Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 49
Ninguém está pronto para: Planejar o futuro


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!



A oficina de Leo Valdez estava apinhada de caixas, eram encomendas de várias peças que ele precisava para restaurar algumas motocicletas e carros, além de uma máquina de refrigerante dos anos quarenta e um barco a vela.

A oficina não possuía espaço para todos os seus projetos, por isso ele precisou alugar um galpão não muito longe dali, e aproveitou para dividir o espaço e o aluguel com alguns irmãos que também trabalhavam naquele ramo. Na verdade, ainda esperava encontrar um irmão que não se interessasse por mexer em motor ou qualquer engrenagem que tivesse uma função.

Perdido entre as caixas de parafusos e as de ferramentas, Leo desistiu de organizar tudo aquilo sozinho, aguardando a chegada de Alex.

Trabalhar com um namorado era novidade para Leo, mas estavam conseguindo lidar com o desejo tempestuoso de fechar as portas da oficina e se jogarem em cima da mesa de projetos. Ao menos aquilo era recorrente na cabeça de Leo, ainda que tivesse a disposição, não haviam concretizado tais pensamentos.

Quando ouviu o barulho da sineta, que indicava que alguém havia chegado, Leo gritou um simples “pode entrar” para seu visitante.

— Espero que a minha falta de organização não faça você desistir do meu trabalho, prometo que eu sei o que estou fazendo. — Leo falou, atravessando um mar de caixas de papelão, quando chegou até a porta, encontrou Jason Grace aguardando.

— Algumas vezes eu me pergunto se você realmente sabe mesmo o que está fazendo. — Jason estendeu o braço, para apertar a mão de Leo, de maneira educada e muito formal para a relação que eles possuíam.

Não havia mais nenhuma relação, ainda estavam tentando a ideia de serem amigos. Embora as únicas vezes que se viram desde a destruição do apartamento de Drew Tanaka, foi um café da manhã na cafeteria de Percy Jackson.

— Nossa, cara, que bom ver você aqui. — Leo apertou a mão de Jason, o que causou um pouco de estranheza para ambas as partes. — Se o assunto é motor, acho que eu sei o que estou fazendo.

— E o que você me diz quando o assunto é mais sentimental do que o seu amor por engenhocas?

— Você está mesmo a fim de ir direto na ferida, não é? — Leo deu um sorriso constrangido, mexendo nos cabelos cacheados. — Olha, acho que vai levar algum tempo até a gente acertar esse lance de amizade. Eu sei que fui um babaca escroto que menti, manipulei e traí você... nossa, falando em voz alta, tem toda a razão de querer me dar um soco, até deixo você fazer isso, se te fizer bem.

— É, talvez isso me anime um pouco, mas não é por isso que vim. Digo, é e não é.

— Estou confuso agora. — Leo olhou ao redor, nem podia convidar Jason para sentar e beber alguma coisa. — Acho que tem cerveja na minha geladeira, você quer?

— Não, obrigado, tenho que voltar logo para encontrar Thalia, ela vai embora hoje.

— Verdade, ela vai voltar para a vida de caçadora. — Leo assoviou. — Que vida excitante ela deve levar.

— Com certeza ela deve ter boas histórias para contar, mas não é por isso que estou aqui. Na verdade eu vim me despedir.

— O que? — Leo começou a pensar que uma cerveja era mais do que necessária naquele momento. Ele pediu alguns segundos para Jason e enfrentou a quantidade de caixas de papelão, até chegar no frigobar e pegar duas cervejas.

Os dois deixaram a oficina e sentaram no meio fio da calçada, cada um com uma lata de cerveja na mão.

— A casa já foi vendida, mamãe está em reabilitação e Thalia voltará para Ártemis, lá ela não precisa de dinheiro ou residência, ou qualquer outra coisa que ficou para trás. Então eu estou sobrando. — Jason bebeu um gole da cerveja e olhou para Leo, esse aparentava não saber mesmo o que falar. — Relaxa, eu já estou planejando as coisas, não vou fugir no meio da noite. Mas achei que você fosse querer que eu te contasse isso pessoalmente.

— Eu estou feliz que tenha pensado em mim. — Leo segurava a cerveja, bebeu pouco e não estava mais com vontade de beber o restante. — Para onde você pretende ir?

— O acampamento Júpiter me chamou para representar uma das Legiões, já que Hazel pediu licença, ela já cumpriu os dez anos e tem o direito de fazer o que quiser da vida. Posso fazer muitas coisas lá, então vou aproveitar essa oportunidade.

Não era fácil para Leo dizer adeus para Jason, mas sentia-se mesmo um babaca por pensar daquela forma, visto que agora estavam separados. Mesmo assim, sentiria saudades de vê-lo, pois não queria que a vida, e suas ações atrapalhadas, afastassem os dois.

— Sempre que vier para Nova Iorque, me avisa que terá uma cerveja no meu frigobar te esperando. — Leo sorriu. — Olha, tudo isso que aconteceu...

— Eu sei, eu sei. Recentemente visitei Drew na nossa casa da família Tanaka, ela me explicou tudo o que aconteceu. Não estou dizendo que concordo com os métodos de vocês, mas não posso negar que eu te amei. — As palavras de Jason trouxeram a tona tudo o que Leo passou para conquista-lo. — Eu penso se isso não é um reflexo da poção que bebi, mas sempre senti algo a mais por você, só que não posso permitir que arranquem a força de mim o que eu sinto. Entende?

E novamente Leo sentia seu coração pesar por constatar o quanto falhou com Jason.

— Algum dia você vai me perdoar? — Não havia muito o que falar, senão pedir perdão.

— Se tem algo que aprendemos como semideuses, é de que precisamos uns dos outros. Talvez não exista espaço para ódio.

— Ufa, pelo menos você não me odeia. — Valdez levou a mão ao peito. — Quer ir almoçar? Estou quase acabando.

Jason olhou para trás e viu a bagunça organizada de Leo.

— Acho melhor eu ir encontrar minha irmã. — Eles se levantaram. — Talvez eu vá embora daqui alguns dias, a gente ainda se encontra por aí.

— Tomara que sim. — E antes que Jason estendesse novamente a mão para se despedir de maneira sem graça, Leo o abraçou com força, desejando boa sorte para ele.

Assim que Jason pegou um táxi, Leo Valdez reconheceu o som do motor da motocicleta de Alex, depois de estacionar, o filho de Atena desceu de sua moto e tirou o capacete, beijando o namorado.

— Cerveja antes do almoço? Está cada dia mais ousado. — Alex viu a segunda lata de cerveja no meio fio da calçada, mas não perguntou nada. Leo recolheu a lata e jogou na lixeira mais próxima.

— Estou animado, olha só quantas encomendas chegaram hoje? Achei que ia conseguir organizar tudo antes de você chegar.

— Mas pelo visto você só bagunçou mais as coisas. — Alex guardou o capacete e pegou a nota para checar se tudo o que haviam pedido estava ali. — Vamos levar para o galpão e torcer para que seus irmãos não usem a metade.

— Eles são legais, vão usar só algumas. — Leo sentiu os braços de Alex ao redor de sua cintura e alguns beijos distribuídos aleatoriamente em seu pescoço. — Está com fome?

— Sim, muita na verdade. — Ele virou Leo e o beijou novamente. — E você, está a fim?

— Não sei se nós estamos falando da mesma coisa. — Leo foi sendo levado para dentro da oficina, derrubando algumas caixas no meio do caminho. Ficando preocupado com o barulho de vidro sendo quebrado.

— A gente pode decidir isso até chegar na mesa de projetos. — Alex piscou para Leo, enfiando as mãos por dentro da camisa dele.

— Temos alguns obstáculos a cumprir até chegar lá. — Leo tornou a girar o corpo, abrindo caminho pela oficina até chegarem a mesa. — Você não se importa se eu enrolar meus projetos antes, não é?

— Você pode tentar. — Alex segurou as mãos dele, deitando-o na mesa, depois o calou com mais um beijo.

 

***

Um antigo armazém do século dezenove, com uma estrutura em ferro fundido e uma faixada de tijolos vermelhos, foi convertido em uma mansão no bairro SoHo em Nova Iorque. A recém adquirida mansão estava além de uma simples propriedade para a família Tanaka. O plano de Drew Tanaka era mais do que encontrar uma casa confortável para seus parentes.

Percy Jackson aceitou o convite de Drew para uma conversa em sua nova residência, mas não tinha ideia de quais eram os planos dela. Ele então aproveitou uma carona que Dante ofereceu, já que após o expediente, iria encontrá-la. A viagem de carro não foi das mais animadas e muito menos falantes. Dante sempre foi muito quieto, talvez a palavra enigmático seria a mais ideal.

Assim que chegaram, Percy avaliou o prédio de seis andares e janelas altas. Emanuelle, uma das filhas de Afrodite, abriu a porta, orientando onde eles poderiam encontrar a irmã.

Dante e Percy passaram por um enorme salão vazio de móveis e paredes recém pintadas, pois o cheiro de tinta era forte. Os tetos altos e com metal aparecendo deixava o ambiente mais industrial. O segundo salão possuía algumas mesas dobráveis montadas e ali eles encontraram um conjunto variado de pessoas fazendo uma refeição.

Drew apareceu em seguida, saindo de uma porta de ferro. Ela carregava uma bandeja com copos e deixou sobre uma das mesas, pedindo para Emanuelle terminar de servir todos.

— Que bom que chegaram, vamos conversar em outro lugar. — Drew levou-os até o segundo andar, onde o clima de obra estava por todos os lados, até que entraram em um dos quartos.

— Esse lugar parece maior do que o primeiro apartamento da minha mãe. — Percy comentou, acomodando-se em uma das poltronas. — O que exatamente está acontecendo lá embaixo? Eu não tenho certeza se todos eles são filhos de Afrodite.

— Não, eles não são todos filhos de Afrodite. — Drew sentou no divã eu ficava aos pés de uma cama de casal, enquanto Dante sentou em outra poltrona. — Eu estou acolhendo alguns semideuses das ruas.

— Você está? — Percy se surpreendeu. Já fazia muito tempo que eles não conversavam, ele vinha adiando aquele encontro. Não estava ainda pronto para encará-la de frente, mas Dante foi bastante persuasivo quando disse que era importante aquele encontro.

— Sim, estou. É tão surpreendente assim?

— Não, não foi isso que eu quis dizer. — Percy olhou para Dante e depois para Drew. — Está certo, não é bem algo que eu esperava, mas isso é bem legal da sua parte. Como começou?

— Faz um mês que vim aqui com meus pais para visitar o prédio e verificar a reforma, eles já estavam de olho nesse bairro já fazia algum tempo. Então papai decidiu que era hora de nos mudarmos para longe do Parque. — Drew tirou os cabelos lisos do rosto, olhando para Dante. — Ele quem me indicou esse prédio, pois sua mãe já trabalhou aqui perto.

— É, ela trabalhava em uma loja de instrumentos para caça, pesca, essas cosias. — Dante comentou.

— Então, quando meus pais foram embora, Dante e eu subimos até o telhado. — Ela fez uma pausa e Percy moveu as mãos, pedindo para pular essa parte, Drew girou os olhos, pois não estava querendo dar nenhum detalhe sobre seus encontros amorosos. — Nós vimos uma criança correr sozinha pelas ruas, era de madrugada e aquilo foi muito estranho. Ainda mais depois que vimos duas fúrias correrem pelo mesmo caminho que ele havia passado.

— Depois disso, eu desci pelas escadas de emergência e salvei o garoto e trouxe ele para cá. No outro dia, Butch veio de carro e o levou para o acampamento. — Dante completou a história.

— Essas pessoas que estão lá embaixo, vocês as resgastaram das ruas? — Percy perguntou.

— Isso mesmo, são todos semideuses que não sabem o que são e para onde irem. Você sabe, nem todos possuem condições e oportunidades, como eu tive. — Drew ficou de pé e pegou uma fotografia de dentro de uma gaveta. — Essa aqui é Charlotte. Depois de tudo o que aconteceu e como ela foi influenciada por algum ser que ainda não sabemos quem é, eu fiquei pensando em quantas outras crianças cresceram sem família e podem virar um alvo em potencial para qualquer criatura.

Percy estava gostando de conhecer aquele lado generoso da filha de Afrodite, mas não entendia o que ele estava fazendo ali.

— Você realmente achou um caminho para seguir, eu fico feliz. — Ele se levantou, decidido a ir embora.

— Espere, pedi para que viesse aqui por outro motivo. — Drew direcionou Percy novamente até a poltrona que estava sentado. — Eu andei estudando o livro das Harpias.

Percy fechou os olhos e bateu as mãos na poltrona.

— Eu não estou interessado nesse livro estúpido. — Ele se levantou novamente, o mesmo fez Dante.

— Cara, sério, você vai querer ouvir isso. — O filho de Ares falou.

Drew abriu a gaveta de uma cômoda vintage, que possuía alguns frascos de perfume de diversos formatos. Ela tirou o livro da gaveta e Percy pensou que aquele era o lugar menos seguro que ela poderia guardar algo tão valioso.

— Esse livro é mais antigo do que nós podemos imaginar, então eu achei estranho algumas notas espalhadas em diversas páginas. São coisas pequenas e escritas em italiano, uma das minhas irmãs fala italiano.

— E o que tem essas anotações? — Percy pegou o livro em suas mãos, não havia nenhuma anotação na página que Drew lhe mostrou. — Não entendi.

— Elas aparecem apenas na luz negra. — Drew sacou uma lanterna fina, em forma de caneta, do bolso da camisa de seda que vestia, apertando a ponta e acendendo a luz. Com a lanterna, Percy pode ver as anotações. Não sabiam o motivo delas terem sido escritas naquele formato, mas de certo era para que ninguém pudessem ler. — O que me chamou a atenção na verdade foi essa aqui. — Ela virou a página, até o final do livro e apontou a lanterna para um feitiço de controle das harpias.

— O que isso quer dizer? — Percy apontou para onde luz da lanterna iluminava.

— Isso é uma correção do feitiço, quem utilizava o livro estava testando para aperfeiçoar, mas olha o que tem no rodapé, uma assinatura.

— Maria Di Angelo. — Agora Percy entendeu o motivo dele estar ali. — É a mãe do Nico. Como ela teve acesso a esse livro? Aliás, ela morreu faz mais de setenta anos. Eu não estou entendo mais nada.

— É isso o que nós estamos tentando entender, o que ela fazia com esse livro e se ainda possui controle sobre as Harpias, porque se ela ainda as controlar, tudo o que passamos foi tramado pela mãe do Nico.

— Certo, vocês dois não sabem nada sobre a mãe dele. — Percy deixou o livro sobre a poltrona e depois pensou melhor e pegou-o de volta. — Quer saber, acho que esse livro deveria ficar com o Quíron. Se ela estiver envolvida com tudo isso, então já acabou setenta anos atrás quando Zeus destruiu o prédio que ela estava, virou cinzas.

— Espere, Percy. — Drew tentou impedir que ele saísse do quarto, mas Percy passou por ela e desceu as escadas. — Eu não estou acusando alguém sem provas, só que não podemos deixar de lado essa descoberta. Ela estava com o livro e depois de tantos anos, quando o pegamos, tudo isso aconteceu. Além do mais, você não acha suspeito Hazel abandonar seu posto no Acampamento Júpiter sem mais nem menos?

— Você está dizendo que a mãe do meu namorado, que está preso no mundo inferior, tramou para a gente libertar uma deusa louca que sua irmã é fanática? E ainda quer colocar Hazel nessa história?

— Não, eu não sei o que está acontecendo. Por isso te chamei aqui. — Ela fechou a mão e bateu no corrimão de ferro. — Merda! Eu deveria ter chamado a Annabeth.

— É, devia mesmo. — Percy abriu a porta e saiu.



Notas finais do capítulo

Turobaum?
É engraçado escrever as notas hoje, sendo que a história só vai ser publicada daqui umas semanas KKKKK da uma ansiedade danada :v
Então já sabem, podem comentar que eu estou aqui. (Espero que eu esteja aqui, pq não sei nada sobre o futuro)
Beijos aos fortes.



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