SEM RÓTULOS - welcome to my world escrita por Jose twilightnmecbd


Capítulo 10
Gift




Sept 11, 2002. Wednesday.

03.45pm

From: Isabella

“Are you busy?”

Nossa, Isabella! Isso é mensagem que se mande depois de quase dois dias sem se falarem?” – Isabella falou consigo mesma mordendo o lábio com apreensão.

Sept 11, 2002. Wednesday.

03.47pm

From: Edward

“Depends… if for some crazy trip to another state, No.”

Isabella sorriu ao ler a resposta.

Sept 11, 2002. Wednesday.

03.48pm

From: Isabella

“Can you come out here?”

Sept 11, 2002. Wednesday.

03.49pm

From: Edward

“You’re in front of the football school?”

Sept 11, 2002. Wednesday.

03.49pm

From: Isabella

“Yep.”

Sept 11, 2002. Wednesday.

03.50pm

From: Edward

“Stay right there, mocinha

Edward não tinha ideia do que Isabella estaria fazendo ali hoje, não era dia do Mike e eles não haviam se falado depois das mensagens de segunda de manhã. Mas ficar com o coração acelerado ao olhar para aquela mulher com jeito de menina, o rabo de cavalo num leve balanço por causa do vento, os olhos verdes combinando com a armação dos óculos, também não era algo que ele esperava.

– Oi.

– Oi. – Isabella respondeu e sorriu. Edward estava daquele jeito, com cara de moleque, que ela o havia conhecido. O boné com aba para trás, calça de tac tel preta e uma camisa de manga comprida com o emblema da escolinha no peito e, provavelmente, escrito “treinador” nas costas.

– Perdida no Brooklyn, mocinha?

Isabella sorriu e se lembrou da mensagem “não enviada”.

– Na verdade... – ela ergueu o dedo indicando “um segundo” e virou-se para o carro retirando um embrulho do banco do carona. – Pra você.

Edward ergueu as sobrancelhas e meio sem jeito segurou o embrulho com as duas mãos. Seus dedos tocaram os dela e ele podia jurar que houve algo como uma descarga elétrica nesse pequeno toque.

– Por favor, não me diga que isso é um Guia do Mochileiro das Galáxias? – ele se fez de cético.

– Isso doeu. Pensei que você iria gostar... – Isabella fez um beicinho e olhou para baixo.

– Eu estou brincando! Eu... – Edward sentiu mudar de cor.

– Eu também. – Isabella falou e ergueu olhar para ele. Ela era tímida mas algo em Edward despertava uma vontade de desestabilizar o mundinho marrento dele.

– Então o que é? – E como uma criança, Edward ia começar a sacudir o embrulho quando ela gritou:

– Não faça isso! Será que você poderia simplesmente abrir? – ela sugeriu.

– Ok. – Edward sorriu e mostrou sua total incompetência para desembrulhar um presente.

Isabella o ajudou, segurando os pedaços de papéis conforme ele rasgava, mas sem tirar os olhos do rosto dele. Ela viu o brilho e a surpresa no seu olhar quando ele identificou o que era.

– Meu Deus, Bella. Não posso aceitar...

– Ei! É um presente! Uma forma de... agradecimento por ter me salvado. – ela sorriu.

– Não sou um herói.

– Eu sei. Heróis não precisam de recompensas. E isso é um presente.

– Não devia ter gasto seu dinheiro comigo. – ele agora estava sério.

Isabella piscou e por um instante ficou sem saber o que dizer. Olhou para as mãos dele ainda segurando o pacote e seus lábios se entreabriram, mas ela não disse nada. Edward estava trêmulo, há tempos não sabia o que era ganhar um presente de alguém, muito menos assim tão inesperado. Ele olhou para Isabella, mas ela evitava os olhos dele. Droga, Edward, você é um imbecil total.

– Se não gostou... – Isabella começou a dizer com a voz embargada.

– Se eu não gostei? Isso é... é... – ele olhou novamente para o presente. Era o som que ele tanto queria para seu carro. – Deve ter custado muito caro, não posso aceitar...

– Olha, eu ia gastar mais que o dobro para comprar um protótipo de Etérnia que iria ficar escondido no meu quarto – ela engoliu – Porque ia ficar escondido mesmo, e era tudo uma grande farsa. Portanto, eu tenho o direito de gastar o meu dinheiro com o que eu quiser e você poderia simplesmente agradecer. Porque você vai ficar com este som, nem que seja para jogar na primeira caçamba de lixo que vir. – ela terminou seu pequeno discurso quase sem fôlego.

Edward, que a princípio estava boquiaberto olhando para ela, quando Isabella terminou e ajeitou seus óculos o encarando, ele deu um sorriso torto sedutor.

– Obrigado.

– De nada. – Isabella disse quase ao mesmo tempo.

Mas que droga! Que sacrifício para ouvir um obrigado e ver esse sorriso encantador. Pera. Sorriso encantador? Eu não disse isso.

– Eu, na verdade, estou sem palavras, Bella. Sério. Como conseguiu isso?

– Tenho meus contatos. – ela sorriu sem jeito.

– É perfeito. Mas... Não sei. Acho que vou guardar no meu quarto de lembrança.

– Por quê?

– Como obrigar você a cantar de novo pra mim se tiver som no meu carro?

Isabella sentiu seu rosto esquentar. Ele disse “de novo”? – Ela deu um leve pulinho quando o celular dele tocou, um toque tradicional estridente.

– Só um instante. – Edward disse e se virou um pouco de lado para atender ao celular.

Isabella ficou ali reparando em seus movimentos, o como ele parecia ter uma mania de apoiar a mão no quadril... num movimento, ele se virou para ela, ainda falando ao celular e sorriu. Edward constatou que estava sendo analisado e isso mexeu com ele de uma maneira totalmente nova.

– Desculpe. O Eleazar ainda não sabe viver sem mim, está meio que pirando com a minha viagem.

– O Eleazar é o de cabelos grisalhos? Ele é seu chefe?

– Meu chefe? O Eleazar é meu sócio. Pensei que você soubesse.

– Então... a escolinha é sua?

– Bom, no início éramos três. Eu tinha entrado com menos capital e mais trabalho, até na construção eu ajudei. Ano passado, Damon precisou sair e eu comprei sua parte.

– Poxa, foi você então que fez o nome da escolinha. Belo trabalho, treinador. Às vezes, algumas coisas valem o sacrifício... – Isabella falou e quase deu uma piscadela.

– Essa fala é minha.

Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, Isabella conferiu as horas.

– Tenho que ir...

– O que vai fazer na sexta?

– Sexta... – ela parou um pouco para pensar, havia algo... – Ah! Sexta vai ter uma despedida de férias pra mim lá no escritório.

– Fazem isso?

– É que eu não tiro férias por mais de uma semana em três anos, então o pessoal achou que isso merecia uma comemoração.

O nome de Edward foi gritado do outro lado da rua e eles olharam ao mesmo tempo. Era Eleazar gesticulando, parando apenas para acenar para Isabella.

– Bella, me desculpe, mas eu tenho que ir, parece que um garoto torceu o pé, preciso dar uma olhada antes de chamar a ambulância.

– Tudo bem, vai lá. Desculpe se te atrapalhei...

Ela jogou um braço no ar, num gesto atrapalhado e Edward pegou seu pulso com firmeza.

– Você nunca vai me atrapalhar.

Isabella nem piscava enquanto Edward mantinha seu olhar. “Aviso ou uma promessa?

Isabella dirigia de volta para casa e enquanto passava pelo túnel Midtown, se pegou pensando que Edward deixara em segundo plano o aluno de pé torcido para estar com ela e do brilho nos olhos dele ao reconhecer o presente. No domingo pela manhã estariam embarcando para o Brasil e isso lhe causava arrepios. O Brasil lhe causava arrepios. Ou a história de sua irmã com o “Brasil” lhe causava isso.

***

1987. Esse foi o ano em que Marie Dwyer, de 18 anos, conheceu Michael Newton, brasileiro, 28 anos. Ela estava no início de seu primeiro semestre na área de saúde na Rockefeller University. Quando um palestrante muito bonito e intrigante, falando inglês com um sotaque engraçado, conquistou a plateia jovem numa manhã de sexta-feira.

Marie olhava Michael com tanto interesse que seu olhar conseguiu atrair a atenção dele. Ela era destemida e quando cismava com algo não desistia fácil. Marie tinha presença e mesmo sendo caloura, não se deixava intimidar pelos veteranos. Ela tinha sido a mais popular em seu colégio e rainha do baile. Não era pouca coisa.

Michael não pensava em se apaixonar quando fora convidado para dar essa palestra nos EUA, mas não contava encontrar em seu caminho uma jovem tão sedutora. A diferença de idade era o menor dos problemas, quando Marie lhe entregara um folder sobre uma festa de sua irmandade. “Não posso ir...” Ele tentara argumentar. “Não aceito não como resposta” ela dissera. Loira de olhos verdes, corpo escultural, Michael se viu num daqueles filmes americanos estilo American Pie, que ele tanto detestava.

Mas ele foi a essa festa, e de fato, acabou como ele previra, Marie bebendo mais do que aguentava e ele tendo que levá-la para seu próprio dormitório (cedido pela universidade) onde ela o seduzira de todas as formas possíveis e impossíveis. Mas a “transa” inevitável, devido a eletricidade que se formava cada vez que apenas se olhavam, aconteceu pela manhã, quando ela já sóbria, retirou a camiseta branca que era a única peça que somava com a outra que era apenas uma calcinha de algodão com coraçõezinhos vermelhos.

Eles viveram um amor impossível, Michael estava de viagem marcada de volta ao Brasil e se surpreendeu quando Marie apareceu apenas com uma mochila e seu passaporte no dia de seu embarque. Casaram-se em 3 meses e em Outubro do mesmo ano, Marie anunciou que estava grávida. A família de Marie era puro ódio e Michael se viu mais uma vez apaixonado vendo sua jovem esposa enfrentar a repulsa da família de cabeça erguida.

Uma dor era maior do que todas quando Marie falava de sua meia irmã Isabella. Uma pré-adolescente hiper inteligente e mais madura do que deveria aos 10 anos de idade. Irmã por parte de mãe do segundo casamento de Renée.

Quando o filho deles nasceu, Michael Newton Junior, Marie começara a se comunicar por e-mail com sua irmã e esta se encarregara de tentar amansar a família. Um ano era tempo suficiente para deixar claro que nada havia sido em vão, e o nascimento de uma criança sempre era motivo de alegria.

Mas apenas depois de Mike completar 1 ano de idade é que a família de Marie cedeu um pouco e recebeu bem a notícia de que eles estavam indo a Nova Iorque para fazer as pazes com a família e apresentar o primogênito.

O trágico destino fez com que Renée se sentisse responsável pela morte de sua filha e de seu genro. Eles sofreram acidente quando deixaram o aeroporto e pegaram o carro alugado em direção a Manhattan. Somente a criança sobrevivera. Isabella se agarrara a mala da irmã que fora lançada longe com a batida e ela conseguira pegar sem que a polícia visse. Uma mala que ficara lacrada por nada menos que 13 anos.





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "SEM RÓTULOS - welcome to my world" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.