Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 52
Ninguém está pronto para: Estabelecer novas regras.


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!



Antes de iniciar o feitiço, decidiram que era necessário estabelecer algumas regras para caso o plano saísse do controle. Diante das regras estipuladas, tentariam não afetar ainda mais os rumos da normatividade. Principalmente na barreira protetora de Nova Iorque. Para começar, nada de tomar decisões impulsivas que pudesse gerar um desequilíbrio natural. Do mesmo modo não deixariam se levar pelos sentimentos, reforçando a primeira regra. E assim, as regras pareceram infinitas, visto que, qualquer coisa poderia sair do controle.

Era preciso tomar cuidado, pois as Harpias podiam sentir a presença do livro cada vez que ele fosse aberto, por isso Percy tirou uma foto da imagem e deixou o celular sobre o mármore que enfeitava a lareira. Drew não precisava de muito para criar o portal, uma parede e boa vontade para criar o desenho idêntico ao do livro.

Quando terminou, ela encarou Percy, esperando o momento certo para iniciar o ritual. Eles aguardaram alguns minutos olhando para o celular, esperando que Nico desse algum sinal de que era a hora.

— Tem certeza de que está tudo certo? — Percy recebeu um olhar atravessado de Drew.

— Você tem certeza de que não estava alucinando quando Nico te ligou do mundo inferior?

Touché. — Percy deu um passo para frente e colocou a mão na parede. — Ele deve estar lá, de algum jeito estranho posso sentir que vai dar certo.

— Você está deixando o emocional falar mais alto, lembra do nosso acordo.

— Eu sei, eu sei, mas não posso deixar de pensar nisso. Da última vez que nos vimos... estávamos felizes, entende? Era como se eu estivesse completo, só que algo estranho aconteceu, comecei a me sentir mal por estar tão feliz.

— Parece que é o mal dos mocinhos, pensar demais nos outros. — Drew pegou o livro. — Vamos ver se conseguimos uma conexão.

Ela entregou o livro para Percy e começou a evocar as palavras necessárias, ambos torcendo para que não fossem flagrados por alguma harpia perdida pela cidade e sentisse o chamado do livro.

Num primeiro momento, os dois se olharam e o silêncio tomou conta da sala. Drew aproximou-se do portal, ergueu a mão e tocou a parede com um dedo, nada aconteceu.

Ela repetiu entoou as frases mais duas vezes e nada.

— Talvez ele não esteja do outro lado. — Drew provocou.

— Nico não ia me deixar na mão logo agora. — Percy esbraveou. — Que merda! Tenta novamente, deve ter dito algo errado.

— Se está tão cético, então porque você não faz?

— Desculpe, eu não queria ofender.

Percy caiu sentado no chão, levando as mãos até os cabelos, pensando no que fazer caso Nico não entrasse em contato novamente. Drew sentou ao lado para tentar acalmá-lo.

— Talvez sejam meus poderes, eles não estão como antes. Posso não ser a pessoa mais indicada para fazer isso. Quem sabe se eu ligar para minha irmã, ela vem aqui e ajuda. — Drew pegou o celular e fez a ligação, mas havia uma interferência. Ao invés de ouvir a voz de Emanuelle, uma outra pessoa atendeu a ligação. — Nico? É você mesmo?

— É ele? Me passa o telefone. — Percy tentou pegar o aparelho das mãos de Drew, enquanto ela o emburrava.

— Eu já fiz o portal na parede. — Drew falou, levantando-se, de costas para que Percy não atrapalhasse a ligação. — O que? A sala estava vazia e a porta fechada. Mas o que isso tem a ver... a lareira? Está acessa.

— O que tem a lareira? — Percy perguntou ansioso.

— Apague o fogo. — Drew ordenou. — É claro, só deu certo nos esgotos porque lá estava frio.

Percy correu para fechar o registro de gás da lareira, apagando o fogo. Agora precisavam aguardar que a sala esfriasse. Decidiu abrir a porta da varanda e chamou BlackJack para abanar suas asas dentro da sala, assim o ar circulava.

O cavalo alado não estava entendendo nada, mas fez o que foi pedido, enquanto Drew vestia o casaco, pois o lugar esfriou rapidamente com a entrada do vento noturno. Logo depois, ela refez o ritual e assim que recitou as últimas palavras, a parede da sala transformou-se em um material mais maleável.

Percy estendeu a mão novamente e tocou a parede, quando uma outra mão vinda do outro lado o segurou e aos poucos os tijolos vermelhos foram substituídos pela imagem da cozinha de Hades. Era como ver uma televisão presa na parede, a imagem do micro-ondas e a geladeira eram nítidas, assim como a cesta de fruta em cima da bancada de mármore dourado.

A imagem de Nico foi se formando diante dos olhos de Percy e Drew, eles se entreolharam, admirados com a cena. Foi então que, ao lado de Nico, uma outra pessoa apareceu. Maria Di Angelo era uma mulher de cabelos negros e cachos bem moldados na altura dos ombros. Drew poderia jurar que já vira algum filme antigo em que a mãe de Nico atuou. Percy não gostava de filmes antigos, mas isso não era problema para que ele também tivesse a impressão de que ela tinha feições de uma estrela de Hollywood.

— Como vai, Percy? — Nico passou pelo portal, como se fosse uma simples porta de varanda.

Percy o olhou com um sorriso alegre nos lábios e então pulou em cima do namorado, envolvendo-o num abraço forte. Era quase um sonho estar ali na presença de Nico, suas dúvidas e anseios de repente desapareceram e o seu coração ficou preenchido novamente com amor. Era como uma droga viciante, precisava de doses cavalares de amor, mas do amor de Nico.

— Você está bem? Está inteiro? — Percy colou as mãos no rosto de Nico, passando os dedos pela pele dele, depois os cabelos negros e macios, pareciam ainda mais sedosos do que antes, seria possível fazer uma boa hidratação no mundo inferior?

— Sim, estou bem. — Ele respondeu, beijando-o nos lábios. O beijo foi a comprovação de que tudo tinha que acabar bem. Pelos deuses, precisavam viver felizes nem que fosse por uma semana, longe de problemas apenas para passar o dia todo sentado no sofá beijando.

Assim que o beijo findou, eles se separaram, Percy levemente constrangido porque a mãe do namorado estava atrás deles observando tudo com um sorriso.

— Essa é minha mãe, Maria Di Angelo. — Nico falou.

— É um prazer finalmente conhecê-la. — Percy estendeu a mão, um pouco confuso sobre como deveria cumprimentar a sogra. — Seu filho é tudo para mim. — Disse, fazendo Nico corar.

— O prazer é meu finalmente conhecer Perseu Jackson, é um rapaz muito famoso.

A voz dela era doce e melodiosa, Percy podia imaginá-la como uma cantora de rádio ou contando histórias de ninar para crianças. Havia em seu semblante uma paz reconfortante, era como sentir-se pleno.

Assim que recuperou a consciência tomada pela sensação de leveza, ele virou-se e apresentou Drew.

— Ela é filha de...

— Afrodite. — Maria completou. — Está em seus olhos, minha querida. É uma jovem talentosa por conseguir usar meus feitiços.

— Obrigada pelo elogio, mas minhas irmãs me ajudaram a traduzir, eu sou apenas uma parte de tudo isso. — Drew pigarreou, sentindo a garganta leve, estranhou também a mansidão em sua voz, assim como a honestidade crua. Ela poderia muito bem apenas ter dito obrigada e se gabar pelos seus feitos.

— Olá, Percy! — Logo depois de Maria, quem vinha pelo mundo inferior era Hazel. Ela recebeu um abraço de Percy e um aceno de mão da filha de Afrodite. — Parece que estamos todos reunidos aqui.

— Eu não sabia que você estava lá embaixo. — Percy balançou a cabeça. — Digo, não sei exatamente se é embaixo ou do lado, não estou entendendo mais nada.

— São mundos paralelos, não há lado certo. — Maria informou, andando pelo apartamento. — Então esse é o apartamento que Hades motou?

— Sim, ele está quase do mesmo jeito, talvez um pouco diferente de setenta anos atrás. — Percy riu, mas logo parou quando Maria olhou pela janela, os braços cruzados na frente do corpo e um olhar melancólico. Ele então decidiu mudar de assunto. — Como está Luke? Ele não pode retornar?

— Não, ele está de volta ao Campos Elísio. — Nico respondeu. — Nós conseguimos interceder por sua alma, assim como conseguimos salvar a nossa própria pele.

— Como assim? — Percy olhou confuso.

— Uma longa história, depois te conto. — Ele respondeu. — Acontece que agora o mundo inferior precisa de um novo herdeiro, caso contrário, se meu pai retornar para o trono, minha mãe volta para o Anti-inferno e Zeus vence.

— Alguém me explica o que está acontecendo? — Drew levantou a mão.

— Resumindo, Hades veio usando todos os seus poderes e se esgotou. — Hazel balançou os ombros.

— Isso me faz ter mais perguntas do que de fato resposta para a minha pergunta. — Drew escorou-se na parede da sala. — Onde Hades está?

— No monte Olimpo, preso eu acho. — Nico a respondeu.

— Na verdade, ele está em nossa antiga casa. — Maria virou-se, os cachos balançaram sobre seus ombros de maneira graciosa. — Eu amava minha casa na Itália, mas seu pai sempre queria tirar férias na Grécia, então ele decidiu comprar uma ilha.

A expressão em seu rosto era lívida, assim como o sorriso sincero que delineou seus lábios com tal pensamento.

— Meu pai está na Grécia? — Nico apertou os olhos e Percy segurou sua mão. — Esse tempo todo ele está em uma praia? — Sua voz soou desacreditava com a revelação.

— Não é qualquer praia, ele não pode deixa-la. Está preso lá se quiser ainda viver mais alguns milhares de anos.

— Você não pensou em me avisar isso antes de a gente vir aqui? Porque não fomos até lá falar com ele? — Nico começou a andar de um lado para outro, com Percy tentando acalmá-lo. — Não, Percy, você não entende. Meus pais acreditam que Hazel e eu podemos reinar no mundo inferior. Você tem ideia de que isso já não estava dando certo quando era somente eu no poder, não é? E a minha vida como fica?

— Querido, não foi um premeditado, não sabíamos que os poderes de vocês iriam florescer antes de que ele próprio perecesse.

— Espera, agora eu estou confuso. Maria e Hades estão juntos esse tempo todo? E onde Perséfone entra nessa história? — A pergunta de Percy fez todos olharem com curiosidade para Maria.

— Não se pode interferir uma história tão antiga quanto nós acreditamos que ela é. — Maria respondeu. Contudo, não esclareceu mais nada, ela andou até o filho e pousou suas mãos sobre os ombros dele. — Vocês possuem escolhas, porém, milhares de almas estão em jogo.

— Não me confortou muito, mãe. — Nico olhou para Percy. — Podemos conversar a sós?

— Claro. — Percy estendeu a mão para ele e o levou até o quarto. O lugar estava escuro, então precisou pegar o celular do bolso para enxergar melhor como destravar o trinco da janela. A fraca luz provinda da varanda clareou o ambiente.

Nico parou ao lado da janela, os ombros encurvados e a cabeça pendendo para baixo. Percy precisou de um momento para admirá-lo, deveria estar com uma cara de bobo apaixonado, pois quando o namorado ergueu a cabeça, riu para ele como se estivesse divertindo-se.

— Senti tanto a sua falta, não sei nem como começar a dizer. — Percy começou a falar, mas Nico pediu para que ele não continuasse, queria apenas um abraço. Então ele o abraçou.

Tê-lo em seus braços era como segurar a felicidade. Não tinha como Percy ser mais piegas naquele momento, estava completamente entregue ao sentimento clichê de garoto encontra garoto que ama. O cheiro de Nico entrou pelas suas narinas como uma essência adocicada, o beijo que ele lhe deu no pescoço causou arrepios pelo corpo e despertou o desejo de pressioná-lo contra a parede a fim de saciar a vontade de dias e dias sem tê-lo sobre seu corpo.

— Acho melhor a gente ir com calma. — Nico avisou, enquanto a boca de Percy descia pelo seu pescoço e as mãos dele apertava o seu quadril.

— Claro, claro. — Percy afastou um pouquinho. — Eu me empolguei um pouco.

— Vamos ter tempo para isso depois, eu acho. — Nico deixou a cabeça tombar para trás, na direção da parede. — Isso se eu conseguir ter uma forma de vir para cá. Não posso simplesmente pedir para ela abrir um portal cada vez que eu queria te ver.

— Não custa tentar. — Percy riu, mas sabia que não era somente aquilo.

— Eu quero viver, quero trabalhar e cuidar da minha casa. Lavar a louça, fazer compras no supermercado. — Nico andou pelo quarto vazio. — Quero mobiliar nossa casa, testar os colchões na loja e decidir qual o melhor.

— Eu já fiz isso, não é lá muito emocionante.

— Percy, você não entende. Eu quero ter essas experiências que não normais para as pessoas. Pode ser bobagem, mas para mim até mesmo colocar o lixo para fora, lavar um copo, é importante. Ser parte de algo maior, que não seja o ramo da minha família.

— Com certeza não da para comparar receber almas ou receber o carteiro. — Percy enfiou as mãos no bolso da calça, olhando sem emoção para o tênis que calçava. — Nós nunca seremos normais, Nico.

— Mas isso não me impede de sonhar com uma vida assim. — Nico se aproximou dele e o beijou no rosto, passando a mão em seu rosto. — Quem sabe até termos filhos...

— Você quer? — Percy pareceu mais do que surpreso com a ideia.

— A gente nunca falou abertamente sobre isso, mas eu penso em ter uma família. Algo que me foi tirado.

Percy mexeu nos próprios cabelos, pego de surpresa, mas não mentiria para Nico, também já sentira a mesma vontade. Ter uma família com ele era uma ideia que parecia distante, mas agora nem tanto.

— Certo, então como vamos fazer isso? Você precisa comandar o mundo inferior, ser pai, fazer compras no supermercado. Será que vai dar conta de tantas tarefas?

— Se você me ajudar.

— Faço qualquer coisa.

Nico o olhou com confiança e um ar de renovação em seu semblante abatido até minutos atrás. Eles retornaram para a sala, Hazel e Drew estavam sentadas sobre o lençol, enquanto Maria Di Angelo acariciava a crina de BlackJack, que parecia amolecido pelas carícias.

— Precisamos de Thanatos. — Nico falou, e Percy perguntou se era mesmo necessário. — Se eu preciso barganhar minha com alguém, será com ele. Mãe, me perdoe, mas eu não posso abrir mão de tentar ser alguém... você disse que eu tenho uma escolha.

— É claro. — Maria fez só mais um carinho em BlackJack, que se emburrou ao ser deixado de lado quando ela se afastou. — Você tem todo o direito de decidir seu futuro.

— Mas se ele não voltar, você não vai poder ficar livre. — Hazel ficou de pé. — Então tudo o que aconteceu até o momento foi em vão. — Ela segurou o braço do irmão. — Como a gente pode sacrificar mais pessoas pelos nossos próprios desejos? Não pode ser egoísta a esse ponto, nós podemos pensar em outra coisa.

Maria suspirou e então deu alguns passos até os filhos de Hades.

— Não é um ato egoísta, eu vejo como de amor. — Ela piscou, as madeixas elegantes e perfeitas em caracóis sobre os ombros retos. — Thanatos virá até nós, então, esteja pronto para sua decisão.

Maria di Angelo tirou o broche em formato de harpia que enfeitava a alça de sua toga, ela estendeu a mão e fez um corte usando o lado afiado do objeto. Conforme o sangue se acumulava na palma de sua mão, ela evocou algumas palavras em um idioma ao qual Drew e Percy não compreendeu. Uma linguagem que somente seres do mundo inferior e deuses da morte entenderia, assim como Hazel e Nico puderam interpretar.

A imagem de Thanatos era apenas um borrão a princípio e depois foi se formando a partir de uma névoa negra, até que ele se materializou por completo na sala. Com polidez, o deus da personificação da morte fez uma mesura para a deusa do caminho dos vestíbulos do inferno. Após trocarem palavras em seu idioma, Thanatos reverenciou os filhos do Deus do Mundo Inferior, pois Nico ainda era seu senhor.

— Estou tentando resolver esse problema. — Nico foi direto ao assunto, mas Hazel o interrompeu.

— Você disse que um dos herdeiros de Hades precisa ascender ao trono, certo? Mas não especificou quem de nós dois poderá sentar no trono. — Thanatos concordou com um movimento de cabeça. — Então parece que temos uma solução para seu problema, irmãozinho.

Nico ficou sem voz, ele recebeu o abraço da irmã e depois a atenção do deus, que parecia aguardar ele abdicar o trono.

— Você não pode fazer isso por mim.

— Não só posso, como já fiz. — Hazel deu uma piscada e bagunçou os cabelos dele. — Eu saí de casa para tirar férias e não esperava virar rainha, mas até que é um plot twist dos bons. Além do mais, essa é minha segunda chance na vida, e graças a você eu estou aqui.

— Você não tem nenhuma dívida comigo. — Nico precisou de tempo para digerir a situação.

— E eu não disse que estou pagando você pelo que fez. Mas assumindo meu posto como legítima filha de Plutão, ou Hades, seja como for. — Hazel balançou as mãos e olhou preocupada para Thanatos. — Isso não tem problema nenhum, não é? Plutão ou Hades, eu sou herdeira do mesmo jeito.

— Será interessante descobrir. — Foi a única coisa que ele revelou.

Nico a encarou com seriedade, sua única irmã viva estava ali se oferecendo para passar a eternidade, ou pelo menos até onde se poderia permitir, no trono do Senhor do Mundo Inferior. Senhor esse que estava exilado em uma ilha grega tomando sol. Cada vez que Nico pensava em sua vida e em como ela se tornava complicada e cheia de reviravoltas, respirava com calma e pensava na irmã Bianca. Ela sempre pedia para ele confiar no que ela fazia, as irmãs mais velhas sabiam das coisas. Seria então esse o momento de ele confiar em Hazel e permitir que ela assumisse a responsabilidade?

— Eu, Nico di Angelo, abdico o meu lugar ao trono do mundo inferior. — Ele falou, olhando para a irmã enquanto ela movia os lábios em um sorriso contente. Eles se abraçaram e Nico a agradeceu, não por ela fazer aquilo, mas por ela ser quem era.

Hazel recebeu um abraço de Percy, que a agradeceu por ela permitir que ele tivesse uma vida ao lado de Nico, mesmo que ele se sentisse culpado por parecer estar fazendo uma troca. Ela o confortou, com seu jeito especial de fazê-lo ficar quieto.

Ela não esperava que Drew Tanaka fosse ter qualquer tipo de preocupação com quem reina ou não no Mundo Inferior, mas se surpreendeu com a filha de Afrodite quando ela se ofereceu de bom grado caso precisasse de qualquer coisa. Mesmo que não soubesse exatamente no que isso implicava, Hazel aceitou a oferta, imaginando quando em sua vida precisaria da mão da família de Vênus.

— Minha doce menina, sua generosidade é tamanha comparada a grandeza do reino que vai liderar. — Maria di Angelo virou-se para o filho. — Eu desejo a ti toda a sorte do mundo, amore mio.

— Você vai embora? — Nico se alarmou, não era bem esse desfecho que esperava, embora estivesse pronto a se arriscar perde-la de volta caso abrisse mão de tudo.

— Seu pai precisa de mim. Mas não se preocupe, estarei perto quando precisar. — Ela o abraçou carinhosamente, beijando o topo de sua testa, olhando em seguida para Percy. — Meu precioso filho tem muita sorte de ser amado por alguém como você, Perseu, é um rapaz de honra e pelo que vi não desiste nunca.

— É preciso ir. — Thanatos informou.

Nico viu a irmã passar pelo portal, assim como sua mãe. Thanatos desapareceu em meio a sua própria essência de luz negra e depois a sala voltou a ficar fria. Ele olhou para a parede que continha o desenho feito por Drew, em seguida virou-se para Percy.

— Onde está o livro? — Drew perguntou.

— Deixei-o aqui no chão. — Percy olhou para o lençol que estava vazio. — Ela o levou?

— Provavelmente. — Drew deu de ombros, mesmo que sentisse uma pontada de decepção, achava que era melhor assim. — Eu vou embora, alguém quer carona?

— Acho que não precisa, temos o BlackJack. — Ele apontou para o Pégasu.

— Hey, chefe, você sabe que eu não gosto desse seu namorado com cara de nerd.

Percy ignorou os protestos do cavalo alado, mandando-o passear e voltar mais tarde. Drew pegou sua bolsa e então olhou para os dois rapazes a sua frente, apenas gargalhou e mandou que eles se cuidassem.

Eles estavam sozinhos na sala. O vento do outono entrava pela porta da varanda que BlackJack deixou aberta, não culparia o animal por isso. Percy apenas fechou a porta e então, já que não precisava de mais nenhum ritual, acendeu a lareira para aquecer o ambiente.

O semblante de Nico poderia ser considerado de euforia? Ele o olhava com ansiedade sem disfarçar as mãos que não tinha posição para ficar, ora na cintura, ora nos bolsos, as vezes mexendo nos cabelos. E, por fim, engalfinhando-se nos cabelos de Percy, quando ele o pressionou contra a parede para beijá-lo de forma efusiva.

As línguas movendo-se com total liberdade, sem um roteiro premeditado, seguindo apenas instinto e desejo. A boca aberta, úmida e os lábios macios. Nico tinha um sabor mais delicioso do que ambrosia. O beijo era rápido, assim como suas mãos que buscaram tirar logo a camiseta preta que vestia. Aliás, o look de roqueiro rebelde lhe caía bem, mas talvez fosse necessário eles irem as compras, caso Nico quisesse mesmo uma vida normal. No mínimo uma bermuda de praia brega ele deveria ter.

Percy riu com tal pensamento, deixando o namorado curioso com o que era.

— Apenas estou ansioso demais para a gente viver nossa vida normal. — Ele deu uma mordida no ombro de Nico, explorando o pescoço dele com a língua ávida. As mãos ágeis de Percy tiraram as roupas que restavam e o deitou sobre o lençol. Está certo que aquele chão de madeira era duro, mas valeria a pena, prometeu que valeira.

— Você não precisa prometer algo que eu tenho total confiança de que é verdade. — Nico o abraçou, passando os dedos já aquecidos pelas costas de Percy.

— Não diga isso antes de saber que eu não trouxe nenhum tipo de proteção.

Nico retorceu levemente o nariz.

— Ainda têm muita coisa que dá para a gente fazer, não é?

Percy abriu um amplo sorriso malicioso com a centelha do pensamento de Nico, e o beijou sem esperar que ele mudasse de ideia, ou o obrigasse a sair aquela hora para ir até uma drogaria vinte e quatro horas.

O corpo de Nico ainda causava em Percy as mesmas sensações de antes, mas o que era isso que o tirava do sério a cada movimento ou gemido que ele oferecia. A cabeça jogada para trás, os lábios apertados, mordendo de forma sensual. O peito erguia para tomar fôlego quando sua boca o despertou nas partes mais íntimas. Os pedidos para não parar, e a voz presa na garganta quando o orgasmo foi atingido.

Cada pequeno detalhe penetrava os poros de Percy, como se pudesse registrar tudo em sua mente. O que era aquilo que fazia dele e Nico serem perfeitos, encaixados e completos quando estavam juntos?

Se amor fosse a resposta, então Percy desejou nunca mais sair daquele apartamento.



Notas finais do capítulo

Só tenho a dizer que se você chegou até aqui... somos dois vencedores kkk

Beijos!



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