Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 8
Ninguém está pronto para: Brincar com fogo


Notas iniciais do capítulo

Como Leo vai conseguir escapar das mãos de Jason?
(Na Imagem: Jason, Leo Valdez)



Quando o garçom entregou para Leo um bilhete e a taça de bebida verde, Jason perguntou se era de algum admirador secreto. Assim que leu o bilhete, Leo deu uma boa olhada ao redor para ver se encontrava Drew. Ela estava toda linda e sorridente junto de seus irmãos. Jason tentou pegar o bilhete das mãos de Leo, mas ele não deixou. Quando Jason viu, o papel estava todo chamuscado, pegando fogo. — Aposto que era alguém te convidando para dançar.

— É. Mas eu não estou muito afim. — Mentiu. Sua cabeça estava a mil, processando todas as palavras que foram queimadas no bilhete. Se ele quisesse, poderia descobrir os reais sentimentos de Jason, bastavam obedecer os três passos e uma regra crucial.

Não julguem Leo. Ele estava cheio de dúvidas para ter que se preocupar com o que os outros pensam dele.

Então era isso. Ele havia decidido.

— Jason, você fica bem bonito com esse blazer preto. — Era sincero e de coração. Jason ficaria bonito mesmo com um calção de banho de lã e pés de pato. Ou não.

— Ah! Obrigado. — Ele respondeu sem jeito. — Você está bonitão hoje também, parece até que penteou o cabelo.

— Eu penteei mesmo.

— Faça isso mais vezes.

Depois, Leo pensou no próximo passo. Beber o líquido. Ele o fez e entregou para Jason que agradeceu mas não queria, estava bem com o coquetel de Amarula. Oh! Merda. Leo não sabia o que dizer. Ele invetou qualquer desculpa referente ao sabor estranho. Nesse caso, Jason experimentou a bebida e disse que o gosto estava muito bom para ele. Aliás, estava melhor que o licor de Amarula.

E por fim, o olhar.

Ok! Eles se olharam. Mas Leo se arrependeu alguns segundos depois. Aquilo era errado. Se Jason possuísse algum sentimento por ele e não revelou quando teve a chance, deveria ser por algum motivo muito sério.

Então ele se levantou e saiu. Pelo que dizia o bilhete, não poderiam se afastar nas próximas doze horas. Se ficasse longe de Jason, aquela maluquice iria desaparecer. O problema é que Grace foi atrás dele. E quando se encontraram novamente, naquele corredor, a única coisa que Leo sentiu foram os braços de Jason ao seu redor, um sussurro para que ele não fugisse e em seguida um beijo louco.

Leo odiou saber que Jason beijava maravilhosamente bem. Isso porque ele não ia ter forças para se manter afastado. Que tortura.

— Se você quer ir embora, eu vou com você. — Ofereceu Jason, acariciando seu rosto com um olhar cheio de desejo. — Vamos para sua casa?

— Olha, eu acho melhor não.

— Porque? — Jason sibilou. — Você não gosta mais de mim? É isso? Aquela noite no acampamento, quando eu disse que te amava como irmão. Em parte era verdade, mas o que eu nunca contei, é que sempre tive esses sonhos com você... eu apenas estava com medo da verdade. Me enganei todo esse tempo, mas não posso mais esconder esse sentimento. Eu quero você. Eu preciso de você.

Uau. Leo estava de boca aberta com aquela declaração. Tudo bem Leo, estamos torcendo por você. Respira fundo. Lembre-se da última regra. Nada de sexo.

Ok! Ok! Leo não era esse tipo de pessoa que fazia sexo no primeiro encontro. Mas estamos falando de Jason Grace completamente irresistível e cheio de vontade de tocá-lo e beijá-lo e...

Eles chegaram a salvo na oficina-garagem-quarto de Leo. Mas assim que a porta se fechou. Jason o agarrou sem nenhum motivo especial. Apenas disse que não conseguia manter suas mãos longe do corpo de Leo e que desejava fazer aquilo há muito tempo atrás. Relatando os sonhos eróticos que teve.

Que sufoco.

Leo tentou raciocinar. Eles não podiam fazer sexo, mas exatamente o que isso implica? Seria o ato em si por completo? Uma parte podia? Uns amassos não teria problema? E porque ele não conseguia parar de pensar em sexo? Tantas coisas que poderiam fazer. Está certo que, com as mãos de Jason tentando arrancar sua camiseta, não dava para pensar em outra coisa. Mas Leo era muito mais forte que isso. E as mordidas de Jason também eram.

Valdez olhou o relógio na parede, eles haviam compartilhado aquela bebida verde era meia noite e dois. Doze horas. Certo. Era só esperar e manter as mãos de Jason longe de sua calça.

— Você quer beber alguma coisa? — Leo se esquivou. Ele pegou duas cervejas na geladeira e entregou uma para Jason. Não dava nem para embebedar Grace e fazê-lo dormir, porque ele possuía uma boa resistência para o álcool.

— Eu sei o que está acontecendo aqui. — Jason bebeu a cerveja e depois começou a mexer nos desenhos que Leo deixara sobre a prancheta.

— Sabe é? — Leo mexeu nervosamente nos cabelos.

— Mas não precisa se preocupar, porque eu também nunca fiz isso com outro cara. — Jason olhou para Leo. — A não ser que você já tenha feito...

— Não! Digo, mais ou menos. — Ele não sabia qual era seu problema. Estava nervoso, ansioso e só havia passado três minutos e quarenta e cinco segundos e contando...

— Você saiu com outros caras?

— Depois daquela noite no acampamento, tentei te esquecer e acabei saindo com um cara que conhecia aqui na cidade.

Jason não pareceu surpreso ou desapontado, ele apenas continuou mexendo no trabalho de Leo, enquanto bebia a cerveja.

— Vocês se viram por muito tempo?

— Um mês.

— E você conseguiu o que queria? — A pergunta de Jason acertou um alvo em movimento.

— O que?

— Você conseguiu me esquecer? — A cerveja acabou, ele deixou a garrafa sobre a prancheta.

— Não. — Era a resposta mais pura e verdadeira que Leo poderia dar. — Eu não esqueci.

— Ótimo. — Jason aproximou-se. — Melhor para mim. Não?

Ele sorriu e não iria deixar que Leo fugisse tão fácil. Eles se beijaram novamente. Dessa vez foi um beijo sem arrancar o ar dos pulmões, mas carregado de desejos. Tais desejos que ainda causavam medo em Leo. Ele queria contar a verdade. Queria que Jason escolhesse ficar ou ir embora por conta própria.

Ele tentou falar a verdade. Mas só tentou.

— Jason, eu preciso te dizer uma coisa. — Só que não foi fácil desgrudar os lábios deles. — Você precisa escolher. Se você quer mesmo ficar comigo essa noite. Ou se deseja partir.

— Do que você está falando? — Jason o apertou na cintura e desceu as mãos pelo quadril de Leo, forçando-o mais para cima, até conseguir erguê-lo contra a parede. A ereção estava ali, presente.

Ó céus, pobre Leo.

Ele gaguejou quando tentou falar sobre a poção, mas as carícias de Jason sobre sua calça estavam tirando-o do sério. Não podia negar que estava excitado.

— Não podemos fazer isso hoje. Por favor, não me pergunte porque. Mas hoje não.

Jason o colocou no chão. Leo estava pronto para ouvir uma segunda rejeição, poderia doer, mas precisava ouvir, se fosse o caso.

— Você está certo.

— Estou?

— Sim. Eu não posso forçá-lo. Me desculpe. — Jason afastou-se, desconcertado. — Se quiser eu vou embora. Talvez seja melhor.

— Não! Não vai embora. Fica aqui comigo. Vamos, sei lá, aproveitar a noite. Que tal jogar um pouco? Comprei GTA Romano. Se quiser...

Era isso. Umas boas horas bebendo cerveja, comendo pizza e jogando GTA Romano poderia resolver. Passaram-se nove horas. Leo estava cansadíssimo e sentiu que as pálpebras iam fechando cada vez mais até que a última coisa que ele viu, foi uma biga atropelando alguém na tela.

Ao acordar, Leo sentiu uma dor de cabeça super desagradável. Como se existisse alguma dor agradável, não é? Pois bem, Leo espreguiçou-se e coçou os olhos, ainda ficou deitado de olhos fechados por um minutinho, quando recordou-se de que estava sozinho na cama. Leo pulou da cama. E certificou-se de que estava sozinho na oficina. Seus olhos focaram o relógio na parede. Marcava Meio dia e quinze.

Ele não sabia o que fazer. Se saía pela rua atrás de Jason, se sentava e chorava ou conformava-se de que as coisas aconteciam por um motivo e não poderia ser diferente. Deveria estar escrito em algum lugar nas entrelinhas que Leo Valdez jamais poderia ser feliz com quem ele amava.

Foi uma cena de apertar o coração. Leo sentia-se desolado. Caiu na cama, sequer chorar ele conseguia. Que deprimente.

Valdez já estava naquele estágio em que se procura conforto em qualquer lembrança boa, quando a porta da oficina correu para o lado e abriu, Jason entrou carregando umas sacolas. Leo ergueu a cabeça e o olhou colocar as coisas na mesa.

— Jason? Você não foi embora?

— Embora? Não. Eu fui no supermercado porque não encontrei nada saudável para comer na sua geladeira. — ele guardou algumas compras e outras que não precisavam ir na geladeira, deixou na mesa.

— Que horas você saiu? — Leo perguntou, parecendo quase desesperado e Jason não entendeu o porque daquilo.

— Sei lá acho que meio dia e dez, porque?

— Graça aos deuses. — Leo o abraçou com força e Jason ficou totalmente perdido com aquela situação. — Oi.

— Oi. — Jason riu, prometendo um café da manhã para fazer ele despertar porque parecia ainda dormindo.

Leo sentou-se no banco e observou Jason trabalhando na cozinha. Ele preparou ovos, fez panquecas e também o café. De vez em quando ele olhava para trás e mostrava seus dentes perfeitos em um sorriso. Leo se perguntou quanto tempo aquilo poderia durar. No bilhete não havia prazo. E se não fosse para sempre? Ou pior, se fosse?

Quero dizer... Leo pensou que estava fazendo algo certo, bom. Não é? Jason sentia por ele alguma coisa e era real, ou não estaria ali agora. Não era isso que o bilhete dizia? Ele não se recordaria de nada e iria embora. Mas ele não foi, estava em sua cozinha preparando o café da manhã. Quantas vezes eles comeram juntos, mas todas as vezes Leo tinha que conter seu olhar. Precisava esconder seus sentimentos. E era obrigado a vê-lo feliz com Piper?

Ah! Piper. Ela não sabia de nada, e seria um pouco chocante quando descobrisse. Lembrou-se de quando Nico e Percy apareceram de mãos dadas um belo dia. Todo mundo caiu para trás, mas ele os achou corajosos. Afinal, não tinha porque se esconderem. E soube pela própria Piper que Annabeth não estava magoada, até porque, o relacionamento dela com Percy havia terminado bem antes disso.

Falando nisso, como ele iria explicar essa situação para Piper?

— Você está muito pensativo. — Jason comentou, enquanto terminava de comer uma panqueca. — Estou curioso para saber o que te tirou da órbita.

— Só estava lembrando de algumas coisas. — Leo notou que sequer comeu alguma coisa do prato. Por isso, para não parecer ingrato, ele comeu tudo. — Quando estávamos naquele ônibus, foi a primeira vez que te vi. Mas antes disso, eu possuía as lembranças distorcidas pela névoa.

— Quais lembranças eram?

— Nada demais, bobagem minha.

— Me conta. — Jason persistiu, querendo uma resposta mais convincente.

— A gente costumava jogar até tarde, como fizemos ontem e quando eu acordava, parecia um zumbi, enquanto você brilhava por aí. Como se passar a madrugada com os olhos na televisão não fosse nada demais. E seu cabelo loiro sempre bem penteado, você dorme com uma escova?

Jason sorriu e esticou sua mão para alcançar a de Leo.

— Isso pode não ter acontecido antes, mas agora é real. — Ele disse por fim. E aquilo cortou o coração de Leo. Será que era mesmo real?

Não poderia viver com aquela dúvida. Ele precisava conversar seriamente com Drew.

***

Depois do café da manhã no horário do almoço, eles passaram mais algumas horas juntos. Jason observava Leo trabalhar, enquanto ele falava empolgado sobre o projeto de um exaustor. Mas Jason nem parecia entender direito o que ele dizia. Não, ele não era burro porque é loiro. E não é loiro porque é burro. Digo, Jason só não manjava dos paranauê mecânicos.

Era começo de noite quando Jason teve que se despedir de Leo, ele precisava resolver alguns assuntos pessoais, não informou o que era, mas antes de sair, beijou e abraçou Leo com toda força que possuía.

Um pouco tonto com tudo o que aconteceu, Leo foi até o prédio onde Drew morava. Ele conseguiu o endereço com Andrômeda, que trabalhava de óculos escuro na cafeteria. Sally comentou que Percy sequer havia aparecido em casa ainda, mas deveria saber que, se algo ruim tivesse acontecido, saberia com algum tipo de estrondo.

Assim que chegou ao prédio de Drew, ele foi liberado para subir até o vigésimo sétimo andar. Quem o atendeu foi uma senhora idosa japonesa. Ela disse, num inglês bem arrastado, que sua neta iria encontrá-lo na sala.

— Valdez, o que faz aqui? — Drew apareceu na sala. Ela vestia uma yukata preta com várias garças bordadas em dourado. Leo tombou a cabeça para o lado. Vê-la naqueles trajes era quase como imaginar Lucy Liu no filme Kill Bill. O comentário não melhorou sua cara azeda, fazendo Leo recordar-se com quem realmente estava falando.

— Eu quero saber como funciona aquela poção verde que você me deu ontem a noite na festa do Percy.

— Que poção? Ah... — Ela suspirou. — Sei. Foi você que bebeu.

— Sim, você não me mandou? Eu li o bilhete.

— Oh! Um bilhete? Certo. E com quem você compartilhou a poção?

— Jason. — Ele falou sem pensar que aquela revelação complicaria tudo. Ou não.

Drew não parecia muito preocupada ou interessada, mas demorou muito tempo para falar alguma coisa.

— Meu querido, você não perde tempo. — ela sorriu, sentando no sofá e segurando uma almofada. — Vocês deixaram a festa, pelo que me falaram. Rachel e Annabeth acharam que algo estava acontecendo.

— É, eu me arrependi e fui embora, mas Jason quis ir comigo.

— Claro que ele quis. — os lábios de Drew moveram-se levemente, seu gloss era rosado e cheio de brilho, o que fazia Leo ficar olhando sem parar, como se estivesse hipnotizado. — Diga-me como foi a noite. Passou as doze horas com seu amado Jason?

— Sim. Quero dizer, acho que sim. Acabei pegando no sono. — Leo sentou-se na poltrona, não se sentindo muito a vontade de ficar no mesmo sofá que a filha perigosa de Afrodite. — Quando acordei, ele não estava mais lá. — Então Leo narrou o que aconteceu, ressaltando, constrangido, que eles não fizeram nada além de beijos e alguns amassos.

— Deve ter sido difícil para você se segurar. Jason é tão viril e interessante...

— É, ele é. — Leo a olhou um pouco irritado. — O que eu quero saber é e agora? Ele está enfeitiçado ou algo do tipo?

— Não. Ele esta perfeitamente normal, se voltou é porque ele realmente tem sentimentos puros. — Drew analisou suas unhas, parecendo a coisa mais importante no momento. Pelo menos para ela era. — Mas não existe garantias de que ele vai ficar para sempre.

— Como assim?

— Como? Querido, querido. — ela ficou de pé e caminhou pela sala, cheia de si. — Despertar os sentimentos escondidos de alguém não significa que ela realmente deseja sentir aquilo. Muitas vezes nós escondemos as coisas. E porque fazemos isso?

— Porque não queremos que ninguém saiba...

— Exatamente. Ou, porque nós temos vergonha de senti-los.

Era o que Leo mais temia. Será que Jason tinha vergonha de se sentir atraído por um homem?

— O que acontece se eu contar a verdade para ele?

— Provavelmente ele vai ficar com raiva de você e principalmente de mim. Então eu sugiro que não conte nada. — Ela foi bem categórica ao dizer isso, apontando suas garras (unhas) na cara de Leo. — Jason vai se sentir confuso por seus sentimentos terem sido remexidos. É como se alguém tivesse enfiado uma colher de pau em seu coração e feito uma calda quente com seus sentimentos, filtrando tudo aquilo que te pertence. Quando ele entender o que aconteceu, vai tomar sua decisão. Ficar com você ou não.

Pobre Leo. Além de se sentir culpado por ter feito sopa de amor no coração de Jason, ainda tinha que esperar um tempo indeterminado para saber o que realmente ele pretendia fazer daqui para frente.

— Quer tomar um chá? Obaasan acabou de preparar.

— É, acho que um chá pode me animar um pouco.

— Ótimo, venha comigo.

Leo se levantou do sofá, ele estava mesmo hipnotizado? Ia tomar chá com Drew Tanaka e a obaasan dela? Mas depois Leo só conseguia pensar nos biscoitinhos de aveia e mel que Drew havia preparado. Dessa vez sem ingredientes secretos.

Eu disse que ela é poderosa, não disse?



Notas finais do capítulo

Pobre Leo, que será que o Jason vai escolher?

Como prometi, o capítulo foi postado. Desejo Feliz Natal para todos. De madrugada vou responder os comentários muito louca de vinho heuehue.