Um Erro Inocente escrita por Lady Light Of Darkness


Capítulo 11
Capítulo X




Na manha seguinte Stella precisou de muita coragem para deixar seus aposentos.
Apesar da firme determinação em banir da mente todas as reminiscências de Taylor,
Passara uma longa noite de insônia recordando suas absurdas acusações.
Como ele ousava afirmar que seu amor por Frankie era como se fosse de uma mãe com um filho? Frankie possuía uma natureza mais doce e generosa do que a de Taylor, e o amor que os unira havia sido mais de amizade do que de paixão, mas isso não queria dizer que se houvesse ligado a ele simplesmente para realizar algum entranho desejo de ter alguém de quem cuidar.
Isso era inteiramente ridículo.
Então, porque passara toda a noite se virando na cama?
Porque toda aquela conversa sobre ter filhos despertara nela uma profunda dor, uma solidão que havia tentado manter soterrada de todas as formas? Porque ele a forçara a realmente considerar a ideia de que estava para sempre unidos um ao outro? Porque ele havia prometido ser um marido fiel? Porque por um momento quando ele a tivera nos braços, havia desejado permanecer ali para sempre?
Todos estes pensamentos eram inquietantes, e preferia não ter de considerá-los.
Por isso, ela se levantou da cama e voltou deliberadamente toda sua atenção para o estranho invasor que havia tentado penetrar em sua casa. Sem duvida, Taylor já dera inicio a pesquisa para localizar o vilão, e embora uma parte dela ansiasse por poder permanecer em seu quarto e fugir da perturbadora companhia do marido, um lado mais sensível de sua natureza percebia que tinha o dever de ir oferecer sua ajuda.
Afinal, aquela casa era tão dela quanto de Taylor, e não tinha a menor intenção de permitir que vilões mal-intencionados entrasse e saísse por suas janelas. Com esse pensamento em mente, ela foi procurar Taylor.
Foi uma grande surpresa descobrir que ele não estava nada ansioso para permitir que ela o acompanhasse enquanto interrogava os colonos, ou quando se preparava para viajar ao vilarejo e conversar com os comerciantes locais. De maneira ridícula, ele alegava que a responsabilidade de proteger a casa e seus habitantes era inteiramente dele. Taylor só concordou com sua presença na carruagem porque ela foi igualmente teimosa e obstinada.
Francamente, ela refletia enquanto esperava que o marido retornasse da hospedaria, era de se imaginar que ele acreditava que toda a área rural estava tomada por perigosos malfeitores! Para uma mulher que nunca tivera ninguém se ocupando de sua segurança ou de seu bem estar, a sensação de ser tratada como um delicado objeto era decididamente estranha.
Estranha mas não inteiramente desagradável. Apontou uma voz traiçoeira no fundo de sua mente.
Não que pretende-se permitir que Taylor a dominasse ou que ditasse o que devia ou podia fazer, mas havia algo de muito agradável em ter alguém que a considerasse uma mulher vulnerável , não a invencível Stella.
Balançando a cabeça como que para censurar o ridículo pensamento, ela olhou pela janela para a porta da movimentada hospedaria. O clima ameno do verão mudara de repente, e agora uma garoa fina pintava de branco a paisagem do vilarejo. Através da densa nevoa Stella finalmente viu a elegante silhueta do marido.
Um delicioso e familiar arrepio de reconhecimento percorreu suas costas quando ele se aproximou, como se seu corpo possuísse uma conexão especial com o dele, algo que ia além da mente racional.
Era um reconhecimento que ela havia constatado antes, no inicio do casamento, e por isso lutava bravamente contra suas tentativas de sedução. Podia não ser capaz de controlar as desgovernadas raçoes de seu corpo, mas era sensata o bastante para saber que paixão sem amor geraria uma relação superficial, vazia.
Com graça e elegância Taylor entrou na carruagem e fechou a porta. Com cuidado ele removeu o casaco molhado e deixou no assento vazio diante deles ates de se sentar ao lado da esposa.
_Então? –Stella perguntou impaciente. Na verdade estava curiosa, sim, mas também queria distrair do aroma desprendido daquele corpo másculo.
Um sorriso distendeu os lábios do lorde.
_Sucesso, afinal.
Stella arregalou os olhos numa reação atônita.
_O que? Alguém reconheceu o desenho?
_sim, o responsável pela hospedaria. Ele disse que o homem chegou a dois dias e registrou-se com o nome de Andrew Badford.
Stella estremeceu. Sabia que seu comportamento era ridículo, mas tomar conhecimento de que alguém havia reconhecido o invasor tornava tudo mais real... E assustador. De repente, ele não era mais uma forma vaga imaginada pelo reverendo Sid, mas um vilão de carne e osso que, numa demonstração de ousadia, instalasse na hospedaria local.
_Não e um nome original. –Ela comentou.
_Não. Mas uma indicação de que esse homem não é um criminoso muito astuto.
_Mas o que ele pode querer de nós?
_Isso é o que pretendo descobrir.
Havia uma nota ameaçadora na voz dele, um som que desenhou uma ruga na testa de Stella.
_ O que vai fazer?
Como se sentisse sua preocupação. Taylor encolheu os ombros de modo a diminuir a importância de seus atos.
_O responsável pela hospedaria afirma ter visto o Sr. Badford saindo da hospedaria hoje bem cedo. Ele tara se retornar mais cedo ou mais tarde, e pretendo estar esperando por ele.
Stella balançou a cabeça, protestando instintivamente contra a ideia de seu marido ficar ali exposto a um criminoso.
_Não creio que seja uma decisão muito astuta.
_Porque não?
_Pode ser perigoso.
Uma inegável emoção o tomou de assalto, e ele sorriu como que para tranquiliza-la.
_pretendo esperar por ele em um salão publico. Não há nada que ele possa fazer contra mim enquanto estivermos carcados por outras pessoas.
_Não pode estar certo disso. – o olhou.
Ele a estudou por um momento antes de balança a cabeça mais uma vez.
_Você me surpreende Stella.
_Por quê?
_Bem, não posso deixar de pensar em quanto seria conveniente para você, caso alguém desse cabo de mim.
O choque inicial foi rapidamente substituído por uma onda de fúria. Como ele podia insinuar que preferia vê-lo morto, e ainda falar com toda aquela calma?
_Como se atreve a me acusar de algo tão horrível? –Ela disparou com a voz trêmula.
Taylor riu e estendeu a mão para segurar seu punho cerrado.
_Perdoe-me, não fui muito generoso em meu comentário.
Ela olhou para a mão que segurava a dela. Estava zangada e estranhamente magoada por ele a julgar capaz de um desejo tão egoísta e cruel.
_Não desejaria a morte de ninguém. –disse.
_É claro que não. Nem eu acredito realmente que pudesse ter tal desejo, mas o orgulho de um cavalheiro pode provocar atitudes imprevisíveis e inexplicáveis.
Ela o encarou intrigada, confusa com a justificativa nebulosa.
_o quê?
_Não tem importância. –Ele afagou sua mão. É hora de voltar para casa.
_Sem você? –Stella perguntou preocupada, lembrando sua determinação de ficar e esperar pelo homem que podia ser o invasor de sua casa.
_James a levará para casa e voltará mais tarde para apanhar-me aqui.
Sem perceber ela ergueu os ombros numa atitude determinada e teimosa.
_Não. Não pode ficar aqui sozinho.
_Asseguro-lhe de que não há perigo algum.
_Nesse caso permita-me ficar aqui. –Ela insistiu.
Taylor tocou uma mecha de cabelo que havia escapado se sob a touca.
_Stella, não pode permanecer em um salão publico.
_Eu fico esperando aqui na carruagem. –ela sugeriu, tentando ignorar o intenso prazer provocado pela mão rocando seu rosto. –se vir um homem entrando na hospedaria, mandarei um dos cocheiros informá-lo.
Ele já balançava a cabeça antes mesmo de ela terminar de falar.
_Se este homem for capaz de reconhecer nossa carruagem, certamente fugirá.
Stella suspirou resignada ao ouvir o argumento lógico. Mesmo assim, não permitiria que ele ficasse ali sozinho, expondo-se a tão temível perigo.
_Não quero que fique aqui sozinho. – disse, utilizando um tom que manifestava toda sua obstinação.
Um sorriso apreensivo e satisfeito brincou nos lábios de Taylor antes de ele mover a cabeça em sentido afirmativo com alguma relutância.
_Certo um dos cocheiros ficara aqui comigo.
_E você vai tomar cuidado. – ela exigiu.
_Sim, tomarei cuidado. –fitando-a ele inclinou a cabeça.
Stella sabia que o marido se preparava para beijá-la. Também sabia que ele estava retardando o beijo a fim de permitir que o detivesse, caso assim desejasse.
Mas ela não o fez nenhum esforço para evitar que os lábios cobrissem os seus, nem mesmo quando o beijo aprofundou-se revelando um desejo que se igualava ao dela.
Por alguns longos e atordoantes momentos, ambos perderam-se na necessidade ardente que ganhava vida dentro da carruagem.
O veiculo de espaço reduzido, a chuva que caia contra as janelas, os criados do lado de fora, tudo desaparecia varrido pela tentação que girava no ar como um turbilhão. Somente o grito do cocheiro anunciando que outra carruagem se aproximava teve o poder de romper o poderoso encantamento.





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