Rebelde em Hogwarts escrita por Katty Weasley Mellark


Capítulo 29
Trabalho na biblioteca


Notas iniciais do capítulo

Heello



P.O.V. Mia Colucci.

Já havia acordado há um tempão, mas prefiro ficar aqui deitada a ter que descer e encarar o dia. Falta menos de duas semanas para entrarmos de féria e menos de uma para a entrega do trabalho. Isso significa que, mais cedo ou mais tarde, serei obrigada a encarar Miguel. E o mais difícil será evitar o assunto do beijo.

Vick, já arrumada, com um lacinho preso ao cabelo, uma maquiagem leve e as vestes sonserinas, senta ao meu lado. Ela me lança um olhar de desaprovação que eu já esperava.

–Amiga, você tem que levantar.- Ela diz, passando a mão em meus cabelos.

–Eu sei Vick, eu sei.- Bufo.- Você só fala isso por que seu parceiro de trabalho não é tão insuportável quanto o meu!

–Ah não é mesmo.- Ela diz entre risadas.- É bem pior. Ora, Mia, eu preferia fazer o trabalho com o Miguel do que com a barraqueira da Josy

–Pois eu discordo completamente.- Digo, tirando o travesseiro debaixo da cabeça e jogando nela. Depois me sento.

–É claro que discorda.- Ela diz, jogando o travesseiro de volta.- Está apaixonada por ele, e não suporta essa ideia.

–Do que está falando?- Semicerro os olhos.

–Você sabe exatamente do que estou falando, Srta. Colucci.- Ela diz.

–Não, eu não sei.- Digo, jogando os cobertores para o lado e me pondo de pé.- E nem quero saber.

–Ui.- Vick se levanta também e balança as mãos na altura dos ombros. Um gesto zombeteiro.- Parece que alguém anda tendo aulas de rebeldia com a Srta Roberta Pardo.

Aponto o dedo na altura de seus olhos.

–Não ouse me comparar àquele projeto de ruiva outra vez, se tem amor pela vida.- Ameaço.

Ela aponta para mim, triunfante.

–Não falei?

–Silêncio.- Meu dedo pousa em meus lábios.

–Não está mais aqui quem falou.- Ela diz, saindo do quarto.

Vou para o banheiro e, depois de me despir, entro debaixo do chuveiro. Enquanto a água quente cai sobre mim, tenho tempo para refletir em tudo.

Merlin, não creio. Tratei Vick muito mal essa manhã, e isso não é do meu feitio. Sem contar que eu falei igualzinho à Roberta. Seria a convivência? Mas eu nem vejo aquela criaturinha abominável com tanta frequência para aderir suas manias. Suas falas. Isso é horrível e, pelo que parece, contagioso.

Gostaria de ter ficado só nesses pensamentos, mas minha mente insiste em me deixar mal. Ela vagueia para ontem à noite. Para aquele maldito beijo que me perturbava.

E pior ainda, daqui a pouco serei obrigada a ver o autor dele, ao vivo e a cores.

Desligo o chuveiro. Já deu. Não preciso me deprimir mais do que estou.

Depois de alguns minutos estou vestida, cheirosa e maquiada. É claro, um pouco de pó aqui, um rosinha ali, um batonzinho acolá... essas coisas, que só Mia Colucci sabe fazer bem. É uma pena mesmo não ter dado tempo de fazer nada em meu cabelo, só pude prendê-lo em um rabo-de-cavalo e nada mais. Então está cacheado. É como ele é naturalmente.

Me olho no espelho, insatisfeita. Queria ter me produzido mais, mas já estou mais que atrasada. Super hiper atrasada.

Saio do quarto correndo. Ninguém no quarto. Quase ninguém na Sala Comunal. Sim, eu disse quase. Diego é a única pessoa que está aqui e mais parece um retardado (com o perdão da palavra) sentado no chão encarando o fogo da lareira com se quisesse pular dentro dele.

–Se ninguém disse, eu vou dizer:- Digo, mas ele nem sequer desvia o olhar.- Você está parecendo um drogado, estou falando sério.

–Me deixa, Roberta.- Ele diz.

Roberta?- Pergunto, incrédula.- Se queria me insultar, usasse algo mais leve, como por exemplo: Mia, seu cabelo está horrível.

–Eu te chamei de Roberta?- Ele pisca, confuso, voltando o olhar para mim.- Por que está falando como ela?

Outro! Hoje deram para me comparar com aquela... deixa pra lá, pessoas civilizadas não devem falar, tampouco pensar em palavrões.

–Eu não estou falando como ela.- Digo entredentes.

–Me chamar de drogado é o tipo de coisa que ela diria.- Retruca.

Ignoro-o saindo da sala irritada.

No caminho, tropeço em Miguel para minha total...

–Infelicidade.- Continuo o pensamento em voz alta.

–Desculpe?- Ele pisca, sem entender.

–Nada, nada, esquece.- Digo, impaciente.- Que está fazendo aqui?

–O trabalho, Mia, esqueceu?- Miguel pergunta, estudando minha expressão.

–Claro que não- Digo, ajeitando minha franja.- Eu sou super aplicada, embora Magia Negra não seja meu forte.

Ele gira os olhos quando eu retiro do bolso meu estojinho de maquiagem.

–Vamos logo, Mia.- Miguel segura meu braço e, de uma maneira nada educada, sai me puxando.

–Me solta, Miguel.- Desvencilho-me de seu aperto e massageio o pulso, guardando a maquiagem no bolso novamente.- Você deveria ser menos grosso, sabia?

–E você menos irritante.- Ele diz.- Agora, se não se importa, eu gostaria de fazer esse trabalho hoje ainda.

Ele começa a andar. Giro os olhos.

–Quanta classe.- Murmuro, seguindo-o.

Caminhamos até a biblioteca. Foi um longo caminho, mas chegamos lá vivos. Bem, meus lindos pezinhos não merecem uma caminhada dessas. Mas fazer o que? Estudo em Hogwarts. É um castelo e é enorme.

Lá dentro, começa a discussão. Ele quer me botar para ler enquanto escrevesse, mas eu quero o contrário.

–...Que foi? Não sabe ler?- Ele provoca.

–Sua letra é um borrão, a minha é mais bonita.- Retruco, cruzando os braços.

–Você nunca viu minha letra.- Ele diz, com um sorriso maldoso erguendo os cantos de sua boca.- Ou tem espiões na Grifinória que rapta minhas coisas para você?

–Pra que eu ia querer suas coisas?- Digo, histérica, franzindo a testa.- A única pessoa que ama espionar as outras casas é você!

Ele olha em volta para ter certeza de que ninguém havia ouvido e depois lança-me um olhar faiscante.

–Cala essa boca.- Ameaça.- E o que aconteceu ontem entre nós... esquece.

Meu coração gela e meus braços se descruzam lentamente. Não sei porque estou tão abalada. Mas um nó está se formando em minha garanta, posso sentir.

–Miguel!- Uma voz feminina soa no fim da biblioteca.- Mia!

É Lupita. Ela vem correndo em nossa direção e abraça um de cada vez. Seu sorriso é superficial. Os olhos são mais sinceros. Algo aconteceu à Lupita, posso ver. E algo aconteceu a mim também, pois nem consigo sorrir.

–Eu ouvi uma discussão, mas não presumi que fossem vocês dois.- Explica.

–É que eu quero escrever enquanto ela lê- Conta Miguel.- Mas ela preferia que fosse ao contrário. Bem, digamos que a confusão só foi ganhando extensão, conforme íamos insistindo.

Lupita pensa um pouco e depois suspira.

–Eu não entendo...- Ela diz, baixando o olhar.- Por que vocês acham dificuldade em tudo? Por que simplesmente não entram em um acordo? Eu evito discussões ao máximo. Evito magoar as pessoas que amo... queria... eu...

Ela desaba sobre uma cadeira, com os olhos marejados.

Miguel e eu nos entreolhamos. Abaixo próximo a ela e apoio a mão em seu ombro.

–Lupe, aconteceu alguma coisa?- Pergunto, preocupada.

–Todos que amo estão longe, Mia.- Ela me abraça.- Queria cobrir minha irmãzinha de beijos... dizer o quanto a amo... queria que Nico estivesse aqui. Mas dessa vez é definitivo: Ele foi para Durmstrang. Antes ele se afastaria apenas por causa do pai dele que sofreu um infarto. Mas enquanto ele estava longe, recebi uma carta. E parece que a mãe dele gostou da ideia de deixá-lo longe, ou descobriu que estava se envolvendo com uma sujeitinho de sangue ruim.

–Lupe, por favor, não fala isso.- Acaricio seus cabelos.- Esse não é o fim. Ele pode escrever para você sempre que puder. Vocês não vão perder o contato, amiga.

Ela se separa de mim e seca as lágrimas rapidamente.

–Você tem razão.- Ela diz, fungando.- Me desculpem.

–Não precisa se desculpar, Lupe.- Miguel diz. Céus, quase esqueci que ele está ali.

–Bem eu tenho uma solução para o problema de vocês:- Ela diz.- Vocês poderia revezar. Um lê uma parte enquanto o outro escreve, e o outro fica com a outra parte. Simples.

Miguel e eu nos entreolhamos mais uma vez.

–Certo, talvez tenha razão...- Começo.

–Lupe sempre tem razão.- Miguel me interrompe.- Eu leio o começo, se quiser.

Assinto, mais satisfeita, mas com o coração ainda gelado com o que ele dissera. O beijo não deve ter nenhum significado para ele. Eu sou a menininha boba, que me apego fácil. Que sonha com o “príncipe encantado”. Mas de uma coisa eu tenho certeza:

O meu príncipe não se chama Miguel Arango.



Notas finais do capítulo

Mia, acho que está errada haha