Os Jogos da Fome - Interativa escrita por Natacha Cesar


Capítulo 7
Colheita do distrito 6


Notas iniciais do capítulo

Aqui está a colheita do distrito 6, espero que gostem muito ^^



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 O distrito 6 é a grande indústria dos transportes. Não é muito rico, considerado o sexto distrito mais pobre. Khyara era uma rapariga fria, irónica, determinada que lutava por seus objectivos. Ela morava com a família numa pequena casinha. Todos os anos muitas famílias entravam em desespero e medo por causa do dia da colheita e a família Clarkson não era excepção. Mas Khyara sempre foi discreta, nunca mostrou medo, não perante os outros, ela mantinha-se calma dês do inicio do dia até ao fim. O seu maior medo não era pensar na probabilidade de ser escolhida mas sim pensar na probabilidade de não voltar para a família. Ela não tinha muitos amigos apenas um. Naquele dia ela saiu de casa bem cedo só para não ter de aturar a mãe naquele dia. Naquele distrito situava-se todas as estações de comboio, cada distrito tinha uma estação, era dali que partiam todas as linhas que iam dar aos outros distritos e terminavam na Capital. Khyara dirigiu-se até á estação do distrito 13, aquela que estava abandonada á muito tempo. No muro havia um buraco escondido por de trás de uns arbustos que tinham o tamanho ideal para Khyara passar para o outro lado. A estação estava deserta, tudo estava a cair aos bocados, a linha estava bloqueada com pedras e troncos de padeira para que ninguém pudesse atravessar. Não se ouvia nada, nem os pássaros passavam por ali, Khyara sentou-se num banco minimamente em bom estado. Tirou o livro na mochila e começou a ler. Der repente ouviu um barulho e assustou-se escondendo-se por de trás de um pilar. Ela ouviu passos de alguém a aproximar-se e sem pensar saiu de trás do pilar e mandou o livro ao sujeito que se aproximava. Só depois é que se apercebeu de quem era.

– Quem diria que um livro podia ser uma arma mortal. – Disse o Jefferson com um pequeno sorriso no rosto. Ele era o único amigo de Khyara.

– Como é que chegaste aqui? – Perguntou a moça baixando-se para pegar o livro que estava no chão.

– Vim atrás de ti.

– Obrigado por interromperes o meu momento de silencio. – Disse a rapariga ironicamente guardando o livro na mochila.

– Tu não devias estar aqui, hoje é o dia da colheita, andam montes de Pacificadores por ai.

– É único local onde ninguém me chateia. E eu não tenho medo dos Pacificadores.

– Deixa-te disso, todos têm medo dos Pacificadores.

– Como queiras, vamos embora antes que chames a atenção de alguém.

– Não sei como consegues estar aqui, isto parece que está assombrado. – Disse o rapaz seguindo a moça.

Quando Khyara chegou a casa teve de ouvir os sermões da mãe mas nem ligou e foi para o quarto. Vestiu uma saia branca suja que lhe dava abaixo do joelho e uma camisola de manga comprida também branca mas com manchas amarelas por ser um pouco velha. Amarrou o cabelo num rabo-de-cavalo e foi com a família até ao local onde se realizaria a seleção.

– Minha querida Khyara quero que saibas que rezei muito para que não fosses escolhida. – Disse o pai da Khyara antes de a deixar ir.

– Obrigado pai. – Disse ela abraçando o pai e logo a seguir o irmão. – Adeus mãe. – Disse a moça dando um forte abraço á mãe.

No outro lado do distrito vivia o Miguel, um rapaz divertido e simpático que tomava conta da irmã e do irmão. Â Miguel perdeu o pai num acidente de trabalho e a mãe suicidou-se dias depois. Miguel ficou traumatizado e sempre que falam dos pais ficam com raiva e tem vontade der destruir tudo á sua volta mas como irmão mais velho tem o dever de proteger os irmãos mais novos. Miguel ajudava as velhinhas do bairro para conseguir algum dinheiro para poder comprar comida, ele passa muita fome pois a comida não dava para todos e ele preferia dar aos irmãos. Dês que o Gui fez 13 anos o dia da colheita era um pesadelo para Miguel. Ele não conseguia imaginar como seria perder o irmão numa arena, o pobre rapaz mal sabia utilizar uma faca pequena quanto mais matar alguém. Mas Miguel sabia, com receio que pudesse ser escolhido, passou grande parte da sua vida a treinar e tornou-se uma máquina de matar, caso fosse escolhido teria a todo o custo de voltar para os irmãos, eles não iriam aguentar sozinhos.

 Miguel e Gui prepararam-se para a colheita. Vestiram umas calças de pano preto e uma camisola meio amarela graças ao tempo. Dona Virgínia iria acompanha-los, ela era a vizinha do lado, Dona Virgínia tinha prometido que ficava a tomar conta dos irmãos caso ele fosse escolhido. Era uma mulher muito simpática e amável, a Anitta adorava-a. Os quatro caminharam em direção ao local onde iria decorrer a seleção. Anitta despediu-se dos irmãos antes de vê-los dirigirem-se até á grande multidão de rapazes.

No parco estava uma mulher alta de cabelo rosa bem comprido, ela era pálida e os olhos dela eram bem claros, ao longe pareciam brancos. Era uma mulher estranha mas sem dúvida muito bonita.

– Bem-vindos ao dia da colheita. O meu nome é Makenna Deppy. Vou ser a sorteadora e mentora do distrito 6. Mas antes de saber quem serão os tributos vamos assistir a um pequeno filme. – Quando a moça fez um pequeno sinal com a mão o filme começou a passar na tela gigante, o mesmo filme todos os anos passado vezes e vezes sem conta. Quando terminou a rapariga sorriu, dirigiu-se ao recipiente de vidro com os nomes femininos. – E o tributo feminino é… Khyara Clarkson.

Ouvir aquele nome deu cabo do coração da sua mãe que gritava tentando chegar á sua filha mas sem sucesso graças a dois Pacificadores que a agarraram. Khyara respirou fundo e ergueu a cabeça. Nunca teve medo de nada não ia ser agora que iria mostrar fraqueza perante aquela gente toda. Ela caminhou em passos largos e subiu o palco, olhou para a multidão com um olhar vazio.

– E agora o tributo masculino. – Disse a rapariga fazendo o mesmo para a seleção do tributo masculino. – O tributo masculino é Miguel Santos.

O rapaz ficou atordoado ao princípio mas logo se recompôs, olhou para o irmão e despediu-se. Este chorava baba e ranho. Caminhou até ao palco e olhou para a Dona Virgínia. Esta sorriu para ele dizendo que iria tomas conta dos irmãos. Makenna olhou para os dois e cumprimentou-os com um sorriso.

– Senhora e senhoras Khyara Clarkson e Miguel Santos são os nossos tributos. Podem cumprimentar-se.

Ambos obedeceram, olharam-se num olhar vazio e vago. Miguel não podia perder, tinha de voltar para os irmãos mas Khyara também não queria perder, ela teria de voltar para junto dos irmãos e da família.


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Notas finais do capítulo

Espero que gostem, comentem e deixem a vossa opinião ;)