Um Erro Inocente escrita por Lady Light Of Darkness


Capítulo 16
Capítulo 15




Stella estava nervosa. Seu marido já não era o cavalheiro sedutor brincalhão de minutos atrás, mas um perigoso predador pronto para o ataque.
—Não quero que veja o senhor Carter. – Ele anunciou com tom firme.
A ordem direta se chocou com o orgulho de Stella. Não seria intimidada por nenhum valentão, mesmo que fosse seu marido.
—Não seja absurdo! Devo ir investigar o que o traz aqui. Pode ser algo importante.
—Nesse caso eu mesmo irei recebê-lo.
—Ele veio para falar comigo.
—Porque e um tolo. Se possuísse um mínimo de bom senso, teria imaginado que não e seguro ir procurar uma senhora casada.
—Taylor, por acaso... Está me proibindo de ver Frankie?
—Porque desejaria vê-lo? Caso tenha esquecido, agora sou seu marido. Goste você ou não...
—E nesse momento eu não gosto. – Ela o interrompeu.
—... E estamos casados.
—O que não da você o direito de me tratar como criança.
—Eu estou a tratando como minha esposa. Não quero que encontre esse cavalheiro com quem um dia te planos de se casar. Não considera minha atitude razoável?
—Ridícula. O que acha que pode acontecer no salão principal da nossa casa?
—Quer que eu entre em detalhes?
Stella corou compreendendo a insinuação.
Não duvidava que ele fosse um especialista em seduzir mulheres casadas dentro de suas casas. Ou em qualquer outro lugar, para ser mais honesta.
—Deve saber o que diz. –Ela disparou. –No entanto, não precisa temer que eu permita que Frankie me seduza sob o teto de meu marido. Tenho meus padrões.
Ele não teve sequer a delicadeza de demostrar constrangimento ao ser atacado. Em vez disso, sorriu.
— E porque devo confiar em você, Stella? Se não tem nenhuma confiança em mim...
Está era uma acusação que ela não podia negar. Por isso mantinha a distancia física entre eles e não sucumbia as suas tentativas de sedução.
Era entranho, mas de repente descobria que não se importava realmente por ter sua honra questionada. Afinal, era muito difícil defender qualidade tão intangível.
—Não receberei ordens, Taylor. – ela observou com firmeza surpreendente. – você e meu marido, não meu mestre. E agora com licença, a alguém esperando por mim.
—Stella...
Ela se dirigiu à porta como se não escutasse o chamado. Não acataria as absurdas ordens de Taylor. O destino podia tê-la obrigado a desposar esse homem, mas isso não a obrigava a transformar-se numa dessas esposas sem fibra que se curvavam a todos os caprichos do marido.
De cabeça erguida, ela deixou a estufa e seguiu para o salão, certa de que o marido a seguiria. Ao constatar que ele não estava atrás dela, Stella respirou aliviada.
Por outro lado, sentia uma ponta de culpa. Não que se arrependesse da decisão de enfrentar a ordem arrogante. Possuía orgulho demais para submeter-se a um homem, mesmo que fosse seu marido. Mas uma parte dela não podia deixar de pensar que a trégua temporária havia chegado ao fim por conta de sua decisão. Mais uma vez eram inimigos, com nada em comum senão animosidade.
Era uma situação desanimadora.
Tentando se livrar dos pensamentos inoportunos, Stella entrou no salão e forçou um sorriso ao ver o jovem cavalheiro levantar-se apressado.
— Frankie, que surpresa — disse, aproximando-se com as mãos estendidas.
— Oh, Stella, é muito bom vê-la!
— Não quer se sentar? — ela o convidou, estranhando sentir apenas uma vaga ternura pelo homem que um dia amara.
Frankie esperou que ela se acomodasse para retomar seu assento.
— Está tão linda quanto antes — disse.
— Obrigada.
— Sente-se... feliz?
Não desejava discutir seu casamento com esse homem. Ele não demonstrara preocupação com sua felicidade quando fora surpreendida naquela hospedaria e envolvida num escândalo. Era tarde demais para considerar seus sentimentos agora.
— Tanto quanto se pode esperar — disse.
— Que bom — ele respondeu distraído, como se nem a escutasse.
— E você, Frankie, como está?
— Miserável — ele suspirou profundamente.
— Sua mãe? — lembrava-se de como a Sra. Carter costumava importunar o único filho com sua excessiva autoridade.
— Sim. Agora ela está exigindo que eu me case com a senhorita Hunt.
Stella engoliu um suspiro resignado. Havia sido a determinação da mãe dele em casá-lo com uma jovem de fortuna que os levara à decisão de fugirem. Na época, estivera convencida de que o único meio de ajudar a salvar o pobre Frankie era desposá-lo em segredo. Agora se sentia ressentida e irritada por perceber que ele ainda estava à mercê do despotismo da mãe. Não havia aprendido nada durante a breve tentativa de independência?
— Ela não pode obrigá-lo a fazer nada contra sua vontade — disse. — Já tem idade para tomar suas próprias decisões.
— Você conhece minha mãe. Ela tem transformado minha vida num inferno desde que tentamos fugir. Não consigo mais sair de casa sem que um criado me siga e relate detalhadamente onde estive, com quem falei e o que fiz. Minha mãe está mais do que determinada em impedir que eu me relacione com outra mulher.
— Já considerou a idéia de ir viver sozinho?
— Nada me faria mais feliz, minha cara, mas minha mãe nunca permitiria que eu a deixasse.
Sem saber o que Frankie esperava que ela fizesse, Stella suspirou. Ele não podia estar pensando em continuar contando com sua ajuda, agora que estava casada com lorde Taylor. Uma coisa era esperar seu apoio quando mantinham um relacionamento secreto. Agora sua lealdade tinha outro depositário: o marido.
Mesmo assim, Frankie era capaz de momentos de imensa ingenuidade. Era possível que ele nem houvesse levado em conta a noção de que não era próprio estar ali buscando a companhia da ex-noiva, e era ainda mais possível que nem houvesse considerado a possibilidade de ela ficar ofendida com o pedido de ajuda.
— O que o traz a minha casa? — ela perguntou com paciência.
— Ah, bem... Tive uma horrível discussão com minha mãe. Ela me acusou de roubar suas jóias.
—Jóias? –Stella piscou surpresa.
Que extraordinária coincidência que a mãe dele estivesse sentindo falta de algumas jóias no mesmo momento em que um louco perigoso a acusasse de estar de posse de suas jóias.
— O que disse, Frankie?
— Bem, tudo é apenas um terrível mal-entendido. Ela deve ter deixado as jóias em Washington, ou levou-as para serem limpas, não sei.
— É muito estranho.
— Não realmente. Ela é capaz de agarrar-se a qualquer desculpa para convencer-se de que estou tentando fugir dela. Como se eu fosse capaz de roubar aquelas jóias só para divertir-me.
— Sim, mas...
— O que foi, Stella?
— Ah, eu... — Ela balançou a cabeça.
O Sr. Carter e as jóias da mãe dele não tinham nenhuma ligação com o misterioso Sr. Da capa preta.
— Não é nada. Ainda não me contou o que faz em Manhattan.
Um rubor tingiu o rosto pálido.
— Fiquei tão furioso com as acusações de minha mãe, que saí de casa jurando nunca mais voltar.
Surpresa com a rara demonstração de coragem, Stella o encarou com um sorriso divertido.
— Por Deus!
— Infelizmente, não sei para onde ir. Então pensei em você e... bem, aqui estou.
— Ah, entendo...
— Seria uma imposição muito grande se eu passasse alguns dias em sua casa? Só até provar para minha mãe que ela não pode falar comigo daquela maneira?
Stella tremia só de pensar na reação do marido a semelhante pedido. Ele já havia sido mais do que razoável permitindo que fosse receber o ex-noivo. Ficaria realmente furioso se solicitasse hospedagem para Frankie sob seu teto.
— Bem...
— Prometo não incomodar — Frankie insistiu. O que poderia fazer?
A incapacidade de abandonar alguém em necessidade a conduziu à decisão. A mansão também era sua casa agora, e apesar de tudo que havia acontecido, Frankie ainda era seu amigo. Não seria generoso abandoná-lo num momento tão difícil.
Mesmo assim, foi com grande inquietação que ela respondeu:
— É claro.
Frankie aplaudiu aliviado.
— Sabia que podia contar com você, Stella. Sempre foi minha maior amiga.
Desejando que ele escolhesse outra amiga de quem depender, Stella levantou-se. Teria de ir ao encontro de Taylor e revelar que oferecera abrigo a Frankie antes que ele tomasse conhecimento do fato pelos criados.
— Vou providenciar para que seus aposentos sejam preparados — ela murmurou.
— E não permitirá que minha mãe saiba que estou aqui?
O tom aflito a irritava. O homem não podia superar sua natureza fraca ou o hábito de acatar ordens.
— Não tenho nenhuma intenção de procurar sua mãe — ela respondeu com tom seco.
— Obrigado.
Stella sorriu e saiu da sala.
Nas primeiras semanas de seu casamento, havia pensado freqüentemente em Frankie, esperando tolamente que ele aparecesse de repente para levá-la daquela confusão em que se transformara sua vida. Mesmo com a decepção em sua falta de determinação em torná-la sua esposa, apesar do escândalo, havia decidido que qualquer coisa seria melhor do que passar toda a eternidade ligada a Taylor.
Era irônico que, agora que ele estava ali, percebesse subitamente que a presença de Frankie jamais havia sido uma solução para seus problemas. Não só ele carecia da força para lutar e brigar por ela, como estava voltado demais para as próprias necessidades para poder considerar as de outras pessoas.
Sim, Frankie era muito diferente de Taylor...
Se a mulher que ele havia escolhido para sua esposa tivesse sido forçada a desposar outro homem, ele não se teria retirado da disputa sem antes lutar com todas as armas. Teria ido às últimas conseqüências para mantê-la a seu lado, um conhecimento que provocou uma intensa dor em seu coração. A dor da perda.
Havia se esforçado muito para preservar a imagem de seu amor por Frankie. Quisera acreditar que tudo entre eles havia sido puro e perfeito. Mas, depois de vê-lo no salão de sua nova casa, começava a sentir um forte receio de que até mesmo as mais doces lembranças fossem conspurcadas.
A certeza de seu amor por Frankie havia sido sua mais eficiente arma para resistir ao charme de Taylor.
E temia precisar de todas as armas que pudesse ter em mãos.





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