Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 42
Ninguém está pronto para: Planos pós morte


Notas iniciais do capítulo

É claro que eles tem algum plano muito maluco ♥



Com o sol a pino, o calor no estacionamento era insuportável. Leo e Alex encontraram abrigo embaixo de uma árvore, eles estavam sentados sobre uma enorme raiz, enquanto ouvia Annabeth questionar o motivo de todos estarem ali e a demora de Drew. Enquanto isso, Butch apenas concordava com ela. Leo até pensou que aquele era mesmo o jeito perfeito de não falar algo desagradável que estragasse relacionamentos. Iria guardar para si aquele conselho velado.

Decidiu seguir o conselho velado do filho da deusa do Arco íris, por que sua situação não estava muito boa para começo de conversa. Alex nada disse sobre a relação deles desde o desentendimento que tiveram com Jason. Mas era natural, afinal, os últimos dias não foram exatamente um mar de rosas.

Dante estava calado, o que não parecia ser uma surpresa muito grande. A tristeza estava estampada na cara de cada um ali. Andrômeda chorava baixinho no ombro de Travis e Luke não parecia melhor do que os outros. Ele não havia falado nada desde que chegou ao estacionamento.

Alguns minutos depois, quando Annabeth estava quase desistindo de esperar, Drew apareceu acompanhada de Thalia e Jason. Havia uma distância saudável entre eles.

Annabeth correu para os braços de Thalia. Elas já haviam se encontrado no interior da capela, onde o funeral acontecia, mas o conforto de um abraço parecia a melhor opção naquele momento.

Leo olhou para Jason, tentou falar alguma coisa, mas não conseguiu. Ele então apenas moveu a cabeça, como se quisesse compensar com as palavras.

— Agora que estamos todos aqui, você pode explicar melhor o seu plano. — Thalia ainda abraçava Annabeth, ela deu um beijo na testa da amiga, e lhe ofereceu um sorriu, falando que as coisas ficariam bem.

Drew olhou para cada um, buscando coragem para dar continuidade ao que queria revelar. Ela caminhou até seu carro, pediu ajuda para Dante abrir a porta do carro e de lá tirou alguma coisa que estava enrolada em panos bem encardidos. Leo realmente achou que aquele ano foi mesmo um grande ano de mudanças na vida da mais exigente das filhas de Afrodite.

— Depois que deixamos o Banco Grego... — A voz de Drew estava embargada. Ela respirou fundo e continuou falando. — Dante carregou o corpo de Percy até a superfície e eu achei que poderia fazer alguma coisa para ajudar. Mas eu não possuía poder algum para conter o veneno.

— Ninguém tem esse poder de ressuscitar, Drew. Não foi culpa sua. — Leo falou, na tentativa de consolá-la.

— Eu não tinha o poder de ressuscitar, mas eu poderia ter feito mais. Charlotte era minha responsabilidade. Ela foi a responsável pela morte de Percy.

— E agora ela está presa. — Annabeth aproximou-se de Drew. — Nós fizemos o que estava ao nosso alcance. Percy ficaria orgulhoso de você. Na verdade, ele estaria orgulhoso de todos nós. — As lágrimas escorriam pelo rosto da filha de Atena, conforme ela discursava. — Nós já perdemos pessoas maravilhosas durante os anos. — Annabeth olhou para Luke, e ele encolheu os ombros, sem dizer nada. — Percy ficará para sempre nos nossos corações, ele entra para a história pelos seus feitos. Imagina, se não fosse por ele, provavelmente não teríamos vivido metade das aventuras que vivemos. — Ela sorriu, tentando se convencer com suas próprias palavras.

— Foi uma honra conhece-lo. — Thalia colocou a mão no ombro de Annabeth, dando apoio. — É uma honra poder estar aqui, entre amigos, e compartilhar nossas histórias. De certo ele partiu muito cedo, e fará falta em nosso plano atual. Mas, com certeza, Percy merece um lugar no paraíso.

Luke aproximou-se de Thalia e Annabeth, cada uma agarrou um braço dele, apoiando suas cabeças no ombro do rapaz.

— Eu queria poder ter tido a chance de dizer para ele algumas palavras. — Luke deu um beijo na cabeça das meninas. — Mas a verdade é que eu não sei nem se é certo estar aqui, vivo.

— Talvez algumas coisas podem ser diferentes. — Drew desembrulhou o objeto que carregava e jogou os panos no chão. Ela mostrou o livro das Harpias que Charlotte havia roubado.

Todos a olharam de boca aberta.

— Como você conseguiu isso? — Leo apontou para o livro. — Eu tenho certeza de que o atingi quando invadimos o Banco Grego. Ele pegou fogo, a louca da Charlotte disse que iria me matar por destruir o livro dela.

— Eu retornei após a retirada de Moros e Charlotte. O livro é mágico, ele se protege quando se sente ameaçado. Foi um pouco complicado achar, mas aqui está. Eu devia ter entregue para o senhor D., mas não consegui ainda.

Leo tinha certeza de que aquela fora uma tarefa complicada. Imaginar Drew remexendo o esgoto atrás daquele livro dava um novo sentindo para a vida.

— Você acha que nesse livro tem algo que pode trazer Percy de volta? — Thalia falou descrente, embora ela já tivesse visto coisas demais para dizer que aquilo era impossível. — Esse era o seu plano?

— Eu descobri mais sobre o veneno. — Drew respondeu. — O que eu quero dizer é que podemos tentar usar o livro para criar uma poção para trazer Percy de volta. Ou pelo menos conseguir manter as portas dos dois mundos abertas. Então precisaria de uma ajudinha do outro lado.

— Nico. — Luke sussurrou.

O grupo começou a falar, todos ao mesmo tempo. Agitados com a notícia, faziam várias perguntas para Drew e ela não sabia qual responder primeiro.

— O veneno de catius é imperceptível até mesmo para os deuses. Eu descobri que existe um antídoto. Um pouco complicado de se fazer, mas pode dar certo. Não era a hora de Percy morrer, se vocês me ajudarem, poderemos trazê-lo de volta. — Drew apertava o livro entre seus braços, com força. — Vocês vão me ajudar?

— O que você vai precisar? — Thalia perguntou.

— A maioria dos ingredientes eu tenho no meu apartamento. Mas algumas coisas serão um pouco difíceis de conseguir.

— Como, por exemplo? — Annabeth parecia mais convencida com o plano.

— Sangue de um deus que tenha tido uma ligação com Percy e, é claro, o corpo dele.

— Quando você diz sangue, tem que ser um litro, ou uma gota? — Leo perguntou.

— Uma ampola ou duas. — Drew respondeu, tirando três frasquinhos de ampola do bolso do casac o de Dante. — Alguém precisa falar com Poseidon.

 

***

Nico se esforçava para equilibrar o corpo naquela posição pouco confortável em que se encontrava. Percy não colaborava também, mordendo suas costas.

 

Foi intenso, como deveria ser.

Nico não pode mais se equilibrar e deixou o corpo cair sobre a cama, enquanto Percy aproveitava um mero descanso em cima dele.

— Eu morri e estou no paraíso. — Percy girou o corpo na cama, saindo de cima das costas de Nico. — Quero dizer, você entendeu, não é? Cara, eu sou péssimo com isso. Existe algum livro de regras com frases proibidas aqui?

— Não que eu saiba. — Nico virou-se para olhar Percy relaxado em sua cama. Ele estava cauteloso, deixando levar as coisas sem pirar por completo.

Era complicado estar dentro de sua cabeça. Nico não saberia como explicar isso a Percy. Provavelmente acharia que ele estava enlouquecendo vivendo tanto tempo no mundo inferior.

— Você está muito calado. — Percy falou, acariciando os cabelos de Nico, após puxá-lo para ficarem abraçados na cama. — Não é que você seja a pessoa mais falante do mundo. Mas, até onde eu me lembro, nós tínhamos ótimas discussões na cama.

Nico encarava o teto, como se não houvesse nada melhor para olhar. Ele sentiu um leve aperto no peito. Não era uma dor lancinante, nada que parecesse problemático. Só que estava se tornando muito frequente.

Novamente, preferiu não preocupar Percy.

— Só aproveitando o momento. É gostoso ficar aqui com você. — Ele finalizou com um beijo. E já que Percy havia mencionado as conversas. Decidiu mudar de assunto, quem sabe assim ele mesmo poderia relaxar. — Você deixou alguma marca nas minhas costas?

— Claro que sim. — Percy riu. — Minha marca registrada. — Ele pensou por um segundo. — Isso soou muito estranho.

 

***

O plano era simples. Todos haviam compreendido qual era a sua função para que tudo desse certo. E, depois do enterro, se tudo ocorresse conforme o planejado, estariam deixando o Moravian Cemetery com o corpo de Percy Jackson e o sangue de Poseidon.

— Não podemos simplesmente ir lá e falar que vamos ressuscitar o Percy e tirar o corpo dele do caixão e levar para seu carro. — Thalia foi incisiva. — Nós não podemos fazer isso com a Sally. Ela já está sofrendo o bastante, se isso não der certo e ela tiver que enterrar o filho pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas, será humilhante e doloroso.

— Então vamos esperar que ele seja enterrado? — Drew a encarou, estavam tentando bolar um plano, mas não conseguiam pôr de lado suas diferenças.

— Consegue pensar em algo menos óbvio? — Thalia perguntou e Drew deu as costas.

Todos retornaram para a capela.

O enterro estava marcado para as três da tarde. Como era um costume, alguns amigos do falecido poderiam carregar o caixão até o local em que ele seria enterrado. Então Annabeth, Thalia, Luke e Quíron se ofereceram para essa tarefa.

Foi doloroso para todos ver o enterro de Percy, sabendo que havia uma chance de trazê-lo de volta. Sally Jackson era amparada pelo marido, do outro lado estava Poseidon, observando o caixão do filho abaixando.

No final do enterro, Sally ainda ficou mais um pouco, recebendo mensagens de apoio de todos. Aos poucos as pessoas foram deixando o cemitério, e ela foi acompanhada pelo marido até seu carro.

Poseidon continuou diante da cova do filho, flores brancas e azuis enfeitavam o local. O Deus dos mares estava imerso em seus pensamentos e lembranças do filho. Ver Percy crescer, estando longe dele, foi uma experiência diferente. Claro que amar seus filhos ele amava, mas Percy foi o resultado de um amor avassalador entre Posseidon e Sally Jackson. Era uma criança que, definitivamente, ele desejou.

De maneira cautelosa, Drew e Leo se aproximaram de Poseidon. Leo empurrou Drew para ir na frente, assim ela começaria a falar. Os demais semideuses seguiram cada um para cumprir sua parte no plano. Dante e Jason ficaram por lá mesmo, pois eles iriam ter o trabalho de retirar o caixão do local, mas, para isso, precisava que o lugar ficasse vazio.

— Senhor. — Drew falou, virando-se para mandar Leo ficar quieto com as mãos a empurrando. — Sinto muito por sua perda.

Poseidon olhou a filha de Afrodite e sorriu de maneira gentil. Ele não vestia a costumeira camiseta havaiana com estampas e uma bermuda. Usava calça social preta e camisa cinza, com um colete também preto.

— O mundo deveria lamentar a perda de um jovem como Perseu. Eu ganhei um filho maravilhoso. — Ele meneou a cabeça, e observou o semblante de Drew. — Sou velho o bastante para reconhecer esse olhar, menina. Igualzinha a tua mãe quando me procurava para pedir alguma coisa. Geralmente envolvia algo muito sério, para não dizer perigoso.

Drew engoliu seco, ela tentou se explicar, mas Poseidon sorriu novamente, erguendo a mão para que ela não se desse ao trabalho, afinal de contas, ele não precisava saber tudo o que aquelas crianças aprontavam. Preferia não saber. Perguntou então o que ela precisava.

— Sangue divino. — Drew respondeu, apertando os lábios e olhando para o Deus.

— Espero que saiba o que faz. — Poseidon respondeu e estendeu a mão para ela. Drew lhe entregou uma seringa com as ampolas. — Sabe porque faço isso? — Ele perguntou, fazendo a meio-sangue ficar curiosa.

— Não tenho ideia. Achei que seria mais difícil. — Drew respondeu.

— Confiança. — Ele falou. — Vocês transformaram toda uma geração. Serão lembrados pelos seus feitos. — Poseidon fez o trabalho rapidamente e entregou para Drew. — A mitologia nada mais é do que os feitos de grandes heróis, verdadeiros heróis.

Ele piscou e então sua imagem se dissipou no ar. Drew sentiu a brisa do mar bagunçar seus cabelos, ela olhou para Leo que estava com um sorriso animado iluminando seu rosto. Eles estavam prontos.



Notas finais do capítulo

Como vocês estão? Me conta tudo o que está rolando na vida de vocês, sinto saudades de conversar. Tinha gente que estava trabalhando muito, outros estudando muito, enrolados na vida pessoal. Joga em mim suas rotinas ♥ Sinto muita falta desse papo com meus leitores, afinal, vcs são grandes influências minhas para escrever sobre a vida humana em geral.

Sobre minha vida: estou usando o tempo livre para escrever, nem sempre consigo tempo livre para publicar tudo o que escrevo. Acho que vcs ja sabem que eu gosto de sentar e cuidar da historia com amor e carinho, prestar atenção no que vocês me falam, responder. Acho que é o mínimo que posso fazer, cuidar de vocês, pois sempre tira um minutinho da vida de vcs para ler algo meu ou comentar.

Espero não estar desapontando muita gente, mas todo mundo aqui sabe como a vida tá corrida, ainda mais nos últimos meses, nessas ultimas semanas que o país tá virado de cabeça para baixo :( as vezes o que nos resta é vir aqui ter um pouco de diversão e relaxar a mente.

Beijão, e até mais. Obrigada pela companhia e atenção que me dão.



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