The Mission escrita por Doninha Ruiva


Capítulo 34
Bela equipe


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoas que (a) querem me matar ou (b) acham que eu morri.
Morri não galera tanto que voltei e de quebra ressuscitei The Mission, que há tempos estava abandonada. Se vocês soubessem a saudade que eu tava sentindo de vocês, comentava esse cap. Não vou fazer promessas para a próxima postagem mas estou inspirada para escrever, então isso é bom.
Beijinhos meninas e apreciem a leitura.
E, por fim,
I'M BACK BITCHES



Rose Weasley

      Havia se passado uma semana desde que Albus, Roxy e Domi aterrissaram na minha casa e, embora amasse ter a companhia deles, estava me sentindo sufocada com tanta gente em casa. Eu entendia as circunstâncias e que a estadia deles ali não era voluntária e nem desnecessária, muito pelo contrário, porém tinha momentos em que eu precisava ficar sozinha, o que não era uma opção quando se divide o quarto com duas garotas. Eu nunca fui muito sociável, nem mesmo agradável, para falar a verdade, por isso essa situação toda estava me deixando maluca.

      Por sorte, conseguia alguns minutos de paz quando Roxy e Domi estavam cozinhando ou limpando a casa. E foi num desses raros momentos, enquanto analisava os mapas atuais de Hogwarts e os comparava com os antigos, que percebi uma coisa muito importante.

      A parte inferior de Hogwarts era utilizada como dormitório para visitantes antes da gestão de Rabastan Lestrange ter início. Depois que ele assumiu o controle, interditou a área abaixo da escola alegando não estar em condições de exercer a função para a qual foi designada. A área foi interditada e nos relatórios consta que havia problemas graves com infiltração, que não poderiam ser revertidos e, por isso, o dormitório foi trancado e todas as passagens para ele foram fechadas. Porém, um alvará sanitário foi emitido um mês antes garantindo que o local estava em perfeitas condições de uso. Então uma ideia surgiu e eu pensei que, talvez, poderia ter algo escondido no porão de Hogwarts, algo que Lestrange odiaria que descobríssemos.

      O plano era fazer com que Lestrange deixasse a sala por tempo suficiente para procurarmos por lá algum sinal de passagem para a área inferior e para isso precisaria da ajuda da Armada de Dumbledore. Suspeitava que ele não escolheria nenhum lugar melhor do que a própria sala para instalar a passagem que levava a um local secreto. Resolvi, então, contar aos meus parceiros minha mais nova descoberta e minha ideia para conseguir acesso à área subterrânea.

         – Então a sua ideia é, basicamente, utilizar crianças numa batalha contra um monte de gente bem treinada e do mal? – Scorpius indagou – Rose, os acontecimentos recentes acabaram te deixando um pouco doida, não acha?

      – Não vou colocá-los na linha de frente, não sou idiota. – expliquei revirando os olhos. Ele achava mesmo que eu era capaz de enviar crianças para a morte? – Eles serão uma distração, então entramos lá e fazemos o que temos de fazer.

      – Tem certeza que analisou as plantas da escola direito, Rose? Está certa de que existe algo no subterrâneo? – Roxanne entrou na conversa, claramente preocupada.

      – Sim, estou. E se existe um lugar na escola com acesso ao que há lá embaixo, esse local é a sala do diretor, mas não podemos entrar lá sem sermos notados.

      – A não ser que o diretor, secretária e professores estejam bem longe de lá. – Scorpius completou o raciocínio – É para isso que quer as crianças?

      – Exatamente! Eles precisam gerar um tumulto em grande escala para que consigamos dar uma olhada detalhada na sala do Lestrange.

      – Não sei não. – discordou Albus, temeroso  – É perigoso! Nada garante que terão tempo suficiente, além disso, vocês não sabem o que podem encontrar lá embaixo.

      – Temos que fazer isso, Al. Nosso tempo e recursos estão acabando e depois deste ataque à sede eles estão mais fortes. Se ascenderem mais, podem tomar toda a Agência e então não teremos chance alguma. – alertei-o – Sei que não estamos completamente preparados, mas não podemos esperar mais. Não aguento mais ficar parada enquanto estes caras estão prestes a formar um exército de zumbis ou sei lá o que planejam.

      – Rose, eu não quero desanimar ninguém nem nada, mas e se não conseguirmos? Porque nossas chances são mínimas e você sabe disso. – Dominique se manifestou.

      – Bem, pelo menos vamos cair lutando.

      Depois de muita conversa, consegui convencê-los de que aquela era a única solução que tínhamos no momento e que devíamos tentar. Eles concordaram e segui com o plano, convocando uma reunião da Armada em casa. Nossos hospedes tiveram que se esconder, mas tudo correu como eu esperava. Ao cair da noite, nossa sala estava lotada de adolescentes frustrados com o cenário escolar atual.

     – Boa noite pessoal! – saudei a todos. Pelas minhas contas, havia mais pessoas ali do que da última vez – Vejo que a Armada tem novos membros.

      – Pois é, o pessoal vem nos procurando bastante ultimamente. Principalmente devido aos últimos acontecimentos. – Logan explicou.

      Olhei perdida para Scorpius, que retribuiu o olhar. Percebendo nossa confusão, a garota Taylor emendou:

      – Estão fechando a maioria dos clubes extracurriculares. Xadrez, pintura, leitura, carpintaria. – anunciou triste – Há boatos de que vão sobrar apenas o time de futebol e as líderes, o que é bem injusto. – murmurou a última parte.

      Eu não tinha conhecimento disso. Estava tão concentrada em acabar com o Lestrange que não notei o que ele estava causando aos alunos.

      – Já falaram que a equipe de natação é a próxima. – um garoto que imaginei ser dessa equipe acrescentou – Queremos ser incluídos novamente! Houve muita luta para que criassem atividades extracurriculares para todos os gostos e agora querem tirar isso de nós.

      – Eu não sabia disso. É uma lástima! – lamentei. De fato, era horrível estar numa instituição que oferecia atividades que agradavam apenas parte de seus estudantes.

      – Mas você disse que poderia ajudar.  Que daqui um tempo pode acontecer algo que faça o Lestrange cair fora. Não sei o que é, mas já estou dentro!

      – Sim, eu disse. – retomei o foco – E para que isso aconteça preciso da ajuda de todos vocês. Infelizmente não posso dizer tudo o que está acontecendo, afinal, alguns aspectos são sigilosos, mas posso garantir que Lestrange é bem mais podre do que aparenta ser.

      – E como vocês sabem disso e nós não? – Taylor boy questionou.

      Fiquei um pouco embaraçada para responder então o loiro aguado deu uma ajuda.

      – Contatos na secretaria de educação. Nossos pais conhecem um cara que conhece um cara. Espero que isso não saia daqui, caso contrario pode dar problema para eles.

      – Não contaremos nada. – Thifany prometeu – Então, o que precisam que façamos?

      – Só precisamos de uma pequena confusão.

      Cinco dias se passaram e finalmente havia chegado a hora de colocar o plano em prática. Era o dia do jogo do time de futebol de Hogwarts com o time de Durmstrang, uma escola com a qual a nossa tinha grande rivalidade. Aguardávamos o intervalo com todo fervor, seria a hora da apresentação das animadoras de torcida. Como o esperado, Rabastan não saía de sua sala sequer para assistir ao jogo de seus alunos.  

      O apito soou e a apresentação começou. Eu estava suando frio e com medo do que viria a seguir.

      – Está nervosa? – Scorpius perguntou. Deve ter notado minha apreensão.

       – Um pouquinho. – admiti – Já fiz coisas muito mais perigosas do que isso e estou tremendo porque vou invadir a sala de um cara qualquer. É patético, eu sei. Parece que os hormônios adolescentes voltaram a me atingir.

      – Você não parece patética para mim. – ele sorriu – E eu também estou nervoso.

      Sorri de volta.

      – Acho que é agora.

       Vi Thifany invadindo o gramado e segurando o braço da irmã. Ela a puxou com força, fazendo com que a mais nova caísse no chão. Thalia gritou, raivosa, sendo ajudada por Mellanie assim que conseguiu se erguer foi atacada novamente pela irmã. Todos estavam atentos à discussão violenta que acontecia ali e logo uma briga familiar se tornou uma briga entre os times que estavam em campo, exatamente como havíamos planejado. Não demorou muito para que um chamado ao diretor soasse através dos alto-falantes da escola. Era nossa deixa. Nos esgueiramos através das poucas pessoas que ainda se mantinham nas arquibancadas e seguimos corredor adentro. Rabastan passou por nós com pressa e furioso demais para reparar em dois alunos que nada tinham a ver com a pancadaria que se estendia no campo.

      Conseguimos entrar na sala com facilidade. O diretor sequer se deu ao trabalho de fechar a porta. Scorpius parou na entrada, me fazendo parar também.

      – Fique atenta a qualquer barulho, não podemos ser pegos. – Malfoy recomendou. Encarei-o de forma debochada.

      – Não me trate como se fosse uma iniciante. – passei por ele, entrando no escritório à procura de algo que se parecesse uma porta.

      – Só não quero que nos flagrem aqui. – se explicou, começando a trabalhar também.

      – Se fizerem isso vai me beijar de novo? – indaguei divertida batendo os pés no chão a fim de encontrar algo que se assemelhasse a um alçapão.

      – Talvez. – sorriu maroto checando a mesa do cara.

      Procuramos por todo lado e não encontramos nada.

      – Quebrei a cara. Não deve ter nada lá embaixo, deve ter sido coisa da minha cabeça. – resmunguei ofegante, me apoiando numa parede atrás de mim – Criamos uma confusão à toa.

      – Não fala assim. Foi uma sacada inteligente a do porão, me impressionou de verdade.

      – Obrigada. Mas agora temos que sair daqui.

      No entanto, Scorpius parecia concentrado demais para sair dali. O loiro se aproximou puxando-me e apontou para o objeto ao meu lado.

      – A estante! – exclamou tentando arrastá-la. Me apressei em ajudá-lo.

      Juntos, arrastamos a estante repleta de livros para fora da parede e lá estava. Uma porta resistente e com identificador eletrônico.

      – Será que não dava para ser menos clichê? – fala sério, a porra da estante!

      – Entrar com senha não é tão clichê.

      – Aí é que você se engana. – me aproximei do aparelho – Só tenho que ver o número de série. – tateei o pequeno objeto até encontrar – Não é tão moderno, vai ser fácil burlar. Tem uma chave dentro da minha mochila, me dê, por favor.

      Assim que ele me entregou, comecei a usá-la para retirar a tampa e ter acesso aos fios. Em menos de dois minutos consegui alterar o aparelho.

      – Prontinho. Manipulei os fios para que abrissem com qualquer sequência que usarmos. Como só Lestrange tem acesso a essa porta, não deve perceber a diferença.

      – Isso é incrível! – ele se aproximou – Posso? – apontou para o identificador. Dei espaço para que ele digitasse a senha.

      A porta destrancou e nós a abrimos. Havia uma escada logo à frente. A iluminação era fraca, entretanto notamos que o local era limpo e, por incrível que pareça, arejado.

      Meu celular vibrou no bolso e fui checar. Era uma mensagem de Logan dizendo que a briga havia cessado e o diretor estava prestes a retornar à sua sala. Infelizmente não tivemos outra escolha. Colocamos tudo de volta no lugar e saímos da sala. Retornamos ao pátio a tempo de ver o diretor saindo com as duas irmãs McMillan na seu encalço. Discretamente, Logan perguntou se havia dado tudo certo e eu assenti, embora não fosse como eu queria.

      – Pelo menos sabemos que tem algo lá, já é um começo. – Scorpius tentou me animar.

      – Mas como vamos entrar lá agora? Não quero alunos expulsos em prol da nossa missão.

      – Vamos dar um jeito. Você é inteligente, vai conseguir entrar lá. E eu estou aqui para ajudar também. Força bruta às vezes é útil.

      – Você é mais que força bruta, Scorpius. – tive que admitir – Está sendo muito legal, principalmente nos últimos dias e com o Al. Não daria conta de nada sem você.

      – Acho que no fim das contas, formamos uma bela equipe, Rose.

      – É sim. Acho que formamos.