Sobre Humanos e Deuses escrita por S Laufeyson


Capítulo 28
Capítulo 26 - De Deusa a Humana


Notas iniciais do capítulo

Boa Tarde, amores!!
Então, finalmente, encerramos a viagem de Roxie pelo passado. Foi maior do que eu imaginei? Foi! Com toda a certeza do universo... (sim, acreditam que eu programei para ser, no minimo, 8.000 palavras que se estendeu em quase 38.500 e 75 páginas?)... Eu tive que dividir esse negócio ou ninguém conseguiria ler... E se lesse, demoraria anos (sim, sou exagerada mesmo...kkkk)... A culpa disso tudo foi da Sigyn e do Loki, que criaram vida e saíram sussurrando o passado em meus ouvidos.. :3...
Então é isso.. me digam o que acharam e se deveria ter mudado alguma coisa.

Comentem e Recomendem... *.*... deixem essa autora eufórica e chorosa... o/

Quem ainda não adicionou o grupo no face, corre lá.. vamos para o grupinho...
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Divirtam-se e me deixem saber...



Sigyn separou-se segundos depois. Ainda de olhos fechados, sentia a sensação dos lábios de Loki aos seus. Eram macios e quentes. Ela nunca havia provado um beijo como aquele, mesmo que não tivesse sido correspondido, já que o deus não esperava por ele.

– Eu... – Ela começou a falar, mas foi interrompida quando Loki a puxou para mais perto e tomou-lhe os lábios novamente, só que dessa vez de uma forma mais desesperada. Acreditava que aquilo não estava acontecendo. Era mais uma das peças que sua mente, brilhante, lhe pregava ao pensar nela ou talvez um sonho que ele poderia acordar a qualquer momento. Por isso não podia perder nenhum segundo sequer.

A mão lhe apertava a cintura, fazendo com que ela estivesse ainda mais próxima a ele, se é que aquilo era possível. A outra lhe acariciava a nuca, impedindo que ela se afastasse, mesmo que a deusa não desejasse se afastar. Não havia outro lugar que ela quisesse realmente estar, que não fosse nos braços de Loki.

Os lábios separaram-se em busca de ar e os olhares se encontraram. Loki ainda voltou a depositar um beijo nos lábios de Sigyn, apenas para ter a confirmação de que era ela ali. A ruiva jogou-se nos braços dele e o abraçou com bastante força, o que fez com que ele sorrisse.

– Vamos para casa. – Loki alisou os cabelos dela. Ela assentiu e afastou-se. Loki colocou-se de pé e estendeu a mão para que ela também se levantasse. Pegou a tocha e seguiu até onde estavam os cavalos. Ele ajudou a mulher a montar, antes que fizesse o mesmo. A viagem de volta para casa não durou nem dez minutos.

A ruiva entrou no palácio abraçada ao deus da trapaça. O rosto inchado, as marcas de lama em seu vestido e os cabelos desgrenhados. Era o retrato da tristeza. Aquilo aparentava ainda mais quando pensava que agora seria, definitivamente, prisioneira em sua própria casa.

– Sigyn! – gritou Frigga completamente desesperada. Estava estampado no rosto da rainha a preocupação pelo desaparecimento da filha. Ela conversava com Thor e com Sif, organizavam um grupo de busca se Loki não retornasse. Agarrou a filha em um abraço apertado e em seguida, segurou o rosto dela entre as mãos. – Você não sabe que é perigoso, Sigyn? Não pensou em nenhum de nós? O que deu em você?

– Pergunte ao papai e ao Balder, eles saberão te informar exatamente o que aconteceu. – ela respondeu sem a mínima vontade de falar. – Agora se me der licença, preciso de um banho e de uma noite de sono. – Ela respirou fundo, tentando impedir que sua mãe a visse chorar, mas sem êxito.

Loki começou a explicar a situação a Frigga, desde o momento em que Balder agrediu ela e lutou com ele, até quando ele exigiu de Odin que tornasse Sigyn prisioneira em sua própria casa. A rainha ouviu tudo calada, embora a ira fervilhasse em seu interior. Jamais permitiria algo assim, não se ela permanecesse viva. Iria intervir no destino de sua filha de qualquer maneira e começaria impondo a Odin que revogasse a ordem de fazer a princesa de prisioneira. Ela era mãe de Sigyn e não ficaria calada diante de tamanha injustiça. Odin seria obrigado a escutar tudo o que ela teve que engolir por séculos a fio.

...

A princesa estava sentada em sua cama e observando enquanto as suas damas retiravam, do meio do quarto, a tina de madeira na qual havia se banhado. Pegaram todas as toalhas, e roupas sujas, e deixaram o lugar. Não sem antes fazer uma breve reverência já que Loki estava na porta, aguardando que todas saíssem para que ele pudesse entrar. A deusa terminava de escovar seus cabelos, com o semblante abatido e olhos fixos em um ponto qualquer do quarto. Nem mesmo o fato do moreno sentar-se ao seu lado, fez com que ela despertasse daquele transe.

– Você está bem? – perguntou olhando para a ruiva, que apenas negou com a cabeça. – Olha para mim, Sigyn. – ele segurou no queixo da deusa e o puxou, gentilmente, para ele. - A mãe falou com Odin e você está livre. Ele não vai mais te obrigar a ficar prisioneira em casa.

– Sério? – as sobrancelhas da jovem arquearam-se. Loki sorriu e assentiu. – E o casamento?

– Nisso ele está irredutível. Diz que a palavra de um rei, para o seu povo, é irrevogável. A mãe não quer mais falar com ele, por conta disso. – Loki a olhava com pena. Toda a esperança, de ter aquele casamento anulado, desfez-se tão rápido quanto surgiu. A deusa deixou que seu corpo deitasse na cama e retornasse ao seus tristes pensamentos. Sabia que poderia ter escapado de ser prisioneira por duas semanas apenas, mas e depois? Quando estivesse casada com Balder? Ele a manteria presa dia e noite, até porque Odin não poderia saber que ele, provavelmente, a machucaria. Ela não seria uma esposa submissa, como ele mesmo deu a entender. Ela não se deixaria ser tocada por ele. Ele a forçaria.

Loki deitou ao lado dela, olhando-a. Alisou-lhe o rosto, enxugando-lhe algumas lágrimas que teimaram em escorrer. Depositou um beijo em sua testa e outro na ponta de seu nariz, antes de tomar-lhe os lábios ternamente.

– Não está ajudando, Loki. – falou a ruiva quando o deus separou-se dela. – Só está piorando as coisas.

– Como eu posso estar piorando as coisas? – ele a encarou com uma sobrancelha erguida.

– Eu me casarei em duas semanas. – ela voltou a chorar. – Mesmo contra a minha vontade, terei que ser fiel a ele. É a minha natureza. Como posso ser fiel se você faz isso?

– Isso o que?

– Me ama. – Ela respondeu levantando-se da cama. – Por favor, Loki, pare. – O deus levantou-se e aproximou-se dela, mas sem tocá-la. Sigyn permanecia de costas para ele.

– É isso mesmo que quer? – Perguntou o moreno e a princesa balançou a cabeça negativamente. – Então deixe claro o que você quer.

– Eu quero que me salve. – ela virou-se para ele. – Não me deixe casar com ele. Eu imploro. – Loki segurou o rosto dela com as mãos e fez com que ela o encarasse.

– Você não vai casar com ele.

– Você vem me dizendo isso há séculos. Eu não sei se consigo acreditar, faltando duas semanas para o casamento.

– Eu estou cuidando de tudo. Eu juro. Quando eu te prometi uma coisa e não cumpri? – ela respirou fundo e abaixou o olhar. Loki levantou a cabeça dela outra vez. – Me responda. Quando?

– Nunca.

– Eu costumo cumprir aquilo que realmente me disponho a fazer e impedir que se case é a minha prioridade. – Os olhos verdes correram por toda a extensão do rosto de Sigyn, quando ela assentiu. Ele não mentia. Estava sendo tão sincero quanto poderia ser. A mente brilhante formando um plano quase sem falhas. Não a desapontaria.

...

Dez dias se passaram extremamente rápido e nos braços de Loki, Sigyn não se importava que eles corressem. Tinha o deus ao seu lado e isso bastava. Marcaram de se encontrar em vários locais diferentes, sempre para impedir que fosse levantado alguma suspeita e naquele dia, o local marcado havia sido o planetário.

Ela deixou o quarto rapidamente. Já estava atrasada e sabia disso, mas tinha que esperar que o corredor estivesse completamente vazio, para sair. Não podia correr o risco de ser pega, não agora.

Ainda da porta de seu quarto, espreitou o lugar e quando se deu conta de que ninguém vinha, saiu apressada em direção as escadas. Loki já estava aguardando por ela.

Correu em direção ao jardim, mas antes de sair, viu Balder no corredor, de costas e conversando com um soldado. Ela paralisou imediatamente quando o viu e implorou, apenas com o olhar, para que o soldado não dissesse que a havia visto. Ele sorriu disfarçadamente e continuou dando atenção ao seu superior. A ruiva entrou em desespero, procurando uma maneira de esconder-se. Caminhou extremamente cautelosa, para que não fizesse barulho, e voltou ao corredor. Entrou na primeira porta que encontrou destrancada.

– Se eu fosse você, iria para trás daquela cortina. – falou Hodr, irmão de Balder. Ele tocava uma música terna no piano e Sigyn assustou-se imediatamente. Perguntou-se como não havia escutado a melodia que se espalhava pelo lugar e como ele a havia escutado, já que ela entrou sem fazer nenhum barulho sequer. Virou-se na direção dela e a encarou. Os olhos azuis tinham uma tonalidade leitosa, como se uma película encobrisse toda a superfície da íris. Ele era cego de nascença, mas se não fosse a cor de seus olhos, ninguém diria. Ele era gêmeo de Balder, exatamente o mesmo rosto. – E sugiro que faça isso nesse exato momento, se não quiser ser pega.

Ela não o questionou, em minuto algum. Ao invés disso, correu para trás da cortina. Um minuto depois, o homem entrou na sala. Hodr já estava tocando a música outra vez.

– Você viu Sigyn? – perguntou Balder e a garota prendeu a respiração. – Eu estava querendo um pouco da companhia de minha noiva, mas não a encontro em lugar nenhum do palácio. – ele olhou para o irmão que continuava a tocar, como se ele não estivesse ali. A raiva de Balder, por ser ignorado, começou a crescer. – Olha para quem eu estou perguntando. Não veria nem um palmo a frente de seu nariz. – Ele deu as costas para Hodr e o homem parou de tocar.

– Eu não a vi. – Sigyn soltou o ar, devagar. – E mesmo que tivesse visto, não te contaria. – o líder do exército de Asgard aproximou-se sorrindo do irmão e fechou a proteção das teclas do piano, pressionando os dedos de Hodr.

– Você é bastante ousado, para um aleijado. – deixou que as palavras ferinas saíssem de sua boca com grande prazer. O irmão sempre havia sofrido nas mãos dele, justamente pela sua deficiência. Não era um guerreiro e por isso, Balder dizia que ele era uma vergonha para sua família. Deu as costas para ele outra vez e saiu, batendo a porta do lugar. Sigyn permaneceu ainda atrás da cortina, estática. Ela tinha medo de Balder, sempre teve.

– Já pode sair, ele não vai mais voltar. - o homem respirou fundo. A ruiva saiu do seu esconderijo e aproximou-se dele.

– Eu sinto muito. – pediu ela, abaixando-se na frente dele e segurando em suas mãos ainda vermelhas, por causa da força que Balder usou. – Eu vou dar um jeito nisso, espera.

– Não precisa. – ele impediu que ela se levantasse. – Não está doendo.

– Me desculpe, por favor.

– Não, não deve se desculpar. – ele sorriu. – Eu é que peço desculpas por você estar sendo obrigada a casar com o meu irmão. Ele não a merece, na verdade, ele não merece mulher alguma.

– Engraçado como vocês são idênticos em aparência e completamente divergentes em personalidade.

– Balder é mal e eu não compactuo com isso.

– Como pode ser irmão de Balder? Seria infinitamente melhor se você fosse o meu noivo e não ele.

– Se eu fosse o seu noivo, você não seria obrigada a casar. – Sigyn sorriu. – É crueldade o que ele está fazendo com você. Merece toda a felicidade que essa vida possa lhe dar, princesa. Por isso, vá atrás da sua antes que Balder volte, e além do mais, você já deve estar atrasada. Não deixe o rapaz esperando.

– O que? – ela perguntou assustada e Hodr apenas sorriu.

– Eu enxergo melhor do que qualquer um por aqui. – ele levou a mão de Sigyn até a altura de sua boca e a beijou. – Será o nosso segredo e tome cuidado para não ser pega. Loki não vai gostar. - A mulher levantou-se sem acreditar naquilo. O homem apenas voltou-se ao seu piano, abriu a proteção e recomeçou a sua melodia. Ele era completamente diferente de Balder, sem sombra de dúvidas. Tinha tudo para ser um homem amargurado e rancoroso, mas distribuía simpatia aonde quer que fosse. – Vai logo.

...

Sigyn estava abaixada, olhando através do telescópio. Loki havia direcionado o aparelho para um lugar e a jovem simplesmente fascinou-se ao ver aquele planeta. Era azul, mesclando-se ao branco. Ela podia jurar que já tinha lido alguma coisa sobre aquele lugar, mas sua mente não cooperava.

– É lindo. – ela sorriu. – Qual o nome?

– Midgard. – respondeu o deus e a ruiva sorriu, voltando a concentrar-se no planeta azul.

– É lindo de verdade, mas porque está estudando Midgard? – Ela afastou-se do telescópio e sentou-se no sofá. – Não está satisfeito com todos aqueles livros que estão na biblioteca? Tem tantos falando sobre esse reino.

– Tem e eu já li todos eles, mas fiquei curioso quanto a forma do lugar. – ele sentou-se ao lado dela. – E satisfação não faz parte da minha natureza. – Loki sorriu quando seus olhos encontraram as bochechas rubras da jovem.

– Lembra-se quando éramos pequenos e fomos até lá com o papai? Uma expedição pelos nove reinos, segundo ele. Acho que fomos para a Rússia, não foi? – comentou a ruiva, tentando mudar de assunto.

– Sim, Rússia. – confirmou o deus. – Não havia nada ali. Muspelheim foi mais interessante. Não é todo dia que se veem bolas de fogo caindo do céu. – ele sorriu e Sigyn também, mas o sorriso dela desapareceu no momento em que o primeiro disparo, de um canhão, aconteceu. Era tradição os disparos começarem quando estivesse faltando dez dias para o casamento de um membro da família real. Seguia em contagem regressiva e era uma forma de lembrar a Asgard a festa que estava por vir. Ouviram-se apenas três barulhos altos. – Três dias.

– Sigyn...

– Eu confio em você. – Ela o interrompeu e voltou a sorrir. Encarou o deus que a beijou. A ruiva o abraçou enquanto os seus lábios beijavam os dele. Não queria ficar longe, queria sentir o perfume de Loki o tanto quanto conseguisse. Não relevaria, mas tinha muito medo dele não conseguir impedir que ela se casasse. Não suportaria perdê-lo. Não suportaria ser esposa de Balder. Por isso ela queria decorar o cheiro dele, além de cada toque, cada beijo e cada sensação que ele despertava nela.

O deus fez com que Sigyn deitasse no sofá e se pôs em cima dela. Os beijos saíram de seus lábios e passaram para seu queixo e pescoço. Não era a primeira vez que as caricias se tornavam mais intensas, mas naquela vez em especial, a coisa tomou um rumo muito mais imediato. As mãos de Loki percorriam a lateral da ruiva, acariciando cada parte por onde passava.

Os beijos saíram do pescoço e voltaram aos lábios. Uma das mãos do deus também se perdeu enquanto acariciava a cintura da deusa e acabou encontrando os seios firmes de Sigyn.

– Loki, não. – falou ela afastando os lábios dos dele. Os olhos verdes a encarou de uma forma curiosa. Não entendia porque ela o havia parado. Não tinha ninguém naquele lugar e nunca iam lá. Estavam a sós.

– Eu não sou seu irmão. – respondeu imaginando que isso ainda a afetava.

– Eu sei. Eu não estaria aqui se não soubesse. – ela o encarou. – é outra coisa. – O deus, que estava com o cenho franzido, relaxou a expressão no mesmo segundo que compreendeu sobre o que Sigyn falava. Ele deixou que um sorriso simples surgisse em seus lábios e depositou um beijo na testa da ruiva. Saiu de cima dela e sentou-se novamente no sofá. Respeitou o fato de Sigyn nunca haver estado com um homem antes.

– Me desculpe. – pediu ela.

– Não tem do que se desculpar. – respondeu encarando-a. Ele respirou fundo e continuou. – Ainda quer saber porque estou estudando Midgard?

– Claro. – respondeu.

– Eu tenho um plano, para impedir que se case.

– Que plano, Loki? – perguntou ela franzindo o cenho.

– Eu vou te explicar tudo.

...

A imagem embaçou outra vez e Roxie tremia. Estava desesperada com aquela visão. Foi a mais forte de todas e foi a única que a fez chorar como uma criança amedrontada.

– Vamos para o último véu e encerraremos a sua viagem. - a Norna falou atrás de Roxie. Ao se virar a mulher deu de cara com uma figura encurvada. A ruiva nada disse, apenas assentiu com a cabeça. Foi levada para uma sala onde havia cincos cortinas: Uma branca azulada, uma com as cores da bandeira americana, uma cor de rosa, uma verde e uma preta. – Não entendi.

– Infelizmente, para eu te mostrar a última parte, você tem que escolher sabiamente. O passado pode nos ferir.

– O que devo fazer? – perguntou Roxie e encarou a idosa.

– Atrás de apenas uma dessas cortinas, estará aquilo que você precisa ver. Nas outras, estará a morte de quatro pessoas importantes para você.

– Quem?

– Frigga, Thor, Steve e... – Roxie pediu para que ela parasse. Sabia que a última pessoa era o Loki.

– Se eu escolher a errada, um deles morre?

– Exato. É o preço que se paga. – Roxie caminhou até a primeira cortina. Era cor de rosa e com arabescos mais escuros em toda a sua extensão. Tocou no tecido e percebeu se tratar de algo delicado, mas extremamente forte. Descobriu imediatamente a quem ela pertencia.

– Frigga. – respondeu ela e a Norna sorriu, assentindo. Roxie passou para a segunda cortina, vermelha e azul. Ela era bonita, mas quando a tocou sentiu seu corpo se encher de coragem, força e sabedoria. Só tinha uma pessoa que se encaixava naquela descrição, Steve. Seguiu mais a frente e analisou a cortina branca, com detalhes azuis, que quanto mais perto chegava, mais parecia como riscos de raios no céu a noite. Aquela era do Thor. Só havia duas agora e era a que ela não queria arriscar. Puxou a cortina preta para perto de si e sorriu ao perceber que a cada camada, ela ia clareando até chegar ao tom branco. Aquele era Loki. Apontou para a cortina Verde. – É essa. – Urd sorriu.

– Como soube? – perguntou curiosa. – A maioria erra ainda na primeira cortina. Acha que eu os estou enganando.

– Porque eu os amo o suficiente para conhecê-los e cada cortina tem uma característica deles. A rosa é a cor do amor e nela tem desenhado os mesmos arabescos que estão na armadura de Frigga. A vermelha e azul é do Steve, o Capitão América. A branca é do Thor, já que essa é a cor que o raio apresenta ao cair e a preta é do Loki, porque ele usa apenas uma máscara para esconder quem ele é. A raiva que ele sente se sobrepõe ao seu verdadeiro eu, mas quando a gente se aprofunda e o conhece, descobrimos que ele é bom.

– Eu achei que escolheria a cortina negra.

– É, eu vi o que tentou fazer com a cortina verde. – Roxie sorriu e Urd abriu a passagem para ela. A ruiva não hesitou e entrou. Reparou que estava em um lugar afastado da cidade, mas ainda era Asgard. Procurou a razão de estar ali até que viu o casal sentado em uma parte alta de um monte. Sigyn estava de frente para Loki e o observava ternamente. A mão dele acariciava o rosto dela. Ouviu-se apenas um disparo de canhão. O casamento real era no dia seguinte.

– Você já organizou tudo? – perguntou ele.

– Está tudo pronto. – respondeu a ruiva.

– Não deixe que ninguém imagine o que estamos planejando, entendeu? Aja naturalmente. – Sigyn assentiu antes de se assustar com a aproximação de um dos soldados.

– Altezas. – falou ele aproximando-se e reverenciando os dois. Não conseguiu ouvir a conversa, mas percebeu o clima de cumplicidade no ar. – A rainha deseja vê-los.

– Diga que breve iremos. – respondeu Loki.

– Ela ordenou que se o senhor insistisse em ficar, eu deveria de igual modo insistir que fossem até a presença dela, imediatamente. É um assunto que interessa aos dois. Sobre o casamento de amanhã. – Sigyn encarou o rapaz e logo em seguida encarou o deus da trapaça

– Estamos indo. – respondeu o moreno e se pôs de pé. Ajudou a garota a se levantar e os dois seguiram o soldado pelas imediações da cidade, pelas ruas, pelos jardins reais e finalmente pelo palácio. Ele só parou de conduzi-los quando percebeu que eles já estavam nos aposentos da rainha.

– Feche a porta. – falou Frigga seriamente. Loki não questionou a ordem da mulher, em momento nenhum. Quando ela percebeu que eles estavam sozinhos, virou-se para encará-los. – Heimdall veio até a mim e me contou o que vocês estão pretendendo fazer.

– Mãe, nós... – Sigyn tomou a dianteira, mas a rainha não permitiu que ela concluísse o seu pensamento.

– Deixe que eu termine. – ela falou ainda séria, mas não rudemente. – Sabe que se isso chegar aos ouvidos de seu pai ele lhe casa no mesmo instante, Sigyn. Isso é imprudente e infantil. – ela reclamou encarando a ruiva que não conseguiu impedir que seus olhos enchessem de lágrimas. - E você... – ela apontou para Loki. – Não quero nem pensar no que aconteceria com você.

– Esse é o problema, mãe, eu não quero me casar. Você, melhor do que ninguém, sabe disso. Eu amo Loki. – o moreno, que prestava atenção na rainha, desviou o olhar para Sigyn e sorriu.

– Eu sei! E ele ama você. Eu percebi quando ainda eram jovens. – Ela o encarou e Loki ergueu a sobrancelha. - É por isso que eu vou ajudá-los. – respondeu Frigga.

– Como é que é? – O deus da trapaça olhou para a rainha com o cenho franzido.

– Eu nunca concordei com esse casamento. Foi proposto de uma maneira rude e brutal. – ela segurou o rosto da filha entre as mãos. – Eu não gostei de seu destino como mulher de Balder e devo dizer que o seu futuro ao lado de Loki também não será fácil, mas é o certo. – ela sorriu e beijou a testa de Sigyn. – Amanhã é o casamento, mas vocês vão embora antes.

– Vai nos ajudar a fugir? – perguntou Loki.

– Sim. – respondeu ela. – Avisei a Heimdall que não contasse a ninguém e, como eu sou a rainha, ele também me deve obediência. – Sigyn sorriu. – Eu vou lhe ensinar um último truque, Loki, e você tem que aprendê-lo de hoje para amanhã. Precisará para se esconder de Balder, porque eu sei que ele irá atrás de vocês e se os encontrar... – ela parou e respirou fundo.

– Ensine-me. – o deus respondeu de supetão.

A imagem escureceu e por alguns segundos permaneceu assim. As coisas voltaram a tomar forma com duas mulheres ajudando Sigyn a colocar o vestido de noiva, a fazer o penteado e a maquiagem. Indo de encontro a tudo, ela sorriu. Sabia que aquele casamento não aconteceria e toda aquela arrumação seria em vão.

Alguns segundos depois as mulheres, que a auxiliava, saíram e Sigyn se viu sozinha. Queria arrancar todos aqueles adornos da cabeça e rasgar até o último pedaço daquele vestido, mas respirou fundo tomando o controle, até que uma senhora idosa entrou no lugar.

– Já está pronta, querida? – perguntou ela e se aproximou.

– Estou quase. – Sigyn prendeu uma mecha do cabelo na tiara e olhou a mulher pelo espelho. A forma da idosa foi se desfazendo até que Loki tomou o seu lugar.

– Então é melhor apressar-se, seu noivo já está aguardando. – Ele colocou as mãos para trás e sorriu.

– Eu quero que Balder se exploda.

– Eu não estou falando dele. – Sigyn sorriu, para o reflexo no espelho, e se levantou. Deu a volta na cadeira e aproximou-se do deus, beijando-lhe os lábios ternamente.

– Sendo assim, eu estou pronta.

– A mãe já preparou o flutuador e nós vamos até aquela passagem que nos leva a Álfheim. De lá, acharemos uma forma de seguir viagem.

– Por que ir a Álfheim primeiro? Tem uma passagem que leva direto a Midgard.

– Não podemos simplesmente ir até a passagem de Midgard. Entregaria a Balder onde estamos nos escondendo. – respondeu o deus. – Onde estão suas coisas?

– Ali. – Sigyn apontou para uma bolsa de couro marrom.

– É tudo o que vai precisar? – Loki olhou a mulher que assentiu. – Então, hora de irmos. – A garota viu uma luz verde lhe envolver e ela se transformou em uma das empregadas do palácio. Possuía longos cabelos escuros e olhos castanhos claros. Loki tomou a forma de um soldado, com armadura dourada. A única coisa que ele fez questão de deixar foi o belo par de olhos verdes.

Os dois saíram do quarto e seguiram pelo corredor, em direção ao fundo do palácio, mas no caminho encontraram Balder, que seguia com alguns amigos.

– O que fazem aqui? – perguntou ele. – As ordens foram para que todos os soldados e serviçais estivessem a postos na entrada do palácio. Hoje estarão de serviço em meu casamento com a princesa.

– Estamos aqui seguindo uma ordem, senhor! – respondeu Sigyn disfarçando.

– Ordens? – Balder franziu o cenho. – Quem ousaria desfazer a ordem do rei?

– Talvez a rainha. – concluiu Frigga. Ela conseguia ver as verdadeiras formas por trás das magias de Loki. – Eu os chamei porque preciso que cuidem de outros assuntos que, ainda assim, são pertinentes ao casamento.

– Desculpe-me, minha rainha! – respondeu o noivo abaixando a cabeça em reverência. Em sua mente, a última reverência que faria para ela. Igualar-se-ia a ela como família real, depois do casamento com Sigyn.

– Por favor, sigam-me – a mulher apontou uma direção. Loki e Sigyn seguiram por uma porta. A princesa ainda conseguiu ver alguns soldados, mandados por Balder, trazer uma pessoa encapuzada. Uma mulher. Ele lhe arrancou o capuz e ela reconheceu a Norna Skuld, responsável por ver o futuro.

– Mãe, temos problemas. – falou ela e Frigga viu sobre o que ela estava falando. Já que Balder batia em seu quarto. Correram até o fundo do palácio e a rainha entregou uma vasilha para a filha e uma bolsa. – O que é isso?

– Comida. Não precisarão se preocupar com isso até chegaram a Midgard. – respondeu ela. – Pegue esse e coloque na bolsa. – Ela lhe entregou um pedaço de pão e envolveu em um lenço. – guarde-a com você.

– Temos que ir. – falou Loki.

– Cuida da minha menina e não a faça sofrer. – ela encarou o deus que assentiu. Beijou a bochecha de Loki e em seguida a cabeça de Sigyn. – Que vocês sejam sábios no que farão a partir de agora e que essa união seja duradoura. Vocês têm a minha benção. – A ruiva sorriu, mas sua expressão mudou para aflita imediatamente quando um dos soldados gritou informando que a princesa havia fugido.

– Nós temos que ir, agora! – Loki pegou a mulher pelo braço e ela entrou no barco flutuante. Seguiram rápido na direção das rochas, mas outros três daqueles barcos os encurralaram.

– Loki... – falou Sigyn.

– Deixa comigo! – ele fez um gesto com uma das mãos e a enorme onda surgiu de dentro das profundas águas de Asgard. Estraçalhou os barcos como se fossem feitos de papel. Depois disso, o mar voltou a acalmar-se. Seguiram mais adiante, porém algumas torres começaram a atirar contra eles.

– Eles estão tentando nos matar? – Vários outros barcos começaram a se aproximar. Dessa vez, nem toda a magia de Loki conseguiria detê-los.

– Não estão atirando para nos matar e sim para nos atrasar, mas não vão conseguir. – Loki reparou quando uma flecha, com a ponta envolta em espuma, caiu diante dele. Jogou o flutuador para outro lado.

– Saímos demais da rota. – falou Sigyn.

– É, eu sei, mas se continuarmos seremos pegos. – respondeu ele. – vamos ter que nos esconder em Asgard por essa noite e amanhã partiremos.

– Se Balder nos encontrar, ele manda lhe matar e força o meu casamento no mesmo instante. – falou ela. – Temos que ir agora.

– Ele não vai nos encontrar. Eu tenho um último truque na manga. Lembra-se do que Frigga me ensinou? – ele sorriu e o barco encostou-se à margem do rio. Ali só havia cavernas e um campo extenso. Segurou na mão dela e a conduziu até uma caverna. Sigyn não teve tempo de levar nada, exceto a bolsa que sua mãe ordenara que ela não tirasse de perto de si. Assim que entraram, Loki lançou o feitiço que a deusa havia lhe ensinado. Camuflagem para ambientes. Sigyn sentou-se em uma pedra buscando ar e Loki amparou seu rosto com as mãos. – Tudo vai ficar bem agora, eu prometo.

– Eu sei. – respondeu ela e sorriu. Loki a beijou. De repente, os passos de alguns soldados ficaram mais altos e cada vez mais próximos. Os dois se levantaram e o deus colocou Sigyn às costas. Era a hora de ver se Loki havia aprendido mesmo o último truque.

O soldado apareceu na porta da caverna e a iluminou com uma tocha. Olhou para um lado e para o outro.

– Está vazio aqui. – Gritou para os seus companheiros e os dois respiraram fundo, aliviados.

– Deu certo. – Sigyn sorriu e abraçou o deus da trapaça.

– Vamos passar a noite aqui e amanhã a gente continua. – Loki alisou os cabelos da mulher.

– Está bem. – respondeu ela e tudo escureceu. As imagens foram voltando gradativamente e Roxie se viu, com a cabeça apoiada no colo de Loki e deitada por sobre um lençol que Frigga colocou na bolsa. Havia dormido por algumas horas e acordou com o barulho que a barriga do deus fez. – É melhor você comer alguma coisa.

– Eu não estou com fome. – respondeu e alisou os cabelos dela. O estalar do fogo, que Loki fez com alguns pedaços de madeira que estavam na entrada da caverna, embalava a conversa.

– Eu ouvi seu estômago roncar.

– Provavelmente só temos essa comida. – ele forçou um sorriso. - Prefiro que você coma.

– Sabe que eu não vou comer se você não comer. – respondeu ela e encarou os olhos verdes de Loki.

– Com quem aprendeu a ser tão teimosa assim? – ele aproximou-se dela.

– Com você! É uma péssima influência. – O deus sorriu e deu um beijo na garota. Ela levantou-se, pegou o pedaço de pão e partiu em dois. Entregou um ao Loki e ficou com o outro. Sentou-se em uma pedra, do lado oposto a ele e mordeu o seu pedaço, mas não estava com fome. Estava comendo aquilo porque cuidar de Loki agora era a sua obrigação. Sabia que ele não comeria se ela também não o fizesse.

Olhou para o pão e sorriu. Frigga havia mandado guardar aquele na bolsa e não na vasilha, com os outros. Ela sabia. Da mesma forma que ela sabia que eles passariam a noite em uma caverna e a noite seria chuvosa, já que colocou vários cobertores na mesma bolsa onde mandou a filha guardar o pão. Ela sabia que Sigyn estaria com aquela bolsa, na hora que o flutuador chegasse a margem. Não teria tempo de ficar escolhendo o que levar.

A ruiva entristeceu-se, de repente, e os olhos encheram-se de lágrimas.

Sabia que jamais veria a sua mãe outra vez, porque se ela ou Loki voltassem a Asgard, coisas terríveis aconteceriam. Lembrou-se da despedida onde ela a abraçou com toda a força que tinha e a abençoou. Na verdade, abençoou a ela e Loki. Sorriu novamente com isso.

– Me diga o que está pensando. – Ela levantou as vistas e deu de cara com o deus que a examinava curiosamente. – Acho que você é a pessoa mais expressiva que eu já conheci em toda a minha vida. – Sigyn sorriu. Roxie também, porque lembrou-se que ele já havia lhe dito aquilo antes. No carro, enquanto os dois seguiam para resgatar os vingadores.

– Eu estava pensando na mamãe. Ela sabia que isso aconteceria e que teríamos que passar a noite aqui, por isso colocou os cobertores e o pedaço de pão nessa bolsa.

– E o que te fez ficar triste?

– A certeza de que eu nunca mais vou vê-la. – Sigyn abaixou o olhar. – e mesmo sabendo disso, ela abençoou a gente. – sorriu largamente. – Isso me fez sorrir porque eu me dei conta de que você é quase meu marido. Ela fez isso também.

– Só tem uma coisa errada nessa história. – Loki colocou o pão de volta na bolsa e se aproximou da ruiva. – Eu sou o seu marido. – Ela franziu o cenho. - Quais os estágios do casamento?

– Eu não... – Loki a beijou.

– O namoro, que já passamos por isso. A vontade de estar juntos, que já temos. A cerimônia de confissão pública, a nossa fuga deve contar, e a benção de Frigga. – ele falava e a cada tópico beijava a garota. – Esqueci algo?

– Eu acho que não. – respondeu ela respirando rapidamente. Passou a mão no rosto de Loki. – Você é o meu marido.

– Sim, eu sou. – ele respondeu e beijou-a outra vez. Dessa vez mais urgente, como só ele conseguia ser. Sigyn deixou o seu pedaço de pão cair no chão quando Loki a ergueu e caminhou com ela até os lençóis. Fazendo-a sentar-se ali.

Ele retirou os enfeites do cabelo de Sigyn e deixou que as madeixas caíssem por sobre os ombros. Da mesma forma, retirou as pequenas peças metálicas que adornavam o seu vestido de noiva.

Ela apenas o olhava curiosa. Os olhos verdes esquadrinhavam o rosto da mulher em seus braços e a viu enrubescer quase que instantaneamente.

– Seja gentil. – pediu ela completamente envergonhada.

– Com você? Sempre. - Sigyn acariciou os lábios de Loki com as pontas dos dedos. Ele puxou a garota para perto, tomando os lábios com delicadeza. Deitou-a por sobre o lençol e Sigyn ficou mais vermelha que seus próprios cabelos. Ela sabia que era aquilo mesmo que queria. Ela o amava e não via porque não ser dele.

Loki passou as mãos pelas pernas da jovem, subindo o vestido de noiva e retirando-o por sua cabeça. Sigyn sentiu todos os pelos se arrepiarem e se perguntou se aquela era uma resposta ao vento que entrou na caverna ou o toque quente e macio de Loki. Ele retirou a cota de couro e se livrou de toda aquela roupa.

A boca da deusa procurava pela de Loki, mas não estava ao alcance, porque ele trilhava beijos pelo pescoço, seios, barriga e coxas. Sigyn respirou fundo e Loki parou de beijar-lhe o corpo. Aproximou-se outra vez e tomou seus lábios em um beijo mais desejoso. Segurou uma das pernas dela e a ergueu, fazendo com que ela o envolvesse.

– Já chega, não quero mais ver. – pediu Roxie e abaixou o olhar. Estava envergonhada. A visão escureceu e a Norna, agora parecendo ter mais de cem anos, apareceu em sua frente novamente.

– Ainda tenho coisa para lhe mostrar.

– Então pula essa parte. – pediu. – por favor.

– Como queira. – As trevas se desfizeram e a imagem que se seguiu foi Sigyn com a cabeça apoiada no peito de Loki. Ainda estavam nus, apenas envoltos no lençol, e conversavam futilidades.

– Temos que escolher novos nomes. – falou ela com a voz baixa. Estava ficando com sono.

– O que sugere? – perguntou o deus, acariciando os cabelos dela.

– Eu não sei como os midgardianos se chamam. Nunca conheci um, mas acho que Sigyn e Loki não são nomes muito populares por lá.

– Nos preocupamos com isso quando chegarmos, não deve ser difícil. – ele alisava as costas da ruiva, com as pontas dos dedos. Ainda seguiram conversando por alguns minutos, antes que o sono ficasse mais forte e eles adormecessem.

...

Um som forte alastrou-se por todo o lugar e eles acordaram assustados. Loki apressou-se em vestir a calça enquanto Sigyn permaneceu no mesmo lugar. Ele aproximou-se da entrada e olhou em volta. A cidade estava inteiramente apagada. O frio havia se tornado mais intenso e Loki podia ouvir os gritos vindo dos moradores das casas próximas. Alguma coisa muito errada estava acontecendo ali e ele, pela primeira vez, teve medo.

– Está tudo bem? – perguntou a garota curiosa. O deus não respondeu. – Loki. – Ela insistiu e ele esticou uma das mãos, como se mandasse que ela ficasse quieta. Houve outro barulho de pessoas implorando, bem acima de sua cabeça, e um homem caiu diante deles. Loki deu um passo atrás e Sigyn não conseguiu impedir que um grito saísse de sua boca.

O deus virou-se para encará-la e manda-la ficar quieta, mas nesse momento foi arremessado contra o fundo da caverna e caiu no chão. Sigyn assustou-se ainda mais.

Duas grandes sombras entraram no lugar. Eram enormes. Mediam mais de cinco metros e parecia que a magia do deus não funcionava com elas. Loki levantou-se com dificuldade e puxou a garota para trás dele. Ela apenas estava envolvida no lençol.

– Estávamos procurando por vocês. – falou um deles. A voz parecia mesclada a trovões e chegou a tremer as paredes da caverna. Sigyn sentiu porque estava encostada em uma delas.

– Quem são vocês? – perguntou Loki. – Estão aqui por Balder?

– Não estamos aqui por ninguém. – respondeu a segunda criatura. – Somos aqueles que se sentam acima das sombras. – O deus apertou Sigyn. Já havia escutado algumas coisas sobre eles e aquilo o aterrorizava quando criança.

– Então começou outra vez? – perguntou Loki e encarou uma delas.

– Sim. – A sombra, que estava mais adiante, falou arrastadamente.

– O que começou, Loki? – perguntou a ruiva.

– O Ragnarök. – respondeu ele e respirou fundo. – A mãe falava que desde a criação do que existe, já houve vários Ragnaröks. O recomeço para os deuses.

– Vamos acabar logo com isso. – A primeira sombra segurou Loki e o separou de Sigyn. Assim que imprensou o deus contra a parede, os dois desmaiaram. Ela começou a sugar a energia e as memórias de Loki da mesma forma que a segunda sombra fazia com Sigyn. Alguns intensos minutos se passaram até que eles finalmente largassem os dois.

– É ela? – perguntou a que estava com Loki.

– Sim. – respondeu a segunda.

– Ele a quer em Midgard.

– Por quê?

– Não questionamos, apenas cumprimos ordens. Ele apenas nos disse que ela está destinada a ajudar a salvar Midgard. – a primeira sombra deixou que Loki caísse desmaiado no chão e seguiu até Sigyn. – Você limpou a memória dela, completamente?

– Sim e de todos os outros que um dia a conheceram.

– Sabe que ninguém pode saber dela e ela não pode lembrar-se de ninguém daqui, para que não interfira no que precisará fazer. – a primeira sombra tomou uma forma humanoide que ainda assim era alto demais. Os olhos violeta brilhavam enquanto ele analisava a jovem. - Deu-lhe o dom?

– Sim. Ele disse que ela precisaria quando estivesse na Terra.

– Exatamente. – O humanoide olhou para Sigyn. - Abra o portal.

A segunda sombra mirou na parede do fundo e então uma luz branca azulada se formou ali, como se fosse um aglomerado de formas esféricas. O humanoide segurou Sigyn nos braços e a colocou no portal. Ela foi puxada com força e obrigada a atravessar.

– Acabou? – perguntou a sombra.

– Acabou. – respondeu o humanoide. Tomou a sua primeira forma e olhou para Loki. – Temos que levá-lo de volta ao palácio e libertar Asgard de nossas forças. O nosso trabalho está acabado, por hora.

A imagem se desfez e novamente Roxie se viu em seu apartamento.

– Depois disso, você se lembra. – comentou Urd.

– Acordei na Itália. – ela buscou alguma coisa em que se apoiar.

– O natural seria que vocês retornassem com uma vaga lembrança do que havia acontecido. Os pais reconheceriam seus filhos, assim como os casais se reconheceriam e os amigos também, mas não teriam qualquer lembrança a respeito das suas vidas passadas, mas ficou claro que não foi o que aconteceu.

– Eu não entendo porque fizeram isso.

– Infelizmente, isso já não é comigo. Eu vejo apenas o passado, talvez Skuld possa lhe ajudar, mas saiba que ver o futuro é perigoso. – A idosa sorriu. - Espero que sua jornada tenha servido ao seu propósito, filha de Odin.

– Serviu sim. – ela encarou a Norna que estava completamente diferente de quando apareceu, pela primeira vez, em seu apartamento. – Obrigada, Urd. – A idosa fez um sinal com a cabeça e desapareceu.

Roxie sentou-se em seu sofá. Estava em estado de choque e tremia. Ela nunca imaginaria que o seu passado havia sido daquela forma. Loki havia sido o primeiro amor e o primeiro homem de sua vida e ainda por cima, não era seu irmão, como a fizeram acreditar quando esteve em Asgard.

Os seus pensamentos foram interrompidos pelo telefone que tocou. Esticou a mão até o aparelho e o pegou.

– Alô!

– Roxie, é o Steve. – falou o capitão seriamente. – Precisamos de você.

– Em que?

– Liga a TV – mandou ele e a ruiva obedeceu. Parecia que estava reprisando alguma imagem da destruição de Nova York, mas aquilo era em tempo real. Havia vários daquelas criaturas com caras de lagartos e vários homens, usando roupas estranhas e armas alienígenas. - Víbora está em Los Angeles.

– Como chegarei a Los Angeles?

– Olhe pela sua janela. – A garota seguiu até lá e percebeu que Natasha manobrava um avião e pousava no meio de uma extensa praça. – Não demore.

– Cinco minutos. - ela respondeu apressada e colocou o telefone na base. Respirou fundo e seguiu até seu quarto. Vestiu o uniforme e voltou até a sala, paralisando ao ver o homem de costas. Ele virou-se e exibiu aquele sorriso que sempre a aterrorizava.

– Olá amorzinho. – falou ele naquele idioma que ela há muito não ouvia. – Sentiu minha falta? Porque eu contei os segundos para lhe ver outra vez.

– Não. – falou ela e o desespero a tomou. Ela queria gritar e sair correndo dali, mas ele bloqueava a porta. Não poderia ser, ele não deveria estar ali. – Eu matei você. – Respondeu em um italiano abafado. A voz estava embargada em sua garganta, por causa do completo desespero. Parecia que um filme passava pela cabeça da ruiva e ela se viu entrando em uma crise de pânico.

– Certifique-se que o trabalho foi bem feito, da próxima vez. – Lorenzo sorriu ainda mais e começou a andar na direção dela. Aquilo parecia agora o seu pior pesadelo.



Notas finais do capítulo

É isso amores! Espero que tem gostado da explicação de Sigyn ter ido parar em Midgard. Demorei para escrever, mas está ai.. finalmente.

Beijinhos doces e inté o próximoooo!!

S. Laufeyson!!!