Sobre Humanos e Deuses escrita por S Laufeyson


Capítulo 11
Capítulo Bônus - E Se Eu Te Contasse...


Notas iniciais do capítulo

Olá amores!!
Então... Eu sempre tive vontade de mostrar para vocês como a Roxie pensa, então decidi fazer esse Bônus, contado por nossa ruiva... rsrs

Espero que gostem!!!



Eu dirigia o carro enquanto Loki mantinha a refém, como ele mesmo dizia, sob controle. Ela tentou fugir e por causa disso, ele materializou uma algema e prendeu a mulher a ele.

Já eu, configurei o telefone do veículo para se conectar a J.A.R.V.I.S. e daí poder conversar através de uma linha segura com Fury e Tony.

– Tivemos alguns problemas. – respondi referindo-me ao fato de termos perdido dois dias e não ter entrado em contato com eles nesse período. Loki não ligou e eu não poderia, porque estava me recuperando da hipotermia. – Eu quase morri.

– Como? – perguntou Tony.

– Eu vou ter que fazer um relatório para que vocês me deem o que preciso? – respondi me sentindo realmente chateada. A S.H.I.E.L.D. havia me escondido coisas grandes, dentre elas que a mente de Loki foi apagada e que ele era mentalmente instável. Estava ficando explicito aquilo.

– Que bicho te mordeu? – perguntou Tony com a voz abafada. O telefone deveria estar longe dele. – Não foi o Loki, foi? – O olhei pelo retrovisor e ele pareceu não ter achado graça, mas se importou com a piada já que fez uma cara de poucos amigos. Eu ri.

– Eu preciso saber a localização exata deles porque o que vamos fazer é uma missão suicida. Tudo ou nada.

– Eu estou ciente dos riscos, agente Monroe. – respondeu Nick secamente. – Já tentaram tirar essa informação da mulher que está com vocês?

– A nossa refém diz que não tem acesso a essa informação, e acredite, depois do que eu fiz com ela, se ela diz que não tem acesso é porque realmente não tem. – Pude ouvir a risada de Tony e a frase “essa é das minhas” ecoar pela sala. Estavam no viva-voz.

– Os nossos técnicos estão tentando acessar aqueles dados que você disse ter visto.

– Precisam de técnicos melhores – respondi seriamente. Ouvi um muxoxo de um deles. – Me liguem assim que encontrarem. J.A.R.V.I.S. sabe o numero.

– Boa sorte. – falou Nick.

– Até o momento, ela não tem sido nada boa. – respondi por fim e desliguei o aparelho.

– Vocês vão morrer. – falou a mulher entre os dentes. O sangue escorreu de sua boca e só ai notei que eu havia pegado pesado demais.

– Pelas mãos de quem? Víbora? – perguntei olhando-a limpar a boca com as costas das mãos.

– Você vai ver. – respondeu com dificuldade e Loki apertou um ponto em seu pescoço. Ela desmaiou.

– Bem melhor. Silêncio. – Loki me olhou pelo retrovisor e eu balancei a cabeça. Não vou ser hipócrita e dizer que ele não mexia comigo, porque ele sempre mexeu. Desde a primeira vez que o vi, enquanto caminhávamos naquele corredor, ele chamou a minha atenção. Provavelmente aquilo foi antes de apagarem a mente dele, já que estava algemado e com uma amordaça de metal.

Imaginei se ele se lembraria de mim, mas o medo se sobrepôs a vontade de perguntar. Medo. Não da pessoa do Loki, mas medo de descobrir o que ele realmente era e não gostar. Lembrei-me da nossa luta no café e do momento em que ele se sentiu mal. Não percebi, mas minhas expressões mudavam com extrema facilidade. Uma hora eu sorria com os pensamentos e outra franzia o cenho ou fazia careta.

– Você é a pessoa mais expressiva e enigmática que eu já conheci em toda a minha vida. – Loki falou no banco de trás e eu o olhei. Gelei imediatamente, só em saber que ele estava me observando. – Me diz o que está passando por sua cabeça.

– Nada.

– Sério? Eu sou o deus da mentira. Acha mesmo que vai me enganar?

– Estou pensando em várias coisas.

– Que tipo de coisas?

– Só coisas. – respondi e prestei atenção na estrada. Loki pegou a chave das algemas, se separou da mulher e sentou-se no banco da frente, ao meu lado.

– Se não quer me contar, vou ter que entrar em sua cabeça para ver. – ele sorriu.

– Não faria isso. – respondi incrédula. Me perguntei se ele conseguia ler pensamentos.

– “Não mesmo?” – ele falou em minha mente e o encarei. Estava sorrindo. Perdi o controle do carro por um segundo.

– Não faça isso, não quero te odiar. Isso é uma violação. – respondi sem pensar e o sorriso dele sumiu. Respirei fundo e resolvi falar algumas coisas que também me fizeram companhia naqueles últimos minutos. – Eu estou pensando em tudo o que está acontecendo. Víbora, S.H.I.E.L.D, nós...

– Nós?

– Nós. – respondi ainda olhando a estrada. – Só sobrou eu e você. Tony está ferido e os outros estão presos. Nós fomos enviados para salvá-los, nós estamos em um País estranho, nós estamos indo para uma missão suicida. – O olhei de soslaio.

– Vamos conseguir. Já chegamos até aqui.

– Espero que esteja certo. – respondi respirando fundo e sentindo uma dor. Havia esquecido que eu fui baleada. Levei a mão até o lugar. – Precisamos parar.

– Porque? – perguntou e eu lhe mostrei a mão ensanguentada. Ele, automaticamente, levou os olhos ao meu ferimento e percebeu que a blusa azul que eu vestia, já estava com uma bela mancha de sangue.

– Os pontos abriram. – sorri com o que pensei. – Onde aprendeu a suturar?

– Treinamento padrão da S.H.I.E.L.D. Primeiros socorros. – respondeu e me encarou.

– Você não aprendeu direito, não é?

– Se você tivesse me escutado e feito um novo curativo, eles não teriam se aberto. Meus pontos foram perfeitos.

– Foi uma piada, Loki. Precisa melhorar o seu senso de humor. – Ele revirou os olhos.

– Precisamos é achar uma farmácia.

– São duas da manhã, não tem farmácia aberta.

– Arrombaremos uma.

...

Eu dirigi por mais alguns minutos e já estava extremamente abatida, afinal, eu estava perdendo sangue. Loki insistiu que eu fizesse um paliativo para estancar a hemorragia, mas como sempre fui teimosa, não lhe dei ouvidos. Isso ele fez questão de me dizer enquanto me apoiava e me levava para dentro de uma farmácia que havia arrombado. A refém ficou amordaçada, algemada e presa no carro. Loki fez com que o veículo fosse envolto em magia. Dessa forma, quem o visse acharia que estava vazio.

– Você vai acabar morrendo por ser teimosa. – Loki me deixou encostada em uma parede enquanto ele buscava o que precisaríamos para uma sutura. Eu estava sentindo dor. Olhei para as prateleiras com os mais diversos remédios e procurei aquele que era anti-inflamatório e analgésico. Peguei uma seringa, coloquei o remédio nele e apliquei em meu próprio braço. Senti o alivio imediatamente.

– Você não me deixaria morrer. – respondi sentando-me em uma cadeira. Ele apareceu logo depois, trazia em mãos: algodão, álcool, agulha, linha, atadura e esparadrapo. Loki riu.

– Não deposite sua confiança toda em mim. – ele abaixou-se ao meu lado.

– Descobri que não posso confiar em você.

– Garota esperta.

– Mas eu não tenho escolhas.

– Deite-se ali. – mandou que eu deitasse em uma mesa mais a frente e eu obedeci. Ergui minha blusa até que a ferida ficasse a mostra e ele começou a limpar o local, para fazer a sutura. Continuei falando. Na verdade, eu estava criando coragem para fazer aquilo.

– Você é meu parceiro. – ele deu o primeiro ponto e eu suprimi um grito. – Eu tenho que confiar em você se quisermos concluir esse serviço e você também precisa confiar em mim.

– Porque esse discurso sobre confiança? – ele colocou a agulha em minha pele, outra vez, e eu deixei um gemido de dor escapar.

– Lembra que eu falei que não pode haver segredos entre nós? – Loki levantou os olhos em minha direção. Ele sabia onde eu queria chegar. – O que aconteceu enquanto eu estava dormindo foi o mesmo que aconteceu no café, não foi?

– Sim. – ele respondeu secamente e puxou a sutura com rapidez o que doeu um pouco mais. Ele pegou a tesoura e cortou a linha.

– O que foi aquilo?

– Eu não sei. Imagens aparecem em minha cabeça, seguida de um dor forte. – ele limpou novamente o ferimento e começou a fazer o curativo.

– O que viu?

– A primeira vez foi uma luta. Pelo lugar parecia ser Jotunheim, o mundo dos gigantes de gelo. – Eu o olhei no mesmo instante em que seus olhos pousaram em mim. – Na segunda vez, eu segurei Tony pelo pescoço e o arremessei contra uma janela de vidro. Eu estou vendo coisas.

– São memórias. – Despejei de uma vez, no mesmo instante em que Loki me autorizou a levantar. Havia terminado o curativo. – Sua mente foi apagada, Loki.

– Acho que a sua perda de sangue afetou o seu cérebro. – ele sorriu. Tentou fazer uma piada, mas permaneci séria.

– Eu estou dizendo a verdade, Loki. – respirei fundo e desci da mesa. – lembra do dia em que conseguimos fugir daquele prédio e eu vi aquelas pastas no computador? – Ele apertou o maxilar e assentiu. Senti meu estomago embrulhar. Algo me dizia que eu não deveria ter contado. – Eu te mandei sair porque encontrei uma pasta com o seu nome. Na verdade, eu... – respirei fundo. Definitivamente não era para ter dito nada daquilo. –... eu estava curiosa sobre você. – Esperei uma reação àquela revelação, mas ele continuou me olhando seriamente. Pareceu não se importa ou se sim, não deixou que eu soubesse.

– O que você descobriu sobre mim? – A sua voz se tornou mais rude. Autoritária.

– Haviam várias coisas ao seu respeito. As mesmas coisas que a S.H.I.E.L.D. nos entregou para que ficássemos sabendo uns sobre os outros. Com exceção que, no final desse arquivo, tinha uma linha em destaque: “memória apagada”.

– E achou que isso era irrelevante? – Loki gritou e eu estremeci. Eu vi fúria em seu olhar e aquilo me fez tremer.

– Loki...

– Agora eu entendi todas a-a-aquelas perguntas. – Ele começou a andar em minha direção. Acusando e gritando. – Querendo saber se eu me lembrava, não é? Você mentiu para mim! – a última frase ele gritou tão alto que minha alma fugiu de mim.

– Eu não... – antes que pudesse concluir, senti uma tontura forte. Efeito do remédio. Loki percebeu e parou de gritar. -... eu não menti para você. Eu fiquei com medo. Medo de te contar o que eu sabia e ter que descobrir o que de tão ruim podiam estar escondendo até de você.

– Como quer que eu acredite em você? – ele perguntou seriamente. Ele tremia e os olhos estavam fixos em mim. – Você já me escondeu coisas antes. Mentiu para mim.

– Leia a minha mente. – Era a única forma. Eu sabia que ele poderia ver coisas que eu não queria que visse, mas eu precisava dele. Não ia conseguir sem ele. Loki deixou um esgar tomar-lhe os lábios e se aproximou de mim. Não me lembro de muita coisa depois daí. A única sensação que tive foi de não ter mais controle sobre mim. Não era mais eu. Era o Loki.



Notas finais do capítulo

É isso, amore!!!!
Me deixem saber o que acharam, tá?

Beijinhos!
S. Laufeyson!!!