Dead Zone. escrita por Ny Bez


Capítulo 13
Forasteira.


Notas iniciais do capítulo

Hello (de novo)!! Bom, como me foi muito pedido, então eu resolvi postar esse capítulo Bônus (agradeçam a Laura Casedi que me pediu muito para postar, via Mp ^^)!
Então é isso... Espero o Review de você no final.
E a música do dia é Crazy, Aerosmith:
http://www.youtube.com/watch?v=NMNgbISmF4I
Atualizando...



As ruas estavam manchadas com sangue por toda a parte. Era um cenário de horror. Toda vez que eu saia de casa, e me deparava com essa realidade além dos muros, ficava aterrorizada. Continuei o meu caminho, mas havia muitas coisas para desviar, incluindo mordedores.

Meu pé doía cada vez mais, aquele pulo que dei mais cedo pode tê-lo comprometido... Eu precisava mesmo de um médico, mas como eu iria achar um no meio disso tudo? Já estava anoitecendo, e era perigoso continuar de moto.

Parei perto de uma lanchonete, dava pra ver que tinha movimento no lado de dentro, havia zumbis lá. Na verdade, há zumbis por toda a parte aqui fora. -Preciso de um lugar para passar a noite. – Pensei alto.

Mais a frente havia um condomínio, mas seria burrice se eu entrasse lá dentro sozinha e com o pé fudido. Resolvi enfrentar os mordedores da lanchonete mesmo. Não deveriam ser muitos...

Desço da moto e vou andando com dificuldade até a entrada. Era uma porta de vidro, mas não era automática. A empurro devagar, mas logo me notam. Rapidamente tiro minha Katana da saya e já me livro dos três que ali se encontravam. Dei uma olhada nos fundos da loja, e não tinha mais nada, só o cheiro de carne podre, provavelmente o freezer parou de funcionar, o que fez com que a carne estragasse. Era um cheiro muito forte. Deu-me ânsia, mas me recompus rápido. Tranquei a porta dos fundos, e voltei pra frente da loja. Procuro pelas chaves da porta, para trancá-la por dentro, mas não obtenho sucesso. Então vejo uma corrente acompanhada de um cadeado, e nele tinha a chave, então enrolo a corrente prendendo a porta, e passo o cadeado. Ao terminar, um deles bate no vidro, e eu me assusto. – Filho da puta!

Improviso um travesseiro com a minha mochila, e adormeço. O que não dura por muito tempo. Batidas insistentes na porta de vidro me acordaram. Eu estava entre duas mesas. Levantei a cabeça para ver o que estava acontecendo, e pude ver uma aglomeração de mordedores tentando forçar a entrada. A corrente já estava para se partir. Meu coração acelera, se eles entram, eu to fudida. Apanho a minha mochila, e minha katana e levanto devagar, tentando não chamar a atenção, mas eles sabiam que tinha algo dentro, e queriam isso, que provavelmente seria a sua refeição do dia. Caminho na direção dos fundos, sem tirar os olhos da porta, que não resiste. O cadeado se parte antes das correntes. Malditos cadeados chineses.

Eles entram, uns pisoteando os outros, uns mais lerdos, e outros nem tanto. Decididos e famintos. Meu pé não aguenta pisar direito no chão, mas tive que forçá-lo a correr. Passei pela porta e mais uma vez eu estava nos fundos, sentindo o cheiro podre de carne e comida estragada, o que se misturava ao cheiro de carne em decomposição dos zumbis que estavam ansiando por um pedaço meu.

Eles estavam muito perto, e não dava tempo de destrancar a porta dos fundos, eu tinha me encurralado. Havia uma porta, e essa era a minha única alternativa. Entrei rapidamente e passei a chave a trancando por dentro. Era um banheiro para funcionários, bem sujo por sinal. - Que nojo! - Os arranhões e pancadas na porta aumentavam com intensidade, fazendo-a tremer. Eu já sentia que era o meu fim.

Eu estava mesmo exausta, meu pé doía tanto! Minhas pernas tremiam pelo cansaço, minha respiração era pesada. Pensei em Clara, talvez fosse melhor que eu virasse comida de zumbis. Um mundo sem Clara era... Todo esse inferno que eu tenho vivido até agora. Eu tento me colocar de pé, mas deus sabe o quanto é difícil suportar. Tento ajudar a quem eu posso, e fazer disso um propósito para a minha existência, mas mesmo assim, o ar às vezes me falta. Meu coração aperta... E lágrimas de saudades me brotam. Era difícil estar ali, era difícil, depois de tudo o que eu já passei, viver ali. Tão perto, e tão longe do meu único e verdadeiro amor... Se ao menos eu não sentisse tanto. Mas conviver com a ideia de que eu a perdi, não é fácil.

Fecho os olhos e começo a chorar, eu estava... Desistindo? Um misto de sensações e pensamentos embaralhava-se na minha cabeça. Olhei em direção à porta, que parecia que iria arrebentar a qualquer momento. Eu estava aceitando o meu destino. Já matei muita gente inocente na guerra, nada mais justo morrer dessa forma, da forma em que meus alunos os quais eu não cuidei morreram como a outra parte de minha família também morreu, como alguns amigos queridos, e meu ex-sogro, e meu ex-cunhado... Como a morte recente do Gladistone.

Eu merecia sim aquilo, mas não seria hoje. Eu prometi ao meu amigo que voltaria e salvaria o pai dele. E é o que vou fazer! - Eu preciso sair daqui! – Pensei alto.

Olho ao redor e não vejo nada, olho pra cima e vejo uma janela pequena, era mais uma saída e entrada de ar, há um pouco mais de 2 metros do chão, era a minha melhor opção. Subo na pia, e com muita dificuldade, me apoio nas paredes, segurando o peso do meu corpo com os braços, e com o meu pé já fudido, chuto a janela, para ver se daria para passar. A cada chute que eu dava, a porta rachava. Dou mais dois chutes e a janela quebra. Jogo minha mochila e minha Katana, e me posiciono para pular também. A porta se rompe, e eles entram furiosos, e indo a minha direção.

Eu estava com metade do meu corpo para fora, e outra parte ainda no banheiro. Eles tentavam me puxar pelas pernas, e eu distribuía chutes e pontapés até conseguir me soltar e escorregar mais um pouco para fora daquele buraco. Sinto a pressão dos dentes de um deles em minha perna antes de escorregar janela a fora.

Caí no chão, arranhando meu braço e barriga. Mas agora isso não era importante. – Ai caralho, esse viado me mordeu! – Tiro meu coturno procurando pelo estrago da mordida. Mas os dentes dele não conseguiram perfurar o couro do meu coturno.

Era muita sorte transbordando naquele momento. Mas sabia que não iria durar para sempre. Calcei de volta o coturno, peguei minha mochila e katana que estavam no chão, me levantei, sentindo meu pé pulsar. A dor estava me causando tontura. Quase certeza que estava quebrado.

Avisto mais uma dezena deles vindo em minha direção. Como eu disse a sorte não duraria para sempre. Sai praticamente pulando indo em direção à moto que estava estacionada em frente à lanchonete. Esses mordedores eram insistentes, eram lentos, mas com meu pé doendo, eu estava sendo tão lenta quanto eles.

Subo na moto, dou partida e consigo sair dali. Ainda era noite, e pelo visto a noite seria longa. Eu estava com fome e com sede. Estava toda arranhada, suja... Encostei a moto em frente a uma delegacia. Parecia tranquilo. Não vi nenhum deles por perto. Deveria ser umas 2 horas da manhã ainda. Eu precisava descansar... Desço da moto e retiro a Katana da Saya, o que quer que apareça irá sentir a sua lamina afiada perfurar seu cérebro. Entro devagar, sem fazer barulho. Observo tudo à volta, e com passos cautelosos me mexo dentro do local. Eu estava suando frio, sentia que meu corpo iria desfalecer a qualquer momento. Sento em uma cadeira, eu estava muito tonta, a dor já era insuportável. Eu não conseguia mais enxergar quase nada. Precisava de água para tomar algum remédio para dor, mas devo ter deixado à água que trouxe na lanchonete.

– Ei, você ta bem? – Eu não conseguia enxergar de onde vinha à voz.

– Quem é você? – Respondi assustada.

– Acho que isso é o que menos importa. To vendo que você não está legal. Está muito pálida. – A voz não parecia estar tão perto, mas também não parecia estar tão longe.

Minha vista vai voltando ao normal aos poucos. Quando clareia, a vejo... Aparentava ter mais ou menos 25 anos, 1, 68 de altura, pele clara. Olhos castanhos, em um tom escuro e vivos, me olhando como se me analisasse da cabeça aos pés, claro que eu estava em um estado deplorável, mas aquele olhar era bem mais profundo, como se ela procurasse por algo. Cabelo longo, liso num tom castanho claro, com mechas loiras, dona de um sorriso penetrante, e um corpo escultural, mas toda essa beleza contrastava com aquela sela.

– O que você ta fazendo ai dentro? – Pergunto confusa.

– O que você acha? Eu to presa. Não precisa ser nenhum gênio para saber. – Ela debocha.

– Há quanto tempo está aqui? – Pergunto intrigada.

– Há alguns meses. Até pouco tempo tinham alguns policiais aqui, mas uns foram embora, outros ficaram achando que isso acabaria... E eles insistiram em me manter presa. Foi quando um monte desses Nhoc’s entraram e acabaram com todo mundo. Eu escapei por que, ironicamente, essas grades me protegeram. Mas apesar da conveniência, estou morrendo de fome. – Contraio o maxilar.

O que eu iria fazer? Eu não poderia soltá-la assim, ela é uma fora da lei. – E o que você fez exatamente para vir parar aqui? – A questionei séria.

– Roubos e furtos. Sou uma ladra, e das melhores. – Ela fala se vangloriando. – Posso roubar a sua carteira hoje e você só vai perceber segunda que vem.

– Você não combina com esse lugar. Mas as aparências enganam. – Finalizei o comentário em um tom sério, frio.

Levanto-me com dificuldade. Ando até o bebedor e pego um copo d’água. Pego uns quatro comprimidos e tomo todos de uma vez, na esperança de que aquela dor passasse logo.

– Você é viciada em remédios? – Ela fala arqueando a sobrancelha, uma sobrancelha muito bem desenhada, por sinal.

– Não. – Disse seca. Eu não gostava mesmo de bandidos.

– Você não vai trazer nem um pouco de água pra mim? – Ela parecia cansada, com sede e faminta.

– Tudo bem... - Pego um copo d’água pra ela. A entrego, e sento na cadeira. Retiro da minha mochila um pacote de biscoito e dou a ela.

– Obrigada. - Ela bebia a água rapidamente. Depois abriu o pacote de biscoito e o devorou em alguns poucos minutos, quase que desesperada. – Não vai me tirar daqui? – Me pede com um olhar de gato pedindo carinho.

– To pensando nisso. Não sei se devo... – Falei hesitante.

– Ah, qual é? Que perigo acha que eu vou oferecer? Lá fora deve estar um caos, e as leis não se aplicam mais. E eu não sou assassina, sou ladra. Não vou apresentar perigo a você, pelo contrário, você pode precisar de mim.

– Eu? Precisar de uma ladra? Acho... - Cai na cadeira, à tontura tinha voltado. – Que você tem razão... Onde eles guardam as chaves?

– Com o carcereiro, né? – Ela parecia ter dito o óbvio, como se eu estivesse vendo o tal carcereiro.

– Sim, mas onde ele está? – Devolvi no mesmo tom.

– Logo atrás de você. – De repente um zumbi fardado estava atrás de mim, a poucos metros de me dar o bote. O acertei com a Katana, mas o golpe não foi tão preciso, mesmo assim o derrubou. Eu estava fraca. Sentia-me febril.

– Essa foi por pouco. – Falei enquanto procurava pelas chaves. Logo as encontrei. E fui abrir sua cela.

Eu me apoiava nas grades, já não aguentava mais o peso do meu corpo, e o efeito dos quatro comprimidos que tomei estava sendo uma sonolência sem controle. Ela me ajuda a abrir a cela, e me segura enquanto eu estava prestes a cair.

Ela me ajudou a sentar de volta na cadeira. – Fica quietinha ai que eu tenho uma coisa pra fazer. Me empresta sua Katana?

– O que você vai fazer? – Mais uma vez fiquei intrigada.

Ela sorri pra mim. Em seguida ela assovia. Uma mordedora aparece usando uma jaqueta de couro. A forasteira a derruba habilmente com uma rasteira, pisa em cima do peito do cadáver e finca a espada em seu crânio.

– Estou só pegando o que é meu. E eu falei que essa vadia ia ter o que merece por ter roubado as minhas coisas. – Ela falava enquanto tirava a jaqueta do zumbi, e colocava em si mesma. Do bolso retira um óculos escuros aviador e coloca na cabeça. – Toma aqui sua espada e vem comigo. – Ela me arrasta até uma sala, na porta tinha escrito “Sala de evidencias”.

– O que você quer aqui?

– Minhas coisas. Ela abre a porta e procura por algo. Ela encontra uma caixa, e a abre, nela havia duas Adagas Snakes do cabo preto com listras cor de vinho. E coldres. Ela termina de colocar os coldres e as adagas no lugar. – Pronto, agora sim não me sinto mais nua.

– Você disse que nunca matou ninguém... -Disse desconfiada

– E não matei, mas fui presa por causa dessas adagas. Pois eu estava andando com elas na rua. – A olhei incrédula. – Qual é? Era uma festa a fantasia. – Ela revira os olhos entediada. – Ai levantaram a minha ficha, a qual estava bem sujinha. Em fim. É melhor trancarmos as portas, antes que outra horda passe por aqui. Você vai descansar dentro da cela. Lá é mais seguro. – Finalizou e foi trancar a porta da delegacia, ela retirou uma das adagas do coldre, e a girando na mão, enfiou na cabeça de um zumbi desavisado que estava entrando no local. – Esses nhoc’s são muito folgados. Ninguém os convida e eles já chegam chegando...

– Você é inacreditável. – Falei perplexa.

– Um dia você aprende. – Ela pisca pra mim e me ajuda a deitar na cela, e nos tranca por dentro.

Ela, sem dúvidas era a mulher mais intrigante que eu já havia conhecido até ali. Despreocupada, intimidadora e dona de um senso de humor altamente debochado. Me lembrava Marina, mas a Mari não era tão intrigante assim. Ela deita ao meu lado, coloca uma mão atrás da nuca e a outra na barriga, cruza as pernas, e começa a cantar Crazy, do Aerosmith. O que foi a minha canção de ninar, adormeço ali.

“… I go crazy, crazy, Baby, I go crazy…

You turn it on, then you’re gone

Yeah, you drive me

Crazy, crazy, Crazy for you baby

What can I do, Honey?

I feel like color blue…”



Notas finais do capítulo

O que acharam da forasteira? O que eu achei dela foi... Que ela é uma DELÍCIA! Já me apaixonei!!! To já pra criar uma personagem com as minhas características pra dar uns pegas nela!! Hahaha ;)
E a Bia e seu pé lascado? Tadinha gente, quase se fudeu... Ela teve muita sorte do coturno ter protegido ela da mordida... Confesso que nesse dia eu quase matei a Bia. Mas eu sabia que eu iria morrer, pq vcs me matariam e tals... Rsrsrs
Espero que tenham gostado!! Agora sim é SÓ PRÓXIMA QUARTA!! Mas dependendo dos pedidos... Bom, nada é impossível por aqui.
Um grande beijo e até mais!! ;)