Enemies and Lovers escrita por Mayy Chan


Capítulo 22
O Segredo


Notas iniciais do capítulo

Gente, já vou avisando que é aqui que a fic vai começar a pegar ritmo, okay? Esse capítulo vai dar uma leve explicada em tudo que o Luke fez, assim como vai ser a ponte para eu responder todas as perguntas que eu deixei no ar, okay?
Vou perguntar outra vez, porque eu acho que alguém pode mudar de ideia depois do que aconteceu. Você vão querer que a Thalia fique com o Nico ou com o Luke?
Bem, espero que gostem porque é muito revelador mesmo XD
Beijocas, e boa leitura, Mayy *U*



P.O.V Thalia

A demonstração amorosa de Will e Kaitlin só comprovou a minha tese de que, se eu não tomar conta dos meus relacionamentos, vou não só ficar pra titia, como ainda serei a única menina a morrer tendo beijado menos de três caras na vida.

Menos Annabeth, claro. Porque a Chase é a Chase, um ser tímido e de outro mundo, no qual nenhum ser tinha a permissão para invadir, muito menos eu, sua melhor amiga e a pessoa que vai ficar de candelabro nas próximas semanas.

Enquanto Will e Kaitlin se engoliam na piscina, eu resolvi arrumar um lugar mais calmo pra poder terminar de ler a merda do livro que Annabeth me obrigou a ler, só porque disse que não me interessava por literatura medieval.

Fiquei no meu quarto lendo o livro, que nem era tão bom assim, até que eu vi as meninas chegando de seus namorados perfeitos e ficantes de longa data, como era o caso da Katie Gardner, que não sabia se estava namorando ou apenas ficando com o Travis.

— E aí, Kayt, como é beijar Will Solace, aquele pedaço de mal caminho? É verdade que você estão tendo um lance?

— Ele meio que disse que queria que o nosso lance fosse sério e claro que eu aceitei, né? Imagina se ele crescer e ficar igual ao pai dele. Acho que eu vou precisar de uns bons remédios pra enxaqueca.

— Mas o melhor foi a pegação do Percy e da Annie na cantina, com direito à muitos beijos e cabelos bagunçados. Não sei não, mas esse rolo de vocês está mais embolado que o novelo de lã do meu gatinho. — indagou Silena dando ênfase com suas unhas perfeitas.

— É, acho que a única solteira do nosso círculo é a Grace mesmo. Também, marrenta do jeito que é só ela, né? — falou Clarice.

Como se aquela nojenta pudesse falar alguma coisa. O relacionamento dela com Chris, mais um garoto da família Castellan, tinham começado um relacionamento recentemente, sabe? Não que eles não se gostassem há éons, mas ainda sim é estranho pensar que ela está falando isso de mim, já que nunca ninguém duvidou que apenas o di Angelo, aquele poço de insensibilidade, poderia me fazer ter sentimentos.

Mas ele é o cara apenas por não ser como Luke.

Toda a história envolvendo eu, o Castellan e a Chase eram assuntos proibidos entre nós, porque ninguém quer lembrar os tempos negros. Prometemos esquecer, mas tenho certeza que as lembranças queimam cada célula de todos eles.

Annie era muito nova, então é a única que não se lembra de todos os fatos. Mas, claro, ela tinha uma pequena noção de como a descoberta disso poderia acabar com tudo o que formamos.

Fomos destruídos nas raízes, e eu juro que tentei acima de tudo construir uma cidade por cima de tanto desastre. Tentativa falha.

Annabeth se apaixonou por Luke e depois o trocou por Percy, um candidato muito melhor, na minha opinião. Mas ela não se lembra de antes.

Ela não pode sofrer como eu, que me lembro de cada cena, cada marca, cada dor. Ela não pode sufocar-se com o segredo, desejando que tudo apenas fosse esquecido e voltasse a ser como quando ela tinha apenas cinco anos.

Ela cresceu e eu continuei uma menininha indefesa. Ela se escondeu atrás de blusas de frio e óculos, mesmo sem saber o motivo, e eu me escondi atrás de maquiagem pesada e pose de fortona.

Tivemos sinas diferentes. Eu estou quebrada e ela se regenerou.

Por isso eu não o odeio. Não o odeio um minuto sequer. Não o odeio nem por o odiar. Eu sei o que ele sente. Eu sinto sua dor. Só que a dele dói mais. É mais angustiante.

Quem olha para os filho de Hermes, pensa que são apenas pessoas felizes, animadas e alegres. Aqueles bobos da corte, ou palhaços da turma.

Mas essa é sua proteção.

Travis e Connor Stoll, por trás de suas brincadeiras, piadas e pegadinhas, são apenas meninos que viram do pior, das maneiras mais doloridas. Chris Rodrigues não era apenas o menino sedutor e hiperativo, mas também um cara forte, que passou sobre tudo para proteger uma menininha. Kaitlin Wipfray nunca foi a princesinha de Hermes, muito pelo contrário apesar, mas sim a única que sentiu na pele a verdadeira dor, e enxergou com os próprios olhos coisas que eu jamais me atreveria a falar.

Mas Luke foi o que mais sofreu. Com os seus sete anos tinha que cuidar de todos os seus irmãos, cuidar da casa, viver por cinco e amadurecer antes de qualquer pessoa que eu conheci. Ele fez de tudo ao seu alcance para poder dar a melhor vida para os seus irmãos, e não reclamou quando aos doze anos, Kaitlin voltou a fazer xixi na cama.

Ele era o meu herói.

E o pior de tudo, é que ele só queria impedir de que Annabeth sofresse, mesmo que só tenha piorado as coisas.

Mas, quando ele notou, apenas a deixou.

Mais forte do que eu, em mil anos.

Saí do quarto dando a desculpa que precisava esfriar a cabeça, pegando apenas uma blusa de moletom e a vestindo no caminho pra praia.

E, por ironia do destino encontro Travis na praia, chorando como um bebê. Seu corpo dava espasmos e eu podia ouvir os soluços mesmo estando um pouco longe dele.

Suas lágrimas entupiam minhas artérias e era como se eu fosse morrer sufocada pela dor.

Sentei ao seu lado, fingindo estar bem, até eu conseguir respirar direito pra fazer a pergunta que eu já sabia a resposta:

— O que foi, Trav?

— Nós estávamos nos beijando. — ele falava entre os soluços. — Mas, sabe, quando eu olhava pra ela eu só podia ver os olhos da Kayt, me olhando como naquele dia. Eu não consigo mais ficar com a Gardner sabendo que ela também corre risco. Eu me odeio! Eu jurei nunca me apaixonar, e quando acontece, é como se a merda do destino estivesse contra mim! — ele começou a gritar com ódio na voz.

Tudo que eu pude fazer foi entrelaçar nossos braços e apoiar a minha cabeça no seu ombro, em um gesto fraternal, como ele fazia quando me via chorando quando éramos pequenos.

Sua camiseta estava encharcada, fazendo com que a minha também ficasse. Só que a única coisa que eu conseguia fazer naquela hora era afanar seus cabelos acastanhados, beijando-o no topo da cabeça enquanto, com a outra mão, segurar seu braço deixando que as lágrimas também escorressem do meu rosto.

— Só existe uma mulher que eu amo mais que a Gardner, e essa é Kayt, minha princesinha em forma de menina. Sabe, eu sinto falta de quando ela invadia meu quarto, com uma roupa de bailarina, uma coroa, uma varinha e aquelas asas, tudo em uma coloração rosa enjoativa. Ela rodeava a minha cama falando que, como eu já era um sapo, ia me transformar em um príncipe para que eu lavasse a louça no lugar dela.

Me lembrava de Kaitlin correndo a casa falando que era uma princesa mágica e sabia transformar qualquer sapo em príncipe. Ela balançava sua varinha com uma estrela na ponta com uma animação incontrolável. E a sua pior travessura foi quando ela quebrou a perna pulando do sofá pra provar que, com sua capa de super-heroína, ela poderia voar. Bem, não deu certo, mas ela sempre disse valer a pena.

— Sabe o que mais me dói? — ele me olhou e eu fiz sinal para que o mesmo continuasse a falar. — É culpa minha. Se eu tivesse ficado calado como devia, segurado as pontas, escondido tudo, nada teria acontecido. Luke não estaria depressivo, Kayt não teria amadurecido tão cedo, meu irmão estaria mais feliz e, acima de tudo, Chris estaria bem de saúde. E o que me dói é que, dessa forma, eu não tenho mais nenhum herói para acreditar.

— Mas vocês não estariam juntos.

— Sim, e é isso que me mantem forte todos os dias. Mas, mesmo assim, me parte o coração ver Annabeth todo dia e saber que a culpa por ela ser tão fechada é minha. Me parte o coração te ver assim todos os dias sabendo que podia ser diferente. E mais ainda, me parte o coração olhar para Katie, a única menina por quem eu me apaixonei na vida, e saber que eu não posso ficar com ela, mesmo que os meus sentimentos sejam recíprocos.

— Eu odeio a piranha da sua mãe! Eu odeio a piranha da mãe da Kaitlin! Eu odeio a piranha da mãe do Chris! Eu odeio a piranha da minha mãe! Eu odeio a piranha da madrasta da Annabeth! Mas, acima de tudo, eu odeio a vadia da mãe do Luke! — dessa vez eu soluçava mais que ele, como se o mundo fosse acabar.

Quando palavras já não mais podiam explicar a nossa dor, deitamos na areia como éramos acostumados a fazer na infância antes que um desastre acabasse com toda a nossa vida.

Logo após chegaram o resto da família Castellan se deitando junto conosco. Todos chorávamos, inclusive Luke, que provavelmente era o com os olhos mais marejados.

— Sabe, eu sei que eu magoei Annabeth. Beijar ela na frente de Percy foi a pior coisa que eu já fiz, mas ela precisava de mim, não precisava? Ele parecia uma péssima ideia. Agora eu sei que ela está livre de qualquer memória daquela época.

— Ela não te odeia, Luke. É que...

— Tha, eu não estou falando disso. É que ela está protegida e é isso que importa. Eu morreria por vocês, mas não deixaria que nenhum de vocês continuasse assim. Se eu pudesse tomava a dor de todos vocês, sabe? Mas, cara, eu não posso. Eu preferia ficar no hospital como Chris, eu preferia sofrer por amor como Travis, eu preferia passar pelo o que a Kayt passou, eu preferia sentir dor como o Connor, preferia me esconder como Annabeth e também preferia trocar de lugar com a você, Thalia. Mas o que eu já não suporto mais é saber que vocês estão sofrendo.

— Luks, você fez o melhor. Foi o melhor irmão mais velho que eu nunca tive, sabe? Você foi o melhor príncipe encantado do mundo. E, cara, eu te amo pra caramba. — chorou Kaitlin.

— Eu também te amo, princesinha.

— Você é o badboy mais legal que eu conheço, Castellan. — dei o primeiro sorriso da noite.

— E você também é legal, marrentinha. Vamos, cambada, temos que voltar pros nossos chalés antes que aquela inspetora doida nos ache por aí.

— Perde a piada, mas não perde a chance de ser um mandão, né brother? — indagou Connor também rindo.

— Ah, vocês todos são um bando de idiotas. — falou Luke rindo, assim como todos que o seguiam.

Quando ficamos só eu e Luke mais pra trás, eu sussurrei uma coisa que vinha sendo o nosso segredo, o nosso ponto de ligação.

— Família Luke, você prometeu. — pisquei e fui embora.

E de repente foi como se tudo, por um segundo, estivesse realmente bem.



Notas finais do capítulo

Sim, eu sei que está um mistério muito misterioso, mas vamos lá! Falem se gostaram, se odiaram ou o que mais kkk.
Essa fic está quase no final :/ Sim, eu amei ter vocês, mas toda estória precisa de um fim (e essa vai ter quando completar 50.000 palavras ao total).
Não se esqueçam de votar, okay?
Beijocas, com amor, Mayy *U*