Um Cupido (quase) Flechado escrita por Gaby Molina


Capítulo 2
Capítulo 2 - Serena é rude com novatos — de novo


Notas iniciais do capítulo

Para quem queria Seath, lá vai:



Serena

— Bom dia — Acordei com um beijo na testa.

— Vá à merda — disparei, enfiando a cara no travesseiro.

— Eu também amo você, Argent.

Ergui a cabeça, deparando-me com aqueles olhos dourados perfeitos e aquele leve sorriso entretido.

— Você não é mais meu anjo da guarda. Não precisa ficar entrando pela minha janela.

— E você ainda não aprendeu a trancá-la — Heath revirou os olhos. — Falando nisso, preciso descobrir quem é o babaca que está tomando o meu lugar.

— Ninguém pode tomar o seu lugar — soltei, sorrindo. — Você vai ser sempre o mais babaca de todos.

— Bom mesmo — ele sorriu e me beijou nos lábios.

Quando nos separamos, sussurrei:

— Muito melhor do que aquele beijo na testa miserável.

— Eu sei, certo? Sou um excelente anjo da guarda e beijador. Basicamente um super-heroi.

— Super-herois são menos convencidos — recordei, levantando-me e abrindo meu guarda-roupa.

— Não necessariamente. Tem o Tony Stark, o...

Joguei uma blusa nele.

— Gosto dessa blusa — comentou ele. — Deixa seus seios maiores.

Joguei uma bota nele.

— Babaca.

Em trinta minutos, estava pronta. Heath deu a volta e me encontrou na porta da frente.

— Olá, sra. Argent — ele sorriu para a minha mãe.

— Bom dia, Heath. Serena já deve estar...

— Estou aqui — fitei meu namorado. — Oi — beijei sua bochecha.

— Oi — ele sorriu. — Gosto dessa blusa.

Dei um tapa nele e o empurrei para fora, enquanto ele se despedia aos berros de Patricia. Entramos em seu carro. Tenho quase certeza de que ele usou seu Charme Angélico para conseguir a carteira de motorista, pois era ainda pior do que Damien.

Não falávamos sobre Damien. Era um assunto delicado para Heath.

— Amo essa — sorri, aumentando a música. — I... I will be king! And yooou... You will be queen...

— Nothing! Nothing will drive us away! — ele me acompanhou, perfeitamente desafinado.

— Para de estragar a música! — zombei, sorrindo, mas deixei ele cantar o refrão comigo.

We can be heroes! Just for one day...

Chegamos à escola rapidamente. Saímos do carro.

— Pronta para o seu primeiro dia? — ele sorriu.

Assenti lentamente.

— Ganho um beijo de boa sorte?

— Você ganha quantos beijos quiser, e quantos mais eu conseguir roubar de você — ele sussurrou e me beijou.

Ficamos ali por algum tempo, até aquela voz aguda berrar para mim:

— Ei, bonitinhos! A loira aí precisa ir para a aula! Último ano, querida!

Relutante, afastei-me de Heath.

— Audrey! — sorri e a abracei.

— Oi, Aubrey! — Heath acenou. A coisa do "Aubrey" tornara-se uma piada nossa.

— Tá gato, hein? — ela provocou, batendo de leve nas costas dele.

Eu não me importava quando ela fazia isso, porque era a Audrey. Mas me importaria se fosse qualquer outra pessoa do universo. Mesmo que fosse a vó dele. Mas a Audrey não. Ela tinha essa carta branca, porque eu sabia que ela era a pessoa mais obcecada no mundo pelo o quanto eu e Heath éramos perfeitos um para o outro.

Além do mais, Heath estava mesmo gato naquela jaqueta de couro.

— Tchau — beijei-o levemente nos lábios. — Até as três.

— Ou quatro — ele zombou, referindo-se à detenção.

— Olha a macumba — empurrei-o em direção ao próprio carro. — Tchau, babaca.

— Tchau, sádica.

— Eu amo você.

— Eu também amo você.

E então apenas observei enquanto a picape dele desaparecia.

— Pronta? — Audrey sorriu. Assenti.

Celeste

— Oi! — aproximei-me de uma garota loura antes de a aula começar. — Sabe onde posso pegar meu horário?

— O corredor das patricinhas sem nada no encéfalo é por ali — ela apontou para a direita.

— É lá que eu pego meu horário?

A Loira soltou um riso debochado e me fitou com seus grandes olhos azuis.

— Desculpa aí — uma outra garota, morena, colocou-se entre eu e ela. — Ela é muito mal-educada com novatos, mas no fim sempre se apaixona por eles.

— Merda, cale a boca! — a Loira revirou os olhos, mas pude ver que havia enrubescido.

— A secretaria é no final do corredor — a Morena abriu um leve sorriso gentil.

— Você não é daqui, é?

Eu aprendera Inglês aos treze anos, mas ainda tinha um pouco de sotaque. Balancei a cabeça.

— França. Intercâmbio.

— Seja bem-vinda — ela acenou com a cabeça e empurrou a Loira para a classe.

A diretora foi meio ríspida comigo, mas me entregou o horário. Perguntei a ela sobre Christopher Jacobs e ela me disse que eu era a oitava no dia. E não me deu nenhuma informação. Perguntei sobre Audrey Miller. Adivinha só?

Nada. Então apenas fui resmungando para a aula de Estudos Sociais. Não havia nenhuma Audrey ou Christopher na minha classe. Nem a Loira, nem a Morena. Eu não conhecia ninguém. Estava plenamente perdida. Costumava aprender rápido, mas tive dificuldade em grande parte das matérias, com exceção de Literatura — eu levava livros mortais clandestinamente para o Céu quando vinha para cá fazer alguma tarefa (raramente, mas tinha dois ou três Nefilim que sempre levavam livros para mim) — e Francês. Resolvi inscrever-me na aula de Latim também.

Eu estava saindo da sala quando vi um cartaz.

VENHA PARTICIPAR DA EQUIPE DE TORCIDA! CONTAMOS COM O SEU TALENTO E DEDICAÇÃO!

Por que não?, pensei, e estava indo assinar a lista quando trombei em alguma coisa. Ou alguém.

— Ei, calma lá — vi um pequeno sorriso de canto, e grandes olhos verde-escuros focaram-se em mim. — Nunca vi você por aqui.

— Eu sou... nova. — sorri, enrubescida.

O rapaz afastou os cabelos castanhos bem claros do rosto.

— Isso aí é um sotaque?

— Francês — especifiquei. Estava tão na cara assim?

— Parabéns — ele apertou minha mão.

— Por quê?

— Pela proeza de conseguir fazer Inglês soar sofisticado — ele riu um pouco. — Qual é o seu nome?

— Celeste.

— Nome de anjo.

Arregalei os olhos, mas depois percebi que ele estava apenas fazendo uma comparação ingênua.

— Hã... É, talvez. Eu... tenho que ir.

— Vejo você depois?

—... Claro!

Estava correndo quando ouvi aquela voz grave e rouca novamente:

— Ei, Celeste!

— Sim? — virei-me.

— Você não ia assinar aquela lista ali? — ele apontou para a lista da torcida.

— Eu... estou considerando.

— Bem, eu acho que você deveria.

— Vou levar isso em consideração — acenei levemente com a cabeça e saí correndo de vez.

Abri a porta de meu armário e fiquei tentando me esconder atrás dela.

— Por que você estava falando com aquele cara? — disse uma voz aguda levemente conhecida ao meu lado.

— Hã... Oi — acenei para a Loira, que me lançava um olhar fuzilador. — Você... gosta dele, ou algo do tipo?

— Eca, não — ela fingiu vomitar. — Atleta. Odeio atletas

— Você parece odiar muita coisa. Então, qual o problema de eu ter falado com ele?

Ela me fuzilou com os grandes olhos azuis por um longo minuto antes de suspirar e dizer:

— Certo, está vendo aquela menina ali? — ela apontou para a Morena. — Aquela é minha melhor amiga. E aquele cara lá é a paixonite dela desde a sétima série. E você é uma ruiva fofinha e intrometida que provavelmente vai se inscrever para as líderes de torcida e pegar o cara mais popular em uma festa, e formar seu próprio grupinho de amigas sem nada na cachola e eu estou realmente cagando para tudo isso. Mas eu me importo com a minha melhor amiga. Então cai fora.

— Alguém já te disse que você fala muito? — ergui uma sobrancelha. — Eu deveria odiá-la, mas na verdade simpatizo com você, porque foi a única que não disse nada sobre o meu sotaque o dia todo.

— É, bem, meu namorado é americano. Estou acostumada com sotaques, e não é o tipo de coisa que sinto a necessidade de ficar ressaltando.

— Sinto que conheço você de algum lugar — semicerrei os olhos, confusa. — Não sou louca, antes que pergunte.

A Loira suspirou.

— Passei por tanta coisa no último ano que acredito até em Fada do Dente.

— E em destino?

Ela sorriu. Tinha um belo sorriso.

— Não há nada em que eu acredite mais. Está no primeiro ano?

— Segundo.

— Estou no terceiro. Audrey também.

— Audrey?

— É, minha melhor amiga — ela apontou para a Morena.

— E em anjos? Acredita em anjos?

A Loira arregalou os olhos e me encarou por um longo minuto, como se algo a incomodasse. Depois apenas assentiu lentamente e saiu correndo, mesmo que estivesse de salto. Eu ia atrás dela, mas ouvi um sussurro.

Ei! Celeste!

Deparei-me com Damien, que tentava se esconder.

— O que está fazendo? — franzi o cenho. — Afinal, por que não está estudando aqui?

— Porque... me formei ano passado.

— Tá, mas os mortais não sabem.

— Medo de ser reconhecido, só isso.

— Quem diabos reconheceria você aqui?!

Foi só então que ele pareceu perceber o que havia dito. Mordeu o lábio.

— Certo, descobriu quem são Christopher e Audrey?

— Só a Audrey — apontei para a Morena.

Damien bufou.

— Inferno. A Miller.

— Por quê? Ela é chata?

— Audrey? Não, ela é um doce — ele desviou o olhar. — É com a amiga dela que você deveria se preocupar.

Sem mais informações, ele saiu andando.