante de meu apelido. – Até mais, Kat.

Ela só pisca e acena com a mão.

Acredito que este seja o início de uma grande amizade. A minha primeira amizade.

(...)

– Para a semana que vêm, eu quero um relatório de 20 páginas sobre a Revolução Francesa, vai valer a nota da prova e vai ser dividido em duplas – explica o professor Junior. – Quero que se organizem e me falem o nome das duplas agora.

Todos falavam seus nomes e seus parceiros. E com o tempo fui percebendo que eu era a única que estava sozinha.

– Quem vai fazer com a Melanie? Essa turma é de 30 alunos e todos vieram hoje, dá muito bem para formar duplas certas.

– Eu faço com ela, professor – um garoto sentado lá no fundo da sala levanta a mão.

– Mas Jeremy, você não ia fazer comigo? – grita Nathalia indignada para esse tal de Jeremy.

– Nath você pode fazer com a Melissa – ele olha com desdém para ela. – Eu faço com a Melanie, ok?

Ela aceita, mesmo parecendo não ficar muito satisfeita.

– Então agora que está tudo certo, vou passar uma apostila de exercícios e preciso que sentem-se juntos.

Antes de poder me levantar, Jeremy leva sua cadeira até a minha.

– Tudo bem? – ele pergunta, sentando-se ao meu lado.

– Acho que sim e você? – respondo, olhando-o, um tanto confusa.

– Acho que sim também. – ele responde com um sorriso bonito.

– Me desculpe por ter que fazê-lo trocar de dupla.

– Eu não me importo. Na verdade, não queria realmente fazer com ela, você parece ser bem mais legal. – ele sussurra.

– Não é o que todos, principalmente o pessoal do colégio, pensa.

– Todos são estranhos.

– Mas gostam de você.

– E eu de você.

Fico vermelha. Antes de responder, gaguejar, alguma coisa, ele diz:

– Você é boa em história, né?

– Sim, por que?

– Porque se não tiraríamos zero nesse trabalho.

– Sorte a sua essa ser a minha matéria preferida – rio.

– Sorte a minha – Ele da mais um daqueles sorrisos lindos, que fazem qualquer garota terem um ataque do coração. Que me fazem ter um ataque do coração.

Muito, muito surpreendente.



Notas finais do capítulo

Agradecemos se mandarem reviews! :3
Bia aqui --> Seria maravilhoso saber o que vocês estão achando da história, mas um simples "Oi. Leio sua fic. Tchau." Já estaria de bom tamanho *--*
Beijos e até o próximo capítulo!