Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 44
Ninguém está pronto para: Sequestrar Percy Jackson


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!



O Moravian Cemetery estava em um silêncio harmonioso. O pôr do sol iluminou as lápides em tons avermelhados. O lugar estava tranquilo e em paz, exatamente como dizia seu cartaz logo na entrada do cemitério. O escritório da administração havia sido fechado alguns minutos atrás e os cadeados dos portões foram trancados.

O Nissan Pathfinder de Drew Tanaka estava estacionado do outro lado da rua, já que o carro do acampamento foi usado pelos campistas que retornaram para seus chalés. O plano sofreu algumas intervenções, já que Butch teve que levá-los de volta. Então Dante se encarregou de usar o carro de Drew.

Thalia era muito boa em distorcer a névoa, por isso não foi difícil abrir os portões e deixar Dante entrar no cemitério, sem que ninguém percebesse o que estava acontecendo. Assim que fechou os portões, ela entrou no carro, sentando ao lado do motorista.

No banco de trás, Jason e Annabeth a aguardavam.

— Paz para quem já viveu o bastante. Que frase idiota. — Thalia comentou, olhando em seguida para Dante. — A Miss Simpatia mandou alguma mensagem?

O filho de Ares ligou o carro e apenas dirigiu em silêncio, deixando para Annabeth o trabalho de responder a pergunta de Thalia.

— Ela está no apartamento, aguardando a gente. — Annabeth pegou o celular, e digitou uma mensagem para avisar que estavam em movimento.

— Eu não sei porque estamos fazendo isso. — Thalia questionou, enfiando as mãos dentro dos bolsos da jaqueta de couro que vestia. — Está claro que é uma ideia estúpida, não podemos mexer com a morte desse jeito. O que Ártemis vai falar se descobrir?

— Então você prefere que Percy continue morto? — Jason perguntou, fazendo Thalia girar o corpo e encarar o irmão.

— Se era a hora dele, qual o nosso direito de interferir? — Ela voltou a sentar corretamente no banco e pediu para Dante ir mais rápido. Novamente não obteve respostas. — Vem cá, sua dona não deixa você falar? Ou é assim caladão mesmo?

Annabeth tocou nos ombros de Dante e pediu para ele ignorar o que Thalia dizia. A filha de Zeus ignorou aquela tentativa de contornar a situação, mas não estava também interessada em criar qualquer problema com Annabeth, sabendo que ela e Drew eram amigas. O que Thalia não entendia muito bem, já que era óbvio que toda aproximação com a filha de Afrodite terminava em um desastre eminente.

Dante estacionou o carro na rua próxima onde o enterro havia ocorrido. Desceu do carro e tirou duas pás do porta malas, jogando uma nas mãos de Jason. Eles caminharam pela grama até o túmulo. Diante da lápide, Annabeth tirou as flores que cobriam a terra ainda fresca por cima do caixão. Ela reuniu as flores em uma pilha e então os rapazes começaram a cavar.

***

O apartamento de Drew Tanaka na Upper East Side, estava iluminado por velas. Alex e Leo não moveram nem um centímetro, sentados nas poltronas ao lado da janela, conforme Drew ordenou que eles fizessem.

Após os ataques sofridos ao seu apartamento, Drew decidiu que seu pai e sua avó precisavam fazer uma viagem, assim poderia protege-los melhor. E conseguiu, graças a ajuda de Quíron. Com o apartamento vazio, a filha de Afrodite poderia ficar a vontade para dar continuidade ao trabalho. Ela chamou alguns dos irmãos que ainda confiavam em suas palavras, e pediu para eles protegerem o prédio.

Luke questionou sua decisão, pois achava que precisavam de reforço, caso alguma coisa desse errado. Drew estava convicta de que seus irmãos poderiam dar conta do serviço, mas deu o braço a torcer, quando Luke a alertou de que aquilo estava acima de tudo o que eles já haviam feito. Por isso, todo cuidado era pouco, ainda mais se tratando de um livro que ainda era dado como perdido e que, possivelmente, alguém iria querer recuperá-lo.

Embora as harpias tivessem sido derrotadas uma vez, ainda haviam muitas outras espalhadas pelo mundo. E, com certeza, Charlotte possuía um segundo plano, caso não conseguisse trazer de volta a Deusa mãe, ou o que fosse que ela estava tramando. Ou melhor, o que obrigaram-na fazer. Pois Drew ainda possuía convicção de que sua irmã era apenas um fantoche.

Luke entrou no apartamento, no momento em que Drew terminava de organizar seu mizbéahh, o altar para sacrifício. O que ela chamava de improviso, de acordo com a visão de Leo, era a coisa mais assustadora e bonita que já havia visto.

— Estão todos organizados. — Luke comentou, aproximando-se de Drew. — Butch já retornou do acampamento com alguns irmãos de Dante, eles vão dar conta de qualquer coisa lá no térreo, já seus irmãos, estão espalhados pelo prédio. Andrômeda, Travor e Connor estão no telhado.

— Annabeth disse que já estão no cemitério. — Leo se levantou da poltrona, achando que não valia mais a ameaça de Drew, quando mandou eles não se mexerem.

— Logo mais estarão aqui. — Alex também se levantou. — O que exatamente a gente precisa fazer? — Ele olhou para Drew.

Estavam todos com uma aparência cansada, mas ninguém se dava ao luxo de reclamar de sono ou fome. A adrenalina os mantinha em pé.

— Vocês dois podem ajudar os outros na segurança do prédio. — Drew analisou o livro, ele estava aberto sobre a mesa. — Quanto menos gente na sala, será melhor para minha concentração.

— Tem certeza? — Alex a olhou seriamente, Drew não pode evitar o olhar clínico e analítico de um filho de Atena, então ela desviou. Mas Alex não a questionou, concordando com sua decisão. — Qualquer coisa que precisar, estaremos por perto.

Ele e Leo deixaram o apartamento. Luke ficou em silêncio, pelo menos por mais alguns minutos, até que já não aguentava mais permanecer calado.

— A profecia. — Ele começou a falar, Drew ainda estava observando o livro das Harpias, com toda a sua atenção. — Ela ainda não foi cumprida, não é mesmo?

— Rachel é a pessoa mais adequada para lhe responder isso. — Drew pronunciou, sem mais detalhes.

— Ela está sob proteção, entrou em transe nas últimas horas desde que Percy foi enterrado. Quíron está segurando tudo isso, ele sabe o que nós estamos fazendo, pode não saber os detalhes, mas tenho certeza de que não deixaria passar desapercebido toda a nossa movimentação.

Luke aproximou-se de Drew e segurou em seu braço, exigindo atenção. Ele pediu que ela o olhasse em seus olhos e falasse a verdade. Ou, pelo menos, o seu verdadeiro plano.

— Eu não sei, pode ser que ainda não. — Drew gritou, irritada, puxando o braço.

— As mãos do amor, é você, não é? — Luke afastou-se.

— O que? — Drew engoliu seco, segurando as lágrimas. — Eu não sei de nada, apenas estou tentando fazer o que é certo. — Ela se justificou, com a voz embargada.

— Você precisa de uma moeda de troca. — O olhar de Luke recaiu sobre o livro, ele podia não compreender todas as palavras, pois elas variavam em diversos idiomas antigos, mas sabia como funcionava aqueles rituais que foram banidos por um único motivo. — Tudo bem, eu entendo. Não sou eu a alma perdida da profecia.

— Não, Luke. Você não entende. — Drew desistiu de parecer forte, deixando as lágrimas caírem. — Eu posso fazer isso sem uma moeda de troca. Basta que consiga se concentrar para que sua ligação com Nico funcione novamente. Ele tem o poder para mandar Percy de volta. E, com isso, Nico o libertará.

— Porque você está tão certa de que vai realmente acontecer desse jeito? O que você sabe que nós não sabemos?

— Eu só sei que não é a hora dele. Por favor, não me pergunte mais nada, estou uma pilha de nervos.

Mesmo se quisesse, Luke não teve tempo para perguntar, a porta do apartamento foi rompida naquele instante. Thalia e Annabeth entraram e, logo em seguida, Jason e Dante, carregando o corpo de Percy Jackson, vestido em um terno azul marinho. A flor em sua lapela ainda estava fresta e não havia sofrido dano nas horas em que permaneceu dentro do caixão.

Drew pediu para que Dante colocasse o corpo sobre a mesa imediatamente.

— O que nós precisamos fazer? — Thalia perguntou, sem muita paciência em sua voz.

— Saiam. — Drew ordenou secamente.

— Nem pensar que eu vou sair. — Thalia andou até a mesa, ficando ao lado de Percy. — Não vou deixar você sozinha profanando o corpo dele.

— Eu não vou pedir duas vezes. — Drew a encarou. — Vão ter que sair, todos vocês. Aliás, menos...

— Eu. — Luke acenou para Dante, dizendo que estava tudo bem, ele sabia o que fazer.

Jason convenceu a irmã a deixar o apartamento e, sob protestos, Thalia saiu. Annabeth ainda permanecia parada no mesmo lugar, ela então abraçou Luke, dando-lhe um beijo no rosto, pedindo para que ele cuidasse de tudo. Luke sorriu, fazendo um carinho no rosto dela, poderia ser aquela a última vez que iriam se ver. Ele queria poder dizer algumas palavras, mas preferiu que Annabeth deixasse o lugar com mais esperança do que medo.

Dante segurou a mão de Drew, dando força para ela.

— Você é mais do que qualquer coisa que as pessoas pensam. Eu estou orgulhoso. — Ele a beijou nos lábios.

— Se alguma coisa der errado... — Ela apertou a mão de Dante. — Cuide dos meus irmãos por mim, ok?

— Eu prometo. — Ele beijou a mão de Drew, com um sorriso desajeitado. Não era muito bom em despedidas. Parou ao lado de Luke e deu alguns tapinhas no ombro dele, então deixou o apartamento.

Luke se posicionou do outro lado da mesa, esperando que Drew lhe dissesse o que precisava ser feito.

— Assim que eu iniciar, pode ser que as coisas comecem a ficar feias lá fora. Você não poderá deixar essa sala. Dante não vai permitir que ninguém entre ou saia daqui.

— Eu não vou sair. — Luke observou Drew abrir os botões da camisa que o corpo de Percy vestia. Era estranho a forma como ele parecia apenas dormir, e não que estivesse morto.

Drew marcou o peito de Percy, criando duas runas gregas, de acordo com o que o livro exigia. Luke reconhecia ao menos aquelas marcas, uma para libertação e outra para a morte. Ela começou a evocar em uma língua antiga, os poderes do Deus da Morte, Thanatos.

Luke viu um clarão vindo do lado de fora e os vidros das janelas se estilhaçaram pelo apartamento. A cena foi se desenrolando devagar, em câmera lenta, até que ele viu em pé, do outro lado da mesa, Percy Jackson.



Notas finais do capítulo

Olá, queridíssimos, como vão? Espero que muito bem.
Como sempre, vocês podem ficar a vontade em comentar, mandar mensagem, falar um oi. Enfim, um beijinho gostosinho e até mais.



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