Sobre Humanos e Deuses escrita por S Laufeyson


Capítulo 24
Capítulo 22 - Quando a Tormenta Passar


Notas iniciais do capítulo

Boa madrugada, amores meus!!!!
Como vão as coisas??????
Então, terminei esse capítulo, depois de muito suar a camisa para deixar tudo bem amarradinho... Espero que gostem!!

ALLY LAUFEYSON: Sua lindaaaaaaaaaaa!!! Obrigada pela recomendação, meu amor!!!! Foi perfeita e me fez chorar, vocês adoram isso, né possível... u.u.. ou será que eu sou chorona demais?? Vai saber.. XD...
Obrigada mesmo por estar acompanhando e me dando essa alegria de ter uma recomendação sua... Este capítulo dedico a você... espero que goste!!

Obrigada a todos pelos comentários... ameeeei cada um deles e prometo deixar de escrever (sim, sou compulsiva... mim julguem) e amanhã respondo a todos eles.. sem exceções...

RECOMENDEM E COMENTEM aqueles que ainda não fizeram... não sabem como é verdadeiramente importante para mim...

Bem vinda, BIA SOUZA.. obrigada pela sua marquinhaaaaaaaaaaa!!!

Tia Bárbara... te amooooooooooo muito, não tem noção da dimensão do meu love.. obrigada pela revisão e por ter feito tanto por esse capítulo... (mesmo você teimando dizendo que não.. u.u)

Então povo... divirtam-se!!!!



Houve um rápido escurecimento na visão e depois tudo voltou a tomar foco. Havia uma mesa grande onde várias pessoas estavam sentadas. Entre elas a família real: Odin, Frigga, Thor e Sigyn, que acabara de entrar naquela enorme sala. Procurou uma cadeira e sentou-se entre Sif e Volstagg. Analisou a mesa e percebeu a ausência de um deles.

– Mãe, onde está o Loki? – perguntou para Frigga que conversava com uma mulher do reino. A mãe de Balder.

– Ele informou que não vai jantar conosco hoje, querida.

– Ele está bem?

– Não me deixou entrar em seu quarto. Mandou o recado pelo mensageiro. – Frigga respirou fundo. – Também estou preocupada.

– Com licença. – falou a garota.

– Aonde vai? – perguntou Odin.

– Vou falar com o meu irmão.

– Volte e sente-se! Seu noivo está à mesa. – O rei apontou para Balder que sorriu. Sigyn olhou para Frigga, implorando que ela intervisse a seu favor.

– Deixe-a ir, meu rei. - pediu a mãe. – Loki só escuta a ela. Talvez ela descubra o que está acontecendo. – Odin assentiu e Sigyn cumprimentou a todos. O vestido amarelo, de chiffon e cetim, dançavam conforme ela caminhava em direção ao dormitório. Parou na porta do quarto de Loki e bateu.

– Abre, sou eu, Sigyn. – pediu ela, mas não obteve resposta alguma. – Loki, abre essa porta.

– Vai embora. – Ele respondeu quase inaudível.

– Loki, se você não abrir essa porta, eu... – ela falava enquanto batia.

– Você o que? O que vai fazer? – uma cópia do deus da trapaça apareceu atrás da garota, assustando-a.

– Eu juro que não falarei mais com você, enquanto eu viver. – O deus ergueu uma das sobrancelhas. – E lembre-se: Eu sou a deusa da fidelidade. Eu tenho um compromisso com aquilo que assumo. – A projeção sorriu tristemente e a porta se abriu. Ele sabia que era verdade e não queria perdê-la. A garota olhou o quarto em volta, completamente desarrumado. Móveis destruídos e papeis espalhados pelo chão. Loki estava sentado na cama, os cabelos desarrumados e o rosto bastante abatido. – O que aconteceu, Loki?

– Senta aqui, Sigyn. – ele falou apontando para a sua cama, ao lado dele. A ruiva não hesitou e sentou-se onde ele havia mandado. O deus lhe passou um papel. – Leia em voz alta.

– “Hoje teve fim a batalha de Jotuheim”. – a garota franziu o cenho e parou de ler. – Essa é a letra do papai. Você pegou o diário de batalha dele?

– Só continue lendo. – respondeu Loki e se levantou. Os olhos azuis da garota voltaram para as páginas antigas.

– “Não conseguimos encontrar Laufey, de imediato, mas o exército dos Jotuns caiu. Estávamos prontos para voltar a Asgard quando eu ouvi um choro, fraco e quase inaudível, mas alto o bastante para chamar a minha atenção. Caminhei pelo palácio dos Jotuns, acompanhado de alguns soldados, e a cada passo que eu dava, mais alto se tornava o lamento daquele bebê. Segui aquele choro até que encontrei um quarto, completamente destruído, e o corpo de uma gigante de gelo, caído por sobre o berço. Os meus homens retiraram aquela mulher e eu a reconheci: Era Farbauti, esposa de Laufey. Enquanto eles puxaram o corpo para um lugar qualquer do quarto eu o vi. Estava deitado no berço e chorava de fome e medo. Era um menino, pequeno demais para ser um gigante”. – Sigyn parou de ler. As palavras se aglomeravam em sua garganta.

– Leia. – Loki falou rude.

– “Assim que o toquei, a tonalidade azul e todas as suas marcas desapareceram e ele tomou a aparência de um bebê normal. Os olhos vermelhos transformaram-se em um tom de verde claro, quase que instantaneamente, e ele parou de chorar. Sorriu para mim”. – Sigyn parou outra vez quando ela percebeu que seus olhos estavam marejados. Sabia onde aquilo iria dar. – Loki, acho melhor...

– Continue! – ele gritou e Sigyn tremeu.

– “Eu decidi levar o bebê para Asgard e fiz com que meus homens jurassem não revelar nada sobre aquilo ou a pena seria a morte”. – Ela lia entre soluços. – “Conversei com Frigga sobre aquele bebê e ela o amou de imediato. Ela já tinha obrigação com o Thor, que tinha pouco mais de um ano, e esperava a chegada da nossa filha, estava grávida de cinco meses, mas ela não se importou em amar esse bebê como se tivesse saído dela. Chamou-lhe de...” – Seu coração disparou quando viu o nome seguinte e respirou fundo. Encarou o deus a sua frente. – “... Loki”.

– Vê? Seu noivo tinha razão. – Loki deu as costas para a garota e pôs-se a olhar pela sua janela. – Eu sou um bastardo que, durante toda a vida, foi enganado. - Sigyn se levantou e andou até ele.

– Não, Loki. – ela falava tentando achar uma explicação. – Deve ter havido algum mal-entendido.

– Não leu o diário de Odin? – ele falou entre os dentes. – Como pode ser um mal entendido?

– Eu não sei irmão, mas... – Ela tocou em Loki e ele se virou rapidamente. Segurou a garota pelos dois braços e a apertou com força.

– Eu não sou seu irmão! – gritou a todo pulmão e empurrou Sigyn para trás, apenas para distanciá-la dele, mas acabou colocando mais força do que deveria e ela caiu no chão. Ele, vendo o que tinha feito, preocupou-se e foi em direção à garota. Ela chorava encolhida, segurando os joelhos. – Sigyn, me desculpe. Eu não queria machucar você. – Ele abaixou na frente dela e então, a garota o abraçou com força.

– Eu não quero te ver triste, Loki. – falou ela aconchegando-se no pescoço do deus.

– É tarde demais. – respondeu e Sigyn o largou. Olhou para ele e percebeu que seus olhos verdes estavam marejados. Uma lágrima escorreu, mas a garota não deixou que percorresse o rosto dele. Amparou antes que caísse.

– Eu amo você e te ver triste me machuca. – falou ela.

– Eu sei. – ele sorriu e deu um beijo demorado na testa dela.

– O que vai fazer?

– Eu não pensei nisso ainda. – olhou para a ruiva seriamente e depois percebeu que uma pequena poça de sangue se formava embaixo de sua mão direita. Puxou-a para si e percebeu o talho que sangrava. Sentiu-se extremamente culpado. Se tivesse controlado a sua raiva, não teria empurrado Sigyn e, consequentemente, ela não teria esbarrado no vaso de vidro e cortado a mão com os cacos.

– Está tudo bem. – falou Sigyn e puxou a mão.

– Não está. – Ele seguiu até uma gaveta e pegou uma pomada. Abaixou-se outra vez e passou um pouco no corte. Imediatamente o sangue estancou e o corte tomou um aspecto mais limpo. – vai sarar rápido.

– Eu não me importo com isso. – respondeu ela. Os olhos verdes de Loki, saíram do ferimento e parou admirando o mais profundo azul dos olhos de Sigyn. Adorava aqueles olhos. Parecia hipnotizado quando os encarava fixamente, sua mente dava voltas. Era errado antes, mas agora já não importava.

Frigga entrou no quarto no minuto seguinte. Parecia preocupada. Certamente havia tido uma visão. Sempre a atordoava.

– Loki... – falou ela aflitamente.

– Você mentiu para mim. – o deus levantou-se acusatório. – Você me enganou durante toda a minha vida.

– Eu fiz para te proteger. – respondeu a rainha. – Eu sou sua mãe.

– Não! Não é. – ele virou-se enraivecido. Os cabelos negros assanharam-se. – Você não é a minha mãe. Nunca foi.

– Loki. – ela se aproximou do homem. Ele não se moveu nenhum milímetro. – Eu te amei desde a primeira vez que te vi. Eu quis ser a sua mãe desde o primeiro momento. Não me prive disso.

– Não tinha o direito de me esconder isso. – os olhos verdes marejaram-se outra vez.

– Me perdoe. – ela tocou no rosto dele e alisou gentilmente. Sigyn continuava no chão. – Se eu pudesse voltar atrás, eu juro que te contaria tudo. Eu só não o fiz porque eu queria te proteger da verdade. Seria cruel demais.

– Agora eu já sei de toda ela. Não é cruel da mesma forma? – Ele afastou-se de Frigga, dando uma volta pelo seu quarto e passando as mãos nos cabelos. Sigyn apoiou-se e, com a ajuda de Frigga, levantou-se.

Imediatamente após isso, uma das mulheres que trabalhavam no palácio, parou na porta do quarto, que estava entreaberta, e bateu. A rainha ordenou que ela entrasse.

Os olhos castanhos arregalaram-se ao ver a cena, mas nada disse sobre aquilo. Era extremamente discreta.

– Minha senhora. – chamou a mulher e curvou-se.

– Pois não, Alinda. – respondeu a rainha.

– Meu senhor, o Rei, manda chamar a senhora e a senhorita para o jantar. Estão todos à espera.

– Obrigada. Diga-lhe que iremos em um minuto. – respondeu Frigga, dispensando a criada, que saiu sem comentar nada.

– Você vem com a gente? – perguntou a ruiva.

– Não. – respondeu Loki ainda de costas. Sigyn caminhou na direção dele e o abraçou com força.

– Eu estou aqui por você. – ela o encarou e sorriu.

– Eu sei. – respondeu o deus, depositando um beijo na testa da garota.

Sigyn e Frigga deixaram o quarto do deus da trapaça e ele sentou-se, pesadamente, na cama. Sua mente trabalhando rápido demais.

Aquilo tinha sido um choque e tanto.

Saber que toda a sua vida foi uma imensa mentira. Tudo o que ele sempre acreditou, caiu por terra com as palavras escritas naquele maldito diário. Ele era um Jotun. Aqueles mesmo que os pais contam aos filhos, a noite, para amedronta-los. Ele era o monstro que sempre temeu durante a noite.

E assim os dias se passaram.

Loki ficou mais calado que o habitual e sempre distante. Se Sigyn queria falar com ele, certamente o acharia no quarto e cada vez que ela o procurava, ficava deprimida. Era possível ver o que aqueles dias fizeram com ele. Os cabelos desgrenhados, sempre fora do lugar, o rosto mais magro e olheiras atenuadas. Mal sorria e aquilo matava a garota. Daria qualquer coisa para ver Loki sorrir.

...

O sol estava indo embora e Sigyn terminava de arrumar o que precisaria para a sua viagem. Teria que passar sete dias longe. Era a chamada “semana de descanso da noiva”. Eram dias que ela se desvencilhava de toda aquela história de casamento e focava apenas nela, em seu descanso. Geralmente acontecia na semana anterior ao casamento, porque assim a noiva voltava renovada e mais feliz, para a cerimônia, mas ela não pretendia ficar feliz. Aquele casamento era uma verdadeira desgraça em sua vida. Ir para longe, era uma forma de aproveitar um pouco que ainda lhe restava da liberdade.

Sentou-se em sua cama, prendendo um choro. Passou a mão no rosto e encolheu-se ao pensar naquele maldito dia. Não suportava ser tocada por aquele homem.

O que seria de sua vida depois que a festa de casamento acabasse? Depois que eles estivessem a sós? Quando tivesse que cumprir seu papel de esposa?

Sentiu seu estômago embrulhar e a vontade de vomitar surgiu quase que instantemente. Só parou quando aquele cheiro invadiu suas narinas. O braço a puxou para perto, fazendo com que ela descansasse a cabeça em seu ombro.

– Não foi me ver hoje. – Loki disse afrouxando o abraço, permitindo que Sigyn levantasse.

– Eu ia quando terminasse de arrumar as coisas por aqui. – ela colocou, na mala, um vestido vinho e a fechou.

– Vai viajar?

– A semana da noiva. – respondeu ela.

– Quanta empolgação. – falou o deus e a ruiva o encarou. Ele sorriu. Ela ganhou o dia. – Para onde vai?

– Vanaheim. – respondeu. – A mamãe preparou uma casa para mim. Me livrar dessa loucura, por alguns dias. – Ela o olhou e sorriu. Loki ergueu uma sobrancelha. – Bem que você podia vir comigo.

– Não. Sem chance. – O deus levantou-se da cama e ia seguindo na direção da porta. Sigyn passou correndo e se jogou na frente dele.

– Venha. – ela fez um bico. – Por favor, por favor, por favor.

– Não. – ele rebateu.

– Eu não pediria a outra pessoa para que me acompanhasse. Eu não quero ficar só em Vanaheim. – ela abaixou a cabeça. – Sabe que não pode ir ninguém que não seja da família.

– Eu não sou da sua família. Chame o Thor.

– Thor está ocupado, ajudando Balder nos preparativos. Até porque, é trabalho dos irmãos ajudarem os noivos, não é? E Balder só tem um irmão e ele não enxerga. – Ela o olhou outra vez. Todas as vezes que essa ideia de casamento passava por sua cabeça, sentia um calafrio lhe subir pela espinha. - E eu jamais pediria para Thor vir. Se não vier, irei só. – Ela prendeu um sorriso. – E sim, isso é uma chantagem. Eu sei que você jamais me deixaria sozinha em uma terra estranha.

– Golpe baixo. – falou Loki, tentando um sorriso. – Com quem aprende essas coisas?

– Eu tenho o deus da trapaça como irmão... – respondeu a ruiva e sorriso custoso de Loki desapareceu.

– Eu não sou seu irmão. – Sigyn abaixou a cabeça e respirou fundo. Ergueu os olhos azuis ao encontro do deus outra vez. Um sorriso surgiu em seus lábios. Loki adorava vê-la sorrir.

– Não seja tolo. – ela o repreendeu. – Você vem?

– Se eu disser que não, você vai me deixar em paz?

– Não. – respondeu a ruiva.

– Que horas você vai? – perguntou soltando o ar. Foi vencido.

– Em meia hora virão me buscar. – respondeu Sigyn. Encarando Loki com um olhar de quem está implorando.

– Me encontre na saída em vinte minutos. – respondeu ele. A garota soltou um grito e o agarrou. Loki não podia negar que a euforia dela lhe deixava bem.

...

A ruiva virou-se pela décima vez em menos de cinco minutos. Já havia tentado várias posições, mas em nenhuma delas sentiu-se confortável o suficiente para que dormisse.

Eles haviam chegado um dia antes e nesse tempo não fizeram nada demais.

A noite, cada um foi para seus respectivos quartos e a rotina maçante recomeçou no dia seguinte. Só não era pior, porque um tinha o outro, para conversar e distrair, mas na noite do segundo dia, não havia quem fizesse Sigyn dormir. Já fazia horas que a princesa estava deitada e nem sinal do sono.

Abriu os olhos e encarou o teto de uma forma cansada. Nada ali lhe lembrava sua casa. Por mais que as coisas estivessem como estavam, ela sentia falta de sua cama macia e do cheiro doce de sua mãe. Não acreditava que em algumas semanas teria que deixar tudo isso para trás para ir morar com Balder. Aquilo era um pesadelo sem fim.

Olhou para os lados e sentou-se na cama. Só havia uma coisa ali que a fazia se sentir em casa e ela iria até ele.

Saiu rápido do seu quarto e espreitou a sala. Como aquele lugar havia sido cuidadosamente planejado por sua mãe, tudo ali era feito com a ajuda de magia e isso incluía as chamas das tochas que acendiam sozinhas quando alguém adentrava a um cômodo antes vazio. Abriu a porta do quarto de Loki e se aproximou da cama dele.

– Não pode entrar no meu quarto assim, Sigyn. – reclamou com o rosto enfiado no travesseiro. – Se não fosse tão barulhenta e se eu já não conhecesse sua passada, estaria no chão, nesse exato momento.

– Vamos enumerar as coisas. Primeiro: você entra no meu quarto quando bem entende e nem por isso eu fico reclamando. Segundo: eu não sou barulhenta e terceiro: sim, você já vive o bastante comigo para conhecer os meus passos. Agora chega para lá. – ela empurrou ele de uma forma cômica. Loki levantou a cabeça e a encarou.

– Por quê?

– Porque eu não estou conseguindo dormir. – ela reclamou subindo na cama, empurrando-o de qualquer jeito e deitando-se em seguida. Imediatamente sentiu aquele cheiro familiar. Ela poderia estar em qualquer lugar, mas bastava sentir o cheiro amadeirado ou cítrico que ela, automaticamente, lembrava-se de Loki e isso a lembrava de estar em casa. Precisava sentir aquele cheiro.

– Você não espera que eu cante uma música para você dormir, não é? Porque eu não tenho talento para babá. – falou o deus com um sorriso de deboche. Sigyn o olhou seriamente e deu uma tapa em seu braço.

– Cala a boca! Eu não sou mais criança. – ela voltou a deitar a cabeça e o encarou seriamente. – Já disseram que as vezes você consegue ser um chato, irmão? – O sorriso de Loki começou a desaparecer e ele ficou sério. Sigyn se arrependeu de ter falado aquilo.

– Eu não sou seu irmão.

– Claro que é. – ela respondeu ainda seriamente. Os olhos azuis miravam o deus de uma forma terna. – Nós crescemos juntos, brincamos juntos, estudamos juntos, treinamos e lutamos juntos. Essas são coisas de irmãos.

– Não importa. – respondeu ele. – Eu não sou seu irmão. Nem asgardiano eu sou. Eu sou um gigante de gelo. Aqueles mesmo que os pais usam para assustar as crianças. – O deus falou aquilo quase em um sussurro. Tremia todas as vezes que sua mente o forçava a pensar naquilo. Estava tão concentrado que não percebeu de imediato que a ruiva começou a rir. Loki franziu o cenho. – O que é engraçado?

– Você diz que é um gigante, mas se isso é verdade, o que é o Thor, então? Ele é mais alto que você.

– Isso não é uma piada, Sigyn.

– Claro que é. Me fez rir. – ela sorriu e bocejou. Finalmente estava com sono. Encolheu-se onde estava enquanto aproximava-se ainda mais de Loki, escondendo o rosto em seu peito. Não antes de puxar o braço do deus e fazê-lo abraça-la. Aquilo a confortava. Estava em casa. Loki ajeitou-se de uma forma que ele pudesse aninhá-la confortavelmente. Fechou os olhos na tentativa de pegar no sono e escutou a voz abafada da ruiva. – Você não é gelado.

– Como? – Sigyn ergueu as vistas e encontrou os olhos verdes de Loki a mirando com curiosidade.

– Lembra quando éramos crianças e a mamãe contava histórias de Jotunheim? – Loki assentiu apenas balançando a cabeça. – Ela sempre contava que os gigantes de gelo eram frios. – Ela tocou no braço do deus. – A sua pele é quente. Mais um ponto contra você ser um Jotun.

– Ela estava falando metaforicamente. – respondeu ele encarando-a. – Ela quis dizer em personalidade e atitudes. Uma pessoa fria é dissimulada, mentirosa e traiçoeira. Exatamente como eu.

– Pare de dizer isso. Não é dissimulado, talvez um pouco mentiroso e traiçoeiro. – Loki não conseguiu deixar de sorrir. – mas em nada é semelhante a um Jotun.

– Como pode ser tão inocente?

– Não sou inocente. Só estou falando aquilo que vejo, irmão. – respondeu ela e novamente o chamou daquela forma. Força do hábito.

– Eu não sou seu irmão.

– Não interessa o que fale ou que faça, você sempre será. – respondeu com o seu tom de voz baixo e fino. Loki a observou em todos os seus detalhes, desde os olhos incrivelmente azuis, que pareciam verdes por causa das chamas amarelas do quarto, até os cabelos com algumas mechas teimosas e esvoaçantes.

– Se eu fosse seu irmão, não poderia fazer isso.

– Isso o que? – perguntou ela. O cenho franziu em confusão, mas logo essa expressão transformou-se em espanto quando Loki beijou-lhe o canto da boca. Sigyn saiu da cama rapidamente.

Afastou-se o quanto as suas pernas, bambas, permitiram e encostou-se na parede oposta. Os olhos arregalados, as mãos na boca em uma mistura de choque e incredulidade. Não sabia o que pensar e muito menos o que fazer. Loki sentou-se na cama, observando a reação da ruiva.

– Sigyn, eu... – começou Loki a falar, mas foi interrompido.

– Você é o meu irmão. – as palavras deixaram os lábios da mulher de uma forma sôfrega.

– Eu nunca fui. – ele levantou-se da cama. – Não percebe isso?

– Sim, você era. Pelo menos até dois minutos atrás você era. – falou de súbito. Atropelando palavras e gaguejando.

– Mas não somos mais.

– Sim, nós somos. – Sigyn começou a desesperar-se. Loki deixou que o corpo desabasse sentado na cama. Passou a mão pelos cabelos e respirou fundo.

– Eu não sou seu irmão e pela primeira vez eu sou exatamente aquilo que queria ser. Não tire isso de mim. – Os olhos de Loki voltaram a encarar a garota. Finalmente ele havia conseguido calá-la. Sigyn escorregou, lentamente, pela parede até encolher-se no chão. Loki continuou sentado. Um silêncio mortal tomou conta do quarto e assim ficou pela próxima hora.

...

– Há quanto tempo? – A ruiva rompeu o silêncio. Loki levantou o olhar para ela novamente.

– Desde sempre. – respondeu ele quase em um sussurro. Sigyn o olhou por um instante e sua feição se modificou de uma hora para outra. Começou a rir, descontroladamente, como se alguém tivesse contado-lhe uma piada extremamente engraçada. – O que?

– Loki, de todas as brincadeiras que você fez até hoje, essa foi a que foi mais longe. – Ela respirou profundamente, convencendo-se de que aquilo havia sido, realmente, mais uma brincadeira do trapaceiro.

– Acha mesmo que eu te beijaria por diversão? – respondeu o deus seriamente e Sigyn finalmente percebeu que aquilo era sério.

– Não pode. – ela franziu o cenho. – Não pode.

– Porque não pode? – Perguntou o deus. A ruiva o encarou perplexamente. Não acreditou que ele havia feito aquela pergunta.

– Porque não me contou? – ela perguntou acusativa.

– Há uma hora, você estava convencendo-se que éramos irmãos, mesmo sabendo que não somos, e reagiu dessa forma. Imagina se eu tivesse lhe falado algo antes. – O tom de voz de Loki saiu do normal para um mais elevado. Sigyn respirou fundo, buscando entender a situação.

– Mamãe, papai ou o Thor sabem? – ela olhou para ele com os olhos começando a marejar.

– Não, ninguém sabe. Eu sou um ótimo mentiroso.

– Isso não pode acontecer. – ela falou buscando ar. Ele queria abandoná-la. Os pulmões já trabalhavam com dificuldade. – O que você pretende fazer agora?

– Eu sei o que eu quero fazer. – Os olhos de Loki não se desviaram em nenhum segundo da ruiva. – A pergunta correta é: O que você vai fazer a respeito?

– Isso é um absurdo! – ela gritou. Era muito incomum Sigyn gritar, mas aquela não era uma situação comum. – Como espera que eu responda algo assim? Não percebe que isso é demais? Como espera que eu aceite de bom grado que meu irmão diga que me ama de uma forma totalmente fora do amor fraternal?

– Eu não sou seu irmão. – as palavras saíram ferinas. Sigyn começou a tremer. Estava tendo uma crise de pânico.

– Pare de dizer isso! – ela gritou, colocando as mãos nos ouvidos e os comprimindo com bastante força. – Como você acha que eu me sinto ouvindo isso?

– Como você se sente? – Loki levantou-se da cama gritando. Sigyn assustou-se com aquele rompante. Ele nunca havia levantado a voz para ela daquele jeito. Ele caminhou até ela e abaixou-se na sua frente. Os olhos verdes encarando-a seriamente. Havia dor e agonia naquele olhar. – Isso não é sobre como você se sente. Como você acha que eu me sentia beijando outras bocas e desejando que fossem a sua? Como você acha que era ouvir você falando das suas paixõezinhas? - Loki dizia aos berros com desprezo evidente. - Como era ver outros homens desejando ter você na cama deles? Homens que não te tratariam a metade do que você realmente merece! - Dizia com a magoa destacada em cada silaba. - Como você acha que eu me sentia a cada noite, em que me procurava por seus próprios interesses, e se deitava ao meu lado? Como é desejar te tocar e não poder? Como era para mim entrar em seu quarto e tentar me concentrar em uma conversa enquanto te via trocar de roupa? Como acha que eu me sinto sabendo que você vai se casar? Você acha que é simples?! Fácil?! - Por fim, deixou de gritar, sua voz se tornando num sussurro sôfrego. - Saber que eu era a parte anormal de uma relação de irmãos... Toda essa culpa em cima de mim... O tempo todo. Sem ter como me livrar disso. Sem ter a quem pedir... Culpa. O tempo todo. Mesmo agora... Mesmo quando não existe mais nada que me impeça... - Concluiu levantando-se e sentando numa poltrona. Um suspiro pesado e entrecortado lhe escapando, as mãos se embrenhando nos cabelos, sem a encarar.

Manteve-se naquela posição por um longo tempo, até perceber que Sigyn chorava desesperadamente. Parecia que ela pararia de respirar a qualquer momento, devido ao esforço que fazia ao soluçar.

– Me perdoe. – A palavra saiu entrecortada. Era o completo desespero. – Por favor, eu imploro o seu perdão. Não foi minha intenção te fazer mal. Por favor, por favor. – ela encolheu-se ainda mais. Loki correu até ela, ajoelhando-se em sua frente. Ergueu o rosto da ruiva, segurando com as duas mãos, e forçou-a a encará-lo. – Se eu soubesse, não teria corrido para sua cama a noite. Se eu soubesse não teria te contado nada sobre meus relacionamentos. Se eu soubesse... Se eu soubesse. – Ela respirou fundo. - Não é sua culpa, é minha. É toda minha.

– Não. – Repreendeu Loki. Os olhos molhados de lágrimas, a sobrancelha arqueada em uma expressão de pena. – Você não tem culpa de nada. Como disse, não sabia. – Sigyn olhava dentro dos olhos verdes dele. Ele não podia carregar aquilo tudo sozinho. Perguntava-se como não havia enlouquecido por causa daquilo e por se perguntar aquilo, o desespero tornou-se maior. O choro veio com mais força. – Não chore, Sigyn.

– Eu não posso. – Ela forçou a cabeça para baixo, encarando o chão.

– Como acha que eu me sinto sabendo que sou o causador dessas lágrimas? – A ruiva o olhou novamente e balançou a cabeça. Como ele esperava que aquilo não a fizesse chorar? Tentou se controlar, mas era impossível. Jogou os braços ao redor de Loki e chorou tanto quanto pôde chorar. Ele a apertou com força. Queria senti-la ali por mais tempo, mas sabia que se não tomasse uma atitude, aquela situação se tornaria ainda pior.

Afastou-se de Sigyn e a olhou nos olhos. Tentou sorrir para ela, mas conseguiu uma careta. Puxou-lhe a cabeça e depositou um beijo terno em sua testa. Levantou-se apressadamente e saiu de casa.

Os dois precisavam de tempo para refletir. Um tempo sozinhos.



Notas finais do capítulo

É isso, meus anjooooos!!
Um mega beijo para todos e adicionem o grupo no faceboooooooook... Altas zoeiras no nosso chat e no grupo... kkkkkkkkkkkkkkkk

https://www.facebook.com/flavia.rolim.3

Beijinhos e inté o próximooooo!!

S. Laufeyson!!!!